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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Figueira, onde a união faz a força

Mariane Dias









Por Flávia Ferreira

No bairro da Figueira, Nova Iguaçu, trinta moradores se mobilizaram para angariar recursos que serão investidos em um campo de futebol. Esta idéia surgiu porque algumas pessoas queriam tomar o espaço para si, uma vez que o campo é uma das poucas áreas de lazer de seus moradores. Vendo isso, Edmilson Reis de Castro e seu grupo se uniram a César Valentim, o Cesinha, a fim de prover os recursos necessários para cercar o campo e fazer dele um local de lazer comunitário. "A intenção é envolver a comunidade, realizando com ela um trabalho em conjunto, onde todos colaboram" disse ele.

Trabalho Voluntário

A comunidade não fez feio, participou de todo o evento e ajudou na concretização deste sonho, seja comprando algo, ou em conjunto com os voluntários que acreditaram que seria possível este dia acontecer. Como é o caso do senhor Pedro José Novais, uma figura importante no bairro, onde expressava em seu olhar o amor que tinha pelo seu bairro. "Isso aqui é meu coração, minha terra.Nosso lazer está aqui" disse ele emocionado. Segundo Pedro o campo é tão famoso pelas redondezas que as crianças do Geneciano vão até lá para jogar. Também pudera o campo é grande o que fez com que “Seu Pedro” procurasse arrumar o campo, e construir uma pista de corrida em torno dele.
Mariane Dias
Além de Pedro, que era um dos voluntários, Josué Macedo, ex-morador de Figueira, concorda com a importância da criação de um espaço esportivo. "Figueira tem uma grande vocação para o esporte" afirma Josué. Além dele as outras pessoas iam apenas para curtir uma “onda” diferente nas tardes de domingo na Figueira.

Ao olhar para os lados era visível o grande número de pessoas presentes, algumas no perímetro do campo, outras ao seu redor,mas o mais importante era ver uma verdadeira integração entre os membros da comunidade, inclusive entre as pessoas que residiam em outros bairros. "Estou me sentindo bem, para mim este ambiente é muito familiar e divertido", disse Maria das Graças, 58, moradora de Miguel Couto.

O Bloco 18 anima a festa

Além das barraquinhas que vendiam bebidas, aperitivos, e salgadinhos dos mais variados, tivemos também o show do Bloco 18, que ajudou a arrecadar um pouco mais .. Durante as batucadas do bloco as crianças foram sempre as mais se animadas. Elas improvisaram um efeito visual jogando a areia do campo para o alto, criando uma espécie de nuvem de fumaça. Paralelo a isso um grupo de meninas da comunidade deram um show de coreografia , improvisação e beleza enquanto os voluntários”caiam no samba” no intervalo de uma para outra venda.

Mariane Dias

Graças a esse movimento comunitário que se instaurou silenciosamente em Figueira, Edmilson fez uma previsão de arrecadação. "conseguimos arrecadar cerca de quatro mil reais e isso é só o inicio" disse ele sorridente. Afirma ainda que isso só foi possível porque toda a comunidade e principalmente o Cesinha acreditaram na solidariedade dos moradores da Figueira, apostando todas as fichas para a concretização de um sonho: o campo de futebol , a grande área de lazer e ponto de encontros da comunidade.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Tricotando na rede

Meninas ainda são minoria nas Lan Houses

Por Dardânia Carvalho

Pode-se dizer que as lan houses de Nova Iguaçu são mais freqüentadas por homens do que por mulheres. Qualquer pessoa que entrar numa lan verá que o número de homens lá dentro é bem maior do que o de mulheres. Para Eduardo Garrido, o servidor da lan house Connection, em Botafogo, isso acontece porque os meninos são barulhentos e bagunceiros. "As mulheres têm vergonha de estar junto dos homens", acredita Eduardo. "Pelo menos aqui na Connection, elas preferem mais sossego."


Aline Santos, que não tem computador em casa e vai às lans checar e-mails e fazer pesquisas para a faculdade, concorda em gênero, número e grau com Eduardo. "Eu não gosto quando um monte de gente fica atrás de mim, lendo minhas conversas", diz a estudante, de 22 anos. "Deveria ter mais privacidade." Apesar disso, Aline confessa que a lan house facilita sua vida. "Sempre que eu preciso usar a internet, vou à lan house. Lan house é o que não falta. Tem em todo lugar."

Mas nem todas as meninas procuram sossego. Quem prova isso é a freqüentadora Cíntia Rosário, 18 anos. Para ela, há um número expressivo de meninas que vão à lan mais interessada em arrumar namorado na rede do que em fazer trabalhos escolares. "Elas vão para fazer amigos e ficar bate-papo no MSN", afirma Cíntia. "Algumas até gostam de safadeza na lan house. As mulheres deveriam ter mais privacidade e atenção."




Jogos masculinos

Para a servidora Mônica Amora, 39 anos, que trabalha em uma lan house na Caioaba, as lans
atraem mais homens porque em sua maioria são projetadas para jogos. "As meninas procuram mais amizades. Poderiam ser proibidos certos tipos de comportamentos como xingamentos, palavrões, etc. Em compensação, depois que surgiram as lan houses, as pessoas passaram a ficar bem mais informadas", completa.

"A lan é como se fosse um clube para os homens", analisa Rodrigo Barbosa, 19 anos. "Se tem mulher, eles atacam de todos os jeitos." Para ele, as mulheres só querem saber de Orkut. Rodrigo acha que a solução seria melhorar o conforto e exigir mais respeito dentro da lan. "Isso atrairia mais mulheres", imagina.

