quinta-feira, 3 de abril de 2008

Fórum Mundial de Educação - BF 2008

Uma escola na avenida

Parceria com Bairro-Escola aumentou entusiasmo pelo carnaval

Por Luciene Ritta, Daniele dos Santos de Oliveira e Dardânia Gondim

Quando começou a parceria entre a Escola de Samba Independente do Nova América e a Escola Municipal Hélcio Chambarelli, tudo levava a crer que o samba ia atravessar. "Como a maioria dos pais das nossas crianças são evangélicos, eles não quiseram aderir ao Bairro-Escola", lembra Mônica Bezerra, 28 anos, coordenadora geral do programa. Ela precisou de muita conversa para convencê-los de que as oficinas desenvolvidas na quadra da escola de samba iriam contribuir para o desenvolvimento físico e intelectual dos estudantes.

Mas as dificuldades só ocorreram na concentração, enquanto as duas escolas esquentavam os tamborins. "A parceria deu certo logo no primeiro instante", lembra Reginaldo Joaquim de Albuquerque, que há cerca de dez anos preside a Independente do Novo América. A chegada das crianças, que ao longo de quase todo o ano de 2007 a ocuparam nos dois expedientes para jogar futebol e fazer capoeira com o Mestre Azulão, deu um novo ritmo à quadra. Mas a principal motivação para Reginaldo aderir ao projeto foi o futuro da escola em que estudam os filhos de diversos sambistas e um de seus netos. "A gente não poderia recusar o convite feito pelas professoras da Hélcio Chambarelli em maio do ano passado", afirma Reginaldo.

A parceria ganhou uma nova dimensão em dezembro, quando lhe propuseram a criação de um minicarnaval com material reciclado recolhido na comunidade pelas próprias crianças. "Chamamos essa atividade de Carnaval Escola", lembra o presidente. Durante uma semana, crianças e professores confeccionaram fantasias com jornal, papelão, saco de farinha, tampinha, fitas, garrafas PET, barbante e tinta. "Até samba enredo a gente fez."

O sucesso da empreitada levou a comunidade a propor uma colônia de férias bem diferente. "Cerca de 60 crianças passaram as férias costurando fantasias para o nosso desfile", conta o presidente. Além da participação dos estudantes nos trabalhos do barracão, a parceria com a Hélcio Chambarelli aumentou o entusiasmo das crianças pelo carnaval. "Cresceram as inscrições para a ala infantil", afirma.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Flores para a Cerâmica

Jantar na Cerâmica encerra o Fórum Mundial de Educação
Por Flávia Sá e William Faria da Costa
Fotos: Felipe Rodrigo


Dois anos depois da chacina, a Cerâmica voltou a ser invadida por um bando de forasteiros. Dessa vez, no entanto, eles ofereceram flores no lugar das balas que provocaram uma tsunami de mortes na noite de 31 de março de 2005. “Estamos aqui para celebrar a vida”, disse o prefeito Lindberg Farias, um dos participantes do jantar que agitou a última noite de sábado na Travessa Br3.
O jantar, que na prática foi a solenidade de encerramento do Fórum Mundial de Educação, começou a movimentar a Travessa Br3 desde o início do dia. Produzido pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, o evento foi marcante para a comunidade antes mesma da chegada dos cerca de 500 convidados. “Foi lindo quando as mesas e cadeiras chegaram”, disse Sílvia Regina Andrade, uma das produtoras do evento. “Elas as carregavam cantando a música infantil Trabalha, formiguinha.”

A solenidade teve início às sete e meia da noite, com a exibição de um documentário produzido pela ong Reperiferia a partir da relação de algumas moradoras da travessa com seus álbuns de fotografia. Apresentaram-se em seguida diversos artistas de Nova Iguaçu, como os poetas do Desmaio Público, os malabaristas do MACA, atores do Nós da Baixada e funkeiros que agitam a noite da Baixada. Também marcaram presença os grafiteiros do BXD Crew, que deram uma nova vida às paredes das casas com seus sprays .

