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sexta-feira, 6 de junho de 2008

Perdas e ganhos

"É uma perda irreparável, mas que pode se transformar em luta". Luciane Silva

Por Flávia Ferreira
F
otos- Evanyr de Paula

Esta edição do programa Laranja da Terra tratará do Graal, um dos programas da Semuvv (Secretaria Municipal de Valorização da Vida e Prevçaõ da Violência) na prevenção à violência. E em uma de nossas gravações encontramos Luciane Silva, 43 anos, um símbolo de perseverança e fé. Aparentemente, ela é apenas mais uma mulher de Nova Iguaçu. Mas se voltarmos um pouco no tempo, mais precisamente até o dia 31 de Março de 2005, vamos descobrir por que ela é tão especial. Luciene foi uma das mães que perdeu o filho na chacina da Baixada, mas, mesmo com toda a tristeza, ela não desistiu da vida. O sentimento de dor virou um combustível para suas realizações e militâncias, num misto de sofrimento com vontade de viver e lutar.

Confira abaixo a emocionante entrevista que esta guerreira nos concedeu.

Como é o dia-a-dia de uma mãe que perdeu um filho na chacina?
Minha vida mudou muito de três anos para cá. Depois que meu
filho (Rafael) foi assassinado, a minha vida tomou um rumo que nunca imaginei tomar. Meu dia-a-dia é muito tumultuado e corrido, pois, além de ser dona de casa e ter 3 filhos, sou militante de vários outros projetos. Hoje faço parte dos grupos reflexivos do Graal e da Favo, além da UBM (União Brasileira de Mulheres) de Nova Iguaçu. Também participo da Oficina de Direitos Humanos, no Instituto de Direitos Humanos do Rio de Janeiro. Hoje tenho certeza de que, se ela não tivesse tomado essa direção, talvez não estivesse conversando com você. Acho que nem estaria de pé para continuar cuidando de mim e de minha família. Isso tudo que faço se tornou um meio de vida, para eu poder ter forças pra viver.

Esse seu engajamento começou a partir da morte de seu filho?
Relacionada aos Direitos Humanos e Violência, sim. Mas antes dessa perda eu já militava em m
ovimentos sociais voltados para a Cultura, Esporte, etc. Uma vez, a gente organizou na minha comunidade um grupo para ministrar aulas de grafite, capoeira e hip-hop. Então conversamos com a diretora de uma escola e ela cedeu o espaço, mas o projeto infelizmente acabou por falta de apoio. Meu filho participava do grupo de capoeira, até ajudava dando aulas para crianças. Foi um tempo muito bom.

Como foi perder um filho tão jovem? Como você encarou tudo isso?
Como é perder um filho? Não sei se você já perdeu alguém na família, mas se já, multiplique sua dor 1 milhão de vezes. Essa é a dor de uma mãe que perdeu um filho, porque é uma parte de nós que se vai. É como perder um braço, e da mesma forma que este não cresce, nada ocupa o espaço dessa perda. É uma perda irreparável, mas que pode se transformar em luta. E a perda de meu filho me trouxe isso.

Vejo tudo isso como uma coisa que aconteceu porque tinha que acontecer. Tudo na vida tem um para quê e um por quê. Se for para pagar um preço para ajudar outras pessoas que precisam, e para você fazer a diferença em seu meio, que seja assim.

Houve alguém que pagou um preço muito alto para a comunidade não cair, e eu também tenho que pagar o meu. Nunca pensei que um dia enterraria um filho, principalmente em uma situação como essa. Hoje eu sei que eu e mais um monte de mães estamos nos unindo para fazer a diferença neste mundo. Acho que toda reação tem uma ação. Por isso, se nós reagimos aqui, Deus agirá. Esse é o sentido da minha vida.

Você superou um momento trágico de sua vida, que foi a perda de seu filho.Como foi entrar nestes grupos reflexivos?
Funcionou muito bem. É muito difícil lidar com dor, tristeza e morte. É complicado você falar sobre isso. Encontro uma mãe guerreira e forte que conversa comigo de igual pra igual, mas encontro mães que não encaram bem a morte. Deparo com vários tipos de mães, e isso é bom porque aprendo com essas mães. Eu sofro com cada uma delas e a dor delas triplica a minha mas, quando deito minha cabeça no travesseiro, me sinto recompensada por ter conhecido-as. Mostro que existe um outro caminho e que podemos reverter essa revolta em uma coisa positiva. Elas me escutam porque sabem o que passei e também porque é muito mais fácil escutar quem viveu a situação do que quem é alheio a esta.

O que aprendeu nestes três anos em que está nos grupos reflexivos?
E
stou lá desde a morte de Rafael. Primeiro para São Paulo, onde fiquei cerca de nove meses. Quando voltei, fui me juntei aos familiares da chacina e daí fomos conhecendo outras mães, outras pessoas, outros grupos. E o que eu aprendi nessa minha trajetória foi lidar com a dor.

Encontro mães com filhos presos, que é uma dor muito grande. Mães com filhos nas drogas, que também é uma dor muito grande. Mas também encontro mães com filhos espancados até a morte de uma forma desumana, que sabe o que o filho passou e sofre por conta disso. A gente lida com a dor, solidariedade, amor ao próximo, de união. Começamos a ver que o ditado "a união faz a força" é verdadeiro. É matar um leão a cada dia, mas você vai se moldando, se transformando com as feridas.

Você fala muito em fé, mas essa fé já existia, ou veio após a morte de Rafael?
A fé e a confiança no Criador, todos temos que ter. E eu já tinha essa fé, ela só cresceu com a morte de meu filho. Os noves meses que passei em São Paulo com minha família foi o tempo em que mais me encontrei com Deus, de uma forma que nunca tive. Porque foi com ele que me apeguei e tive forças para voltar e procurar as famílias das vitimas. Foi como um tempo de preparação espiritual. E a cada dia venho buscando em Deus pois existem momentos que você se desespera e a espiritualidade e a fé me dão forças para continuar.

Se você não tiver fé de que existe um Criador que está esperando esse mundo se conscientizar de que precisa mudar e lutar pra reagir e fazer a diferença, perde-se o sentido da vida. A fé é o que rege o mundo e se você não a tem, você não tem nada.

Você se sente mais fortalecida destes três anos para cá? O que de mais diferente percebe em você?
Sinto como se tivesse uma couraça, que vai engrossando e engrossando. Como uma armadura que com o passar do tempo vai ficando mais forte à medida que vai recebendo as bordoadas. As coisas não me atingem como antes, mas isso não tira o sentido de ser humano, de sentimento e de dor. Hoje me sinto mais forte para falar de minha dor e para ajudar os outros a se reerguer e levantar, mostrando que eles também podem fazer isso. Acho que nessa vida você tem que deixar algo. Você não pode simplesmente passar.

