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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Um salto de qualidade

Escola de Aliança atingiu a meta de 2015

Texto e fotos por Marcelle da Fonseca

A Escola Municipal Chaer Kazen Kalaoun alcançou 4,7 no Índice de Desenvolvimento no Ensino Brasileiro (IDEB), ficando em 3º lugar no município de Nova Iguaçu. Além da ótima nota, a escola de Aliança foi a que deu o maior salto: a média obtida no último IDEB, realizado em 2005, havia sido de 3,3. O objetivo da escola para o IDEB deste ano era obter a média 3,4. “Atingimos agora a meta de 2015”, exulta Luciene Conceição Pereira, 30 de anos de idade e sete anos à frente da escola.

Mas essa não foi a primeira conquista expressiva desde que a Chaer Kazen Kalaoun passou a investir “em cultura, educação e no bem-estar das crianças”. “Fomos campeões do atletismo sub-11 do último JOENI”, orgulha-se a diretora. Embora o salto de qualidade tenha sido potencializado com a chegada do Bairro-Escola, Luciene Pereira acredita que a escola esteja fazendo outros trabalhos instigantes com as crianças. “O nosso salto de qualidade se deveu ao horário integral, às atividades extracurriculares e aos novos métodos de ensino adotados”, avalia a diretora.

Vínculo com a comunidade

Quando assumiu a escola, uma das primeiras providências que tomou foi reforçar o vínculo com a comunidade. “Aqui todos são responsáveis”, afirma. E uma breve caminhada na escola é suficiente para que se perceba a importância dos professores, voluntários, oficineiros e principalmente mães de alunos no seu trabalho pedagógico. “Todos ajudam muito a manter a ordem e a disciplina das crianças”, diz. Mas ela dá um especial destaque a duas pessoas: a coordenadora do horário integral Gisele Barreto, que já trabalhava na escola quando Luciene Pereira chegou lá, e ao oficineiro Renato Jamaica, que entrou na Chaer Kazen Kaloun por intermédio do Nós do Morro e hoje dá aula de teatro na Escola Aberta.

Luciene Pereira também credita o sucesso da escola a algumas atividades extracurriculares inovadoras. “Os alunos adoram as novidades de aprender”, conta ela. Uma dessas atividades foi batizada como ‘Brincando a gente aprende’, que utiliza atividades lúdicas para realizar atividades pedagógicas. Também faz o maior sucesso com as crianças a “Sou Leitor” e a “Caixa Mágica”. Esses dois últimos projetos, que têm o objetivo de incentivar a leitura na escola, estão sendo coordenados por Leila Marise. “Eu sorteio um aluno por semana para levar a caixa para casa com dois livros”, explica Leila Marise. “Um é para as crianças lerem e um outro, de literatura, para que os pais também possam estar se envolvendo na leitura.”

Presas nas histórias

A atividade “Sou Leitor” é uma sacola na qual o aluno do horário integral leva para casa o livro que deseje levar emprestado para casa, dentro da bolsinha que é uma marca registrada do programa. “As crianças se amarram na ‘sacolinha’”, conta Leila Marise. Outra atividade que estimula as crianças à leitura reside na contação de história. “Quando acabo de contar a história, faço uma atividade dentro do tema da história”, acrescenta ela. Segundo a professora, as crianças ficam presas nas histórias em função das atividades que vão realizar depois.

Para a diretora, o espaço físico de que a escola dispõe também contribuiu para o salto de qualidade registrado no último IDEB. “Hoje nós temos 10 computadores no nosso Telecentro”, contabiliza Luciene Pereira. Esses computadores deram uma nova vida às aulas de informática, implantadas na escola em 2006. “O Telecentro reforça os vínculos da escola com a comunidade, que é tão carente que não tem nenhuma lan house”, diz a diretora.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Xepa do livro

Feira do livro fica em Nova Iguaçu até o próximo dia 17
Por Daniel Santos, Marcelle Teixeira e William Costa
Fotos: Mariane dias e Daniel Santos

Desde o dia 2 de junho, Nova Iguaçu está repleta de bons livros. Se você é daqueles que viaja quando está lendo, não perca as últimas semanas da Feira de Livros da Praça Rui Barbosa, no Centro. Essa é uma ótima chance para conhecer novos autores ou encontrar seus títulos preferidos. A feira, que está rolando há cerca de um mês, vai ficar na cidade até o dia 17 de julho. Para quem não conhece, a praça Rui Barbosa fica no coração do comércio de Nova Iguaçu, também conhecido como 'praça da antiga rodoviária'.

