segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Desperdício de oportunidades


Jovem repórter acha que Sandro não soube aproveitar as oportunidades
Por Renan Albuquerque

Todos têm direitos à recuperação,eu até concordo. Sandro, embora também tenha sido uma vítima da sociedade, teve sua oportunidade. E o que fez com ela? Desperdiçou.

Realmente somos vitimas de uma sociedade falida, onde as leis e as oportunidades não são iguais para todos. Qual a relação entre os escândalos de corrupção do governo e este episódio? Total e real!

Polícia mal-preparada é apenas uma ponta da total ineficiência gerada pela corrupção e pelo modo mais fácíl, que torna o Estado realmente ausente, como provam os lugares por onde Sandro passou.

O filme mostra com clareza o despreparo da polícia e a grande influência da mídia. A policia não tinha aparelhos de comunicação e não sabia como lidar com tal situação. Hoje em dia, os policiais estão "preparados" para invadir favelas e sair atirando.

Mas o filme também relata uma história comovente entre Sandro e o "Universo". A luz dourada na cabeça do Cristo representava boas novas. Um copo quebrado representava a morte de Sandro e a infelicidade da mãe.Um copo se quebra quando a mãe de Sandro é esfaqueada, no início do filme. Outro copo se quebra pouco antes de ele entrar no ônibus 174, onde ele vai morrer depois de paralisar a cidade durante horas.

Fica evidente que não são todos os jovens de rua que se transformam em marginais. Alguns sabem aproveitar suas oportunidades. Foi esse o caso das crianças assistidas por tia Valquíria que começam a se recuperar no filme.

Penúltima parada


Jovem repórter narra viagem de Nova Iguaçu a Botafogo
Por Flávia Sá


No dia 15 de outubro, fui a Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, assistir à estréia do filme Última Parada - 174. O filme retratou a história do Sandro, um rapaz que seqüestrara um ônibus. Em cima dessa história, o diretor Bruno Barreto construiu uma narrativa baseada em fatos reais espetacular, porém triste. Havia umas cenas engraçadas, mas também tinha cenas de cortar o coração. Mas não é para isso que estou aqui escrevendo essas linhas. Estou aqui para descrever como foi a minha ida à Zona Sul com meus colegas de trabalho.

Em um dia ensolarado, aquele tempo que pede uma praia, eu não pude deixar de prestigiar essa saga que foi a vida desse pobre coitado Sandro. O horário combinado era de chegar lá em frente ao Pólo Gastronômico, no Centro de Nova Iguaçu, às sete e meia da manhã. Eu cheguei um pouco antes, às sete e dez.

O ônibus chegou lá um pouco atrasado, por volta das oito e dez. O trabalho mais parecia um passeio. Gostei muito. Além de estar indo à Zona Sul, estava na presença de meus colegas, que admiro muito. Zoamos pacas na ida e na volta. Fazia muito tempo que não nos divertíamos desse jeito.



Tirávamos fotos e mexíamos com as pessoas na rua - lógico que tudo na base do respeito. Chegamos lá atrasados, quase dez e meia da manhã. Mas a culpa não foi nossa. Além do atraso do ônibus, pegamos um baita engarrafamento.

Felizmente, só perdemos dez minutos do filme. Deu então pra acompanhar quase toda a história.

Quando entrei na sala, como não estava enxergando nada, fiquei com medo de pisar no pé de alguém. Acho que fiquei meio cega por causa do contraste entre a sala escura e o dia ensolarado lá fora. Aos poucos, foi melhorando a visão e tudo correu bem.

De início, não estava entendendo nada, mas depois fui me envolvendo na incrível e chocante vida de Sandro. No final do filme, houve um debate com o diretor e os atores. Foi muito legal. As pessoas se sentiram à vontade para fazer suas perguntas. Eu só não perguntei nada porque estava com vergonha. Não gosto de me expor.

Adorei o passeio. Quer dizer, adorei o TRABALHO.

Condenado antes de nascer


Para jovem repórter, protagonista de 174 foi condenado há muitas gerações
Por Flávia Ferreira

Como é doloroso olhar para os lados e ver a triste situação de nosso Rio de Janeiro... Meninos ao abandono vagando pelas ruas, fome, miséria, desencanto.

