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terça-feira, 5 de agosto de 2008

Nova Iguaçu rumo a Pequim

Capitã da seleção brasileira de handebol é de Nova Iguaçu


Por Flávia Ferreira

Nascida e criada em Nova Iguaçu, Lucila Vianna da Silva é a capitã da seleção brasileira de handebol. Em 2001, ela foi eleita, pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a melhor jogadora de handebol do ano, recebendo o Prêmio Brasil Olímpico 2002. Já em Atenas, foi uma das jogadoras mais importantes da campanha brasileira, consolidando-se como a terceira maior artilheira da seleção, com 24 gols em sete partidas.

Lucila representará Nova Iguaçu nas olimpíadas de Pequim comandando a equipe de handebol e, como boa filha da terrinha, conversou conosco sobre sua vitoriosa história dentro do esporte.

Como começou seu amor pelo esporte? Quem a incentivou?

De início, eu apenas gostava do esporte. Mas logo depois que comecei a jogar, com apenas 12 anos, me apaixonei de tal forma que desde então vivo para ele. Claro que o fato de minhas irmãs mais velhas já jogarem facilitou minha aproximação com o handebol. Elas jogavam na equipe da escola, onde comecei seguir seus passos. Foram sem dúvida minhas maiores incentivadoras.

Quais as suas principais conquistas?

As principais são pela seleção, apesar de ter os mais altos títulos de um clube. Sou tricampeã pan-americana, hexacampeã sul-americana, e Pequim será a terceira olimpíada de que participarei. Além disso, participei de seis mundiais e sou campeã espanhola. Enfim, são muitos títulos. Uma carreira longa...

Quais foram as maiores dificuldades?
A falta de incentivo foi o que mais me prejudicou. No início, tive que parar de jogar duas vezes porque não tinha o dinheiro da passagem para ir aos treinos. Na época, treinava em Nilópolis e morava em Nova Iguaçu. Quando saí de casa, passei por outra dificuldade, que foi ficar longe da família. Mas a vida é assim, né? Temos que abrir mão de umas coisas para ganhar outras.

Como é ser atleta da Baixada?
Para mim foi uma vitória, pois são poucos os atletas que conseguem vencer e ir longe praticando seu esporte, ainda mais na Baixada Fluminense. Aqui o apoio é precário e falta o incentivo para dar continuidade ao trabalho, para que o atleta não tenha que parar seus treinamentos a fim de trabalhar para sobreviver.

Quais as maiores dificuldades de um atleta da Baixada? A falta de investimentos ainda é o maior problema?

A falta de incentivo e do suporte para carregar um atleta com condições adequadas faz com que o esporte estacione ou até mesmo acabe a qualidade que sei que minha cidade tem e os atletas também. Mas o que fazer com tantas apostas de vencedor e não ter quem investir para que se possa dar certo? Tem alguma história engraçada de alguma competição que nunca esquece?

Na primeira vez que fui convocada para a seleção brasileira fui sem levar nada, nenhum material e sem roupa ou tênis de treino. Eu achei que a seleção fosse algo grande, mas acabei tendo que pegar roupa de cama e banho com as meninas e usar um tênis velho na viagem. Sempre lembro dessa história e caio na gargalhada.

Acha que é uma vencedora da vida?

Acho que sou. Como te disse, são poucas as pessoas que conseguem alcançar seus objetivos e sei que eu consegui chegar onde eu sonhei. Me sinto orgulhosa de estar há quinze anos com a seleção brasileira e ainda ser capitã. Com isso, consegui muita experiência de vida. Sei que sofri muito, mas hoje curto muito mais a vida.

Seus olhos estão voltados para Pequim, onde representará o país na olimpíada. Como se sente?

Me sinto orgulhosa por sair do meu país para representar toda uma nação fora dele. É um orgulho que muitos nem conseguem descrever em palavras. Tampouco eu.

