quinta-feira, 28 de maio de 2009

Chanchada em Miguel Couto

Metodologia atrai os pais dos alunos para a Escola Livre de Cinema
por Josy Antunes

A maior prova da eficácia do método de ensino da Escola Livre de Cinema é a assiduidade dos alunos. A forma de aplicação de conteúdo é semanalmente repensada nas reuniões para capacitação. E os mediadores estão sempre abertos à exposição aos alunos, mesmo que isso exija passar por situações engraçadas. “Aqui colocamos a hierarquia abaixo quando um professor se veste de palhaço, ou então coloca máscara de onça”, exemplifica Cristiane Braz, a diretora da ELC. Com mediadores acessíveis, diversão e aprendizado aliados, a possibilidade de maior aproximação não vem só dos alunos – que se sentem mais incentivados a se expressar – mas também de seus pais.

Lúcia de Fátima lembra ainda do primeiro dia de aula seu filho, Leonardo Roger. “Ele chegou em casa todo eufórico, dizendo que tinha desenhado, que pegou na câmera, acompanhou filmagens.” Desde então, a presença do menino é garantida nas aulas. “Eu percebo um engajamento muito maior, os pais têm confiança, fazem questão de trazer no dia seguinte”, assegura Cris Braz.
Leonardo não para de exibir o resultado das aulas em casa. “Ele olha os desenhos da revista e faz igualzinho, até sabe aumentar e diminuir. Eu acho incrível”, diz a mãe, orgulhosa. “Esses dias mesmo, ele tava fazendo uns comentários de câmera, falou de ‘plano inteiro’... Eu sinceramente não entendo muito bem, mas fico ouvindo ele comentar das aulas.”

Lúcia de Fátima lembra ainda do primeiro dia de aula seu filho, Leonardo Roger. “Ele chegou em casa todo eufórico, dizendo que tinha desenhado, que pegou na câmera, acompanhou filmagens.” Desde então, a presença do menino é garantida nas aulas. “Eu percebo um engajamento muito maior, os pais têm confiança, fazem questão de trazer no dia seguinte”, assegura Cris Braz. Leonardo não para de exibir o resultado das aulas em casa. “Ele olha os desenhos da revista e faz igualzinho, até sabe aumentar e diminuir. Eu acho incrível”, diz a mãe, orgulhosa. “Esses dias mesmo, ele tava fazendo uns comentários de câmera, falou de ‘plano inteiro’... Eu sinceramente não entendo muito bem, mas fico ouvindo ele comentar das aulas.”

Escrita estimulada

“Se eles acreditam no que acontece aqui, criam um sistema pra que os filhos não faltem”, observa a diretora. Não faltando, o aproveitamento das aulas é crescente. E o domínio das crianças sobre as técnicas de audiovisual é cada vez mais evidente. Os pais observam também que as crianças são estimuladas na escrita. “É o primeiro ano que ela está fazendo as aulas aqui, e já está gostando muito”, conta Márcia de Souza. A explicação vem de sua própria filha, Mayara: “Eu posso fazer um bocado de coisas. E já escrevi um bocado de coisas sobre o Câmara Cascudo.” Ao ouvir a resposta da filha, a dona de casa acrescenta: “Eu acho isso legal. Vejo que ela está aprendendo alguma coisa interessante.”

O tímido Ramon está encontrando espaço pra se expressar através das cores, figuras e palavras que expõe no papel. “Ele é muito fechado, não fala muito. O negócio dele é desenhar, criar”, diz seu pai Jorge Roberto, que acredita que a ELC é um local propício no desenvolvimento da interação do filho com os outros alunos. Já os irmãos Patrick e Patrícia de Souza têm um envolvimento com a Escola Livre de Cinema maior do que o esperado pela mãe: “Não tem nem como dizer do que eles gostam mais, porque eles gostam de tudo!”, afirma Sheyla de Souza. “Eles falam que gostam mais daqui do que da escola.”

