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quarta-feira, 30 de abril de 2008

Cinco vezes Cacá Diegues

"Existe uma curiosidade e uma vontade diferente da que está consagrada, e isso é muito estimulante". (Cacá Diegues)

Por Flávia Ferreira
Fotos: Felipe Rodrigo e Gabriela Gama
O alagoano Carlos Diegues, ou simplesmente Cacá Diegues, é um dos fundadores do Cinema Novo. Um dos cineastas brasileiros mais populares, ele foi presidente do diretório acadêmico da PUC, onde cursou direito. "Nesta época ainda não existia faculdade de cinema", explicou na palestra que deu na Escola Livre de Cinema, em Miguel Couto.

Durante sua carreira cinematográfica, Cacá ganhou inúmeros prêmios com os filmes "Tieta do Agreste, "Orfeu" e "Dias Melhores Virão", entre outros. Chegou também a ser jurado do Festival de Cannes.

Este renomado cineasta marcou presença no IguaCine para falar da regravação do filme "Cinco Vezes Favela", agora com a ótica de jovens cineastas das favelas do Rio. Confira nosso bate-papo com o Cacá.

Você se articula muito com as produções de favela. Por que seu interesse?

Existe uma grande novidade nessa produção que me interessa. É um registro de vida e de estéticas novas que me interessa conhecer. Então, essa minha ligação com eles não é puramente cinematográfica, mas pessoal.

Como vê as produções cinematográficas com a democratização do cinema permitida pela tecnologia digital?

Acho que é a grande revolução que estamos vivendo neste momento. Nós vamos ter a possibilidade de conhecer o desconhecido, descobrir cultura, o comportamento e o hábito de pessoas que a gente nunca veria se não fosse o audiovisual.

Quando presta atenção nas propostas dos novos filmes, o que consegue enxergar?

Infelizmente, quando olho para muitas produções, percebo que nossas produções do Século XXI se voltam à Hollywood do séc. XX. Todas as maneiras que foram produzidas no Séc. XX, nós reproduzimos agora, mesmo até sem perceber. Parece uma cópia dos filmes Hollywoodianos. Nos vestimos como nos filmes americanos, andamos e bebemos como eles.

Acho que o Brasil tem que fazer isso de uma forma mais patronal. E uma nova forma de fazer cinema se dará a partir do momento que se dê voz a população.

Segundo uma pesquisa feita pelos jornais O Globo e Folha de São Paulo, você é considerado o diretor brasileiro mais popular no Brasil. Porque acha que recebeu essa marca?

Só fico feliz, mas não me preocupo com isso. Acho que tenho que fazer meu papel, fazer os filmes que tenho vontade de fazer. Porque as conseqüências, eu não controlo.


Nós estamos no campo da generosidade social ao investir em filmes como o "Cinco vezes favela II", ou já existe maturidade estética na produção da periferia?

Existe uma cultura estética muito maior do que quando filmei "Cinco vazes favela". Hoje, mesmo que não pratiquem o audiovisual, eles têm um conhecimento, nem quem seja instintivo. Acho que existe uma curiosidade e uma vontade diferente da que está consagrada, e isso é muito estimulante. Você vê isso nos filmes que já fizeram. Eu percebo o quanto são originais e como o olhar é diferente. E em conjunto a isso surge uma nova estética, com um humor novo. O que me impressiona é que existe um grande gosto por fazer cinema, e isto está criando uma imagem nova e nunca vista. E isto não tem nada de generoso.

Se fosse rodar um filme aqui em Nova Iguaçu como ele seria?

Não sei, acho que Nova Iguaçu dá imagem para vários filmes.

O que leva de sua participação no IguaCine?

Exemplo de uma atitude de vanguarda diante do cinema brasileiro. Um jeito corajoso e, sobretudo, uma atitude que deve ser reproduzida para as outras cidades da Baixada e para o mundo.

Você acha que este festival afirma Nova Iguaçu no universo cinematográfico?

