domingo, 26 de outubro de 2008

Não é assim que funciona

Jovem repórter se comove com história de Sandro, mas não o isenta de culpa
Por Louise Teixeira

Depois de “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”, somos convidados a assistir um novo lançamento nacional que concorre ao Oscar falando dos nossos problemas, "Última parada 174".

Estes filmes mostram diversos olhares sobre o que é a favela, o bandido e o policial e, sabe, quando assistimos 174, nos envolvemos de tal forma com Sandro que passamos a não achá-lo um monstro.

É, talvez não fosse, mas somente quando paramos para discutir sobre o filme ou para contar a história a alguém é que percebemos o diretor nos induzindo sutilmente a ver uma polícia despreparada, um centro de detenção para menores aos pedaços (fatos que realmente não podemos negar) e também a justificar os erros de Sandro por sua falta de oportunidades.

Não, não é bem assim que funciona.

Sandro tinha (ao menos na ficção) uma amiga com contatos e disposta a ajudar (a fulana da ONG), e uma mãe adotiva pronta para o por “na linha”.

Vimos que Sandro não passava de um drogado armado, que acabou seqüestrando um ônibus na loucura... Ou então um Sandro marcado por um passado de sofrimento e repressão...

Este longa nos faz pensar no nosso Rio, no nosso Brasil; nos faz, mais uma vez, passar vergonha pela nossa situação quanto à justiça e segurança nacional.

Um filme bem feito e intrigante, emocionante, que nos leva a refletir sobre nosso papel na sociedade, como ajudar um Sandro, um Alê Monstro...

Uma história de vida realmente diferente, mas ao mesmo tempo já comum, previsível para um menino de rua.

Mas não, não dá pra justificar certos atos...

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