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terça-feira, 22 de julho de 2008

Caravana da diversão

Três dias de festa, calor e brincadeiras no Campo do Brasileirinho

Por Flávia Ferreira

fotos: Flávia Ferreira e Camila Elen

"Precisamos levar Educação, Esporte, Arte e Cultura para o mundo de lugares no Brasil que ninguém vai e ninguém chega", disse ex-jogadora de vôlei Ana Moser, idealizadora da Caravana do Esporte e da Música. Foram três dias de festa, suor, calor e brincadeiras no Campo do Brasileirinho, Ouro Preto. As 3.600 crianças que participaram do evento deixaram a ex-jogadora entusiasmada. "O nosso trabalho foi só colocar uma luz sobre este local e fazê-lo ser visto", disse ela.

Devido à grande participação dos jovens de Nova Iguaçu, os organizadores da caravana tiveram que criar um corpo de voluntários."O voluntariado foi incorporado este ano porque sentimos a necessidade de jovens participando ativamente do projeto, para que pudessem ser produtores de eventos sociais", disse Mariana Gabriel, a produtora da Caravana de Esporte.

Unicef e prefeitura

"Tudo isso pôde ser viabilizado por conta do trabalho realizado pelo projeto Bairro-Escola e da intimidade do Unicef com a prefeitura de Nova Iguaçu", disse Ana Moser. Ela comanda a caravana de esporte e Daniela Mercury, a de música. O IEE (Instituto Esporte e Educação) também participa da produção da caravana.

Apesar do calor intenso, as crianças não paravam de falar o quanto aprenderam com as oficinas e os professores. "Foi muito bom, porque trouxeram atletas para conhecermos e nos ensinaram o esporte de uma forma legal e divertida", disse a suada Kethlen dos Santos, 11 anos. Como ela, as outras crianças falavam da Caravana, e de todas as oficinas por que passaram, com um certo brilho no olhar.

Laranjas e amarelas



As crianças que estavam com a blusa laranja revesavam nas oficinas esportivas e as de blusa amarela, na oficinas musicais. As oficinas esportivas foram ministradas por atletas e professores especializados. Houve oficinas de brinquedos reciclados, basquete e vôlei, judô, handebol, atletismo, tênis e futebol.

A oficina de basquete usou aros maiores e mais coloridos, para que as crianças pontuassem bastante. As oficinas de judô e handebol foram ensinadas de forma lúdica. A de atletismo unificou as várias modalidades em um minicircuito. Como era de esperar, a oficina de futebol foi a mais procurada pelos meninos.

Pouco gasto
As crianças de amarelo pse reuniram nas tendas espalhadas no campo, onde foram realizadas as igualmente animadas oficinas de música e dança. Elas trabalhavam com coordenação motora, ritmo, marcações, sensorialidade e lateralidade, entre outras coisas.

Além das oficinas infantis, a caravana dos esportes e da música fizeram um trabalho de capacitação dos profissionais ligados à educação. Rondson da Lima, 25 anos , oficineiro de cultura da E.M. Ivonete (CM), foi uma das pessoas que participou da oficina de música. "Essas oficinas me fizeram perceber que posso trabalhar música com poucos componentes e com pouco gasto."

Não pense que parou por aí. Os 'grandinhos' também tiveram seu momento de diversão. À noite, inúmeros artistas locais se apresentaram, no primeiro dia no Sylvio Monteiro e nos outros dois no próprio Campo do Brasileirinho. A ESPN, promotora das caravanas, acompanhou de perto os trabalhos.

Dinheirinho

A comunidade aproveitou a caravana para ganhar um dinheirinho. Esse foi o caso de Carlos Alberto Leão, que ganhou o dia enquanto as crianças brincavam. Ele é sorveteiro e montou sua máquina em frente à casa da sogra, próxima ao campo. As quase 3.600 crianças que passaram pela caravana puderam se refrescar com o sorvetinho de seu Carlos. "O movimento foi contante."

Os envolvidos no evento também não resistiram ao calor e recorreram ao sorvete do seu Carlos."Os lucro subiram nestes três dias de caravana e isso é muito bom." Parece que a família de seu Carlos tem tino para o negócio. Bruna da Silva, comerciante e parente de seu Carlos, vendia salgados na barraca de sua mãe. Ela também lucrou com o evento. "Tivemos que em um dia fazer três vezes a massa de coxinha, porque acabava tudo", comemorou Bruna da Silva.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Um salto de qualidade

Escola de Aliança atingiu a meta de 2015

Texto e fotos por Marcelle da Fonseca

A Escola Municipal Chaer Kazen Kalaoun alcançou 4,7 no Índice de Desenvolvimento no Ensino Brasileiro (IDEB), ficando em 3º lugar no município de Nova Iguaçu. Além da ótima nota, a escola de Aliança foi a que deu o maior salto: a média obtida no último IDEB, realizado em 2005, havia sido de 3,3. O objetivo da escola para o IDEB deste ano era obter a média 3,4. “Atingimos agora a meta de 2015”, exulta Luciene Conceição Pereira, 30 de anos de idade e sete anos à frente da escola.

