Mostrando postagens com marcador Dicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dicas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Bom Pra Chuchu

Rua do Chuchu reúne diversas tribos em Austin

Por Sheila Loureiro e Flávia Fereira
Fotos: Narizinho


Sexta-feira feira é um dia especial na Rua do Chuchu. Essa rua fica no centro de Austin, um bairro de nova Iguaçu. Ela é famosa por seus badalados fins de semana, principalmente na sexta-feira. Muitos jovens, adolescentes e crianças lotam a rua para comer, beber e dançar.

Sueli Álvares é exemplo disso. Moradora de Austin há seis anos, ela pode ser encontrada quase todos os fins de semana na Rua do Chuchu. "Quando a festa começa, as pessoas ligam o som na alturas. Uns botam rock, outros pagode e mais à frente quem domina é o funk. Assim, fica tudo de bom."

Ela gosta muito de beber uma cervejinha e, por conta disso, começa a noite pela lanchonete Central. Logo depois, faz uma paradinha no Bar do Pagode para dançar um pouco, já que lá toca vários ritmos. Mas nem tudo são flores na Rua do Chuchu. "As pessoas não sabem curtir", queixa-se ela. "Ficam brigando, pedindo para tirar as musicas de rock."

Samba rock

"Os fins de semana na Rua do Chuchu são a maior curtição", diz Beth, de 21 anos. "Muito barulho, muito gatinho, muita gente." Mas, além de tudo isso, Beth gosta de beber no bar onde rola um pagodinho em todos os finais de semana. "Todo fim de semana estou na Rua do Chuchu", confirma.

Porém, não é só atrás do pagode que Beth vai. "Freqüento, também, o Bar do Devanir", revela. O Bar do Devanir é conhecido pelos freqüentadores, mas não por seu nome, e sim por ser o point do rock em Austin. "Neste bar, conheci um garoto muito maneiro, que usava aquela roupa toda preta, cheio de pulseiras e olhos pintados", descreve ela. Ela não se importa com todas essas características. "O que vale é a intenção. Não é porque ele se veste assim que vou julgá-lo".

E no maior clima de descontração, Beth ainda bebeu um copinho com o garoto e curtiu o resto da noite. E como prova de que na Rua do Chuchu o preconceito não tem vez, Beth revela um segredo. "No final da noite de sexta-feira, acabei ficando com o garoto", sussurra.

Ramon é um dos tantos apaixonados e fanáticos por rock que freqüentam a Rua do Chuchu. "Rock é a minha curtição. Por isso, em todos os fins de semana, estou firme e forte aqui na rua", diz ele. Segundo Ramon, ele e seus amigos não seriam nada sem o Bar do Devanir. "Não sou contra os demais ritmos, mas tenho que admitir que o bar do rock é o melhor da Rua do Chuchu". No bar do rock não costuma rolar briga, "por isso é tão cheio assim", explica Ramon.

Aconteça o que acontecer

Eva Magalhães também freqüenta a Rua do Chuchu nos fins de semana. "O bom é que moro perto, no bairro da Mariléia", diz Eva. Todos os fins de semana ela está na famosa rua, dançando funk, pagode e até forró. Enfim, tudo o que a rua tem para oferecer.

Mesmo com todas as opções de lazer da Rua do Chuchu, Eva não gosta da banda de rock que fica no fim da rua. "Não tenho nada contra, cada um com seu cada um".

Ela conhece todos os points da rua, como o Bar do Devanir (o bar do rock), e a lanchonete Escaly, onde rola o pagode. Eva só reclama das pessoas que brigam por pequenas coisas. "Brigam por causa da equipe de som ou por causa da música. Cada um quer escutar uma coisa", explica.

Beth não tem papa na língua nem mesmo quando o assunto é polêmico. A freqüentadora conta que algumas mulheres chegam a sair escondidas de seus maridos. "O marido que descobre, até bate na esposa", fofoca. No entanto, mesmo presenciando coisas que desaprova, Beth continua freqüentando o lugar. "Lá é bem movimentado, adoro a Lanchonete Central, o Bar do Rock, o Bar do Pagode. É uma diversão para quem curte Austin", disse ela, valorizando o local.

Amor e ódio

"Gosto de ver as pessoas felizes, independente do tipo de música", diz o comerciante Henrique, dono da Lanchonete Escaly. Ele colocou música no bar com a intenção de divertir as pessoas, mas, segundo ele, tem gente que não sabe o que é diversão. "Só buscam confusão, esquecendo do resto". A Escaly é tudo na vida de Henrique, tanto que ele abre seu coração, quando o seu bar é o assunto. "Sou apaixonado por tudo isso, pois aqui vivi e vivo minha vida", emociona-se.

Renata mora, uma amante do pagode, está todas as sextas-feiras na Rua do Chuchu. Ela conhece moradores de Austin que, por não gostarem da Rua do Chuchu, acabam desencorajando outras pessoas a conhecer o local. Ela cita o exemplo da mãe de uma amiga sua: "Ela quase não deixa minha colega sair para curtir a Rua do Chuchu". Mas Renata não vê nada de mais em curtir a rua. "O que seria da gente sem a Rua do Chuchu?", pergunta.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Xepa do livro

Feira do livro fica em Nova Iguaçu até o próximo dia 17
Por Daniel Santos, Marcelle Teixeira e William Costa
Fotos: Mariane dias e Daniel Santos

Desde o dia 2 de junho, Nova Iguaçu está repleta de bons livros. Se você é daqueles que viaja quando está lendo, não perca as últimas semanas da Feira de Livros da Praça Rui Barbosa, no Centro. Essa é uma ótima chance para conhecer novos autores ou encontrar seus títulos preferidos. A feira, que está rolando há cerca de um mês, vai ficar na cidade até o dia 17 de julho. Para quem não conhece, a praça Rui Barbosa fica no coração do comércio de Nova Iguaçu, também conhecido como 'praça da antiga rodoviária'.

