"Um dia qualquer" dá prêmio de ‘diretor revelação’ a Leonardo Remor
por Edson Borges Vicente e Fernanda Bastos da Silva
Recém-formado em publicidade pela Unisinos, Leonardo Remor, um gaúcho de 21 anos, começou a carreira com o pé direito. Depois de conquistar o prêmio de Melhor Filme na 2ª MIAU (Mostra Independente Audiovisual Universitário), em Goiânia, 'Sobre um dia qualquer' saiu do II Iguacine com a menção honrosa de diretor revelação. Modesto, ele já se considerava um vitorioso desde o dia em que seu filme foi escolhido entre os 270 curtas enviados para o II Festival de Cinema da Cidade Nova Iguaçu.
Muito alegre, o ‘conscrito-capitão’ se surpreendeu com a homenagem do II Iguacine, que deixou seu coração batendo forte a noite toda. “É o segundo festival que escrevo esse meu primeiro e, até o momento, único filme. Tenho outros projetos, mas ainda está fluindo”, confessa o jovem.
‘Sobre um dia qualquer’, que recebeu muitos aplausos da plateia e foi debatido até mesmo pelos representantes de outros curtas concorrentes, mostra a vida de uma operária com rotina de trabalho massificante que, vendo televisão na hora do almoço, imagina várias coisas e resolve mudar seu cotidiano. Uma das coisas que mais chamou a atenção no debate foi a escolha de tomadas fixas e as imagens feitas com MiniDV, cuja qualidade fez com que algumas pessoas pensassem que o filme foi rodado em 35 mm. Leonardo atribui os méritos dessa façanha ao fotógrafo Matheus Massochini.
Sissi Venturin, a atriz principal do filme, era um sonho de consumo do ainda aspirante a diretor mesmo antes de ele iniciar a faculdade. “Conheci em uma peça. Ela fazia um personagem muito diferente do meu filme. Era uma menina mimada com o cabelo descolorido. Eu gostei muito dela, do brilho do rosto e do seu jeito”, que antes mesmo de terminar a ideia do filme já a tinha escolhido para o papel principal.
E como uma vitória puxa a outra, Leonardo já pensa em seu próximo trabalho. Mesmo ainda estando em fase de elaboração, ele nos dá uma palinha do que vem pela frente, quem sabe no II Iguacine.
“Estou pensando ainda no próximo roteiro, a minha ideia é fazer um filme com um personagem principal feminino”, conta ele, para quem um bom filme tem começo, meio e fim. Embora ainda não tenha concluído o roteiro, ele adianta que a personagem feminina em questão será uma trapezista de circo.
Interatividade:
O que você fez pela primeira vez e já foi premiado?
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Revelação na primeira viagem
domingo, 30 de agosto de 2009
Metronomizando
Homo Metronomus SP, curta elaborado por alunos de Ribeirão Preto, mostra que o cotidiano é mutante.
Fernanda Bastos da Silva e Edson Borges Vicente
Cuidado com o cotidiano. Essa parece ser a proposta de Homo Metronomus SP, o filme elaborado pelos alunos da oficina Cineinstein do Colégio Einstein Ribeirão Preto que foi exibido na mostra competitiva 5 de hoje no II IGUACINE.
Cid Machado, professor e produtor de áudio visual confere aos alunos da oficina os méritos do vídeo. Segundo ele, foi durante as oficinas, que se dividiram em semestre teórico e semestre prático, que surgiu a idéia de trabalhar o cotidiano e o surealismo. Tudo de forma simples e objetiva, “sem efeitos especiais mirabolantes e fogos de artifício” comenta. O roteiro foi escolhido com unanimidade e, inicialmente, trataria do coditiano de um operário. A idéia ainda passou por recortar um caixa de supermercado até chegar ao escritório que nada mais era do que o próprio ambiente escolar. Produto de oficinae e recorte da propria escola, o filme não fez feio e foi um dos escolhidos dentre mais de 250 enviados à curadoria do evento que recebeu propostas de todo o país.