Mas essa não foi a primeira conquista expressiva desde que a Chaer Kazen Kalaoun passou a investir “em cultura, educação e no bem-estar das crianças”. “Fomos campeões do atletismo sub-11 do último JOENI”, orgulha-se a diretora. Embora o salto de qualidade tenha sido potencializado com a chegada do Bairro-Escola, Luciene Pereira acredita que a escola esteja fazendo outros trabalhos instigantes com as crianças. “O nosso salto de qualidade se deveu ao horário integral, às atividades extracurriculares e aos novos métodos de ensino adotados”, avalia a diretora.

Vínculo com a comunidade

Quando assumiu a escola, uma das primeiras providências que tomou foi reforçar o vínculo com a comunidade. “Aqui todos são responsáveis”, afirma. E uma breve caminhada na escola é suficiente para que se perceba a importância dos professores, voluntários, oficineiros e principalmente mães de alunos no seu trabalho pedagógico. “Todos ajudam muito a manter a ordem e a disciplina das crianças”, diz. Mas ela dá um especial destaque a duas pessoas: a coordenadora do horário integral Gisele Barreto, que já trabalhava na escola quando Luciene Pereira chegou lá, e ao oficineiro Renato Jamaica, que entrou na Chaer Kazen Kaloun por intermédio do Nós do Morro e hoje dá aula de teatro na Escola Aberta.

Luciene Pereira também credita o sucesso da escola a algumas atividades extracurriculares inovadoras. “Os alunos adoram as novidades de aprender”, conta ela. Uma dessas atividades foi batizada como ‘Brincando a gente aprende’, que utiliza atividades lúdicas para realizar atividades pedagógicas. Também faz o maior sucesso com as crianças a “Sou Leitor” e a “Caixa Mágica”. Esses dois últimos projetos, que têm o objetivo de incentivar a leitura na escola, estão sendo coordenados por Leila Marise. “Eu sorteio um aluno por semana para levar a caixa para casa com dois livros”, explica Leila Marise. “Um é para as crianças lerem e um outro, de literatura, para que os pais também possam estar se envolvendo na leitura.”

Presas nas histórias

A atividade “Sou Leitor” é uma sacola na qual o aluno do horário integral leva para casa o livro que deseje levar emprestado para casa, dentro da bolsinha que é uma marca registrada do programa. “As crianças se amarram na ‘sacolinha’”, conta Leila Marise. Outra atividade que estimula as crianças à leitura reside na contação de história. “Quando acabo de contar a história, faço uma atividade dentro do tema da história”, acrescenta ela. Segundo a professora, as crianças ficam presas nas histórias em função das atividades que vão realizar depois.

Para a diretora, o espaço físico de que a escola dispõe também contribuiu para o salto de qualidade registrado no último IDEB. “Hoje nós temos 10 computadores no nosso Telecentro”, contabiliza Luciene Pereira. Esses computadores deram uma nova vida às aulas de informática, implantadas na escola em 2006. “O Telecentro reforça os vínculos da escola com a comunidade, que é tão carente que não tem nenhuma lan house”, diz a diretora.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Escola na praça

Evento em praça do Bairro Palhada reúne a garotada e muda o ponto de vista dos pais a respeito do Bairro-Escola na comunidade.



Texto e fotos por Daniel Santos
Imagens de celular

Os pais dos alunos desconheciam o trabalho realizado pelo Bairro-Escola na escola Municipal Edna Umbelina e por isso muitos alunos não aderiram ao horário integral. Para mostrar como é o trabalho, os coordenadores do programa se articularam com os moradores da Palhada e organizaram um evento na praça do conjunto Rosa Branca Palhada. O evento, que se estendeu das nove horas da manhã até as dez da noite, promoveu oficinas culturais, esportivas, artes plásticas, grafite , audiovisual e dança do ventre, entre outras coisas.



"Só a escola é muito pouco para se articular com a comunidade", diz Rômulo Sales, o coordenador das oficinas culturais do Bairro-Escola. "O evento abriu as portas para mudar a situação do bairro."




Expressão de alegria

As crianças se divertiram com as brincadeiras e ficaram felizes com o carinho dos oficineiros."Gostaria que sempre tivesse essas brincadeiras na praça", diz Mariane Luíza, oito anos, aluna da segunda série.



"Adorei as oficinas de pintura e malabares", diz a menina, que tem o sonho de se tornar professora.Uma das oficinas que mais mobilizou os moradores foi a de grafite. Ela mudou o aspecto do paredão e deixou uma nova referência na praça.



"Um muro sem grafite demonstra um lugar sem vida", diz Marcos Henrique de Oliveira, mais conhecido como Piri. "Já o muro com grafite expressa arte, vida e alegria."





Vitória da catadora


O evento foi organizado em parceria com o comércio local, a associação de catadores de ferro-velho do bairro e a prefeitura de Nova Iguaçu.

