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quinta-feira, 29 de maio de 2008

Um mundo onde tudo é possível

Freqüentadores de lan house são mais unidos no mundo virtual do que na vida real.

Texto e fotos de Daniel Santos

As lan houses são estabelecimentos comerciais onde os usuários pagam para usar computadores conectados a internet e para jogos on-line. O nome já mostra como esse lugar funciona . LAN é a sigla Local Area Network, que pode ser traduzida como rede local. E house significa casa. Ou seja , uma lan house é uma rede de computadores dentro de um pequeno espaço.

Essas casas que começaram e se difundiram na Coréia, em 1996. Chegaram por aqui em 1998. A grande onda das lans começou a se formar no início desta década, quando os empresários perceberam as filas que se formavam nas poucas casas existentes.

Hoje, em todas as cidades e cantos você encontra diversas lan houses. Como Nova Iguaçu não poderia ficar de fora, a cidade, além de estar recheada dessas casas, novos empreendedores do município entram nesse ramo a cada dia que passa.

"Comecei vendendo produtos de informática. Como não deu certo, aproveitei as peças que já tinha e montei a Activi", afirma Thiago Machado, mais conhecido como Skull. Ele, que já tinha experiência em trabalhar em lan house, mantém uma clientela diversifica investindo em jogos e fazendo upgrade regularmente em suas máquinas.

Com o aumento dessas casas, o que a cada minuto se multiplica é o numero de freqüentadores. Crianças, jovens e adultos vão às lan houses para fazer diversos tipos de tarefas, que vão de jogos on-line a trabalhos profissionais.

O cabeleireiro Edson Henriques, o Edinho, passa cerca de cinco horas diante de um computador. "Vou na Lan House porque gosto de entrar em salas de bate papo", diz ele, que deixa de sair para outros lugares para participar de chats, onde já arrumou algumas namoradas. "Também pequiso preços e lançamentos."

Outro freqüentador que não abre mão do espaço é o estudante Paulo Marcos, o Betinho. "Gosto da lan porque me divirto nos jogos fazendo tudo o que eu não faço na vida real", diz ele, que já chegou a passar 13 horas seguidas em uma lan. Eis algumas das atividades que ele só pode fazer no mundo virtual: matar, voar e comprar à vontade.

Também há freqüentadores que entram na lan house para fazer uso de todos os serviços disponíveis no estabelecimento. È o caso do misto de mecânico e estudante Gleydsom Martins. "Me divirto com jogos, faço pesquisas e adoro me relacionar com novas pessoas nas salas de bate-papo e MSN", diz Gleydsom.

Mas Gleydsom vai além do uso convencional das lans. "Já fiz apostas com amigos no qual disputávamos para ver quem conseguia ficar com mais garotas que nós conhecíamos pela internet", confessa ele, que ficou em segundo lugar nesse campeonato. O mesmo Gleydsom também conta que, dentro da Lan, a relação com as pessoas é mais intensa .

"Fora da Lan, normal, somos amigos. Aqui dentro, a união é maior."

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Tribos digitais

Lans houses são o principal ponto de encontro dos jovens de Nova Iguaçu.

Por Carla de Souza Domingues, Lucília da Soledade Eleutério, Jeyce Cristine

Imagens: Daniel Santos

Se você quiser encontrar o pedreiro Anderson Alexandre dos Santos, basta ir à Lan do Julio, em Austin. “Só vou em casa almoçar”, revela esse habitante do mundo virtual, que não gasta menos de R$ 70 por semana caçando mulheres na internet. Não é muito diferente o dia-a-dia do estudante Jefferson Rodrigo Alexandre da Silva, que gasta R$ 50 por semana para passar cinco horas diárias zoando em sites de relacionamento como o Orkut e o MSN. Nenhum dos dois tem computador, mas jamais lhes ocorreu juntar dinheiro para realizar a utopia da inclusão digital sob o olhar protetor dos pais. “Não gosto de ficar em casa”, acrescenta Anderson.

O público das lan-houses não é feito só de fissurados, como nos dois casos apresentados acima. “Aqui vem todo tipo de gente aqui e com todos os objetivos”, conta Leonardo Vieira, que em abril de 2006 largou uma lanchonete para abrir a lan house Matrix Games. Mais espalhadas por Nova Iguaçu do que o mosquito da dengue, as lans podem atrair donas de casa interessadas em pagar contas, estudantes que precisam fazer pesquisa escolar e principalmente jovens reunidos em torno dos clãs – cerca de 15 grupos de cinco pessoas que disputam campeonatos de games eletrônicos nos quais os ganhadores podem levar até R$ 5 mil.

“Venho aqui para bater-papo no MSN e no Orkut”, conta a estudante Carolina Domingues Ribeiro, que arranca R$ 10 por semana da mãe para passar duas horas diárias em sites de relacionamento. Já o porteiro Sebastião Luiz Virginio, que só vai às lans aos domingos mas em compensação passa o dia inteiro lá dentro, procura conhecer pessoas novas tanto ao lado dos computadores quanto no espaço virtual. “Já arrumei namoradas na internet”, diz ele. “Mas nenhum desses relacionamentos durou mais de um mês”, lamenta. O estudante Thiago do Carmo Delfino, embora já tenha arrumado namoradas no MSN e no Orkut, tem mais interesse nos jogos eletrônicos. “Quando minha mãe deixa, chego a passar cinco horas aqui dentro”, diz ele, que retira de R$ 10 a R$ 20 por semana da pensão que recebe do pai.

