quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Cidade dos jovens repórteres




Olá, estamos trabalhando em um novo projeto, chamado CulturaNI. Lá estão as novas matérias e reportagens que estamos produzindo. Clique no nome em negrito ou na imagem e acesse o nosso novo blog! Mas o Jovem Repórter não vai acabar. Parafraseando aquela personagem do filme Cidade de Deus, jovem repórter não para; jovem repórter dá um tempo

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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Uma kombi que resiste ao tempo

II IGUACINE

Exibido na sessão de homenagens do II Iguacine, 'Marcelo Zona Sul' continua encantando plateias 40 anos depois de sua estreia
por Larissa Leotério

O homenageado da última noite do Iguacine foi Xavier de Oliveira, diretor dos longas “Marcelo Zona Sul” (1970), “André, a cara e a coragem” (1971), “O vampiro de Copacabana” (1976) e “Gargalhada final” (1978). O diretor e roteirista, de 71 anos, conta um pouco sobre o início de sua carreira, além de comentar a atualidade de seus filmes.

“Marcelo Zona Sul” foi filmado em 1969, portanto, quarenta anos atrás, mas para efeito de estatística, considera-se sempre a época de lançamento, 1970. Foi o primeiro longa-metragem de Xavier de Oliveira. “Participei do primeiro concurso de cinema amador do Rio de Janeiro”, conta, revelando o percurso que todo mundo faz. Nesse festival, ganhou o primeiro prêmio por um documentário chamado “Escravos de Jó”, com crianças de favelas, tema de cunho social. Em função deste prêmio, ganhou financiamento para fazer outro curta, sobre arquitetura. Participou de equipes como assistente de direção e “continuista”.

Até que, em 1969, Xavier conseguiu reunir um pequeno recurso para iniciar o filme “Marcelo Zona Sul”, um filme de custo muito baixo que tinha “uma equipe que cabia dentro de uma Kombi”. Uma outra Kombi carregava todos os equipamentos. Foi um filme que foi cuidadosamente planejado para que tivesse um custo bastante reduzido, mas que fosse, ao mesmo tempo, um filme de bastante comunicação popular. “Minha intenção não era fazer um filme miúra, como se chama, em termos de renda. Eu queria fazer um filme de repercussão, de comunicação e de reflexão”, diz ele.

A reflexão a que Xavier se refere é sobre a classe média, e o conflito entre adultos e o mundo jovem. A ideia era mostrar o mundo sob a ótica do Marcelo, personagem irreverente e transgressor, mas que tem uma reflexão interessante na medida em que ele analisa, por exemplo, os pais e as pessoas de forma até caricatural. Além de tudo, mostra que, ao final da vida, o personagem transgressor vai virar um burocrata, como o pai. É lamentável, mas é o que acontece.

Se Xavier fosse fazer a continuação de Marcelo Zona Sul, provavelmente mostraria o ingresso do personagem no mercado de trabalho. “Ele teria que por terno e gravata, bater ponto e tudo o mais. A vida é muito dura”, diz o diretor. O desejo do diretor era que o filme pudesse ser um dispositivo de reflexão, de baixo custo e com penetração popular. “Queria que as pessoas assistissem e fizesse uma análise da própria vida”, revela.

“Marcelo Zona Sul” ainda é bastante atual. “O cinema tem uma coisa muito ingrata. Às vezes, um filme envelhece”, diz Xavier. Até um filme muito bom, após trinta anos, pode nos dar a impressão de que “caducou” e, em certos momentos, a gente acha que o filme perde até vitalidade. “Posso dizer até, sem nenhuma modéstia, que o filme “Marcelo” continua de pé”, afirma.

Essa afirmação do diretor foi tema de uma pergunta de um crítico de Minas Gerais. “Por que o filme ‘Marcelo Zona Sul’ continua de pé?”. Xavier também não sabe responder. Ele acredita que pode ser pela verdade humana contida no filme, uma verdade que passa de uma geração para a outra. “Talvez seja isso”. E, de fato, não é simples dizer por que um filme envelhece e outro não, nem por que um filme tem tamanha projeção em sua época e, após anos, ele se torna um filme enfraquecido.

Interatividade:
Enumere aqui os filmes antigos que na sua opinião não envelheceram.

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Luzes, câmera... e... decepção?