"Se a população se unir, a gente vence", diz a catadora de ferro-velho Durvalina Lima de Oliveira, 25 anos, mãe de cinco filhos e uma das principais pessoas responsáveis pela realização do evento. "A população precisa fazer a parte dela, pois isso é pra nós mesmos.


"Embora nenhum dos seus filhos seja beneficiado pelo Bairro-Escola, a catadora se disse gratificada só de "ver as crianças brincando". "Não consegui vaga para meus nas escolas municipais, mas eu sei o que é o projeto e aconselho o pessoal a participar."


Mais cidadão


O evento só não foi mais bem-sucedido porque houve problema com a aparelhagem de som, que animaria a festa junina no final da noite. O problema do som também comprometeu a apresentação dos cantores do bairro. As crianças aproveitaram o palco vazio e fizeram a maior farra em cima dele.


"A grande dificuldade foi de as pessoas abraçarem a idéia", afirma a técnica de enfermagem Rejane Arruda. "Sabendo que tem alguém se importando conosco, a gente se sente mais cidadão. Muito bom ver acontecimentos como esse no nosso bairro."

quarta-feira, 28 de maio de 2008

O bê-a-bá do Edital

Pontinhos de Cultura: Caravana vai às escolas para facilitar a construção dos projetos.

Por Flávia Ferreira
Foto: Louise Teixeira

Em uma matéria que publiquei recentemente, falei do lançamento do edital do Pontinho de Cultura/Escola Viva - Bairro-Escola. Como o prazo de entrega dos projetos termina no dia 16 de junho, a Secretaria Municipal de Cultura (SEMCTUR) criou três equipes para mobilizar e estimular a comunidade a propor projetos culturais que contemplem os alunos do segundo seguimento das escolas municipais de Nova Iguaçu - sexta à nona séries.

Cada equipe vai, em caravana, nas 31 escolas municipais de Nova Iguaçu que serão atendidas pelo pontinho de Cultura. Como ajuda é sempre bem-vinda, a Secretaria de Cultura acionou a Secretaria de Juventude (SEMJUV), a Secretaria de Educação (SEMED) e a Secretaria de Participação Popular (SEMPP).

Essas caravanas vão às escolas conscientizar os pais, professores, grêmios estudantis, enfim, todo o corpo escolar. Os artistas locais também são importantíssimos para sugerir os rumos da cultura na cidade. "Nesses encontros falamos um pouco do edital, damos o endereço do site onde ele pode ser encontrado e, é claro, convidamos a comunidade para participar", diz Sandra Mônica, responsável pelo edital na Secretaria de Cultura.

Sandra Mônica está muito animada com o processo. "As pessoas nos procuram para tirar mais dúvidas, inclusive os jovens, que nos chamam para mostrar o que sabem fazer ou até falar de conhecidos que podem ingressar no projeto."

O pontinho é extremamente democrático, pois qualquer projeto pode participar, desde os tecnológicos, como operar câmera filmadora, por exemplo, até os artísticos, como ensinar teatro e dança. A idéia é elevar o potencial de cada lugar e aumentar o gosto pela produção cultural de Nova Iguaçu.

As caravanas já estão na rua para convocar a comunidade para participar do edital. A equipe de Sandra, constituída por ela e André Luís Fernandes (SEMJUV), já passou por Califórnia, Jardim tropical, Nova América, e ainda vai rodar por Cobrex, Cerâmica, Prados Verdes, Jardim Europa e Carmari. As outras duas equipes vão cobrir os outros bairros.

Jovens se interessam pelo Pontinho de Cultura

A caravana tem sido uma experiência gratificante para Sandra Mônica, pois as pessoas falam de seus sonhos. "Tem sido muito animador, pois as pessoas nos procuram para tirar mais dúvidas, inclusive os jovens, que nos chamam para mostrar o que sabem fazer ou até falar de conhecidos que podem ingressar no projeto", diz a secretária adjunta de Cultura. Segundo ela, o pontinho faz parte de uma luta das pessoas envolvidas com cultura para atrair mais investimentos públicos em uma atividade que fazem com amor. "Esse edital traz a oportunidade de investimento nesse amor."

As equipes escolares e os adolescentes também estão se mobilizando a favor desse movimento. "Sempre pedimos para que mobilizassem a comunidade, porque eles, mais do que ninguém, sabem quem são os envolvidos com a cultura local".

A primeira oficina do pontinho reuniu cerca de 40 pessoas. Nela, as pessoas puderam tirar dúvidas, interagir uma com as outras e até firmar parcerias para construir seus projetos. "Não precisa ser um projeto individual. A idéia é que as pessoas do bairro se conectem e possam trabalhar juntas." Sandra diz que unir diferentes forças de trabalho pode ser um meio de melhorar o projeto e torná-lo mais atraente para os meninos. "Porque para o pontinho os jovens têm que desejar e aderir às oficinas", diz Sandra.

Clique aqui e fique ligado nas oficinas de construção de projetos para o Pontinho de Cultura.

