terça-feira, 30 de junho de 2009

Gol de letra

JARDIM PERNAMBUCO

Futebol muda vida de jovens em Jardim Pernambuco
por Mayara Freire

Há seis anos acontece um projeto, no Campo do Brasileirinho, que tem mudado a vida de crianças e jovens que moram no bairro Jd. Pernambuco. O campo tem grande importância para o bairro por oferecer oportunidade para pessoas que querem iniciar aulas de futebol. O funcionário público Williams da Silva, de 44 anos, conhecido na região como Lila, decidiu iniciar o Projeto Comunitário Brasileirinhos do Futuro. Mesmo com dificuldade de ter recursos, hoje o projeto atende 90 alunos, de 5 a 18 anosde idade.

Lila, que mora no bairro há 30 anos, sempre jogou futebol no campo e sentiu a necessidade de ensinar as crianças. “Eu sempre joguei futebol neste local e decidi ser voluntário ajudando transformar a vida deles. O nosso principal objetivo é tentar formar cidadãos de bem. Queremos integrá-los com os pais e comunidade. Além de treinar, também cobramos estudos e motivamos a se afastarem de coisas erradas como as drogas”, conta.

Segundo ele, o resultado tem sido positivo. Os pais acompanham o desenvolvimento dos alunos e percebem que estão melhores no seu comportamento depois de entrarem no projeto. “Mantemos sempre a proximidade com os pais para ajudá-los no desenvolvimento. Com isso, ensinamos disciplina, postura e responsabilidade aqui e na vida. Não temos condições de ter psicólogos, professores de educação física e assistente sociais, mas fazemos o que está ao nosso alcance”, explica Lila.

Tudo começou com cinquenta crianças em 2003. Por iniciativa própria, Lila forneceu todo o material para as crianças. Com o apoio do Esporte Clube Brasileirinho (ECB), que existe há 43 anos, se iniciou o projeto. Lila afirma que a intenção é encaminhá-los para clubes grandes, acreditando na chance deles serem descobertos por 'olheiros'. “Mesmo que não sejam atletas futuramente, sei que estão bem encaminhados. O projeto muda com certeza a vida deles”, conclui Lila.

É notória a animação deles ao chegar no local, ainda pela manhã. Às oito e meia da manhã, todos estavam se aquecendo. O aluno William de Oliveira, de 11 anos, estudante da escola José Ribeiro Guimarães, demonstra sua animação em participar do projeto e conta seu sonho. “Moro aqui perto e sempre via as pessoas treinando no campo até eu decidir me inscrever também. Meu objetivo é ser um grande jogador de futebol. Atualmente só quero estudo e bola”, completa.

Já o instrutor Michel da Silva, 17, começou a ter aulas no projeto há cinco anos e hoje dá aula para os menores. “Cresci aqui, sou praticamente filho do projeto. Mesmo não ganhando dinheiro com isso, gosto de ajudar outras pessoas e ser voluntário. Tenho o sonho de ser jogador e já tive várias chances, acredito que eles também terão”, crê.

Este ano será a primeira vez que os alunos do Brasileirinho participarão de um campeonato oficial, o da Liga Iguaçuana. Os jogos serão no campo do Brasileirinho e também em Belford Roxo.

Segunda e quarta, as aulas são para os jovens e terça e quinta, pela manhã, o treino é direcionado somente para as crianças. A mensalidade custa R$ 3 por mês, preço simbólico para auxiliar na manutenção e na compra de materiais como bola e cone. As crianças só se encarregam de comprar o uniforme. O projeto disponibiliza inscrição para vagas até o final de junho. Para se inscrever precisa estar matriculado na escola.


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Como o esporte pode ajudar na educação de uma criança?

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Férias durante as aulas

CERÂMICA

Chamada Sítio do Nonot cede espaço para recreação das crianças do Douglas Brasil
por Raphael Teixeira

Uma parceria é sempre benvinda. E não é diferente com o Sítio do Nonot, na Cerâmica, que dá um apoio imprescindível ao Bairro-Escola e principalmente às crianças da Escola Municipal Douglas Brasil. A vontade de ceder o espaço para realizar algum projeto social foi crescendo aos poucos em Luciano Martins, responsável pelo sítio. “Eu queria ajudar de alguma forma. E pela proximidade do sítio com a escola, pensei em viabilizar o espaço para que as crianças também pudessem desfrutar”, diz Luciano.

O sítio do Nonot é um espaço particular destinado à locação para festas e eventos. Por isso é um exemplo de integração com a comunidade. Em vez de apenas se beneficiar comercialmente, Luciano resolveu contribuir com as crianças do seu bairro. E diz que se alegra em ver o sitio cheio de crianças brincando. Luiz Felipe, de 13 anos, adora ir ao sítio. “É muito bom quando a gente vem aqui. É bonito e tem muito espaço para a gente brincar. Dá até vontade de subir em todas essas árvores", diz o menino.

A diretora da escola, Jarina Almeida, conclui que há uma mudança no comportamento das crianças depois de ser formado o vínculo com o Sítio do Nonot. “Percebi pela empolgação que eles demonstram nos dias em que irão para lá. As faltas também diminuíram bastante. No começo, nós temíamos por ser um espaço bem amplo. Ficávamos com receio que eles se descontrolassem mais, correndo para todos os lados, por exemplo. Mas aconteceu justamente o contrário, eles se comportam muito bem.”

Érica Souza tem 14 anos e é aluna do oitavo ano. Ela diz que melhorou muito depois que passaram a ir para o sítio do Nonot. “Antes não tinha um espaço adequado para nós. Agora eu vejo que todo mundo gosta muito mais. Acho que é porque quando vamos para lá, nem parece que estamos em dia de aula. Parece um dia de férias, em que a gente está indo se divertir", diz.

São parcerias como essas que modificam a vida da comunidade. Com um pouco de contribuição e trabalho comunitário é possível realizar coisas que dão esperança para as crianças da nossa cidade.

Interatividade:
Você teve um lugar na infância em que se sentia como se estivesse de férias?

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Trocados solidários

VILA DE CAVA

Cecom cria mercado solidário para ajudar população carente de Vila de Cava
por Leonardo Oliveira e Lucas Lima

O Centro Comunitário São Sebastião de Vila de Cava – Cecom - foi criado em Vila de Cava depois de uma semana de reflexão bíblica sobre o Evangelho cujo objetivo era identificar quem eram os mais pobres do bairro. “Descobrimos então que eram as crianças”, lembra a irmã da Igreja Católica São Sebastião Regina Martins, de 69 anos. Todos os participantes da congregação saíram daquela semana com o objetivo de procurar uma saída para aquele drama.

A resposta da comunidade foi a criação do Cecom, onde hoje funcionam núcleos de alfabetização e escolas de informática, entre uma série de outras iniciativas capazes de mudar a realidade das crianças do bairro. Uma das mais recentes experiências encampadas pelo centro comunitário é o Mercadinho Solidário. “Nós nos inspiramos na chamada economia solidária, que tem por objetivo a valorização da cooperação e do trabalho humano”, lembra outra vez a irmã Regina.



O Mercadinho Solidário se alimenta dos ganhos obtidos em três áreas de atuação do Cecom. Uma delas é o grupo de reciclagem, que produz sabão a partir do óleo usado pelos moradores da região. O centro comunitário de Vila de Cava também tem uma importante atuação no campo da bioenergética, que faz uso das ervas e plantas como meio medicinal. Uma terceira fonte de renda da ong é a produção de macarrão. “Esses grupos doam os seus produtos para o Cecom, recebendo em troca a nossa moeda, chamada Cava”, conta Hellena Souza, 53 anos, uma de suas coordenadoras.

Com a moeda solidária em mãos, as pessoas que trabalham nas três frentes de produção do Cecom podem fazer compras no mercadinho uma vez por mês. “O valor que os grupos recebem é dividido igualmente entre os integrantes”, acrescenta a Hellena Souza, que tem plena consciência de que as compras não dão para o mês todo. “A função principal do mercadinho é oferecer condições para que essas pessoas recebam a recompensa pelo seu trabalho”, explica.

Por enquanto, apenas os integrantes dos grupos de produção têm acesso mensal ao mercadinho, mas seus organizadores sonham com o dia em que ele possa atender toda a região de Vila de Cava e mesmo de Nova Iguaçu. “Queremos tornar esse mercadinho diário”, sonha Hellena. No entanto, a equipe do Cecom tem consciência dos problemas que enfrentarão para alcançar esse objetivo. Um deles está em montar e manter esses grupos, uma vez que os mesmo são feitos de trabalho voluntário. “Você manter um grupo unido durante cinco anos sem salário é muito difícil”, diz o coordenador do grupo de reciclagem Darcídio Delfino, 68 anos. “Todas as pessoas que querem trabalhar desistem quando descobrem que é um trabalho por amor, que não tem salário.”

Outro grande problema do mercado solidário é o capital para a compra dos produtos. “O mercado não tem uma vida própria”, admite Darcídio Delfino. A dependência do Cecom, que financia a compra dos produtos, distancia as pessoas excluídas a ganharem meios de conseguir alguma fonte de renda, um dos objetivos do centro comunitário. “A gente sabe que esse pessoal não vai conseguir emprego”, afirma Darsídio. “Hoje o sistema é assim, os empregos exigem 2º grau e quem não tem não arruma e quem não arruma emprego não come”, conclui.


Interatividade:
Qual a erva que sua família usa quando surge algum problema de saúde na sua casa?

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A montanha vai a Maomé

MIGUEL COUTO / VILA DE CAVA


Inscrição no Bolsa Família mobiliza bairros de Nova Iguaçu
por Josy Antunes


Uma forte divulgação foi feita – através de cartas, cartazes e carro de som – para que, no mês de junho, cerca de 40 mil famílias fossem beneficiadas com o Bolsa Família, comparecendo no recadastramento realizado em diversos pontos de Nova Iguaçu. “Nós mandamos 47.028 cartas”, contabiliza Silvana Moreira, que trabalha no evento desde 2006. A convocação foi para os sete dias do evento, com data inicial em 23 de junho, na Vila Olímpica.