Além de você, Nova Iguaçu estará representada em Pequim pelo levantador de peso Bruno Laporte. Achou algum dia que seria possível ver Nova Iguaçu em grandes competições?

Sempre imaginei ver grandes atletas nessas competições importantes, e que um dia muitos deles sairiam de Nova Iguaçu. Já vi muitos jogadores excelentes praticando esporte nas vilas e nas quadras, mas infelizmente hoje só dois estão indo - eu e Bruno. Mas sei que isso vai multiplicar a cada ano. Tenho fé e espero representar da melhor forma minha cidade, assim como tenho feito todos esses anos. O que espera dessa olimpíada para você e toda a delegação?

Esperamos fazer história. Já para mim, será a última participação na seleção e quero dar tudo. Depois de minha aposentadoria na seleção brasileira, pretendo montar uma instituição de auxílio para deficientes.

Quais são seus planos pós-olimpiada?

Está meio difícil ver o que vem depois, mas quero exercer minha profissão de professora de Educação Física, dando aulas. Mas também tenho a possibilidade de sair do país no fim do ano, porque estou sem clube desde o ano passado. Então está um pouco difícil ver minha vida pós-olimpíadas.

O que vê quando olha e lembra das coisas que passou?

Hoje, olho minhas sobrinhas e lembro do meu começo. Foi muito gostoso iniciar só por lazer, sem muito compromisso. Mas hoje amo jogar e já encaro com mais compromisso, mais exigência, mais profissionalismo. Sonho conquistar algo melhor para dar um suporte melhor para essa geração que vem aí. Fora isso, as lembranças que passei são boas, tento esquecer um pouco as ruins.
Se arrepende de algo?

Graças a Deus, não. Só sinto que perdi muita coisa, como a vida de minha família, de meus sobrinhos, dessas coisas eu sinto falta, mas não me arrependo da escolha que fiz.

Já pensou alguma vez em desistir?

Sim. Mas passou logo. Ano passado quando voltei do Pan do Rio, eu queria parar, pois operei o joelho pela quarta vez e estava sem clube. Tive uma grande desilusão com o esporte e tive vontade de parar. Mas graças a Deus apareceram pessoas fora do esporte que me ajudaram dando todo suporte para eu continuar e me tratar, para chegar hoje aqui, rumo a Pequim.

Você imaginou que algum dia teria tanto reconhecimento e tantas vitórias?

A gente nunca espera que vai ter, mas sempre sonha. Graças a Deus consegui.


Mensagem da Lu.

Deixo aqui, em especial, um grande obrigado a minha família por toda a força e toda paciência que tiveram comigo ao me ajudarem a concretizar meus sonhos. Beijos.... LU

terça-feira, 22 de julho de 2008

Caravana da diversão

Três dias de festa, calor e brincadeiras no Campo do Brasileirinho

Por Flávia Ferreira

fotos: Flávia Ferreira e Camila Elen

"Precisamos levar Educação, Esporte, Arte e Cultura para o mundo de lugares no Brasil que ninguém vai e ninguém chega", disse ex-jogadora de vôlei Ana Moser, idealizadora da Caravana do Esporte e da Música. Foram três dias de festa, suor, calor e brincadeiras no Campo do Brasileirinho, Ouro Preto. As 3.600 crianças que participaram do evento deixaram a ex-jogadora entusiasmada. "O nosso trabalho foi só colocar uma luz sobre este local e fazê-lo ser visto", disse ela.

Devido à grande participação dos jovens de Nova Iguaçu, os organizadores da caravana tiveram que criar um corpo de voluntários."O voluntariado foi incorporado este ano porque sentimos a necessidade de jovens participando ativamente do projeto, para que pudessem ser produtores de eventos sociais", disse Mariana Gabriel, a produtora da Caravana de Esporte.

Unicef e prefeitura

"Tudo isso pôde ser viabilizado por conta do trabalho realizado pelo projeto Bairro-Escola e da intimidade do Unicef com a prefeitura de Nova Iguaçu", disse Ana Moser. Ela comanda a caravana de esporte e Daniela Mercury, a de música. O IEE (Instituto Esporte e Educação) também participa da produção da caravana.