Tragédias sociais estão sempre ao alcance de nossa vista. Basta um olhar mais atento para perceber o descaso social que há séculos aflige a bela cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Cidade cheia de contrastes, passando da extrema beleza de suas praias à miséria extrema no espaço de uma esquina. O pôr-do-sol em Copacabana oscila entre opulência e miséria, conforme a hora, e o ponto de vista.

Rodeado por favelas onde inocentes e emergentes de uma sociedade violenta ao extremo. Onde estão democracia, oportunidade de trabalho, direitos de cidadania da imensa legião de meninos de rua? Muita gente pergunta: por que tantas mortes na Candelária, por que tanta miséria?

Assaltos, mortes, negros, brancos, drogas, MEDO. Palavras que estampam estátuas vivas do trânsito carioca. Roubando para viver, cheirando cola para esquecer, amando para se sentir vivo. Salve-se quem puder. É guerra de todos contra todos.

Inferno da prisão
Atormentado com a falta da cola e do crack, barriga roncando de fome, dentes trincados, mãos crispadas, necessitando de uma família e um nome. São "lixos humanos", escória da sociedade, indigentes movidos pelo medo da lei e pelos que estão "fora dela". O inferno da prisão, ao invés de corrigir, aperfeiçoa o crime.

A irmandade do comando substitui a proteção familiar. O prazer fugaz encontrado em um amor bandido, regado a muito “diabo ralado”, reforçado com pó de vidro moído. Acadêmicos da faculdade do crime, escola da miséria e da necessidade, um beco sem saída. O instinto de sobrevivência prevalece, um “bico” cheio de ferrugem como saída de emergência. Vestindo a mesma capa que lhe serviu de cobertor desde criança pelas vielas e becos sujos de uma cidade que já foi maravilhosa.

Tudo termina com o estampido e o impacto de um tiro. Liquidado aos poucos, o homem duro do gueto terminou sem ar e sem amigos. Juízo final feito em vida, vida perdida ao nascer, um condenado há muitas gerações.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Bolo social


Unicef reúne jovens de diferentes classes e formações em Botafogo para ver e discutir novo filme de Bruno Barreto
Por Luiz Felipe Garcez

Uma xícara de alunos de classe média alta. Uma pitada de alunos de faculdades particulares. Duas fatias de jovens de projetos sociais em favelas. Um litro de jovens-repórteres da Escola Agência de Comunicação da Prefeitura de Nova Iguaçu.

Coloque tudo dentro de pote do UNICEF e leve ao forno pré-aquecido com a pré-estréia do filme "Ultima parada - 174".

Ao final, tire do forno e acrescente um debate com o diretor do filme - Bruno Barreto, e com os atores Michel de Souza, Marcelo Melo e Gabriela Luiz.

O resultado é um grande bolo social, onde se pode se ver claramente o futuro da nação.

E nesse bolo social saíram as mais variadas perguntas e respostas. Claramente se via nos jovens o exato sentimento que o diretor afirmou que era sua intenção: ninguém sabia quem era a vítima. E as perguntas iam crescendo como a grama, iam se alastrando entre os vários grupos presentes.















Quando perguntado se achava que seu filme seria mais um sobre a tragédia carioca, Bruno Barreto deixou claro que cada filme de violência é único, e quem assistiu 174 notou que, apesar da interlocução feita entre Cidade de Deus, Tropa de Elite e Cidade dos Homens, 174 tinha o seu tom especial. Da mesma forma, o diretor prefiriu se esquivar ao ser perguntado se o 174 fazia uma crítica clara à instituição da Policia Militar.

Como em todo debate, não podiam faltar as perguntas tradicionais, como a feita para a Gabriela sobre como foram as cenas de sexo. Ela ficou bastante envergonhada, mas disse em tom de brincadeira que ela e o Michael se deram muito bem.

Embora uma hora fosse pouco para o debate, ele foi mais do que proveitoso. Foi a prova de que jovens de pensamentos, classes, idéias, sonhos e oportunidades diferentes podem conviver no mesmo espaço e podem construir uma cidade melhor. Foi a prova de que, se depender daqueles jovens, o Rio deixará de ser a cidade da violência e da bunda para ser a cidade da cultura e da juventude. Ou melhor, da cultura jovem.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Parada inesquecível

Filme e debate com equipe de produção foram marcantes para jovens repórteres
Por Marina Rosa

O evento de ontem marcou entre os jovens-repórteres mais um momento inesquecível de experiência para as nossas vidas.

