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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Uma voz contra a ditadura

Boiadeiro Apaixonado canaliza carga teatral para programa de rádio.

Por Flávia Ferreira

Imagens: Camila Elen

Marcos Silvestre, mais conhecido como Boiadeiro, tinha 18 anos na época em que explodiu o golpe militar de 64. Mesmo com pouca idade, já era envolvido com teatro desde seus 15 anos. "Como a gente sempre fez muita coisa com teatro, não me considerava tão novo assim."

O golpe mobilizou tanto os militares quanto os movimentos de resistência de Nova Iguaçu. O teatro foi um desses movimentos e a ditadura não foi capaz de inibi-lo. Por isso, assim como seus colegas, Boiadeiro tornou-se protagonista da História da cidade ao questionar a “ordem” que vinha sendo estabelecida. "Queríamos mudar o quadro existente".

Boiadeiro conta que toda peça teatral tinha que passar por uma comissão, lá na Praça Mauá. E se eles julgassem a peça como uma ameaça ao governo, ela seria proibida. "Tive amigos que foram presos nas apresentações teatrais por conta da censura." Em sua luta contra a ditadura, enfrentou momentos difíceis como apanhar na rua e ser forçado a entrar em um Opala preto, ao lado de alguns meganhas.

Mas o momento que mais o marcou ocorreu na Praça Santos Dumont. Neste dia, por volta das sete ou oito horas da noite, estudantes se manifestavam aos gritos de "abaixo o militarismo. Democracia já". Foi então que, de repente, a praça foi cercada por caminhões do exército. "Começou a descer aquele monte de homem com o cacetete na mão". Para o azar de Boiadeiro, durante a fuga ele caiu dentro de um valão à beira da linha do trem. "Levei uns cacetetes nas costas", diz ele.

Naquele tempo, além da repressão dos militares nas ruas, havia também um clima desconfortável dentro das próprias casas, os pais controlavam as saídas e os horários dos filhos. "Tínhamos que chegar mais cedo, porque todos tinham medo do que poderia acontecer", diz ele. Para Boiadeiro, no entanto, esse medo ainda existe atualmente. "A ditadura passou, mas hoje também não podemos sair à noite." Como ele mesmo fala, antigamente era possível ir de Nova Iguaçu ao bairro Esplanada à meia-noite, e a pé. "Hoje, isso não é mais possível. A ditadura da violência escraviza o povo, só que de outra forma."

O esperado fim da ditadura Militar trouxe de volta o direito de a população votar e se expressar. Para os artistas era perfeito. Eles não teriam mais que se apresentar diante de uma comissão e correr o risco de ter seus espetáculos censurados. Em tom de desabafo, Boiadeiro diz estar feliz com a redemocratização do país, mas ressalta que alguns governantes dão a impressão de ignorar o sacrifício daqueles que lutaram contra o regime militar. "Parece que a ditadura se instalou de uma outra forma no regime democrático. Isso eu lamento".

Recuperado do momento histórico que passou e trazendo toda sua carga teatral, Boiadeiro se aventurou pelos veículos de comunicação. Ele trabalhou na TV Sul-Fluminense e em uma rádio chamada Solimões, em Barra Mansa, participando do programa de outras pessoas. Ele também foi diretor de uma rádio comunitária, onde garante ter alcançado audiências estrondosas. Marcos lembra que na juventude atuou muitas vezes na Rede Globo, chegando a trabalhar ao lado de José Mayer - eles faziam o papel de dois bandidos jogados na mala de um carro. "Dali, Zé conseguiu crescer, virando esse grande artista. E eu virei radialista da Rádio Tinguá."

Boiadeiro leva toda sua experiência como ator para a Rádio Tinguá, fazendo o que ele descreve como "rádio-teatro". Seu programa é um dos mais ouvidos na cidade. "Se fossem fazer uma estatística, veriam que falo para cerca de 70 mil pessoas por hora", calcula. Ele acha que isso acontece por dois motivos básicos e fundamentais: o primeiro deles é que os ouvintes gostam de falar direto com o locutor e receber o retorno imediato. “É importante ele falar com a pessoa que está ali, diferente das grandes rádios, onde você é atendido pela secretária eletrônica." O segundo motivo é que seu programa é voltado para o povo nordestino.

Como na Baixada tem muito migrante nordestino, Boiadeiro toca forró. "O forró é a raiz do povo nordestino", afirma. A importância que Boiadeiro dá ao povo nordestino é a receita para que sua audiência seja tão fiel.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Geografia da ditadura

Professora de geografia da Monteiro Lobato quase foi presa por causa de uma simples prova.