O filme produzido em MiniDV trata o cotidiano de um homem comum que leva a vida com a automação de um robô. Trabalhando em um escrítorio, ele divide seu tempo diário rigorosamente cronometrado entre acordar às seis da manha, escovar os dentes e ir ao trabalho (com repetição extrema até mesmo do ato de passar o cartão de ponto na entrada), a digitação massiva em um computador entre um cafézinho e outro além de muitas pizzas no almoço. Ao fim do dia ele apenas chega em casa, assiste televisão e come pizza. No dia seguinte a rotina se repete como o nascer do sol. Com o passar do tempo, seu corpo passa por transformações que o remetem à imagem de um computador. Esse processo, que aparente mente o tomaria por completo, só é quebrado quando uma colega de trabalho arrisca um diálogo com ele durante o café. A única fala do filme é “você prefere amargo?”, momento o qual ele entra em transe e quebra sua rotina no dia seguinte, voltando a ser um ‘homo sapiens sapiens’.
Professor Cid acredita que o festival Iguacine é uma democratização das produções ao não fazer acepção entre produções autorais e de oficinas. Veterano no Iguacine, tendo participado da primeira edição, ele promete voltar ano que vem para trazer novas imagens para o público degustar.
Beijos e Boa Leitura
Interatividade:
O que você faz pra fugir da rotina?
quarta-feira, 7 de maio de 2008
As diversas facetas de um judoca
Cineasta Cavi Borges exibiu, dirigiu e julgou filmes no IguacinePor Renan Albuquerque
Imagens da internet
Cavi Borges mostrou todas as suas facetas no Iguacine. Para começo de conversa, "L.A.P.A", documentário sobre o universo hip hop carioca que co-dirigiu com o antropólogo Emílio Domingos, dominou a chamada Mostra Externa. Ele também participou do júri das mostras Filme de um homem só e da Baixada. Cavi ainda produziu o curta "Picolé, pintinho e pipa" e, por fim, ofereceu sua locadora para as filmagens de "O filme do filme roubado do roubo da loja de vídeo".
Parecia difícil encontrar um tempo para conversar com esse ex-jogador de vôlei e ex-judoca, cujo grande sonho na vida já foi defender o Brasil em uma olimpíada. No entanto, ele me recebeu com
um sorriso quando o abordei no Espaço Cultural Sylvio Monteiro. "É lógico que a gente pode conversar", disse ele. Não podia ser diferente para um cara que vem apostando no novo desde que transformou sua locadora, a Cavídeo, numa referência para a produção de curtas brasileiros.
Cavi Borges tem 30 anos e ainda mantém o corpo atlético e a cabeça aberta que o ajudaram a conciliar as diversas atividades em que se meteu desde que descobriu o cinema. "Abri a Cavídeo na Cobal de Botafogo, que fica perto de onde eu morava, mas na verdade eu estava mais interessado em produzir meus próprios filmes." Mas antes de começar a dirigir e produzir filmes ele criou o Cineclube Cavídeo, que exibia a nova produção do cinema brasileiro, de jovens que em sua maioria estavam na universidade.
Tanto a locadora como o cineclube marcaram época na Zona Sul do Rio de Janeiro. Mas, embora os DVDs com o que há de melhor na produção de curtas cariocas tenham um lugar de destaque na sua locadora, Cavi Borges está mais interessado no fazer cinematográfico do que na exibição de filmes. Além do L.A.P.A, que entra num circuito alternativo ainda este ano, está na pré-produção de um documentário sobre a vida do judoca paulista Rogério Sampaio, que ganhou uma medalha de ouro nas olimpíadas de Barcelona.
O primeiro documentário de Cavi, que ele dirigiu com a esposa Miila Dervett em 2003, foi "Sou Rocinha Hip Hop". A maior pretensão desse documentário foi registrar o aniversário de 9 anos do grupo GBCR (Gangue do Break Consciente da Rocinha) e as batalhas de b-boys nas favelas cariocas. Cavi acompanhava ambos os grupos com a crença de que pudessem amenizar a guerra dos morros cariocas, tal como ocorrera nos Estados Unidos. "Lá, as gangues inimigas trocaram as armas para mostrar quem sabia dançar melhor", disse ele.
