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terça-feira, 3 de junho de 2008

Com licença, eu vou filmar

Futuros cineastas da Baixada aprendem a analisar filmes sobre a região feitos por diretores de outros lugares.

Por Daniel Santos

O filme “Com licença, eu vou à luta”, do cineasta carioca Lui Farias, inaugurou a série de aulas do curso de análise de filmes sobre a Baixada Fluminense, ministrado pelo diretor teatral, cineasta e secretário de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu Marcus Vinicius Faustini. “A Baixada possui uma grande tradição cinematográfica”, explicou. “Mas com visão de pessoas de fora”, ressalvou.

A Escola Livre de Cinema, o projeto que trouxe o cineasta para Nova Iguaçu no início do governo Lindberg Farias, tem como objetivo capacitar seus alunos a criarem seus próprios filmes. “Só vai ser construída uma nova visão da Baixada a partir do momento que os próprios habitantes do lugar estiverem fazendo cinema”, afirmou Faustini .

O professor lembrou, porém, que as experiências locais precisam contrapor o ponto de vista local com o olhar estrangeiro. “Mas para isso vocês terão que analisar os filmes já feitos ambientados na Baixada”, afirmou Faustini. Esse embate de leituras seria importante porque, para Faustini, “a arte expressa o ponto de vista do narrador”.

Baseado no livro homônimo e autobiográfico da escritora Eliane Maciel, “Com licença, eu vou à luta” é ambientado em uma Nilópolis opressiva, que ainda trazia fortes influências da ditadura militar. Tanto o livro como o filme fizeram muito sucesso na década de 1980. Para Faustini, uma das razões para o sucesso do filme está nas escolhas narrativas feitas pelo diretor. “Ele é de um maniqueísmo quase novelesco”, afirmou.

Lançado em 1986, o longa conta a história de uma estudante de 15 anos, interpretada por Fernanda Torres, cujos hormônios estão à flor da pele. Sua mãe é uma dona de casa rigorosa, interpretada por Marieta Severo, que beira a histeria na perseguição à filha. Completam o núcleo principal da história o seminarista desquitado Otávio, interpretado por Carlos Augusto Strazzer, e o pai militar de Eliane, interpretado por Reginaldo Farias.

Antes de exibir os primeiros quinze minutos do filme, Faustini fez uma longa preleção para situar no tempo e no espaço o período da história em que surgiu a crítica de artes. “Foi na época do romantismo”, explicou. Foi nessa época da história em que a arte deixou de procurar Deus e passou a se concentrar no ser humano. Os fundamentos do romantismo foram lançados pelo escritor francês Victor Hugo, no prefácio do livro Cromwel. Para Faustini, não podemos morrer antes de ler este prefácio.

Depois de fundamentar teoricamente a atividade da crítica, Faustini decupou as primeiras seqüências do filme para os cerca de 20 alunos presentes na sala. A seqüência inicial, mostrando o amanhecer em Nilópolis com uma trilha sonora forte, já denuncia o ponto de vista do diretor Lui Farias. “Ele só mostra pessoas trabalhando ou indo para o trabalho”, observou Faustini. A ausência de pessoas no ócio dá a impressão de que, na Baixada, não se tem o direito à fruição.
Na segunda seqüência do filme, a câmera passeia por dentro da casa de Eliane e apresenta o conflito que a protagonista vai enfrentar ao longo da história. “Primeiro passa o pai da menina, um militar que anda todo duro”, observou. “Depois vem a menina sonada, que parece não querer sair do mundo dos sonhos.” Por fim, aparece a neurótica mãe de Eliane. “Ela é oprimida por todos.”

Faustini também discutiu a seqüência em que Eliane vai de ônibus para a escola de freiras em que estuda. “Também aqui não existe espaço para a juventude dela”, analisou depois de mostrar a má vontade da cobradora e a tensa negociação entre a estudante e uma senhora idosa, que se sentiu incomodada com a janela aberta por Eliane.

O professor interrompeu a decupação do filme nas primeiras seqüências do idílio amoroso entre Eliane e Otávio. “Ele é a primeira pessoa que sorri para ela”, disse Faustini. Ele também discutiu a estética do clip, muito presente no filme. “Ela fica mais clara no primeiro passeio que o casal dá pela cidade.” Nesse passeio, o opressivo trem que está sempre passando ao fundo das cenas se torna prateado e reluzente.

No fim da aula, Faustini deixou o filme na Escola Livre de Cinema para que os jovens o assistam e discutam as estratégias narrativas de Lui Farias. Ao longo do curso, também serão analisados “O amuleto de ogum”, de Nelson Pereira dos Santos, “O homem do ano”, de Flavio Tambellini, “O homem da capa preta”, de Sergio Rezende, e “Crueldade mortal”, de Luiz Paulino dos Santos.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Um delegado que cumpre as leis

Orlando Zaccone revoluciona cotidiano da 52ª respeitando direitos dos presos.

Por Avrill Nobre
O delegado Orlando Zaccone chegou à 52ª DP em janeiro de 2007, quando Sergio Cabral assumiu o Governo do Estado do Rio de Janeiro. Encontrou então 400 presos espremidos na carceragem, que hoje, um ano e meio depois, ele reduziu para 280. Iniciou de imediato um projeto que chamou de Carceragem Cidadã, um projeto em parceria com a Prefeitura Municipal, Governo do Estado e Governo Federal que oferece saúde, educação e cultura aos presos. "Só estou cumprindo o que determina a Lei de Execução Penal", afirma o delegado, um ex-surfista e budista de 44 anos que surpreendeu os amigos quando entrou para a polícia.

A repercussão na mídia é apenas um dos sinais de que o trabalho de Orlando Zaccone à frente da 52ª DP está revolucionando o cotidiano da Polícia Civil. "A Polícia Civil não deveria ficar com os presos", afirma. "Ter a cautela dos presos é uma atribuição da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária." Há normas da Organização dos Estados Americanos (OEA) que determinam que a instituição responsável pela investigação não pode manter o preso por muito tempo. "O projeto da Polícia Civil é acabar com as carceragens em delegacias", diz. Uma prova disso é que a planta arquitetônica das chamadas delegacias legais, um projeto de 2001, não prevê espaço para a carceragem.
Esse generoso projeto da Polícia Civil, criado na época em que o antropólogo Luiz Eduardo Soares era o coordenador de Segurança do Governo Garotinho, teve pelo menos um indigesto efeito colateral. "As carceragens se tornaram ambientes ainda mais inóspitos, sem a menor assistência da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária", constata. Essa assistência seria necessária porque as carceragens vivem uma situação dramática do ponto de vista pessoal, com poucos assistentes sociais, poucos advogados e poucos médicos. "O preso que fica sob a custódia da polícia acaba ficando numa situação ainda mais vulnerável, pois não temos nenhum tipo de profissional que possa lhe dar assistência."