Em caso de dúvida, ligue para SEMCTUR. Tel.: 2667 - 1851 / 26667 – 6208. Fale com Sandra Mônica ou compareça na sede da secretaria, que fica na Av. Nilo Peçanha, 480, Centro de Nova Iguaçu.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Pontinho de partida

Começam as caravanas para divulgar o Edital Escola Viva/Bairro Escola pelos bairros.

Por William Faria da Costa

Imagens: Natália Ferreira, Grabiela Gama e arquivo jovem repórter

Mais de 50 pessoas marcaram presença na Escola Municipal Venina Correa, no bairro Califórnia, para o lançamento do edital Escola Viva/Bairro Escola, carinhosamente chamado de "pontinhos de cultura".

O lançamento contou com a presença de pessoas preocupadas em contribuir para integrar cultura e educação. Entre os presentes, destacamos a particapação da diretora do colégio, de professores, alunos, pais de alunos e representantes de espaços culturais e projetos educacionais. Regiane Pavan, coordenadora do projeto Escola Aberta, e Edson Ribeiro, coordenador do Bairro Escola na região da Califórnia, ficaram atentos aos informes. Representando os espaços culturais, vieram o espaço Na Encolha, ABES e Escola de Dança de Nova Iguaçu, entre outros.

Écio Salles e Sandra Mônica, secretários adjuntos de Cultura e Turismo, falaram para todos que o objetivo do projeto é realizar um casamento entre a cultura local e a escola, valorizando a sabedoria popular. Eles fizeram uma analogia com essa metodologia, dizendo que, como nossas mãos, uma precisa da outra para aplaudir.

No edital, está escrito como os espaços culturais e pessoas da comunidade civil poderão mandar seus projetos. Todos passarão por uma seleção. Esses projetos devem propor oficinas práticas nas áreas:

  • Artes Visuais: que englobam fotografia, instalação artística e artes plásticas em geral;

  • Arte e Cultura Popular: danças típicas, contação de história e ritmos musicais mais identificados com o local;

  • Literatura: oficinas que apontam para a descoberta da poesia e sua produção pelos alunos;

  • Música: aprendizado de noções de técnicas de canto, instrumentos musicais e percurssão.
A seleção dos projetos será feita pela Comissão Permanente de Licitação (CPL). Os projetos devem ser inscritos junto à Comissão Permanente, anexa à prefeitura. O edital foi elaborado para dar um caráter mais democrático ao processo seletivo. Os projetos enviados terão que ser direcionados para escolas do município de Nova Iguaçu com alunos no segundo seguimento, que vai do 6° ao 9° ano escolar. Para a Secretaria de Cultura e Turismo, o essencial é que haja uma interação entre os canditdatos, para que, em conjunto, os projetos possam ser mais completos. Vale lembrar que os projetos selecionados poderão utilizar espaços fora das escolas contempladas com os mesmos.

Numa conversa com Écio Salles, ouvimos que a idéia para os "Pontihos de cultura" surgiu de uma conversa entre Maria Antônia, coordenadora geral do Bairro Escola, e o ministro da Cultura Gilberto Gil. Nessa conversa, eles discutiram a pouca conscistência em políticas culturais para educação, entendendo a necessidade de se realizar um "do-in Cultural", potencializando pontos culturais que estão sendo poucos utilizados.

A cidade de Nova Iguaçu é pioneira com o Escola Viva/Bairro Escola, tendo projetos parecidos somente no centro do Rio de Janeiro e em algumas cidades da Bahia. Écio Salles também nos disse que a Secretária de Cultura não procura um tipo de projeto específico, mas quer ter uma variedade de opções que fale tudo sobre os costumes populares.

- Já houve uma grande proucura por informação por parte dos atores culturais. Ainda não foram feitas inscrições, pois estamos esperando todos os interessados tomarem conhecimento de todo conteúdo do edital - completa Écio Salles.
A estratégia para mobilizar toda a cidade é realizar caravanas diárias nas escolas, convidando os atores culturais para que eles construam os projetos em grupo, formando redes de cultura e potencializando ainda mais esses projetos.

- O lançamento do projeto "Pontinhos de cultura" foi muito bom porque encontramos as pessoas que queríamos - revela Écio. Estavam aqui os pais de alunos, diretores, professores e atores culturais.

Para surpresa de todos que estavam no lançamento, houve uma manifestação cultural de duas alunas: Pâmela Rayane Santiago da Silva, 13 anos, e Taiza de Souza Amaro, de 14. As alunas cantaram o hino de Nova Iguaçu com uma batida diferente, feita somente pelas suas próprias mãos em seus corpos. Isso mostra que o projeto "Pontinhos da cultura" dará frutos para os adolescentes e jovens que estão entre o 6° e o 9° ano escolar.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Vanguarda cultural

Nova Iguaçu é a primeira cidade do Rio de Janeiro a lançar edital para Pontinhos e Fundo Municipal de Cultura.