Às nove da manhã, as senhas começam a ser distribuídas. Em Miguel Couto, no dia 24, foram entregues pelo menos 1500, até meio-dia, horário em que terminava a distribuição. Lúcia Helena, uma das mães que aguardavam o atendimento, exibia o cartão com o número 1075. Mas, enquanto esperava, pode passar pelo estande da saúde. “Já nos pesamos. Pesam a mãe e as crianças”, conta ela, que toma o momento como uma oportunidade de confraternização da comunidade. “O dinheiro também é importante, mas o evento é um lazer”, diz Lúcia, cujos dois filhos, matriculados no Bairro-Escola em Miguel Couto, ganharão materiais novos comprados com o dinheiro que será recebido pela mãe.

Pequeno Trecho de Silvana Moreira


As crianças que acompanhavam as mães, depois de terem sido atendidas pelos profissionais da saúde, brincavam umas com as outras dentro da quadra da Praça de Miguel Couto – próxima ao posto do D.P.O. – onde acontecia a concentração de pessoas, e no parquinho ao lado. Daiana Santos observava seu filho que, com apenas dois anos, apresentou um problema de vista que brevemente será solucionado. “Esse dinheiro já vai ajudar para comprar os óculos dele”, conta a moça, que recebe o benefício pela primeira vez.

O prefeito Lindberg Farias faz a abertura dos eventos, esclarecendo como os procedimentos do dia são realizados. Juliana Conceição acompanhou a fala em Miguel Couto: “Ele conversou com a gente, falou sobre o projeto, foi legal.” Desempregada e recém-divorciada, a ajuda veio a calhar. Suas duas filhas, uma de duas e outra de sete anos, já terão o auxílio com alimentação. “Ajuda bastante”, conta Juliana.

O objetivo da programação, segundo Silvana Moreira, é proporcionar o recadastramento às famílias que não podem fazê-lo diretamente na secretaria. “Algumas famílias até vão, mas pra outras fica difícil, até por falta de informação”, afirma, explicando também que os eventos têm parceria com o CRAS, Centro de Referência de Assistência Social.

Às 11 da manhã do dia 25, em Vila de Cava, 1.200 senhas já haviam sido distribuídas. “Eu cheguei às 6h30 para aguardar a senha na fila”, explica Maria de Lourdes, sobre a grande quantidade de pessoas que se adiantam para não pegar uma senha de número alto. “Soube de pessoas que chegaram às 3h30. A minha senha é 317.” Segundo ela, além do benefício que estava prestes a receber, existe a necessidade da facilidade ao acesso à cirurgia de ligadura de trompas. “A população também precisa disso”, alega Maria, referindo-se a mães que chegam a ter de cinco a sete filhos. Sua filha, de cinco anos, já está com a vacinação em dia. Mas as mães que estavam atrasadas quanto a isso, tiveram chance de atualizar o cartão de vacinas dos pequenos. “As crianças, de 0 a 7 anos, são acompanhadas, pesadas e medidas. E também as mulheres gestantes e que amamentam”, afirma Silvana Moreira.

Futuro melhor

Nas caixas de som do local, as senhas eram chamadas, e o anúncio foi feito: “Abertas as inscrições para o ProJovem, para adolescentes de 15 a 17 anos”. Elas poderiam ser realizadas lá mesmo, desde que o jovem interessado estivesse acompanhado do responsável. “O ProJovem visa trabalhar todo o potencial do adolescente em meio período, trabalhando com esporte, cultura, debates e reflexões”, explica Rejane Pussente, coordenadora pedagógica do ProJovem Adolescente. Ela esclarece também que mesmo que o jovem não esteja matriculado no ensino regular ou não possua documentos, ele pode efetuar a inscrição. “Um dos nossos objetivos é incentivar o regresso à escola e a regularização da documentação”, afirma. Só no dia 24, em Miguel Couto, 54 adolescentes foram inscritos e começarão as aulas de imediato. “Eles vão escolher qual é o local de melhor acesso: Nova Brasília, Miguel Couto, Iguaçu Velho ou Vila de Cava”, explica Rejane.

Sabrina Araújo, de 15 anos, que estava acompanhando sua mãe, ficou satisfeita por ingressar no programa, no qual terá aulas de 9h às 11h. “Espero com ele um futuro melhor”, declara a menina. O evento, em Vila de Cava, também serviu para que Marta de Oliveira inscrevesse seu filho de 16 anos. “Hoje me deu vontade de inscrever, pra ocupar mais o tempo dele”, alega ela, que se sentiu motivada com as explicações dadas no momento.

A Defesa Civil da Prefeitura de Nova Iguaçu marcará presença em todos os dias do evento, devido à grande concentração de público que se faz presente. “É um benefício muito grande que o governo federal, em parceria com a Prefeitura, está trazendo aqui pra Nova Iguaçu. E a Prefeitura do Lindberg vai seguir a ampliação pra mais 10 mil famílias”, declara o Coronel Paulo Renato Vaz, responsável pela equipe da Defesa Civil que está acompanhando a agenda do evento. Segundo ele, mesmo com o grande número de pessoas, não houve nenhum problema. “Não tem porque ter correria ou tumulto, tendo a senha vai ser atendido”.

Aqueles que porventura não conseguiram retirar a senha para o atendimento – no dia 24 em Miguel Couto, 25 em Vila de Cava e 26 no Aeroclube – podem ir nos demais dias, conforme a programação:
- Dia 30 em Comendador Soares, no Morro Agudo Futebol Clube, na rua Lafaiete Pimenta, nº 201, próximo a estação de trem.
- Dia 01 de julho em Austin, no Clube Ferroviário, que fica na rua 15 de novembro, nº 200, também próximo a estação.
- Dia 02 de julho em Cabuçu, na avenida Taquaritinga, nº 59, antiga estrada Cabuçu.
- Dia 07 de julho no Km 32, na praça ao lado do D.P.O.

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Você consegue imaginar o Brasil sem o Bolsa Família?

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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Conselho de mãe

JARDIM NOVA ERA


Mãe cuida da Escola Municipal Professora Leopoldina M. B. de Barros desde a fundação
por Alexia Sousa

Ivanice Pinto Moreira tem 42 anos e trabalha como faxineira. Tem 3 filhos que estudam na Escola Municipal Professora Leopoldina M. B. de Barros. Muito dedicada e atenciosa à educação dos seus filhos, ela resolveu participar da vida escolar, logo após sua fundação, como representante de um grupo de mães que debatem idéias para a melhoria da educação. Porém, por ser a representante, ela se destaca entre as demais mães por suas ideias criativas. Dentre elas está a sugestão do "cofrinho" para os alunos pagarem uma espécie de multa caso aja atos de vandalismo na escola. A iniciativa tem a finalidade de conservar o ambiente de estudo deles.

Entretanto, a direção não pode adotar essa ideia, já que por lei a escola não pode "pegar" dinheiro das crianças. Mesmo assim a escola admite que a intenção dessa sugestão é favorável à educação dos alunos ao evitar a destruição da escola. À partir isso, a direção está avaliando a ideia para ver se há outra forma de colocá-la em prática sem fazer ligação com o dinheiro dos alunos.

Por ter estudado até a 7ª série, por falta de oportunidade e conhecimento, ela luta pela educação de seus filhos e dos demais alunos da escola. "Quem não tem conhecimento, não tem vida, não faz a diferença e se torna invisível para sociedade", diz Ivanice, com firmeza. Pela sua experiência de vida e por sua determinação, ela é reconhecida pela direção e pelos professores. "Devido aos seus conselhos indispensáveis, tanto pessoal como profissional, aqui na escola a consideramos como a nossa conselheira", diz com empolgação o diretorMaximiliano Marini Melo, o tio Max.

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Como enfrentar o vandalismo na escola?

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Haja saco

JARDIM PERNAMBUCO

Sacolinha de leitura ajuda a formar leitores na Ivonete

por Flávia Ferreira e Luíza Alves

A incentivadora à leitura Raquel Natal da Costa, 31 anos, trabalha com um projeto de leitura hácerca de um ano e meio na Escola Municipal Ivonete dos Santos Alves, em Jardim Pernambuco. A "Sacolinha Literária" incentiva os alunos a terem um contato mais próximo com a literatura. "As crianças são convidadas a pegar livros na biblioteca e levam na sacolinha para casa. Eles têm a data marcada para entregar o livro, mas como não temos tantos livros assim, eu faço duas turmas, tanto do horário integral quanto do regular", disse a incentivadora. Diferentemente do que se faz agora, as professoras costumavam ler os livros em sala de aula. De acordo com Raquel, o empréstimo de livros acabou ajudando os alunos a interagir com suas próprias famílias, uma vez que alguns não sabem ler e precisam da ajuda de algum familiar para fazê-lo. "Essa é uma forma de contaminar a família com o interesse pela leitura", aposta Raquel.

O trabalho está funcionando tão bem que, antes mesmo de Raquel chamar os alunos, eles a procuram para pegar os livros, algo que a surpreendeu. Inicialmente, ela teve receio de tirar os livros da escola, achando que as crianças não teriam cuidado e até que não os devolveriam. A responsabilidade dos baixinhos impressionou a professora. "Os alunos são super responsáveis, e claro que alguns atrasam mais são poucos
", diz a diretora Claudia Sales, que percebeu um aumento no rendimento escolar, principalmente o vocabulário e a escrita, depois do projeto. Ela prefere correr o risco de acontecer algo aos livros do que mantê-los presos em uma sala.