As batalhas de hip hop podem não ter trazido a paz para as favelas cariocas, mas o aproximaram da produção cultural dessas comunidades. Os filmes apresentados no Iguacine que levam a assinatura de Cavi Borges têm alguma relação com as favelas. "Picolé, pintinho e pipa", que produziu, é de Gustavo Melo, um dos nomes de maior destaque do grupo Nós do Morro, do
Vidigal. "O filme do filme roubado do roubo da loja de filme" é fruto de sua amizade com o misto de músico, ativista social e agora cineasta Marcelo Yuka. Para filmar "L.A.P.A", ele e Emílio Domingos fizeram diversas incursões pela periferia carioca.Como a crescente produção cultural das favelas está estreitamente associada à popularização dos
equipamentos de filmagem, seria inevitável o seu interesse pela Mostra Filme de um homem só, da qual foi júri. "Tenho interesse por esse tipo de produção porque, com a tecnologia atual, nãoapenas é possível uma pessoa fazer um filme sozinho", explicou Cavi. "Agora, com a evolução cada vez mais rápida dos celulares e das máquinas digitais, qualquer pessoa pode fazer um filme." Até mesmo eu. Ou você.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
quarta-feira, 30 de abril de 2008
O chão da palavra
José Carlos Avelar no IguacinePor William Faria da Costa
Fotos: Site da Prefeitura de Nova Iguaçu
No terceiro dia do primeiro festival de cinema de Nova Iguaçu, o Iguacine, o crítico de cinema José Carlos Avelar deu uma palestra na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu. Ele falou do seu novo livro, 'O chão da palavra', cujo tema central discute as semelhanças e diferenças entre o cinema e a literatura.
José Carlos Avelar deixa bem clara a sua opinião: ele não vê as adaptações cinematográficas baseadas em obras literárias como meras ilustrações de um livro. Segundo ele, quando um cineasta faz uma adaptação, não quer dizer que deva ser uma cópia fiel e limitada do livro. Para o crítico, o cineasta dá a sua visão da história que leu. "O ponto comum entre o cinema e a literatura é que cada um quer inventar uma maneira própria de fazer arte"acrescentou.
Essa relação tão próxima entre cinema e literatura surgiu durante a década de 60, quando os cineastas brasileiros sentiram a necessidade de fazer um cinema com a cara do Brasil. Para fugir da estética do mundo europeu e norte-americano, a solução foi recorrer à literatura nacional, já que esta falava muito mais de nossos personagens locais. Desta forma, passaram-se a filmar nosso clima, nossos problemas, nossa afetividade, nossa realidade, enfim.
Diferenças entre cinema e literatura
O cinema tem facilidade de viajar pelo tempo sem confundir o espectador. "Esta confusão ocorre mais freqüentemente quando essa viagem no tempo é feita pela literatura", explicou o crítico. No filme, o tempo verbal é sempre o presente. No livro é o passado, mesmo que seja um passado imediato. Para escrever um livro, sempre se pode utilizar um dicionário, mesmo que não seja seguido à risca. "Já o cinema não dispõe de um dicionário de imagens", disse Avellar, citando o cineasta Pier Paolo Pasolini.

Para o crítico, o livro dá sentido às coisas em sua essência, sem ambigüidades. No campo do cinema, as imagens das coisas são essencialmente ambíguas e contraditórias. José Carlos Avelar finalizou a palestra dizendo que cinema e literatura formulam imagens mentais distintas e não restringidas. Reforçou também que, entre filmes e livros, não há uma forma de arte mais importante. "As duas são capazes de ajudar no crescimento cultural do indivíduo."
Cinco vezes Cacá Diegues
Durante sua carreira cinematográfica, Cacá ganhou inúmeros prêmios com os filmes "Tieta do Agreste, "Orfeu" e "Dias Melhores Virão", entre outros. Chegou também a ser jurado do Festival de Cannes.
Este renomado cineasta marcou presença no IguaCine para falar da regravação do filme "Cinco Vezes Favela", agora com a ótica de jovens cineastas das favelas do Rio. Confira nosso bate-papo com o Cacá.