Li uma coisa em uma instituição de fisioterapia para pessoas que sofrem acidentes, que dizia mais ou menos assim: "a fonte da juventude é você ter na sua vida uma causa." Isso foi uma coisa que trouxe pra mim. Hoje tenho 43 anos, mas minha mentalidade é de 20. Minha militância está me rejuvenescendo.

Você falou em causa. Qual a causa que você deixa nestes grupos reflexivos e em sua militância?
O respeito à vida... A vida humana, seja ela qual for. Seja o menor infrator, o maior infrator, seja o traficante, seja o assaltante, seja o inocente que nunca teve passagem na polícia e é um homem de família. Independentemente disso, são seres humanos e devem ser respeitados, e que precisa valer o seu direito. Esse direito está previsto em nossa constituição federal e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. O direito à vida... Essa vida tem que ser respeitada. Vida que foi dada pelo criador só Ele pode tirar.

Não é eliminando o problema que se resolve algo. Infelizmente, a violência cresceu ultimamente, porque as pessoas acham que têm que eliminar o mal pela raiz. É isso que acontece, pois as pessoas acreditam que eliminando o assaltantezinho, o bandidinho, eliminam o problema. O problema não é esse, mas a falta de políticas publicas e de um governo com políticas que façam a diferença, que afastem estas pessoas do tráfico, impossibilitando-as de roubar e cometer crimes.

Isso não existe em nosso país. É por isso que se mata tanto. Os governos acham que é mais fácil eliminar do que investir para resolver o problema.

Você falou sobre o respeito à vida, e é certo que o temos. Só que os que deveriam zelar por esse nosso direito são os responsáveis pela maioria dessas mortes. O que você acha disso?
Isso acontece no Brasil e em outros locais do mundo, porque a instituição que forma estes policiais não visa e não coloca em prática a valorização da vida. Essa instituição não é humana, ela não respeita a humanidade das pessoas. A prioridade dessas instituições devia ser o respeito à vida.

A primeira coisa que um policial tem que aprender é respeitar o ser humano. Seja ele qual infrator ou não infrator. Os policiais têm que aprender a lidar com o jovem infrator e com os seres humanos. Eles têm que enviar esses jovens para uma instituição que os recupere, muito embora a gente não possa esquecer de investir em uma instituição que de fato os recupere. Não é só você humanizar a polícia, porque não é só a polícia que mata. Você encontra esse tipo de gente em todos os locais, porque falta humanidade ao ser humano. Só que a polícia esta aí para proteger, e como isto vai acontecer? Esses policiais têm o dever de respeitar. Se não o fizerem, têm que ser punidos.

Acho essa mudança de comportamento muito difícil e que terá que ser aos poucos. É trabalho de formiguinha, cujos resultados só aparecerão no futuro . Só que a consciência tem que ser agora, pois a polícia está doente e tem que ser tratada senão não vai ter mudança nem na policia, nem na política, nem em canto algum. O problema tem que ser combatido na origem.

Se pudesse instituir uma lei, qual lei instituiria para ser cumprida rigorosamente?
O cumprimento da lei. A lei que rege o país, que é a Constituição Federal; a lei que rege os direitos, que é a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que deveriam ser respeitados ao pé da letra. Principalmente o artigo 6° da Constituição, que diz que você tem direito à educação, à saúde, à segurança, à moradia, à vida. A lei já existe. Ela só tem que ser cumprida. Nosso povo é acomodado e não exige o cumprimento das leis.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Pirataria em dois lados

Um bonde de jovens repórteres foram descobrir porque a pirataria gera tanta polêmica.

Por Amanda dos Santos, Flávia Sá, Isabel Nascimento, Jeyce Cristine

Imagens - Felipe Rodrigo

Na Rua Arruda Negreiro sem número está situada a locadora I.V.L. Flávia Bianca, 22 anos, diz que seus pais montaram a locadora para obter um ganho extra sem precisar sair de casa. Na época, ela e seu irmão eram pequenos e sua mãe, de 54 anos, não podia deixá-los sozinhos para trabalhar fora. Foi assim que seus pais resolveram montar uma locadora em cima da própria casa. Dois anos depois da abertura, o casal resolveu aumentar a locadora e se mudaram para onde eles se encontram agora. Isso já faz 15 anos.

Quando são lançados, os DVDs são muito caros, chegando a custar 50 reais no mínimo. Se eles comprarem, não terão como alugar, porque, com o preço elevado, ninguém aluga. Sendo assim, perde-se dinheiro. Por isso, eles têm que esperar mais ou menos dois meses para que a fita fique mais barata.

Sabemos também da grande polêmica causada pela pirataria. Quem não se lembra do "lançamento" do DVD Tropa de Elite? O filme sequer tinha estreado e já estava nas bancas dos camelôs. Os produtores do filme tiveram grande prejuízo, sendo obrigados a fazer algumas modificações no filme antes que ele fosse para as telas de cinema.

A pirataria é uma questão a ser repensada, pois facilita o acesso da população menos favorecida à "cultura" e ao entretenimento, mas muitos são prejudicados com essa ilegalidade. O artista que produz tem custos e seu trabalho é copiado sem o mínino de qualidade. Ele não vê o retorno desse dinheiro que por direito deveria ser seu. Rejane Gama, advogada, casada, mãe de duas filhas, é totalmente contra a pirataria e acrescenta:

- É um crime de receptação. Comprando, vou alimentar a indústria do crime, o trabalho informal e gerar prejuízo aos produtores e artistas. Sou a favor de que os DVDs originais sejam mais baratos e acessíveis. Mas com certeza a pirataria não é a solução.

Ela acrescentou ainda que um amigo proprietário de locadora se viu obrigado a vender outros produtos dentro de seu estabelecimento, devido à queda no aluguel de DVDs.

Os clientes que mais freqüentam a I.V.L são os que têm cerca de 7 anos de ficha. Porém, os clientes mais novos são os que mais alugam lançamentos. A locadora tem uma vantagem: estar perto dos comércios.

- As pessoas que compram pão e leite aproveitam para alugar um DVD, garantindo a diversão do fim de semana – explica Flávia.

Para ela, o que realmente fez o movimento das vendas cair foi a “epidemia” da TV a cabo. Essa competição fez muita gente abandonar a locadora.

- Fomos obrigados a botar preço promocional para ganhar um trocadinho e tirar alguma coisa que muito mal dava para comprar ‘o pão’. No final do mês, não dava nem para comprar outros lançamentos e nem tirar algum para pagar o aluguel - conta Flávia, que, pelo fato de seus pais serem senhores de idade, já não podem trabalhar mais.

Por essas e outras que ela e seu irmão vão seguir rumos diferentes.