No entanto, para que esse empréstimo pudesse acontecer, duas semanas antes do projeto ser implantado houve todo um trabalho de conscientização com os alunos. Tudo para que eles tivessem cuidado com o que estariam levando para suas casas e a consciência de devolvê-los no prazo estipulado. "Comecei a contar histórias para estimular, falei dos livros, que eles estavam na biblioteca e que eles poderiam pegá-los, mostrei a sacolinha, e por ai foi", explicou ela.
Os livros vieram de uma compra que a Prefeitura realizou há dois anos, mas o estoque ainda é pequeno. Mesmo com a ajuda da comunidade, ainda se necessita de mais para suprir a demanda necessária. O colégio aceita e incentiva a doação de livros para sua biblioteca.

As sacolinhas que protegem os livros foram conseguidas junto à Secretaria Municipal de Educação (Semed). Elas foram um reaproveitamento das bolsas que sobraram do Fórum Mundial de Educação 2008, as quais sofreram algumas modificações para que fosse possível utilizá-las com as crianças. A proposta é sempre trabalhar a sacolinha literária com as demais atividades, para fazer uma integração entre todo ambiente escolar. "Isso é importante porque une os professores e os alunos em um só trabalho. Aqui as coisas só funcionam porque o trabalho é integrado", disse ela.

Uma das alunas mais fiéis à sacolinha é Andreza de Oliveira, aluna do 4º ano de oito anos de idade, cujo interesse pela leitura foi despertado com a leitura que a mãe fazia de “Cinderela”. “Assim que chego em casa tomo banho e se não tiver tarefa de casa começo a ler”, diz ela, que atualmente gosta mais de “Cachinhos dourados”. Vitor da Silva, aluno do 3º de 10 anos, também vive procurando a professora para pegar livros como “O menino maluquinho combatendo a dengue”, seu título favorito. “Fico chateado quando não é o dia da minha turma pegar livros”, diz o menino.


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O que impede você de doar livros para projetos como o da Ivonete?

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Vitória contra todas as adversidades

VILA DE CAVA

Segurança de Vila de Cava dá aulas de taekwondo a 50 crianças da Baixada
por Mayara Freire / fotos de Mayara Freire

Para quem nunca ouviu falar, a Associação Fluminense de Taekwondo Ivan Varela (AFTIV) existe na Baixada há mais de 30 anos. Com sede em Mesquita e filiais em Vila de Cava e Nova Brasília, em Nova Iguaçu, tem formado muitos jovens atletas dessa arte marcial coreana que surgiu há cerca de dois mil anos. A associação já conseguiu conquistar aproximadamente 200 medalhas em campeonatos pelo Brasil, com atletas de sete a 45 anos.

O segurança e treinador Giovani Rayá, morador de Vila de Cava, é professor de 50 crianças. Com muita dificuldade, conseguiu classificar oito jovens em disputas importantes, o mais novo com 12 anos. “Estamos conseguindo formar vários atletas. Um deles está na seletiva para o pan-americano. Temos dificuldades financeiras, pois nem todos têm condições de pagar. Contamos com alguns parceiros como igrejas da região, Associação Comunitária de Vila de Cava, os próprios pais e os atletas. É difícil, mas gostamos de vê-los crescendo no esporte, criando perspectiva de vida. É gratificante”, contou Rayá.

O treinador cedeu um espaço na sua própria casa para oferecer os treinos. No entanto, ainda faltam muitos recursos. A mensalidade é 10 reais, mas nem todos podem pagar. A falta de patrocínio é o grande problema enfrentado pela AFTIV. “O maior patrocinador são os pais, que com muita dificuldade tentam comprar uniforme, pagar viagens para disputar campeonatos, mas nem sempre temos sucesso em tudo. Um aluno foi classificado para disputar nos Estados Unidos e Turquia, mas não teve possibilidade de ir pela falta de dinheiro”, ressaltou.


Este aluno chama-se Fábio de Magalhães, de 16 anos. “Pensamos em ser profissionais e viver do esporte”, diz ele, ignorando todas as dificuldades. “É a nossa paixão.” A atleta medalhista Eliana Paiva, 12 anos, moradora de Vila de Cava, conta a dificuldade da ausência de patrocínio. “Comecei no taekwondo com10 anos. Através da minha prima, conheci o esporte e comecei a gostar. Hoje estou quase na faixa preta. Gosto de viajar com a equipe, porém às vezes falta dinheiro.”

Rayá explica os benefícios do taekwondo vão muito além do esporte. “Os pais admiram e gostam muito. Sempre chegam até a mim e dizem que as notas melhoraram, que estão mais tranquilos e que mudaram o comportamento dentro de casa. Pessoas que só ficavam na rua sem fazer nada produtivo, hoje treinam comigo. É importante socializar o jovem, melhorar na escola e ensinar a se relacionar com outras pessoas. Ensino o respeito ao próximo e a responsabilidade.”

A Associação de Taekwondo conta com 10 profissionais. Em Vila de Cava, as aulas acontecem nas segundas, quartas e sextas-feiras. Por ano, disputam em média seis campeonatos pelo Brasil. O próximo será em São Paulo, no mês de Julho, no Brasil Open. Cada atleta gastaria em média 320 reais, quantia que ainda não é garantida entre eles. Rayá brincou
dizendo que na última disputa em Porto Alegre, por exemplo, lutaram contra a falta de patrocínio, o frio e o adversário. Entretanto, outros fatores o incentiva: “É quase um trabalho voluntário, pois não ganho com isso. Porém, faço de coração para ajudar essas crianças a se envolverem com o esporte. É maravilhoso ver a alegria deles”.


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Você gostaria de viajar pelo Brasil participando de competições esportivas?

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Nós não amamos todo mundo

VILA DE CAVA

Psicóloga social abre ciclo de palestra na Orestes dizendo que professores precisam se aproximar dos alunos.
por André Batisti e Julliane Mello

Na última quarta feira, a Escola Municipal Orestes Bernardo Cabral recebeu a visita da mestre em psicologia social Deborah Pinto, 37 anos. Ela foi até a escola de Vila de Cava a fim de participar do grupo de estudos organizado mensalmente pela instituição. É ali que todos os professores discutem os diversos assuntos relacionados à educação em sala de aula.

O tema do dia era a indisciplina dos alunos, que Deborah Pinto estudou por intermédio das fábulas. “Trabalho com a ética e a moral”, diz a mestre, que também é professora do ensino fundamental e língua estrangeira, com uma experiência de 17 anos. “Meu objetivo é fazer com que os professores relacionem esses assuntos com a indisciplina dos alunos.”

“Por que meu aluno é indisciplinado?”, perguntou ela. A resposta dos 18 professores presentes, condenando a educação que recebem em casa, foi mais uma prova de que o senso comum dificulta a real compreensão do problema. Para Deborah Pinto, grande parte da indisciplina se deve à barreira existente entre os mundos dos professores e dos alunos. “Vamos tentar conectar as duas realidades, pois somos seres humanos.”

Evitando o lugar comum de depositar o problema tão-somente na conta dos alunos,
Deborah Pinto pediu para que os professores avaliassem a si próprios, vendo até que ponto a indisciplina em sala de aula não começaria com eles. “Nós não amamos todo mundo”, lembra a mestre. No entanto, os alunos rejeitados pelos professores também fazem parte da turma.

Uma das questões centrais para se manter a disciplina na turma é ensinar as crianças a serem mais éticas e a terem mais moral. “Ética é tudo aquilo que praticamos quando fazemos o que nossa moral induz”, explica. “Criar um equilíbrio entre os dois é difícil, mas não impossível.”

A professora Regina de Souza, 29 anos e seis lecionando, saiu da palestra disposta a repensar seu papel diante da turma. “Trabalharei mais os valores ouvindo e também fazendo com que me ouçam, porém de uma maneira melhor, pois sei que nem sempre minha realidade é a realidade do aluno.”

A diretora Renata Neves, 30 anos, ficou satisfeita com o grupo de estudos. “Esse tipo de reunião é fundamental para que os professores possam compartilhar suas idéias e aprender uns com os outros”, afirma, que pretende levar a mestre à escola mais uma vez. “Esta só foi a primeira parte, iremos recebê-la novamente com o maior prazer.”


Interatividade:
Conte uma indisciplina que você fez em sala de aula.


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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Scrap de papel

MIGUEL COUTO

Correio Amigo da Ana Maria Ramalho aproxima alunos e incentiva a leitura e a escrita
por Camilla Medeiros

O processo de alfabetização é longo e exige muita dedicação dos professores. Por isso, todos os recursos utilizados para esse fim se fazem necessários na hora de ajudar os alunos. Como também enfrenta essas dificuldades, a Escola Municipal Ana Maria Ramalho se propôs a desenvolver uma estratégia para facilitar o processo educacional. O projeto "Correio Amigo" é resultado desse esforço.

O objetivo deste projeto é estimular a escrita e a leitura dos alunos. Um mural bem grande e colorido, feito com materiais recicláveis, foi colocado no pátio da escola. O mural possui várias caixinhas com o número correspondente às classes, para que as crianças depositem cartas para os alunos de outras classes e até mesmo para funcionários. Para isso, um aluno de cada classe foi nomeado carteiro. Ele é o responsável pela distribuição das cartas para sua turma.

“Esse projeto está tendo um papel fundamental no processo de alfabetização”, afirma Eleonora Agueiras, coordenadora de incentivo à leitura. “Elas sentem prazer em escrever e ler suas cartas. A leitura não se tornou obrigatória e sim um momento de brincadeira.” Além de incentivar a escrita e a leitura, o projeto Correio Amigo também aproximou as crianças de todas as classes, criando laços de amizade entre elas.

Mariana Borges, campeã das cartas, aprova a brincadeira. “Todos os dias eu escrevo cartas para minhas amigas, e recebo várias também”, confessa. Já Vitória Nascimento adora enfeitar suas cartas, e aguarda, sempre ansiosa, pelo momento do carteiro na sala de aula. “Eu peço para minha mãe comprar papéis de carta com desenhinhos, e escrevo sempre para a tia”, diz a menina. O sucesso do Correio Amigo pode ser notado no mural, que está sempre repleto de cartas para serem distribuídas na escola.