Você se articula muito com as produções de favela. Por que seu interesse?
Existe uma grande novidade nessa produção que me interessa. É um registro de vida e de estéticas novas que me interessa conhecer. Então, essa minha ligação com eles não é puramente cinematográfica, mas pessoal.
Como vê as produções cinematográficas com a democratização do cinema permitida pela tecnologia digital?
Acho que é a grande revolução que estamos vivendo neste momento. Nós vamos ter a possibilidade de conhecer o desconhecido, descobrir cultura, o comportamento e o hábito de pessoas que a gente nunca veria se não fosse o audiovisual.
Quando presta atenção nas propostas dos novos filmes, o que consegue enxergar?
Infelizmente, quando olho para muitas produções, percebo que nossas produções do Século XXI se voltam à Hollywood do séc. XX. Todas as maneiras que foram produzidas no Séc. XX, nós reproduzimos agora, mesmo até sem perceber. Parece uma cópia dos filmes Hollywoodianos. Nos vestimos como nos filmes americanos, andamos e bebemos como eles.
Acho que o Brasil tem que fazer isso de uma forma mais patronal. E uma nova forma de fazer cinema se dará a partir do momento que se dê voz a população.
Segundo uma pesquisa feita pelos jornais O Globo e Folha de São Paulo, você é considerado o diretor brasileiro mais popular no Brasil. Porque acha que recebeu essa marca?
Só fico feliz, mas não me preocupo com isso. Acho que tenho que fazer meu papel, fazer os filmes que tenho vontade de fazer. Porque as conseqüências, eu não controlo.
Nós estamos no campo da generosidade social ao investir em filmes como o "Cinco vezes favela II", ou já existe maturidade estética na produção da periferia?
Existe uma cultura estética muito maior do que quando filmei "Cinco vazes favela". Hoje, mesmo que não pratiquem o audiovisual, eles têm um conhecimento, nem quem seja instintivo. Acho que existe uma curiosidade e uma vontade diferente da que está consagrada, e isso é muito estimulante. Você vê isso nos filmes que já fizeram. Eu percebo o quanto são originais e como o olhar é diferente. E em conjunto a isso surge uma nova estética, com um humor novo. O que me impressiona é que existe um grande gosto por fazer cinema, e isto está criando uma imagem nova e nunca vista. E isto não tem nada de generoso.
Se fosse rodar um filme aqui em Nova Iguaçu como ele seria?
Não sei, acho que Nova Iguaçu dá imagem para vários filmes.
O que leva de sua participação no IguaCine?
Exemplo de uma atitude de vanguarda diante do cinema brasileiro. Um jeito corajoso e, sobretudo, uma atitude que deve ser reproduzida para as outras cidades da Baixada e para o mundo.
Você acha que este festival afirma Nova Iguaçu no universo cinematográfico?
Claro, está começando a fazer isso, sem dúvida nenhuma.
terça-feira, 29 de abril de 2008
Deu a louca no Iguacine
Fotos: Louise Teixeira
"A psicose de Valter", do paulista Edu Kishimoto, foi o grande vencedor do Iguacine – O primeiro festival de cinema da Baixada Fluminense. Ele saiu de lá com quatro latas de negativo 35mm da Kodak, uma licença Dolby para curta-metragem, duas horas de telecinagem off line e quatro horas de on line na Link Digital, mais o empréstimo de equipamento e mixagem da CTAV.
O júri, formado por Jorge Barbosa, Patrícia Montmor e Rui Gardnier, também deu menção honrosa para os curtas "Muito além do chuveiro", de Poliana Paiva, e "Trópico das cabras", de Fernando Coimbra. O prêmio de aquisição do portal Porta Curtas Petrobrás, no valor de R$ 750, foi para "Picolé, pintinho e pipa", de Gustavo Melo.