Por Flavia Ferreira
imagens: Gabriela Gama (Bré)

Sada Baroud David, uma senhora muito distinta que estuda no Instituto de Teologia Paulo VI e trabalha na formação bíblica da paróquia de Nossa Senhora de Fátima, guarda tristes segredos da época da ditadura militar. "Nesta época, eu era professora de geografia da Escola Municipal Monteiro Lobato, onde a Vila Militar tinha uma presença constante", lembra.


Ela ainda traz na memória o clima de terror vivido na escola, onde os professores eram permanentemente monitorados por um certo coronel Zamith. "Lá pelos anos de 68 ou 70, ele sempre estava nas reuniões e, quando não ia, mandava olheiro." O ápice dessa ingerência, pelo menos para a professora, se deu quando ela foi prestar esclarecimentos na Vila Militar por causa de uma simples prova de geografia.


Sada David jamais esqueceu o susto que tomou quando, depois de ser convocada para uma reunião de emergência na escola, a diretora lhe informou que a prova havia sido mandada para os militares. "Tudo isso porque passei uma prova sobre a União Soviética usando informações que não estavam nos livros escolares", conta. O mais absurdo de tudo é que os dados em questão haviam sido colhidos de uma apostila fornecida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), um órgão do governo no qual estava fazendo um curso de especialização.


"Eu tremi nas bases", lembra. Sada David viu-se, além de desempregada e presa, sem poder ajudar o pai, doente em casa. Mas, apesar do medo, ela logo estava livre daquele pesadelo. "Tive que ir em casa pegar a apostila e encaminhar para a Vila Militar", conta. "Menina, quase fui presa por conta de uma prova", acrescenta, rindo.

Apesar do susto, a professora não recusou o convite de Dom Adriano Hipólito para secretariá-lo na recém-fundada Comissão de Justiça e Paz da Diocese de Nova Iguaçu. Começava ali uma história de engajamento que daria um novo status ao movimento de resistência à ditadura militar tanto em Nova Iguaçu como no Brasil. "Todos os meses recebíamos a visita de bispos do peso de um Dom Paulo Evaristo Arns e Dom Pedro Casaldáliga", lembra.


Aquela foi a melhor fornada de bispos da história, avalia Sada Baroud. "Nem em mil anos teremos bispos tão comprometidos com a pastoral social", afirma. Graças a eles, a Igreja teve uma influência decisiva nos movimentos populares. "Organizamos o povo e começamos a fazer todas as reivindicações que a gente achava que o país precisava", diz ela.

Com o apoio da Igreja, surgiram movimentos poderosos como o do MAB (Movimento de Associações de Bairro). "Dom Adriano apoiava tanto o movimento que chegou a oferecer os aposentos da Diocese para ser sede do MAB", lembra Sada. O movimento se expandiu de Nova Iguaçu para São João de Meriti, Duque de Caxias e Itaguaí, entre outros lugares. "Chegamos a construir uma Federação de Associação de Moradores do Rio de Janeiro (FAMERJ), e 50% dos representantes eram daqui."


A Diocese também ajudou o incipiente movimento pela terra, que deu origem ao primeiro sindicato rural da Baixada Fluminense. "Havia muitas terras ociosas na cidade, que logo se tornaram ocupações urbanas", conta. Essa evolução se deveu ao fato de Nova Iguaçu ser um grande centro de migração de nordestinos, que vêm para cá atrás das maravilhas do Rio de Janeiro.


"Nova Iguaçu teve a sorte de ter um bispo completamente destemido e comprometido com o povo, como Dom Adriano", afirma Sada. Segundo a professora, o líder religioso chegou a se expor à morte em nome de uma grande gratidão à cidade. "Eu vim para cá como frei, religioso, mas quem me converteu foi a Baixada, a querida e sofrida Baixada Fluminense", dizia Dom Adriano, segundo Sada.


Além do embate direto com os militares, os religiosos da Diocese de Nova Iguaçu ousaram esconder os perseguidos do regime. "A Igreja protegeu essas pessoas porque tinha plena consciência de que um regime ditatorial, totalitário, amedrontador, que torturava e matava pessoas, não tinha nada a ver com direitos humanos e não tinha nada a ver com a construção da cidadania no país", diz Sada.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Procon da política

Professor Ney Alberto foi personagem importante na luta contra o regime militar.

Por Flávia Ferreira
Imagens: Garbriela Gama (Bré)

O professor e historiador Ney Alberto é mais conhecido por causa do seu trabalho em defesa da memória da Baixada Fluminense. Mas, durante a ditadura militar, ele foi um grande ativista político. "Quando rebentou o golpe de 1964, eu era o presidente da UENI (União dos Estudantes de Nova Iguaçu) e, por conta do meu envolvimento com o movimento estudantil, fui preso várias vezes", conta o professor. Ele também mostrou sua indignação e revolta com o rumo político enfrentado pelo país em suas letras para a música popular. Suas composições chegaram a ser gravadas por intérpretes importantes, como Agepê e Bezerra da Silva.