Wanderson Oliveira, 16 anos, também dá seu palpite para aumentar o número de mulheres nas lan houses. Segundo ele, as mulheres podem ser conquistadas pelo bolso. "Poderia ter mais promoções para elas. Quem sabe, assim, elas poderiam se interessar", diz. Para Rômulo Diego, 18 anos, educação é a palavra chave para aumentar a freqüência de mulheres nas lans. "Tem muita pornografia nas lans", afirma Rômulo.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Filhas do videogame

Sem muita opção, crianças têm que agir como adultos

Por Flávia Ferreira

Algumas crianças já conhecem o sentido da expressão "se virar sozinho". Por mais que a mãe deixe comida pronta ou pague alguém para tomar conta, essas miniaturas de adulto sentem o peso da responsabilidade quando tomam banho e fazem o dever de casa sozinhas. "Sinto falta de alguém do meu lado", diz Juliana Pereira Marques, uma estudante de apenas 12 anos.
Essa rotina, que se repete na vida dessa professora de matemática desde que tinha nove anos, está se tornando cansativa para Juliana. "Não agüento mais passar o dia todo jogando videogame", desabafa. "Sinto falta de alguém para conversar e brincar."

Juliana tem plena consciência de que essa é uma situação irreversível, pois, viúva há cerca de dez anos, é a mãe quem traz dinheiro para casa. "Mas gostaria de mandar ela ficar em casa", confessa. Como não tem esse poder, faz tudo o que está ao seu alcance para se ajustar. "Como minha mãe chega cansada, eu arrumo toda a casa na ausência dela."

Ninguém para perturbar

Por uma triste coincidência do destino, Ricardo da Silva Santos, hoje com 14 anos, viu sua vida virar de cabeça para baixo quando há cerca de três anos perdeu o pai para uma das guerras do tráfico. A partir deste episódio, a contabilidade fiscal e afetiva da casa sofreu um duro golpe. "Minha mãe teve que trabalhar ainda mais e eu fiquei ainda mais sozinho", queixa-se.

Ricardo sente falta da presença da mãe, que, além de passar o dia fora trabalhando como empregada doméstica, vai direto para cama quando volta para casa. Mas embora lamente não poder conversar um pouco mais com a mãe, Ricardo não reclama de passar o dia sozinho. "É uma maravilha não ter ninguém para me perturbar nem encher o meu saco", diz, rindo.

Parte do relaxamento de Ricardo se deve ao fato de não precisar fazer nada em casa. "Tem uma moça que faz comida para mim", diz ele. Ricardo usa a liberdade de que desfruta para passar dias inteiros diante da televisão, jogando Playstation 2. "Quando jogo Playstation 2 nem vejo a hora passar", revela. "Amo jogar nele."

Direto para a cama

Com os mesmos 14 anos, o estudante Carlos Sampaio dos Santos também conta com a ajuda de uma pessoa que cozinha para ele quando a mãe sai para trabalhar. Carlos não tem o mesmo espírito esportivo que o de Ricardo diante da ausência da mãe. "É muito chato ficar sem minha mãe ao meu lado, porque me sinto sozinho", diz ele.

Ele não sabe o que é pior: se a ausência real da mãe ou se ela, mesmo estando presente, não está disponível para ele. "Ela chega muito cansada e vai direto para a cama." Segundo ele, só nos fins de semana conseguem ser uma família de verdade, pois são os únicos dias que estão juntos e que ela brinca com ele. Carlos, que também é órfão de pai, tenta suprir a solidão brincando com os amigos na rua.

Além de não desfrutar da companhia dos pais, Fernanda Soares não tem liberdade para ir brincar na rua. "Meus pais não gostam", diz ela. Além de cuidar da casa, cabe a Fernanda a responsabilidade de olhar seu irmão mais novo. "Minha mãe fala que sou grandinha e que posso fazer isso", diz ela. Ela às vezes se sente entediada com as horas que passa diante da TV, mas não reclama da vida. "É difícil ter seus pais longe de você, mas a gente se acostuma."

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Reflexão e suor

Jovens do Graal se confraternizam na Vila Olímpica

Por Lucas Lima

No dia 12 deste mês, os grupos reflexivos do GRAAL se encontraram para uma confraternização esportiva na Vila Olímpica, Centro de Nova Iguaçu. Participaram do evento jovens participantes do programa, facilitadores, coordenadores e intervisores, que conversavam e se conheciam enquanto praticavam esporte. Os grupos de Cabuçu, Vila de Cava, Centro, Tinguá, Rio D’ouro, Austin, por exemplo, marcaram presença na ‘tarde esportiva’.

A ‘tarde’ começou com alongamento e aquecimento com um dos professores de Educação Física da Vila Olímpica. Em seguida, os jovens e facilitadores foram divididos em grupos e escolheram entre as seguintes atividades: futsal, vôlei, xadrez e capoeira.

O primeiro evento esportivo do GRAAL teve como finalidade reunir os jovens que participam do programa e promover uma maior interação entre eles. Esta necessidade foi percebida pelos facilitadores, já que os jovens queriam se conhecer.

A opção pelo esporte, embora fuja da proposta reflexiva do GRAAL, foi proposta pelos jovens. “Eles sempre pedem trabalhos diferentes. De vez em quando, o esporte é um apelo dos próprios jovens, eles trazem isso como demanda pra gente”, declarou Alessandra Rodrigues, 23 anos, facilitadora do programa.
Enquanto a maioria dos jovens corria e suava jogando fustsal ou vôlei, um grupo estava sentado jogando xadrez, atividade ainda não vista como esporte. Além de incluir aqueles que não queriam participar das atividades físicas, o xadrez permitiu que os jovens trocassem experiências.