O outro lado da história

Por Daniela dos Santos Vieira

Entrevistei a vendedora Elaine Cristina, 22 anos. Ela acabara de contratar o serviço de “gato-net” (veiculação pirata de TV fechada).

Porque você assinou o gato-net?

Assinei o "gato-net" pelo meu filho que tem 9 anos e ama ver filmes. Sei que não é certo, mas é proveitoso para algumas pessoas.

Por que você não aluga os filmes?

Porque o dinheiro não dá para toda semana estar alugando os filmes, pois o tempo de aluguel é pouco e o "gato-net" é mais prático (afinal está dentro da minha casa).

O que mudou em sua vida?

Mudou bastante, pois passei a estar mais tempo com o meu filho. E passei a ser mais atualizada com os telejornais que tenho oportunidade de assistir no "gato-net".

Você descarta a locadora?

Não descarto, não. Sempre quando dá eu vou a uma locadora e pego alguns filmes que não tive oportunidade de ver. A locadora também é uma bela opção. Sempre vou ter a locadora como opção.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Desbravador do Cinema brasileiro marca presença no iguaCine

“O que eu espero já ocorreu, ou seja, esse Festival colocou Nova Iguaçu no universo cinematográfico”. Sérgio Sanz

Por Flávia Ferreira
Fotos - Wallace Dutra e imagens da internet


Ele está na pequena área desde 1958. Foi assistente de direção de Ruy Guerra, Saraceni, Fernando Coni Campos e Flávio Tambellini, o pai. João Sergio Barreto Leite Sanz já exerceu várias funções dentro da 7° arte. Foi assistente, montador, fotógrafo, diretor. Tudo isso exercendo também a função de educador, a qual poucos se aventuram a entrar.

A história e as tradições populares sempre estiveram na linha de mira de Sanz. No longa Soldado de Deus, ele fez uma revisão crítica do integralismo no Brasil e já em seu último longa, Devoção, retoma o tema de um curta seu de 1995: 'Antônio de Todos os Santos'. Este filme fala sobre os paralelos sincréticos entre Santo Antônio e Ogum. O documentário de Sanz teve sua primeira exibição ontem, 24 de Abril, no 1° Iguacine - Festival de Cinema de Nova Iguaçu.

A próxima investida deste desbravador do cinema será o documentário Tambores de São Luís, que será rodado no Maranhão. Aproveitando a presença de Sérgio Sanz no festival, conversamos um pouco sobre sua vida, sua carreira e sobre o festival. Confira abaixo como foi.

Você é viajado na carreira educacional, mas qual a importância de se ensinar arte atualmente?
Tanto o teatro quanto o cinema são formas de arte sensacionais. Eu chamo de cinema toda a imagem que tem movimento, porque se não tiver será fotografia.


No cinema, você consegue se expressar sem necessariamente estar ligado a uma indústria. Você pode pegar uma câmera e sair para fazer um filme com mais um amigo, que pode ser uma obra extraordinária, ou qualquer outra coisa que queira.

O aumento de TVs comunitárias faz com que o cinema, neste século, venha com mais força. Estas TVs ajudam a difundir a comunicação cinematográfica pelo país, e acho que com a vinda do digital, a democratização da informação vai chegar.

O que você trouxe dessa carreira como educador para sua carreira como cineasta?
Basta ver algum de meus filmes para perceber que no fundo, ou talvez no raso, tem muito de pesquisa, e isso é uma coisa originária do ensino, de estudar.

Em 2004, já após consideráveis anos no ensino, você gravou o documentário Soldados de Deus. E em 2005 decidiu se dedicar as gravações de longas e documentários. Como aconteceu esta transição?
Eu nunca parei de filmar em minha vida. Mesmo no exílio continuei filmando. Meu primeiro filme foi em 1963 e era extremamente jovem. Foi um documentário premiado na Alemanha.


Como surgiu a história do filme “Devoção”?
O brasileiro é este filme. Ele é devoto, tem fé e acredita. Então, a partir daí, resolvi fazer um filme sobre as pessoas que acreditam nisso.

Escolhi o Candomblé e a igreja católica porque são as religiões mães. Do candomblé saem várias coisas, inclusive a umbanda. E da Igreja católica retiram-se todas as outras religiões cristãs, como a Batista e a Protestante, que surgiu quando Lutero rompeu com a igreja católica. Elas são as duas religiões mães

A única religião que deixei de fora foi o judaísmo, que não tem grande influência no Brasil, comparada com a da cultura européia e da cultura negra.

Neste filme, você mostra Santo Antônio como um santo guerreiro. Porém, normalmente, ele é visto como um santo casamenteiro. Onde descobriu esse novo conceito de Santo Antônio, que pode ser visto como uma profanação para seus seguidores?
Santo Antônio é tudo como tento mostrar no filme. Ele não é guerreiro pelo fato de nunca ter guerreado. O fato é que ele foi extremamente culto, ele criou inúmeras bibliotecas, das quais surgiram os conventos.

E a história do sincretismo se dá porque cada lugar acha que o santo é uma coisa. No Rio de Janeiro, Oxóssi é Santo Antônio e São Jorge, e Ogum também é São Jorge e Santo Antônio. Já na Bahia e no Maranhão, só Ogum é Santo Antonio.

Existe, aqui no Brasil, uma mistura cultural muito grande. Eu escolhi Santo Antônio por ser o santo de maior devoção nos países de língua portuguesa. Existem algumas regiões do Brasil em que o convento de Santo Antônio recebe soldo, como se ainda fosse do exército, ou como se o Santo estivesse vivo. Uma vez li em uma matéria que existe uma cidade na Bahia que dá a Santo Antônio soldo de vereador. É uma coisa muito louca. Como um santo que morreu há quase 800 anos pode receber um soldo como se estivesse vivo? Isso sim é devoção.

A religião afro-brasileira sempre foi vista como um drible que os negros deram nos padres brancos, mas parece que seu filme quer mostrar que na verdade foram os padres brancos que ludibriaram os escravos, aproximando-os dos santos portugueses e afastando-os dos orixás dos seus ancestrais. É isso?
É verdade. Tanto que, em um dos takes do filme, é dito que os portugueses perguntavam aos negros: “Você quer ficar vivo ou ser católico?" Os que não queriam, eram mortos. Na realidade, eles foram convertidos à força, não por ficarem convencidos que a igreja católica era melhor que o candomblé. Os escravos não tinham direito a nada!

Como você vê as novas formas cinematográficas que surgem com a popularização da internet?
Isso é quase imprevisível. Mas acho que virá muita coisa nova por aí. Não pela internet, mas por conta das TVs digitais. A internet tem uma imagem muito pequena e a TV gera muito mais importância, pois chega mais fortemente na casa das pessoas.