Em muitas vezes as aulas acontecem fora da sala de aula, no grande espaço da recepção da ELC. E é em dias assim que os pais, curiosos com os sempre diversificados comentários dos filhos, vão acompanhar as aulas e o comportamento dos pequenos. Presente nesses casos, Cristiane Braz explica: “Eles vêm aqui pra entender o que é essa escola”, avalia ela. “Eu já tive pais que perguntaram o que era isso que eles estavam aprendendo, se era aula de cinema, como é que eles chegam em casa falando de folclore, Câmara Cascudo e do professor que colocou nariz de palhaço”, lembra.

Interatividade:

Qual é, ou foi, seu professor favorito? O que fazia com que sua aula se destacasse das demais?

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Um freio na indiferença

Guarda de trânsito de Miguel Couto se sente responsável pelo futuro do seu bairro
por Carine Caitano e Robert Tavares

Clayton Malheiro do Amaral, de 31 anos, é guarda municipal há dois anos. Metade desse período trabalha auxiliando no transporte das crianças da Escola Municipal Ayrton Senna, em Miguel Couto, até os locais em que são realizadas as oficinas do Horário Integral.

Morador do bairro, ele participa do Bairro-Escola como cidadão e como membro da Guarda Municipal. "Eu me sinto orgulhoso de trabalhar aqui”, afirma ela, que está sempre aprendendo coisas novas com as crianças.

Clayton do Amaral dá o melhor de si no seu trabalho, mas se sente plenamente recompensado com o atual trabalho mesmo quando compara a rendimento atual com a dos tempos de vendedor, atividade que exercia antes de prestar concurso para a Guarda Municipal. Uma das razões para isso está no estudante Wallace Guimarães da Costa, de 7 anos, que está no segundo ano do ensino fundamental. “Quando crescer, ele vai entrar na Guarda Municipal”, orgulha-se.

Para ele, a palavra-chave para se entender o Bairro-Escola é integração. Clayton do Amaral a enxerga com mais clareza nas mães educadoras, que têm a oportunidade de acompanhar o crescimento dos seus filhos enquanto reforça o orçamento familiar com a bolsa de voluntárias. “Podemos ter cidadãos melhores se trocarmos a ociosidade da rua por atividades educacionais.”

Seu interesse pela infância e pela educação é nítido até em uma pequena conversa. Ele acredita que cada um tem uma contribuição: “Tudo vem da educação. O lugar onde você convive influencia muito”.

O sinal bate e Clayton se despede. Antes de sair, manda o recado: “E pensar que eu não gostei quando fui transferido”, lembra ele. “No trânsito, é só estresse: motorista, ônibus. Aqui, é construir o futuro.”


Interatividade:
Você se sente responsável pelo futuro das crianças ou acha que cabe apenas ao governo se preocupar com a educação?


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Fé nas crianças

Convivência com crianças do Bairro-Escola muda vida de caseira da Paróquia Nossa Senhora das Graças
por Carine Caitano e Robert Tavares

Estamos na Paróquia Nossa Senhora das Graças, localizada na Avenida Henrique Duque Estrada Mayer, em Miguel Couto. Duas vezes por semana, é aqui que as crianças da Escola Municipal Ayrton Senna vêm participar das oficinas do Bairro-Escola.

Quem parece ficar mais contente com as visitas é Dona Serevina Souza Santos. Ela, que é caseira da paróquia há quatro anos, teve sua vida revigorada depois que as crianças começaram a frequentar o local. “Essa iniciativa é um acerto para que elas consigam algo melhor”, afirma a caseira. “As crianças se divertem, mas também aprendem.”


Conhecida como Silvinha, Dona Severina garante que a rotina melhorou depois da parceria com o Bairro-Escola. “Elas me ajudam a cuidar das flores, brincam com o passarinho”, lembra. Mas as crianças levam muito mais do que companheirismo e solidariedade. “Ele chegam felizes aqui”, acrescenta a caseira.

Silvinha mora com dois dos seus filhos e com a mãe, Maria Referina da Conceição. Todos adoram o convívio, inclusive sua mãe. “Gosto de todos eles. Ensino a não brigar, a conviver”, diz Dona Maria, cujo instinto maternal é aguçado com a presença das crianças na igreja.