Por dentro do GRAAL

O Graal trabalha com grupos reflexivos formado por jovens que buscam diminuir os índices de violência em Nova Iguaçu, e cria agentes propagadores da paz. O projeto foi criado pela SEMUVV, Secretaria de Valorização da Vida e Prevenção da Violência. Esses grupos, que podem ter de 10 a 20 integrantes, se reúnem semanalmente durante 2 horas por um período de seis meses. Nesses encontros, os integrantes discutem temas como cidade, religião, sexualidade, relações familiares, violência urbana e etc. É o próprio grupo quem escolhe a pauta do dia.

Pessoas de ambos os sexos, com idade entre 13 e 29 anos, podem participar dessas reuniões. Além dos grupos dedicados à juventude, há grupos de familiares de vítimas de violência, policiais civis e militares.

Os grupos são coordenados por uma dupla de facilitadores, um profissional e um estagiário, ambos cursando e/ou atuando na área de psicologia, pedagogia, ciências sociais e serviços sociais. Uma das funções dos facilitadores é propor atividades que estimulem a interação-vivência em torno dos temas durantes as reuniões.


No 24º e último encontro do grupo, os participantes recebem um certificado de participação no programa “Agente da Paz”, que poderá ser acrescentado ao seu currículo pessoal e profissional. Os grupos ocupam escolas municipais, igrejas e paróquias, centros comunitários, organizações não-governamentais, associações de moradores, etc.

Além do certificado de “Agente da Paz”, a pessoa que participa do GRAAL consegue amadurecer sua identidade, sua auto-estima e suas relações interpessoais. “Eu já participo do GRAAL há seis meses. É bom porque discutimos temas interessantes e escolhidos por nós", disse Margarida Ferreira, 19 anos. "Além disso, o grupo me ajudou a conhecer coisas que não sabia antes. Também me ajudou a amadurecer como pessoa, os temas induzem isso. Eu conheci o programa através dos facilitadores e nem sabia o que era. Acabei me surpreendendo. Achei muito interessante e continuei porque gostei."

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Marcas que marcam

Jovens fazem qualquer sacrifício para andar na marca
Por Aninha Paiva, Aline Maciel, Daniella Vieira e Évio Nobre

Quando a aula termina mais cedo, o estudante Marcelo Torres da Conceição pega um ônibus e se manda para o Top Shopping. Tem mais intimidade com o templo do consumo do consumo de Nova Iguaçu do que com as ruas do bairro em que mora. Sabe que as melhores camisas do shopping, pelo menos para os jovens que gostam do estilo hip-hop, são encontradas em lojas como a Via 13, a Censura 18, a Quebra-vento ou a Aldeia dos Ventos. Seus olhos também brilham quando reconhecem um par de tênis Quix, tão alternativo quanto ele.

O único problema é que Marcelo Torres da Conceição, um menino de 17 anos que sequer conhece o pai, não tem uma moeda no bolso. “Vou me transferir para o turno da noite e começar a trabalhar”, diz ele com o mesmo ar sonhador que lança para um par de tênis All Star, um must na sua turma de rockeiros. Essa foi a única estratégia que esse aluno do Colégio Estadual Dom Walmor conseguiu formular para consumir as marcas que poderiam torná-lo visível às pessoas pelas quais se interessa, capaz de arrumar amigos e namoradas. “Não vou fazer como certos garotos, que exigem da mãe o que ela não pode dar.”
Cara do vendedor

Não é de todo impossível que Marcelo já tenha cruzado com Jéssica, um estudante de 18 anos para a qual não há nada melhor do que passear pelos corredores do Top Shopping. Ainda como Marcelo, Jéssica tem pais pobres, que não podem satisfazer suas necessidades de consumo. Mas não é por isso que ela deixa de entrar nas lojas e experimentar as roupas com as quais se encanta. Para não ser barrada no baile, desenvolveu algumas estratégias. “Guardo a cara do vendedor e no dia seguinte procuro outro”, revela.

Mas não é sempre que Jéssica se contenta com amores platônicos pelos seus objetos de desejo. Esse foi o caso de um tênis descoberto nas vitrines da Mary Jane. “Era um K&K rosa, com desenhos azuis”, lembra ela. Aquela paixão à primeira vista ganhou o status de fixação quando o experimentou. “Ficou lindo no meu pé”, diz ela. O único problema daquele tênis, que faria o maior sucesso na festa de 15 anos de uma prima, era o preço. Nem ela nem seu pai tinham os R$ 80 necessários para comprá-lo.
O desejo de ter aquele tênis chegou a um ponto tal que por pouco Jéssica não comete um pecado mortal para os amantes dos produtos de qualidade. “Vi um parecido no camelô, que não comprei porque gosto que seja verdadeiro.” Seu sonho tornou-se realidade quando recebeu a visita de uma tia, que, como a fada-madrinha dos desenhos animados, perguntou o que estava querendo. Ela não pensou duas vezes para declinar loja, marca, preço e tamanho do seu pé. “O tênis K&K da Mary Jany de R$ 80 número 38.”

Jaqueta encantada

O estudante Alison Maciel também tem o hábito de passear no Top Shopping quando sai do curso de informática, ainda que não tenha dinheiro para comprar as roupas que deseja. Num desses passeios, deparou-se com uma jaqueta grossa, com dois bolsos de fecho ecler e abertura no punho, parecida com couro. “Entrei na loja para admirá-la de perto”, conta ele com os olhos brilhando por trás dos óculos escuros. A atração se transformou em frustração quando viu a etiqueta com o preço. “Eu não tinha os R$ 120 naquele momento e fui triste casa.”