Ao todo são 14 estandes de venda, um para cada livraria. A posição dos estandes é decidida por meio de um sorteio. As pessoas transitam pelo corredor de livros formado pelas barracas. Há livros para todos os gostos e bolsos. Os títulos oferecidos pelos sebos chegam a custar R$ 1. Títulos como "A menina que roubava livros", há mais de um ano liderando a lista dos livros mais vendidos, também podem ser encontrados com bons descontos. "Aqui tudo é bem vendido", conta o vendedor de livros Fernando Gomes, que vende mais de 500 títulos por semana e trabalha na feira desde 2006.

Mais em conta
A feira, uma iniciativa da Academia Brasileira de Letras, existe há mais de 40 anos. Ela é itinerante, passando por várias cidades em forma de circuito. Embora só tenha chegado em Nova Iguaçu há quatro anos, logo caiu no gosto do leitor da cidade. "Atendo pessoas de todos os tipos", afirma o mesmo Fernando Gomes. "Desde crianças até idosos, passando por professores e alunos." A principal razão para toda essa procura pode ser explicada pela professora Elizane Gomes da Silva, que há anos faz suas compras na feira. "A feira é uma iniciativa maravilhosa", afirma ela, que este ano comprou "Gênero do discurso na escola", de Helena Brandão. "Aqui a gente pode comprar livros mais em conta."

A proximidade com o calçadão faz com que as pessoas visitem a feira sem um objetivo definido. "Todo dia a gente passa por aqui só para ver as ofertas", diz a estudante Juliana Sepúlveda, que na última quarta-feira comprou "O incrível livro de hipnotismo de Molly Moon", de Georgia Byng, enquanto aguardava a hora de entrar no pré-vestibular. Ela estava acompanhada de sua amiga Camila Távora, que vai à feira só pelo prazer da pesquisa. "A feira do livro é um incentivo à leitura", afirma Camila.

Primeira edição
A feira termina atraindo pessoas que ainda não acordaram para a importância da leitura. Esse foi o caso do trabalhador autônomo Carlos João, que sequer sabia da existência da feira quando passou na praça Castro Alvos na última terça-feira. "Acho uma ótima oportunidade para os estudantes", diz. Não foi muito diferente com Dione Silva, uma vendedora de uma loja de roupas femininas próxima à feira. "É uma ótima fonte de cultura para o povo da nossa cidade", afirma ela, embora ela própria em geral restrinja sua leitura a revistas e jornais.


Bruno Gomes, um vendedor de livros de 23 anos apaixonado pelos
clássicos da literatura brasileira, ficou duplamente feliz com a feira. "Achei a 1º edição de Dom Casmurro, de Machado de Assis", diz ele, entusiasmado com a raridade. Mas o seu amor pela leitura não impede de ver as grandes oportunidades comerciais da feira, na qual trabalha pelo segundo ano consecutivo. "Os livros de nossa literatura estão sendo muito procurados por alunos para fazerem trabalhos escolares", avalia. "Também está tendo muito saída ´A menina que roubava livros´, do australiano Markus Zusak." Este livro, que lidera a lista dos livros mais vendidos há mais de um ano, pode ser encontrado na feira com ótimos descontos.

Mais procurados
Na barraca de Maicon, um vendedor 23 anos que faz o circuito das feiras há cinco anos, repete-se a tendência dos leitores comprarem os títulos que lideram as listas de livros mais vendidos dos grandes jornais. "Os livros mais procurados aqui são ´O pequeno príncipe´, de Antoine Saint-Exupéry, e ´Caçador de pipas´, de Khaled Hosseini", diz o vendedor. "Caçador de pipas", que está na lista dos mais vendidos desde o seu lançamento no Brasil, há mais de dois anos. Embora tenha sido lançado em 1943 e já tenha sido editado inúmeras vezes no país, "O pequeno príncipe" voltou a arrebatar os leitores ao ser relançado pela Editora Agir.


Os vendedores da feira estão interados dos livros, autores e da importância da leitura na vida da sociedade, mas essa consciência deve ser de todos. O entendimento do valor da leitura é um direito de todos.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Tudo o que você queria saber sobre os pontinhos de cultura, mas tinha medo de perguntar

Tire suas dúvidas sobre o edital dos pontinhos de cultura.

Secretária adjunta de Cultura e Turismo, a assistente social Sandra Mônica se tornou uma espécie de Doutora Pontinho de Cultura. Esteve em quase todas as caravanas para divulgar o edital pelos bairros de Nova Iguaçu, cujo prazo de inscrição foi adiado do último dia 16 de junho para o dia 27 de junho. Sandra Mônica também ministrou algumas oficinas para os interessados, nas quais traduziu a complexa linguagem do edital para a língua do povo simples da periferia de nossa cidade. Como se não bastasse, dedicou o último fim de semana para criar uma espécie de cartilha dos pontinhos de cultura. Se você ainda tiver dúvidas, aproveite. Esta talvez seja sua última chance.

JR – O que é o programa "Pontinhos de Cultura Bairro-Escola"?

Sandra Mônica Pontinho de Cultura é como estamos chamando o Programa Escola Viva / Bairro-Escola, em Nova Iguaçu. É uma forma de juntar o saber popular, as diversas expressões culturais da comunidade e o saber formal da Escola.

Esta integração de saberes ajuda no desenvolvimento dos estudantes das escolas municipais de segundo segmento (6º ao 9º ano). Junto às ações com os adolescentes, procura fortalecer a rede cultural do bairro e da cidade. Estas duas metas contribuem para o resgate da cultura, a valorização da emoção e da nossa identidade, respeitando as mais diversas maneiras de ser de cada um, seja de religião, raça ou sexo.

JR - Quem pode concorrer?

Sandra Mônica As organizações não-governamentais (ONGs), instituições sem fins lucrativos, grupos informais, associações de moradores, igrejas, institutos, enfim, entidades da sociedade civil com sede em Nova Iguaçu. Também podem participar pessoas físicas que residam em Nova Iguaçu. Por fim, o edital está aberto a todos que desenvolvam atividades culturais.


JR - Quem não pode concorrer a esta seleção de projetos?