Sobre a homenagem prestada a você na abertura oficial do festival. Como foi seu sentimento quando subiu no palco e recebeu o prêmio?
Fiquei, assim como foi visto, muito gratificado e muito emocionado com tudo que foi dito.

Com quais olhos enxerga a produção cinematográfica em e de Nova Iguaçu?
Com bons olhos. Espero que continue acontecendo, crescendo e que venha a mudar algumas coisas no cinema; que apresente coisas interessantes. Tenho muita confiança nas periferias. Baden Powell foi um dos maiores compositores brasileiros e não saiu do Leblon, e sim da periferia. Confio e acredito nas produções que podem sair daqui.

Você acha que a Escola Livre de Cinema pode viabilizar essas produções?
Acredito que é o caminho.

O que você espera que ocorra nesse festival?
O que eu espero já ocorreu, ou seja, esse Festival colocou Nova Iguaçu no universo cinematográfico. Tem gente de vários estados inscritos neste festival. Hoje, Nova Iguaçu, graças a esse festival, existe no mundo cinematográfico. Agora só falta vocês aprimorarem os estilos.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

O quitandeiro que ama o cinema

Curador do Iguacine revela os critérios de seleção do festival

Por Aninha Paiva
Imagens - Daniella Vieira e Aline Maciel

Rodrigo Fernandes da Fonseca devia ter sido quitandeiro, como os pais portugueses, que o criaram no Morro do Adeus. Mas os golpes de Rocky, um lutador, tiveram o poder de mudar a sua trajetória. É por causa do filme que catapultou Silvester Stallone para a fama que ele hoje é o crítico de cinema do jornal O globo e um dos quatro curadores do Iguacine – os outros foram os jornalistas Marco Antônio Barbosa e Mariana Filgueiras e o antropólogo Emílio Domingos.
Nossos repórteres caíram de pára-quedas na redação de O globo, sentindo-se tão estranhos quanto ele no período em que freqüentou o curso de produção editorial da UFRJ, na Praia Vermelha. A diferença é que Rodrigo Fonseca é gente como a gente e, ao contrário dos mauricinhos com que conviveu nos tempos de faculdade, logo deixou a nossa equipe à vontade.

Qual a importância do Iguacine?
O Iguacine é um espaço de troca e de afirmação de um movimento que se estabeleceu em Nova Iguaçu para criar um espaço de produção e discussão do cinema. A idéia é que a gente aborde e integre o maior número possível de jovens realizadores e jovens estudantes de cinema para que construam uma produção e principalmente ampliem os limites da Escola Livre de Cinema, que tem sido um espaço de discussão teórica mas de produção prática também.

Qual o critério de seleção dos filmes?
Você percebe a qualidade de um filme quando ele consegue comunicar a sua proposta, quando você entende o que ele quer dizer. Se no fim do filme o cara consegue se manter fiel a isso, seja te surpreendendo, seja simplesmente executando a proposta até o fim, ele tem qualidade. A questão é fazer uma análise comparativa, passando uma peneira nos filmes que preencherem esses requisitos.


No Iguacine, a gente teve uma grande mistura dos critérios da curadoria. A idéia da curadoria era promover um equilíbrio entre os filmes que têm uma experimentação de linguagem, que proponha algo novo, e os filmes que conseguem manter uma comunicação com a platéia, seja pela chave do riso, seja pela chave do melodrama ou pelo suspense imediato.

Faria alguma diferença na sua vida se tivesse um festival desses lá em Bonsucesso?
Faria uma enorme diferença na minha vida se tivesse um festival desses onde eu nasci, onde não tem cinema há quase quarenta anos. Minha vida teria sido muito melhor, pois teria alugado ou comprado menos filmes. A minha mãe também não ficaria tão preocupada nas vezes que sumi para ir ao cinema.

Como é que o filho de um quitandeiro do Morro do Adeus se torna um dos principais críticos de cinema do Rio de Janeiro?
Eu me tornei um crítico de cinema porque deus existe, porque fiz macumba, sei lá mais o quê. A competitividade hoje, seja a área que for, é muito grande e muito árdua. Na minha época, as pessoas da Zona Sul, além de todas as facilidades de uma vida de classe média, tiveram mil cursos que minha geração não teve. Não era só uma questão de dinheiro. Não havia curso de fotografia em Bonsucesso. Hoje, vocês têm e devem aproveitar isso.
Meu professor de literatura da Penha dizia uma frase que jamais esqueci: “a cultura nunca vêm atrás de você.” A cultura é a forma de saber mais excludente que existe. Você tem que conquistá-la. Você tem que ir atrás dela. Ela não é como o esporte. Se Deus ajudar, se você tiver algum talento, você pode virar um Pelé se comprar uma bola dente de leite no armarinho. Cultura não é assim. Você tem que correr atrás. Tem que estudar. No caso do cinema, tem o processo de renovação contínua, onde hoje uma nova cinematografia é revelada quase que semanalmente.

Até que ponto a subjetividade de um suburbano influenciou no seu gosto cinematográfico?
O peso da nossa formação, do lugar de que a gente vem, sempre vai influenciar nas nossas escolhas. Mas isso vai ser inconsciente. Você só percebe depois, ao refletir sobre os filmes que viu, aquilo que você gostou. Quando vou ver um filme, eu não vou ver a fotografia tal. Eu me abro completamente. Se o cara consegue me prender e aquilo fica dentro de mim, o que eu vou avaliar é o que ficou dentro de mim. Aí eu vou chegar a um consenso.

Qual o legado do Iguacine?
O Iguacine é um espaço de troca onde os estudantes terão acesso a essa mescla de linguagens. A gente está tentando criar um cinema de linguagem num lugar em que o cinema ainda é um sonho.que está se tornando uma realidade. A idéia é a gente potencializar isso.

Impressões de viagem

Blogueira mostra bastidores das entrevistas com crítico de cinema Rodrigo Fonseca e com cineasta Sérgio Sanz.
Por Aline Maciel

Imagens - Danilla Vieira

Foi uma experiência bem legal para mim e meus companheiros Aninha Paiva, Daniella e Jason, esse trajeto até o Rio. Estávamos indo fazer duas reportagens para o blog.

Saímos da agência e fomos ao posto de gasolina da Prefeitura para abastecer o carro. De lá pegamos a via Dultra em direção ao jornal O Globo, no Centro do Rio de Janeiro. Estávamos um pouco apreensivos, pois era a primeira vez que sairíamos da Baixada para entrevistar alguém e ainda não sabíamos ao certo como agir.

Nós entrevistaríamos o crítico de cinema Rodrigo Fonseca e o cineasta Sérgio Sanz, que será homenageado no Iguacine. As duas entrevistas foram maravilhosas. Rodrigo Fonseca nos contou coisas interessantes sobre sua vida, seu trabalho e o Iguacine, do qual foi um dos curadores. Ele nos recebeu muito bem redação do jornal.