Alison Maciel faria diversas visitas ao seu objeto de desejo até o dia em que teve uma agradável surpresa entre os cabides da Riachuelo. “O preço da jaqueta que eu tanto queria tinha caído para R$ 50”, conta ele. Era o único dinheiro que tinha na carteira e, apesar disso, não demorou a tomar a decisão que implicaria uma caminhada de cerca de meia hora até Jardim da Viga, bairro em que mora. Colocou a jaqueta na mochila e foi com ela abraçada ao corpo, com medo de ser assaltado no caminho. “Cheguei em casa cansado, mas feliz da vida.”

Quem também não mede esforços para manter o armário em dia são os estudantes Alan e Diego, ambos moradores de Queimados e assíduos freqüentadores da loja Billabong. Os dois, que dependem da mesada dos pais, são capazes de verdadeiras loucuras para se vestir de acordo com um gosto que em parte é determinado pela durabilidade da roupa. “Já comprei um casaco por R$ 230”, orgulha-se Diego. “Quase morri do coração”, lembra Alan. “Mas já paguei R$ 350 por um tênis.” Ana Karen tem um gosto mais informal que o de Alan e Diego, mas é nas lojas do Top Shopping que ela dá forma ao seu estilo surfista. “Já cheguei a dar R$ 220 por uma blusa da Rip Curl”, diz ela.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Sinais luminosos

Surdos chamam atenção nas ruas de Nova Iguaçu

Por Daniel Santos

As ruas de Nova Iguaçu estão lotadas de tribos de jovens. Mas uma galera tem chamado a atenção, mesmo sem fazer muito barulho. Eles marcam presença em vários pontos da cidade, principalmente em frente ao Instituto de Educação Rangel Pestana, ao lado de uma banca de jornal. Essa turma vem atraindo olhares pela forma como se comunicam, usando a linguagem dos sinais. Essa forma diferente de expressão é a linguagem usada pela galera portadora de deficiência auditiva.

A deficiência auditiva ou surdez impede a pessoa de ouvir total ou parcialmente. Esse problema pode acometer uma pessoa por diversas razões: devido a doenças e viroses maternas adquiridas no período da gravidez, a medicações que comprometam o nervo auditivo e, até mesmo, à exposição a algum som impactante.

Ódio mudo
Na maioria das vezes, essas pessoas são equivocadamente chamadas de surdas-mudas. Essa denominação é a mais antiga e incorreta forma atribuída aos surdos. Se uma pessoa é surda, não significa que ela seja muda. "Nós não gostamos. O maior ódio é nos chamarem de mudos", diz Vinicius Senra, estudante de 22 anos. A mudez é uma deficiência sem conexão com a surdez. Portanto, uma pessoa só será muda quando for constatado que ela não pode emitir sons.
Além da entrada da Escola Estadual Rangel Pestana, eles contam com outros pontos de encontros de longa data, como os shoppings, as lan house e, nos fins de semana, o Top Shopping. Como todo mundo, a galera portadora de deficiência auditiva se reúne para se divertir e bater papo. Aonde chegam, conquistam espaço, arrancam olhares de quem passa e atraem 'ouvintes' (pessoa sem deficiência auditiva). Geralmente, os ouvintes são amigos que se interessam em aprender a Libras (Língua Brasileira de Sinais). Desse jeito, o papo rola solto durante horas e horas.

Pegador
Como esses points são dominados por jovens, o dia-a-dia da escola, a rotina de trabalho, internet e a zoação são os assuntos que não podem faltar. No entanto, azaração é o assunto que sobressai na conversa, deixando a galera empolgada.
"Eu venho aqui para azarar, conversar sobre garotas e mulheres", diz Elieser Beltrame, o 'pegador' do grupo, 21 anos. "Já perdi a conta de quantas garotas já fiquei. Acho que mais de 200, tanto surdas quanto ouvintes", diz ele. Segundo ele, na hora da paquera, as meninas trocam bilhetinhos ou já saem agarrando.

Língua do amor

Outro rapaz da galera que sempre fez sucesso com as meninas é Thiago Gomes, 19 anos. Porém, há um ano, Thiago abriu mão da pegação e decidiu namorar a ouvinte Daiane Ricci. A estudante revela que conheceu Thiago pela internet. Logo depois, uma amiga os apresentou pessoalmente e o romance começou. "No começo tive um pouco de dificuldade para aprender, mas ele me ensinou rapidinho a linguagem".
Festas e baladas também estão na lista vip desses jovens, por rolar paquera e por eles gostarem de dançar. "Gosto de hip-hop. Consigo escutar um pouco quando a música está bem alta", explica Elieser.
Fora de Nova Iguaçu, esses jovens costumam freqüentar a Lapa, o Largo do Machado, a Associação de Surdos e Mudos, na Penha; e o Instituto Nacional de Educação de Surdos, em Laranjeiras.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Bom Pra Chuchu

Rua do Chuchu reúne diversas tribos em Austin

Por Sheila Loureiro e Flávia Fereira
Fotos: Narizinho


Sexta-feira feira é um dia especial na Rua do Chuchu. Essa rua fica no centro de Austin, um bairro de nova Iguaçu. Ela é famosa por seus badalados fins de semana, principalmente na sexta-feira. Muitos jovens, adolescentes e crianças lotam a rua para comer, beber e dançar.