Interatividade:
O que você escreveria para a menina mais bonita da escola, se tivesse o Correio Amigo?

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As cores do arco-íris

MIGUEL COUTO

Bairro-Escola ajuda mãe voluntária a entender importância das diferenças
por Carine Caitano

Muito bom esse evento! Seria ótimo se tivéssemos sempre esse tipo de encontro”, disse Marilucia de Almeida Rodrigues sobre o evento para Mães Educadoras, que aconteceu nos dias 8 e 9 de Junho na Casa do Menor. Semanas após essa capacitação, ela nos conta como é participar da educação das crianças que não os seus filhos e mais, acompanhar a família na escola em que trabalha.

Marilucia já trabalhou como voluntário por dois anos na Casa da Sopa, em Nova Iguaçu. Essa instituição, que sobrevive de doações, tem por objetivo alfabetizar crianças de dois a seis anos, deixando-os aptos para sua iniciação nas escolas públicas do bairro. Apesar de ser um trabalho muito gratificante, ela sentiu a necessidade de passar mais tempo com seus maiores alunos: os filhos. “Minha filha mais velha largou os estudos para morar com um cara que conheceu por ai. Percebi que não queria isso para os meus três meninos e para os amigos dele. Resolvi passar mais tempo com eles para garantir um futuro melhor”, explica. Por isso, quando soube que a Escola Municipal Ayrton Senna, em Miguel Couto, estava precisando de mães para auxiliar no horário integral, logo se mobilizou para não ficar de fora: “Eu quis fazer parte disso. É uma atividade em que ajudo outras pessoas e posso estar perto dos meus filhos”, afirma.

Quem a informou da intenção do Bairro-Escola de trazer as mães para a sala de aula foi sua própria mãe, dona Inês. Maria Inês de Almeida Perez trabalha como cozinheira na escola Ayrton Senna há dois anos. Preparando o alimento das crianças, foi lá que ela encontrou a diversão e companheirismo que não teve na infância: “Eu não tive infância porque precisava trabalhar. Hoje eu agradeço a Deus por poder me realizar vendo essas crianças felizes. Acabo brincando junto! Bato corda, jogo peteca... Isso é ótimo”, diz, entusiasmada.

As duas praticam conceitos que aprenderam assistematicamente, no convívio com os mais novos. Marilucia fala de algumas dificuldades que encontrou e como está conseguindo passar por elas: “Tem muita menina de nove anos que só pensa em beijar na boca. No começo, eu achava um absurdo, depois vi que elas nem sabem direito do que estão falando. Ao invés de falar que não pode e ameaçar levar pra direção, eu aconselho que elas falem com a mãe. Vi que não adianta só brigar, tem que mostrar porque é certo ou errado.” Dona Inês diz ainda que é importante não ameaçar a criança, independentemente da idade. “Temos que sentar e conversar... Tentar criar uma relação de amiga. Tem criança que é muito carente e outras, agressivas demais. Sabendo lidar com elas, você pode melhorar a vida deles e colorir a sua.”

O maior beneficiado por essa dupla de educadoras é Clayton Rodrigues da Silva. Ele é filho de Marilucia e está adorando intervenção da mãe no ambiente escolar. “Eu não gostava muito de estudar”, informa Clayton, como se isso o definisse. Mas, ao continuar, percebemos que o orgulho é exatamente por agora ele adorar a escola: “Agora, que minha mãe tá aqui, acho muito maneiro! Ela bem que fica no meu pé, mas percebi que também me ajuda a ter disciplina”, reconhece. Apesar da facilidade de se expressar, o aluno tem dificuldade na aprendizagem, especialmente na escrita. Aliado a exercícios, cooperação da mãe e do trabalho com a orientadora pedagógica, ele está progredindo e tomando gosto pelas letras. “Eu nem falto mais as aulas de português, porque quero aprender logo. E era o que eu tinha mais dificuldade... Do resto eu gosto, gosto até de matemática! Eu sou muito do contra mesmo”, diz Clayton, fazendo uma careta engraçada.

A orientadora pedagógica, Ana Carla Rodrigues, que acompanha o desenvolvimento de Clayton, confirma: “Só o Bairro-Escola proporciona esse tipo de interação. Temos três gerações diferentes, que vivem contextos históricos e cognitivos diferentes. O objetivo da escola, atualmente, é provar que o conhecimento nasce justamente dessa interação e troca de conhecimentos. Como diria Dona Inês, é a diferença que nos ajuda a colorir o arco-íris.”


Interatividade:

Qual o papel sua mãe e sua avó tiveram na sua formação?

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Tribo da Cerâmica

CERÂMICA

Culminância da Estanislau homenageia negros, índios e meio ambiente
por Flávia Sá

A festa comemorativa da Escola Municipal Estanislau Ribeiro do Amaral, na Cerâmica, aconteceu no mais absoluto clima infantil. As crianças da escola se caracterizaram de índios e animais, com destaque para as turmas do primeiro e segundo ano. Essa comemoração foi uma iniciativa dos professores que ajudaram na produção das fantasias e dos objetos indígenas.

O evento começou com um pequeno atraso por causa de outras atividades que acontecem na escola, como o dia das mães. Nesta data, o colégio preparou uma pequena festinha para recepcionar as mães e homenageá-las. Cada mãe tinha que trazer um prato diferente feito por elas próprias. A festa foi um sucesso!

O dia do índio foi simbolizado com as armas de caça que eles usavam antigamente, alguns instrumentos e tijolos pintados na mesa, simbolizando gravuras indígenas. Cada professor ficou com uma tarefa. A professora Daniele, do primeiro ano, combinou com seus alunos de fazer um cartaz sobre a semana do meio ambiente.

O aluno Diego, de 11 anos, fez sua fantasia de índio com a ajuda de seus coleguinhas de turma e de sua professora. Diego ficou vestido a caráter durante a festa inteira. Telma, professora de ciências, ficou com a parte da abolição da escravatura. Para a apresentação, cada criança ficou com a tarefinha de ler sobre a vida do negro na época escravidão. Cada criança ficou com uma parte da leitura.


"É muito bom o incentivo à leitura, seja na escola ou em qualquer outro lugar”, disse Telma, entusiasmada. Seus alunos, depois da leitura, se organizaram para cantar a música do cantor Seu Jorge, em homenagem aos negros famosos.

Telma fez um cartaz onde só tinha negro rindo e feliz. Não queria uma imagem de negro triste, pois, para ela, o negro ainda sofre muito preconceito. “Não queria uma imagem de negro triste. Então resolvi pedir para eles encontrarem figuras com ícones negros da nossa música brasileira ou das artes cênicas para fazer esse cartaz”, diz Telma, explicando a seus alunos que todos são iguais independentemente da cor ou da raça.



Já a professora Aline ficou com a "preservação da natureza". Ela entretinha todos com sua irreverência. Foi muito prazeroso ver aquelas crianças prestando atenção em tudo a sua volta. A professora queria fazer com que seus alunos percebesse a importância de preservar a natureza. "Me acho no dever de conscientizá-los em não arrancar as folhas das árvores, nem pôr fogo na mata. Devemos preservar a natureza. Também dei exemplos de reciclagem, explicando a importância de separarmos o lixo”, disse Aline, muito satisfeita com o resultado dessa culminância.

No final da apresentação de cada uma das quatro turmas, as crianças foram encaminhadas ao refeitório. A pipoca e o suco de caju servidos simbolizavam o milho e o caju que os índios pegavam para se alimentar.

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Era das trevas

MIGUEL COUTO

Estética gótica
conquista garotada da Janir Clementino
por Dariana Nogueira

Quando ouvimos a palavra gótico, o que nos vem à mente... Morbidez? Cemitérios? Pessoas vestidas de preto? Pois a Escola Municipal Janir Clementino, em Miguel Couto, irá demonstrar como esta palavra que caiu no senso comum de forma tão simplista, representa coisas muito mais interessantes do que imaginamos.

Com o horário integral funcionando na escola, houve a necessidade cada vez maior de se implantar atividades que despertassem o interesse dos alunos. É nesse momento que a presença das mediadoras Ana Paula e Débora se torna essencial na escola.

Ana Paula, que é desenhista profissional, teve a idéia de incrementar as oficinas culturais que ocorrem semanalmente no colégio com o ensino da técnica de caligrafia gótica para os alunos. “A caligrafia gótica, apesar de muito bonita, caiu em desuso, sendo encontrada apenas em fachadas de igrejas, e muito raramente em convites de casamento. Sendo assim, eu me propus a resgatar a importância do estilo gótico, como uma forma de enriquecer o conhecimento dos alunos sobre culturas e realidades até então desconhecidas pra eles”, conta Ana Paula.

As aulas são práticas, mas vêm sempre acompanhadas de alguma teoria sobre o assunto, onde numa linguagem simples e descontraída Ana Paula e Débora - que também abraçou o projeto - conversam com as crianças sobre as origens do movimento na Europa durante a Idade Média, sua participação no Brasil, seus significados e práticas.

As oficinas também são integradas às demais atividades da escola. A decoração da festa julina, por exemplo, será incrementada com cartazes confeccionados pelas crianças, que além do gótico também aprendem outros estilos de letras manuscritas. Essa estética também foi aplicada nos cartazes que as crianças fizeram depois da visita feita aos pais, durante a pesquisa de antigas brincadeiras da comunidade. “É muito satisfatória a maneira como eles se envolvem”, lembra Débora com entusiasmo. “No Dia dos Namorados, por exemplo, isso aqui ficou uma loucura, era cartão que não acabava mais!”

As duas jovens acreditam no trabalho que estão desenvolvendo e são otimistas quanto aos resultados. “Tenho certeza de que estamos proporcionando uma experiência única pra eles. Um novo tipo de conhecimento ao qual eles talvez nunca teriam acesso. Além de ajudar a desconstruir a ideia de que gótico se trata apenas do movimento subcultural darkwave que toma conta de muitos jovens, mas nada tem a ver com a produção cultural desenvolvida na Idade Média”, conclui Ana Paula.