O delegado chegou à 52ª DP com uma sólida bagagem teórica, consolidada no mestrado em ciências penais da Universidade Cândido Mendes. Mas precisou da temperança desenvolvida nos tempos em que era adepto da filosofia Hare Krishna para administrar com galhardia as imposições da Lei de Execução Penal e as limitações materiais e pessoais da delegacia que assumiu. "Tanto os presos condenados como os custodiados têm seus direitos e é dever do Estado dar assistência educacional, médica e cultural a eles." Orlando Zaccone se viu na obrigação de recorrer à sociedade civil para cumprir com suas obrigações, mas o resultado foi gratificante. "Tivemos uma recepção muito boa da Prefeitura de Nova Iguaçu e dos músicos Marcelo Yuka e Tico Santa Cruz", lembra.
Começavam aí projetos como um cineclube quinzenal, shows musicais, criação de uma biblioteca e a publicação do jornal "Sol quadrado também brilha", além da formação de dois grupos reflexivos do GRAAL. Mas o delegado mais midiático do Rio de Janeiro não revolucionou o cotidiano da 52ª apenas com o respeito às imposições da Lei de Execução Penal aos serviços assistenciais que têm que ser prestados aos presos. Orlando Zaccone também mudou o modo como os presos são tratados, abdicando em definitivo do uso da força. "Você pode exercer uma autoridade sem violar o principio da dignidade da pessoa humana", afirma.
Orlando Zaccone tem uma intensa produção teórica, na qual se destaca a dissertação de mestrado "Acionistas do nada". Nessa dissertação, recebida com estardalhaço tanto pela academia como pela mídia, defendeu idéias polêmicas como as de que o aparato repressivo do Estado só prende os bagrinhos do crime. Outra ousada tese defendida por este ex-jornalista, que começou a estudar direito pressionado pelo pai também policial, foi publicada no site oficial do movimento "Marcha da maconha". No artigo "Paz sem voz no estado de exceção", o delegado condenou a decisão judicial que proibia a manifestação pela legalização da maconha. "Embora já tenhamos separado o Estado da Igreja há alguns séculos, as nossas ações no cotidiano estão carrregadas de um sentimento de sacralidade, onde nós vemos determinadas coisas como divinas e outras como profanas", filosofa. As drogas ilícitas são um desses temas.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Pirataria em dois lados

Um bonde de jovens repórteres foram descobrir porque a pirataria gera tanta polêmica.

Por Amanda dos Santos, Flávia Sá, Isabel Nascimento, Jeyce Cristine

Imagens - Felipe Rodrigo

Na Rua Arruda Negreiro sem número está situada a locadora I.V.L. Flávia Bianca, 22 anos, diz que seus pais montaram a locadora para obter um ganho extra sem precisar sair de casa. Na época, ela e seu irmão eram pequenos e sua mãe, de 54 anos, não podia deixá-los sozinhos para trabalhar fora. Foi assim que seus pais resolveram montar uma locadora em cima da própria casa. Dois anos depois da abertura, o casal resolveu aumentar a locadora e se mudaram para onde eles se encontram agora. Isso já faz 15 anos.

Quando são lançados, os DVDs são muito caros, chegando a custar 50 reais no mínimo. Se eles comprarem, não terão como alugar, porque, com o preço elevado, ninguém aluga. Sendo assim, perde-se dinheiro. Por isso, eles têm que esperar mais ou menos dois meses para que a fita fique mais barata.

Sabemos também da grande polêmica causada pela pirataria. Quem não se lembra do "lançamento" do DVD Tropa de Elite? O filme sequer tinha estreado e já estava nas bancas dos camelôs. Os produtores do filme tiveram grande prejuízo, sendo obrigados a fazer algumas modificações no filme antes que ele fosse para as telas de cinema.

A pirataria é uma questão a ser repensada, pois facilita o acesso da população menos favorecida à "cultura" e ao entretenimento, mas muitos são prejudicados com essa ilegalidade. O artista que produz tem custos e seu trabalho é copiado sem o mínino de qualidade. Ele não vê o retorno desse dinheiro que por direito deveria ser seu. Rejane Gama, advogada, casada, mãe de duas filhas, é totalmente contra a pirataria e acrescenta:

- É um crime de receptação. Comprando, vou alimentar a indústria do crime, o trabalho informal e gerar prejuízo aos produtores e artistas. Sou a favor de que os DVDs originais sejam mais baratos e acessíveis. Mas com certeza a pirataria não é a solução.

Ela acrescentou ainda que um amigo proprietário de locadora se viu obrigado a vender outros produtos dentro de seu estabelecimento, devido à queda no aluguel de DVDs.

Os clientes que mais freqüentam a I.V.L são os que têm cerca de 7 anos de ficha. Porém, os clientes mais novos são os que mais alugam lançamentos. A locadora tem uma vantagem: estar perto dos comércios.

- As pessoas que compram pão e leite aproveitam para alugar um DVD, garantindo a diversão do fim de semana – explica Flávia.

Para ela, o que realmente fez o movimento das vendas cair foi a “epidemia” da TV a cabo. Essa competição fez muita gente abandonar a locadora.

- Fomos obrigados a botar preço promocional para ganhar um trocadinho e tirar alguma coisa que muito mal dava para comprar ‘o pão’. No final do mês, não dava nem para comprar outros lançamentos e nem tirar algum para pagar o aluguel - conta Flávia, que, pelo fato de seus pais serem senhores de idade, já não podem trabalhar mais.

Por essas e outras que ela e seu irmão vão seguir rumos diferentes.

O outro lado da história

Por Daniela dos Santos Vieira

Entrevistei a vendedora Elaine Cristina, 22 anos. Ela acabara de contratar o serviço de “gato-net” (veiculação pirata de TV fechada).

Porque você assinou o gato-net?

Assinei o "gato-net" pelo meu filho que tem 9 anos e ama ver filmes. Sei que não é certo, mas é proveitoso para algumas pessoas.

Por que você não aluga os filmes?

Porque o dinheiro não dá para toda semana estar alugando os filmes, pois o tempo de aluguel é pouco e o "gato-net" é mais prático (afinal está dentro da minha casa).

O que mudou em sua vida?

Mudou bastante, pois passei a estar mais tempo com o meu filho. E passei a ser mais atualizada com os telejornais que tenho oportunidade de assistir no "gato-net".

Você descarta a locadora?

Não descarto, não. Sempre quando dá eu vou a uma locadora e pego alguns filmes que não tive oportunidade de ver. A locadora também é uma bela opção. Sempre vou ter a locadora como opção.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

As diversas facetas de um judoca

Cineasta Cavi Borges exibiu, dirigiu e julgou filmes no Iguacine

Por Renan Albuquerque
Imagens da internet

Cavi Borges mostrou todas as suas facetas no Iguacine. Para começo de conversa, "L.A.P.A", documentário sobre o universo hip hop carioca que co-dirigiu com o antropólogo Emílio Domingos, dominou a chamada Mostra Externa. Ele também participou do júri das mostras Filme de um homem só e da Baixada. Cavi ainda produziu o curta "Picolé, pintinho e pipa" e, por fim, ofereceu sua locadora para as filmagens de "O filme do filme roubado do roubo da loja de vídeo".

Parecia difícil encontrar um tempo para conversar com esse ex-jogador de vôlei e ex-judoca, cujo grande sonho na vida já foi defender o Brasil em uma olimpíada. No entanto, ele me recebeu com um sorriso quando o abordei no Espaço Cultural Sylvio Monteiro. "É lógico que a gente pode conversar", disse ele. Não podia ser diferente para um cara que vem apostando no novo desde que transformou sua locadora, a Cavídeo, numa referência para a produção de curtas brasileiros.

Cavi Borges tem 30 anos e ainda mantém o corpo atlético e a cabeça aberta que o ajudaram a conciliar as diversas atividades em que se meteu desde que descobriu o cinema. "Abri a Cavídeo na Cobal de Botafogo, que fica perto de onde eu morava, mas na verdade eu estava mais interessado em produzir meus próprios filmes." Mas antes de começar a dirigir e produzir filmes ele criou o Cineclube Cavídeo, que exibia a nova produção do cinema brasileiro, de jovens que em sua maioria estavam na universidade.

Tanto a locadora como o cineclube marcaram época na Zona Sul do Rio de Janeiro. Mas, embora os DVDs com o que há de melhor na produção de curtas cariocas tenham um lugar de destaque na sua locadora, Cavi Borges está mais interessado no fazer cinematográfico do que na exibição de filmes. Além do L.A.P.A, que entra num circuito alternativo ainda este ano, está na pré-produção de um documentário sobre a vida do judoca paulista Rogério Sampaio, que ganhou uma medalha de ouro nas olimpíadas de Barcelona.