Por Flávia Ferreira

Fotos: Felipe Rodrigo e Giselly Reis

A platéia que superlotou o teatro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro na noite da última segunda-feira aclamou o lançamento do Edital Escola Viva Bairro-Escola e do Fundo Municipal de Cultura Escritor Antônio Fraga. A solenidade reuniu artistas, professores e diversas autoridades governamentais, dentre as quais podem-se destacar o Prefeito Lindberg Farias, a primeira-dama Maria Antônia Goulart, o secretário de Cultura e Turismo Marcus Vinicius Faustini e a representante do Ministério da Cultura, Ana Lúcia Pardo. Os dois editais contemplarão até 140 projetos com mais de R$ 3 milhões. O dinheiro é fruto de uma parceria entre o Ministério da Cultura e a Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu.

"É um dia histórico para a cultura de Nova Iguaçu", anunciou um exultante Marcus Vinicius Faustini, na abertura da solenidade. O tom superlativo do secretário tinha uma razão de ser: Nova Iguaçu, além de ser a primeira cidade do Rio de Janeiro a executar o fundo municipal de cultura, terá quase tantos pontos de cultura quanto quase toda a Bahia, estado do Brasil em que esse programa do MINC se encontra num estágio mais avançado. Além do alcance dos dois programas para a vida cultural de Nova Iguaçu, os dois editais inauguram práticas republicanas no financiamento de projetos artísticos na cidade. "Os editais dão transparência aos projetos financiados com o dinheiro público", afirmou o secretário de Cultura e Turismo.

Maria Antônia Goulart, primeira-dama do município e coordenadora do programa Bairro Escola, contou a história dos editais para a platéia. "Eu entrei sem querer em uma reunião com os principais técnicos do Ministério da Cultura", lembrou ela. Nessa reunião, estavam sendo discutidos os pontos de cultura. "Fiquei quietinha no meu canto até ouvir o ministro Gilberto Gil dizer que estava sentindo falta de uma vinculação daquele programa cultural com a educação", narrou. Ela, que estava no fundo do auditório, pediu a palavra e começou a discutir a experiência do Bairro Escola. Como todos sabem, a principal característica do Programa Bairro Escola é a utilização de oficinas culturais no contraturno escolar.

O prefeito Lindberg Farias fez um histórico dos investimentos culturais já feitos na cidade, dentre os quais destacou a chegada do Nós do Morro e a criação das escolas livres de cinema e de música eletrônica. "Estamos na vanguarda das políticas culturais do Brasil", afirmou o prefeito. Com humildade, porém, ele disse que o lançamento dos editais era a oportunidade de que a sua gestão precisava para fazer uma correção de rumo. "Estou convencido da importância do trabalho que vem sendo feito aqui na área cultural", disse o prefeito. "Mas faltava uma maior interação com a classe artística de Nova Iguaçu."

Não é só o governo, porém, que está eufórico com as perspectivas abertas pelos editais. Os representantes dos movimentos sociais da cidade, que foram em peso à solenidade de lançamento dos editais, também se sentiam com a alma lavada. "Esses pontinhos são um ganho extraordinário", disse Luiz Carlos Dummont, o Dudu de Morro Agudo. "Agora poderemos contar com o poder público para as ações culturais que já estavam sendo implantadas na cidade pelos militantes da cultura." Fazendo jus a sua fama de contestador, o grande articulador do Movimento Enraizados fez uma ressalva importante. "Vejo como vitória tudo que está sendo dito hoje. Mas não é hora de descansar."

O agitador cultural Edilson Gomes Maceió, o coordenador executivo do Cisane, também está disposto a arregaçar as mangas para garantir as conquistas anunciadas na noite da última segunda-feira. "A cidade espera o Fundo Municipal e os pontinhos há mais de 30 anos", disse Edilso. "O que acontece hoje é uma conquista do segmento cultural da cidade de Nova Iguaçu." Embora não deixe de reconhecer os méritos do atual gestor da política cultural, Maceió fez questão de frisar que a conquista dos editais se deve mais a um processo do que a pessoas. "Não é só um projeto que mudará a realidade de Nova Iguaçu, mas as ações que serão colocadas nele."

Os movimentos sociais terão 40 dias para se inscrever no Edital Escola Viva, e mais dois para o Fundo Municipal de Cultura. Para obter mais informações sobre os dois editais, entre no site, ou procurar a Sandra Mônica na Secretaria de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu. Além disso, caravanas percorrerão os bairros a partir do dia 13 de maio para mobilizar a comunidade e para esclarecer as dúvidas pendentes.

terça-feira, 6 de maio de 2008

A descoberta do bairro

Mostra Bairro Escola devolve para as crianças as imagens do mundo em que elas vivem.

Por Flávia Sá e Felipe Rodrigo

Fotos: Marcelle da Fonseca

Como era de se esperar, as crianças de Nova Iguaçu tiveram um tratamento especial do Iguacine. No dia da abertura, a sessão Primeira vez no cinema exibiu para elas o filme “Mutum”, de Sandra Kogut. Depois disso, a Mostra Bairro Escola levou para o teatro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro os oito filmes que elas produziram na Escola Livre de Cinema até o fim de 2007. Houve distribuição de pipoca e refrigerante depois de todas as sessões, a que os pais também tiveram acesso franqueado. A mostra Bairro Escola, cujo filme mais aplaudido foi a animação “A fofoqueira”, foi seguida de oficinas de massinha. A massinha de modelar é o ponto de partida de um filme de animação.