Apesar do calor intenso, as crianças não paravam de falar o quanto aprenderam com as oficinas e os professores. "Foi muito bom, porque trouxeram atletas para conhecermos e nos ensinaram o esporte de uma forma legal e divertida", disse a suada Kethlen dos Santos, 11 anos. Como ela, as outras crianças falavam da Caravana, e de todas as oficinas por que passaram, com um certo brilho no olhar.

Laranjas e amarelas



As crianças que estavam com a blusa laranja revesavam nas oficinas esportivas e as de blusa amarela, na oficinas musicais. As oficinas esportivas foram ministradas por atletas e professores especializados. Houve oficinas de brinquedos reciclados, basquete e vôlei, judô, handebol, atletismo, tênis e futebol.

A oficina de basquete usou aros maiores e mais coloridos, para que as crianças pontuassem bastante. As oficinas de judô e handebol foram ensinadas de forma lúdica. A de atletismo unificou as várias modalidades em um minicircuito. Como era de esperar, a oficina de futebol foi a mais procurada pelos meninos.

Pouco gasto
As crianças de amarelo pse reuniram nas tendas espalhadas no campo, onde foram realizadas as igualmente animadas oficinas de música e dança. Elas trabalhavam com coordenação motora, ritmo, marcações, sensorialidade e lateralidade, entre outras coisas.

Além das oficinas infantis, a caravana dos esportes e da música fizeram um trabalho de capacitação dos profissionais ligados à educação. Rondson da Lima, 25 anos , oficineiro de cultura da E.M. Ivonete (CM), foi uma das pessoas que participou da oficina de música. "Essas oficinas me fizeram perceber que posso trabalhar música com poucos componentes e com pouco gasto."

Não pense que parou por aí. Os 'grandinhos' também tiveram seu momento de diversão. À noite, inúmeros artistas locais se apresentaram, no primeiro dia no Sylvio Monteiro e nos outros dois no próprio Campo do Brasileirinho. A ESPN, promotora das caravanas, acompanhou de perto os trabalhos.

Dinheirinho

A comunidade aproveitou a caravana para ganhar um dinheirinho. Esse foi o caso de Carlos Alberto Leão, que ganhou o dia enquanto as crianças brincavam. Ele é sorveteiro e montou sua máquina em frente à casa da sogra, próxima ao campo. As quase 3.600 crianças que passaram pela caravana puderam se refrescar com o sorvetinho de seu Carlos. "O movimento foi contante."

Os envolvidos no evento também não resistiram ao calor e recorreram ao sorvete do seu Carlos."Os lucro subiram nestes três dias de caravana e isso é muito bom." Parece que a família de seu Carlos tem tino para o negócio. Bruna da Silva, comerciante e parente de seu Carlos, vendia salgados na barraca de sua mãe. Ela também lucrou com o evento. "Tivemos que em um dia fazer três vezes a massa de coxinha, porque acabava tudo", comemorou Bruna da Silva.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Reflexão e suor

Jovens do Graal se confraternizam na Vila Olímpica

Por Lucas Lima

No dia 12 deste mês, os grupos reflexivos do GRAAL se encontraram para uma confraternização esportiva na Vila Olímpica, Centro de Nova Iguaçu. Participaram do evento jovens participantes do programa, facilitadores, coordenadores e intervisores, que conversavam e se conheciam enquanto praticavam esporte. Os grupos de Cabuçu, Vila de Cava, Centro, Tinguá, Rio D’ouro, Austin, por exemplo, marcaram presença na ‘tarde esportiva’.

A ‘tarde’ começou com alongamento e aquecimento com um dos professores de Educação Física da Vila Olímpica. Em seguida, os jovens e facilitadores foram divididos em grupos e escolheram entre as seguintes atividades: futsal, vôlei, xadrez e capoeira.