Claro, está começando a fazer isso, sem dúvida nenhuma.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Um dia global

Juventude de Nova Iguaçu lota teatro para discutir cidade educadora com Maurício Kubrusly

Por Flávia Ferreira
Parecia o trem Japeri na hora do rush. No entanto, era apenas uma palestra do jornalista Maurício Kubrusly e do escritor Francisco Bosco no Sesc de Nova Iguaçu durante o Fórum Mundial de Educação. Todas as cadeiras do teatro estavam ocupadas, havia gente na escada e lá de dentro se ouvia o burburinho das pessoas que não conseguiram entrar no debate "A juventude construindo uma cidade educadora", no dia 29 de março.

Apesar da euforia do público, os jovens presentes demoraram a captar o espírito do encontro. Nunca vi falarem tanto de problema. Teve até pódio. O campeão foi o transporte público, por causa dos motoristas que impedem os estudantes de entrarem no ônibus e que a partir de uma certa hora nem param no ponto. A medalha de prata ficou para a saúde pública e o bronze para o saneamento básico.

Incomodado, Kubrusly interrompeu a série de desabafos da juventude e pediu para que as pessoas mudassem o foco da discussão. "O brasileiro tem disposição e alegria para fazer as coisas, mesmo nos lugares mais pobres", disse ele antes de sugerir que nos concentrássemos nas coisas boas da cidade. Afinal de contas, a Luciene Muniz havia feito todo um trabalho de mobilização por diversas escolas da Baixada não para que chorássemos nossas mazelas, mas para que discutíssemos nossas conquistas como uma cidade educadora.

Luis Garcez, representante do movimento estudantil do CEFET, aproveitou a deixa e fez um pequeno discurso em homenagem às belezas de Nova Iguaçu. "A Baixada tem lugares maravilhosos", disse ele. "Temos que parar de achar que só o Rio tem coisas bonitas." Para Garcez, que é militante do Movimento Mudança, reclamar não adianta nada. "As pessoas têm que começar a agir."

A agente pedagógica Ana Cristina adotou uma linha de raciocínio semelhante e introduziu o Bairro-Escola no debate. "A educação é a base de tudo", disse a agente pedagógica, para quem o programa educativo implantado pelo governo Lindberg Farias produziu mudanças significativas em Nova Iguaçu.

Resolvi entrar na discussão e dei o exemplo da Escola Agência de Comunicação, criada justamente para mudar o estigma de cidade violenta de Nova Iguaçu. “Fazemos um jornalismo ligado à educação”, eu disse. “Acreditamos que a educação não é feita somente na unidade escolar, mas em todos os cantos da cidade.”

Comparei então a forma que trabalhamos ao jornalismo que ele faz no quadro Me leva Brasil, veiculado no Fantástico.

"Trazemos as experiências de vida das pessoas e sua história para dentro da prática jornalística", concluí.

Para minha surpresa, Kubrusly elogiou nossa iniciativa em público. “Continue acreditando nessa forma de trabalho”, afirmou o jornalista da Globo. Como se não bastasse aquela rasgação de seda em público, ele me mandou um email no dia seguinte. Sabe o que ele disse? “Foi muito bom tudo aí, uma surpresa boa tropeçando em outra melhor ainda. Abalou geral, viu? Já fazia parte da torcida. Agora então... Parabéns a todo o time que toca essa grande sacada. Conte Comigo.”

Será que eu vou ficar besta?

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Control C - Control V

Como piratear a educação?

Por Lucas Lima e Ruana Benvinda
Imagens - Angélica Fernandes

A equipe de repórteres da Agência Escola de Comunicação esteve na palestra "Control C Control V: Piratear a Educação", realizada na Universidade Estácio de Sá. O tema da palestra faz analogia ao recurso “Copiar e Colar”, muito usado por internautas para replicar alguma ação realizada. A intenção da palestra foi mostrar que os projetos que dão certo em um lugar podem e devem ser “Copiados e Colados” por outras cidades e municípios. A intenção é facilitar o progresso e a difusão de iniciativas importantes.

