sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Quebra de tabu

Jovens da Baixada e da Zona Sul criam estratégias para debater sexualidade
Por Flávia Ferreira

Se juventude for sinônimo de pertencimento, participação e atitude, os nove jovens que se reuniram na sala de informática da Escola Britânica, na Urca, Zona Sul do Rio de Janeiro, na tarde da última quinta-feira, podem ser considerados símbolos dessa estranha categoria social. O encontro tinha como objetivo pautar o grande debate sobre sexualidade que será realizado no próximo dia 25 de novembro, no mesmo endereço. O debate irá problematizar questões suscitadas pelos jovens no dia da pré-estréia do filme "Última Parada 174", em um evento promovido pelo Unicef em uma das salas do Artplex, em Botafogo, também na Zona Sul do Rio de Janeiro.

O reduzido número de pessoas, antes de ser um empecilho para a tempestade de idéias, foi premeditado. “Dessa forma, cada um dos nove jovens poderia opinar e sugerir perguntas relevantes ao debate com mais tranqüilidade”, disse a antropóloga paulista antropóloga paulista Marcella Camargo, secretária adjunta de Cultura e Turismo e dinamizadora do grupo. Alguns tentavam dar tom de polêmica para aquecer o debate. Com muita clareza, este tabu chamado sexualidade foi facilmente derrubado.

Aborto, homossexualidade e pedofilia foram alguns dos temas levantados. Houve histórias pessoais e de pessoas próximas aos jovens presentes na sala. Não faltaram idéias feministas, machistas e religiosas. Em cada tema era possível escolher uma bandeira para levantar. No entanto, Marcella fazia questão de lembrar que este encontro não era um debate e que não se podia gastar tempo com estas discussões. “Temos horário para entregar a sala”, lembrou.

O grau de entrosamento entre estes mundos distintos (Baixada e Zona Sul), porém interligados pelos problemas sociais dos grandes centros urbanos, foi instigante. Não havia dinheiro, classe e cor. Somente jovens preocupados em realizar um movimento atuante que fosse válido para o debate. A única discrepância era o sotaque carregado de alguns participantes, como Paloma, da Escola Americana, e Igor Tumasov, da Escola Britânica.

Ainda há pessoas que enxergam a juventude como uma etapa da vida que só traz problemas e preocupações. Movimentos como este mostram que é possível integrar as diferentes culturas, classes, ideologias e etnias desta sociedade capitalista em busca de discussões que geram ações e que possam intervir na vida cotidiana.

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