terça-feira, 14 de abril de 2009

Luz, câmera e sala de aula


Começa hoje o terceiro ano letivo da Escola Livre de Cinema
por Josy Antunes

Cerca de 200 pessoas se espremeram nas salas da Escola Livre de Cinema na manhã do primeiro sábado de abril. Estavam ali atrás de uma das vagas para os cursos de que haviam tomado conhecimento pela mala direta da escola, disparada para os e-mails dos ex-alunos.

Em seu terceiro ano de funcionamento, a escola traz quatro cursos. A grande novidade será o curso profissionalizante, durante o qual os alunos produzirão um longa-metragem. Uma parceria com a UFRJ ensinará os ex-alunos a produzir e desenvolver seus próprios projetos. O crítico de cinema do jornal O Globo dará um curso de iniciação ao cinema. Haverá ainda o tradicional curso de animação, uma das marcas da escola.

A prova escrita, iniciada às 9h30, consistia de duas folhas de papel, que assustaram aqueles que ainda não tinham a avaliação em mãos, com um espaço destinado a experiências profissionais, ficha com dados pessoais e a pergunta – base para uma dissertação – que geraria futuras discussões: O Big Brother Brasil é ficção ou realidade?

“A questão é um dispositivo”, explicou Anderson Barnabé, um dos coordenadores da escola. “A gente quer entrar em contato com a capacidade cognitiva do aluno. Não é pra tomar partido de quem gosta ou não de BBB, mas a avaliação do aluno em relação a uma obra contemporânea.”

Ficção

Para a candidata Carine Caitano, de 17 anos, o reality show não passa de uma ficção: “Por estarem sendo vigiados por câmeras que exibem o que eles fazem fazem pra todo o Brasil e o mundo, ninguém age naturalmente”, afirma essa moradora de Caxias, que foi atraída pelos elogios de amigos que já estudaram na ELC.

Além da diversidade dos locais de origem dos candidatos – vindos em grande quantidade de Belford Roxo e Mesquita –, a mistura de idades surpreendeu os organizadores da seleção. “Pra fazer a prova, você precisa estar no segundo grau, não necessariamente tem que ter terminado”, frisou Barnabé. A faixa etária dos candidatos variou dos 17 aos 70 anos.

Na segunda fase da seleção, iniciada às 14 horas, o Secretário de Cultura e Turismo e ex-diretor da escola, Marcus Vinicius Faustini, fez um breve discurso com as informações necessárias ao apreensivo publico que havia realizado há pouco a prova escrita. “O pessoal que se inscreveu pra animação e pra aula do Rodrigo como primeira opção, já está selecionado”. Já os 66 que pretendiam fazer o curso de produção de um longa-metragem tiveram que ser sabatinados pela banca examinadora, composta por Daniel Schenker – crítico de teatro do Tribuna da Imprensa, Valquiria Ribeiro, Raul Fernandes e o próprio Faustini.

Profissional

Os candidatos, em grupos de quatro, foram questionados sobre experiências, não só na área de cinema, sobre rotina e assuntos pessoais e até sobre temas atuais, como novelas. Cristina Fernandes, após passar pela avaliação do quarteto, disse que as perguntas eram bem objetivas, pois já eram elaboradas de acordo com o desempenho na avaliação escrita. “Eu fiquei impressionada, porque a proposta aqui é bastante profissional”, conta a senhora, que ficou sabendo da seleção através de um anúncio no jornal.

Os ex-alunos só dispunham de três vagas para essa turma, que será fechada com 31 pessoas. Os que passaram pela escola em 2007 ou 2008 foram reunidos de uma só vez na sala onde ocorriam as entrevistas e tiveram a oportunidade de apresentar suas justificativas para que pudessem permanecer estudando cinema no local. O motivo para tal procedimento foi explicado em seguida por Faustini: “A gente acredita que tem que dar oportunidade a quem tá chegando agora”.

A Escola Livre de Cinema já está atendendo as crianças do Bairro-Escola, vindas das escolas municipais Jamir Clementino e Ana Maria Ramalho, que ficam nas proximidades. “A gente tá fundindo o popular tradicional da obra do Câmara Cascudo com o olhar e a narrativa do cinema. O tradicional com o contemporâneo, para desenvolver um trabalho bem focado no território dos meninos, trabalhando a partir de colagens do imaginário deles”, explicou Barnabé.

A caxiense Carine, selecionada para o curso profissionalizante à noite, já está na expectativa das aulas, que começam hoje. “Não tenho experiência nenhuma. Tenho muita vontade de aprender”, declara.

Interatividade:

Se pudesse produzir um filme em Nova Iguaçu, qual tema você abordaria?

2 comentários:

  1. Re. a interatividade: Eu aposto no realismo fantastico como tema de meus Roteiros!
    é algo não muito feito no cinema nacional mas é um tema muito belo..

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  2. Re.Um tema Romantico, até mesmo por ter uma Igreja que tem como Santo, Antônio mais conhecido como Santo casamenteiro. Daria uma história muito diversificada pois não deixaria de abordar grandes tradiçoes da Cidade.

    Victor Manaya...

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