Sueli Álvares é exemplo disso. Moradora de Austin há seis anos, ela pode ser encontrada quase todos os fins de semana na Rua do Chuchu. "Quando a festa começa, as pessoas ligam o som na alturas. Uns botam rock, outros pagode e mais à frente quem domina é o funk. Assim, fica tudo de bom."

Ela gosta muito de beber uma cervejinha e, por conta disso, começa a noite pela lanchonete Central. Logo depois, faz uma paradinha no Bar do Pagode para dançar um pouco, já que lá toca vários ritmos. Mas nem tudo são flores na Rua do Chuchu. "As pessoas não sabem curtir", queixa-se ela. "Ficam brigando, pedindo para tirar as musicas de rock."

Samba rock

"Os fins de semana na Rua do Chuchu são a maior curtição", diz Beth, de 21 anos. "Muito barulho, muito gatinho, muita gente." Mas, além de tudo isso, Beth gosta de beber no bar onde rola um pagodinho em todos os finais de semana. "Todo fim de semana estou na Rua do Chuchu", confirma.

Porém, não é só atrás do pagode que Beth vai. "Freqüento, também, o Bar do Devanir", revela. O Bar do Devanir é conhecido pelos freqüentadores, mas não por seu nome, e sim por ser o point do rock em Austin. "Neste bar, conheci um garoto muito maneiro, que usava aquela roupa toda preta, cheio de pulseiras e olhos pintados", descreve ela. Ela não se importa com todas essas características. "O que vale é a intenção. Não é porque ele se veste assim que vou julgá-lo".

E no maior clima de descontração, Beth ainda bebeu um copinho com o garoto e curtiu o resto da noite. E como prova de que na Rua do Chuchu o preconceito não tem vez, Beth revela um segredo. "No final da noite de sexta-feira, acabei ficando com o garoto", sussurra.

Ramon é um dos tantos apaixonados e fanáticos por rock que freqüentam a Rua do Chuchu. "Rock é a minha curtição. Por isso, em todos os fins de semana, estou firme e forte aqui na rua", diz ele. Segundo Ramon, ele e seus amigos não seriam nada sem o Bar do Devanir. "Não sou contra os demais ritmos, mas tenho que admitir que o bar do rock é o melhor da Rua do Chuchu". No bar do rock não costuma rolar briga, "por isso é tão cheio assim", explica Ramon.

Aconteça o que acontecer

Eva Magalhães também freqüenta a Rua do Chuchu nos fins de semana. "O bom é que moro perto, no bairro da Mariléia", diz Eva. Todos os fins de semana ela está na famosa rua, dançando funk, pagode e até forró. Enfim, tudo o que a rua tem para oferecer.

Mesmo com todas as opções de lazer da Rua do Chuchu, Eva não gosta da banda de rock que fica no fim da rua. "Não tenho nada contra, cada um com seu cada um".

Ela conhece todos os points da rua, como o Bar do Devanir (o bar do rock), e a lanchonete Escaly, onde rola o pagode. Eva só reclama das pessoas que brigam por pequenas coisas. "Brigam por causa da equipe de som ou por causa da música. Cada um quer escutar uma coisa", explica.

Beth não tem papa na língua nem mesmo quando o assunto é polêmico. A freqüentadora conta que algumas mulheres chegam a sair escondidas de seus maridos. "O marido que descobre, até bate na esposa", fofoca. No entanto, mesmo presenciando coisas que desaprova, Beth continua freqüentando o lugar. "Lá é bem movimentado, adoro a Lanchonete Central, o Bar do Rock, o Bar do Pagode. É uma diversão para quem curte Austin", disse ela, valorizando o local.

Amor e ódio

"Gosto de ver as pessoas felizes, independente do tipo de música", diz o comerciante Henrique, dono da Lanchonete Escaly. Ele colocou música no bar com a intenção de divertir as pessoas, mas, segundo ele, tem gente que não sabe o que é diversão. "Só buscam confusão, esquecendo do resto". A Escaly é tudo na vida de Henrique, tanto que ele abre seu coração, quando o seu bar é o assunto. "Sou apaixonado por tudo isso, pois aqui vivi e vivo minha vida", emociona-se.

Renata mora, uma amante do pagode, está todas as sextas-feiras na Rua do Chuchu. Ela conhece moradores de Austin que, por não gostarem da Rua do Chuchu, acabam desencorajando outras pessoas a conhecer o local. Ela cita o exemplo da mãe de uma amiga sua: "Ela quase não deixa minha colega sair para curtir a Rua do Chuchu". Mas Renata não vê nada de mais em curtir a rua. "O que seria da gente sem a Rua do Chuchu?", pergunta.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Cabeça Feita

A febre do corte moicano

Texto e fotos de Thompson Nike

Muitos jovens vêm se rendendo ao chamado corte moicano. Esse corte surgiu com os índios americanos e, na última metade do século passado, foi resgatado pelos punks a fim de mostrar uma aparência mais agressiva e subverter os costumes do dia-a-dia.

Atualmente, os jovens parecem estar mais preocupados em manter uma aparência “bonitinha” do que questionar o que os outros pensam a seu respeito. Nesta reportagem, você vai descobrir os diversos motivos que fazem desse corte a sensação do momento entre os jovens.