Em meio a risos, a filha de Dona Maria diz que não é bem assim: “As crianças têm até um professor. E não é de esporte, é de sala de aula! Nunca tinha visto um homem dando aula, mas parece que todos gostam muito dele. É assim mesmo, vivendo e aprendendo.”

Silvinha se emociona quando pensa no futuro dessas crianças, que ela acredita que será bem melhor do que o seu. “Gosto de quem quer caminhar. E isso tem que começar desde criança”, afirma ela, que conhece as dificuldades da vida, mas acha que é pra frente que se anda.


Interatividade:
Mande uma foto das crianças do Bairro-Escola levando alegria para os parceiros do programa da Prefeitura.

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quarta-feira, 27 de maio de 2009

O que as baianas têm

Pontos de cultura de Lençois e Nova Iguaçu se encontram na Baixada para trocar experiências

por Mayara Freire


O novo projeto da Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura, mais conhecido como Ponto-a-Ponto, trouxe na última semana duas baianas da cidade de Lençois, na Chapada Diamantina, para compartilhar experiências com o Bairro-Escola de Nova Iguaçu. Os representantes destas duas regiões foram selecionados entre diversos projetos culturais brasileiros com o objetivo de trocar informações sobre ações sociais. O projeto estimula a convivência direta de participantes de cada lugar para ampliar o conhecimento mútuo e fortalecer a rede dos pontos de cultura no país.




As jovens baianas Eniele da Silva, de 23 anos, e Roseane Bernardo, de 22, trabalham no projeto Grãos de Luz e Griô em Lençois, que educa 130 crianças e adolescentes em oficinas de identidade, arte, artesanato e economia solidária, tendo como foco principal a tradição oral e cidadania em escolas municipais. “O que pretendo aqui é compartilhar experiências e aprender com o que esses projetos de Nova Iguaçu têm a nos ensinar”, conta Eniele.
Durante o período de visitas a escolas, Roseane Bernardo, que atua no Grãos há 15 anos, viu
semelhanças na relação entre a educação e a cultura entre os dois projetos, mas descobriu modelos aplicados em Nova Iguaçu que podem ser levados para Lençois. "Aprendemos formas mais
criativas de lidar com a criança, aplicando músicas e brincadeiras mais dinâmicas, como cantigas de roda, além de explorar a cultura indígena", enfatiza. Ainda de acordo com Roseane, estas duas iniciativas fortalecem a cultura de raiz e perpetuam a tradição e o respeito na comunidade.

Situado em Lençois, a 410 Km de Salvador, o trabalho do Grãos de Luz e Griô, que existe desde 1994, tem como base a valorização da cultura e a integração das gerações no local, onde 49,8% vivem abaixo da linha da pobreza. Segundo os criadores do projeto, as estratégias fundamentais são a reconstrução das histórias e fortalecimento da identidade e auto-estima das crianças e jovens, através do resgate cultural de seus antepassados. "Nossa intenção com os projetos é começarmos a tocar na identidade de jovens, transformando a vida social e educacional por meio da cultura", diz a cooperativista Eniele. A carência de práticas integradoras de ensino e aprendizagem nas escolas que incluem a vivência afetiva e cultural das crianças da região de baixa-renda também justifica as ações.

Os representantes são tutelados por um padrinho ou uma madrinha e começam a vivenciar, duas vezes por semana, os projetos pedagógicos das oficinas de canto, teatro, pintura, costura, desenho e reciclagem, entre outras. Como está acontecendo no Bairro-Escola, que busca resgatar atividades esquecidas como as brincadeiras populares, os jovens de Lençois são incentivados a registrar sua história de vida, bem como a de sua família e de sua comunidade. Além disso, participam de vivências entre pesquisas sobre mitos, herois, símbolos, cantigas, danças, artes e histórias da cultura local. A tradição oral é resgatada no projeto como fonte principal de ensino. Esse tipo de modelo foi inspirado na cultura dos griôs, termo referente aos líderes de grupos culturais que transmite a sabedoria por meio da fala, como contadores de histórias, músicos e noticiadores provenientes do noroeste da África.