A Escola Livre de Cinema, situada em Miguel Couto, serviu de exemplo e ponto de partida para essa discussão. Ela foi reconhecida pelo excelente trabalho que desenvolve com crianças e adolescentes usando o audiovisual como meio formador de cidadãos criativos e críticos em relação aos meios de comunicação. A escola foi citada por ter sido "copiada e colada" em vários bairros de Nova Iguaçu.

Durante a divulgação do projeto Escola Livre de Música Eletrônica, Anderson Barnabé, coordenador do projeto, disse que inicialmente os ritmos musicais que seriam usados nesse projeto seriam o funk e o hip-hop. Algumas pessoas na platéia o questionaram, dizendo que o funk é conhecido por suas letras pouco educativas e que fazem apologia ao sexo e à violência. "O funk é, sim, um movimento cultural porque as crianças não crescem mais ouvindo músicos como Caetano Veloso e Chico Buarque", disse Anderson Barnabé. "Portanto, é a cultura da atualidade."

O negócio é "copiar e colar ". Assim como se espalham os projetos, podem-se espalhar gestos e atitudes legais que podem partir de você... valeu!?

Caminhos para educação

Projetos de horário integral são discutidos em palestra sobre o futuro da educação
Por Marcelle Fonseca
Imagens - Natália Ferreira e Bruno Marinho

A palestra “Caminhos para a educação integral”, que foi realizada no Auditório da Universidade Estácio de Sá, das 14 às 17h do dia 28 de março de 2008, contou com a participação dos convidados Moacir Gadotti (Instituto Paulo Freire), Maria Julia Azevedo Gouveia (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), Jaqueline Moll (Ministério da Educação/SECAD). O objetivo da palestra era ouvir e entender as propostas dos projetos que falam sobre a permanência dos alunos das escolas municipais no horário integral, participando de atividades extras e alimentação três vezes ao dia (café da manhã, almoço e café da tarde).

Foram apresentados alguns casos, como o 'Projeto Colorindo o Caminho', de Belo Horizonte, 'Oficina do Saber', de Sorocaba, a 'Escolinha do Futuro', de Osasco, 'Projeto Encontros', do Rio de Janeiro, e o 'Projeto O Dia do Verde', realizado em Marapicu.
Um dos que chamou mais atenção foi o 'Projeto Amigos da Escola', em Imbarié. Apesar das dificuldades, conseguiu implantar a “Oficina Arte na Veia”, que oferece aulas de violão e violino, além de trabalhar com educação ambiental.
No projeto 'Burareio da cidade de Ariquenies', implantado em agosto de 2005 em Rondônia, 800 alunos passam o dia inteiro na escola, evitando o ócio e a falta de produtividade. Sem dúvida, essa é uma oportunidade ótima para todos, principalmente para as crianças.

- Os pais falam muito bem desse projeto, pois ajuda muito a quem trabalha, além das crianças estarem mais seguras estão aprendendo e fazendo o que gostam - disse uma professora de Rondônia.