Mesmo chegando 10 minutos após o início da exibição, acredito que não perdemos quase nada. Como se pôde constatar durante o debate ocorrido após o final do longa, a história do filme foi muito bem entendida.

O filme retrata não só a tragédia ocorrida em 2000 no ônibus 174, mas também toda a vida daquele assaltante.



Sandro, visto como um louco alucinado ao cometer tal atrucidade, pode passar a ter outra imagem após assitir o filme, porque conhecemos a história de um menino morador de rua, viciado em coca, em meio à violência, aos destratos e à indiferença da sociedade. A única e honrosa exceção fica por conta da "Tia Valquíria", uma mulher que levava comida àqueles moradores da Candelária, buscando sempre ajudá-los a terem mais oportunidades.

Durante a vida, vai para Febem, foge, mora com um parceiro de mesmo apelido, "Alê", vira assaltante com ele, reencontra um caso antigo, finge ser o filho perdido da mãe de seu parceiro e tem o sonho de ser cantor de rap.

Porém, ele se frusta ao flagrar sua amada com o ex-parceiro e não conseguir ajuda imediata da Tia Valquíria. Cai no vício como quem tem sede. Ele fica trasntornado ao ver um copo se quebrar, o que o remete ao dia em que sua mãe morreu, vítima de um latrocínio em São Gonçalo.
Ele pega o õnibus e daí pra frente acontece tudo aquilo que acompanhamos pela mídia, aquele desespero e por fim a tragédia.

Só pelo fato de assistir a uma pré-estréia já é totalmente válido dizer que foi ótimo. No entanto, melhor ainda foi poder paricipar de um debate, organizado, entre outros, pelo Unicef e ICA, com os atores Michel de Souza (Sandro), Marcelo Melo (Alê), Gabriela Luiz (Soninha) e ainda com o próprio diretor Bruno Barreto.

O público foi totalmente misturado: jovens-repórteres da Escola Agência de Comunicação de Nova Iguaçu, alunos da Escola Britânica e Americana, participantes de projetos sociais em favelas, moradores do bairro, etc.

No debate, podemos perceber o quanto foi trabalhosa e demorada a realização deste filme. Mais de dois anos de trabalho árduo. Ainda bem que depois de tudo, deu certo. Agora temos esse maravilhoso exemplo de que, com garra e vontade, tudo é possível.

Uma mostra da capacidade do cinema brasileiro e também do talento dos artistas vindos de projetos sociais.

Última parada - 174

“Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida”
Por Larissa Leotério

Esse verso da música “Classe Média” traduz exatamente a sensação de quem esteve hoje na pré-estréia do filme “Última Parada - 174”, com direção de Bruno Barreto. O filme narra a história do seqüestrador do ônibus 174. Sandro, na ficção, Alê, foi tomado pela sociedade por monstro do ônibus 174. O que já é rotina. Há sempre o julgamento das pessoas e o ângulo sempre muito midiático, manipulado. E isso é histórico. Foi assim com vários infratores das leis. Mas poucos tiveram a chance que Sandro teve, de ter sua história mostrada por documentário e filme.

As pessoas parecem não se importar com o menino de infância pobre, com o menino de rua que pede comida, pelo jovem que não teve a oportunidade de estudar, de aprender a ler, de ter saúde e família. Toda tragédia só nos importa quando bate à nossa porta. Não importa a ninguém se Sandro teve uma “infância” de abandono, uma adolescência nas ruas, o peso da sobrevivência na chacina da Candelária.

Não há passado ruim que justifique um presente de crimes. Mas torna compreensível, ajuda-nos a compreender a indignação da criança que pede pão e é ignorada. Do adolescente que comete pequenos furtos por não ter orientação. A chamada sociedade civilizada exige das pessoas uma generosidade que não ofereceu. E, talvez, a culpa não seja do governo; seja nossa. Quando temos muita pressa pros nossos inadiáveis compromissos e esquecemos das nossas crianças debaixo das marquises, esquecemos que nossos irmãos têm fome. E isso não é na África ou no inferno que os pariu. É bem aqui ao lado. Ou, talvez, seja culpa da maldita falha do sistema.