Ao todo são 14 estandes de venda, um para cada livraria. A posição dos estandes é decidida por meio de um sorteio. As pessoas transitam pelo corredor de livros formado pelas barracas. Há livros para todos os gostos e bolsos. Os títulos oferecidos pelos sebos chegam a custar R$ 1. Títulos como "A menina que roubava livros", há mais de um ano liderando a lista dos livros mais vendidos, também podem ser encontrados com bons descontos. "Aqui tudo é bem vendido", conta o vendedor de livros Fernando Gomes, que vende mais de 500 títulos por semana e trabalha na feira desde 2006.

Mais em conta
A feira, uma iniciativa da Academia Brasileira de Letras, existe há mais de 40 anos. Ela é itinerante, passando por várias cidades em forma de circuito. Embora só tenha chegado em Nova Iguaçu há quatro anos, logo caiu no gosto do leitor da cidade. "Atendo pessoas de todos os tipos", afirma o mesmo Fernando Gomes. "Desde crianças até idosos, passando por professores e alunos." A principal razão para toda essa procura pode ser explicada pela professora Elizane Gomes da Silva, que há anos faz suas compras na feira. "A feira é uma iniciativa maravilhosa", afirma ela, que este ano comprou "Gênero do discurso na escola", de Helena Brandão. "Aqui a gente pode comprar livros mais em conta."

A proximidade com o calçadão faz com que as pessoas visitem a feira sem um objetivo definido. "Todo dia a gente passa por aqui só para ver as ofertas", diz a estudante Juliana Sepúlveda, que na última quarta-feira comprou "O incrível livro de hipnotismo de Molly Moon", de Georgia Byng, enquanto aguardava a hora de entrar no pré-vestibular. Ela estava acompanhada de sua amiga Camila Távora, que vai à feira só pelo prazer da pesquisa. "A feira do livro é um incentivo à leitura", afirma Camila.

Primeira edição
A feira termina atraindo pessoas que ainda não acordaram para a importância da leitura. Esse foi o caso do trabalhador autônomo Carlos João, que sequer sabia da existência da feira quando passou na praça Castro Alvos na última terça-feira. "Acho uma ótima oportunidade para os estudantes", diz. Não foi muito diferente com Dione Silva, uma vendedora de uma loja de roupas femininas próxima à feira. "É uma ótima fonte de cultura para o povo da nossa cidade", afirma ela, embora ela própria em geral restrinja sua leitura a revistas e jornais.


Bruno Gomes, um vendedor de livros de 23 anos apaixonado pelos
clássicos da literatura brasileira, ficou duplamente feliz com a feira. "Achei a 1º edição de Dom Casmurro, de Machado de Assis", diz ele, entusiasmado com a raridade. Mas o seu amor pela leitura não impede de ver as grandes oportunidades comerciais da feira, na qual trabalha pelo segundo ano consecutivo. "Os livros de nossa literatura estão sendo muito procurados por alunos para fazerem trabalhos escolares", avalia. "Também está tendo muito saída ´A menina que roubava livros´, do australiano Markus Zusak." Este livro, que lidera a lista dos livros mais vendidos há mais de um ano, pode ser encontrado na feira com ótimos descontos.

Mais procurados
Na barraca de Maicon, um vendedor 23 anos que faz o circuito das feiras há cinco anos, repete-se a tendência dos leitores comprarem os títulos que lideram as listas de livros mais vendidos dos grandes jornais. "Os livros mais procurados aqui são ´O pequeno príncipe´, de Antoine Saint-Exupéry, e ´Caçador de pipas´, de Khaled Hosseini", diz o vendedor. "Caçador de pipas", que está na lista dos mais vendidos desde o seu lançamento no Brasil, há mais de dois anos. Embora tenha sido lançado em 1943 e já tenha sido editado inúmeras vezes no país, "O pequeno príncipe" voltou a arrebatar os leitores ao ser relançado pela Editora Agir.


Os vendedores da feira estão interados dos livros, autores e da importância da leitura na vida da sociedade, mas essa consciência deve ser de todos. O entendimento do valor da leitura é um direito de todos.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Da boa

Mercado de ervas sobrevive aos trancos e barrancos
Por Letícia da Rocha
Fotos: Giselly Reis

Em meio à facilidade que as lojas de produtos naturais nos oferecem, como produtos prontos e embalados, com logomarcas chamativas e em lojas atraentes, ainda é possível encontrar, no centro de Nova Iguaçu, barracas que só vendem especiarias e ervas naturais para os mais diversos males e sintomas. Ciente disso, fomos às ruas procurar vendedores de ervas que ainda resistem ao mercado atual.