Há quinze dias, Janderson de Almeida, 17 anos, cortou o cabelo no estilo moicano. Segundo ele, o corte combinou muito com o formato do seu rosto e com seu jeito divertido e descolado ser. “Achei maneiro, fiquei mais charmoso”, comemora Janderson. Por incrível que pareça, a idéia não surgiu dele, mas de sua mãe. “Minha mãe pediu para eu fazer, mas não concordei no começo. Agora, graças a essa dica, estou feliz com o meu novo visual”, diz ele. Porém, a mãe de Gabriel Marques, 19 anos, também moicano, pensa diferente da mãe de Janderson. “De primeira, minha mãe não gostou muito. Mas depois ela aceitou”, diz ele.
O caso de Gabriel Marques foi diferente, pois o pedido veio de sua namorada, que acha o corte maneiríssimo. “Ela pediu para eu fazer, fiz e acabei gostando”, confessa Gabriel. O sucesso com as mulheres é o que mais importa para Felipe Melo, 14 anos, o mais jovem moicano do grupo. Ele se entusiasma com o assédio das meninas da escola. “Quando vou para a escola assim, é show! As mulheres amam”, diz, tirando onda.

Reação das pessoas

O moicano causa polêmica por se tratar de um corte difernciado, que foge dos padrões tradicionais. É por isso que quem usa esse corte acaba se tornando o centro das atenções. Segundo Janderson, algumas pessoas ainda se chocam com o corte de cabelo que ele usa. “Todo mundo fica me olhando”, diz. “Eu acho maneiro, pois chama mais atenção”, completa.

Mas nem sempre é assim. Há também aqueles que aceitam esse novo estilo numa boa. É o que diz Gabriel Marques quando perguntado sobre a reação das pessoas ao vê-lo pelas ruas de Nova Iguaçu. “Quase ninguém repara, porque agora todo mundo está usando o corte moicano”, explica.

Das tribos indígenas às tribos urbanas

Embora o corte moicano esteja super na moda, nem todo mundo sabe que o corte surgiu com as tribos indígenas americanas e os celtas. Esse corte, geralmente raspado dos lados, foi adotado pelo movimento punk na década de 70 como forma de protesto.

Hoje, os jovens que usam moicano estão mais preocupados em acompanhar as tendências da moda do que questioná-las.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

As mães precoces também amam

Gravidez precoce de Daniela não a impediu de sonhar com um grande amor
Por Camila Oliveira
imagens retiradas da internet

Daniela Oliveira poderia ser uma romântica jovem de 19 anos como outra qualquer, não fossem dois pequenos detalhes: ela está na sua quarta gravidez, de três pais diferentes. Esses dois detalhes infernizaram sua vida a um ponto tal que nem mesmo os próprios pais, que na prática são responsáveis pela criação de seus dois filhos mais velhos, suportaram. Atualmente, ela mora com o irmão mais velho, Ricardo Oliveira, de 27anos, em Mesquita. "Eles não tinham mais condições financeiras, emocionais e físicas para me ajudar", conta ela, que se mudou há cerca de sete meses.

Quando saiu da casa dos pais, levava consigo apenas João Vítor Oliveira, hoje com um ano e seis meses. "Meus outros dois filhos ficaram com meus pais", diz ela. Um desses filhos, o Diogo, está com cinco anos. O outro, o Danilo, tem três anos. Daniela vem tendo praticamente um filho por ano desde que engravidou pela primeira vez, aos 14 anos. O pai de sua primeira criança, Leandro Gonçalves, tinha então 16 anos.

Conto de fadas
Quando engravidou pela primeira vez, ela não imaginou os problemas da maternidade. Era tão apaixonada pelo primeiro namorado que recebeu a notícia da gravidez com um sorriso de júbilo no rosto. "Vi o meu primeiro filho como uma grande oportunidade para ficar com meu amor", lembra ela. Pobre menina, iludida pelas fantasias de contos de fadas, não se deu conta de quantas responsabilidades lhe aguardavam a partir daquele momento.

O namorado não tinha condições financeiras de assumi-los e, com medo, só viu uma saída. "Ele passou a dizer que o filho não era seu", lembra. Daniela ficou tão magoada que não quis mais ver Leandro. E em nome de uma gravidez tranqüila, seus pais, Janice e Dorival dos Oliveira, resolveram arcar com as responsabilidades do novo neto e amparar a filha. "Eu estava arrasada com a separação", diz a menina.

Reviravoltas espetaculares

Essa história teria reviravoltas espetaculares a partir do aniversário de um ano de Diogo, na qual Leandro, mesmo sem assumir a paternidade da criança, compareceu. "Voltamos a namorar naquele dia", conta Daniela. Mas uma nova gravidez faria com que tanto a família de Daniela quanto a de Leandro pressionassem o rapaz a assumir os filhos, muito embora ele fosse um simples estagiário em uma empresa de informática. "Para facilitar as coisas, ele foi morar na casa dos meus pais", conta Daniela.

Mas os mesmos sogros se sentiram aliviados quando, nove meses depois do nascimento do segundo filho do casal, Leandro voltou para a casa dos seus pais. "A gente vivia brigando por causa de dinheiro", lamenta Daniela, que mais uma vez mergulhou em uma profunda depressão e, desanimada, chegou a passar um ano sem estudar. "Só voltei para a escola depois de muita insistência da minha mãe."