O primeiro documentário de Cavi, que ele dirigiu com a esposa Miila Dervett em 2003, foi "Sou Rocinha Hip Hop". A maior pretensão desse documentário foi registrar o aniversário de 9 anos do grupo GBCR (Gangue do Break Consciente da Rocinha) e as batalhas de b-boys nas favelas cariocas. Cavi acompanhava ambos os grupos com a crença de que pudessem amenizar a guerra dos morros cariocas, tal como ocorrera nos Estados Unidos. "Lá, as gangues inimigas trocaram as armas para mostrar quem sabia dançar melhor", disse ele.

As batalhas de hip hop podem não ter trazido a paz para as favelas cariocas, mas o aproximaram da produção cultural dessas comunidades. Os filmes apresentados no Iguacine que levam a assinatura de Cavi Borges têm alguma relação com as favelas. "Picolé, pintinho e pipa", que produziu, é de Gustavo Melo, um dos nomes de maior destaque do grupo Nós do Morro, do

Vidigal. "O filme do filme roubado do roubo da loja de filme" é fruto de sua amizade com o misto de músico, ativista social e agora cineasta Marcelo Yuka. Para filmar "L.A.P.A", ele e Emílio Domingos fizeram diversas incursões pela periferia carioca.

Como a crescente produção cultural das favelas está estreitamente associada à popularização dos equipamentos de filmagem, seria inevitável o seu interesse pela Mostra Filme de um homem só, da qual foi júri. "Tenho interesse por esse tipo de produção porque, com a tecnologia atual, não
apenas é possível uma pessoa fazer um filme sozinho", explicou Cavi. "Agora, com a evolução cada vez mais rápida dos celulares e das máquinas digitais, qualquer pessoa pode fazer um filme." Até mesmo eu. Ou você.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O lanterninha sensacionalista

Boletim eletrônico do Iguacine

É HOJE!
Por causa de uma viagem emergencial, a oficina do mestre José Carlos Avellar, inicialmente marcada para a tarde de sábado no Espaço Cultural Sylvio Monteiro, foi transferida para as 19h desta sexta-feira, 25 de abril, na Secretaria de Cultura e Turismo (Avenida Nilo Peçanha, 480, 2º andar). Programe-se! As vagas são limitadas.

PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS CONTRA DINHEIRO FÁCIL EM NOVA IGUAÇU
"Presidente dos Estados Unidos" e "Dinheiro fácil" são dois dos nove filmes exibidos nesta sexta-feira, 24 de abril, na Mostra Competitiva do Iguacine. Haverá sessão às 17h e às 19h no Espaço Cultural Sylvio Monteiro (R. Getúlio Vargas, 51 - Centro de Nova Iguaçu).

E MAIS: O RAMBO TAMBÉM ESTÁ NO IGUACINE!
"A incrível história de Coti: Rambo do São Jorge", do diretor amazonense Anderson Mendes faz parte de mais uma sessão da Mostra Um Homem Só, às 16h desta sexta-feira, 24 de abril, no Espaço Cultural Sylvio Monteiro (R. Getúlio Vargas, 51 - Centro de Nova Iguaçu).

BATE-ESTACAS ARMADOS NA BAIXADA!
Depois de ganhar uma Escola Livre de Cinema, é a vez de Nova Iguaçu abrigar uma Escola Livre de Música Eletrônica. Nos mesmos moldes da escola dedicada ao audiovisual, com aulas pela manhã e tarde dedicadas aos estudantes de escolas municipais e cursos à noite e aos sábados abertos para toda a população, a Escola Livre de Música Eletrônica abre suas portas neste sábado, 26 de abril, às 19h, na Rua Geni Saraiva 1110, em Cerâmica. Na inauguração, MC's e a exibição de L.A.P.A, de Cavi Borges e Emílio Domingos, garantem o embalo!


SANTO FORTE
Todos os santos e orixás protegeram a abertura do Iguacine, na noite de quinta-feira, 25 de abril. Não teve lugar para todos que quiseram ser abençoados pela primeira exibição nacional do documentário "Devoção", de Sérgio Sanz. O prefeito Lindberg Farias veio direto do aeroporto para entregar um troféu ao diretor, homenageado pelo festival devido sua militância em favor da causa do cinema.

FIM DA SECA NO CEARÁ
O secretário de Cultura e Turismo e idealizador do Iguacine Marcus Vinícius Faustini e o prefeito Lindberg Farias tomaram café com o representante do CurtaCanoa. No menu, a participação de cineastas iguaçuanos no festival do curta-metragem realizado em setembro passado no paraíso cearense.

No escurinho do cinema

Casal de jovens descobre magia do cinema com crianças do Bairro-Escola

Por Natália Ferreira
Imagens - Gabriela Gama

Minha primeira vez no cinema foi maravilhosa. O filme me chamou muito a atenção. Foi o Mutum, de Sandra Kogut. O filme conta a história de um menino que via o mundo de uma maneira diferente e distorcida, pois ele é míope. Mas ele e nós , os expectadores, só descobrimos isso no final.

Bom, voltando ao assunto anterior, minha primeira vez no cinema foi uma experiência muito boa. Gostei muito. Para ser sincera, só não gostei daquela criançada toda. Eles tocaram o maior rebu. Foi difícil prestar atenção na história.

Levei meu ex-marido comigo. Também foi a primeira vez dele. Ele gostou muito, mas ficou um pouco impaciente. Ele diz que não consegue ficar muito tempo parado num lugar só. Mesmo assim, tomou gosto. Disse que vai repetir a dose.

Ana Luísa Martins Costa, a roteirista do filme, estava lá. No fim da sessão, ela disse para a garotada que se inspirou no livro Manoelzão e Miguilim, de Guimarães Rosa. Ela gostou muito do livro e resolveu fazer o filme com sua amiga Sandra Kogut. Sempre que se encontravam, as duas falavam do desejo de adaptar a história de Miguilim para o cinema.

Ela disse que as cenas de que mais gostou foram a do menino tocando a boiada e a do banho do passarinho, onde as crianças faziam um chuveirinho com a boca perto da gaiola. Ela disse também que a cena de que o menino Thiago (o ator principal) mais gostou foi a que ele dava banho na cachorra Rebeca.

Mutum não é como Tropa de elite e Cidade de Deus, que eu assisti no DVD que os meus pais compraram há cerca de um ano. Mutum fala de um outro tipo de Brasil. A gente pensa que o Brasil de Mutum não existe mais, mas ele é tão real quanto as favelas cariocas. Que bom que a Sandra Kogut e a Ana Luísa mostraram esse pedaço do mundo para a gente.

Desbravador do Cinema brasileiro marca presença no iguaCine

“O que eu espero já ocorreu, ou seja, esse Festival colocou Nova Iguaçu no universo cinematográfico”. Sérgio Sanz

Por Flávia Ferreira
Fotos - Wallace Dutra e imagens da internet


Ele está na pequena área desde 1958. Foi assistente de direção de Ruy Guerra, Saraceni, Fernando Coni Campos e Flávio Tambellini, o pai. João Sergio Barreto Leite Sanz já exerceu várias funções dentro da 7° arte. Foi assistente, montador, fotógrafo, diretor. Tudo isso exercendo também a função de educador, a qual poucos se aventuram a entrar.

A história e as tradições populares sempre estiveram na linha de mira de Sanz. No longa Soldado de Deus, ele fez uma revisão crítica do integralismo no Brasil e já em seu último longa, Devoção, retoma o tema de um curta seu de 1995: 'Antônio de Todos os Santos'. Este filme fala sobre os paralelos sincréticos entre Santo Antônio e Ogum. O documentário de Sanz teve sua primeira exibição ontem, 24 de Abril, no 1° Iguacine - Festival de Cinema de Nova Iguaçu.