Sandra Mônica Pessoas que trabalhem na Prefeitura de Nova Iguaçu, integrantes do Conselho Municipal de Cultura, participantes da Comissão de Avaliação, instituições públicas municipais, estaduais e federais.

JR – Qual o prazo para entrega dos projetos? E onde deverão ser entregues?

Sandra Mônica Deverão ser entregues até o dia 27 de junho de 2008, às 10 horas, na CPL - Comissão Permanente de Licitação –, no prédio da Prefeitura de Nova Iguaçu.

JR – Como posso obter uma cópia do edital?

Sandra Mônica Você pode obter a cópia do edital, do manual e dos formulários de projeto acessando os seguintes sites:

http://br.geocities.com/cultura.ni/

http://br.geocities.com/cultura.editais

Ou ainda através do e-mail: cultura.novaiguacu@gmail.com

E também indo à CPL, na Prefeitura, levando 100 folhas de papel ofício para impressão e 01 CD para gravar o arquivo do edital.

JR – Qual é a documentação necessária para que se possa fazer a inscrição e entrega do projeto para este edital?

Sandra Mônica Para pessoa física, a documentação é a seguinte:

1a. Parte – Projeto, requerimento, declaração e cópias de documentos:

  1. Requerimento - Modelo Anexo II (arquivo do edital)
  2. Formulários do Projeto - Modelo Anexo III – em três cópias (arquivo do edital)
  3. Declaração - Modelo Anexo IV (arquivo do edital)
  4. Cópia de RG
  5. Cópia do CPF
  6. Cópia do comprovante de residência em Nova Iguaçu
    • Todas as cópias dos documentos deverão estar autenticadas.


2a. Parte – O Portfólio
do trabalho artístico cultural realizado pela pessoa e/ou equipe do projeto.

  • Caso você apresente o projeto como entidade (pessoa jurídica), a documentação é a seguinte:

1a. Parte - Projeto, requerimento, declaração e cópias de documentos:

  1. Requerimento - Modelo Anexo II (arquivo do edital)
  2. Formulários do projeto - Modelo Anexo III – em três cópias (arquivo do edital)
  3. Declaração - Modelo Anexo IV (arquivo do edital)
  4. Cópia do CNPJ
  5. Cópia do Estatuto
  6. Cópia da Ata de Posse ou de Eleição da Diretoria
  7. Cópia do RG e do CPF do responsável legal
  8. Comprovante de sede em Nova Iguaçu.
    • Todas as cópias dos documentos deverão estar autenticadas.


2a. Parte – O Portfólio
do trabalho artístico-cultural realizado pela entidade e pela coordenação ou equipe do projeto. Você pode apresentar este material gravado em CD.

JR – O que é o Portfólio?

Sandra Mônica É um álbum ou pasta com o conjunto de informações da pessoa ou da entidade. Serve para divulgação do trabalho realizado. São informações quantitativas e qualitativas, com as datas e locais de realização das atividades. Recomendamos que o Portfólio tenha uma capa e a descrição dos materiais nele contidos.

Materiais que podem ser apresentados no portfólio:

  • Currículo da instituição e/ou de seus dirigentes;
  • Matérias de jornais e revistas, sites na internet, etc.;
  • Publicações, cartazes, panfletos, fotografias, vídeos, CD, CD-ROM, premiações, outros.


Obs.: Tanto o portfólio quanto o projeto e a documentação deverão ser entregues no mesmo dia da inscrição (até dia 27/06).

  • Você deve organizar o projeto e a documentação numa pasta e o Portfólio em outra pasta. Ou seja, estes dois materiais serão entregues no mesmo momento em pastas separadas.

JR – O que acontecerá com os projetos quando forem entregues?

Sandra Mônica Os projetos habilitados e selecionados para convênio farão parte de Reserva de Projetos Culturais para a Rede de Ensino, por um prazo de 01 ano. Com o projeto que for selecionado para convênio se estabelece o compromisso entre a Prefeitura de Nova Iguaçu, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e o Ministério da Cultura em apoiar e fazer o repasse de recursos em dinheiro às propostas conveniadas que ofereçam aos alunos do segundo segmento de Nova Iguaçu o desenvolvimento do fazer artístico-cultural, em suas diversas modalidades.

O projeto conveniado se comprometerá a desenvolver quatro horas semanais de oficinas em atividades artístico-culturais para cada turma de alunos do segundo segmento. Estas quatro horas semanais poderão ser organizadas em dois encontros com duas horas de duração, para cada turma. O repasse de dinheiro às entidades será para pagar as despesas com pessoal (coordenador pedagógico cultural, oficineiro, monitor) e o material de consumo utilizado pela oficina. Maiores detalhes sobre número de turmas, número de alunos por turma e quantidade de horas trabalhadas, você poderá saber lendo o Manual de Projetos.

JR – Quem é o público-alvo das atividades do Projeto Pontinhos de Cultura Bairro-Escola?

Sandra Mônica São alunos e alunas das escolas municipais de Nova Iguaçu que têm o segundo segmento, ou seja, turmas do 6º. ao 9º. ano. Os nomes destas escolas estão listados no Manual do "Pontinhos de Cultura/Bairro-Escola".

JR - Quais as atividades artístico-culturais que os projetos podem propor para serem realizadas no edital "Pontinhos de Cultura/Bairro-Escola"?

Sandra Mônica Podem apresentar atividades artístico-culturais em até três modalidades. Os projetos podem escolher fazer até três das seis modalidades descritas no edital. As modalidades são:

Modalidade 1: Artes Visuais

Fotografia, instalações artísticas, escultura, cerâmica, pinturas, imagens, desenho, grafite, gravura, objetos e/ou brinquedos recicláveis, moda, xilogravura, artesanato, outras.

Modalidade 2: Arte e Cultura Popular

Quadrilhas juninas, afoxés, escolas e grupos de samba, reisado, folia de reis, cordel, maracatu, capoeira, bumba-meu-boi, mamulengo, brincadeiras populares, tradição oral (contadores de história, fotografias antigas, rezadeiras), outros.