Cor-de-rosa
A vida voltou a ficar cor-de-rosa para a romântica Daniela quando arrumou um novo namorado na escola. Mas o nome Leandro não foi a única coincidência com o pai dos seus dois primeiros filhos. Pouco tempo depois, ela apareceu grávida de Leandro da Silva Mello, 21 anos, que, como o outro Leandro, contestou a paternidade do bebê que ela trazia em sua barriga. "Ele disse que pagaria o aborto, mas que não assumiria o filho." Uma das razões alegadas por Leandro para fugir à responsabilidade era o fato de já ser pai de uma menina de três anos de um outro relacionamento.
Daniela chegou a tomar um chá de ervas abortíferas, por causa do qual deu entrada no hospital horas depois. "Foram meus pais que me levaram para o hospital", conta. Foi só então que eles, alertados pelos médicos, souberam da terceira gravidez e da possibilidade de perderem o neto. "Eu comecei a gritar, dizendo que era isso mesmo o que eu queria", lembra Daniela. Seus pais não concordaram, usando dois argumentos. "Eles disseram que o erro era meu e que dentro da minha barriga já existia um ser, que não podia ser castigado por um pecado meu."

Aborto
Depois de uma semana internada, Daniela saiu do hospital com a certeza de que o filho sobrevivera e que os pais também assumiriam a criação de João Vítor. "Eles só fizeram uma exigência", lembra a menina. "Queriam que eu fizesse uma ligadura de trompas depois do parto."


Depois do parto, Daniela mergulhou em mais uma crise depressiva. "Eu me sentia sozinha", conta. Dessa vez, porém, havia o agravante de que era mãe de três filhos. "Quem é que iria me querer com tanta responsabilidade?", perguntava-se em suas noites de tristeza. Quem lhe deu a resposta foi um jovem de 25 anos, chamado Luiz Henrique. "Não apenas eu me apaixonei perdidamente por ele. Ele também se apaixonou por mim."

Truque da gravidez
Cupido não podia ter sido mais generoso. Além da estabilidade econômica proporcionada pelo emprego de gerente em mercado do bairro, Luiz Henrique era suficientemente maduro para ser atencioso com os filhos de Daniela. "Até um filho ele me prometeu para um futuro não muito distante", lembra a menina. Mas o ciúme falou mais alto e Daniela quase jogou tudo fora. "Eu morria de ciúme de uma colega de trabalho do Luiz Henrique." Justificava-o com o fato de jamais ter sido tão bem tratada por um homem. Não queria perdê-lo em hipótese alguma.

Luiz Henrique suportou seus barracos no mercado até o dia em que quase perdeu o emprego. "Para evitar novos problemas, o patrão dele o transferiu para o mercado de um outro bairro." O problema é que o namorado não queria mais saber dela. "Ele só não me abandonou porque um mês depois da nossa última briga eu apareci grávida de um filho dele." Essa gravidez surpreendeu tanto o namorado quanto a família, mas não a ela. "Engravidei de propósito", confessa.

A gravidez produziu um efeito esperado e outro inesperado: Luiz Henrique voltou para ela tão logo soube que ia ser pai, mas os pais pediram para que saísse de casa e constituísse sua própria família.
"A salvação foi meu irmão Ricardo", conta ela. O irmão, que já mora sozinho desde os 18 anos e é dono de uma panificadora em Mesquita, a convidou para ficar com ele até que pudesse se virar sozinha. "Luiz Henrique está construindo uma casa na laje dos pais deles", sonha Daniela, que pretende se mudar com o filho João Vítor tão logo nasça a filha que traz em seu ventre, que se chamará Ana Luíza. Espera que esta seja a primeira e última filha. "Só não me operei antes porque tinha certeza de que um dia teria uma filha com o homem da minha vida", revela, sempre sonhadora.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Boné na cabeça, mochila nas costas e skate no pé

Jovens de Nova Iguaçu fazem do skate um estilo de vida

Por: Tatiana Sant'Anna
Colaboração: Viviane Menezes e Priscilla Castro


Ser skatista é complicado. Que o diga o skatista iguaçuano Douglas Leandro, 17 anos, que perdeu quatro namoradas por continuar no seu esporte favorito. Apesar dos preconceitos, o skate é um dos passatempos favoritos da garotada de Nova Iguaçu e tem como ponto principal a Praça do Skate.

A Praça do Skate tem grande importância para a cidade, pois é a primeira pista de skate da América Latina. A pista foi construída em meados da década de 70 e, atualmente, está com 30 anos de existência. Ela é constituída por duas bacias, uma mais suave e outra mais acentuada. A galera que entende do assunto diz que a pista é um bom lugar para se aprender o esporte. O formato continua o mesmo desde quando foi feita, tornando seu visual um pouco exótico para os padrões atuais. Na praça onde fica a pista, também há uma área para o lazer da população local.

Os jovens skatistas iguaçuanos Júlio César, 14 anos, Renan Valentim, 16 anos, e Felipe Fonseca, 14 anos, revelam como um skatista é tratado na sociedade atual. Dizem que o preconceito é muito grande e que muitas vezes são chamados de desocupados. "Algumas pessoas vêm para a pracinha e fazem coisas erradas e nós, skatistas, é que levamos a culpa", diz Renan. Entre as diversas tribos de Nova Iguaçu, os meninos falam que não há nenhum preconceito. "Nos entendemos muito bem", dizem.

Os jovens ficaram emocionados quando perguntamos sobre o que achavam de Nova Iguaçu ter a primeira pista de skate da América Latina. Alguns reclamaram da falta de incentivo da própria população, outros da pouca divulgação da pista. Contam que o futebol é muito mais fácil de ser aceito pelas pessoas, pois o material utilizado pelo skatista não é muito barato. Eles já participaram de competições pela cidade. Douglas ficou em 14° num campeonato de skate no Galpão Skate Park.