Enquanto muitas pessoas pagam preços altos por remédios, o mercado das ervas oferece produtos com o mesmo efeito, mas que custam muito mais barato. Os vendedores de ervas geralmente são pessoas adultas ou idosas, já os compradores são pessoas de todas as idades. Mesmo assim, a quantidade de vendedores tem caído muito nos últimos anos.
Por não possuírem lojas, os vendedores de ervas geralmente expõem seus produtos em barracas. Eles dizem que o negócio não dá muito dinheiro, porém conseguem sobreviver com ele. Nessa odisséia pelas ruas da cidade, fomos a duas lojas conhecer um pouco do dia-a-dia desses vendedores: uma das barracas fica localizada em pleno calçadão e a outra no camelódromo. Vale a pena conferir a história desses trabalhadores.

Barraca das Três Marias
Uma dessas barracas é administrada por três Marias. Dona Maria Mazett, a mais nova delas, diz que sua principal clientela é feminina. "As mulheres são as que mais procuram", diz Mazzet. "Mas nem sempre elas compram as ervas para si." Muitas vezes, as mulheres procuram as vendedoras no lugar dos parceiros. "Por vergonha ou timidez, eles não fazem as compras pessoalmente."

Maria Mazett aprendeu o segredo das ervas com a mãe, há cerca de 20 anos. "Antes trabalhava em escritório, mas, como eu estava desempregada, minha mãe me convidou para eu trabalhar com ela." Um dos segredos que aprendeu impede que seu negócio tenha prejuízo. "As ervas secas não correm o risco de estragar ou passar do prazo de validade", aconselha. Já as ervas verdes precisam de um cuidado especial. "Elas chegam todo dia na barraca", conta ela, que tem que jogar no lixo as que não são vendidas dentro de um determinado prazo.

O trabalho das três Marias começa bem cedo, por volta das seis da manhã. "Temos que separar, amarrar e ensacar algumas ervas, além de ver as que ainda podem ser consumidas e as que vão para o lixo", diz Maria Mazzet. Embora trabalhe com uma grande quantidade de ervas, ela jamais vendeu um produto errado. "Tem umas pessoas que em meio à correria do dia acabam pegando a erva errada, de outras pessoas." Essas pessoas aparecem depois para trocar a mercadoria.

Dentre as inúmeras ervas, há as que são usadas para provocar o aborto. Maria Mazzet tem o maior cuidado com elas. "Não vendo para mulher que vem aqui sozinha", avisa. "Só leva quem chegar aqui com o marido." Mas é possível que já tenha vendido o chá do aborto sem saber o objetivo da cliente. "É que é preciso várias ervas para fazer esse chá", explica.

Maria Mazzet faz uma recomendação para clientes desavisados: "Quando for comprar algum produto, nunca diga que você não conhece." Há uma razão para essa preocupação. "É que, caso não tenha o produto, o vendedor pode querer empurrar outro." Esse está longe de ser o caso da barraca delas. "As pessoas confiam tanto que, mesmo comprando em outro lugar, passam aqui para perguntar a minha mãe se o produto é o que elas pediram." Além de ervas, a barraca das três Marias vende xaropes de mel e cascas de árvores.

O mundo das garrafadas
Diferentemente das três Marias, seu Pedrão trabalha apenas com um produto em sua barraca. É a garrafada do Pedro, uma mistura de ervas que aumenta o apetite sexual dos homens. Embora sua garrafada se destine ao público masculino, a maior parte da sua clientela é composta por mulheres. "Acho que os homens têm vergonha", diz ele.

Ao contrário de dona Maria Mazzet, a barraquinha não é a única fonte de renda de seu Pedrão. "Utilizo esse negócio como um complemento de minha pensão", diz ele. Também ao contrário das três Marias, seu negócio cai no inverno. "As pessoas não querem sair de casa para comprar ervas na chuva." Porém, ele tem pelo menos dois pontos em comum com as três Marias: é um bom conhecedor da natureza e jamais vendeu uma erva errada.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O dispositivo da discórdia

Lei que proíbe o uso de celular gera polêmica nas escolas

Nova lei aprovada em 11de abril proíbe em escolas estaduais e em bibliotecas o uso de celular e outros aparelhos, como MP3, MP4, IPod's e videogames portáteis, entre outros. A lei 5222, de autoria do deputado Marcelo Simão, já está sendo objeto de inúmeras discussões entre professores, estudantes e diretores.

A justificativa da lei é que, segundo vários professores, é constatado e já comum o uso de celular, MP3, Game Boy, walkman, diskman e fones de ouvido dentro de sala de aula. Isso faria com que os estudantes não prestem atenção nas aulas, e conseqüentemente prejudicaria o aprendizado e o rendimento escolar.

"Acho palhaçada essa lei", declarou a estudante Josiane Maria, 16 anos. "Isso não influencia em absolutamente nada, uma vez que já é normal os alunos assistirem e não prestarem atenção nas aulas com ou sem celular."