Modalidade 3: Artes Cênicas

  • Circo: malabarismo, acrobacia, equilibrismo, mágica e humor, perna de pau, outros.
  • Dança e Movimento: balé, jazz, sapateado, dança contemporânea, xaxado, samba, dança de salão, salsa, baião, dança de rua, break, hip-hop, outros.
  • Teatro: interpretação e montagem: cenário, figurino, luz, caracterização, produção, maquiagem, outros.

Modalidade 4: Audiovisual, Tecnologia e Comunicação

  • Técnicas de animação, sonorização de imagem, produção de cinema, TV, rádio, tecnologias digitais, internet.

Modalidade 5: Literatura

  • Criação de textos e personagens, histórias contadas e escritas, roteiros, poesia, outros.

Modalidade 6: Música

    • I - Sem instrumento: canto, teoria musical, canto coral e hip-hop.
    • II - Com instrumento: cordas (violão), sopros (flauta), construção de instrumentos, outros.
    • III – Percussão: técnica e também construção de instrumentos percussivos.

JR – Como se dará a seleção dos projetos Pontinhos de Cultura? E quem serão os avaliadores dos projetos?

Sandra Mônica A seleção passará por duas etapas de avaliação. A primeira etapa é quando o projeto será analisado pela Comissão de Avaliação. Os participantes desta comissão serão representantes de:

  • Secretaria Municipal de Cultura e Turismo
  • Secretaria Municipal de Educação
  • Programa Bairro-Escola
  • Conselho Municipal de Cultura
  • Fórum de Pontinhos do RJ
  • Artista

A segunda etapa de seleção consiste na adesão dos alunos das escolas municipais ao projeto.

JR – Quais serão os critérios em que a Comissão se baseará para avaliar e selecionar os projetos apresentados?

Sandra Mônica Os critérios de Avaliação serão os seguintes:

1 – A metodologia de cada modalidade proposta pelo projeto - até 30 pontos.

  1. Se é adequada à idade dos alunos e se está em sintonia com a escola indicada no edital;
  2. Se as atividades propostas podem ser realizadas através de exercícios práticos;
  3. Se dá importância à participação dos alunos e à possibilidade das atividades virem a ser realizadas pelos próprios adolescentes e jovens, no futuro (Empoderamento).

2 – A integração de linguagens artístico-culturais com outros conhecimentos e com a vida social - até 25 pontos.

  • Se o projeto se articula com as redes culturais da comunidade;
  • Se tem a possibilidade de geração de oportunidades de emprego e renda no futuro;
  • Se consegue integrar suas atividades culturais com a vida social e os demais saberes da comunidade.

3 – A perspectiva de aceitação da comunidade, produzindo novos significados – até 20 pontos.

  • Se se propõe a participar da formação cultural continuada;
  • Se valoriza a história da comunidade;
  • Se estimula os alunos a conhecerem o patrimônio material e imaterial da comunidade.

4 – Currículo e Portfólio que demonstrem a qualidade do trabalho já realizado pelo proponente - até 15 pontos.

  • A capacidade para reunir parcerias.
  • A experiência do proponente e a atividade proposta.
  • As estratégias de sustentabilidade.

5 – Comprometimento com aspectos e conceitos do discurso contemporâneo – até 05 pontos.

  • O envolvimento com: cultura digital, software livre, tecnologias multimídias e/ou eletrônicas.
  • O uso de recursos que estimulem a curiosidade pela história e pelo movimento da comunidade, utilizando os diferentes saberes locais (formal e informal) que resulte em maior interação entre crianças, jovens, adultos e velhos.

6 - Tempo de atuação da pessoa ou da entidade na área cultural - até 05 pontos.

    • Proponentes com + de 10 anos
    • Proponentes que tenham entre 5 e 9 anos
    • Proponentes que tenham entre 1 e 4 anos
    • Proponentes com menos de um ano de atuação não pontuam.

JR – Como será o processo para o resultado final dos projetos do edital?

Sandra Mônica Como dito antes, serão duas etapas:

1a. etapa – Projetos Habilitados - A Comissão de Avaliação publicará a lista dos projetos habilitados, no Diário Oficial. O projeto habilitado será encaminhado para segunda etapa.

2a. etapa - Projeto Selecionado – Os projetos que conseguirem responder as demandas do Bairro-Escola e obtiveram adesão dos adolescentes terão seus nomes publicados pela segunda vez no Diário Oficial. O projeto selecionado será encaminhado para conveniamento.

Processo de Conveniamento - O projeto, ou seja, a pessoa física ou entidade terá até 30 dias para entregar os documentos necessários a formalização do convênio.

JR – Na ocasião do conveniamento com a Prefeitura, quais os documentos que a pessoa física ou a entidade terão que apresentar?

Sandra Mônica Se for pessoa jurídica, apresentará estes documentos:

  • Certidão de Regularidade de Tributos do Município de Nova Iguaçu
  • Certidão de Regularidade de Tributos do estado do RJ
  • Certidão de Regularidade de Tributos Federais
  • Dívida Ativa da União
  • Certidão Negativa da Justiça Federal
  • Certidão Negativa de Débitos INSS
  • Certidão Negativa de Débitos FGTS

Se for Pessoa Física, apresentará:

  • Certidão Negativa da Justiça Federal
  • Declaração do Imposto de Renda.

Não pode esquecer que todas as cópias dos documentos devem estar autenticadas.

JR – Quanto dinheiro será investido no edital Pontinhos de Cultura / Bairro Escola?

Sandra Mônica Para o desenvolvimento da cultura de Nova Iguaçu serão investidos R$ 2.717.325,44. No projeto, a referência de valor para o repasse financeiro pode variar conforme a modalidade proposta. Os valores para o projeto poderão ser: projeto com uma modalidade e o número total de adolescentes poderá receber por ano até R$ 39.600,00. Exemplo: um projeto que fará atividades de artes visuais para 180 alunos não recebe o mesmo valor do projeto que realizará atividades de artes cênicas para 240 alunos. Projeto com três modalidades e o número total de adolescentes poderá receber por ano até R$ 118.800,00.