Dois jovens de Nova Iguaçu ainda irão a Lençois, para viver a mesma experiência. O prazo do intercâmbio é de no mínimo cinco dias e cada ponto de cultura tem direito de enviar dois bolsistas. A inscrição é realizada quando os proponentes inscrevem uma experiência de ação cultural realizada em sua comunidade de atuação e indicam os candidatos às bolsas, mais dois para o banco de reserva. O programa Ponto-a-Ponto, que funciona desde o ano passado, também tem a intenção de envolver as áreas de teatro, música, circo, artes plásticas, turismo sustentável, educação ambiental, vídeo e economia popular, entre outras. E além de Rio de Janeiro e Bahia, participam outros 40 representantes de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Ceará, Pará, Paraíba, Amazonas e Roraima.


Interatividade:

Que aspectos culturais de Nova Iguaçu deviam ser divulgados para os representantes dos pontos de cultura que estão nos visitando?

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O guia do Bairro-Escola

Jovens repórteres descobrem Miguel Couto com coordenador das oficinas culturais

por Mariane Dias e Thiago Serrano / fotos de Mariane Dias

Durante uma caminhada com o sub-secretário de Cultura e Turismo, Rômulo Salles, ficou muito simples entender como está o programa Bairro-Escola em Miguel Couto. Miguel Couto é um bairro bem popular de Nova Iguaçu, tem muita gente o tempo inteiro, praticamente um centro dentro do centro da cidade. Andamos cerca de um quilômetro pelas faixas vermelhas pintadas nas calçadas, sinalizando o caminho que leva os estudantes para os parceiros do Bairro-Escola.

Nos parceiros, os mediadores, que são universitários de diversos cursos, promovem oficinas culturais e esportivas nesses espaços que, muitas vezes, são cedidos por pessoas que decidem abrir suas portas para ajudar esse trabalho tão importante. A Igreja Católica do Ambaí, por exemplo, é parceira da Escola Municipal Ana Maria Ramalho. “Mesmo sendo uma instituição religiosa, a igreja faz questão de não interferir nas crenças dos alunos durante as atividades”, explicou o sub-secretário.

Como exemplo, Rômulo Sales fala da Escola Municipal Flor de Lis. Com estava com dificuldade de espaço para realizar as oficinas, seus diretores propuseram uma parceria com a maçonaria que fica logo ao lado da escola. Por isso que as oficinas culturais aplicadas no horário integral não foram prejudicadas. “Mas como é necessária a aprovação dos pais para o aluno participar do horário integral e das oficinas culturais, foi preciso driblar a resistência dos pais de determinada religião deixar os filhos participarem de oficinas ministradas em espaços de religião diferente”, lembrou Rômulo Salles. Mas por incrível que pareça, isso acabou ajudando a minimizar essa resistência. “Hoje, as reuniões pedagógicas acontecem em espaços religiosos, independentemente de o parceiro ser padre, pastor ou mãe de santo.”

Requalificação urbana

Esse processo também faz parte do programa Bairro-Escola, buscando melhorar o trajeto das crianças. As calçadas, por exemplo, precisam estar em perfeito estado e as ruas, sinalizadas. “Mas alguns bares, oficinas e borracheiros estão atraplhando esse trajeto”, lamentou Rômulo Salles. O sub-secretário também citou a academia pública, uma das parcerias do Bairro-Escola. Pela manhã, os idosos tomam conta do lugar, e à noite o público jovem se concentra e pratica exercícios inteiramente de graça.

Por fim, Rômulo mostrou os muros coloridos pelo Graffiti, que é uma arte urbana que transforma os muros da cidade em arte pública. ”Evita pichações”, afirma. “Muitas vezes, o morador não apenas permite ser pintado, como pinta junta com o governo.” Dessa forma o morador se envolve com o programa de qualquer maneira e é observado pelas crianças, que serão as responsáveis por levar essa linguagem para o mundo.


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Qual o lugar de Miguel Couto você mostraria?