A lei está restrita às escolas estaduais, mas o uso de dispositivos eletrônicos de há muito vem preocupando as escolas particulares. "O governo não pode interferir na minha instituição", afirma Shirley Teixeira, diretora de uma escola particular de Nova Iguaçu. "Mas se o aluno for flagrado com um celular, nós vamos dialogar com ele de modo a evitar que a situação se repita." Mas se houver uma reincidência o responsável será chamado à escola.

"Esse é o tipo de coisa que desestimula o professor e mostra o quanto a profissão não é reconhecida", afirma a professora Edna Rocha, 41 anos. Para a professora, o aluno que atende um celular em sala de aula é no mínimo descortês com quem está lá frente e com os seus companheiros de turma.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Escola na praça

Evento em praça do Bairro Palhada reúne a garotada e muda o ponto de vista dos pais a respeito do Bairro-Escola na comunidade.



Texto e fotos por Daniel Santos
Imagens de celular

Os pais dos alunos desconheciam o trabalho realizado pelo Bairro-Escola na escola Municipal Edna Umbelina e por isso muitos alunos não aderiram ao horário integral. Para mostrar como é o trabalho, os coordenadores do programa se articularam com os moradores da Palhada e organizaram um evento na praça do conjunto Rosa Branca Palhada. O evento, que se estendeu das nove horas da manhã até as dez da noite, promoveu oficinas culturais, esportivas, artes plásticas, grafite , audiovisual e dança do ventre, entre outras coisas.



"Só a escola é muito pouco para se articular com a comunidade", diz Rômulo Sales, o coordenador das oficinas culturais do Bairro-Escola. "O evento abriu as portas para mudar a situação do bairro."




Expressão de alegria

As crianças se divertiram com as brincadeiras e ficaram felizes com o carinho dos oficineiros."Gostaria que sempre tivesse essas brincadeiras na praça", diz Mariane Luíza, oito anos, aluna da segunda série.



"Adorei as oficinas de pintura e malabares", diz a menina, que tem o sonho de se tornar professora.Uma das oficinas que mais mobilizou os moradores foi a de grafite. Ela mudou o aspecto do paredão e deixou uma nova referência na praça.



"Um muro sem grafite demonstra um lugar sem vida", diz Marcos Henrique de Oliveira, mais conhecido como Piri. "Já o muro com grafite expressa arte, vida e alegria."





Vitória da catadora


O evento foi organizado em parceria com o comércio local, a associação de catadores de ferro-velho do bairro e a prefeitura de Nova Iguaçu.

"Se a população se unir, a gente vence", diz a catadora de ferro-velho Durvalina Lima de Oliveira, 25 anos, mãe de cinco filhos e uma das principais pessoas responsáveis pela realização do evento. "A população precisa fazer a parte dela, pois isso é pra nós mesmos.


"Embora nenhum dos seus filhos seja beneficiado pelo Bairro-Escola, a catadora se disse gratificada só de "ver as crianças brincando". "Não consegui vaga para meus nas escolas municipais, mas eu sei o que é o projeto e aconselho o pessoal a participar."


Mais cidadão


O evento só não foi mais bem-sucedido porque houve problema com a aparelhagem de som, que animaria a festa junina no final da noite. O problema do som também comprometeu a apresentação dos cantores do bairro. As crianças aproveitaram o palco vazio e fizeram a maior farra em cima dele.


"A grande dificuldade foi de as pessoas abraçarem a idéia", afirma a técnica de enfermagem Rejane Arruda. "Sabendo que tem alguém se importando conosco, a gente se sente mais cidadão. Muito bom ver acontecimentos como esse no nosso bairro."

terça-feira, 24 de junho de 2008

Peixes da paz

Pacto pela Paz engloba os projetos da SEMUVV para reduzir índice de violência letal

Por Flávia Ferreira
Fotos: Felipe Rodrigo e site da Semuvv

O Pacto pela Paz é uma iniciativa que pretende reunir, através da internet, pessoas e instituições comprometidas com a segurança pública. O objetivo desse trabalho é reduzir o índice de violência letal. "Acreditamos que o sistema tradicional de combate a violência feito pela polícia com o enfrentamento direto não traz muitos resultados", diz Alexandre Machado, responsável pelo setor de comunicação e relacionamento da SEMUVV (Secretaria Municipal de Valorização da Vida e Prevenção da Violência). Essa rede está conectada por duas comunidades do GRAAL e um perfil do Pacto pela Paz no popular site de relacionamento Orkut, sendo que ainda está em pauta uma futura criação do Blog do GRAAL. Esse programa se aplica aos moradores de Nova Iguaçu, sendo seu foco principal os jovens na faixa etária entre 14 e 24 anos – principais alvos da violência, inclusive da violência letal.