Antes da solenidade de entrega, apresentada pelo mano Rafael Nike, o festival fez uma homenagem à TV Maxambomba. A sessão serviu o filé mignon dos programas exibidos mensalmente durante os 15 anos de existência da TV Maxambomba, uma realização do CECIP (Centro de Criação de Imagem Popular). Foram exibidos quatro filmes. "Meio ambientemente", "História de Nova Iguaçu", "Alinhavando a vida" e "Vote em Lindomar". Representando o CECIP, Luiz Carlos Lima, o Luizinho, registrou sua gratidão à TV Maxambomba. "Aquela experiência foi um marco na história da Baixada", disse ele, que saiu direto do exército para a ong, em meados da década de 1980. Atualmente, Luizinho trabalha na Casa da Ciência da UFRJ.
Um dos adjuntos da Secretaria de Cultura e Turismo, Écio Salles comparou a noite de ontem à da entrega do prêmio Orilaxé, com o qual a ong Afro-Reggae contempla as personalidades que mais se destacaram nas áreas social ou de cultura negra em cada ano. "Tenho certeza de que estamos vendo nascer uma coisa muito especial aqui", disse um emocionado Écio Salles, que durante anos foi um dos principais coordenadores do Afro-Reggae.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Quem não foi perdeu
Quem esteve presente na abertura oficial do Iguacine presenciou uma noite repleta de emoção, música e cinema. Por Flávia Ferreira
Fotos: Louise Teixeira
A abertura oficial do IguaCine foi feita no dia 24 de Abril pelo mestre de cerimonias Rafael Soares, o "Nike", no Espaço Cultural Sylvio Monteiro. O Espaço abrigará grande parte das mostras do Festival. Nike apresentou os convidados e os homenageados da noite para o público presente.
Dentre os convidados estava o poeta Moduan Matos. Moduan recitou um poema, de sua autoria, sobre cinema. MC Dotadão cantou o funk sobre os filmes que já viu no cinema. Como foi a Escola Livre de Cinema que pensou todo o festival, sua representante, Cristiane Braz, falou de suas espectativas com o IguaCine.
Marcus Vinícius Faustini, cineasta e secretário de cultura da cidade, também estava lá. Afinal, ele está dentre os que idealizaram e organizaram tudo que vocês verão até o dia 30 de Abril. Ele diz estar feliz em poder contribuir com o festival.

- Quero transformar o audiovisual em um processo onde a cidade contribui para construir um futuro melhor - Diz ele, entusiasmado com tudo que virá.
Não posso deixar de citar o comandante de nossa cidade, o prefeito Lindberg Farias. O prefeito agradeceu aos parceiros que acreditaram nesta investida, e disse ver com muito orgulho o que este Festival traz consigo.
- Nada adiantaria o festival sem o que está escondido, que é essa riqueza cultural e social, repleta de angústias que se encontra em Nova Iguaçu - entusiasma-se Lindberg.
Tivemos também o cineasta Sérgio Sanz, que foi homenageado pelo evento, recebendo um troféu por todos seus feitos dentro do mundo cinematográfico. Inclusive, seu filme "Devoção" foi exibido na abertura do festival. O documentário de Sanz fala da representação dos santos católicos e do orixás do candomblé.
Sérgio Sanz ficou emocionado com a homenagem que recebeu e afirmou, também, que esse festival já deu certo, basta ver o número de inscrições para perceber este fato. Ele acredita que surge 'um cinema' aqui e, se não apresentarmos ao mundo, nada acontecerá.
- O Rio de Janeiro é um tambor, se não apresentar nada novo para ele, vai ficar sempre na mesma. Tem que fazer o cinema daqui acontecer no Brasil - diz ele
Após a exibição do filme, o público presente pode desfrutar de um saboroso coquetel. Feijão amigo, Caldo de inhame com carne seca, salgadinhos e churrasquinhos combinavam perfeitamente com caipirinhas e batidinhas. Tudo isso ao som da voz e do violão de Daniel Guerra, vocalista da banda iguaçuna de forró 'Pimenta do Reino'.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
O boletim do Iguacine
O lanterninha sensacionalistaForças ocultas
Por causa de uma viagem emergencial, a oficina do mestre José Carlos Avellar, inicialmente marcada para a tarde de sábado no Espaço Sylvio Monteiro, foi transferida para as sete horas da noite desta sexta-feira, na Secretaria de Cultura e Turismo (Avenida Nilo Peçanha, 480, 2º andar). Corra, Lola! Corra, Forest! As vagas são limitadas!