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terça-feira, 26 de maio de 2009

Primeiro, as damas

Jogo de damas melhora comportamento de alunos de escola de Nova Era
por Wanderson Silva

Uma das maneiras encontradas pelos mediadores da Escola Municipal Jardim Nova Era de acalmar as crianças no horário da recreação foi o jogo de damas. O tradicional jogo de tabuleiro tem contribuído de forma surpreendente na educação escolar e integração social dessas crianças.

Depois que incluíram a diversão no horário escolar, os mediadores já colheram bons frutos. “Em geral, os jogos não são vistos com bons olhos pelos educadores, mas aqui, em um convívio social e monitorado, é uma ótima ferramenta, que tem nos ajudado bastante no controle do comportamento e na melhora do desempenho dos alunos”, relata Ângela Souza, coordenadora político pedagógica da escola. “Além da diversão, o jogo de damas propicia um convívio social mais integrado, fazendo com que a maioria dos alunos melhore o comportamento na sociedade”, acrescenta Ângela.

Engana quem pensa que esse controle agrade apenas os adultos da escola de Nova Era. “Gosto muito de jogar, aprendo muito e é legal”, afirma o estudante Rodrigo Souza, de oito anos de idade. Ele não é o único que se diverte na hora de recreação. “Depois da biblioteca, o que mais gosto fazer é jogar damas”, diz Fernando Silva, de sete anos.

A medida também
agrada aos pais. Eles são unânimes em afirmar que melhorou a relação dentro de casa. “Depois dos jogos de damas, o Felipe melhorou muito”, conta Lourdes Souza, sua mãe. “Ele quase não conversava em casa e era muito fechado. Agora não é mais”, conta a mãe, Lourdes Souza. “No começo, eu não gostei muito, pensava que jogos não tinham nada a ver com escola. Hoje penso totalmente diferente. Acho que, se usada corretamente, da maneira que está sendo feito, só colheremos benefícios. Seria bom se outras escolas aderissem e enxergassem o jogo desta forma”, conclui.



Interatividade:
Sugira algum jogo capaz de ajudar as crianças a melhorar o desempenho na escola.

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O código do Bairro-Escola

Jovens pesquisadores da SEMCTUR estão concluindo terceiro trabalho
por Jéssica Oliveira

Eles se reúnem três vezes por semana em uma das salas da Secretaria da Cultura e Turismo de Nova Iguaçu, diante dos computadores em que são armazenados os dados das pesquisas que começaram a fazer há cerca de sete meses. As aulas, ministradas pela antropóloga paulista Marcella Camargo, se estendem por até cinco horas. Mas os 20 aprendizes de pesquisador só arredam o pé para um lanche por volta do meio-dia, que não dura mais do que meia hora.

O grupo comandado por Marcella Camargo, uma das adjuntas da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, iniciou suas atividades em novembro de 2008, na 1ª Feira de Estágios e Empregos de Nova Iguaçu, na Vila Olímpica. O objetivo daquela pesquisa, encomendada pela própria Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, era avaliar a qualidade do atendimento, mas principalmente buscar o perfil de quem procurava estágios ou empregos.

Foi nesse momento que os jovens pesquisadores entraram em contato com um monstro conhecido pela sigla de PSS, o software que armazena e processa o banco de dados de cada pesquisa. A antropóloga que coordena a pesquisa acredita que o domínio desse programa é suficiente para credenciar seus 20 jovens para um bom lugar no mercado. “O mercado paga bem para quem sabe manipular o PSS”, afirma.

Uma pesquisa é feita em várias etapas. A primeira delas é saber qual será o seu objeto, o tema a ser abordado. Em seguida, vem a elaboração do questionário a ser feito com os entrevistados, seguida da sua sua aplicação, a entrevista propriamente dita. Essa parte pode ser considerada fácil, se comparada com que está por vir: a decodificação. O grupo já está na terceira pesquisa. “Depois da Feira de Negócios, fizemos uma pesquisa com os jovens que participaram do Minha Rua Tem História e agora estamos terminando a pesquisa com os mediadores das oficinas culturais do Bairro-Escola”, conta a jovem pesquisadora Caroline de Oliveira, 21 anos.