Na internet, através do site de relacionamento Orkut, o trabalho é mapear a rede e trocar informações. "Vamos pegar o trabalho presencial na formação da rede real e estender isso na forma de um braço para a internet", diz Alexandre. Para mostrar como as comunidades do Orkut podem ser úteis aos jovens do grupo reflexivo, ele cita o exemplo dos jovens do Graal do bairro Miguel, que Couto estendem os debates dos grupos reflexivos na internet. "A idéia é usar o site institucional da secretaria e um de relacionamento". Segundo ele, a escolha do Orkut foi feita pensando na possibilidade de estreitar o convívio dos grupos. Desta forma, o projeto fomenta a participação dos jovens nos debates sobre segurança e formam uma rede virtual pela paz.

A internet vem se estabelecendo como um meio de interação privilegiada. "A sociedade funciona cada vez mais em rede", diz Rosa Lima, também responsável pelo setor de comunicação e relacionamento da SEMUVV. O Pacto pela Paz engloba todos os projetos da SEMUVV: o grupo reflexivo GRAAL, o FAVO (Atendimento a Famílias Vítimas de Violência) e o Lutando pela Paz. "A discussão é motivadora para se conseguir reduzir o clima de violência, as ações começam a acontecer", diz Alexandre.

Os projetos implementados foram testados em outros locais. Esse é o caso do Lutando pela Paz, que o secretário da SEMUVV, Luiz Eduardo Soares, implantou em Porto Alegre utilizando a mesma metodologia. A implementação deste projeto, que faz uso das artes marciais, gerou uma série de debates. "Ao contrário do que era exposto nos debates, onde muita gente achou que as artes maciais aumentariam a violência, essas aulas motivaram a disciplina, hierarquia e a moral". Com isso, concluía-se que a aulas de artes marciais não eram e nem geravam violência.

A prática mostra que não basta equipar a polícia para reduzir a violência. "Vemos que o crescimento da violência e o acesso facilitado às drogas têm se tornado cada vez mais universal", diz Alexandre. O mundo atual precisa de menos repressão e mais prevenção. "Precisamos proteger os nossos jovens, que são os que mais sofrem com as crueldades, não necessariamente de policiais, mas de todos os lados."

Para os coordenadores da SEMUVV, os jovens entram no crime por falta de oportunidades e opções. "É aí que esses projetos entram, uma vez que criam meios de competir com os traficantes", diz Alexandre. O GRAAL começou com os policiais do famoso Batalhão da Morte, através de Fernando Acosta, que é o mentor desta metodologia. "Os policiais participantes estavam tão envolvidos que fizeram outros policiais chorarem", lembra Alexandre.

O Pacto pela Paz também se alimenta dos grupos reflexivos criados para proteger as mulheres da violência dos homens. Nas ações deslanchadas a partir da entrada em vigor da Lei Maria da Penha, decidiu-se que o amparo legal dado às mulheres agredidas deveria ser somado a grupos reflexivos formados pelos agressores dessas mulheres. Outro projeto que amplia a rede do pacto é o Favo, um grupo reflexivo que atende familiares de vítimas de chacinas.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Jovens de boa vontade

Grupos reflexivos criam cultura da paz

Por Letícia da Rocha

Imagens: Site da SUMUV

Graal é um grupo que tem ajudado muitos jovens a encontrar-se como indivíduo na sociedade. Trabalha o sujeito e sua capacidade de se defender. Uma expressão que normalmente designa o cálice usado por Jesus Cristo na Última Ceia, o nome Graal foi aplicado como uma tentativa de se criar uma sigla a partir de Grupos Reflexivos. Mas a cultura da paz que tenta difundir é sagrada para os estudiosos da violência.

O projeto, que tem uma história de cerca de 30 anos, funciona em diversas partes do Rio de Janeiro. Sua filosofia, no entanto, caiu como uma luva em Nova Iguaçu, onde é grande o número de jovens envolvidos com a violência, principalmente a letal. Pesquisa do Sistema de Informação de Mortalidade – SIM/DATASUS – mostra que 38% dos mortos por homicídio em Nova Iguaçu tinham entre 14 e 24 anos.

Segundo o coordenador geral do programa, o psicólogo Fernando Acosta, o projeto passou por várias adaptações para ser implantado em Nova Iguaçu. "Não conhecíamos a realidade local", explica o psicólogo. "O Graal também jamais havia sido implantado como uma política pública, capaz de atender todos os bairros de uma cidade." Uma das dificuldades encontradas pelo Graal foi encontrar e treinar facilitadores locais.

Violência policial

Também não foi nada fácil o estabelecimento de parcerias na cidade, onde o programa já funciona em escolas, associações de moradores, centros comunitários e espaços culturais de 29 localidades. Embora o projeto se preocupe mais com a prevenção do que com a recuperação, ele também foi implantado na 52ª DP, comandada pelo delegado Orlando Zaccone. Outra instituição de recuperação em que ele funciona é o CRIAM.