terça-feira, 1 de abril de 2008

De volta ao quintal

Psicóloga de Vila de Cava cria brinquedos pedagógicos para o Bairro-Escola.
Por Flávia de Sá e Natalia Ferreira
Fotos - Leonardo Victor
Márcia Guadalupe é psicóloga, educadora e parceira do programa Bairro-Escola, que conheceu melhor no projeto “Escola de Paz” da Escola Professora Irene da Silva Oliveira, em Vila de Cava. Esse projeto reúne os pais dos alunos a cada dois meses para que tenham um dia igual ao dos estudantes. Mãe de Ariel, Márcia se encantou com o que viu e ofereceu o quintal da sua casa para o programa. “O Bairro-Escola tira as crianças da rua”, elogia a psicóloga. “O programa também permite que elas se sociabilizem com os outros coleguinhas.”
No Quintal da Márcia, os alunos do horário integral são recebidos com três cês: “Criatividade, compreensão e carinho", explica a psicóloga. Segundo ela, o quintal é um espaço especial para trabalhar a educação. “Aqui a criança tem contato com a terra e com as plantas”, diz.
Márcia criou diversos brinquedos que funcionam como ferramentas educacionais. Uma tirolesa improvisada com um cabo de aço entre duas árvores ensina conceitos de física como velocidade, peso e deslocamento, além de trabalhar a fobia de altura que afeta algumas crianças. Há ainda o “
skate de árvore” e o “elevatório”, que ajudam a desenvolver a coordenação motora da criança de forma radical. “Já reparou que toda criança gosta mesmo é de ficar em pé nos balanços de praça pública?”, pergunta. “Então, aqui eles podem.”
Com as lixeiras coloridas, as crianças aprendem a fazer coleta seletiva de resíduos como papel, metal, plástico e vidro. “As diferentes cores dos latões também ajudam na identificação de casos de daltonismo”, diz Márcia.

O caldeirão da Cerâmica

Cena cultural toma palco da chacina.

Por Flávia Ferreira
Fotos - Mazé Mixo

Ainda se podia sentir o cheiro de pólvora na Cerâmica quando a lona cultural da Escola Municipal Douglas Brasil abrigou o Nós do Morro, grupo teatral que tirou a favela do Vidigal das páginas policiais e a colocou nos cadernos culturais. Dois anos depois da chegada do grupo, hoje rebatizado como Nós da Baixada, há uma dinâmica cena cultural no bairro marcado pela chacina. “Meus alunos de 12, 13 anos discutem teoria teatral”, orgulha-se Anderson Dias, coordenador artístico do núcleo.

A criação dessa cena cultural não foi nada fácil. Depois de passar pelo árduo processo de seleção e capacitação de 50 profissionais do município de Nova Iguaçu que integrariam o núcleo da Cerâmica, Anderson iniciou o trabalho com uma comunidade disposta a tudo para esquecer a tragédia da noite de 31 de março de 2005. “A gente precisa lembrar para impedir que se repita”, sugeria. Mas o resgate da memória esbarrava nas lágrimas de uma das alunas, que havia perdido um irmão na chacina.

Apesar do estigma, o trabalho evoluiu primeiro para a Escola Municipal Estanislau Ribeiro do Amaral e depois para a própria comunidade, atraindo cerca de 250 jovens para as oficinas agora realizadas em um espaço próprio. Mas já em Fotos e fatos, primeiro espetáculo montado pelo Nós do Morro na Baixada Fluminense, ficou claro que o trabalho na Cerâmica extrapolava o evento cultural. “O trabalho social termina sendo mais importante do que o artístico”, avalia.
Anderson tem dados de sobra para sustentar essa tese. “Além de termos formado um público teatral na Cerâmica, conseguimos sensibilizar o comércio local para financiar nossos espetáculos”, diz. Outro sinal dos novos tempos vividos no palco da chacina foi o Varal Cultural, espaço de experimentação artística onde cada centímetro é disputado pelos artistas da comunidade. “Isso aqui está virando um grande caldeirão cultural”, afirma.
O sucesso da experiência terminou produzindo uma pequena crise no grupo, motivada pelo desejo de profissionalização de alguns integrantes. Anderson não descarta a possibilidade de um novo Cidade de Deus, que deu fama internacional para os atores do núcleo do Vidigal. Mas, apesar do desempenho da atriz Carlinha no comercial produzido para o Bairro-Escola, ele tem medo de colocar o carro na frente dos bois. “Ainda temos um longo caminho pela frente”, afirma. “Tudo que vier será conseqüência de um trabalho bem feito.”

sexta-feira, 28 de março de 2008

Roteiro da chacina? é possível?

Forum Mundial ousa e faz o Roteiro da Chacina para quebrar o estigma da violência no bairro Cerâmica.

Por Bruno Marinho
Imagem de celular por Bruno Marinho, editada por Evio Nobre.