Interatividade:
Saiba mais sobre todas as variações do termo gótico ao longo do tempo:

http://www.spectrumgothic.com.br/gothic/subcultura/subcultura.htm

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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Dançando no intervalo

JARDIM PERNAMBUCO

Dupla de professoras aproveita o horário intermediário para aulas de dança
por Nanny Rabello

Em 2008, quando o horário integral foi implantado no Colégio Municipal Ivonete dos Santos Alves, em Jardim Pernambuco, havia muitas deficiências de atividades específicas, pela falta de mediadores na escola. Apesar de ainda existirem poucos profissionais, o trabalho está fluindo muito bem. Para acabar com essa deficiência, duas funcionárias da escola tiveram uma idéia, usar o tempo de intervalo para aulas de dança.

A secretária e ex-professora Samia Cristine Sales e a coordenadora de aprendizagem Albertina Campos aproveitaram o horário intermediário entre os horários da manhã e da tarde para ensinar dança para os alunos, por conta própria. E agora que tudo se ajeitou e as oficinas estão funcionando perfeitamente bem, as crianças não querem que a aula de dança acabe!

Samia dá aula de dança do ventre e jazz para as meninas mais novas e a oficina acontece em dois dias aleatórios na semana, pois o horário da professora no colégio é móvel. “É uma coisa que eu gosto de fazer com eles” conta. Já Albertina ensina meninas e meninos entre 8 e 11 anos a dançar Hip Hop e conta que as crianças adoram! “É uma das oficinas que mais chama atenção”. Ambas dão aulas de dança em outros lugares.

Até o ano passado havia a parceria de uma academia, onde as crianças ensaiavam. Agora eles praticam na própria escola, e ensaiam bastante, pois sempre que há uma culminância na escola, o que não é raro, as crianças se apresentam com uma coreografia nova. Samia já está preparando a coreografia da ‘Sola da Bota’ para a festa junina da escola, que acontecerá no dia 11 de julho. “Elas nem se importam de não apresentar nada, o negócio delas é dançar!”, comenta.

E as professoras sempre trazem novidades para as aulas, incorporando passos indianos e outros tipos de sons à suas oficinas. Albertina diz que gosta de trabalhar com músicas nacionais em sua oficina. “As crianças gostam muito de funk, então tentamos inserir outros sons para que eles saibam que há outras formas musicais de se expressar”, diz. Segundo a professora, a coreografia que as crianças mais gostaram de apresentar foi “Please Don’t Stop The Music”, da cantora americana Rihanna.
Com a adoração das crianças e o incentivo dos pais, essa oficina tende a crescer e melhorar cada vez mais, o que é muito bom para as crianças e alegra muito as duas professoras do horário intermediário do Ivonete.


Interatividade:
Conte para nós outras iniciativas independentes como essas, dentro do espírito "o Bairro-escola é você quem faz".

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Sim, nós temos Afro-Reggae

JARDIM NOVA ERA

Ong de projeção nacional só cresce no Jardim Nova Era
por Wanderson Santos

A
coordenadora geral do núcleo Afro-Reggae de Nova Iguaçu, Nilzete Cavendish, está tremendamente empolgada com o sucesso do projeto. Segundo ela, nesses dois anos em que o projeto atua no bairro Jardim Nova Era é notável uma maior articulação das crianças e adolescentes que estão no projeto. "Todos eles vêm mostrando um desempenho que até hoje, nos sete anos que faço parte da Ong, não tinha visto. Isso me alegra e me motiva", afirma Nilzete.

Quando entrou na Ong Afro-Reggae, em 2002 na favela de Vigário Geral (o núcleo central do projeto), estava deslumbrada com a forma e disciplina com que era regido o projeto. "É indispensável que se tenha um planejamento de tudo o que é feito dentro do Afro-Regaae, mas o comprometimento não parte apenas dos coordenadores e da supervisão geral, nas principalmente dos jovens que freqüentam as disciplinas e desenvolvem seus dons",acrescenta.

Em 2007 a ONG se instalou em Jardim Nova Era e Nilzete foi transferida para reger esse nova célula. "Os jovens chegaram gradativamente mas, como se pode observar hoje, temos um grande número de pessoas freqüentando todas as oficinas, nos horários da manhã e tarde", diz.
Há ainda uma questão fundamental para a maioria dos jovens. Segundo ela, os estudantes das oficinas que se destacam, ficam como supervisores do grupo, auxiliando o coordenador geral. Ao serem promovidos a supervisores eles recebem uma bolsa-auxílio do projeto para que continuem exercendo suas atividades junto à ONG. “Aliás, essa é nossa principal preocupação, que eles tenham ocupação, ao invés de ficar nas ruas".

Como nenhuma ONG funciona sem parcerias, o Afro-Reggae tem a ajuda do CISANE, de onde sempre chega gente nova com vontade de aprender e participar do projeto. Tanto o Afro-Reggae quanto o CISANE oferecem oficinas de graffiti, percussão, circo e de teatro, por exemplo. “Somos um grande corpo em que cada membro se articula com a força do outro. Estou cem por cento comprometida com a ONG e acredito firmemente no seu propósito", finaliza Nilzete.


Interatividade:
Qual das oficinas oferecidas pelo Afro-Reggae você gostaria de participar ?

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Duas décadas de festa

CERÂMICA

Família da Cerâmica não perde a inspiração para realizar festas
por Flávia Sá

Há 20 anos as festas juninas da Cerâmica acontecem anualmente na rua Gama. Dona Jô, de 62 anos, e seu filho Arthur da Silva, 37 anos, são os principais organizadores desta festa. Arthur está de frente na organização da festa há cinco anos pois, antes, quem organizava era seu falecido pai. Arthur resolveu assumir a festa por causa da paixão de seu pai pelo evento. “Eu sei que ele está vendo lá de cima e está muito feliz”, diz o rapaz, emocionado ao se lembrar do pai.

A festa é tão aguardada pelo povo que Dona Jô revela que não pretende parar de organizar as festas juninas tão cedo. O pessoal pede, chama no portão e pergunta se vai ter a festa e quando vai ser. Até nas ruas eles são abordados pelos moradores, e isso é bom para a imagem da Festa, mostrando que se trata de uma tradição da família. Dona Jô organiza a festa por causa da população e também para preencher o vazio que a ausência de marido a faz sentir, falecido há cinco anos. “Às vezes sinto uma tristeza muito grande quando está chegando época, pois ele era um grande companheiro, mas logo a tristeza vai embora porque essa é uma bela forma de continuar o trabalho do meu marido “, diz Dona Jô, após se recuperar da lembrança.


Quem organiza os trâmites legais da festa é seu filho Arthur, quem ficou com a obrigação de ir todo o ano até a Prefeitura para conseguir a autorização para fechar a rua. Segundo ele, o número de barracas chega a cinquenta, tem de Angu à baiana, caipi fruta, caipi vodca, petiscos, bebidas e muitas outras.

Arthur também vai até a Cositran, orgão responsável pelo trânsito na cidade, além de passar na light para a liberação da taxa de energia elétrica. Isso tudo para que afesta aconteça sem erros. Este ano as festas se iniciam no dia 12 de junho e vão até o mês de Agosto, virando uma festa Agostina.

Interatividade:
Você tem inspirações familiares? Quais são?

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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Brincando de novo

JARDIM PERNAMBUCO

Mediador da José Ribeiro Guimarães inicia pesquisa de brincadeiras populares com os pais dos alunos

por Mayara Freire

Os mediadores da Escola Municipal José Ribeiro Guimarães decidiram inovar nas oficinas culturais. Esta semana, eles foram até as casas de alguns pais de alunos tentar resgatar brincadeiras antigas, muitas vezes esquecidas e não aproveitadas pelos filhos. Segundo o mediador Márcio dos Santos, grande parte das ideias era novidade para as crianças. Entre as brincadeiras lembradas, estavam a clássica amarelinha e outras como pique-esconde, pique-alto, pique-lateiro (uma variação do pique-esconde), bandeirinha e alerta cor.

O mediador percebeu que os alunos não têm o costume de brincar na rua, como as crianças de outras gerações. E, por isso, a intenção das oficinas é resgatar e atualizar brincadeiras esquecidas. “Sinto que eles estão perdendo um pouco essa essência. Eles são de uma época em que os valores eram outros. Muitas brincadeiras das crianças de hoje se concentram nas lan houses. Não queremos que isso aconteça. Por isso, fazemos oficinas que exigem maior socialização, pois são mais adequadas para a idade deles. Nas ruas, eles só brincam de soltar pipa e jogar futebol”, diz.

O mediador sugeriu outra hipótese quando descobriu, na entrevista com os pais, que alguns deles não brincavam quando eram menores, pois precisaram trabalhar desde cedo. “Esses pais não tiveram experiências com brincadeiras para ensinar aos filhos”, deduziu Márcio dos Santos.

Muitos alunos relataram que aprenderam novas brincadeiras. “Aprendi com meu pai a brincar com bola de gude e pião. Gosto muito dessas coisas que ele brincava quando tinha a minha idade”, contou o Félix Castro, de 7 anos. Seu pai sente o mesmo prazer de ensinar as brincadeiras que mobilizavam suas noites quando era mais novo. “É uma forma interagir com ele, além de ensinar coisas saudáveis e seguras”, disse José Felix Castro, 62 anos.

Edilaine Martins, 25 anos, conta o que ensinou a seu filho de 6 anos. “Quando eu era criança brincava de passa anel, pique, dominó. Hoje, meu filho brinca também e acho legal essa troca de passar a cultura que tive para ele”, afirmou.