“Se a gente vacilar, eles querem dormir aqui”, conta Fábio Fluzino, proprietário da Mini Delta, em Jardim Iguaçu. Mas não pense que ele se arrependeu de seguir o conselho dado por um primo há cerca de três anos, quando comprou os cinco PCs com que inaugurou o negócio que permitiu tanto a ele quanto a sua esposa trabalharem perto de casa. Também não o incomoda a concorrência quase predatória, que o obrigou a reduzir a tarifa da hora de R$ 2 para R$ 1. “Vai ter um dia que, para sobreviver à concorrência, vou ter que baixar meu preço para R$ 0,75”, queixa-se. Não é à toa que hoje já tem onze computadores na sua lan house, todas elas mantidas por um amigo que cobra um “preço camarada” para tirar os vírus e trocar as peças que dão mais velocidade às máquinas.

Dono da Lan do Júlio, Júlio César dos Santos trocou a profissão de enfermeiro para abrir seu negócio há pouco mais de um ano. Tem consciência de que as lan houses se tornaram um importante espaço de sociabilidade da cidade e por isso mantém a casa aberta de segunda a segunda, com direito a alguns dias de corujão, cujo funcionamento vai até as seis horas da manhã. O ex-enfermeiro acredita que, para manter as máquinas 60% do tempo ocupadas, precisa de computadores novos, oferecer um atendimento de qualidade e estar sempre atento às novidades.

Mas o chamado boom das lans está longe de acabar, pelo menos em Nova Iguaçu. “Muitas pessoas não têm computador em casa e quando têm, elas não têm como acessar a internet”, analisa Júlio César dos Santos. Ele não teme uma queda no mercado nem mesmo com a chegada da banda larga na Baixada Fluminense, seja na forma oficial ou na chamada net-cat. “A idéia de games em lan e internet está se difundindo em todas as tribos de jovens e profissionais”, avalia o dono da Lan do Júlio. Um dos principais responsáveis por essa divulgação seria a própria febre de lans. “Muitas pessoas que mal sabia que existia uma casa dessas, acabam conhecendo.”

Os bancos já perceberam o potencial desse negócio no país, como se pode perceber pelo fato de que apenas 21% da população brasileira ter feito pelo menos um acesso na internet. “Converse com o seu gerente”, aconselha Júlio César dos Santos. “Leve alguns casos de sucesso e as planilhas de gastos e perspectiva de retorno com cálculos sólidos.” Segundo o empresário, os bancos estão reconhecendo a viabilidade de empréstimo para este novo setor da economia. “Aproveite também o Sebrae, que é a maior instituição de apoio à micro e pequena empresas.” Com certeza, eles vão oferecer suporte para abertura da sua empresa.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A saúde do SUS

Mesa da SBPC faz uma radiografia do SUS, que completa 20 anos.


Por William Faria da Costa

Na reunião regional da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) que está acontecendo na Baixada Fluminense simultaneamente em Nova Iguaçu e em Duque de Caxias, foram comemorados os 20 anos do Sistema Único de Saúde (SUS) numa mesa de debate com constituintes que em 1988 lutram pela criação deste programa de saúde.

Três velhos militantes da causa da saúde pública participaram da mesa promovida na última quinta-feira: Luiz Antônio Rodrigues da Silva (diretor geral do INCA), Lúcia Couto (ex-deputada e médica) e Laura Tavares (vice-reitora da UFRJ).


Luiz Antônio abriu o debate falando sobre o privilégio de sua geração ter sido tão atuante no desenvolvimento social do Brasil, destacando a luta, a dedicação e o empenho da sua geração para a criação do SUS. “Apesar de muita gente ter sido contra”, disse o diretor do INCA, “conseguimos criar o SUS depois de muitas conferências e discussões.”

A mídia não perde oportunidade para fuzilar o SUS, mas, segundo Luiz Antônio, os maiores críticos são aqueles que nem usam nem precisam dele. “Esses críticos se esquecem dos trabalhos realizados pelo SUS que atendem toda a sociedade, como o serviço de vigilância sanitária e o programa nacional de imunizações oferecidos gratuitamente.” O oncologista destacou ainda o programa de transplantes de órgãos brasileiro e o de prevenção e tratamento contra Aids. “O programa de aids do SUS contrariou a expectativa de especialistas, que em 1982 diziam que no ano 2000 haveria 2 milhões de portadores do vírus da Aids no Brasil." Graças ao SUS, esse número caiu para 400mil.

A ex-deputada Lúcia Souto lembrou que o surgimento do SUS foi uma vitória daqueles que lutaram pelo direito à saúde no Brasil num momento importante da redemocratização. “Foi uma luta suprapartidária, que também abrangeu o campo social e econômico”, disse. Lúcia Souto fez um relato da saúde pública no país antes do SUS, à qual apenas os trabalhadores com carteira assinada tinham acesso. “A idéia central do SUS era universalizar a saúde.” Essa idéia sensibilizou a 8ª Conferência Nacional de Saúde, da qual a classe médica saiu com um abaixo-assinado com mais de 100 mil nomes. Os funcionários públicos também aderiram à campanha em prol do SUS e não ofereceram resistência à fusão dos diversos órgãos então responsáveis pela saúde pública no país.

A sanitarista Laura Tavares defendeu idéias polêmicas. Mostrou-se contrária, por exemplo, ao incensado PSF (Programa Saúde da Família). “Os agentes comunitários de saúde não têm como dar conta de visitar todas as famílias das regiões metropolitanas”, afirmou. Ela também é contra a municipalização de hospitais regionais como o HGNI (Hospital da Posse) e o montante de dinheiro atualmente destinado à saúde. "A fórmula de cálculo está equivocada”, disse. “Ela não deveria estar relacionada ao PIB, mas à Seguridade Social.” Laura Tavares comparou o SUS a um copo de água pela metade, que para uns está meio cheio e, para outro, meio vazio. Mesmo assim, acredita que chegou a hora de se discutir o modelo do SUS. “Temos muitas realizações, mas podemos fazer muito mais.”

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