Coordenador das oficinas da Escola Livre de Cinema, o professor Luciano Braga não poderia estar de fora dessas sessões. Apesar da dificuldade de administrar a exibição, a oficina de massinha e o encaminhamento das crianças para o ônibus que as levaria de volta para casa, Luciano explicou a filosofia do trabalho cujo momento de maior repercussão foram as animações conhecidas como Plim-Plim, também exibidas na mostra. “Esse trabalho é uma parceria entre a Escola Livre de Cinema e o programa Bairro Escola, que existe há dois anos.” O sucesso dessa parceria fez com que a experiência pioneira em Miguel Couto se desdobrasse em mais três pólos de cinema na cidade.

Segundo Luciano Braga, a exibição dos filmes é apenas uma das pontas de um processo que começa com a desmistificação do próprio fazer cinematográfico. “O cinema sempre foi visto como uma arte elitista, restrito às classes endinheiradas”, diz ele. Os jovens da periferia estão cada vez mais íntimos das novas tecnologias, como os celulares, as máquinas digitais e o vasto mundo virtual dentro do qual o MSN e o Orkut se destacam. Mas elas não conseguem fazer uma associação entre o uso constante que fazem dessas tecnologias e o cinema. “Nosso primeiro passo é mostrar que é viável trazer isso para a estrutura de vida dela e do lugar em que vivem.”

O segundo passo é a descoberta do bairro, como ocorreu de modo mais explícito com a produção do documentário “Uma ida ao banco”. Luciano Braga, que acompanhou todo o processo de produção deste documentário de dois minutos, lembra que parte das crianças envolvidas sequer havia ido ao banco. “Elas desejavam conhecer todo o banco por dentro, do cofre à faxineira”, lembra o coordenador da Escola de Cinema Livre. Essa produção, no entanto, foi atropelada pela intransigência da gerência das duas agências bancárias existentes em Miguel Couto. “A gerente não autorizou a entrada de vocês”, disse o segurança do Itaú para a câmera do filme. As crianças não puderam ir além da área destinada aos caixas eletrônicos.

O processo de descoberta do bairro teve mais êxito no filme “Por que tanta pastelaria de chinês?”, que não foi exibido na Mostra Bairro Escola, mas veiculado no DVD com os filmes produzidos pela Escola Livre de Cinema no fim do ano letivo de 2007. Neste documentário, as crianças foram bem recebidas pelos chineses que hoje já fazem parte da paisagem social da periferia dos grandes centros urbanos. Souberam então porque trocaram a China pelo Brasil, porque todos eles vendem pastel, se gostam da comida brasileira e, talvez a informação mais importante de todas, se os seus descendentes nascidos no Rio de Janeiro se sentiam cariocas.

“Casa do Sabão”, um misto de documentário e animação, mostra os produtos que podem ser comprados no famoso armarinho de Miguel Couto. Já “A fofoqueira” apresenta uma das personagens mais características dos subúrbios. Trata-se da fofoqueira, que com toda propriedade o cineasta Marcus Vinícius Faustini, idealizador da Escola Livre de Cinema e hoje secretário de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu, chama de “a câmera de segurança do bairro”. “A praça”, uma animação de um minuto exibida na Mostra Bairro Escola e veiculada no DVD da escola, apresenta especulações sobre possíveis melhorias na praça do bairro.

Também faz parte da filosofia da Escola Livre de Cinema devolver essas imagens para as crianças e para as pessoas que as cercam, como a família, a escola e o próprio bairro. Por isso, todos estavam tão à vontade na Mostra Bairro Escola, mesmo que não conhecessem o Espaço Cultural Sylvio Monteiro. Essas exibições também servem para antecipar um momento futuro da escola, que é uma possível profissionalização dos estudantes. “Nós queremos mostrar para os pais e os professores que o objetivo do nosso trabalho vai muito além de tirar as crianças das ruas”, disse Luciano Braga. “O cinema pode virar uma profissão para elas.”

sexta-feira, 25 de abril de 2008

No escurinho do cinema

Casal de jovens descobre magia do cinema com crianças do Bairro-Escola

Por Natália Ferreira
Imagens - Gabriela Gama

Minha primeira vez no cinema foi maravilhosa. O filme me chamou muito a atenção. Foi o Mutum, de Sandra Kogut. O filme conta a história de um menino que via o mundo de uma maneira diferente e distorcida, pois ele é míope. Mas ele e nós , os expectadores, só descobrimos isso no final.

Bom, voltando ao assunto anterior, minha primeira vez no cinema foi uma experiência muito boa. Gostei muito. Para ser sincera, só não gostei daquela criançada toda. Eles tocaram o maior rebu. Foi difícil prestar atenção na história.