A entrada de Ney na faculdade de história da Universidade Gama Filho só fez aumentar o desejo de mudança já demonstrado nas manifestações em que os estudantes secundaristas de Nova Iguaçu reivindicavam melhorias no ensino público, criticavam os aumentos das anuidades escolares e lutavam pela construção da Escola Municipal Monteiro Lobato. Um ano depois de passar no vestibular, ele já se tornara presidente do diretório acadêmico Graciliano Ramos. Foi na condição de líder da universidade de Piedade, Zona Norte do Rio de Janeiro, que participou dos tumultuados congressos e seminários estudantis. "Sempre tinha alguém da ditadura", lembra.

No entanto, o regime militar decretou o AI-5 (Ato Institucional 5) em dezembro de 1968 e nocateou a oposição durante longos 20 anos. As ruidosas passeatas estudantis foram reprimidas à bala e a censura, que já existia, foi arrochada. O direito de votar em representantes para o poder executivo foi suprimido nas grandes capitais, nos estados e, é claro, na união. "Evidentemente, a gente queria que, através do voto, fosse escolhido um presidente", diz Ney. Restou a ele e a seus companheiros de luta o silencioso protesto de pichar os muros com o bordão: 'Abaixo a Ditadura!'. “Naquela década, muitos opositores do sistema perderam seus empregos, foram presos e torturados, quando não executados.”

Restavam poucos espaços de expressão política. Um deles foi o da chamada música de protesto, que consolidou a obra de compositores como Chico Buarque de Hollanda e Ivan Lins, entre outros. O professor Ney Alberto entrou nessa barca e produziu pérolas como "Da Pesada", gravada anos depois por Bezerra da Silva. Transmitiu nesta letra toda sua indignação com o regime. "É da pesada suportar anos uma ditadura militar; é querer escolher seu presidente, e não ter o direito de votar”, escreveu o professor. Os censores não gostaram e a proibiram durante anos.

Por conta do delicado momento vivido por Nova Iguaçu, só era possível cantar músicas de protesto em grupos e em lugares isolados, afastados da “muvuca”. “Sempre tinha um dedo duro para escutar e alcagüetar”, lembra o compositor. A perseguição chegou a um ponto tal que o famoso Chico Buarque precisou mudar seu nome para Julinho de Adelaide para que a censura aprovasse algumas de suas composições.

Por causa do tom contestador das suas letras foi chamado ao Regimento Sampaio, em Deodoro. “Me aconselharam a não fazer músicas criticando o regime”, ironiza. Mas o intrépido professor não desistiu de usar sua arte para criticar a ditadura militar. “Tinha que participar de alguma forma”, desabafa. "Se você não consegue fazer nada por não ser do poder legislativo ou executivo, então dentro do seu meio ambiente você tem que dar o seu recadinho", diz ele rindo.

Um eterno insatisfeito, o professor afirma ainda que a ditadura não acabou. “Todos que foram interventores ou tiveram bons empregos na época voltaram candidatos e se elegeram no regime democrático", lamenta. O professor acredita que a democracia é um músculo, que precisa ser exercitado. "Nenhum time ganha o campeonato se não se exercitar, e nós estamos exercitando a democracia e o voto.” É por causa da falta de treinamento, de discussão e de debate, que muitos trocam seu voto por um prato de mocotó ou de angu à baiana.

O professor Ney Alberto vota de modo criterioso, analisando as propostas dos candidatos. Mas gostaria que existisse um PROCON para a política. "Eu voto por acreditar em uma promessa que será cumprida sei lá quando". Para ele, essa propaganda enganosa na política é uma forma de ditadura.

terça-feira, 15 de abril de 2008

No ar, rádio Laranja da Terra

Uma nova forma de comunicar


Por Flávia Ferreira
Imagens - Mariane Dias, Giselly Reis e Bruno Marinho

O programa Laranja da Terra (93,9 - FM) continua vivo, misturado e cheio de vitamina. Esta é a terceira vez que 'esprememos Nova Iguaçu' e mostramos quanto suco ela dá. Também pudera, do dia em que se monta a pauta até o dia do programa ir ao ar, são horas pensando e correndo atrás dos áudios, entrevistas, entrevistados e vinhetas. Mas toda essa loucura de produção é normal. Para você ter uma idéia, nesta edição do Laranja da Terra, fui lá na Avenida Rio Branco, centro do Rio, com Bruno Marinho e Felipe Rodrigo. Fomos entrevistar Jacques Swartsteim, assistente de produção do filme "Crueldade Mortal", rodado em 1976, em Morro Agudo. Já faz bastante tempo, né? Mas se você, morador de Morro Agudo, assistir a esse filme hoje, perceberá as mudanças que ocorreram no bairro ao longo de mais de 30 anos.