Para a coordenadora política e pedagógica Sandra Mattos, responsável pelo horário integral da escola, esse contato entre pais e filhos é muito importante para o dia-a-dia dos alunos dentro das oficinas. “Acho interessante esses tipos de iniciativas, pois ajuda-os saírem da rotina, introduzindo novas idéias, novas brincadeiras que possam atrair cada vez mais a atenção. Procuramos incentivá-los a sair da internet e participar das atividades. As oficinas precisam ser atraentes e portanto tentamos inová-las com ajuda dos pais também”, conta.


Interatividade:
Você brincava com seus pais? Que brincadeiras aprendeu com eles?

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Dimenor

MIGUEL COUTO


Casa do Menor atende 3 mil crianças e adolescentes da Baixada
por Robert Tavares

São impressionantes os números da Casa do Menor São Miguel Arcanjo, instituição criada em 1986 pelo padre Renato Chiera depois de receber uma lista com 40 jovens marcados para morrer nas imediações da sua paróquia, em Miguel Couto. Nada menos que 3 mil crianças e adolescentes do Rio de Janeiro e do Ceará são atendidas pelas diversas oficinas e cursos profissionalizantes oferecidas nos três turnos do dia, mais cerca de 5 mil atendimentos mensais dos serviços sociais que presta à comunidade. "Promovemos a educação social, profissional e religiosa para crianças e adolescentes em situação de risco pessoal", conta o padre.

A Casa do Menor São Miguel Arcanjo, popularmente chamada de Casa do Menor, tenta assegurar o exercício do direito à vida, à dignidade e à vivência da cidadania por intermédio de uma batelada de cursos, que vão de mecânica elétrica à serralheria, passando pelo inglês, informática, silk screen, cabeleireiro, manicure e etiqueta, entre outros. As turmas atuais, que funcionam de segunda a sábado, têm em torno de 25 alunos. Após a conclusão dos cursos, os jovens são direcionados ao mercado de trabalho.

Parte da sua recuperação se deve à plêiade de profissionais no campo da saúde, que vão dos psicólogos aos clínicos gerais, passando por infectologistas e psiquiatras. Por seu trabalho exemplar, a Casa do Menor foi convidada para uma missão na África. Quatro pessoas, incluindo dois ex-internos, irão ministrar palestras para pessoas infectas pelo HIV e para dependentes químicos.

O padre Renato despertou para a violência contra os jovens em 1983, quando foi procurado em casa por "Pirata", cujo corpo estava banhado de sangue devido a um tiro no pescoço disparado por policiais. “Apesar de ferido, ele conseguiu escapar”, conta o padre, emocionando-se. “Esse menino vivia na rua, se drogava e estava envolvido com o narcotráfico.” Pirata dormiu em sua casa até o dia em que o padre Renato viu o muro da casa manchado de sangue. “Corri para o hospital, mas já era tarde.” Um detalhe aumentou a carga de dramaticidade daquele assassinato: na noite anterior, Pirata sonhara com a própria morte.

O impulso de ajudar os jovens vítimas da violência se tornou uma decisão irreversível quando recebeu 6 mil liras de amigos italianos. “Usei esse dinheiro para construir um cômodo para abrigar as 30 crianças e adolescentes que dormiam em minha casa”, lembra o padre. Foi o início. O nome Casa do Menor foi dado pelo grupo inicial de meninos e adolescentes que haviam acabado de encontrar um lar e formar uma família.


Interatividade:
Saia pelo seu bairro e fotografe instituições ou pessoas que ajudam o próximo.


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Primeiros brotos

JARDIM NOVA ERA

Crianças da Leopoldina estão cuidando da horta da escola
por Fernanda Bastos

Ainda com o ânimo da semana do Meio Ambiente, as crianças da Escola Municipal Leopoldina de Barros mantêm seu momento de Chico Bento. Ressuscitaram, com a ajuda da equipe pedagógica, a horta da escola e, a partir de então, têm a responsabilidade de regá-la. Mais que uma ação isolada em comemoração à semana do Meio Ambiente, a ideia pretende tornar hábito na vida das crianças o cuidado com as plantas e hortaliças. O diretor Maximiliano Marini Melo, mais conhecido como tio Max, dá total apoio à ideia.

Todos aguardam com ansiedade as primeiras mudas, plantadas no dia 6 de junho, brotarem. As sementes foram compradas pelo coordenador político-pedagógico (CPP) André Felipe Moreira e um regador foi providenciado para alimentar os bebes que deverão nascer nos canteiros do fundo da escola. Mas a tarefa de regar todos os dias não será exclusiva dos alunos do turno da manhã (que realizaram a atividade da horta), assim como o cuidado com o jardim recentemente revitalizado não será somente dos alunos da tarde. Uma responsabilidade conjunta com o meio ambiente está sendo proposta na escola. As crianças já entenderam que, cuidando do verde, estão cuidando de sua própria saúde.

Segundo o CPP, o local havia se tornado um ninho de ratos e caramujos africanos em função do entulho e do lixo jogado pelos próprios alunos da sala ao lado. “Já acionamos o controle de vetores para acabar com os caramujos e estamos tentando conscientizar as crianças da sala ao lado a não sujar a horta”, ressalta. Ele aposta na ideia principalmente agora, que o cuidado com a horta da escola já é uma ação prevista no PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação). “Já estamos fazendo a nossa parte”, disse ele.

Os responsáveis pela horta tem esperança de que o cultivo da terra faça as crianças valorizarem mais os alimentos vegetais, como as verduras. Agora é só aguardar e cuidar. Em pouco tempo, seus brotos já estarão dando seus primeiros sorrisos.


Interatividade:
Vamos fazer um teste pra saber se você realmente conhece sua atual / antiga escola. Quais as hortaliças mais plantadas em sua horta?

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terça-feira, 23 de junho de 2009

Abençoado por Deus

JARDIM NOVA ERA

Igreja Batista oferece salas para reforço escolar da Dulce Raunheitti
por Edson Borges Vicente

As crianças da Escola Municipal Professora Dulce Raunheitti Ribeiro em breve poderão usufruir do espaço da Igreja Batista de Jardim Nova Era para aprender matemática e ter oficinas de letramento. A parceria só está aguardando a chegada de um memorando da escola.

A igreja, que fica numa rua paralela à da escola, é presidida pelo pastor Luiz Carlos Xerém, 45 anos. Comemorando 10 anos de pastorado, o líder evangélico, que é ex-servidor da defensoria pública, está acostumado a realizar trabalhos comunitários. “Todas as quartas-feiras, a igreja serve um sopão e, com isso, já criou um elo importante com a comunidade”, conta o pastor. Sua atuação social é potencializada pelo fato de sua esposa, Cleudeir Monteiro Ramos Xerém, 47 anos, ser pedagoga.

As igrejas são as maiores parceiras do Bairro-Escola. Além da dimensão espiritual, são instituições que têm um importante papel social. A Igreja Batista somará esforços ao CISANE e ao Amiguinhos da Comunidade, parceiros de primeira hora da Dulce Raunheitti.

O líder religioso pretende acolher não somente os alunos da Dulce Raunheitti, mas de todo o bairro. No entanto, ele não dá a certeza de que a igreja irá abrir suas portas para as outras escolas do entorno, como o Leopoldina, o Milton Gonçalves e o Brizolinha. “A igreja fica na única rua que não tem escola, mas com a parceria terá vida escolar. Além disso, a entrada dos fundos fica em frente à escola Dulce Raunheitti.”

Para a equipe da escola, a parceria é fundamental. A CPP Telma Moreira, 32 anos, e a diretora Valeria Zabot, 41 anos, veem com bons olhos essa troca. A visita de reconhecimento do espaço da igreja está sendo programada pela direção. Sabe-se que há três salas disponíveis para acolher as crianças nas oficinas além do salão principal, onde ocorrem os cultos.

Interatividade:
">Você conhece outra igreja parceira do Bairro Escola?

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Jamais será vencido

JARDIM PERNAMBUCO

Ivonete aposta na união dos dois horários
por Luiza Alves

Embora não tenha parceiros, a Escola Municipal Ivonete dos Santos Alves conseguiu colocar em prática o horário integral do Bairro-Escola, atendendo 138 crianças divididas em duas turmas de manhã e três de tarde. A razão para o sucesso da escola está na ponta da língua de todas as pessoas que participam do projeto: a integração da equipe. “Aqui na escola não há divisão”, conta a secretária Luzimar Alves. “Todos somos responsáveis pelos dois horários, tanto do integral como do normal.”

Eles têm um método muito efetivo de despertar o interesse das crianças, que ficavam tristes quando problemas com o lanche obrigavam-nas a voltar para casa mais cedo: preparar as culminâncias. A última delas, cuja preparação demandou quase um mês entre maio e junho, foi o dia do meio ambiente. Antes disso, o Ivonete fez uma grande mobilização em torno da consciência negra. Atualmente, todas as atividades da escola estão voltadas para o folclore. Essa culminância será com uma grande festa julina.

A escola trabalha com oficinas de esporte, cultura, incentivo à leitura e dança. A consolidação da oficina de dança mostra a flexibilidade da direção, que percebeu a ligação das crianças com as então voluntárias Samia Sales e Albertina Campos. “Elas não fazem parte do horário integral, mas, como as crianças tinham muito tempo ocioso, elas dividiram os alunos em dois grupos”, lembra Luzimar Alves. “Os mais velhos ficavam com a Albertina, que ensinava hip hop. Os mais novos, com a Samia, que ensinava jazz e dança do ventre.” Essas aulas ganharam o status de oficina devido à pressão das crianças, que adoravam dançar.

A oficina de esporte é ministrada por Jaqueline Coral em uma quadra ao lado da escola. Uma das estratégias da mediadora para manter a alta adesão das crianças é criar regras que impeçam a histórica divisão entre os meninos, que gostam de futebol, e as meninas, que preferem a queimada. “Às vezes, só as meninas podem fazer gols”, conta Jaqueline. “Outras vezes, só vale o gol depois que uma das meninas toca na bola.”