É isso mesmo. Dia 28, na Universidade Estácio de Sá, houve a discussão sobre a proposta da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo: levar os participantes do Fórum Mundial de Educação para conhecer o local da tragédia no bairro Cerâmica. Isso pareceu aos participantes uma idéia muito louca, que só iria trazer prejuízo ao turismo do nosso município. "Porém, a proposta central é quebrar o estigma negativo de que a Baixada é violenta e, com o roteiro, os bandidos poderiam ter medo de repetir esse ato monstruoso”, disse Juliana Pereira, estagiária de turismo da secretaria.

A idéia do roteiro foi amadurecida em um congresso, onde os estagiários da Secretaria de Cultura e Turismo participaram. Lá, eles ouviram pedidos para que esse roteiro fosse feito.

- Diferente dos roteiros paisagísticos, como seria em Tinguá ou no Parque Municipal, o turismo da Chacina iria mudar algo no município e o roteiro vem com esse intuito - argumentou Nádia Maria Alves, Subsecretária de Turismo.

O roteiro acontecerá dia 29, às 18 horas. O local de saída será a Estação Bairro-Escola. Os participantes irão jantar com os moradores do bairro Cerâmica e assistir à apresentação de grupos locais de dança e música. "Esse é o evento principal do roteiro", disse Écio Salles, Secretário Adjunto da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, "pois os próprios moradores são os anfitriões e assim aumenta o pertencimento deles ao seu bairro."

Não percam esse turismo diferente!

A escola não tá com nada

Tema polêmico aquece debate sobre o futuro das escolas

Por Willian Faria da Costa.

Imagem - Mazé Mixo, editada por Evio Nobre.

Uma palestra bastante polêmica agitou o primeiro dia de atividades autogestionadas realizadas pelo Fórum Mundial de Educação. Sob o tema "A escola não está com nada", jovens que abandonaram a sala de aula puderam falar sobre os motivos que tornam a escola tão distante da realidade de quem a freqüenta. O público dessa mesa, bem diversificado, era formado por pessoas ligadas à educação, à proteção da criança e adolescente e entusiastas da aproximação entre escola e aluno.

O diálogo, conduzido por Marcus Faustini, Secretário de Cultura da cidade, teve a presença de dois jovens que residem em abrigos públicos. Os relatos sinceros e desconsertantes desses jovens alimentaram a curiosidade dos educadores que buscam novos métodos de ensino e atividades complementares que despertem o interesse e evitem a evasão escolar.

Segundo os jovens, a escola se preocupa em formar profissionais e acaba esquecendo do seu papel na formação do cidadão. Com isso, o espaço que deveria ser de experimentação se transforma em celeiro de regras e formalismos para atender às exigências do mercado.

- Os professores não nos entendiam, só se preocupavam em jogar a matéria no quadro e nada mais. O colégio era muito cheio de regras - disse M., um dos jovens que largou os estudos.

Outro problema enfrentado pelos jovens é a falta de atividades externas, culturais e esportivas.

- Como eu já ficava muito preso em casa, na escola queria viver a liberdade e não podia. No colégio, eu gostava de esportes, aulas externas, artes e educação física. O professor de educação física conversava com a gente.

Os professores revelaram que há dificuldade de diálogo entre eles e os pais dos alunos, fator que permitiria a aproximação do professor com a realidade vivida pelo aluno.

O debate foi encerrado com a compreensão de que professores, alunos e pais têm que conviver mais próximos para que a formação da criança seja integral.

Quando perguntado se agora, com o entendimento da importância da formação escolar, gostaria de ser professor, S. mandou "na lata": "só se for de grafite".

Terapeuta por um dia



Por Flávia Ferreira
imagens-Mazé Mixo
A intenção da atriz Lílian Lopes era fazer uma performance cômica, mostrando que o professor é tão carente quanto qualquer ser humano. Mas principalmente os normalistas acreditavam piamente na psicanalista que interpretou, em um divã instalado no pátio do SESC de Nova Iguaçu no Seminário de abertura do FME. "A vontade que as pessoas têm de falar é tão grande que elas nem prestaram atenção no meu jaleco branco, que não tem nada a ver com um terapeuta", disse a atriz.