JR – Além de enviar o projeto, o que mais a pessoa física ou entidade terá que apresentar?

Sandra Mônica O projeto precisa comprovar que possui os equipamentos necessários e espaço adequado à realização das atividades propostas.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Ritmos no liquidificador

Bloco 18 mistura ritmos brasileiros em busca de uma sonoridade global.

Por Flávia Ferreira

Fotos: Louise Teixeira e Gustavo Ribeiro

O Bloco 18 é um grupo da periferia carioca, que reúne vários músicos consagrados em um só palco. Tem como referência o já conhecido Monobloco, que mistura numa mesma panela ritmos como samba, bloco de rua, axé, funk, rap e rock. "O grupo foi criado pela necessidade de um estilo musical que representasse o país em todos seus ritmos", diz o baterista Romualdo Machado.

O grupo nasceu em setembro de 2007, quando o vocalista Renato Biguli, que hoje faz participações especiais nos shows, chamou músicos de Nova Iguaçu e Belford Roxo para reeditar na Baixada Fluminense a bem-sucedida experiência do Monobloco, do qual é integrante. Os seis fundadores que acompanham o grupo desde sua criação foram seduzindo uma série de músicos na Baixada, além dos três produtores, da jornalista e da fotógrafa que seguem o rastro do Bloco para onde ele for.

Batismo de fogo

O batismo de fogo do bloco aconteceu no Carnatal, um tradicional carnaval fora de época promovido em Nova Iguaçu. Posteriormente, o Bloco 18 tocou na casa de eventos Gregos e Troianos Lounge, na Riosampa, na Escola de Samba Leão de Nova Iguaçu e no centro cultural da UERJ. Mas o grupo sonha grande. "Queremos fazer show em todo o Brasil e na Europa", afirma Nike, o vocalista do grupo. Antes disso, porém, o bloco está investindo na consolidação do repertório.

Atualmente, o Bloco 18 tem um elenco de 17 músicos. Para o produtor Gustavo Ribeiro, esta é a grande virtude e o grande problema do grupo. "A maioria dessas pessoas trabalha em outros locais e muitas vezes têm que faltar ensaios e até mesmo shows", lamenta o produtor.

Bendita sois entre os homens

A última pessoa a entrar no bloco foi a vocalista Andréia da Paz Campos Nascimento, mais conhecida como Andréa Café. A estréia dela se deu no evento intitulado "Ensaio Aberto", que aconteceu no dia 8 de junho, na quadra da Leão de Nova Iguaçu. "Nunca toquei com uma banda tão democrática", diz ela, que é a única mulher no palco.

O Bloco 18 também tem um blog e uma comunidade e um perfil no Orkut. Essas duas mídias são coordenadas pelas jovens repórteres Flávia Ferreira e Mariane Dias. Elas foram convidadas pelo produtor Gustavo Ribeiro. "Vocês vão ser responsáveis por uma nova fase do grupo", disse o produtor ao fazer o convite para as duas jovens repórteres. Flávia Ferreira faz os textos e Mariane Dias, as fotos.

O bloco é dirigido pelos produtores Gustavo Ribeiro e Carla Fabíola, que estão desde o inicio com o grupo. Também fazem parte do Bloco 18 o técnico de som Lobão e o roadie Doca. "Embora desempenhem atividades diferentes, não há melhor nem pior no grupo", afirma Gustavo. "Há pessoas que buscam se aprofundar e tornar-se melhor no que fazem."

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Jesus nas carrapetas

Igreja católica cria cristotecas para atrair juventude

Texto e fotos por Aline Marques

Juventude dançando na pista. Jogo de luzes, máquina de fumaça, djs e música alta. Um observador menos atento pode pensar em jovens perdidos, talvez até envolvidos com drogas. Mas o conteúdo das letras, todas elas retiradas de orações tradicionais da Igreja Católica, revela a finalidade desses embalos de sábado à noite.

São as cristotecas, a resposta que a conservadora Igreja Católica encontrou para se reaproximar dos jovens que perdera com as restrições e proibições que costumava fazer. Fernanda da Silva Almeida, uma estudante de 17 anos, já participou de vários eventos desse tipo.

"Acho esses eventos maravilhosos, que a cada dia vem resgatando mais jovens", diz essa moradora de Comendador Soares, que freqüenta a paróquia São Francisco de Assis.

Uma das pessoas que pode ser encontrada em uma cristoteca é João Ferreira, o padre da paróquia freqüentada por Fernanda. Conservador como a instituição a que pertence, ele confessa que no começo era contra a idéia de colocar músicas de Deus no ritmo do forró, funk e samba para as pessoas dançarem. "Achava uma falta de respeito", admite.

A primeira cristoteca de que participou teve o poder de uma revelação para o padre, que mudou como a sua Igreja. "Adorei e continuei indo", revela. "Hoje em dia vejo como as igrejas mudaram e junto com ela as pessoas, principalmente os jovens."

Adriana Salles sempre vai a um cristoteca quando está enfrentando algum problema pessoal. "Eu sinto uma enorme alegria", diz ela, que se esquece de tudo quando chega a uma dessas festas cristãs. "Só penso em dançar e louvar."

Embora o objetivo principal dessas festas seja a comunhão com Deus, as cristotecas também servem como cenários para grandes histórias de amor. Esse foi o caso da própria Adriana, que está esperando um filho de uma relação iniciada em uma festa desse tipo. "Foi em uma cristoteca que conheci o meu marido." Aquele evento, que Adriana considera abençoado, ocorreu há quatro anos.

Da mesma forma como acontece com Adriana, uma grande paz e uma imensa sensação de alegria invadem o coração do estudante Renato Pereira. Mas ele admite que no começo ia para as cristotecas mais interessado em namorar do que em se encontrar com Deus. "Só depois que eu passei a vir para esquecer os problemas do mundo lá fora", conta. Para Renato, as baladas da Igreja católica também são um ótimo espaço para fazer amigos. "Já fiz muitas amizades e graças a Deus continuam até hoje."