A próxima investida deste desbravador do cinema será o documentário Tambores de São Luís, que será rodado no Maranhão. Aproveitando a presença de Sérgio Sanz no festival, conversamos um pouco sobre sua vida, sua carreira e sobre o festival. Confira abaixo como foi.

Você é viajado na carreira educacional, mas qual a importância de se ensinar arte atualmente?
Tanto o teatro quanto o cinema são formas de arte sensacionais. Eu chamo de cinema toda a imagem que tem movimento, porque se não tiver será fotografia.


No cinema, você consegue se expressar sem necessariamente estar ligado a uma indústria. Você pode pegar uma câmera e sair para fazer um filme com mais um amigo, que pode ser uma obra extraordinária, ou qualquer outra coisa que queira.

O aumento de TVs comunitárias faz com que o cinema, neste século, venha com mais força. Estas TVs ajudam a difundir a comunicação cinematográfica pelo país, e acho que com a vinda do digital, a democratização da informação vai chegar.

O que você trouxe dessa carreira como educador para sua carreira como cineasta?
Basta ver algum de meus filmes para perceber que no fundo, ou talvez no raso, tem muito de pesquisa, e isso é uma coisa originária do ensino, de estudar.

Em 2004, já após consideráveis anos no ensino, você gravou o documentário Soldados de Deus. E em 2005 decidiu se dedicar as gravações de longas e documentários. Como aconteceu esta transição?
Eu nunca parei de filmar em minha vida. Mesmo no exílio continuei filmando. Meu primeiro filme foi em 1963 e era extremamente jovem. Foi um documentário premiado na Alemanha.


Como surgiu a história do filme “Devoção”?
O brasileiro é este filme. Ele é devoto, tem fé e acredita. Então, a partir daí, resolvi fazer um filme sobre as pessoas que acreditam nisso.

Escolhi o Candomblé e a igreja católica porque são as religiões mães. Do candomblé saem várias coisas, inclusive a umbanda. E da Igreja católica retiram-se todas as outras religiões cristãs, como a Batista e a Protestante, que surgiu quando Lutero rompeu com a igreja católica. Elas são as duas religiões mães

A única religião que deixei de fora foi o judaísmo, que não tem grande influência no Brasil, comparada com a da cultura européia e da cultura negra.

Neste filme, você mostra Santo Antônio como um santo guerreiro. Porém, normalmente, ele é visto como um santo casamenteiro. Onde descobriu esse novo conceito de Santo Antônio, que pode ser visto como uma profanação para seus seguidores?
Santo Antônio é tudo como tento mostrar no filme. Ele não é guerreiro pelo fato de nunca ter guerreado. O fato é que ele foi extremamente culto, ele criou inúmeras bibliotecas, das quais surgiram os conventos.

E a história do sincretismo se dá porque cada lugar acha que o santo é uma coisa. No Rio de Janeiro, Oxóssi é Santo Antônio e São Jorge, e Ogum também é São Jorge e Santo Antônio. Já na Bahia e no Maranhão, só Ogum é Santo Antonio.

Existe, aqui no Brasil, uma mistura cultural muito grande. Eu escolhi Santo Antônio por ser o santo de maior devoção nos países de língua portuguesa. Existem algumas regiões do Brasil em que o convento de Santo Antônio recebe soldo, como se ainda fosse do exército, ou como se o Santo estivesse vivo. Uma vez li em uma matéria que existe uma cidade na Bahia que dá a Santo Antônio soldo de vereador. É uma coisa muito louca. Como um santo que morreu há quase 800 anos pode receber um soldo como se estivesse vivo? Isso sim é devoção.

A religião afro-brasileira sempre foi vista como um drible que os negros deram nos padres brancos, mas parece que seu filme quer mostrar que na verdade foram os padres brancos que ludibriaram os escravos, aproximando-os dos santos portugueses e afastando-os dos orixás dos seus ancestrais. É isso?
É verdade. Tanto que, em um dos takes do filme, é dito que os portugueses perguntavam aos negros: “Você quer ficar vivo ou ser católico?" Os que não queriam, eram mortos. Na realidade, eles foram convertidos à força, não por ficarem convencidos que a igreja católica era melhor que o candomblé. Os escravos não tinham direito a nada!

Como você vê as novas formas cinematográficas que surgem com a popularização da internet?
Isso é quase imprevisível. Mas acho que virá muita coisa nova por aí. Não pela internet, mas por conta das TVs digitais. A internet tem uma imagem muito pequena e a TV gera muito mais importância, pois chega mais fortemente na casa das pessoas.

Sobre a homenagem prestada a você na abertura oficial do festival. Como foi seu sentimento quando subiu no palco e recebeu o prêmio?
Fiquei, assim como foi visto, muito gratificado e muito emocionado com tudo que foi dito.

Com quais olhos enxerga a produção cinematográfica em e de Nova Iguaçu?
Com bons olhos. Espero que continue acontecendo, crescendo e que venha a mudar algumas coisas no cinema; que apresente coisas interessantes. Tenho muita confiança nas periferias. Baden Powell foi um dos maiores compositores brasileiros e não saiu do Leblon, e sim da periferia. Confio e acredito nas produções que podem sair daqui.

Você acha que a Escola Livre de Cinema pode viabilizar essas produções?
Acredito que é o caminho.

O que você espera que ocorra nesse festival?
O que eu espero já ocorreu, ou seja, esse Festival colocou Nova Iguaçu no universo cinematográfico. Tem gente de vários estados inscritos neste festival. Hoje, Nova Iguaçu, graças a esse festival, existe no mundo cinematográfico. Agora só falta vocês aprimorarem os estilos.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

O quitandeiro que ama o cinema

Curador do Iguacine revela os critérios de seleção do festival

Por Aninha Paiva
Imagens - Daniella Vieira e Aline Maciel

Rodrigo Fernandes da Fonseca devia ter sido quitandeiro, como os pais portugueses, que o criaram no Morro do Adeus. Mas os golpes de Rocky, um lutador, tiveram o poder de mudar a sua trajetória. É por causa do filme que catapultou Silvester Stallone para a fama que ele hoje é o crítico de cinema do jornal O globo e um dos quatro curadores do Iguacine – os outros foram os jornalistas Marco Antônio Barbosa e Mariana Filgueiras e o antropólogo Emílio Domingos.
Nossos repórteres caíram de pára-quedas na redação de O globo, sentindo-se tão estranhos quanto ele no período em que freqüentou o curso de produção editorial da UFRJ, na Praia Vermelha. A diferença é que Rodrigo Fonseca é gente como a gente e, ao contrário dos mauricinhos com que conviveu nos tempos de faculdade, logo deixou a nossa equipe à vontade.

Qual a importância do Iguacine?
O Iguacine é um espaço de troca e de afirmação de um movimento que se estabeleceu em Nova Iguaçu para criar um espaço de produção e discussão do cinema. A idéia é que a gente aborde e integre o maior número possível de jovens realizadores e jovens estudantes de cinema para que construam uma produção e principalmente ampliem os limites da Escola Livre de Cinema, que tem sido um espaço de discussão teórica mas de produção prática também.

Qual o critério de seleção dos filmes?
Você percebe a qualidade de um filme quando ele consegue comunicar a sua proposta, quando você entende o que ele quer dizer. Se no fim do filme o cara consegue se manter fiel a isso, seja te surpreendendo, seja simplesmente executando a proposta até o fim, ele tem qualidade. A questão é fazer uma análise comparativa, passando uma peneira nos filmes que preencherem esses requisitos.


No Iguacine, a gente teve uma grande mistura dos critérios da curadoria. A idéia da curadoria era promover um equilíbrio entre os filmes que têm uma experimentação de linguagem, que proponha algo novo, e os filmes que conseguem manter uma comunicação com a platéia, seja pela chave do riso, seja pela chave do melodrama ou pelo suspense imediato.