As informações colhidas no trabalho de campo, sejam dados individuais ou de grupos de discussão, são arquivadas no banco de dados do PSS. É nesse momento que começa a codificação, onde cada resposta dos entrevistados se transforma em um código, no caso, um número. São dois tipos de questão: as objetivas, com opções a serem escolhidas, ou as dissertativas, onde o entrevistado responde o que quiser. O segundo tipo de questão apresenta um grau de complexidade muito maior para os pesquisadores. “A codificação da pergunta dissertativa é complicada porque o pesquisador tem que ser um bom intérprete da resposta”, conta Vítor Carvalho, 18 anos. “Cada entrevistador diz uma coisa e nós temos que agrupar as informações de forma coesa para depois codificá-las.” A pesquisa sobre o Minha Rua Tem História fez amplo uso de questões dissertativas.

Cruzamento dos dados
Cada número representa uma resposta para que o programa possa realizar o “cruzamento” e obter as respostas somatórias, ou percentuais da pergunta feita. “Se o objetivo da pesquisa é saber a preferência de cursos superiores em uma determinada faixa etária de ambos os sexos, o programa cruza todas essas informações com base no reconhecimento dos códigos registrados e revela o resultado em questão de segundos”, conta a antropóloga paulista. O uso do banco de dados facilita consideravelmente o trabalho dos jovens pesquisadores, que depois só precisam analisar o resultado e apresentá-lo.

O banco de dados é um eficiente e complexo sistema de armazenamento de dados. A jovem Caroline Mendes, de 17 anos, demorou um mês para dominar o programa. “A maior dificuldade é a codificação, sem dúvida. Principalmente por não estar em português, mas a Marcella sempre nos ajuda e a cada aula nós aprendemos algo novo sobre o banco de dados.” A jovem que diz que paciência e total atenção são fundamentais para o uso do sistema. “É difícil de entender, mas depois que compreendemos, fica fácil. É só ter calma e paciência.”


Interatividade:
Sugira um tema para os jovens pesquisadores da SEMCTUR

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Luz, Câmara Cascudo e ação - A missão

Escola Livre de Cinema usa Câmara Cascudo para aproximar crianças do seu mundo
por Josy Antunes

“Aí, assim que o desconhecido, que era o filho dele, foi dormir, o velho matou, enterrou no quintal dele e depois pegou o dinheiro. Depois que o velho foi revistar a mala pra ver se achava mais alguma coisa, achou a identidade do moço e ficou sabendo que era filho dele. Aí se entregou à polícia.”

O trecho, contado por Thales Felipe, de 13 anos, descreve o final do conto “O velho ambicioso”, de autoria do escritor e folclorista Luiz da Câmara Cascudo. A história está sendo trabalhada na turma da Escola Livre de Cinema que ele frequenta, no horário integral do Bairro-Escola. Três outros textos do folclorista estão participando desse processo: “O bem se paga com bem”, “Mata sete” e “O mendigo rico”.

“A gente quer brincar com os gêneros”, explica Cristiane Braz, diretora da escola. Embora a literatura introduzida em salas de aula costume trazer uma soma de finais felizes e lições de moral que obrigatoriamente devem ser aplicadas na vida dos alunos, os alunos estão reagindo com bom humor à proposta de trabalho deste semestre. Um dos motivos para a escolha é que elas são de domínio público e, portanto, não é preciso pagar direitos autorais.

“Está sendo muito bacana”, garante Leandro de Souza, professor de Thales, para quem é apenas uma coincidência que as quatro histórias selecionadas tenham um final triste. Na verdade, os contos estão sendo usados como um dispositivo por intermédio do qual se possa fazer a mediação entre o folclore e a tecnologia. Nessa junção, os alunos também acrescentam sua vivência de modo a poder recontar as histórias sob a perspectiva do audiovisual.

As crianças, já mergulhadas no universo de Câmara Cascudo, trazem a realidade para os contos – ou vice-versa – através de memórias, experiências, observação de territór
io e até mesmo objetos. Cris Braz gosta de citar um exemplo para ilustrar esse processo. “Houve uma atividade em que a turma precisava fazer um chão de barro numa imagem e uma flanela foi usada, após ser scaneada, por ter a cor semelhante ao barro.”