Vimos muitas coisas legais no nosso trajeto da agência até lá. O trabalho terminou funcionando com um passeio turístico para nós, pois era a primeira vez que saíamos juntos para uma matéria fora de Nova Iguaçu. Quase tudo era novidade para nós.

Fomos pela Linha Vermelha. O dia estava lindo e o trânsito fluía normalmente. Para diminuir a tensão, observamos a paisagem. Eram pequenas coisas que na maioria das vezes não percebemos nem damos valor. Um avião decolou no aeroporto bem na hora que estávamos passando, os raios de sol brilhavam nas águas do Piscinão de Ramos, imensa favela da Maré em sua grande extensão.

Sabíamos que o jornal ficava perto do sambódromo, mas nos perdemos quando achamos que já estávamos chegando. Só conseguimos achar o caminho para o jornal O Globo quando paramos para pedir informação.

Depois da conversa com Rodrigo Fonseca, seguimos em direção a Santa Teresa, onde seria a próxima entrevista. Foi um “passeio” bem interessante, pois ninguém da equipe havia ido a Santa Teresa.

Como fui no banco da frente, pude eternizar esse momento com algumas fotos do local. Vários turistas passeando pelas ruas, trabalhadores fazendo reparos nos trilhos do bondinho, aqueles morros enormes e com tantas histórias para contar...

A casa do nosso entrevistado fica bem no topo e ao lado de um mirante maravilhoso, de onde tínhamos a vista de uma parte bem legal do Rio de Janeiro e assistimos a um pôr do sol espetacular, uma coisa linda, digna de uma pintura. Mas como infelizmente isso não seria possível naquele momento, o jeito foi eu registrar o momento com uma bela foto.

A volta para casa foi bem legal. Estávamos todos mais relaxados, com a sensação de dever cumprido. Já tínhamos feito amizade com Rafael, o nosso motorista, e a conversa correu solta em todo o trajeto de volta. Nem mesmo o cansaço e o tremendo engarrafamento provocado por um cano quebrado na Avenida Presidente Vargas conseguiu acabar com nossa alegria. Eram quase dez da noite quando chegamos em casa e levamos uma bronca de nossos pais. Mas foi muito bom. Valeu a pena.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Solidão com milhares de acessos

"Fiz a maioria dos meus filmes praticamente sozinho. Mesmo sendo até criticado por isto". (Christian Caselli)

por Flávia Ferreira

Uma das grandes novidades do Iguacine será a mostra Filme de um homem só. Essa mostra é o espaço por excelência para o cinema da era digital, cuja mídia principal é o YouTube.Um dos nomes mais badalados desta mostra é o cineasta Christian Caselli, cuja obra está disponibilizada no YouTube. Pelos menos dois dos seus filmes já ultrapassaram a marca de cem mil acessos. O paradoxo da espera no ônibus, contabiliza ele, já teve 265 mil hits.Também fez muito sucesso com “Cinco poemas concretos”, no qual usou a sinergia entre a poesia e as artes plásticas da geração de vanguarda que criou novos paradigmas para a arte brasileira, no fim da década de 1950. Este filme teve nada menos que 160 mil acessos.Como ele é uma das estrelas do universo virtual, mandamos as perguntas por e-mail. É óbvio que esteve cineasta ligado estava on-line.

Como funciona o cinema alternativo ou experimental?
Sei lá, a parada não é como uma máquina ou algo assim. Você tem que ter um mínimo de equipamentos disponíveis e ter o desprendimento de se libertar, talvez. Assim, cada caso é um caso. Uma pessoa muito presa a convenções ou que só pensa em ganhar dinheiro jamais vai conseguir fazer um filme assim; a não ser que ele seja um péssimo cineasta e o filme seja incompreensível (risos).
Cinema experimental não necessariamente quer dizer filme barato. Longas como Chapaqqua e A Montanha Sagrada são extremamente loucos e bem caros. Já definir alternativo no Brasil é estranho, pois basta não ter dinheiro de isenção fiscal que é meio caminho andado para ser isto, pelo menos em termos de meios de produção. Ou seja, somos a maioria. Mas o negócio é ser o menos careta possível, embora com autocrítica sempre. Ser "doidão" não é sinônimo de qualidade ou mesmo de "experimental", que até mesmo esse gênero tem seus estereótipos.

Como é atingir mais de 160 mil pessoas no Youtube com um curta-metragem feito a custo zero?
Maravilhoso! E, na verdade, O paradoxo da espera do ônibus já tem mais de 265 mil acessos! Sem dúvida, é uma luz no fim do túnel; você nota que a humanidade não é tão idiota quanto você pensa (quer dizer, é um pouco sim), no sentido que nem todos estão viciados num padrão global/hollywoodiano (que é a mesma merda) que nos impõem. E não é só um filme barato; é também um desenho desanimado que não acontece nada. E todos se identificam com a parada. Ou seja, nem tudo está perdido.


O Youtube pode ser uma forma de democratizar o acesso ao cinema e de criar novos cineastas?
Acho um grande barato, mas não podemos ficar deslumbrados com o que está acontecendo. Afinal, o Youtube é da Google, neguim multimilionário. Mas também não podemos demonizá-los. Na verdade, eles são frutos de um tipo de capitalismo tão novo que ninguém está tendo muito domínio do que vai acontecer; nem eles devem saber. Mas eles são frutos da era digital e do download; ou seja, pensam de outra forma. Quem sabe, eles realmente deram start numa nova coisa? Bom, o negócio é aproveitar isso a nosso favor, como eu fiz com O paradoxo. Sem dúvida, eu cresci muito profissionalmente depois da aceitação que ele teve. E sim, é um ótimo espaço de discussão para os novos cineastas, porque dá a cara a tapa e busca uma nova linguagem.

A blockbuster digital indica um novo ciclo de reviravoltas na produção e difusão cinematográfica?
Tomara, mas ainda não é algo bem resolvido no sentido comercial. A merda é que todos os artistas, por mais revolucionários e de esquerda que sejam, sempre esbarram na contradição do ter que sobreviver. Nisso, a difusão pela internet, por exemplo, é muito interessante para transmitir idéias, mas não garante que se viva disso e que, conseqüentemente, se crie constantemente.

Quanto ao que acontece comercialmente em salas de cinema, as pessoas ainda estão muito viciadas no longa "esquemão", com historinha e feito em película. Nesse sentido, a produção digital pode marcar uma diferença, mas acredito que seria necessário uma reformulação mais generalizada, tanto na forma e conteúdo dos filmes quanto na maneira de assisti-los. O curta pode ser uma boa opção, já que é mais dinâmico e tem mais a ver com estes tempos corridos. Estamos caminhando para isso, mas, como disse, tudo é muito novo ainda.