Fernanda da Silva Alves tenta atrair pessoas de outras religiões para as cristotecas. "Eles vão, gostam e querem voltar", conta a estudante. É assim que muitas dessas começam a participar das missas e de grupos jovens, descobrindo o que a Igreja tem a lhes oferecer. "Acho isso importante para a juventude, já que a cada dia eles se perdem mais no mundo", acredita Fernanda.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Nova Iguaçu vai à Corte

Exposição no Museu Histórico Nacional mostra o legado da Corte no Rio de Janeiro.


Por Lucas Lima

Os alunos da escola privada Instituto Educacional Teixeira Carelli e Leite, situada em Nova Iguaçu, visitaram o Museu Histórico Nacional na tarde do dia 21 de maio. Ele é a sede da exposição internacional "Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil". A exposição, que faz parte das comemorações dos 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil, era a única exposição prevista na agenda de eventos do Rio de Janeiro.

A exposição mostra os aspectos econômicos, políticos e culturais da vinda da família real portuguesa, bem como o contexto histórico que cercou D. João VI, o primeiro monarca europeu a atravessar o oceano Atlântico.
Dividida em núcleos e temas, a exposição conta com objetos e documentos de importantes instituições públicas e particulares brasileiras e portuguesas, muitos dos quais inéditos. O público tem a oportunidade de conhecer desde a situação na Europa com as guerras napoleônicas, que motivaram a vinda da Corte para o Brasil, até os motivos que levaram à proclamação da Independência do Brasil pelo Imperador D. Pedro I.


O núcleo inicial aborda as conquistas de Napoleão na Europa, seguidas de biografias dos personagens envolvidos no conflito – o próprio Napoleão, Carlos IV, D. Maria I e Jorge III. Já o segundo fala do embarque da Corte em Lisboa e das dificuldades enfrentadas ao longo dos 54 dias de travessia do Atlântico, até sua chegada à Bahia, em 22 de janeiro de 1808. Além de um importante conjunto de arquivos, a exposição mostra documentos do Arquivo Nacional e da Biblioteca Nacional. Também é possível se ler o processo da "Abertura dos Portos às Nações Amigas", uma das primeiras providências tomadas por D. João ao chegar à Bahia, marco inicial do desenvolvimento comercial brasileiro.Temos ainda o terceiro núcleo, dedicado às mudanças realizadas para permitir o funcionamento do Estado português em solo brasileiro. Exemplos dessas mudanças são: o livre comércio, o estabelecimento de indústrias, a introdução de novos hábitos culturais e a criação de importantes instituições. Este núcleo da exposição também nos permite compreender a redefinição do panorama urbano, a introdução de novos estilos arquitetônicos - sobretudo a partir da vinda da missão artística francesa de 1816 - e a mudança do comportamento da sociedade. Com a chegada da Corte, o Rio de Janeiro passou a viver de maneira cosmopolita. Os saraus, as festas e as apresentações teatrais retratavam a efervescente vida política, social e cultural.O penúltimo núcleo da exposição aborda os conflitos que se instalaram no Brasil e em Portugal a partir de 1817, até o retorno de D. João VI em 1820, o que efetivamente ocorreu em 1821, após treze anos em terras brasileiras. Ao voltar para Portugal, D. João VI deixou um Rio de Janeiro bem diferente daquela cidade provinciana que encontrou em 1808. Seu legado transformou o Rio de Janeiro na sede do maior Império das Américas. A exposição se encerra com o núcleo dedicado à Proclamação da Independência do Brasil pelo Imperador D. Pedro I.

Os jovens alunos puderam aprofundar seu conhecimento com fatos concretos da colonização de seu país. Como disse a estudante Jessyca Pereira, de 16 anos, a experiência é fundamental para que os alunos tenham um rendimento bem mais desenvolvido do que em sala de aula. "Pude imaginar como eles viviam através de seus objetos", declarou Jessyca. A também Francilene Pacheco, de 16 anos, saiu da exposição com a sensação de que "é aprendendo a história que compreendemos o nosso presente".A exposição "Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil" ficará no Museu Histórico Nacional até o dia de 8 de junho.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Avós precoces

Drama da gravidez precoce também abala a vida das mães, que assumem a criação dos netos.
Texto e fotos por Flávia Sá

Conhecida em Jardim Iguaçu como dona Vani, a dona de casa Ivanil Meireles Rafael tinha grandes planos para a filha Lucélia Rafael, que era uma estudante de 14 anos. "Queria que ela se formasse", conta a mãe, que em nome desse ideal vencia os pudores para conversar abertamente sobre sexo com Lucélia e alertava para a necessidade do uso de preservativos.

Apesar dos cuidados de dona Vani, Lucélia resolveu se entregar a Victor, um ficante pelo qual havia caído de amores. E engravidou. "Eu não sei o que me deu direito", lembra dona Vani, que passou toda a gravidez da filha perturbada. "Só sei que não queria que aquilo estivesse acontecendo."

Como dona Vani temia, Victor, o pai da sua neta Victoria, não assumiu a criança. "Lá se vão dois anos e aquele cafajeste não admite nem fazer o exame de DNA", lamenta a dona de casa, embora hoje esteja muito feliz com a neta Victoria e com o fato de a filha Lucélia ter voltado para a escola. O drama de Dona Vani é semelhante ao de muitas outras mães de Nova Iguaçu, que se tornam elas próprias mães tardias e avós precoces.

Esse foi o caso da doméstica Cristiane Oliveira, que, aos 33 anos, viu a filha Deiseré engravidar aos 12 anos. Houve, no entanto, duas grandes diferenças em relação ao drama vivido por dona Vani. Em primeiro lugar, o rapaz que engravidou sua pequena Deisiré assumiu a tanto a relação com a filha quanto paternidade da criança. Também foi muito diferente a reação de Cristiane ao saber da gravidez de Deisiré. "Só ficaria espantada se fosse num outro tempo", diz Cristiane. "Hoje em dia é normal ter filho com essa idade."