Sacolinha de leitura
Ronny Lima é o mediador de cultura. Atualmente, ele está fazendo um malabarismo semelhante ao do Pai Francisco da cantiga popular, que não à toa será apresentada na culminância do próximo dia 30 de junho. “Nessa culminância, estamos fazendo um esforço para mesclar o trabalho de resgate da cultura negra priorizado pela direção com o de descoberta das brincadeiras populares discutido na formação dos mediadores culturais”, conta Ronny. As crianças também estão preparando bonecos de jornal para fazer uma exposição nesta mesma culminância.

Ao contrário do que vem ocorrendo na maioria das escolas, a oficina de incentivo à leitura, coordenada pela mediadora Raquel da Costa, caiu no gosto da molecada. Um dos trunfos com que a mediadora conta é o que ela carinhosamente chama de “Sacolinha da leitura”, um sistema de empréstimo de livros do pequeno acervo do Ivonete. “Os alunos podem levar os livros para casa”, conta Raquel, que passa semanalmente pelas salas de aula distribuindo-os. O alto índice de empréstimo pode ser medido pelo fato de que as crianças já têm seus autores preferidos.

A oficina coordenada por Raquel de Souza não depende apenas da “Sacolinha de leitura”. “Também recorremos à contação de histórias e ao teatro para despertar o interesse das crianças pelos livros”, explica. Igualmente importantes nesse processo são as visitas a centros culturais, que a escola organiza depois de campanhas de arrecadação de fundos que em geral envolvem animadas gincanas. “O problema não é a entrada, geralmente franca”, conta a mediadora. “O problema é o custo do transporte.” O próximo passeio da oficina de leitura será no dia 26 de junho, para uma das concorridas sessões de contação de histórias de Bia Betran na UERJ.




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Além do horizonte

JARDIM PERNAMBUCO

Murais do Ivonete registram eventos organizados pela escola
por Nany Rabello

As crianças da Escola Municipal Ivonete Alves dos Santos têm uma forma muito especial de mostrar aos visitantes o orgulho que sentem do que fazem ali. É o “Jornal Mural”, presente em dois murais no pátio da escola. Lá estão expostos as fotos, recortes de jornais e o que mais eles acharem interessante.

Um dos murais da escola publica notícias bimestrais, com fotos dos eventos organizados pela escola (que não são poucos!). Esse mesmo mural exibe recortes de jornais trazidos pelas próprias crianças. O outro mural é semestral e também possui muitas fotos e recortes. Atualmente, esse segundo mural é quase todo tomado por questões ambientais, o tema central da escola no momento.

Esses murais existem desde o ano passado, mas, além de não terem fotos, estavam restritos aos recortes de jornais que as crianças escolhiam em casa e levavam para o colégio. Agora, também são expostas as fotos tiradas por Raquel da Costa, a incentivadora à leitura. “Isso é deles, e eles adoram!”, conta a Raquel.

Para alegria das crianças, ali estão registrados passeios como as visitas ao Zoo da Quinta da Boa Vista e ao Centro Cultural Banco do Brasil. Os murais também expõem fotos dos projetos organizados pela escola, como o Tetra Pack e a recente gincana do meio ambiente.

A Ivonete consegue o dinheiro para os passeios das gincanas e campanhas de arrecadação de fundos, ambas com intensa participação das crianças. A publicação das fotos tem como objetivo lembrar como conseguiram ampliar os horizontes de suas crianças com tão poucos recursos. “Eu queria ir nos passeios pra poder aparecer nas fotos”, conta Wesley Francisco, de 10 anos, que adora ficar olhando para as fotos no mural.



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PAC da educação

Sessenta e oito escolas municipais de Nova Iguaçu serão beneficiadas pelo PDE
por Mayara Freire

A partir de agosto, escolas municipais de Nova Iguaçu começarão a receber investimentos do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Direcionado para o ensino fundamental, o processo de seleção para participar do programa foi baseado na Prova Brasil do ano anterior, com as escolas que obtiveram média de notas abaixo de 4.2 pontos. Este parâmetro foi usado a partir da média nacional do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Em 2007, o Ministério da Educação ofereceu apoio técnico às equipes escolares para elaborar planos de ação e superar dificuldades. Foram organizados 14 encontros com secretários estaduais e dirigentes municipais de educação. A partir disto, foram apresentadas estratégias de elaboração do PDE-Escola. Este é o segundo ano que escolas de Nova Iguaçu irão fazer parte do Plano.

O processo começa quando cada escola que teve a média baixa recebe um questionário, onde são respondidas questões sobre o funcionamento educacional. Após isso, o relatório é enviado ao MEC e são avaliados o que deve ser necessariamente aperfeiçoado, criando um plano de ação pedagógica para aplicar a verba.

O PDE-Escola é considerado um processo de planejamento estratégico desenvolvido pela escola para basicamente, aprimorar a qualidade do ensino e da aprendizagem dos alunos. O objetivo é fortalecer a autonomia da gestão escolar a partir de um diagnóstico dos desafios de cada uma delas e da definição de um plano para a melhoria dos resultados, com foco na aprendizagem dos alunos. Cada plano é feito pela própria equipe e indicam as metas a serem atingidas para aumentar os indicadores educacionais.

Adriana Manique, coordenadora dos anos iniciais do ensino fundamental de Nova Iguaçu, avalia o programa. “Já é um avanço quando os diretores respondem às questões, pois todos estão discutindo e avaliando os problemas pertinentes do ambiente escolar. Depois desta análise, eles conseguirão focar e aplicar o financiamento exatamente nas deficiências da escola.”, diz.

Leitura e escrita
Entre as escolas que possuem o tempo integral e que terão essa prioridade do MEC, para a assistência técnica e financeira, estão incluídas: Prof. Rui Afrânio Peixoto, Hauller Ferreira, Profª. Ana Maria Ramalho, Janir Pereira Clementino e São Miguel Arcanjo, todas de Miguel Couto.

De 132 escolas existentes em Nova Iguaçu, 68 vão receber a verba do PDE em 2009, com investimentos voltados para a compra de computadores com acesso à Internet - do Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo) -, material pedagógico, para aulas de reforço e preparação de professores. Além disso, serão realizadas adequações arquitetônicas para garantir maior acessibilidade aos alunos, como construção de rampas, reforma de banheiro para cadeirantes e sinalização visual e auditiva.

Adriana Manique avalia ainda as maiores carências das escolas do município. “Percebo que, assim como em todo o país, encontramos em Nova Iguaçu maiores deficiências na alfabetização, ou seja, na leitura e escrita. Com essa verba do programa, poderemos melhorar, investindo na capacitação do professor e na aquisição de materiais adequados. Com isso, estamos contribuindo para que haja um melhor desenvolvimento dos alunos, favorecendo resultado de maiores notas”, conta.



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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Orquestra de Câmara

CERÂMICA

Metodologia da Escola Livre de Música Eletrônica estimula crianças a ler

por Raphael Teixeira


A Escola Livre de Música eletrônica, na Cerâmica, vem demonstrando que é capaz de trabalhar com boa literatura usando metodologia criativa. Desta forma, os alunos da ELME se sentem atraídos pelo universo sem limites do livro, incluindo aqueles que nunca tiveram um contato mais íntimo com os livros.

Em conjunto com a Escola Livre de Cinema, a ELME está fazendo um trabalho a partir de quatro contos de Câmara Cascudo, o maior folclorista do Brasil. Serão produzidos quatro clipes com base nesses contos pela Escola Livre de Cinema, sonorização da ELME. A ideia é fazer a criança desenvolver múltiplos conhecimentos ao longo desse processo, como técnicas básicas de edição musical em computadores, contato maior com a literatura, exercício de criatividade e muito mais. “Estou adorando participar dessas aulas com histórias. Parece que a gente vem aqui e fica sonhando”, conta Hillary da Silva, de 13 anos.


A dificuldade inicial era adaptar uma literatura que a princípio poderia soar distante da realidade das crianças para algo prazeroso, leve. Esse processo foi sendo apresentado aos poucos. Uma etapa de cada vez. “Queríamos mostrar que os contos não estavam distante das realidades vividas por todos eles”, conta o artista multimídia Anderson Barnabé, coordenador da ELME.

Na primeira semana, os mediadores mostraram apenas palavras soltas dos contos, para que as crianças pudessem fazer livres associações. A segunda semana foi dedicada aos personagens de Câmara Cascudo. “Queríamos que a molecada imaginasse como eles são”, acrescenta Barnabé. Também fazia parte da estratégia ignorar o assunto dos contos.

Os alunos ficaram desesperados, perguntando o que tinha acontecido com os contos do folclorista potiguar. “Na quarta aula, sabe o que aconteceu?”, pergunta Barnabé. Ele mesmo responde: “Eles devoraram os contos, ainda que jamais tivessem lido nada na vida.”

Com essa metodologia, o curso incentiva, também, a leitura. Sendo assim, uma imensa porta para o conhecimento se abre diante desses alunos. “Eu gostei muito de começar a ler. Agora eu não leio só aqui na escola, sempre quero ficar lendo em casa também. Ler é muito legal”, diz Anderson dos Santos, de 13 anos.


Interatividade:
Conte como foi seu processo de iniciação à leitura?

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Sangue bom

VILA DE CAVA
por André Batisti

Dia: sexta feira, 19 de junho. Local: unidade de saúde pertencente ao Bairro-Escola, na Figueira. Boa parte da pequena comunidade espremida entre Vila de Cava e Miguel Couto se aperta na sala para ouvir a dra. Maria Helena falar sobre a diabetes. A unidade de saúde atende aproximadamente quatro mil pessoas, todas elas cadastradas.

Todas as pessoas estavam interessadas em saber o que é a diabetes e não tiravam os olhos da médica. “A importância desta palestra é para que vocês vivam melhor e sem dúvidas sobre a diabetes.”

A dra. Maria Helena explicou tudo sobre a doença, ensinando como podemos remediá-la e nos precaver dela. “Não adianta vocês só tomarem o remédio da diabetes, e sim fazer a dieta balanceada evitando doces, açúcares e massas, para manterem uma vida normal como todos os outros.”