II IGUACINE

Curtas apresentados no II Iguacine mostram um fôlego criativo dificilmente encontrado nas grandes produções patrocinadas pela Lei Rouanet
por Leonardo Lopes

Prestigiar o cinema nacional nem sempre é tarefa das mais fáceis, podendo ser até mesmo algo extremamente penoso e árduo em alguns casos. Criar expectativa de assistir a um filme bem dirigido, cujo roteiro seja capaz de entreter e que possua um enredo que se mostre consistente é algo difícil se fazer. A possibilidade de se decepcionar também é enorme, com raríssimas exceções. Ainda mais se tratando de "grandes produções" feitas com patrocínio de empresas gigantes detentoras de cifras, literalmente, cinematográficas.

Infelizmente o nosso amado cinema se tornou apenas motivo para chacota, vítima de produtores imbecilizados que focam seu "trabalho" apenas no trivial, no clichê, e por que não, no grotesco. Mentes ditas pensantes, responsáveis por divulgar e disseminar “cultura” acabam por espalhar sua total insensatez.

Ao analisar essas grandes produções mais a fundo, constata-se que há dois elementos que nunca deixam de ser tema recorrente em sua quase totalidade: a obscenidade desnecessária e o linguajar sempre vicioso, de baixo nível e com uma quantidade avassaladora de palavrões que deve quebrar qualquer recorde existente neste quesito.

Não é questão de puritanismo ou demagogia. É puro bom senso. Onde estão os diálogos inteligentes e bem elaborados? Onde diabos enterraram aquele roteiro original e surpreendente? Filmes feitos com toda a dedicação e vontade são peças em extinção. Mas sabem onde foi parar a motivação das mentes "brilhantes" por trás das obras cinematográficas brasileiras de grande porte? Está na bunda, nos peitos e em qualquer outra parte do corpo passível de exploração e que faça sua parte em "cativar" o público, gerando a tão necessária arrecadação.

Porém nem tudo está perdido. O que pode nos salvar do marasmo cultural vem em doses homeopáticas nos filmes independentes e nos curtas. Sim, nos muitas vezes desvalorizados curtas, feitos com pouco recurso, orçamento limitado e muitas vezes sem apoio algum dos nossos amabilíssimos representantes.

Esses filmes são criados com muita inteligência e determinação, mostram-se capazes de retomar os ideais do cinema novo, retratando a realidade nacional, com foco nas mais diferentes questões sociais, sempre abordadas de modo único, captado, muitas das vezes, através das lentes dos diretores iniciantes e dos que possuem experiência.

O que se pode observar até hoje nos grandes filmes é a visão estereotipada do ‘pobre boca-suja que adora uma putaria’. O mais “engraçado” é que esses personagens são introduzidos em QUALQUER filme, mesmo sendo sobre a Segunda Guerra Mundial, por exemplo.

É quase garantido ver um pracinha, que teve origem pobre e cresceu nas ruas, chamar algum amigo por um apelido infame enquanto se dirige a algum prostíbulo antes de partir. Isso sem falar, é claro, que em 90% do tempo, ele vai reclamar e xingar.

Em debate com Domingos de Oliveira, diretor de “Todo mundo tem problemas sexuais” – um excelente filme por sinal, onde podemos ver um humor bem dosado cujas tiradas mais pesadas eram pertinentes e não simplesmente impostas – levantou-se a questão da importância de ter no elenco ao menos uma estrela famosa da TV e algumas mulheres nuas – exigências já feitas a ele para que um filme seu pudesse ser patrocinado e, assim, refeito. É inadmissível que se pense desta maneira. Se um filme bom tiver que ser vulgar, e para captar recursos tiver que cometer suicídio cultural e amputar as próprias ideias, é preferível continuar sem o apoio destes ditos “poderosos”.

Mas vamos encurtar essa história. Ainda há uma luz no fim do túnel. Talvez pela liberdade para produzir, ou pela falta de censura dos "patrocinadores", estas obras – os maravilhosos curtas e produções independentes – podem expressar livremente os mais variados ideais sem ter de pedir socorro aos governantes acomodados em confortáveis cadeiras de couro importadas.

Encontrado no blog http://quemdissequeociomata.blogspot.com/

Interatividade:
Qual foi a melhor cena de sexo que você já viu em filmes brasileiros?

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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Risomaníacos

II IGUACINE
por Lívia Pereira

Cena do crime: Teatro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro.
Personagens: Compulsivos Obsessivos por Manifestações Exaltadas e Risonhas (COMER`s).
Vitimas: Ouvidos alheios.

O II Iguacine, palco de grandes revelações artísticas e culturais, deu-nos a possibilidade de enfrentar, durante as sessões, as manifestações histéricas e bizarras das mais variadas risadas possíveis e impossíveis de se achar por ai.

