sexta-feira, 3 de abril de 2009

Cinéfilos roxos

Cinerock leva cinema e rock para Belford Roxo
por Josy Antunes

O mês de março ficou marcado pela estreia do Cinerock, um projeto que tem como objetivo reverter o quadro de precariedade cultural das cidades da Baixada com cinema e rock independente. Foi no dia 21, na Pian, mais especificamente no Centro Cultural Donana, o principal espaço de Belford Roxo até meados da década 90. “Foi um grande desafio reativar um antigo centro cultural, parado há mais de dez anos”, lembra Diego Jovanholi, um dos organizadores do evento.

Além de facilitar o acesso à cultura, o Cinerock pretende abrir espaço para quem produz arte na Baixada, principalmente filmes e músicas. Amadurecido em longos debates realizados entre amigos de Belford Roxo, o projeto teve vários formatos até chegar à proposta final. Um desses formatos foi o de um festival para bandas alternativas, de que o grupo desistiu ao perceber que apenas os artistas midiáticos têm vez em shows autorais. Diego Jovanholi tocava numa dessas bandas, a Lacônico.

Para fugir a essa regra, Diego Jovanholi e os companheiros da Lacônico organizaram o Rock no Pastel como um primeiro passo rumo a um evento mais pretensioso. “Pegamos nosso som, botamos debaixo do braço e fizemos um show em frente à pastelaria de um amigo, no meio do Xavante”, conta o músico. A falta de divulgação foi compensada pela cena inusitada, que terminou atraindo um público considerável para o show. “O pessoal da rua parava pra ver com a maior curiosidade”, recorda Jovanholi, atualmente guitarrista da banda Alícia, uma das que levaram seu som ao Cinerock.

O sucesso do Rock no Pastel estimulou Diego a criar o blog “Loud Channel” onde ele e mais dois amigos escreviam sobre filmes, trilhas sonoras e música. “Nossa maior loucura foi ir até São Paulo na Virada Cultural, para cobrir o evento.” A inquietação de criar algo que mostrasse as bandas locais continuava, embora não soubessem como. Foi em dezembro de 2008 - após conhecer os organizadores de cineclubes como o Buraco do Getulio e Mate com Angu – que surgiu a ideia do Cinerock. “Queríamos fazer um evento que rodasse a Baixada toda, mostrando o que estava sendo produzido pelos novos artistas. Foi quase que um manifesto!”, justifica o guitarrista.

Mais carente
A escolha de Belford Roxo para abrigar a estreia se deve ao fato de que essa é a cidade da Baixada mais carente do ponto de vista cultural. Para organizar o espaço do Donana, os oito organizadores do Cinerock trabalharam em tempo integral ao longo de uma semana. “Se não fosse essa equipe maravilhosa, não teríamos conseguido. Foi muito cansativo, mas valeu a pena cada gota de suor”, declara Diego. O Centro Cultural foi decorado com obras de Dida Nascimento, além de vários detalhes que davam ao ambiente cores, beleza e uma sensação de extremo conforto.

Além da exibição de curtas realizados na Baixada e das apresentações de bandas locais, o Cinerock promove debates com o público. “Todo mundo tem que ter voz ativa”, explica. O debate que abriu o que promete ser uma série de muitos foi mediado pelo artista plástico e músico Dida Nascimento, que contou sua história pessoal e a do Centro Cultural Donana antes de perguntar a razão de não haver movimentos culturais tão sólidos como os que existiam até a última década do século passado. O bate-papo esteve aberto a intervenções e teve a participação de Vicente Freire num segundo momento. “O poder público de Belford Roxo precisa acordar para a importância de eventos como esse”, afirmou Vicente Freire.

A próxima edição do Cinerock ainda não tem data e local definidos. Porém, os já seguidores do encontro, podem manter suas expectativas, não só quanto a ele, mas também em relação a outras idéias de Diego e seus amigos. “Estamos querendo desenvolver uma oficina de desenho livre, para crianças, adultos e idosos. Só vamos correr atrás de patrocínio, para o material ser gratuito”, conta ele, que junto com mais duas pessoas, está desenvolvendo o Portal Pública Alternativa. No site - publicaalternativa.com.br - será possível encontrar um coletânea do que vem sendo produzido, além da agenda do grupo e seus eventos. “Também estamos querendo produzir curtas com os materiais que temos, como câmeras digitais e de celulares”, explica Jovanholi. “Com vontade se faz tudo”.

6 comentários:

  1. irado!!!!!
    :)

    Cristiane

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  2. Parabens pela iniciativa CineRock!!!!!!!! Abs, Marcinho

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  3. Nossa que legal!Bela iniciativa !!!
    Sucesso !!!!
    Bjs Lu Moreira

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  4. CineRock foi tudo!! E o próximo será em breve....

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  5. Parabéns a galera que participou e curtiu o Cinerock... até o próximo em breve!!!...

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