O cinema sempre foi considerado arte de massa. Agora, temos filmes produzidos em oficinas de vídeo em favelas do Rio, downloads desenfreados de filmes industriais e exibição digital. Você acha que o cinema finalmente se tornou "popular"?
De certa forma, pois é meio utópico achar que isso está acontecendo de fato. É claro, tem o lado bom da massa agora estar fazendo filmes. Estamos com a faca e o queijo na mão, ou melhor, literalmente, com a câmera na mão e a idéia na cabeça. Mas ainda é muito forte a dominação de uma Globo na cabeça das pessoas (é só notar como uma porcaria como o BBB pode fazer tanto sucesso), assim como os filmes americanos.

Neste ponto, o cinemão sofre menos com o download se comparar com a música, pois ainda existe o ritual de se ir ao cinema, comprar pipoca, pegar mulherzinha, etc. O problema é que fazer filmes simplesmente não basta; temos que pensar numa maneira igualmente inédita em exibi-los. Talvez a TV digital nos dê melhor estas respostas.

O que, com a evolução do mundo, atingiu o cinema? Você acha que a simplicidade está sendo procurada?
Não, não diria isto... O assunto é complexo, pois desde George Lucas ao pessoal do Dogma 95 (e os realizadores que estão do Youtube) defendem o digital. Se por um lado todos querem "se ver mais", como é o caso de O Paradoxo (...), também querem ver os efeitos cada vez mais pirotécnicos do Homem-Aranha. Mas acho que existe um fluxo maior de informações no cotidiano e isto, por mais opressivo que seja, é interessante para se pensar em assuntos nunca antes pensados. Por exemplo, você não precisa mais explicar como é um navio para alguém que mora no interior, como eram os livros do século XIX. Nisto, as informações audiovisuais vão muito mais direto ao ponto. E cada vez mais se filma e se difunde o que se filma. Então o mundo ajuda o cinema e o cinema ajuda o mundo. Porém, é bom lembrar que a palavra "evolução" é sempre contestada. E atingir a simplicidade é algo complexo. Ou seja, é todo um paradoxo (risos).

Como foi criado o curta "Cinco poemas concretos"?
Muita gente hoje em dia não conhece, mas o concretismo foi um movimento de vanguarda dos anos 50 que, grosso modo, unia a poesia com a arte gráfica. Devido a essa união, eu sempre notei um aspecto cinético na grande maioria deles. Então eu selecionei os cinco que lá estão - que são "Cinco" (de José Lino Grunewald, 1964), "Velocidade" (de Ronald Azeredo, 1957), "Cidade" (de Augusto de Campos, 1963), "Pêndulo" (de E.M. de Melo e Castro, 1961/62) e "O Organismo" (de Décio Pignatari, 1960) - e pus a mão na massa. É claro que teve todo um trabalho de adaptação e experimentação. Ao contrário do que me perguntam, fiz tudo no Adobe Premiere e não usei o After FX. Na verdade, não tenho muito saco para o After.

Você participará da mostra 'Filmes de um Homem Só', no IguaCine, com o "Cinco Poemas Concretos". O que espera desse festival em nova Iguaçu?
Há um tempo que acompanho o que está acontecendo em termos audiovisuais em Nova Iguaçu e tenho achado ótimo. Algo supersaudável e exemplar, eu diria, e que merece bastantes elogios. Isto é muito bacana, pois não só capacita pessoas que precisam ampliar seu leque para o mercado de trabalho (não gosto deste termo, mas é a velha questão da sobrevivência), como aumenta a auto-estima de um local pouco lembrado. Eu, aqui do Rio, ainda acho que a Baixada é estigmatizada como terra de ninguém, o que é bem lamentável e sei que não é assim. O festival me parece uma inevitável conseqüência. Parabéns!

Quanto à coisa da mostra "Filme de um homem só", acho muito bom e me identifico muito. Fiz a maioria dos meus filmes praticamente sozinho, mesmo sendo até criticado por isto!!!! (Falta do que fazer...) E acho que esse fazer-sozinho é a cara do que está acontecendo agora, com a era digital. E está muito mais para a democracia do que pra um individualismo, em que você diz o que bem entende e como bem entende. E sem explorar ninguém, pois eu nunca tenho dinheiro pra pagar as pessoas! A única coisa que eu lamento é que tenho dois filmes que são bem isso, mas que não pude inscrever pois, eles são de 2004: o AUTOMUSIC e o AUTOCONHECIMENTO, que estão na minha conta do Youtube)

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Viagem a outro mundo!

Uma reportagem entre Nova Iguaçu e o Rio de Janeiro
Por Bruno Marinho
Imagens - Felipe Rodrigo e Bruno Marinho
A primeira visão da av. Rio Branco foi uma "selva de pedra e aço". Eram 11h30 quando chegamos à altura do nº 135 e já estava uma confusão. Pessoas e carros pareciam estar em sintonia com suas buzinas, falatórios e anúncios.

O sinal abria e dezenas de pessoas iam e vinham, atravessando a faixa branca no chão. O sinal fechava e agora eram as rodas de carros, ônibus e motocicletas que seguiam em frente. Pra onde aquele mundo de gente ia?

Vimos também um contraste entre os casarões antigos e lugares históricos como a Igreja da Candelária e o Teatro Municipal, com os principais escritórios e bancos nacionais em prédios enormes e luxuosos.

Um universo um pouco diferente do calçadão de Nova Iguaçu, no Centro do Rio nós encontramos desde o trabalhador da construção civil ao alto executivo de uma empresa, todos andando apressados e sem tempo para reparar na dinâmica da cidade.

Porém aqui, em Nova Iguaçu, vemos pessoas de classe média e baixa vestindo roupas populares e de chinelo, conversando e fazendo compras, mas uma coisa não muda mesmo a quilômetros de distância. Na rua sempre tem um dito-cujo distribuindo o mesmo papelzinho, dizendo: "Compro ouro", "Dinheiro rápido".
Entramos no prédio e seguimos para a sala do UNICEF a procura do Jacques Schwarzstein, assistente de produção do filme Crueldade Mortal rodado em Nova Iguaçu, no bairro de Morro Agudo, atual Comendador Soares. O filme conta a história de um assassinato bárbaro ocorrido na década de 70, onde um homem idoso com problemas mentais vê uma mulher banhando-se nua no quintal da casa dela. , que ao perceber o "assédio" ela o acusa, e ele morre linchado pelos moradores locais. Nessa entrevista ele relatou todo o processo do filme além de curiosidades entre os atores e problemas de gravação.

Saimos do prédio na hora do almoço, e a rua parecia que estava ainda mais cheia e mais barulhenta. E com essa imagem de pessoas e carros e lojas e prédios e mais pessoas que nos despedimos do Centro do Rio e voltamos ao nosso "mundo iguaçuano". Comparado ao Rio, é uma tranqüilidade.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ateliê usa sucata para educar

O Ateliê Arte e Vida utiliza a reciclagem como fonte de desenvolvimento comunitário.