Tivemos novamente a participação de Anderson Barnabé. Ele esteve em nosso programa do dia 5 de Abril falando sobre o primeiro festival de cinema de Nova Iguaçu. Desta vez, ele foi entrevistado por nosso repórter William Faria para esclarecer mais algumas questões sobre esse tal festival: O IguaCine. Lá, ele explicou onde e como aconteceria as mostras mais aguardadas pelo público. Através de gravações feitas por Camila Elen nas ruas de Nova Iguaçu, Barnabé pôde sentir o que vem gerando interesse na programação do festival. Quem ficou ligado até o fim desse último 'Laranja da Terra' pôde tirar várias dúvidas sobre esse grande encontro cinematográfico marcado para iniciar no dia 23 de abril.

Não posso esqueçer de Lucas Lima, que deu vários 'Catuques' sobre as mostras paralelas que vão rolar durante o Festival. Para isso, nossa super produtora, Natália Ferreira, grudou no telefone para garantir a presença dos nossos convidados.

O trabalho de nossos editores, Evio Belarmino e Felipe Lacerda, é de dar pena. Como cirurgiões do áudio, eles cortam aqui e encaixam alí, suam a camisa para tornar o programa mais objetivo e dinâmico.

Mas o grande diferencial, além de nossa ida ao centro do Rio, foi a participação do público que ligou para concorrer durante toda essa semana aos cinco DVDs do documentário "Carnaval, bexiga, funk e sombrinha" dirigido pelo Cineasta Marcus Vinícius Faustini.

Estamos no segundo, de quatro programas sobre cinema. Tenho certeza que você ficará surpreso com as possibilidades que a cidade proporciona ao cinema e o que o cinema proporciona para a cidade. Será que ao fim destes quatro programas você conseguirá responder esta pergunta: "Nova Iguaçu e Cinema. Isso dá filme?".


Continue ligado na Rádio Laranja da Terra, porque existem coisas que você só ouve lá. Todos os sábados a partir das 10 da madrugada. ;)

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Viagem a outro mundo!

Uma reportagem entre Nova Iguaçu e o Rio de Janeiro
Por Bruno Marinho
Imagens - Felipe Rodrigo e Bruno Marinho
A primeira visão da av. Rio Branco foi uma "selva de pedra e aço". Eram 11h30 quando chegamos à altura do nº 135 e já estava uma confusão. Pessoas e carros pareciam estar em sintonia com suas buzinas, falatórios e anúncios.

O sinal abria e dezenas de pessoas iam e vinham, atravessando a faixa branca no chão. O sinal fechava e agora eram as rodas de carros, ônibus e motocicletas que seguiam em frente. Pra onde aquele mundo de gente ia?

Vimos também um contraste entre os casarões antigos e lugares históricos como a Igreja da Candelária e o Teatro Municipal, com os principais escritórios e bancos nacionais em prédios enormes e luxuosos.

Um universo um pouco diferente do calçadão de Nova Iguaçu, no Centro do Rio nós encontramos desde o trabalhador da construção civil ao alto executivo de uma empresa, todos andando apressados e sem tempo para reparar na dinâmica da cidade.

Porém aqui, em Nova Iguaçu, vemos pessoas de classe média e baixa vestindo roupas populares e de chinelo, conversando e fazendo compras, mas uma coisa não muda mesmo a quilômetros de distância. Na rua sempre tem um dito-cujo distribuindo o mesmo papelzinho, dizendo: "Compro ouro", "Dinheiro rápido".
Entramos no prédio e seguimos para a sala do UNICEF a procura do Jacques Schwarzstein, assistente de produção do filme Crueldade Mortal rodado em Nova Iguaçu, no bairro de Morro Agudo, atual Comendador Soares. O filme conta a história de um assassinato bárbaro ocorrido na década de 70, onde um homem idoso com problemas mentais vê uma mulher banhando-se nua no quintal da casa dela. , que ao perceber o "assédio" ela o acusa, e ele morre linchado pelos moradores locais. Nessa entrevista ele relatou todo o processo do filme além de curiosidades entre os atores e problemas de gravação.

Saimos do prédio na hora do almoço, e a rua parecia que estava ainda mais cheia e mais barulhenta. E com essa imagem de pessoas e carros e lojas e prédios e mais pessoas que nos despedimos do Centro do Rio e voltamos ao nosso "mundo iguaçuano". Comparado ao Rio, é uma tranqüilidade.

Uma kombi que resiste ao tempo

II IGUACINE Exibido na sessão de homenagens do II Iguacine, 'Marcelo Zona Sul' continua encantando plateias 40 anos depois de sua es...