Também professora do ensino fundamental, Lílian adorou a experiência de ouvir o problema dos outros.

As pessoas que trabalhavam como apoio no fórum também fizeram sua “consulta”, como por exemplo Pâmela Tassio. “Senti um alivio imenso depois dessa conversa”, disse ela. Mas ela não foi a única a se sentir bem depois de conversar com a suposta psicóloga. O normalista Pedro Almeida contou que essa experiência foi interessante e esclarecedora. “Falei de minha infância, das cobranças excessivas e sobre pressão de minha família



quinta-feira, 27 de março de 2008

Bloco na rua

Marcha de abertura reúne 5 mil pessoas na Via Light.

Por Bruno Marinho
Imagens - Natália Ferreira e Bruno Marinho

Crianças encapuzadas distribuíram flores durante a marcha de abertura do Fórum Mundial de Educação. Elas protagnizaram um dos momentos mais intrigantes da marcha, que, segundo estimativas da Polícia Militar, arrastou uma multidão de 5 mil pessoas.
A marcha, que saiu da Vila Olímpica às 9h15, seguiu pela Via Light até a Estação Bairro-Escola. Ela foi liderada pelo prefeito Lindberg Farias. “Estamos aqui para mostrar ao mundo a experiência do Bairro-Escola”, disse o prefeito.

A presença de diversos grupos musicais, que iam do consagrado Afro-Reggae à banda da escola Roberto Silveira, fez da Via Light um pequeno carnaval. Artistas da cidade fizeram intervenções ao longo do percurso, como apresentações circenses do grupo MACA (Movimento Alternativo de Cultura e Arte) e a dança afro-brasileira do Afoxé Maxombomba.
A marcha reuniu pessoas de vários tipos, credos, raças e lugares. “Muitas cores”, resumiu, emocionada, a pedagoga cubana Evarina Dello, da Universidade de Havana. Grupos ecológicos fizeram um apitaço para chamar a atenção para a questão ambiental. Diversos grupos políticos aproveitaram a marcha para mandar todos os tipos de mensagem.

Professor da Universidade de Lisboa, Agostinho dos Reis Monteiro chegou a Nova Iguaçu com a expectativa de trocar experiências. “Quero ver o que está acontecendo aqui e mostrar o que está sendo feito em Lisboa”, disse o professor português. Também presente à marcha, a secretária de Educação Marli Freitas disse que a “Baixada deve se orgulhar do fórum”. “Ele quebra o estigma de lugar violento de Nova Iguaçu.”

Fórum da Diversidade

Fórum Mundial de Educação vira grande encontro da diversidade cultural.
Por Flávia Ferreira
Imagem - Bruno Marinho

Malabaristas, estudantes, políticos, ambientalistas e músicos transformaram a marcha de abertura do Fórum Mundial de Educação num grande encontro de tribos diferentes.
No meio da multidão, porém, havia indígenas na acepção exata da palavra. Um deles era o professor Tonico Benites, da tribo Guarani, da etnia guarani-kaiowá. Ele veio de Mato Grosso do Sul para participar da mesa que discutirá a diversidade em prol da educação. "No Brasil existem cerca de 220 etnias, mas a escola dá uma visão única e padronizada dos índios", disse Tonico.
Depois de meses pesquisando a escola tradicional, Tonico chegou à conclusão de que a educação padrão aborda a questão indígena de forma estereotipada e superficial. Segundo ele, o índio é tratado como se ainda estivéssemos no século XVI. "Se a escola trata a questão indígena de forma errada, é claro que não estão esclarecendo as pessoas sobre o real valor do povo indígena."