Por Flávia Ferreira
Imagem- Evan de Paula

O Ateliê Arte e Vida funciona, desde Dezembro de 2007, no bairro de Jardim Alvorada, reaproveitando as sucatas doadas pela comunidade para confeccionar obras de arte. Os artesanatos são vendidos na própria confecção e o dinheiro arrecadado também serve para comprar materiais que não são reaproveitaveis. Neste processo, utilizam jornais, madeira, vidro, alimentos, pedra, enfeites e vários outros.

Atualmente, o tema abordado é o carnaval como resgate de uma cultura. Duas voluntárias, Vanderleia e Isabel, ajudam dando as oficinas de confecção de mascaras, as quais serão utilizadas, no dia 2 de Fevereiro, para um baile de Carnaval organizado pelo ateliê. Uma das idealizadoras do projeto, Mariângela Berrot, funcionária pública, concedeu uma entrevista ao Jovem Repórter para explicar mais sobre esse ponto cultural.

Como começou esse espaço?
- Eu e minha avó fomos a 'cabeça' de tudo isso, começamos na varanda da casa dela depois fomos para um local desocupado, voltamos para a varanda e agora estamos nessa espaço.

Como vê esse ateliê na vida das pessoas?
- Temos aqui muitos idosos que perderam seus cônjuges ou tiveram problemas sérios em suas vidas, eles utilizam esse espaço como uma terapia. Sabemos que para eles essa atividade ajuda a esquecer seus problemas. Além de desenvolver socialmente, não somente eles, mas todos envolvidos no processo.

Para você qual o significado de Arte?
- A arte é o melhor caminho para que as pessoas absorvam os ensinamentos, pois ela permeia melhor por nossas veias. Desperta nossa individualidade e expressão criativa


Qual o seu maior sonho?
- Nosso desejo é que cresça e que vá para o bairro todo, trabalhar com educação e saúde, trazer as pessoas para cá e poder falar sobre sexualidade, drogas,

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Aniversário ferve Nova Iguaçu

Mc agita os 175 anos do município em Comendador Soares

Por Flávia Ferreira
Imagem- Eliane Mélo/PMNI

O Mc Buchecha marcou presença nesta quarta feira, dia 16 de janeiro, para comemorar os 175 anos da cidade de Nova Iguaçu. O cantor ferveu Comendador Soares com seu ritmo eletrizante e seu funk implacável. Desde seu ingresso no universo do funk Melody, Buchecha vem evoluindo cada vez mais, tendo entre suas conquistas os hits interpretados por Paula Toller e Adriana Calcanhoto, além de parcerias fechadas com Lulu Santos, Mc Sabrina, Mc Marcinho, entre outros.

A abertura do show foi feita pela Banda Geral, um grupo formado no bairro Esplanada, que agitou o público enquanto Buchecha não chegava. Também esteve presente o prefeito Lindberg Farias, que discursou minutos antes da apresentação do Mc.

A felicidade era visível nos olhos das fãs, que pareciam não acreditar no que estava acontecendo e, dentre elas, estava Tania Reis, deficiente física e fã desde criança do cantor.

-parece que estou sonhando, nunca imaginei poder vê-lo de pertinho, valeu toda a dificuldade que passei por ser cadeirante, porque só em estar perto dele já tenho forças para voltar para casa- disse a fã emocionada.

Não é a primeira vez que Buchecha vem ao município, ele já havia feito vários shows aqui, principalmente em Austin. Segundo ele, é sempre uma honra estar de volta, pois o povo sempre o recebe de braços abertos. Contou também, que mesmo com o falecimento do Mc Claudinho, seu parceiro na dupla, o público sempre o acolheu. Claudinho revelou que já se sente parte da cidade.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Do Méier para o MUNDO

Dj Marlboro agita a festa de encerramento do Projeto Juventude Cidadã

Por Brenno Stock
Fernando Luiz Mattos da Matta, popularmente conhecido como DJ Marlboro, é o pai do funk carioca. Além de Dj, também é escritor nas horas vagas e produtor fonográfico. O funk que antes era coisa de "preto e favelado", vem animando festas de elite hoje em dia.

Numa entrevista exclusiva ao JOVEM REPÓRTER, ele nos mostra que o sucesso de 24 anos de carreira não subiu à cabeça. Malboro falou da sua empreitada internacional e como a mídia tem repercutido o funk e seu trabalho. Antenado, o dj vem dominando as rádios e várias ferramentas da internet como o MYSPACE, FOTOLOG, LAST.FM e comunidades do orkut. O DJ tocou na festa de encerramento do Projeto Juventude Cidadã promovido pela Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu. A festa? Bombou, é claro!

Jovem Reporter: Quando começou sua ligação com o funk?
Marlboro:
Comecei em 77, sou DJ há 30 anos, faço baile e toco funk. Eu sempre toquei Black Music, sempre toquei música negra. A Tendência na época era até mesmo internacional. O funk nacional não existia naquela época, só o internacional. E em 88, o Hermano Vianna fez a uma tese de mestrado que acabou virando um livro chamado “O Baile Funk Carioca”, daí eu ganhei uma bateria eletrônica e eu mesmo comecei a fazer as letras de funk, a formular as músicas e inventar os artistas, meu primeiro show foi em 89.

JR: E o que mudou de lá pra cá?
M: O funk ganhou cada vez mais originalidade, mais autenticidade, cada vez mais ficou desligado da coisa da origem internacional e ficou mais nacionalista, misturado com forró, com pagode e com axé. Cada vez mais ficou como uma coisa brasileira.

JR: E por que o funk carioca é tão original?
M: Porque o funk que se faz no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, não se faz em nenhum outro lugar do mundo. Essa originalidade se dá em virtude da galera, dos DJ’s dos MC’s. Há um tempo atrás era discriminado, as pessoas não davam nem um “alô” e até chamavam a música de marginal e desclassificada - até porque o funk é representado por uma população carente, que já era marginalizada. Hoje o funk dominou o mundo inteiro: Japão, Estados Unidos, Europa. Antes as pessoas falavam assim:
- Caramba! E a gente pensou que não ia chegar em lugar nenhum.
Agora está aí, conquistando o mundo.

JR: Como a mídia vem mostrando o funk?
M: De todas as formas. Graças a Deus parou a perseguição, de que tudo de ruim que acontecia na cidade era culpa do funk.
- Houve um arrastão ali.
- A culpa é do funk.
- Quebra-quebra não sei aonde.
- A culpa é do funk.
Quer dizer, pararam com isso, mas ainda continua com a discriminação de alguma forma. De algum otário, de alguma autoridade que não conhece o funk e que fica perseguindo, proibindo ou coibindo o funk.