O primeiro evento esportivo do GRAAL teve como finalidade reunir os jovens que participam do programa e promover uma maior interação entre eles. Esta necessidade foi percebida pelos facilitadores, já que os jovens queriam se conhecer.

A opção pelo esporte, embora fuja da proposta reflexiva do GRAAL, foi proposta pelos jovens. “Eles sempre pedem trabalhos diferentes. De vez em quando, o esporte é um apelo dos próprios jovens, eles trazem isso como demanda pra gente”, declarou Alessandra Rodrigues, 23 anos, facilitadora do programa.
Enquanto a maioria dos jovens corria e suava jogando fustsal ou vôlei, um grupo estava sentado jogando xadrez, atividade ainda não vista como esporte. Além de incluir aqueles que não queriam participar das atividades físicas, o xadrez permitiu que os jovens trocassem experiências.

Por dentro do GRAAL

O Graal trabalha com grupos reflexivos formado por jovens que buscam diminuir os índices de violência em Nova Iguaçu, e cria agentes propagadores da paz. O projeto foi criado pela SEMUVV, Secretaria de Valorização da Vida e Prevenção da Violência. Esses grupos, que podem ter de 10 a 20 integrantes, se reúnem semanalmente durante 2 horas por um período de seis meses. Nesses encontros, os integrantes discutem temas como cidade, religião, sexualidade, relações familiares, violência urbana e etc. É o próprio grupo quem escolhe a pauta do dia.

Pessoas de ambos os sexos, com idade entre 13 e 29 anos, podem participar dessas reuniões. Além dos grupos dedicados à juventude, há grupos de familiares de vítimas de violência, policiais civis e militares.

Os grupos são coordenados por uma dupla de facilitadores, um profissional e um estagiário, ambos cursando e/ou atuando na área de psicologia, pedagogia, ciências sociais e serviços sociais. Uma das funções dos facilitadores é propor atividades que estimulem a interação-vivência em torno dos temas durantes as reuniões.


No 24º e último encontro do grupo, os participantes recebem um certificado de participação no programa “Agente da Paz”, que poderá ser acrescentado ao seu currículo pessoal e profissional. Os grupos ocupam escolas municipais, igrejas e paróquias, centros comunitários, organizações não-governamentais, associações de moradores, etc.

Além do certificado de “Agente da Paz”, a pessoa que participa do GRAAL consegue amadurecer sua identidade, sua auto-estima e suas relações interpessoais. “Eu já participo do GRAAL há seis meses. É bom porque discutimos temas interessantes e escolhidos por nós", disse Margarida Ferreira, 19 anos. "Além disso, o grupo me ajudou a conhecer coisas que não sabia antes. Também me ajudou a amadurecer como pessoa, os temas induzem isso. Eu conheci o programa através dos facilitadores e nem sabia o que era. Acabei me surpreendendo. Achei muito interessante e continuei porque gostei."

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Boné na cabeça, mochila nas costas e skate no pé

Jovens de Nova Iguaçu fazem do skate um estilo de vida

Por: Tatiana Sant'Anna
Colaboração: Viviane Menezes e Priscilla Castro


Ser skatista é complicado. Que o diga o skatista iguaçuano Douglas Leandro, 17 anos, que perdeu quatro namoradas por continuar no seu esporte favorito. Apesar dos preconceitos, o skate é um dos passatempos favoritos da garotada de Nova Iguaçu e tem como ponto principal a Praça do Skate.

A Praça do Skate tem grande importância para a cidade, pois é a primeira pista de skate da América Latina. A pista foi construída em meados da década de 70 e, atualmente, está com 30 anos de existência. Ela é constituída por duas bacias, uma mais suave e outra mais acentuada. A galera que entende do assunto diz que a pista é um bom lugar para se aprender o esporte. O formato continua o mesmo desde quando foi feita, tornando seu visual um pouco exótico para os padrões atuais. Na praça onde fica a pista, também há uma área para o lazer da população local.