Faria alguma diferença na sua vida se tivesse um festival desses lá em Bonsucesso?
Faria uma enorme diferença na minha vida se tivesse um festival desses onde eu nasci, onde não tem cinema há quase quarenta anos. Minha vida teria sido muito melhor, pois teria alugado ou comprado menos filmes. A minha mãe também não ficaria tão preocupada nas vezes que sumi para ir ao cinema.

Como é que o filho de um quitandeiro do Morro do Adeus se torna um dos principais críticos de cinema do Rio de Janeiro?
Eu me tornei um crítico de cinema porque deus existe, porque fiz macumba, sei lá mais o quê. A competitividade hoje, seja a área que for, é muito grande e muito árdua. Na minha época, as pessoas da Zona Sul, além de todas as facilidades de uma vida de classe média, tiveram mil cursos que minha geração não teve. Não era só uma questão de dinheiro. Não havia curso de fotografia em Bonsucesso. Hoje, vocês têm e devem aproveitar isso.
Meu professor de literatura da Penha dizia uma frase que jamais esqueci: “a cultura nunca vêm atrás de você.” A cultura é a forma de saber mais excludente que existe. Você tem que conquistá-la. Você tem que ir atrás dela. Ela não é como o esporte. Se Deus ajudar, se você tiver algum talento, você pode virar um Pelé se comprar uma bola dente de leite no armarinho. Cultura não é assim. Você tem que correr atrás. Tem que estudar. No caso do cinema, tem o processo de renovação contínua, onde hoje uma nova cinematografia é revelada quase que semanalmente.

Até que ponto a subjetividade de um suburbano influenciou no seu gosto cinematográfico?
O peso da nossa formação, do lugar de que a gente vem, sempre vai influenciar nas nossas escolhas. Mas isso vai ser inconsciente. Você só percebe depois, ao refletir sobre os filmes que viu, aquilo que você gostou. Quando vou ver um filme, eu não vou ver a fotografia tal. Eu me abro completamente. Se o cara consegue me prender e aquilo fica dentro de mim, o que eu vou avaliar é o que ficou dentro de mim. Aí eu vou chegar a um consenso.

Qual o legado do Iguacine?
O Iguacine é um espaço de troca onde os estudantes terão acesso a essa mescla de linguagens. A gente está tentando criar um cinema de linguagem num lugar em que o cinema ainda é um sonho.que está se tornando uma realidade. A idéia é a gente potencializar isso.

O boletim do Iguacine

O lanterninha sensacionalista

Forças ocultas
Por causa de uma viagem emergencial, a oficina do mestre José Carlos Avellar, inicialmente marcada para a tarde de sábado no Espaço Sylvio Monteiro, foi transferida para as sete horas da noite desta sexta-feira, na Secretaria de Cultura e Turismo (Avenida Nilo Peçanha, 480, 2º andar). Corra, Lola! Corra, Forest! As vagas são limitadas!

Escândalo
Antes do lançamento oficial, que será feito na noite de hoje com a homenagem ao documentarista Sérgio Sanz, o Iguacine já atraiu mais de mil pessoas para atividades promovidas nas suas primeiras 24 horas.

BLOGUEIRA ESPIA PELO BURACO DA FECHADURA
A blogueira Natália Ferreira, que, apesar de ter 22 anos, também nunca foi ao cinema, acompanha a primeira vez das crianças no escurinho. Confira a cobertura deste e outros babados no blog Jovem Repórter, uma parceria da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu com o Projeto Bairro-Escola.

EVANGÉLICO ESPREME CINEASTA NA PAREDE: SERÁ QUE DÁ SUCO?
O blogueiro Jason Silva foi a Santa Teresa entrevistar o cineasta Sergio Sanz, homenageado do Iguacine. Com uma rígida formação evangélica, o blogueiro do Jovem Repórter questiona a visão sincretista apresentada por Sanz no documentário Devoção, que faz sua estréia nacional nesta quinta-feira 25 de abril, às 21h, no Espaço Cultural Sylvio Monteiro (R. Getúlio Vargas n. 51 - Centro de Nova Iguaçu).

A primeira vez a gente nunca esquece

Crianças do Bairro-Escola entrevistam roteirista do filme Mutum

Por Crianças Repórteres de Nova Iguaçu

O Iguacine foi aberto com a sessão 'Minha primeira vez na cinema'. Reuniu uma pequena multidão formada principalmente por crianças da Escola Livre de Cinema para assistir ao filme Mutum, de Sandra Kogut. A roteirista Ana Luísa Martins Costa foi prestigiar a sessão, depois da qual foi sabatinada pelas crianças do Bairro-Escola. Foi uma dupla estréia. Além de irem a primeira vez ao cinema, elas fizeram a primeira entrevista.

De onde veio a idéia deste filme?
Li a história de Guimarães Rosa e gostava muito dela. Quem dirigiu o filme foi Sandra Kogut. Ela escreveu o roteiro comigo. A gente, sempre que se encontrava, falava: “gostaria de filmar essa história.” O que a gente achava legal é que a história é contada do ponto de vista de um menino de dez anos. Como é que ele vê o mundo. A gente queria fazer um filme que contasse a história de como o menino vê o mundo.

Qual a foi a parte mais difícil de filmar?
A história tem alguns momentos muito tristes. Desde o início, a gente não sabia como ia filmar a morte de Felipe. O elenco era formado por crianças sem nenhuma experiência de interpretação. Eram crianças que a gente selecionou ao longo de um ano, indo em escolas rurais do interior de Minas Gerais, conversando com elas em sala de aula. Vimos mais de mil crianças até selecionar os meninos que vocês viram no filme. Por isso foi tão complicado fazer aquela seqüência.

Eu não entendi uma parte do filme. Ou seja, tudo. Gostaria que a senhora me explicasse.
Esse filme tem um mistério que só se resolve no final. A gente passa a história inteira sem saber que esse menino, o Tiago, o protagonista da história, é míope. O míope é aquela pessoa que enxerga muito bem de perto, mas o que está longe fica tudo desfocado. Tem várias coisas que acontecem no filme que você não entende o porquê. Quando está indo levar a comida para o pai, Tiago se assusta porque não enxergava muito longe e não sabia o que estava se mexendo na mata. Tudo era meio nebuloso. Tem uma situação em que ele está na roça, em que o pai pergunta o que ele acha do feijão. Ele não está vendo feijão algum e por isso fica quieto. Tem muita coisa que acontece com os adultos que é sempre meio nebulosa. É mais ou menos o jeito como ele enxerga. Ele sabe que tem um problema do pai com a mãe, mas ele não sabe direito o que está acontecendo. Isso é parecido com a forma como ele vê o mundo.

Qual foi a cena que você mais gostou?
Vou contar primeiro a cena que o Tiago mais gostou de fazer. Eu já disse que, pra gente fazer o filme, a gente viajou à procura de pessoas que viviam daquele jeito mesmo. Então, a cachorrinha é a cachorrinha mesmo do Tiago, e ela se chama Rebeca mesmo. Quando a gente foi fazer o filme nesta fazenda, a gente foi lá na casa dele. Ele mora numa fazenda igual à do filme, num lugar muito isolado, chamado Capivara de Cima. Todo dia, para ir para a escola, ele tem que andar quarenta minutos pra pegar um ônibus para ir até uma cidadezinha. Então a gente levou a cachorrinha para o set de filmagem e ela ficou o tempo todo lá. Na história original, a cachorra tem um outro nome. Mas não dava pra gente mudar o nome dela, que ficou sendo a cachorrinha Rebeca. E o Tiago adorou a cena em que ele dá banho na Rebeca.