Levei meu ex-marido comigo. Também foi a primeira vez dele. Ele gostou muito, mas ficou um pouco impaciente. Ele diz que não consegue ficar muito tempo parado num lugar só. Mesmo assim, tomou gosto. Disse que vai repetir a dose.

Ana Luísa Martins Costa, a roteirista do filme, estava lá. No fim da sessão, ela disse para a garotada que se inspirou no livro Manoelzão e Miguilim, de Guimarães Rosa. Ela gostou muito do livro e resolveu fazer o filme com sua amiga Sandra Kogut. Sempre que se encontravam, as duas falavam do desejo de adaptar a história de Miguilim para o cinema.

Ela disse que as cenas de que mais gostou foram a do menino tocando a boiada e a do banho do passarinho, onde as crianças faziam um chuveirinho com a boca perto da gaiola. Ela disse também que a cena de que o menino Thiago (o ator principal) mais gostou foi a que ele dava banho na cachorra Rebeca.

Mutum não é como Tropa de elite e Cidade de Deus, que eu assisti no DVD que os meus pais compraram há cerca de um ano. Mutum fala de um outro tipo de Brasil. A gente pensa que o Brasil de Mutum não existe mais, mas ele é tão real quanto as favelas cariocas. Que bom que a Sandra Kogut e a Ana Luísa mostraram esse pedaço do mundo para a gente.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

No ar, Rádio Laranja da Terra

Uma nova forma de comunicar
por Flávia Ferreira

Era uma manhã nublada quando nós chegamos à rádio. O grupo era grande, talvez uns dez jovens. Nossos corações eram uma mistura de nervosismo e entusiasmo. Ainda estamos no segundo programa Laranja da Terra, que vai ao ar das dez às dez e meia.

Quando entramos no estúdio, lembrei de todo o trabalho da semana. Primeiro foi a reunião de pauta, coordenada por Marcus Vinícius Faustini, o Secretário de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu. Discutimos várias idéias até definirmos que durante todo o mês de abril nós só vamos fazer matérias sobre cinema. Para nós, o Iguacine já começou. O Iguacine é o festival de cinema que tomará conta da cidade do dia 23 a 30 de abril.

Criamos uma espécie de bordão: "Nova Iguaçu e cinema, isso dá filme?" Saímos para fazer essa pergunta para camelôs que trabalham no Calçadão, donos de locadoras, pessoas que trabalham no Iguaçu Top e alunos da Escola Livre de Cinema. As únicas respostas que entraram no ar foram as dos alunos da Escola Livre de Cinema, em Miguel Couto. Foi a nossa colega Camila Ellen quem fez essas entrevistas. Uma das estudantes da escola, Monique Rodrigues, disse que "Nova Iguaçu e Cinema dão filme por conta de suas inúmeras visões e pela história da Cidade". Posso estar dando minha cara pra bater, mas eu concordo.

Também saímos da reunião de pauta com a missão de encontrar algumas pessoas que falassem do filme de suas vidas. As escolhidas foram Lourdes e Cristina, que haviam participado de um filme exibido na festa de encerramento do Fórum Mundial de Educação. Até o prefeito Lindberg Farias estava naquela festa, que levou cerca de 500 pessoas para a travessa BR 3, na Cerâmica. Publicamos um post sobre essa festa aqui no nosso blog. Ele foi escrito pela Flávia Sá e por William Faria da Costa. As fotos foram do Felipe Rodrigo.

Outro entrevistado do programa seria Anderson Barnabé, um dos diretores da ong Reperiferia. O Reperiferia tem uma grande história com Nova Iguaçu. São eles que estão organizando o Iguacine. Também são eles que estão à frente da Escola Livre de Cinema. Um outro importante projeto do Reperiferia em Nova Iguaçu é a Escola de Música Eletrônica. Fique ligado, que daqui a pouco vamos publicar um post sobre a Escola de Música Eletrônica.

Eu participei do primeiro programa, cujo foco era o Fórum Mundial de Educação. Mas naquele programa eu entrei com uma matéria gravada, sobre a performance da atriz Lílian Lopes. Foi engraçadona a performance da Lílian, que imitou uma psicanalista. Ela enganou todo mundo, apesar de estar na cara que ela só estava ali interpretando um papel. Além da entrevista veiculada no primeiro Laranja da Terra, publiquei um post sobre a performance. Se você quiser ler o post "Terapeuta por um dia", basta clicar aqui.

Eu não participei do segundo programa. Até fiz algumas entrevistas com o pessoal que trabalha no Iguaçu Top Shopping, mas os funcionários de lá foram muito institucionais, pareciam estar fazendo propaganda da Severiano Ribeiro. Mesmo sem nenhuma matéria minha, dessa fez foi muito mais emocionante. Aprendi que rádio é ao vivo. Pura emoção. O entusiasmo toma conta de todos na hora do Laranja da Terra.