Os jovens skatistas iguaçuanos Júlio César, 14 anos, Renan Valentim, 16 anos, e Felipe Fonseca, 14 anos, revelam como um skatista é tratado na sociedade atual. Dizem que o preconceito é muito grande e que muitas vezes são chamados de desocupados. "Algumas pessoas vêm para a pracinha e fazem coisas erradas e nós, skatistas, é que levamos a culpa", diz Renan. Entre as diversas tribos de Nova Iguaçu, os meninos falam que não há nenhum preconceito. "Nos entendemos muito bem", dizem.

Os jovens ficaram emocionados quando perguntamos sobre o que achavam de Nova Iguaçu ter a primeira pista de skate da América Latina. Alguns reclamaram da falta de incentivo da própria população, outros da pouca divulgação da pista. Contam que o futebol é muito mais fácil de ser aceito pelas pessoas, pois o material utilizado pelo skatista não é muito barato. Eles já participaram de competições pela cidade. Douglas ficou em 14° num campeonato de skate no Galpão Skate Park.

Para os jovens, nada é impossível. Eles sabem que, para ser um grande skatista, precisam de coragem, atitude e humildade. E isso não lhes falta. Um exemplo para esses skatistas é o brasileiro Sandro Dias, o Mineirinho, campeão mundial de skate. "Sonhar todo mundo sonha, complicado é vencer o preconceito que é imposto pela sociedade", completa Renan. Perguntados se o skate atrapalha os estudos, os meninos afirmam que não, é como qualquer outro esporte.

Para quem quiser entrar na onda do "boné na cabeça, mochila nas costas e skate no pé", saiba que os equipamentos para este esporte não são baratos. Um bom skate custa cerca de 150 reais, podendo chegar até 400 reais. Quem quiser aproveitar a sensação de desse estilo de vida, basta passar na Praça do Skate, que fica em frente ao viaduto Padre João Musch, no centro de Nova Iguaçu. A movimentação fica boa após as 18h, diariamente.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Um ace motivacional

Bernardinho diz que para vencer é preciso paixão.

Por Flávia Ferreira
Fotos: Mariane Dias.


Bernardo Rocha Resende é mundialmente conhecido como o Bernardinho, o vitorioso treinador da seleção brasileira masculina de vôlei. Mas as idéias usadas para motivar os jogadores também podem ser aplicadas no mundo empresarial. Pelo menos foi isso o que se viu na palestra que deu para os funcionários da AMBEV (Companhia de Bebidas da América), no último sábado, no Rio Sampa.

Com exemplos divertidos, o treinador da seleção brasileira de vôlei começou a palestra dizendo que não basta ter talento para vencer na vida. "O sucesso é uma mistura do talento com a determinação", disse ele. Esse casamento foi determinante na carreira de vencedores como Ayrton Senna, Michael Jordan, Michael Schumacher.

Mas o que é uma pessoa determinada? Onde uma pessoa talentosa encontra motivação para superar os obstáculos que a separam do sucesso? Para Bernardinho, ela deve procurar a resposta no próprio coração. "O que move os vencedores não é a necessidade, mas a paixão", afirmou.

Paixão


Para ilustrar essa teoria, Bernardinho lembrou uma conversa que teve com José Montanaro Júnior, o Montanaro. Companheiro do tempo em que ambos jogavam na seleção brasileira, Montanaro perguntou a Bernardinho. "Pra que tanta ralação, se a gente não ganha nada? Por que a gente não larga essa vida e vai trabalhar com o pai?"

Talento, determinação e paixão são fundamentais na constituição de uma equipe vitoriosa, mas Bernardinho enumerou outros elementos. "Só chegaremos onde queremos com a participação de todos", afirmou. "Todos são parte integrante do processo".