Eu gosto muito de duas cenas. A primeira é a cena em que ele está andando com a boiada, depois da briga com o pai, quando os dois quebram tudo. Ele sai e fica superfeliz quando está no meio daqueles bois, naquele lugar bonito. Os bois enchem a tela. Eu acho muito bacana.

Eu também gosto da cena do banho dos passarinhos, que acho muito engraçada. Muita coisa no filme era do jeito como eles faziam. O filme tem muito de cinema-documentário. Rosa, a faxineira, mora na região e cozinha daquele jeito, veste-se daquele jeito. A gente filmou muito parecido com o jeito como eles são. Tinha uma cena que a gente ia fazer com os passarinhos e aí a gente perguntou aos meninos como eles tratavam os bichinhos. A menina disse: "ah, eu dou banho de chuveirinho. O passarinho gosta."

Quando esse filme estreou e como está sendo a carreira dele?
Esse filme estreou em setembro, no festival de cinema do Rio. Esse filme já passou em vários festivais, e ganhou muitos prêmios. Foi para Cannes, Berlim, Bogotá, Cuba, Holanda. Tem toda uma trajetória premiada, mas aqui, no Brasil, ele ficou pouco tempo em cartaz. Isso é um problema de distribuição. Tem filmes de Hollywood, que ocupa os espaços. O filme ficou pouco tempo em cartaz, e mais concentrado na Zona Sul. A gente não tem controle sobre isso. A gente gostaria que o filme fosse para os outros lugares, mas isso não tem jeito. Agora a gente está indo para outras praças. A gente foi para Porto Alegre, Salvador, Recife, Belo Horizonte. A gente também não tem muitas cópias. Cada vez que passa o filme é uma oportunidade. No final do ano, ele sai em DVD e mais pessoas terão acesso.

Por que ele não entregou a carta para a mãe?
Você pegou uma cena muito boa. É quando ele fica se perguntando o que é certo e o que é errado. Ele viu, com seus olhos míopes, que o tio teve uma briga com o pai. Ele também vê que o pai briga com a mãe. Ele percebe que tem uma coisa estranha acontecendo, e que o tio é expulso de casa. Quando o tio pede para ele entregar a carta, Tiago não fala nada, fica pensativo. Ele faz aquele buraco na parede, fica observando o pai comendo à noite, pergunta para a avó o que é certo e errado. Ele adora o tio, mas ele também sente que, se entregar o bilhete, estaria traindo o pai, o que ele não quer fazer. Tiago fica tão paralisado com a dúvida que sequer consegue tirar a calça para dormir. Acho engraçado quando ele diz para o irmão que não vai tirar a calça porque fez uma promessa. Ele não consegue nem se mexer. Ele não entrega por uma questão de lealdade com o pai. Acho isso bacana.

Como a senhora conheceu essa história e de onde surgiu a idéia de fazer o filme?
Eu li um livro – o Manuelzão e Miguilim. Dentro desse livro tem uma novela chamada Campo geral. O personagem principal dessa novela é Miguilim. Mas no filme ele se chama Tiago. Não tinha como mudar o nome de Tiago. Nem o dele nem o de Felipe, o de João Vitor. Tudo ali é de verdade. A avó é a avó de verdade dele. Antes das filmagens, a gente os colocou para morarem na fazenda em que o filme foi rodado. Eles chamavam o personagem que fazia o pai de pai. Eles chamavam a mãe de mãe. Ficaram vivendo como se de fato fossem uma família. Mas eu sempre gostei dessa história e sempre quis adaptá-la para o cinema. Essa coisa da visão, que ele enxerga tudo desfocado, é muito cinematográfica.

Por que o nome do filme é Mutum?
Na história, Mutum é o nome da fazenda. Mas Mutum é um pássaro preto, de cerca de meio metro de altura, que está em extinção. É muito engraçadinho. Tem um topete que mais parece um cabelo à moicano. E ele é um pássaro que canta à noite. Tem um gemido triste. Faz assim: mu-tum, mu-tum. Daí o nome. A história tem uma certa tristeza, pois Tiago perde o irmão e no fim ele deixa o lugar que mora. Por isso, achamos o nome adequado.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Filme que leva além

L.A.P.A., o documentário mais exibido do Iguacine, estréia hoje no Jardim Tropical

Por Flávia Sá e Natália Ferreira

Uma das grandes atrações do Iguacine vai ser L.A.P.A, documentário de Cavi Borges e Emílio Domingos que será exibido em oito bairros de Nova Iguaçu, sempre ao ar livre. O filme, produzido em dois anos e meio, mostra a cena hip hop do bairro que hoje é sinônimo de boemia do Rio de Janeiro. “Procuramos traçar um pequeno retrato do rap carioca”, conta o antropólogo visual Emílio Domingos, feliz da vida por poder devolver a rima revoltada dos mcs para a periferia, da qual se origina a maior parte dos personagens do seu filme.

L.A.P.A começou a ser desenhado em 1999, quando Emílio Domingos fez o curta-metragem Uma palavra que me leva além. Nessa mesma época, mcs de diversas áreas da região metropolitana do Rio de Janeiro, inclusive a Baixada Fluminense, elegera a Lapa como sua Meca e o bar Zoeira como sua mesquita. “A Lapa serviu para agregar quem fazia hip hop”, disse Leo da 12 a certa altura do documentário, que até descobrir a noite da Lapa imaginava ser um dos dois três rappers do Rio de Janeiro. Bastou um ônibus para encontrar parceiros e entrar no filme de Emílio Domingos e Cavi Borges.


O documentário traz depoimentos dos mais representativos MCs da cena carioca, como BNegão, Macarrão, Black Alien e o hoje cultuado Marcelo D2. Esses personagens narraram diversos aspectos do hip hop da Lapa, que vão das batalhas de rimas até a tentativa de reproduzir aqui os símbolos de riqueza que caracterizam o rap feito nos Estados Unidos. Os diretores também entraram na vida particular dos rappers, mostrando como conciliam a sobrevivência com o sonho de uma carreira musical e o modo como se relacionam com a família.

Emílio Domingos, que depois do festival dará aulas na Escola Livre de Cinema, vai acompanhar de perto a exibição do filme nas praças de Nova Iguaçu. “Gosto de ver a reação do público ao meu trabalho”, conta o diretor, para quem são fantásticas tanto a idéia de um festival de cinema na Baixada Fluminense como de mostras gratuitas para o grande público. Para o diretor, o Iguacine é uma comprovação de duas teses que acredita. “Todo mundo pode fazer cinema e ver filmes”, afirma.
As dificuldades enfrentadas na produção do
documentário, durante a qual o documentarista pensou em desistir diversas vezes, foram lembradas na hora em que nossa reportagem pediu para que deixasse uma mensagem para os jovens repórteres da Escola Agência de Comunicação. “Tenham persistência em suas idéias e ideais”, aconselha. “O negócio é se expressar, e da maneira que você puder.”

Solidão com milhares de acessos

"Fiz a maioria dos meus filmes praticamente sozinho. Mesmo sendo até criticado por isto". (Christian Caselli)

por Flávia Ferreira

Uma das grandes novidades do Iguacine será a mostra Filme de um homem só. Essa mostra é o espaço por excelência para o cinema da era digital, cuja mídia principal é o YouTube.Um dos nomes mais badalados desta mostra é o cineasta Christian Caselli, cuja obra está disponibilizada no YouTube. Pelos menos dois dos seus filmes já ultrapassaram a marca de cem mil acessos. O paradoxo da espera no ônibus, contabiliza ele, já teve 265 mil hits.Também fez muito sucesso com “Cinco poemas concretos”, no qual usou a sinergia entre a poesia e as artes plásticas da geração de vanguarda que criou novos paradigmas para a arte brasileira, no fim da década de 1950. Este filme teve nada menos que 160 mil acessos.Como ele é uma das estrelas do universo virtual, mandamos as perguntas por e-mail. É óbvio que esteve cineasta ligado estava on-line.