Os cinco pratos servidos foram escolhidos, cozinhados e servidos pelos próprios moradores. “Gente pobre come bem”, disse Cristina aos explicar o cardápio, formado de pratos substanciosos como angu à baiana, costela com batata, galinha velha e feijão nordestino. A qualidade do jantar pode ser medida pelos três pratos comidos pelo prefeito Lindberg Farias, que ficou na solenidade até o fim. A primeira dama Maria Antônia Goulart também prestigiou o evento.

Educação em reforma

Aulas do Grama continuam mesmo com escola fechada para reformas
Por Robert Fernandes, Maicon Christian, Camila Ellen
Fotos - Mariane Dias
Uma escola tradicional interromperia as aulas se precisasse passar por reformas. Mas os 650 alunos da Escola Municipal Darcy Ribeiro, onde o programa Bairro-Escola foi implantado no fim do ano letivo de 2006, não perderam um só dia de aula quando começaram as obras que permitiriam que a principal escola pública do bairro da Grama abrigasse um maior número de crianças. “Não parou nem o horário integral”, diz Rosane Viana, coordenadora do horário integral da escola.

A Igreja Nossa Senhora Aparecida é uma das parceiras que acolheram os estudantes da pré-escola à quarta série do Ensino Fundamental. Rosineide de Freitas Oliveira, coordenadora geral da Darcy Ribeiro, costurou parcerias com um armarinho, um salão de festas e até mesmo com uma instituição particular de ensino do bairro. “Hoje, quando as crianças demoram a chegar nos parceiros, eles nos ligam querendo saber o porquê”, afirma Rosa Viana.

As obras deviam ter acabado antes do reinício das aulas, mas já é possível ver as cores e as formas modernas da nova fachada. “Os alunos estão curiosos”, diz a mesma Rosana. “Toda hora eles vêm aqui me perguntar quando começarão a estudar nas salas reformadas.”

“Muitas mães começaram ou voltaram a trabalhar porque passaram a ter onde deixar os filhos”, diz Rosineide. Esse processo de libertação está sendo estudado pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O objetivo do estudo é calcular o impacto na renda das famílias que deixam os filhos em período integral nas escolas.

terça-feira, 1 de abril de 2008

MV Bill está em casa

Rapper faz show de abertura do Fórum Mundial
de Educação


Por Louise Teixeira
Fotos - Louise Teixeira

“Estou muito feliz por ter sido convidado para estar aqui, neste fórum mundial de uma das coisas que mais prezo, que é a educação. Nada no mundo vai mudar sem a melhora da educação, sem que as nossas crianças, a nossa esperança que são as crianças, recebam uma boa educação”.

Foi mais ou menos assim que Alex Pereira Barbosa, o nosso querido MV Bill, iniciou seu show na abertura do Fórum Mundial de Educação, em Nova Iguaçu. Como sempre, o cantor se mostrou muito preocupado com a educação e com as crianças do país, e em seu improviso, agradeceu o convite, elogiou a platéia (pequena, mas muito animada), declarou o de Nova Iguaçu um de seus melhores shows no Rio de Janeiro e mandou a sua mensagem para a juventude presente.

E não só ele, sua irmã Kamila também mandou sua idéia! Disse o quanto o fórum é necessário para nossas crianças e que não depende só do poder público o nosso futuro, mas de cada um de nós.