Esses netos inesperados e de certa forma indesejados produzem verdadeiras revoluções na vida dessas mulheres, mas com freqüência eles ganham o status de "uma nova razão para viver". "Eu nunca pensei que fosse amar tanto o Vladimir", afirma a cozinheira Joaquina Duarte, a mãe adotiva de Sabrina Carmo, uma adolescente rebelde que engravidou aos 14 anos.

Esse final feliz foi surpreendente para Joaquina, que, quando soube da gravidez de Sabrina entrou num desespero semelhante ao de dona Vani. "Queria que fosse um pesadelo, sabe?", lembra Joaquina. Além de ter uma relação difícil com a filha adotiva, preocupou-se com a ingenuidade de Sabrina. "Ela não lavava nem as calcinhas", diz. "Como é que ia lavar as fraldas de xixi e cocô?"

Uma pessoa um pouco menos atenta pode confundir a história de Joaquina com a da cozinheira Silvana Xavier Dias, mãe de Raylene Dias de Oliveira, que engravidou aos 13 anos. "Era uma criança esperando outra", lamenta. Como Joaquina, Silvana tinha uma relação difícil com a filha Raylene, que "era uma menina da pipa voada". Também como a mãe de Sabrina, a mãe de Raylene se encantou pela neta. "Ela é a minha razão de viver", afirma. "E vou a todos os lugares com ela." Até quando viaja.

A biografia dessas mães também se confunde no tocante ao sentimento de culpa que invadiu o coração delas ao receber a notícia da gravidez das filhas. A cozinheira Joaquina, a mãe de Sabrina, e a dona de casa Neuza Ribeira, mãe de Gleice Kelly, se sentiram traídas pelas filhas. "Eu confiava plenamente neles", conta Joaquina. "Nunca imaginei que isso pudesse acontecer, mas eu tive uma parcela de culpa nisso porque dava muita liberdade a Sabrina." Gleyce Kelly, que estava com 17 anos ao engravidar, era uma mulher comparada a Sabrina, que na época tinha 14 anos. Mas dona Neuza também ficou possessa com a filha. "Confiei muito nos dois."

Mas Gleyce teve mais sorte do que Sabrina, pois o namorado, embora tenha sido irresponsável durante o namoro, não titubeou ao assumir tanto a relação com a mulher quanto a paternidade de Victoria. Infelizmente, o destino não bafejou a dona de casa Maria Eunice Menezes e sua filha Aline Menezes, que engravidou dos 15 para os 16 anos. Com uma história marcada por tragédias pessoais, Maria Eunice entrou em desespero quando soube da gravidez da filha, há cerca de dez anos. "Minha filha não ouvia ninguém e só queria saber de farra e essa droga de baile", lembra, emocionando-se.

Maria Eunice conhecia bem o pai do seu neto, um puxador de carro da vizinhança conhecido como Bebeto. Mas mesmo sabendo que aquela história não ia acabar bem, principalmente quando a filha "rebelde e desaforada" apareceu grávida mais uma vez. "Eu falei pra ela se virar, aquilo era o fim da picada", diz Maria Eunice num acesso de raiva, como se estivesse revivendo o drama. "´Não, não, chega´, eu falei pra ela."

Os fatos logo comprovaram a velha tese de que coração de mãe não se engana. "Ele chegou a bater na minha filha mesmo grávida", recorda. Maria Eunice pensou em chamar a polícia, mas resolveu lavar as mãos. "Botei a vida da minha filha e dos meus netos na mão de Deus", conta. O desfecho daquela história se deu num domingo em que o Flamengo estava decidindo o campeonato carioca de 2001 com o Vasco da Gama. "Os bandidos deram dois tiros na testa do Bebeto."

A filha Aline passou um tempo foragida, pois os bandidos disseram que ela sabia demais. "Ela deixou os filhos comigo e sumiu", lembra Maria Eunice. Mais uma vez, porém, o tempo foi o melhor remédio. "Agora já está tudo melhor", diz Maria Eunice, que enfim reuniu a família toda numa mesma casa. Além de estar morando com a mãe, a filha Aline percebeu com quem pode contar nas horas mais difíceis. "Graças a Deus, ela se deu conta que sua amiga sou eu e está me tratando melhor."

terça-feira, 3 de junho de 2008

Com licença, eu vou filmar

Futuros cineastas da Baixada aprendem a analisar filmes sobre a região feitos por diretores de outros lugares.

Por Daniel Santos

O filme “Com licença, eu vou à luta”, do cineasta carioca Lui Farias, inaugurou a série de aulas do curso de análise de filmes sobre a Baixada Fluminense, ministrado pelo diretor teatral, cineasta e secretário de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu Marcus Vinicius Faustini. “A Baixada possui uma grande tradição cinematográfica”, explicou. “Mas com visão de pessoas de fora”, ressalvou.

A Escola Livre de Cinema, o projeto que trouxe o cineasta para Nova Iguaçu no início do governo Lindberg Farias, tem como objetivo capacitar seus alunos a criarem seus próprios filmes. “Só vai ser construída uma nova visão da Baixada a partir do momento que os próprios habitantes do lugar estiverem fazendo cinema”, afirmou Faustini .

O professor lembrou, porém, que as experiências locais precisam contrapor o ponto de vista local com o olhar estrangeiro. “Mas para isso vocês terão que analisar os filmes já feitos ambientados na Baixada”, afirmou Faustini. Esse embate de leituras seria importante porque, para Faustini, “a arte expressa o ponto de vista do narrador”.

Baseado no livro homônimo e autobiográfico da escritora Eliane Maciel, “Com licença, eu vou à luta” é ambientado em uma Nilópolis opressiva, que ainda trazia fortes influências da ditadura militar. Tanto o livro como o filme fizeram muito sucesso na década de 1980. Para Faustini, uma das razões para o sucesso do filme está nas escolhas narrativas feitas pelo diretor. “Ele é de um maniqueísmo quase novelesco”, afirmou.

Lançado em 1986, o longa conta a história de uma estudante de 15 anos, interpretada por Fernanda Torres, cujos hormônios estão à flor da pele. Sua mãe é uma dona de casa rigorosa, interpretada por Marieta Severo, que beira a histeria na perseguição à filha. Completam o núcleo principal da história o seminarista desquitado Otávio, interpretado por Carlos Augusto Strazzer, e o pai militar de Eliane, interpretado por Reginaldo Farias.