O Graal também atende familiares de vítimas de violência, dentre os quais se destacam os da chacina de Nova Iguaçu. A próxima meta dos mentores do programa é levá-los para os batalhões da polícia militar. "A violência policial pode ser ordenada por pessoas mais velhas, mas ela é executada pelos jovens", lembra Fernando Acosta.

Pensar junto

Os grupos se reúnem uma vez por semana ou quinzenalmente. "Mas eles não abordam somente o tema violência", explica Fernando Acosta. "Temas como família, sexualidade, drogas e gravidez precoce também interessam à juventude e são fundamentais na criação de uma cultura da paz."

Os grupos são coordenados por facilitadores, que têm como papel suscitar discussões e mediar as polêmicas. "Não há a intenção de ensinar e sim pensar junto", diz a psicóloga Fernanda Bororó, uma das facilitadoras do grupo Bate rebate da Casa do Menor São Miguel Arcanjo. Todas as equipes trabalham diretamente com os jovens, inclusive as pessoas da coordenação e direção do programa, como o psicólogo Fernando Costa. As equipes facilitadoras, por sua vez, são divididas em grupos, que se encontram uma vez por semana com dois supervisores a fim de rever as questões levantadas durante o processo grupal.

Faces da violência

Participam do Graal jovens de 13 até 29 anos, independentemente de terem sofrido algum tipo de violência ou não. Mas muitos jovens descobriram nos grupos reflexivos que a violência tem muitas faces. A estudante Liriane Campos Melo viu um homem batendo em uma mulher e se chocou com dois fatos. "A mulher não tinha como se defender e as pessoas passando na rua não fizeram nada para ajudar", diz.

A também estudante Jenifer Freire de Oliveira percebeu que a violência moral é comum e, pior, subestimada. "Essa violência se manifesta nas coisas mais banais", explica. E cita como exemplo um dia em que jovens tomaram a mochila de um companheiro de escola e ficaram jogando-a de um lado para outro. "Eles chamaram isso de zoação", diz. "Mas para mim isso tem outro nome."

Comunicativos

Os encontros e as discussões dentro do Graal têm produzido outras mudanças na vida dos jovens. "Cheguei a me arrepender de uma relação que acabei", conta Liriane, que, hoje, teria sido mais flexível. Jenifer ficou impactada ao descobrir os sonhos de futuro dos jovens com os quais compartilhou um dos grupos reflexivos. "Eu me surpreendi quando os jovens disseram que queriam coisas simples", diz a estudante. "Nada de grandeza, apenas coisas que envolviam a felicidade."

Natalia Stefani, que chegou ao Graal com a expectativa de um curso, era uma menina tímida quando começou a participar dos grupos reflexivos. "Hoje em dia meus amigos brincam comigo, dizendo que eu falo demais", diz ela. Quem também se tornou mais comunicativo foi Marcos Vieira, que tirou partido das dinâmicas do programa em uma entrevista para emprego. "Sabia o que tinha que falar por causa do Graal", afirma.

Abandono precoce

Pais adolescentes dificilmente assumem a paternidade.

Por Carla de Souza Domingues e Lucília da Soledade Eleutério

Há muitos pontos em comum entre os chamados casos de gravidez precoce, mas um que salta aos olhos até dos observadores menos atentos é que os pais das crianças sempre saem de cena.

"Não sei o que o pai do meu filho faz no momento", diz Sheila de Souza Conceição, que engravidou com 16 anos e hoje, mãe de um bebê de nove meses, dá-se por uma felizarda porque recebe pensão alimentícia do pai da criança.

Sheila, que mora com os pais, teve a mesma sorte que Juliane Jesus da Costa, que também engravidou com 16 anos. "O sustento da criança vem do pai da criança, mas minha mãe também ajuda", diz ela.

Gravidez tumultuada

Como Sheila e Juliane, Thamires Gomes da Silva foi abandonada pelo namorado. Mas a situação dela é bem mais dramática do que a de suas companheiras de infortúnio. Além de não contar com ele para pagar as fraldas do seu filho de um ano, Thamires teve uma gravidez tumultuada por causa das constantes discussões com o namorado. "Ele demorou a aceitar o fato de que seria pai aos 18 anos."

Além dos conflitos com a dificuldade do namorado de aceitar a paternidade, Thamires teve que engolir a notícia de que ele a traía com uma menina que se dizia sua amiga. Para dar cores ainda mais dramáticas ao seu caso, o ex-namorado e a ex-amiga acabaram de ter um filho.