De volta ao quintal

Psicóloga de Vila de Cava cria brinquedos pedagógicos para o Bairro-Escola.
Por Flávia de Sá e Natalia Ferreira
Fotos - Leonardo Victor
Márcia Guadalupe é psicóloga, educadora e parceira do programa Bairro-Escola, que conheceu melhor no projeto “Escola de Paz” da Escola Professora Irene da Silva Oliveira, em Vila de Cava. Esse projeto reúne os pais dos alunos a cada dois meses para que tenham um dia igual ao dos estudantes. Mãe de Ariel, Márcia se encantou com o que viu e ofereceu o quintal da sua casa para o programa. “O Bairro-Escola tira as crianças da rua”, elogia a psicóloga. “O programa também permite que elas se sociabilizem com os outros coleguinhas.”
No Quintal da Márcia, os alunos do horário integral são recebidos com três cês: “Criatividade, compreensão e carinho", explica a psicóloga. Segundo ela, o quintal é um espaço especial para trabalhar a educação. “Aqui a criança tem contato com a terra e com as plantas”, diz.
Márcia criou diversos brinquedos que funcionam como ferramentas educacionais. Uma tirolesa improvisada com um cabo de aço entre duas árvores ensina conceitos de física como velocidade, peso e deslocamento, além de trabalhar a fobia de altura que afeta algumas crianças. Há ainda o “
skate de árvore” e o “elevatório”, que ajudam a desenvolver a coordenação motora da criança de forma radical. “Já reparou que toda criança gosta mesmo é de ficar em pé nos balanços de praça pública?”, pergunta. “Então, aqui eles podem.”
Com as lixeiras coloridas, as crianças aprendem a fazer coleta seletiva de resíduos como papel, metal, plástico e vidro. “As diferentes cores dos latões também ajudam na identificação de casos de daltonismo”, diz Márcia.

O caldeirão da Cerâmica

Cena cultural toma palco da chacina.

Por Flávia Ferreira
Fotos - Mazé Mixo

Ainda se podia sentir o cheiro de pólvora na Cerâmica quando a lona cultural da Escola Municipal Douglas Brasil abrigou o Nós do Morro, grupo teatral que tirou a favela do Vidigal das páginas policiais e a colocou nos cadernos culturais. Dois anos depois da chegada do grupo, hoje rebatizado como Nós da Baixada, há uma dinâmica cena cultural no bairro marcado pela chacina. “Meus alunos de 12, 13 anos discutem teoria teatral”, orgulha-se Anderson Dias, coordenador artístico do núcleo.

A criação dessa cena cultural não foi nada fácil. Depois de passar pelo árduo processo de seleção e capacitação de 50 profissionais do município de Nova Iguaçu que integrariam o núcleo da Cerâmica, Anderson iniciou o trabalho com uma comunidade disposta a tudo para esquecer a tragédia da noite de 31 de março de 2005. “A gente precisa lembrar para impedir que se repita”, sugeria. Mas o resgate da memória esbarrava nas lágrimas de uma das alunas, que havia perdido um irmão na chacina.

Apesar do estigma, o trabalho evoluiu primeiro para a Escola Municipal Estanislau Ribeiro do Amaral e depois para a própria comunidade, atraindo cerca de 250 jovens para as oficinas agora realizadas em um espaço próprio. Mas já em Fotos e fatos, primeiro espetáculo montado pelo Nós do Morro na Baixada Fluminense, ficou claro que o trabalho na Cerâmica extrapolava o evento cultural. “O trabalho social termina sendo mais importante do que o artístico”, avalia.
Anderson tem dados de sobra para sustentar essa tese. “Além de termos formado um público teatral na Cerâmica, conseguimos sensibilizar o comércio local para financiar nossos espetáculos”, diz. Outro sinal dos novos tempos vividos no palco da chacina foi o Varal Cultural, espaço de experimentação artística onde cada centímetro é disputado pelos artistas da comunidade. “Isso aqui está virando um grande caldeirão cultural”, afirma.
O sucesso da experiência terminou produzindo uma pequena crise no grupo, motivada pelo desejo de profissionalização de alguns integrantes. Anderson não descarta a possibilidade de um novo Cidade de Deus, que deu fama internacional para os atores do núcleo do Vidigal. Mas, apesar do desempenho da atriz Carlinha no comercial produzido para o Bairro-Escola, ele tem medo de colocar o carro na frente dos bois. “Ainda temos um longo caminho pela frente”, afirma. “Tudo que vier será conseqüência de um trabalho bem feito.”

Uma kombi que resiste ao tempo

II IGUACINE Exibido na sessão de homenagens do II Iguacine, 'Marcelo Zona Sul' continua encantando plateias 40 anos depois de sua es...