quinta-feira, 30 de abril de 2009

Lição de Paul Harris

Professora aprendeu a se adaptar ao tempo das crianças especiais
por Suellen da Encarnação

A Escola Municipal Especial Paul Harris fica na alameda Presidente Roosenalt, 526, no alto de uma ladeira nas imediações do Hospital da Posse. É a segunda casa de Maria Letícia Dias Monteiro, de apenas sete anos, uma menina muito especial. Não pela sua deficiência, mas pela sua história de vida, iniciada prematuramente, depois de uma gravidez que durou apenas sete meses. "Ela só precisava engordar", lamenta a mãe, a professora primária Edna de Queiroz Dias Monteiro, 40 anos, moradora do bairro Carmary.

O que seria uma breve passagem no hospital terminou se transformando numa temporada de dois anos no hospital Fernandes Figueira, no Flamengo, durante a qual a pequena Letícia foi submetida a uma colostomia. Uma simples cirurgia no intestino, durante a qual os médicos inserem uma sonda para que passem as fezes, resultou numa paralisia cerebral decorrente de uma infecção hospitalar. "Os médicos me disseram que só um milagre a salvaria", conta a mãe com a filha no colo, no pátio da escola que há 24 anos é referência em crianças especiais em Nova Iguaçu.

Não foi por falta de oração que a pequena Letícia sobreviveu, ainda que tenha que conviver com as sequelas que acompanharão por toda a vida. "O meu maior medo foi de perder minha filha", conta Edna Monteiro, que jamais perdeu a fé e a alegria de viver. "Em minhas orações, pedia a Deus para que não tirasse ela de mim." No entanto, só foi depois do encaminhamento da menina para a Paul Harris que a professora aprendeu a conviver com as limitações da filha. "Hoje eu sei que não são as crianças que têm que se adaptar com a gente”, conta. "Somos nós que temos que nos adaptar ao tempo delas."

Primeiros passos
Devido a um novo parto prematuro, que resultou na internação do seu filho mais novo na UTI, Edna Monteiro não pode ver o dia em que a filha andou pela primeira vez, quando tinha quatro anos. "Foi uma tristeza muito grande, pois meu sonho era ter visto os seus primeiros passos." No entanto, ela não se arrepende de ter ficado com o filho no hospital. "Tive muito medo de acontecer exatamente o mesmo com meu filho, mas graças a Deus ocorreu tudo bem."

Ela já sofreu muito preconceito, mas os episódios que mais lhe marcaram ocorreram dentro de sua própria família, que jamais aceitou uma criança especial. Além disso, é forçada a conviver com a falta de solidariedade das pessoas. "Quando entro no trem e não tem lugar para sentar com a criança, dificilmente alguém se levanta para dar lugar para a gente."

Edna Monteiro dá graças a Deus por trabalhar no CIEP 099, na Posse, onde tem privilégios que não teria em uma escola particular. Um desses privilégios lhe foi de grande utilidade na época em que levava a filha todos os dias para o Instituto Fernandes Figueira. "Tinha que sair do trabalho ao meio-dia para poder estar no Flamengo às três." Também tem sido de grande utilidade o direito de trabalhar em uma escola a no máximo uma hora de distância de sua casa, além das folgas que consegue para levar a filha ao médico. "Somente este mês eu precisei levar Letícia seis vezes para a fisioterapia."

Todo esse sacrifício é plenamente recompensado pela relação que estabelece com a filha, que é a razão de sua felicidade. "Por mais que ela ainda não fale, eu consigo entendê-la, eu sei o que ela quer, do que ela gosta." Letícia também é quase mediúnica em relação aos sentimentos dos pais e de seus três irmãos, que abraça sempre que os vê tristes. "É como se ela estivesse dizendo: ‘mãe, não chora.’ Isso me emociona muito, pois a cada dia eu aprendo mais com ela. É uma lição de vida."

3 comentários:

  1. adorei todas as materias muito enteresante
    ass:aline

    ResponderExcluir
  2. não tenho certeza mas acho que conheço edna . A exatamente 26 anos eu deixei Nova Iguaçu e uma grande amiga aí posso estar enganada mas pode ser a mesma pessoa trocamos correspondencia durante muito tempo depois perdemos contato. pelo amor de DEUS me ajudem. Preciso saber se é ela mesmo.Meu nome é Fátima e atulmente moro em Recife-PE.EU MORAVA NA AV.ANTONIO CUNHA,552.BAIRRO JARDIM BOA ESPERANÇA-NOVA IGUAÇU.ELA TEM OLHOS ESVERDEADOS, CABELOS PUXANDO PARA CLARO. ASS: FÁTIMA OLIVEIRA

    ResponderExcluir
  3. eu conheço edna minha filha estuda lá tambem é uma otima escola

    ResponderExcluir