Como funciona o cinema alternativo ou experimental?
Sei lá, a parada não é como uma máquina ou algo assim. Você tem que ter um mínimo de equipamentos disponíveis e ter o desprendimento de se libertar, talvez. Assim, cada caso é um caso. Uma pessoa muito presa a convenções ou que só pensa em ganhar dinheiro jamais vai conseguir fazer um filme assim; a não ser que ele seja um péssimo cineasta e o filme seja incompreensível (risos).
Cinema experimental não necessariamente quer dizer filme barato. Longas como Chapaqqua e A Montanha Sagrada são extremamente loucos e bem caros. Já definir alternativo no Brasil é estranho, pois basta não ter dinheiro de isenção fiscal que é meio caminho andado para ser isto, pelo menos em termos de meios de produção. Ou seja, somos a maioria. Mas o negócio é ser o menos careta possível, embora com autocrítica sempre. Ser "doidão" não é sinônimo de qualidade ou mesmo de "experimental", que até mesmo esse gênero tem seus estereótipos.

Como é atingir mais de 160 mil pessoas no Youtube com um curta-metragem feito a custo zero?
Maravilhoso! E, na verdade, O paradoxo da espera do ônibus já tem mais de 265 mil acessos! Sem dúvida, é uma luz no fim do túnel; você nota que a humanidade não é tão idiota quanto você pensa (quer dizer, é um pouco sim), no sentido que nem todos estão viciados num padrão global/hollywoodiano (que é a mesma merda) que nos impõem. E não é só um filme barato; é também um desenho desanimado que não acontece nada. E todos se identificam com a parada. Ou seja, nem tudo está perdido.


O Youtube pode ser uma forma de democratizar o acesso ao cinema e de criar novos cineastas?
Acho um grande barato, mas não podemos ficar deslumbrados com o que está acontecendo. Afinal, o Youtube é da Google, neguim multimilionário. Mas também não podemos demonizá-los. Na verdade, eles são frutos de um tipo de capitalismo tão novo que ninguém está tendo muito domínio do que vai acontecer; nem eles devem saber. Mas eles são frutos da era digital e do download; ou seja, pensam de outra forma. Quem sabe, eles realmente deram start numa nova coisa? Bom, o negócio é aproveitar isso a nosso favor, como eu fiz com O paradoxo. Sem dúvida, eu cresci muito profissionalmente depois da aceitação que ele teve. E sim, é um ótimo espaço de discussão para os novos cineastas, porque dá a cara a tapa e busca uma nova linguagem.

A blockbuster digital indica um novo ciclo de reviravoltas na produção e difusão cinematográfica?
Tomara, mas ainda não é algo bem resolvido no sentido comercial. A merda é que todos os artistas, por mais revolucionários e de esquerda que sejam, sempre esbarram na contradição do ter que sobreviver. Nisso, a difusão pela internet, por exemplo, é muito interessante para transmitir idéias, mas não garante que se viva disso e que, conseqüentemente, se crie constantemente.

Quanto ao que acontece comercialmente em salas de cinema, as pessoas ainda estão muito viciadas no longa "esquemão", com historinha e feito em película. Nesse sentido, a produção digital pode marcar uma diferença, mas acredito que seria necessário uma reformulação mais generalizada, tanto na forma e conteúdo dos filmes quanto na maneira de assisti-los. O curta pode ser uma boa opção, já que é mais dinâmico e tem mais a ver com estes tempos corridos. Estamos caminhando para isso, mas, como disse, tudo é muito novo ainda.

O cinema sempre foi considerado arte de massa. Agora, temos filmes produzidos em oficinas de vídeo em favelas do Rio, downloads desenfreados de filmes industriais e exibição digital. Você acha que o cinema finalmente se tornou "popular"?
De certa forma, pois é meio utópico achar que isso está acontecendo de fato. É claro, tem o lado bom da massa agora estar fazendo filmes. Estamos com a faca e o queijo na mão, ou melhor, literalmente, com a câmera na mão e a idéia na cabeça. Mas ainda é muito forte a dominação de uma Globo na cabeça das pessoas (é só notar como uma porcaria como o BBB pode fazer tanto sucesso), assim como os filmes americanos.

Neste ponto, o cinemão sofre menos com o download se comparar com a música, pois ainda existe o ritual de se ir ao cinema, comprar pipoca, pegar mulherzinha, etc. O problema é que fazer filmes simplesmente não basta; temos que pensar numa maneira igualmente inédita em exibi-los. Talvez a TV digital nos dê melhor estas respostas.

O que, com a evolução do mundo, atingiu o cinema? Você acha que a simplicidade está sendo procurada?
Não, não diria isto... O assunto é complexo, pois desde George Lucas ao pessoal do Dogma 95 (e os realizadores que estão do Youtube) defendem o digital. Se por um lado todos querem "se ver mais", como é o caso de O Paradoxo (...), também querem ver os efeitos cada vez mais pirotécnicos do Homem-Aranha. Mas acho que existe um fluxo maior de informações no cotidiano e isto, por mais opressivo que seja, é interessante para se pensar em assuntos nunca antes pensados. Por exemplo, você não precisa mais explicar como é um navio para alguém que mora no interior, como eram os livros do século XIX. Nisto, as informações audiovisuais vão muito mais direto ao ponto. E cada vez mais se filma e se difunde o que se filma. Então o mundo ajuda o cinema e o cinema ajuda o mundo. Porém, é bom lembrar que a palavra "evolução" é sempre contestada. E atingir a simplicidade é algo complexo. Ou seja, é todo um paradoxo (risos).

Como foi criado o curta "Cinco poemas concretos"?
Muita gente hoje em dia não conhece, mas o concretismo foi um movimento de vanguarda dos anos 50 que, grosso modo, unia a poesia com a arte gráfica. Devido a essa união, eu sempre notei um aspecto cinético na grande maioria deles. Então eu selecionei os cinco que lá estão - que são "Cinco" (de José Lino Grunewald, 1964), "Velocidade" (de Ronald Azeredo, 1957), "Cidade" (de Augusto de Campos, 1963), "Pêndulo" (de E.M. de Melo e Castro, 1961/62) e "O Organismo" (de Décio Pignatari, 1960) - e pus a mão na massa. É claro que teve todo um trabalho de adaptação e experimentação. Ao contrário do que me perguntam, fiz tudo no Adobe Premiere e não usei o After FX. Na verdade, não tenho muito saco para o After.

Você participará da mostra 'Filmes de um Homem Só', no IguaCine, com o "Cinco Poemas Concretos". O que espera desse festival em nova Iguaçu?
Há um tempo que acompanho o que está acontecendo em termos audiovisuais em Nova Iguaçu e tenho achado ótimo. Algo supersaudável e exemplar, eu diria, e que merece bastantes elogios. Isto é muito bacana, pois não só capacita pessoas que precisam ampliar seu leque para o mercado de trabalho (não gosto deste termo, mas é a velha questão da sobrevivência), como aumenta a auto-estima de um local pouco lembrado. Eu, aqui do Rio, ainda acho que a Baixada é estigmatizada como terra de ninguém, o que é bem lamentável e sei que não é assim. O festival me parece uma inevitável conseqüência. Parabéns!