Filme na tela, concentração do espectador, trilha sonora de suspense e... de repente, eis que surge um ruído assustador: HAHAHAHAHAAAAAAAAAAAA!!!! Mas, não temais! É apenas uma risadinha estranha.

Poderiam surgir daí estudos específicos sobre o momento de se rir em uma sala de exibições cinematográficas, pesquisas filosóficas do porquê de se rir, pensamentos sociológicos sobre o envolvimento social com a risada, conceitos geográficos sobre o terreno acidentado de tais formas de se expressar as emoções, fósseis descobertos sobre a primeira gargalhada das cavernas, estudos linguísticos sobre onomatopeias grotescas, mas fiquemos por aqui, pensativos ainda sobre esses impulsos e sobre nossa responsabilidade diante dos ouvidos alheios. Se queres um bom amigo, cative seus ouvidos. Dê boas gargalhadas.

Em breve, fascículo do Curso Intensivo “Aprenda a rir (sem dor de cabeça) em público”.
Próxima matéria: Evite fazer “Shhhhhhhhiiii” no cinema.

Interatividade:
Qual é a pessoa que você conhece que tem a risada mais engraçada?

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Arquitetura do Festival

DOMINGO NO II IGUACINE

"Arquitetura do corpo" é eleito o melhor filme do Iguacine
por Mayara Freire e Raphael Teixeira / foto por Mazé Mixo

O 2º Festival de Cinema de Nova Iguaçu terminou em clima de comemorações e homenagens. No domingo, o melhor entre os 31 filmes escolhidos para concorrer a premiação, foi julgado por três profissionais do audiovisual. O documentarista Emílio Domingo, o produtor de cinema Raul Fernando Chaves e o crítico de cinema Rodrigo Fonseca, elegeram o curta-metragem “Arquitetura do Corpo”, do diretor mineiro Marcos Pimentel, como o melhor filme do Iguacine. A justificativa da decisão, segundo Rodrigo Fonseca, foi pelo criador ter abdicado das ferramentas da palavra, confiando à fotografia e à montagem a tarefa de promover reflexão e gerar poesia a partir do registro do movimento.

O grande vencedor não pode comparecer no evento, mas ganhou quatro latas de negativo 35 mm x 400 pés, da Kodak, e quatro horas de telecine off line ou color granding, da Finishing House Link Digital, além do empréstimo de equipamento e mixagem, do Centro Técnico Audiovisual – CTAV. “Decidimos escolher um prêmio que contribuísse para o vencedor, a fim de mudar sua vida e estimulá-lo a continuar produzindo outros filmes”, explicou Valquíria Ribeiro, coordenadora do Iguacine.
Os jurados ainda surpreenderam os outros concorrentes, dando menções honrosas e troféus aos destaques do festival. Leonardo Remor, com o filme “Sobre um dia qualquer”, foi considerado o diretor revelação do Iguacine. “Impressionante para um trabalho inicial do realizador, que teve um ótimo desempenho na escolha do elenco, direção de arte e fotografia”, elogiou Raul. Outros filmes que ganharam menções foram “O anão que virou gigante”, do carioca Marão e “Sala de Montagem”, de Umberto Martins, de São Paulo. “Demos preferência a criar premiações para tentar contemplar mais filmes, pois ficamos satisfeito com a diversidade e a qualidade do festival. Quebramos o protocolo. Avaliamos o conjunto como o roteiro, fotografia e direção. Um dos critérios de avaliação importante foi o contato e a expressão do público”, explicou jurado Emilio Domingo.

Dois curtas cariocas foram premiados pelo site Porta Curtas: “Depois das nove”, de Allan Ribeiro e “Animadores”, de Allan Sieber. Eles ganharam R$500, além da veiculação do filme disponível por um ano no site. Os cineclubes Mate com Angu, Buraco do Getúlio e Cine Santa Teresa foram homenageados. No entanto, o cineasta Xavier de Oliveira foi uma das maiores referências do evento e ganhou um troféu de reconhecimento. Durante o dia da premiação, foi exibido seu filme “Marcelo Zona Sul”, filmado na década de 70. A coordenadora do Iguacine Valquíria Ribeiro contou qual foi a principal intenção do Festival na cidade. “Queríamos formar plateia, pois são tipos de filmes que a população não tem acesso. Além disso, queríamos trazer coisas novas e acima de tudo, difundir a realização do cinema".

Interatividade:
Qual foi o destaque do Festival de Cinema, na sua opinião?

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