Prazeres da juventude

Thamires hoje se sente feliz com o fato de ter voltado a estudar e, principalmente, de estar reconciliada com a mãe. "Ela demorou a se acostumar com a idéia de que sua única filha mulher estava grávida", conta ela, que hoje está com 18 anos.

Criada na igreja evangélica, Gisele Silva, que engravidou aos 17 anos, enfrentou a um só tempo a crítica dos pais e a dificuldades de seu jovem namorado abrir mão dos prazeres da juventude. Hoje com 22 anos, a primeira conquista de Gisele ao engravidar foi incluir os seus pais e os sogros na conversa com o namorado. "Mas nós terminamos logo depois que minha filha nasceu", conta ela, que hoje estuda enfermagem e está casada com um homem que trata sua filha como se fosse o pai biológico.

Quem é o pai?

A jovem repórter Carla de Souza Domingues, que engravidou aos 15 anos, hoje recebe pensão alimentícia do ex-namorado, que hoje trabalha na empresa de ônibus Salutran. Mas sua história foi ainda mais complicada do que a de Gisele. "Quando descobri que estava grávida, o namoro com o pai da minha filha tinha acabado havia dois meses", conta Carla.

Carla passou por situações humilhantes com o namorado, que desconfiou que a filha não fosse dele. "Ele disse que eu só queria o dinheiro dele", lembra Carla, hoje com 18 anos. Ela teve essa discussão com o namorado no dia em que lhe pediu ajuda para fazer o aborto, que cogitou ao saber que estava grávida.

DNA

O desfecho dessa história foi menos traumático do que o de Raylena Dias de Oliveira, que engravidou aos 13 anos. "Mesmo depois de ver que a criança era a cara dele", conta a menina, "ele não hesitou em pedir o exame de DNA." Mesmo com o resultado positivo, o pai do filho de Raylena demorou dois anos para reconhecer a paternidade do seu filho. Como todos os outros pais precoces, ele deixou Raylena na pista.

De certa forma, Raylena teve mais sorte do que Lucélia Rafael, que engravidou aos 14 anos e foi abandonada pelo ficante depois de lhe informar que aquele amor de baile funk dera frutos. "Lá se vão dois anos e aquele cafajeste não admite nem fazer o DNA", queixa-se Ivanil Meireles Rafael, a avó da criança.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Com licença, eu vou filmar

Futuros cineastas da Baixada aprendem a analisar filmes sobre a região feitos por diretores de outros lugares.

Por Daniel Santos

O filme “Com licença, eu vou à luta”, do cineasta carioca Lui Farias, inaugurou a série de aulas do curso de análise de filmes sobre a Baixada Fluminense, ministrado pelo diretor teatral, cineasta e secretário de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu Marcus Vinicius Faustini. “A Baixada possui uma grande tradição cinematográfica”, explicou. “Mas com visão de pessoas de fora”, ressalvou.

A Escola Livre de Cinema, o projeto que trouxe o cineasta para Nova Iguaçu no início do governo Lindberg Farias, tem como objetivo capacitar seus alunos a criarem seus próprios filmes. “Só vai ser construída uma nova visão da Baixada a partir do momento que os próprios habitantes do lugar estiverem fazendo cinema”, afirmou Faustini .

O professor lembrou, porém, que as experiências locais precisam contrapor o ponto de vista local com o olhar estrangeiro. “Mas para isso vocês terão que analisar os filmes já feitos ambientados na Baixada”, afirmou Faustini. Esse embate de leituras seria importante porque, para Faustini, “a arte expressa o ponto de vista do narrador”.

Baseado no livro homônimo e autobiográfico da escritora Eliane Maciel, “Com licença, eu vou à luta” é ambientado em uma Nilópolis opressiva, que ainda trazia fortes influências da ditadura militar. Tanto o livro como o filme fizeram muito sucesso na década de 1980. Para Faustini, uma das razões para o sucesso do filme está nas escolhas narrativas feitas pelo diretor. “Ele é de um maniqueísmo quase novelesco”, afirmou.

Lançado em 1986, o longa conta a história de uma estudante de 15 anos, interpretada por Fernanda Torres, cujos hormônios estão à flor da pele. Sua mãe é uma dona de casa rigorosa, interpretada por Marieta Severo, que beira a histeria na perseguição à filha. Completam o núcleo principal da história o seminarista desquitado Otávio, interpretado por Carlos Augusto Strazzer, e o pai militar de Eliane, interpretado por Reginaldo Farias.

Antes de exibir os primeiros quinze minutos do filme, Faustini fez uma longa preleção para situar no tempo e no espaço o período da história em que surgiu a crítica de artes. “Foi na época do romantismo”, explicou. Foi nessa época da história em que a arte deixou de procurar Deus e passou a se concentrar no ser humano. Os fundamentos do romantismo foram lançados pelo escritor francês Victor Hugo, no prefácio do livro Cromwel. Para Faustini, não podemos morrer antes de ler este prefácio.