Para os jovens, nada é impossível. Eles sabem que, para ser um grande skatista, precisam de coragem, atitude e humildade. E isso não lhes falta. Um exemplo para esses skatistas é o brasileiro Sandro Dias, o Mineirinho, campeão mundial de skate. "Sonhar todo mundo sonha, complicado é vencer o preconceito que é imposto pela sociedade", completa Renan. Perguntados se o skate atrapalha os estudos, os meninos afirmam que não, é como qualquer outro esporte.

Para quem quiser entrar na onda do "boné na cabeça, mochila nas costas e skate no pé", saiba que os equipamentos para este esporte não são baratos. Um bom skate custa cerca de 150 reais, podendo chegar até 400 reais. Quem quiser aproveitar a sensação de desse estilo de vida, basta passar na Praça do Skate, que fica em frente ao viaduto Padre João Musch, no centro de Nova Iguaçu. A movimentação fica boa após as 18h, diariamente.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Começar de novo

A volta às aulas das mães adolescentes


Por Sheila Loureiro e Letícia da Rocha

Imagens retiradas da internet


Nem todas as adolescentes grávidas são abandonadas pelos namorados. Também não se pode dizer que seja unânime a crise instalada com os próprios pais, que mal têm dinheiro para pagar o sustento delas. Mas é quase certo que em alguma hora elas tenham que abortar os estudos.

"Tive que parar para dar atenção ao meu filho", conta Sandra Gomes de Azevedo, que na época estava com 15 anos. "Meu filho nasceu com problema respiratório", acrescenta ela, que por causa das muitas idas ao pediatra iniciou o período de dois anos e meio sem estudar.


Conseqüências

Com ou sem problema de saúde, é sempre difícil conciliar os horários do bebê com os estudos. É verdade que essas jovens também têm direito aos 90 dias da licença maternidade, durante os quais só são obrigadas a fazer os trabalhos e as provas. "Mas a maioria delas não renova a matrícula no ano seguinte", lamenta Celenita Araújo da Silva, diretora adjunta do Instituto de Educação Rangel Pestana.

Caroline Carvalho, estudante de 19 anos do mesmo Rangel Pestana, é uma exceção que confirma a regra. "Já que fiz, tenho que arcar com as conseqüências", afirma ela, que recorre aos familiares para se ajustar à proibição de entrar na escola com o bebê.


Ele chega mais cedo

Caroline pode ser uma exceção por não parar de estudar, mas não é raro que essas mães precoces voltem para os bancos escolares com a mesma voracidade com que os seus filhos avançam sobre as suas mamas. "Quero ser juíza", afirma Jéssica da Silva de Oliveira, que engravidou aos 14 anos. O apoio dos pais compensou o abandono do namorado e a decepção com os homens em geral. "Graças a eles, vou realizar o meu sonho."

Angelina da Silva dos Santos teve mais de sorte com o então namorado e hoje marido do que Jéssica. "Ele trabalha pra caramba e chega do trabalho mais cedo para eu estudar", diz Angelina, que ficou três anos em casa depois de engravidar aos 15 anos. Angelina havia parado de estudar na sétima série e hoje está no terceiro ano do ensino médio.


Ajuda da mãe

Angelina sabe que a carreira que escolheu não é nada fácil. "Tenho um sonho muito grande, que é ser advogada", conta. Mas ela, que aprendeu a fazer sacrifícios para cuidar do filhos em seus primeiros anos de vida, está com as garras afiadas para alcançar as metas a que se propôs. "Sei que para isso eu tenho que estudar muito", diz. "Mas é isso o que estou fazendo."

Suzana Bandeira estava na quinta série quando engravidou de um namorado que sumiu de sua vida tão logo soube das conseqüências daquele sexo rápido que faziam quando tinha 15 anos. Triste e constrangida com o que aconteceu, passou três anos sem estudar. "Mas com a ajuda da minha mãe, que dá tudo pro meu filho, eu hoje estou fazendo o 8º ano no supletivo."


Vida normal

A jovem repórter Sheila Loureiro, que descobriu as personagens desta reportagem no seu próprio cotidiano, chegou a pensar que seus sonhos haviam acabado quando, mesmo com o apoio do então namorado e da própria mãe, foi obrigada a largar a escola nos primeiros anos do seu filho. Hoje com 22 anos e no 3º ano do ensino médio, ela voltou a estudar porque a vida como dona de casa a deixava inquieta. "Meu sonho não está completo", diz ela, que está se preparando para o concorrido vestibular de direito. A futura juíza Jéssica de Oliveira resume assim a insatisfação com a vida restrita a educar o filho. "Quero levar uma vida normal", justifica. "Como todas as pessoas."


Não consegue nada

Os sogros de Marilene dos Santos, que estava na 6ª série quando engravidou, tiveram uma

participação decisiva no fato de hoje estar cursando o 1º ano do ensino médio e, mais ainda, sonhando com a profissão de enfermeira. "Os pais do rapaz fizeram com que assumisse o filho e por isso, mesmo morando com meus pais, eu pude voltar a estudar", diz Marilene. Ela tem consciência de que os estudos são o único combustível para quem tem alguma ambição na vida. "Sem estudo não se consegue nada nessa vida", afirma.

Depois de três anos em casa, Suzana Bandeira percebeu que a única maneira de proporcionar uma vida melhor para o filho que a fazia prisioneira seria voltando a estudar. "Meu sonho é ser professora", anuncia.

Uma kombi que resiste ao tempo

II IGUACINE Exibido na sessão de homenagens do II Iguacine, 'Marcelo Zona Sul' continua encantando plateias 40 anos depois de sua es...