Escândalo
Antes do lançamento oficial, que será feito na noite de hoje com a homenagem ao documentarista Sérgio Sanz, o Iguacine já atraiu mais de mil pessoas para atividades promovidas nas suas primeiras 24 horas.
BLOGUEIRA ESPIA PELO BURACO DA FECHADURA
A blogueira Natália Ferreira, que, apesar de ter 22 anos, também nunca foi ao cinema, acompanha a primeira vez das crianças no escurinho. Confira a cobertura deste e outros babados no blog Jovem Repórter, uma parceria da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu com o Projeto Bairro-Escola.
EVANGÉLICO ESPREME CINEASTA NA PAREDE: SERÁ QUE DÁ SUCO?
O blogueiro Jason Silva foi a Santa Teresa entrevistar o cineasta Sergio Sanz, homenageado do Iguacine. Com uma rígida formação evangélica, o blogueiro do Jovem Repórter questiona a visão sincretista apresentada por Sanz no documentário Devoção, que faz sua estréia nacional nesta quinta-feira 25 de abril, às 21h, no Espaço Cultural Sylvio Monteiro (R. Getúlio Vargas n. 51 - Centro de Nova Iguaçu).
A primeira vez a gente nunca esquece
Crianças do Bairro-Escola entrevistam roteirista do filme MutumDe onde veio a idéia deste filme?
Li a história de Guimarães Rosa e gostava muito dela. Quem dirigiu o filme foi Sandra Kogut. Ela escreveu o roteiro comigo. A gente, sempre que se encontrava, falava: “gostaria de filmar essa história.” O que a gente achava legal é que a história é contada do ponto de vista de um menino de dez anos. Como é que ele vê o mundo. A gente queria fazer um filme que contasse a história de como o menino vê o mundo.
Qual a foi a parte mais difícil de filmar?
A história tem alguns momentos muito tristes. Desde o início, a gente não sabia como ia filmar a morte de Felipe. O elenco era formado por crianças sem nenhuma experiência de interpretação. Eram crianças que a gente selecionou ao longo de um ano, indo em escolas rurais do interior de Minas Gerais, conversando com elas em sala de aula. Vimos mais de mil crianças até selecionar os meninos que vocês viram no filme. Por isso foi tão complicado fazer aquela seqüência.
Eu não entendi uma parte do filme. Ou seja, tudo. Gostaria que a senhora me explicasse.
Esse filme tem um mistério que só se resolve no final. A gente passa a história inteira sem saber que esse menino, o Tiago, o protagonista da história, é míope. O míope é aquela pessoa que enxerga muito bem de perto, mas o que está longe fica tudo desfocado. Tem várias coisas que acontecem no filme que você não entende o porquê. Quando está indo levar a comida para o pai, Tiago se assusta porque não enxergava muito longe e não sabia o que estava se mexendo na mata. Tudo era meio nebuloso. Tem uma situação em que ele está na roça, em que o pai pergunta o que ele acha do feijão. Ele não está vendo feijão algum e por isso fica quieto. Tem muita coisa que acontece com os adultos que é sempre meio nebulosa. É mais ou menos o jeito como ele enxerga. Ele sabe que tem um problema do pai com a mãe, mas ele não sabe direito o que está acontecendo. Isso é parecido com a forma como ele vê o mundo.
Qual foi a cena que você mais gostou?

Vou contar primeiro a cena que o Tiago mais gostou de fazer. Eu já disse que, pra gente fazer o filme, a gente viajou à procura de pessoas que viviam daquele jeito mesmo. Então, a cachorrinha é a cachorrinha mesmo do Tiago, e ela se chama Rebeca mesmo. Quando a gente foi fazer o filme nesta fazenda, a gente foi lá na casa dele. Ele mora numa fazenda igual à do filme, num lugar muito isolado, chamado Capivara de Cima. Todo dia, para ir para a escola, ele tem que andar quarenta minutos pra pegar um ônibus para ir até uma cidadezinha. Então a gente levou a cachorrinha para o set de filmagem e ela ficou o tempo todo lá. Na história original, a cachorra tem um outro nome. Mas não dava pra gente mudar o nome dela, que ficou sendo a cachorrinha Rebeca. E o Tiago adorou a cena em que ele dá banho na Rebeca.