Depois de fundamentar teoricamente a atividade da crítica, Faustini decupou as primeiras seqüências do filme para os cerca de 20 alunos presentes na sala. A seqüência inicial, mostrando o amanhecer em Nilópolis com uma trilha sonora forte, já denuncia o ponto de vista do diretor Lui Farias. “Ele só mostra pessoas trabalhando ou indo para o trabalho”, observou Faustini. A ausência de pessoas no ócio dá a impressão de que, na Baixada, não se tem o direito à fruição.
Na segunda seqüência do filme, a câmera passeia por dentro da casa de Eliane e apresenta o conflito que a protagonista vai enfrentar ao longo da história. “Primeiro passa o pai da menina, um militar que anda todo duro”, observou. “Depois vem a menina sonada, que parece não querer sair do mundo dos sonhos.” Por fim, aparece a neurótica mãe de Eliane. “Ela é oprimida por todos.”

Faustini também discutiu a seqüência em que Eliane vai de ônibus para a escola de freiras em que estuda. “Também aqui não existe espaço para a juventude dela”, analisou depois de mostrar a má vontade da cobradora e a tensa negociação entre a estudante e uma senhora idosa, que se sentiu incomodada com a janela aberta por Eliane.

O professor interrompeu a decupação do filme nas primeiras seqüências do idílio amoroso entre Eliane e Otávio. “Ele é a primeira pessoa que sorri para ela”, disse Faustini. Ele também discutiu a estética do clip, muito presente no filme. “Ela fica mais clara no primeiro passeio que o casal dá pela cidade.” Nesse passeio, o opressivo trem que está sempre passando ao fundo das cenas se torna prateado e reluzente.

No fim da aula, Faustini deixou o filme na Escola Livre de Cinema para que os jovens o assistam e discutam as estratégias narrativas de Lui Farias. Ao longo do curso, também serão analisados “O amuleto de ogum”, de Nelson Pereira dos Santos, “O homem do ano”, de Flavio Tambellini, “O homem da capa preta”, de Sergio Rezende, e “Crueldade mortal”, de Luiz Paulino dos Santos.

Edital abençoado

Padre Agostinho abençoa projetos culturais da prefeitura

Por: Daniel Santos e Avrill Nobre

Imagens: Daniel Santos


O Padre Agostinho Pretto abriu as portas da igreja São José Operário, que fica no bairro Califórnia, para receber dezenas de pessoas. Entre os presentes, estavam jovens e adultos de escolas municipais, como a escola Venina Corrêa Torres. Eles foram participar da discussão sobre a abertura de dois editais que selecionarão projetos culturais para Nova Iguaçu. A reunião foi comandada por membros da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.


O Secretário de Cultura e Turismo, o cineasta Marcus Vinicius Faustini, e seus secretários adjuntos, Écio Salles e Sandra Mônica, foram divulgar o lançamento dos seguintes editais: o Fundo Municipal de Cultura Escritor Antônio Fraga e o Escola Viva/Bairro Escola, carinhosamente chamado de Pontinhos de Cultura.

- Esses projetos resgatam tudo aquilo que foi perdido: melhor convivência entre moradores, resgata o amor, a família. Mas se o artista o produz, deve ser incentivado - conta o professor de Língua Portuguesa Evandro Costa, que possui projeto, mas só pode participar como voluntário sem fim lucrativo por ser servidor público.


O Fundo Municipal de Cultura Escritor Antônio Fraga tem por finalidade promover o desenvolvimento de produções culturais e artísticas nas áreas audiovisuais, artes visuais, circo, dança, internet, literatura, moda, música e teatro. Os projetos selecionados contam com um incentivo de até 10 mil reais.

Já o edital dos Pontinhos de Cultura é direcionado para iniciativas que ofereçam atividades extracurriculares para os alunos do segundo segmento (6º ao 9º ano) das escolas municipais. Neste edital, cada proponente poderá contar com até 33 mil reais, por projeto, durante um ano. Cada instituição poderá ter até três projetos selecionados.

- Além de investir na vida das crianças, o edital vai oferecer oportunidade pra quem cria projetos. Vou ajudar a divulgar! Acredito na idéia - diz a Secretária Vânia Monteiro, moradora da Posse.


Podem inscrever projetos pessoas físicas da área cultural, grupos formais e informais, residentes ou sediados em Nova Iguaçu. Também podem pleitear o convênio organizações e instituições sem fins lucrativos. Instituições com fins lucrativos podem participar do edital dos pontinhos de cultura, mas não o do fundo.


Dúvidas podem ser tiradas na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Tel. (21) 2667-6208

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