Quanto à coisa da mostra "Filme de um homem só", acho muito bom e me identifico muito. Fiz a maioria dos meus filmes praticamente sozinho, mesmo sendo até criticado por isto!!!! (Falta do que fazer...) E acho que esse fazer-sozinho é a cara do que está acontecendo agora, com a era digital. E está muito mais para a democracia do que pra um individualismo, em que você diz o que bem entende e como bem entende. E sem explorar ninguém, pois eu nunca tenho dinheiro pra pagar as pessoas! A única coisa que eu lamento é que tenho dois filmes que são bem isso, mas que não pude inscrever pois, eles são de 2004: o AUTOMUSIC e o AUTOCONHECIMENTO, que estão na minha conta do Youtube)

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Uma entrevista na Zona Sul

Nossa equipe foi até a Zona Sul entrevistar dois músicos famosos

Por Flávia Sá
Imagens - Natália Ferreira

O meu trajeto até a Zona Sul foi uma experiência muito importante para mim e minhas companheiras NatáliaFerreira, Flávia Ferreira, bem como para nosso colega Felipe Rodrigo. Estávamos indo fazer duas reportagens para este blog e para o programa de rádio Laranja da Terra.

Eu ia entrevistar Emílio Domingos, o diretor do filme L.A.P.A, que vai ser exibido em diversas praças de Nova Iguaçu durante o Iguacine. Flávia Ferreira ia entrevistar o músico e compositor Jards Macalé.A minha entrevista com Emílio Domingos foi maravilhosa. Ele me contou coisas importantíssimas de seu trabalho com muito entusiasmo. Ele nos recebeu com muita simpatia em sua casa, que fica no bairro de Laranjeiras.

Vimos muitas coisas interessantes em nosso "passeio" – aliás, a Zona Sul continua uma maravilha de lugar tanto para passear quanto para viver. Fomos pela Linha Vermelha. Cruzamos pela Baía de Guanabara e do alto da Perimetral vimos o cais do porto, com barquinhos e lanchas lá no fundo. Um avião decolou quando estávamos na altura da Praça Mauá.
Não sei pela emoção do passeio, mas o fato é que nos perdemos – pegamos a descida da Perimetral errada. O pior é que estávamos em cima da hora dos nossos compromissos. Rolou um estresse.

Fora isso, o passeio só não foi perfeito porque Júnior, o motorista, estava meio emburrado, e a minha xará estava tensa por não conhecer o caminho. Flávia Ferreia também estava preocupada com a entrevista. Mas, na volta, tudo foi festa. Já tínhamos feito nossos trabalhos e entramos mais uma vez no clima jovem.

Mas continuando a minha história a nossa trajetória foi muito gratificante, pois, além de conseguirmos chegar ao nosso destino, fizemos o nosso trabalho direitinho e de quebra ainda ficamos amigas do motorista. Na minha avaliação, essa história foi muito boa porque não foi uma história qualquer. Isso foi um fato que mexeu com todos nós, que fomos pela primeira vez juntos ao RIO e tivemos a experiência de trabalhar juntos.

Estou feliz por poder dividir esse momento com todos vocês.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Passa lá

Cinema a seu alcance

Confira a ida de nossa mais nova repórter até a Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu

Por Renata Manso

Imagens - Giselly Reis e Gabriela Gama

A Escola Livre de Cinema do bairro Miguel Couto tem três anos. A escola trabalha com crianças de 5° à 8° série de escolas municipais durante a semana e, aos sábados, com adultos da própria comunidade. No total, são 143 alunos.

Cleyton Leite e Diego Bion são professores dessa escola. Cleyton, que foi convidado pelo cineasta Marcus Vinícius Faustini, dá aula de animação desde a fundação da escola. Bion era aluno do turno da noite e foi chamado para trabalhar como professor de documentários.
No final de 2006, quatro filmes de animação e três documentários foram realizados pela Escola. Dentre os filmes, estão "A fofoqueira" e o documentário "Ida ao banco". Nesse ano de 2008, vão ser produzidos quatro episódios para dar continuidade a uma outra produção da escola: o filme "Iguaçu". Os próximos episódios receberam o título de "As aventuras do Iguaçu e sua turma".
Os alunos que fazem parte dessa escola levam em média quatro meses para elaborar e colocar em prática tudo o que aprenderam. Assim acontece com todos os turnos e turmas. Os alunos que mais se destacam são chamados para participar da produção de filmes ou documentários mais elaborados. O "Iguaçu" foi o único filme de animação produzido no final de 2007.
O documentário "Cante um funk para um filme" foi produzido pelo cineasta Marcus Vinícius Faustini. As crianças produziram "Por que tanta pastelaria chinesa?" e "Quem conhece Marquinhos paçoca?", entre outros.
Os alunos da turma de sábado produziram apenas um filme, chamado "Põe na conta". Esse filme conta a história de pessoas que compram fiado.
Os alunos também produziram uma vinheta para a TV Globo. "A vinheta plim plim" foi produzida em abril de 2007. Cleyton, Rafael Cardoso e Renato Lima fizeram uma oficina de roteiro para que as crianças pudessem produzir essa vinheta, que teve como tema os Jogos Pan-Americanos. Eles tiveram quatorze idéias, porém só duas foram aprovadas.
Luana Raissa é uma das alunas do curso de cinema. Ela tem 13 anos e participou da montagem dos bonecos de massinha para a produção do filme de animação "Iguaçu". Esse filme demorou mais ou menos dois meses para ser produzido. Luana conseguiu entrar no curso depois de se inscrever em sua escola. Ela achou que seria interessante e resolveu participar. O filme "Iguaçu" foi o primeiro de que ela participou ajudando na produção. Apesar de ficar um pouco nervosa, temendo errar em alguma coisa, Luana conseguiu participar do curso sem passar por nenhuma dificuldade.
Ela gosta muito do curso, mas quando for cursar a faculdade pretende estudar moda ou direito. Luana se sente muito orgulhosa por estar vendo seu esforço sendo valorizado. No curso, ela aprendeu muita coisa como, por exemplo, a maneira que os personagens de desenhos animados se mexem. Ela hoje também sabe utilizar câmeras e outros dispositivos.

“Os bonecos se mexem da seguinte forma: vários bonecos iguais são confeccionados, só que em posições diferentes”, explicou ela. “Deve-se ter o máximo cuidado com tudo o que é feito em um boneco.” Ela nunca tinha imaginado participar de um curso de cinema e agarrou com unhas e dentes a oportunidade, surgida há dois anos.

Veja os filmes da Escola Livre de Cinema que serão exibidos no IguaCine:

Uma ida ao banco - (2 minutos)
Sinopse: Documentário no qual a câmera foi usada para promover um olhar de descoberta sobre o bairro de Miguel Couto. Nesse caso, o que é um banco.

A praça - (1 minuto)
Sinopse: Animação na qual insatisfação com a realidade da praça de Miguel Couto faz com que os alunos imaginem uma outra praça possível.

A fofoqueira - (2 minutos)
Sinopse: Animação sobre a fofoqueira que dia e noite observa o que se passa na rua de seu bairro. Numa manhã, ela é surpreendida por um cachorro com um dom especial.

Vinheta plim plim "revezamento" - (10 segundos)
Sinopse: Vinheta de animação para o plim plim da globo,onde jovens participam de um revezamento solidário para entregar uma bolsa a uma senhora.

Vinheta plim plim "campo de futebol" - (10 segundos)
Sinopse: Vinheta de animação para o plim plim da globo, onde crianças constroem seu próprio campinho de futebol.

Iguaçu - (5 minutos)
Sinopse: Animação sobre um menino com muitos amigos que adora brincar com eles na geladeira que fica atrás de sua casa. Mas algo precisa ser feito quando sua mãe resolve jogar a geladeira fora por causa do mau cheiro.

Making of - ( 6 minutos)
Sinopse: Documentário que registra o processo de feitura da animação "Iguaçu".

OBS:Todos os filmes da mostra Caixa / Bairro-Escola foram realizados pelos alunos da Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu.

Uma kombi que resiste ao tempo

II IGUACINE Exibido na sessão de homenagens do II Iguacine, 'Marcelo Zona Sul' continua encantando plateias 40 anos depois de sua es...