Mais uma vez ele recorreu a um exemplo pessoal para mostrar seu ponto de vista. "Oito dos principais jogadores da seleção não chegaram à final com os seus times de origem", contou. Preocupado com os jogadores da seleção mesmo quando eles estão jogando pelos clubes, ele ficou desesperado com o pífio resultado obtido por eles no campeonato nacional. "Liguei para uns, mandei e-mails para outros e outros não fiz nada." Pode parecer estranho, mas as melhores respostas que obteve foi dos jogadores com os quais brigou. "Eles preferem que a gente brigue à indiferença."

Fome de futuro


A intenção de Bernardinho e de sua comissão técnica é desafiar cada jogador a empenhar mais. "O desafio atual é o da busca", ele disse. Um antídoto para a acomodação, que no entender do treinador é um dos entraves ao desenvolvimento humano, é o libero Sérgio Dutra dos Santos, o Escadinha. "Ele corre atrás da bola como se estivesse atrás de um prato de comida", comparou Bernardinho.

Mas o excesso de amor à camisa também pode ser prejudicial, como Bernardinho explicou com o exemplo da época em que ele e o irmão jogavam no Fluminense. Ele sempre brigava com o irmão e com freqüência era expulso dos treinos. "Tomei milhares de banhos antecipados."

Um dia, ele chamou o treinador para conversar e perguntou por que, mesmo inocente, era expulso. "Ele disse que meu irmão não queria nada e que se o mandasse embora ele não voltaria." Já Bernardinho voltava com mais garra ainda quando era mandado para casa mais cedo. "A vontade de se preparar tem que ser maior que a vontade de vencer."

O treinador apresentou uma última pedra na construção da ponte entre os nossos sonhos e as nossas realizações: a disciplina. Ela será fundamental para que superemos nossos adversários, que querem têm tanta vontade de vencer quanto nós. "A diferença está na continuidade da preparação e na disciplina com que construímos nossa estrada".

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Divino e maravilhoso basquete maranhense

Quadra de basquete une Comunidade do Divino
à Vila Nova


Por Maicon Christian Soares da Silva, Bruno Marinho, Pixula Alves,
Marcelle da Fonseca



Um muro invisível separava a comunidade do Divino Espírito Santo do restante da cidade de Nova Iguaçu. Ele foi construído nos fundos do Vasquinho, um clube da Vila Nova que se tornaria um dos cinco parceiros do Bairro-Escola naquela área. “Era assim”, explica o segurança Fredson Muniz Mendes. “Vocês não vêm no Divino e nós não vamos aí.”

Essa fronteira começou a ser desbravada em abril de 2007, quando os responsáveis pelas oficinas culturais do Bairro-Escola descobriram um trecho de rua esburacado no qual havia uma perna de três com um aro no topo. Era a chamada quadra do Divino, freqüentada pela juventude interessada na cultura hip hop principalmente nas noites de segunda e sexta-feira. “Faz parte da filosofia do Bairro-Escola descobrir e potencializar os personagens e as características culturais de cada lugar”, diz Rômulo Sales, coordenador das oficinas culturais do programa.

Coerente com essa filosofia de trabalho, o Bairro-Escola convergiu diversas ações para a quadra. “A comunidade virou o centro de tudo”, diz Fredson, que no passado sentia vergonha de morar em uma área vista como uma favela habitada por “ladrões e maconheiros”. O sentimento de inferioridade não resistiu às obras que nivelaram o piso, iluminaram a área e grafitaram as paredes em torno da quadra, além de pintar a fachada de todas as casas do Divino. “Hoje até os estudantes da Estácio de Sá cortam caminho por aqui.”

E é por isso que a Capistrano de Abreu está se preparando para um passo impensável até a implantação do programa. “Estamos só esperando o calor amainar”, conta Adriana, “para organizar atividades esportivas na quadra do Divino.”