JR: Depois de produzir a cantora M.I.A., do Sri Lanka, você está produzindo algum outro artista internacional?
M: Eles estão sempre se apropriando do funk. Tem vários artistas internacionais que estão pegando a batida do funk e fazendo produção, pegando as coisas daqui e começando a fundir com outras. Fico muito feliz por hoje estar sendo copiado por artistas internacionais, eu não imaginava que isso pudesse acontecer. Imaginava que o funk fosse conquistar seu espaço, o respeito da mídia e da população, e eu não ia ver isso. Imaginei que isso só fosse acontecer quando eu já estivesse morto ou aposentado, bem velhinho. Mas graças a Deus vi isso em vida.

JR: Quais são os novos nomes do funk para 2008?
M: Tem muita gente, tem o Jamay, Vinny e Will, Mayara, tem vários . O funk é um grande caldeirão de novidades.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Da-lhe altitude!

Voar não é tão fácil como parece

Flávia Ferreira

Na Serra do Vulcão, também conhecida como Serra de Madureira, existem várias trilhas que atraem adeptos de esportes radicais. Há duas rampas para a prática de parapente e asa delta localizadas a 600m de altura, onde se pode chegar de carro ou gaiola – carro de madeira que utiliza motor de fusca. Para chegar até a rampa basta usar o acesso em frente à Universidade Iguaçu (UNIG) ou ao lado da fábrica de cosméticos Embeleze.

Foi por esse caminho que subimos, a pé, até a rampa de salto. Lá do alto é possível ter uma vista panorâmica da cidade e de vários outros pontos do Rio, como o Cristo redentor, Serra de tinguá, a praia da Barra e parte de Campo Grande. Abaixo, segue a entrevista que fizemos nas alturas com o instrutor de vôo livre Damião.


Há quanto tempo trabalha no esporte? Ele é muito praticado?
Trabalho há dois anos. É muito. Mas a melhor época para o vôo é o verão.

A Serra do Vulcão é um bom ponto para vôo?
Sim. Tem quadrante norte, o que proporciona uma excelente decolagem.

Quais as maiores dificuldades em um vôo?
Vento, o medo de decolar, falta e treino.

Quais os pontos turísticos daqui?
As trilhas, as matas, as rampas, o monte céu aberto, a cara do leão, entre outros.

Você indica os jovens a praticarem?
A prática é boa, a questão é respeitar o vento e saber quando decolar.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Fernanda Abreu com exclusividade!

“O artista não tem o papel de formar ou transformar como os políticos.”
Flavia Ferreira e Camila Elen

Na semana passada, demos em nosso blog a dica do show da cantora Fernanda Abreu, que rolou no SESC de N.I. Nossa equipe aproveitou e foi conferir. Fernanda cantou as músicas do álbum MTV ao vivo, que balançaram a galera. Mesmo após 25 anos de estrada, ela não perde o pique e o entusiasmo. Dê uma olhadinha na entrevista que ela nos concedeu.

Como é ser Fernanda Abreu?
É fácil. Assim como qualquer outra pessoa, eu tenho responsabilidades, como cuidar de filhos e marido e a parte artística, como compor, gravar videoclipes, realizar shows.

Onde busca inspiração para montar seus espetáculos?
Primeiro surgem às músicas e depois os espetáculos. Inspiro-me em coisas variadas, mas principalmente na observação do dia-a-dia, uma conversa com um amigo, um outdoor, confissões amorosas, a situação do Rio de Janeiro. Busco com poesia falar a realidade.

Você declarou seu amor pelo Rio várias vezes, mas atualmente como você vê o Rio de Janeiro?Precisamos ter consciência se quisermos fazer algo por este estado. Nossa saída não é o aeroporto. É votar nas pessoas certas e cobrar de mesmas, afinal vivemos em uma sociedade e para torná-la mais justa e igual temos que cobrar não só dos nossos dirigentes, mas de todos.

O que você, como formadora de opinião, pode fazer para torna esta sociedade mais justa?
O artista não tem o papel de formar ou transformar como o político, o qual você vota e que cria leis e emendas, entretanto nós temos uma ascendência muito grande perante as pessoas, nesse ponto podemos ser vetores nessa transformação.

Manda um recado para os jovens que querem fazer algo pelo Rio.
Vocês vão herdar o Rio, então, se não fizerem nada vai ficar cada vez pior. A idéia e se conscientizar e tentar ver saídas e soluções. Ter sempre a cabeça no lugar. Contem comigo!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

A corrida pelo prêmio já começou

Guitarrista demonstra expectativa para o duelo entre bandas de garagem
por Rodrigo Valo
Hudson Lira, vocalista e guitarrista da banda de punk rock PS Life, é um jovem que leva sua música muita a sério e aqui ele nos conta sobre os preparativos e expectativas de sua banda, uma das grandes atrações e uma das favoritas para essa eliminatória do festival Gênero Rock.
Primeiramente, por que PS Life?

- Todos fazem essa pergunta, realmente é algo curioso, instiga curiosidade! Mas é uma sigla: Play sound of life, que significa tocar o som da vida.
Quais são as suas expectativas para o evento?

- Parece que o evento vai estourar, pois os ingressos foram vendidos como água e sem contar que são muitas bandas, promete ser um espetáculo e tanto.

Como a sua banda está se preparando para o festival?
- Nós estamos ensaiando, passando as músicas como se fosse o show, sem intervalos entre elas e com ordem certa já no repertório. Levamos alguns fãs para assistir, para termos ao menos algum público e sabermos ao certo como se comportar diante suas reações.

Vocês conhecem as bandas que irão competir?

- A única entre as bandas adversárias que eu já havia ouvido falar é a Sociedade 5. E por não conhecermos ao certo nossos adversários, não estamos subestimando ninguém apenas ensaiando muito.

Sua banda já participou de outro evento como esse?

- Nunca participamos de um duelo de bandas antes, apenas shows independentes, além do mais a banda foi recém reformada.

Todos querem seu lugar ao Sol, poder demonstrar seu trabalho e esse evento é um tipo de apoio, mas quais são os problemas que vocês normalmente enfrentam para divulgar o seu material?

- Eu acho que o principal problema é a falta de patrocínio, entende? Ser banda independente não é fácil, pois nos shows somos nós mesmos que temos que correr atrás para conseguir vender os ingressos que geralmente é a condição para tocarmos em algum lugar, fazer isso sem um, digamos, apoio maior, se torna difícil e exaustivo.


Agora confira aqui a música Tarde de Domingo da Banda PS Life.

Uma kombi que resiste ao tempo

II IGUACINE Exibido na sessão de homenagens do II Iguacine, 'Marcelo Zona Sul' continua encantando plateias 40 anos depois de sua es...