De quem é a culpa não é bem a questão. Acontece é que temos que fazer o nosso. Não podemos ficar esperando pelas iniciativas públicas. E é nisso que foca o filme, que não é sobre uma questão social, e sim sobre uma questão de condições humanas. Na nossa iniciativa de estudar as coisas antes do julgamento da mídia. É o senso crítico que funciona o tempo todo. Propõe uma reflexão muito bacana. De vida, da importância da formação dos seres humanos em pessoas. Como disse a atriz Ana Gabriela, ‘é o soco no estômago que toca o coração’. É bem essa a sensação.

Além de toda a mensagem social, o filme conta com uma técnica e roteiro excelentes, atuações admiráveis e, segundo o diretor Bruno Barreto, o elenco mais disciplinado com quem já trabalhou em suas dezoito produções.Vale muito à pena conferir.

Da realidade para a ficção


174 faz escala em Botafogo antes de última parada em Hollywood
Por Flavia Ferreira

O mais novo filme brasileiro a desfilar na passarela do Oscar é o "Última parada 174". A pré-estréia do filme aconteceu na sala 6 do Unibanco Arteplex, na praia de Botafogo. A história de um menino de rua que vivenciou dois grandes episódios drásticos da sociedade carioca é o ponto de partida do filme. O primeiro episódio foi a chacina da Candelária, da qual escapou por milagre. Seu envolvimento com as drogas, reforçado por uma crise de ciúme, fizeram dele o protagonista do seqüestro mais famoso do milênio.

O seqüestro ficou conhecido por ocupar os horários da TV por quase cinco horas no ano dia dos namorados de 2000. "Nossa idéia era contar essa história na ficção, porque a realidade está absurda, maluca e difícil de entender. Por isso, precisamos da ficção para interpretar a realidade", contou o diretor Bruno Barreto.

Na platéia superlotada, estavam presentes jovens do Morro do Vidigal, Complexo do Alemão, Nova Iguaçu, Morro da Babilônia, Escola Britânica e da Escola Americana. Ao terminar a sessão, iniciou-se um debate sobre o filme com a participação do Diretor Bruno Barreto e os protagonistas do filme: Michel Gomes (Sandro), Marcelo Mello (Alê Monstro) e Gabriela Luiz (Soninha).

O ator Michel Gomes acredita que o filme mostra a realidade das ruas. "Mostra a realidade do menino de rua, e traz a oportunidade de enxergá-lo", disse esse jovem morador de Padre Miguel, que freqüenta grupos teatrais de projetos sociais desde os 10 anos de idade. Gabriela Luiz, atriz que vive a garota de programas Soninha, também conheceu o teatro em projetos sociais. Ela diz que, por conta da questão financeira, já sofreu algumas discriminações profissionais. "Temos muitos 'Sandros' e muitos 'Alês' no Rio. Espero que este filme estimule as pessoas a refletirem sobre esta situação", afirma.

Ao contrário de seus colegas de filmagem, Marcelo Mello nunca pensou em ser ator, mas sempre aproveitou as oportunidades que a vida lhe deu. "As oportunidades são pequenas, mas, se você se esforçar e correr atrás, elas são possíveis", acredita ele. Antes de chegar às telas do cinema, Marcelo passou por Austin, bairro de Nova Iguaçu, e Vidigal, na Zona Sul do Rio. Segundo ele, o fato de vir de uma comunidade carente torna tudo mais difícil. "Temos que nos esforçar em dobro, pois é muito difícil achar alguém que te valoriza. As pessoas pensam que o fato de você morar em uma comunidade te torna mais irracional que ela", dispara Marcelo.

Bruno Barreto não quis tomar nenhum partido na trajetória do personagem Sandro. "Meus filmes primeiro buscam emocionar, para depois fazer a pessoa refletir", analisa. A atriz Gabriela Luiz arrumou uma imagem mais forte para traduzir a estética de 'Última parada 174'. "Esse filme é um soco no estômago que atinge o coração".

As cenas de violência são constantes, mas, para o diretor, há uma grande diferença entre seu filme e 'Cidade de Deus' e 'Tropa de Elite', duas outras obras que marcaram o cinema brasileiro ao mergulhar no drama das favelas cariocas. "'Última parada 174' trata da condição humana e não da condição social do Brasil", difere.

Uma kombi que resiste ao tempo

II IGUACINE Exibido na sessão de homenagens do II Iguacine, 'Marcelo Zona Sul' continua encantando plateias 40 anos depois de sua es...