Todos os presentes puderam fazer o teste de glicose e pesagem, além de fazer um café da manhã compatível com os diabéticos.

A palestra foi complementada com a participação de Vitor Hugo Satyro, o coordenador da Unidade de saúde. Cabe a ele conseguir os remédios para os portadores da diabetes junto ao Ministério de Saúde.
Quando os remédios chegam, eu vou de porta em porta avisando os portadores da doença, contou.

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Emprego em qualquer lugar

CERÂMICA

Mediadora cultural da Estanislau garante que quem trabalha no Bairro-Escola consegue emprego em qualquer lugar

por Tatiana Sant'Anna

Força de vontade não falta para a oficineira Diana Souza, de 23 anos, que acredita que o ano de 2009 está sendo das crianças. Trabalhando na Escola Municipal Estanislau Ribeiro do Amaral, na Cerâmica, a jovem, que já é mãe, divide o seu tempo com as crianças do Bairro-Escola, com o filho e faculdade. Atividade nada fácil.

A mediadora sempre estudou em escola particular e sua integração ao Bairro-Escola não foi nada fácil. A jovem, que está no projeto desde Junho de 2008, pediu transferência para o Estanislau, que é perto de sua casa. Ela confessa que levou o maior susto no primeiro contato com a escola pública: “As crianças da escola pública são muito diferentes das da escola particular. Foi uma surpresa, deu vontade de sair correndo”. Mas essa vontade de fugir durou pouco.

Entre uma brincadeira e outra com as crianças, Diana conta que está sendo uma ótima experiência trabalhar no Bairro-Escola: “Quem trabalhar aqui, arranja emprego em qualquer lugar. É de grande valia”, afirma. Cursando pedagogia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, ela escolheu a área por acaso. “Queria fazer história, mas só tinha pedagogia. Nesse meio tempo, fui me apaixonando pelo universo da escola, hoje acho tudo maravilhoso.” Com a teoria e a prática nas mãos, Daniela conta que agora vê o universo escolar de uma maneira mais ampla, mas humana: “A prática é bastante diferente, é necessário estar preparado para isso.”

Andando pelos corredores até a quadra da escola, Diana diz que o funcionamento do projeto na escola vai bem. A quadra não é coberta, porém isso não impede a realização das atividades. Queimada, peteca, amarelinha e ciranda são algumas das brincadeiras que fazem o sucesso não só com a garotada, mas com os professores também: “Eu acabo brincando, porque quando a criança vê que o professor está participando, ela acaba brincando também”, revela aos risos. Além da quadra, a escola dispõe de um grande espaço, facilitando assim, a integração de mais alunos.

A aluna Talita de Mello, de 9 anos, que está cursando a 3° série, diz que a mediadora é exemplar: “Ela é carinhosa, tenho aprendido muito. Ela nos ensina a ser educada com as pessoas... Estou aprendendo muito”, conta a aluna.



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Produzindo a própria vida

MIGUEL COUTO

Carlinhos de Jesus vai mostrar na quarta-feira como Reperiferia muda a vida das pessoas
por Josy Antunes

Para entender o fascínio despertado em Carlinhos de Jesus, no dia da gravação de sua matéria na Escola Livre de Cinema – que vai ao ar no RJ TV da próxima quarta-feira – só mesmo conhecendo a história de suas entrevistadas: Veruska Thaylla e Cíntia Monsores. A primeira é coordenadora das turmas de animação na ELC, que tem aulas de terça à sexta, recebendo alunos matriculados na integralidade do Bairro-Escola da Janir Clementino e Ana Maria Ramalho. E Cíntia coordena as aulas na Escola Livre de Música Eletrônica, na Cerâmica, que também atende aos alunos do Bairro-Escola das proximidades.



Quatro dias antes da visita de Carlinhos e sua equipe, Veruska recebeu uma ligação da produtora da sua coluna no RJ TV, explicando a ideia da matéria e convidando-a para ser entrevistada e colaborar na produção. Aceito o convite, a agitação, para que tudo funcionasse bem, se iniciou. “O quadro dele quase não tem edição, é muito espontâneo. Então tudo tinha que dar certo”, explica Veruska, que também já pensava em como compactar a história de sua vida, passando pela Escola Livre de Cinema e pelo Reperiferia – ong que coordena tanto a ELC e quanto a Escola Livre de Música Eletrônica.

De início, é importante saber que a moça veio de longe: Caxias. Mas não a conhecida por nós, pertencente à Baixada Fluminense. Trata-se de uma cidadezinha do interior de São Luiz, a capital de Maranhão, na região Nordeste do Brasil. Lá, cinema e artes em geral não tinham espaço. “Lá isso é coisa pra gente rica”, lembra ela. Teatro, por exemplo, Veruska não conhecia nem de ouvir falar. Suas experiências mais próximas, até então, eram nas festinhas de dia das mães, na escola, quando ela sempre ia a frente dizer recadinhos carinhosos à avó, por quem foi criada. “Eu sabia que gostava disso. Mas não sabia que isso era teatro e que podia ser uma arte.”

Ainda muito nova, Veruska se mudou para o Rio de Janeiro com sua avó, que veio na expectativa de vida nova na cidade grande e com uma proposta de trabalho, como doméstica. Foram morar então no complexo da Maré, na famosa Vila do João.

Foi numa escola, na Zona Sul – onde Veruska foi estudar, devido à falta de vagas nas escolas mais próximas – que ela descobriu a existência do teatro, apesar da forma superficial como as aulas eram dadas.

Passado um tempo, e com o aluguel pesando contra a estadia no Complexo da Maré, mudaram-se para Santa Cruz. “Eu fiquei super pra baixo. Porque por mais que na escola fosse superficial, eu fazia teatro. Aquilo ali era a minha vida”, conta Veruska, lembrando do período em que chegou à Zona Oeste do Rio de Janeiro, quando não encontrou nenhuma opção de teatro e artes. Foi ai que o Reperiferia entrou na vida dela. “Meu Deus, que bom!”, foi sua exclamação ao descobrir um projeto que aulas de audiovisual, teatro e maracatu – ritmo mais tocado pela banda de Veruska. “Eu tinha um troço na cabeça, só que eu não sabia o que era”, explica ela. “E a estética do projeto era exatamente a estética de que existem pessoas na periferia que gostam de artes, mas não conhecem, não sabem o que é de fato.”

Para pagar as passagens para as aulas, que aconteciam aos sábados, Veruska passou a trabalhar como animadora de festas, ganhando 45 reais por noite. O restante do dinheiro ia para as mãos da avó, para ajudar na feira. “Acho que todo mundo já trabalhou com animação de festas um dia”, diz ao risos Cristiane Braz – diretora da ELC, que estava presente no bate-papo prévio para a gravação da matéria.

Sobrevivência
“E hoje, você vive do quê?”, é a pergunta objetiva que Carlinhos de Jesus dirige a Veruska. “Hoje eu vivo disso aqui”, responde ela de imediato, apontando com os braços as paredes ao seu redor. Além do trabalho que atualmente realiza na ELC, a jovem é produtora e tem uma companhia teatral, que recentemente foi contemplada pelo edital do Governo do Estado do Rio de Janeiro. “A companhia veio do que sobrou da Escola Livre de Teatro, em Santa Cruz. Formaram-se 15 pessoas e três decidiram continuar o trabalho”, justifica.

Cíntia Monsores tem uma história similar e, ao mesmo, “distante” da de Veruska. “A Cíntia eu enxergo como um reflexo só da Escola Livre de Cinema. Ela é daqui de Miguel Couto, é da comunidade”, explica Cristiane Braz, que acompanhou o processo de mudança que o envolvimento com a escola trouxe para a moça. Com o segundo grau recém-concluído, Cíntia não tinha nenhuma certeza quanto ao seu futuro profissional. “Eu tava meio perdida. Sempre fui muito de ir à luta. Casei muito nova e tinha que arrumar um meio de ganhar dinheiro”, conta ela.

Panfleto inesperado
Até que um panfleto inesperado – e duvidoso, aos olhos de Cíntia – surgiu com o anúncio: “Aulas de audiovisual gratuitas”. “Eu não acreditei porque era em Miguel Couto. E sendo em Miguel Couto, a gente não acredita”, confessa ela. Mesmo desconfiada, ela foi conferir. A escola, na época, não tinha a estrutura atual. Era pequenininha, instalada em frente ao atual endereço. Foi aí que o talento de Cíntia como produtora. “Comecei a perceber que todo mundo queria mexer na câmera, dirigir. E eu queria ficar por trás, queria fazer as coisas acontecerem”, afirma ela, alegando a importância do produtor. “Pra alguém gravar eu sabia que alguém tinha que ligar marcando, alguém tinha que divulgar.”

Cris Braz lembra de quando, precisando que alguém distribuísse os panfletos da ELC, perguntou a Cíntia se ela conhecia alguém que pudesse executar o trabalho, já que ela morava próximo. A moça logo respondeu: “Eu!”, para espanto de Cris, que acreditava que “uma menininha bonitinha” não faria um serviço desses. “E aí ela começou a panfletar, e a disposição dessa menina... eu logo pensei: é isso que eu quero!”.

Cíntia, que ficou sabendo da entrevista com o Carlinhos de Jesus apenas meia hora antes da gravação, hoje cursa Produção Cultural, além de estar envolvida com outros trabalhos afins. “Se Deus quiser, no ano que vem eu termino”, diz ela, orgulhosa. Isabel Ferreira de Brito, auxiliar de serviços gerais na ELC, avalia o desenvolvimento da dupla: “Antes elas eram alunas, agora estão trabalhando e cada vez subindo mais. Está sendo muito bom e muito importante pra elas e pra escola também.”


Interatividade:
Projetos sociais mudam a vida de qualquer pessoa ou apenas de quem está disposto a mudar a própria vida?

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