Para Tonico, o problema não é falar do índio, mas falar corretamente e ter uma visão atual sobre o estilo de vida de um índio. "O brasileiro vê o índio de forma negativa", disse ele.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Roteiro educativo

Participantes do Fórum viajarão pelos caminhos do Bairro-Escola

Por Flávia Ferreira
Imagens - Oficineiros de Cultura e Mazé Mixo


Durante esta 2° edição do Fórum Mundial de Educação, os participantes poderão pegar carona no Roteiro Bairro-Escola. O roteiro inclui os seis bairros que mais se destacaram no programa. Os visitantes farão o percurso guiados pelos oficineiros culturais e por um conjunto de turismólogos formados aqui mesmo, em Nova Iguaçu. Com isso, junta-se o útil ao agradável: os turistas se tornarão mais íntimos do processo educativo implantado pelo governo Lindberg Farias e de quebra conhecerão a cidade.

Locais a serem visitados:











































segunda-feira, 24 de março de 2008

Invasão comunicativa

A Escola Agência de Comunicação se alastrará, do dia 26 ao dia 30, pelos pontos do Fórum Mundial de Educação.

Texto e imagem - Flávia Ferreira

A Escola Agência de Comunicação invadirá a 2° edição do Fórum Mundial de Educação, que será realizado nos dias 26, 27, 28, 29 e 30 de março. Os jovens estagiáris da Escola Agência irão distribuir uma revista com reportagens, feita por eles, sobre a cidade de Nova Iguaçu. Tudo isso para mostrar a forma de ensino proposta pelo programa Bairro-Escola (BE) e revelar porque a comunidade se interessa tanto em participar.

Nessas matérias abordaremos, ou melhor, responderemos uma pergunta chave: "Porque o Bairro-Escola dá certo?". Para isso, colocamos em pauta os parceiros (pessoas e instituições) que são, na prática, os grandes responsáveis pelo funcionamento do projeto. Esse programa contribui muito para fazer de Nova Iguaçu uma cidade verdadeiramente educadora, pois traz a comunidade para dentro da escola e vice e versa.

Prepare-se também para esse movimento social, educacional e cultural. Afinal, como diria Paulo Freire, "Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda".

quinta-feira, 6 de março de 2008

Fórum Mundial de Educação 2008

O desafio de uma "Educação cidadã por uma cidade educadora".

por Flávia Ferreira
imagem- FME

De 27 a 30 de Março, Nova Iguaçu será palco do Fórum Mundial de Educação 2008 (FME). O evento terá como tema central a educação cidadã e contará com a participação de todos os municípios da Baixada Fluminense, os quais estarão unidos a outras entidades civis e movimentos populares buscando caminhos para uma Cidade Educadora.

“Educação Cidadã para uma Cidade Educadora” vem, novamente, como tema central dos debates, na cidade anfitriã, que já foi palco do Fórum em 2006. Esta edição do FME será estruturada em três eixos: Educação, Cultura e Diversidade; Ética e Cidadania em tempos de exclusão e Estado e Sociedade na Construção de Políticas Públicas.O Fórum também contará com duas novas comissões dentro do Comitê Organizador, a de Meio Ambiente e a de Esportes, complementando as existentes.

O objetivo do FME-NI é transformar-se em um espaço de constante formulação de alternativas educacionais,para trocar experiências e construir, com o todo, uma rede de articulações entre os mais variados movimentos e iniciativas. Isso traduz um momento único de propor soluções e expor suas idéias sobre a educação em sua cidade. A organização do Fórum dispôs um espaço de exposição de teses, de debates, de troca de experiências, de coordenação de projetos vinculados ao alcance dessa Cidade, para enfrentamento dos problemas sociais.

Dentre os locais de realização das atividades, está a Universidade Estácio de Sá, o Sesc Nova Iguaçu, o Colégio Municipal Monteiro Lobato, a E. E. João Luiz Nascimento e a Estação Bairro Escola. Maiores informações e inscrições podem ser obtidas no site do Fórum.

Uma kombi que resiste ao tempo

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