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

III corrida e caminhada pelos 175 anos da cidade


Atletas suam a camisa para comemorar aniversário do município

Por Flávia Ferreira
Imagem: Rio runners e planeta aventura


Já está quase na hora dos iguaçuanos suarem a camisa para comemorar os 175 anos da nossa cidade. Essa é a 3° edição da corrida em comemoração ao aniversário de Nova Iguaçu, que atrai cada vez mais participantes e atletas de alto nível competitivo. É o caso de Jorge Luiz de Souza, 46 anos, que é ex-campeão sul-americano de menores, categorias para os corredores entre 15 e 17 anos, e também ex-campeão brasileiro nos cinco mil metros. Hoje, ele integra a equipe Dinossauros que participa de corridas e maratonas em todo o país.

O evento acontece no dia 13, na Via Light, e os participantes poderão se inscrever tanto para a corrida (8km) como para a caminhada (4 km). As inscrições vão até o dia 12, podendo ser feita em cinco postos ou através do site da riorunners. É necessário pagar 10 reais no ato da inscrição. Os corredores receberão, no dia da corrida, uma bolsa com a camiseta do evento desportivo, que começarão a ser entregues às 6h30m. A largada acontecerá na Via light, na altura da Rua Luiz de Lima, no Centro, às 9h, com previsão de chegada para às 10h.



Premiações:

  • 1º colocado (masculino e feminino) de Nova Iguaçu;
  • para academias com maior número de inscritos;
  • para empresas e grupos mais numerosos
  • medalhas para todos os inscritos que completarem a prova.

Postos de inscrição:

  • Loja RD Artigos Esportivos- Rua Senador Vergueiro,237 loja B- Flamengo
  • Federação de Atletismo do Estado do Rio de Janeiro- Rua Luiz Barbosa,32, Vila Isabel
  • Loja Danopé Esportes- Av. Marechal Floriano Peixoto, 1.818- Centro de Nova Iguaçu
  • Loja Físico e Forma- Av. Governador Roberto Silveira, 540 Lj. 116/118- Nova Iguaçu
  • Vila Olímpica de Nova Iguaçu- Rua Luiz de Lima, 268- 2669-5744

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Da-lhe altitude!

Voar não é tão fácil como parece

Flávia Ferreira

Na Serra do Vulcão, também conhecida como Serra de Madureira, existem várias trilhas que atraem adeptos de esportes radicais. Há duas rampas para a prática de parapente e asa delta localizadas a 600m de altura, onde se pode chegar de carro ou gaiola – carro de madeira que utiliza motor de fusca. Para chegar até a rampa basta usar o acesso em frente à Universidade Iguaçu (UNIG) ou ao lado da fábrica de cosméticos Embeleze.

Foi por esse caminho que subimos, a pé, até a rampa de salto. Lá do alto é possível ter uma vista panorâmica da cidade e de vários outros pontos do Rio, como o Cristo redentor, Serra de tinguá, a praia da Barra e parte de Campo Grande. Abaixo, segue a entrevista que fizemos nas alturas com o instrutor de vôo livre Damião.


Há quanto tempo trabalha no esporte? Ele é muito praticado?
Trabalho há dois anos. É muito. Mas a melhor época para o vôo é o verão.

A Serra do Vulcão é um bom ponto para vôo?
Sim. Tem quadrante norte, o que proporciona uma excelente decolagem.

Quais as maiores dificuldades em um vôo?
Vento, o medo de decolar, falta e treino.

Quais os pontos turísticos daqui?
As trilhas, as matas, as rampas, o monte céu aberto, a cara do leão, entre outros.

Você indica os jovens a praticarem?
A prática é boa, a questão é respeitar o vento e saber quando decolar.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Aventure-se!

Ciclistas percorrem do centro de Nova Iguaçu até Tinguá

Por Thiago Chagas

O 1° passeio ciclístico do grupo Aventureiros -Nova Iguaçu ocorrerá no dia 16 de setembro, com aproximadamente 200 participantes. O ponto de largada será na praça Santos Dumont e o percurso terá como ponto final a Fazenda Atlântica,em tinguá. Além do passeio, o grupo de Aventureiros pede a colaboração dos participantes para doações de livros (em bom estado).