Eu também gosto da cena do banho dos passarinhos, que acho muito engraçada. Muita coisa no filme era do jeito como eles faziam. O filme tem muito de cinema-documentário. Rosa, a faxineira, mora na região e cozinha daquele jeito, veste-se daquele jeito. A gente filmou muito parecido com o jeito como eles são. Tinha uma cena que a gente ia fazer com os passarinhos e aí a gente perguntou aos meninos como eles tratavam os bichinhos. A menina disse: "ah, eu dou banho de chuveirinho. O passarinho gosta."
Quando esse filme estreou e como está sendo a carreira dele?
Esse filme estreou em setembro, no festival de cinema do Rio. Esse filme já passou em vários festivais, e ganhou muitos prêmios. Foi para Cannes, Berlim, Bogotá, Cuba, Holanda. Tem toda uma trajetória premiada, mas aqui, no Brasil, ele ficou pouco tempo em cartaz. Isso é um problema de distribuição. Tem filmes de Hollywood, que ocupa os espaços. O filme ficou pouco tempo em cartaz, e mais concentrado na Zona Sul. A gente não tem controle sobre isso. A gente gostaria que o filme fosse para os outros lugares, mas isso não tem jeito. Agora a gente está indo para outras praças. A gente foi para Porto Alegre, Salvador, Recife, Belo Horizonte. A gente também não tem muitas cópias. Cada vez que passa o filme é uma oportunidade. No final do ano, ele sai em DVD e mais pessoas terão acesso.
Por que ele não entregou a carta para a mãe?
Você pegou uma cena muito boa. É quando ele fica se perguntando o que é certo e o que é errado. Ele viu, com seus olhos míopes, que o tio teve uma briga com o pai. Ele também vê que o pai briga com a mãe. Ele percebe que tem uma coisa estranha acontecendo, e que o tio é expulso de casa. Quando o tio pede para ele entregar a carta, Tiago não fala nada, fica pensativo. Ele faz aquele buraco na parede, fica observando o pai comendo à noite, pergunta para a avó o que é certo e errado. Ele adora o tio, mas ele também sente que, se entregar o bilhete, estaria traindo o pai, o que ele não quer fazer. Tiago fica tão paralisado com a dúvida que sequer consegue tirar a calça para dormir. Acho engraçado quando ele diz para o irmão que não vai tirar a calça porque fez uma promessa. Ele não consegue nem se mexer. Ele não entrega por uma questão de lealdade com o pai. Acho isso bacana.
Como a senhora conheceu essa história e de onde surgiu a idéia de fazer o filme?Eu li um livro – o Manuelzão e Miguilim. Dentro desse livro tem uma novela chamada Campo geral. O personagem principal dessa novela é Miguilim. Mas no filme ele se chama Tiago. Não tinha como mudar o nome de Tiago. Nem o dele nem o de Felipe, o de João Vitor. Tudo ali é de verdade. A avó é a avó de verdade dele. Antes das filmagens, a gente os colocou para morarem na fazenda em que o filme foi rodado. Eles chamavam o personagem que fazia o pai de pai. Eles chamavam a mãe de mãe. Ficaram vivendo como se de fato fossem uma família. Mas eu sempre gostei dessa história e sempre quis adaptá-la para o cinema. Essa coisa da visão, que ele enxerga tudo desfocado, é muito cinematográfica.
Por que o nome do filme é Mutum?
Na história, Mutum é o nome da fazenda. Mas Mutum é um pássaro preto, de cerca de meio metro de altura, que está em extinção. É muito engraçadinho. Tem um topete que mais parece um cabelo à moicano. E ele é um pássaro que canta à noite. Tem um gemido triste. Faz assim: mu-tum, mu-tum. Daí o nome. A história tem uma certa tristeza, pois Tiago perde o irmão e no fim ele deixa o lugar que mora. Por isso, achamos o nome adequado.
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