Antes de exibir os primeiros quinze minutos do filme, Faustini fez uma longa preleção para situar no tempo e no espaço o período da história em que surgiu a crítica de artes. “Foi na época do romantismo”, explicou. Foi nessa época da história em que a arte deixou de procurar Deus e passou a se concentrar no ser humano. Os fundamentos do romantismo foram lançados pelo escritor francês Victor Hugo, no prefácio do livro Cromwel. Para Faustini, não podemos morrer antes de ler este prefácio.

Depois de fundamentar teoricamente a atividade da crítica, Faustini decupou as primeiras seqüências do filme para os cerca de 20 alunos presentes na sala. A seqüência inicial, mostrando o amanhecer em Nilópolis com uma trilha sonora forte, já denuncia o ponto de vista do diretor Lui Farias. “Ele só mostra pessoas trabalhando ou indo para o trabalho”, observou Faustini. A ausência de pessoas no ócio dá a impressão de que, na Baixada, não se tem o direito à fruição.
Na segunda seqüência do filme, a câmera passeia por dentro da casa de Eliane e apresenta o conflito que a protagonista vai enfrentar ao longo da história. “Primeiro passa o pai da menina, um militar que anda todo duro”, observou. “Depois vem a menina sonada, que parece não querer sair do mundo dos sonhos.” Por fim, aparece a neurótica mãe de Eliane. “Ela é oprimida por todos.”

Faustini também discutiu a seqüência em que Eliane vai de ônibus para a escola de freiras em que estuda. “Também aqui não existe espaço para a juventude dela”, analisou depois de mostrar a má vontade da cobradora e a tensa negociação entre a estudante e uma senhora idosa, que se sentiu incomodada com a janela aberta por Eliane.

O professor interrompeu a decupação do filme nas primeiras seqüências do idílio amoroso entre Eliane e Otávio. “Ele é a primeira pessoa que sorri para ela”, disse Faustini. Ele também discutiu a estética do clip, muito presente no filme. “Ela fica mais clara no primeiro passeio que o casal dá pela cidade.” Nesse passeio, o opressivo trem que está sempre passando ao fundo das cenas se torna prateado e reluzente.

No fim da aula, Faustini deixou o filme na Escola Livre de Cinema para que os jovens o assistam e discutam as estratégias narrativas de Lui Farias. Ao longo do curso, também serão analisados “O amuleto de ogum”, de Nelson Pereira dos Santos, “O homem do ano”, de Flavio Tambellini, “O homem da capa preta”, de Sergio Rezende, e “Crueldade mortal”, de Luiz Paulino dos Santos.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Sociedade Brasileira para o Progresso da Baixada

Nova Iguaçu e Duque de Caxias sediam evento cientifico e tecnológico que discute desenvolvimento sustentável.

Por Flávia Ferreira
Imagens retiradas do site da SBPC

Nova Iguaçu e Duque de Caxias serão palco, dos dias 7 a 9 de maio, da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). O tema da reunião é "Educação e Ciência para o Desenvolvimento Sustentável da Baixada Fluminense". Segundo Joana Nunes, secretária adjunta da Secretária Municipal de Monitoramento e Gestão, trata-se de um tema altamente pertinente a nossa realidade "Só poderemos resolver os problemas do estado se pensarmos na Baixada primeiro. Então, tudo que tem a ver com educação, desenvolvimento e ciência são questões que estão diretamente ligadas à sustentabilidade do nosso município", diz ela.

A SBPC é uma instituição sem fins lucrativos, que reúne professores, estudantes de todas as áreas de ensino, acadêmicos, pesquisadores e cientistas. Ela acontece uma vez por ano em seu formato original, sempre em alguma capital importante do país. Além disso, essa sociedade apresenta um formato regional. De dois em dois anos, escolhe-se uma região brasileira para sediar o encontro, que discute temas referentes à região. A Baixada reunirá esse formato regional.

A programação deste encontro envolve todas as áreas do conhecimento: de cinema à saúde, passando por teatro, literatura, educação e esporte. Por isso, a organização do evento está fazendo uma convocação geral da população da Baixada. A Secretária de Monitoramento e Gestão é a secretária executiva da SBPC em Nova Iguaçu. Ela ficou responsável por mobilizar os municípios vizinhos e convidar secretários, empresários, escolas e ongs. Estarão presentes os Prefeitos Lindberg Farias e Washinton Reis, respectivamente de Nova Iguaçu e Caxias. O Ministro Mangabeira Unger, da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, e a Ministra Dilma Russef, da Casa Civil, virão para a solenidade de encerramento.

O evento terá duas mesas de referência. A primeira, na qual serão debatidos os 20 anos do SUS (Sistema Único de Saúde), acontecerá no SESC de Nova Iguaçu, na quinta-feira 8, às 19h. Participarão desta mesa a deputada Lucia Souto, o sanitarista Antonio Ivo de Carvalho (Fiocruz), a economista Laura Tavares (Instituto de Economia da UFRJ), Marcos Souza (Hospital Geral de Nova Iguaçu), e o ex-ministro da Previdência Rafael de Almeida Guimarães. A segunda mesa, dedicada à educação universal, terá Tereza Cruvinel (TV pública) Muniz Sodré (Biblioteca nacional), Maria Antonia Goulart (Bairro Escola) e o ex-secretário estadual de educação Nelson Macula.

A secretária adjunta, Joana Nunes, faz um apelo para que a população participe do debate proposto pela SBPC, pois não é possível desenvolvimento sustentável sem mobilização da sociedade. “A sustentabilidade tem um significado mais amplo do que a gente pensa”, diz Joana Nunes. "É um guarda-chuva embaixo do qual todos nós estamos.”

Uma kombi que resiste ao tempo

II IGUACINE Exibido na sessão de homenagens do II Iguacine, 'Marcelo Zona Sul' continua encantando plateias 40 anos depois de sua es...