O valor da inscrição é de 7 reais por pessoa (incluindo camisa + garrafinha + entrada na fazenda). As inscrições podem ser feitas pelo site ou nos postos de inscrição abaixo:
  • Imobiliária Nova Radical (Trav. Almerinda Lucas de Azeredo, 11, sala 513, Centro - NI)

  • Loja de Bicicletas Mello’s (Av. Governador Roberto Silveira, 411, Centro - NI)

Todos os inscritos deverão fazer o pagamento no ato da inscrição, onde receberão um comprovante que deverá ser levado no dia do evento.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Com a inteligência e as mãos

Um breve histórico sobre o boxe
Flávia Ferreira
O Homem desprotegido de armas usa sua inteligência para adaptar e fazer funcionar, como meio de relativa eficácia, seus punhos cerrados. Nas primeiras lutas de boxe, as ligaduras dos punhos eram feitas com tiras de couro, as quais se alongavam até o antebraço. Posteriormente, tornavam-se verdadeiras armas ofensivas, passando a ser envolvidas com placas de cobre, ferro ou chumbo, propiciando ao público o aspecto terrível e trágico dos sangrentos encontros, nos quais os pugilistas encontravam por vezes a morte.

O último combate realizado sem luvas teve a duração de 75 “assaltos”, o equivalente a duas horas e meia de combate, que consagrou John L. Sullivan como campeão. Atualmente, tornou-se comum a prática do boxe entre homens, mulheres e crianças. É incontável o número de pessoas que praticam a luta metódica ou desordenadamente, quer como profissionais ou amadores, este último, buscando no desporto emoções fortes, aventura, recreação, vigor físico e mental.

O boxe ou Nobre Arte desenvolve qualidades físicas e contribui, de certo modo, com o aprimoramento moral do homem, além de tornar toda a musculatura elástica e resistente, agindo com mais efeito sobre braços, dorso escapular e cintura abdominal. Entre seus benefícios está a garantia de um alto grau de defesa pessoal.

No pugilato, ao contrário do que pensam, usa-se mais inteligência que força e quando ocorre a junção dessas duas vértices, nasce um lutador. O grande pensador M.Maeterlink diz:

- O punho é a arma específica do homem e a única compatível com uma sociedade que se diz adiantada. É arma nobre e serena. Desdenha do forte descontrolado e se põe a serviço do fraco. É decisiva, rápida e oportuna.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Na pegada do Muay Thai

Por Flávia Ferreira, Natália Ferreira e Bruno Marinho.

O Muay thai está sendo muito procurado por ser uma luta de eficiência em termos de compatibilidade e condicionamento físico. Apesar de ter um pé no kung-fu, é considerada uma arte fácil de aprender e que dá um alto padrão de combate, além de trazer benefícios físicos, como desenvolvimento de pernas e abdômen.

- O Muay thai só se torna a melhor arte, em conjunto com o atleta, pois são eles que se empenham nos treinos, que treinam com maior intensidade – diz Moíses, mestre da academia Mania de malhar, em Comendador Soares.

Para os lutadores, a maior recompensa é poder subir em um ringue, mesmo ganhando ou perdendo. Para eles, já é uma vitória ter chegado até lá depois de tantos sacrifícios.

Ao contrário do que se pensa, o Muay thai prega a paz e a disciplina. Assim como as artes em geral, sua intenção não é induzir seus praticantes à agressividade, mas sim canalizá-la para bem. Um dos atletas da academia declara seu amor pelo esporte dizendo:

- O Muay thai representa tudo para mim. Me tirou da rua e da vagabundagem. Minha vida sem Muay thai seria muito chata, pois sem o Muay thai eu não vivo – completa.

Uma kombi que resiste ao tempo

II IGUACINE Exibido na sessão de homenagens do II Iguacine, 'Marcelo Zona Sul' continua encantando plateias 40 anos depois de sua es...