Cristina, uma moradora da BR3 que deu uma emocionante e emocionada entrevista ao vivo, disse que sua vida já é um filme. "Só tive a oportunidade de mostrar a minha miséria e tudo que vivi", disse ela. "Tive tudo e perdi para começar de novo." A entrevista também foi bacana por ter sido concedida à jovem repórter Pixula Nunes, que na semana passada saíra chorando por ter esquecido a pergunta que faria a Maria Antônia Goulart, a primeira dama do município. Pixula é a maior prova da nossa evolução do primeiro para o segundo programa.

A Escola Agência de Comunicação não esteve presente somente pela voz de nossos repórteres, de rua e de estúdio. Eu não poderia deixar de registrar o Hollyiguaçu - funk de autoria de MC Leleko e MC Dotadão. Se você não ouviu nosso programa, perdeu. Porque há coisas que você só ouve na rádio Laranja da Terra. Até sábado que vem!

Divino e maravilhoso basquete maranhense

Quadra de basquete une Comunidade do Divino
à Vila Nova


Por Maicon Christian Soares da Silva, Bruno Marinho, Pixula Alves,
Marcelle da Fonseca



Um muro invisível separava a comunidade do Divino Espírito Santo do restante da cidade de Nova Iguaçu. Ele foi construído nos fundos do Vasquinho, um clube da Vila Nova que se tornaria um dos cinco parceiros do Bairro-Escola naquela área. “Era assim”, explica o segurança Fredson Muniz Mendes. “Vocês não vêm no Divino e nós não vamos aí.”

Essa fronteira começou a ser desbravada em abril de 2007, quando os responsáveis pelas oficinas culturais do Bairro-Escola descobriram um trecho de rua esburacado no qual havia uma perna de três com um aro no topo. Era a chamada quadra do Divino, freqüentada pela juventude interessada na cultura hip hop principalmente nas noites de segunda e sexta-feira. “Faz parte da filosofia do Bairro-Escola descobrir e potencializar os personagens e as características culturais de cada lugar”, diz Rômulo Sales, coordenador das oficinas culturais do programa.

Coerente com essa filosofia de trabalho, o Bairro-Escola convergiu diversas ações para a quadra. “A comunidade virou o centro de tudo”, diz Fredson, que no passado sentia vergonha de morar em uma área vista como uma favela habitada por “ladrões e maconheiros”. O sentimento de inferioridade não resistiu às obras que nivelaram o piso, iluminaram a área e grafitaram as paredes em torno da quadra, além de pintar a fachada de todas as casas do Divino. “Hoje até os estudantes da Estácio de Sá cortam caminho por aqui.”

E é por isso que a Capistrano de Abreu está se preparando para um passo impensável até a implantação do programa. “Estamos só esperando o calor amainar”, conta Adriana, “para organizar atividades esportivas na quadra do Divino.”

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Uma escola na avenida

Parceria com Bairro-Escola aumentou entusiasmo pelo carnaval

Por Luciene Ritta, Daniele dos Santos de Oliveira e Dardânia Gondim

Quando começou a parceria entre a Escola de Samba Independente do Nova América e a Escola Municipal Hélcio Chambarelli, tudo levava a crer que o samba ia atravessar. "Como a maioria dos pais das nossas crianças são evangélicos, eles não quiseram aderir ao Bairro-Escola", lembra Mônica Bezerra, 28 anos, coordenadora geral do programa. Ela precisou de muita conversa para convencê-los de que as oficinas desenvolvidas na quadra da escola de samba iriam contribuir para o desenvolvimento físico e intelectual dos estudantes.

Mas as dificuldades só ocorreram na concentração, enquanto as duas escolas esquentavam os tamborins. "A parceria deu certo logo no primeiro instante", lembra Reginaldo Joaquim de Albuquerque, que há cerca de dez anos preside a Independente do Novo América. A chegada das crianças, que ao longo de quase todo o ano de 2007 a ocuparam nos dois expedientes para jogar futebol e fazer capoeira com o Mestre Azulão, deu um novo ritmo à quadra. Mas a principal motivação para Reginaldo aderir ao projeto foi o futuro da escola em que estudam os filhos de diversos sambistas e um de seus netos. "A gente não poderia recusar o convite feito pelas professoras da Hélcio Chambarelli em maio do ano passado", afirma Reginaldo.

A parceria ganhou uma nova dimensão em dezembro, quando lhe propuseram a criação de um minicarnaval com material reciclado recolhido na comunidade pelas próprias crianças. "Chamamos essa atividade de Carnaval Escola", lembra o presidente. Durante uma semana, crianças e professores confeccionaram fantasias com jornal, papelão, saco de farinha, tampinha, fitas, garrafas PET, barbante e tinta. "Até samba enredo a gente fez."

O sucesso da empreitada levou a comunidade a propor uma colônia de férias bem diferente. "Cerca de 60 crianças passaram as férias costurando fantasias para o nosso desfile", conta o presidente. Além da participação dos estudantes nos trabalhos do barracão, a parceria com a Hélcio Chambarelli aumentou o entusiasmo das crianças pelo carnaval. "Cresceram as inscrições para a ala infantil", afirma.

Uma kombi que resiste ao tempo

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