O aluno tem inteira liberdade para caracterizar os personagens do modo como lhe convém. “O que a gente tenta é que eles realmente possam transformar coisas que estão em volta em imagem”. Despertar essa percepção nos alunos é um dos objetivos da metodologia aplicada através dos contos de Câmara Cascudo. Como exemplo da expressão dos alunos sobre os achados nos contos, estão os recortes e as colagens. “Ali ele representam os mais variados significados imaginados de palavras encontradas nos textos.”

Interpretação de gêneros
Intencionalmente, nenhum dos contos utilizados traz semelhanças de estilo. Há pelo menos dois objetivos para que os alunos estejam trabalhando ao mes
mo tempo com “Mata sete”, que dá espaço para que o lado cômico seja trabalhado, e “O bem se paga com bem”, que traz uma “moral da história”. “Queremos capacitar as crianças a interpretar gêneros e a fazer a mistura que elas quiserem com os temas folclóricos”, explica a diretora da Escola Livre de Cinema.

Outra mistura a ser feita ao longo da produção do semestre em curso abrange a Escola Livre de Música Eletrônica da Cerâmica, também administrada pela ong Reperiferia. “Eles ficarão responsáveis pela produção do áudio dos filmes que serão realizados”, informa Cris Brás. Também nesse caso os alunos terão inteira liberdade para fazer combinações, podendo usar estilos que vão do funk ao jazz como trilha sonora.

A importância dada às experimentações pode comprometer o resultado estético da produção desse ano, cujos filmes podem ser mais curtos e ter menos apuro técnico do que os do ano passado. “Não sei bem se a gente quer um acabamento tão perfeito como o da série “Iguaçu e sua turma”, que fizemos em 2008.” Os mentores da Escola Livre de Cinema ficarão plenamente satisfeitos se os alunos trouxerem o mundo deles para dentro do vídeo. “Proporcionar uma identificação e o reconhecimento de elementos próprios dos alunos ao assistirem os filmes é o que se espera alcançar dessa “catação” que tem sido realizada no cotidiano dos alunos.”


Interatividade:
Dê exemplos de objetos encontrados em sua casa ou experiências vividas por você que seriam bem utilizadas numa produção de audiovisual.

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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Conversa de pescador

Cabeleireiro ensina crianças de Jardim Pernambuco a caçar rãs
por Luíza Guimarães

Acompanhando os alunos do período integral da Escola Municipal José Ribeiro Guimarães, no bairro Jardim Pernambuco, descobrimos uma brincadeira muito peculiar durante a oficina de jornal: caçar rãs. Essa tradição vem passando de geração em geração no bairro, que tem muitos terrenos baldios propícios à proliferação das rãs.

Alex Horácio Cavalcante, de 11 anos, mais conhecido como Juca, é um dos alunos do colégio que brincam de caçar rãs. Ele e seus amigos criam armadilhas com redes e latas de alumínio para conseguir pegar as rãs. “Depois que chove, eu e meus amigos sempre vamos para o terreno aqui na frente de casa para caçar as rãs”, diz Juca.

Os meninos de Jardim Pernambuco têm um grande mestre. É o cabeleireiro Celso de Araújo, 44 anos, que passou a infância caçando rãs e pescando muçuns nos brejos do bairro. “Durante a “temporada de rãs”, que vai de agosto a dezembro, sempre que chovia e tinha trovoadas eu acordava bem cedo no dia seguinte”, lembra o cabeleireiro, que já chegou a pegar 200 rãs em apenas um dia.

Às vezes, Araújo levava uma atiradeira para o brejo, mas normalmente pegava suas rãs com as próprias mãos. “Depois eu amarrava com um barbante e vendia”, conta ele, que sempre tinha o cuidado de não pegar as fêmeas. Essas rãs eram vendidas no Centro do Rio de Janeiro, onde chegava com as presas acondicionadas dentro de uma mochila.

O cabeleireiro, que folga nas segundas, continua indo para o brejo. “Basta chover no domingo”, confessa ele, que agora vai caçar acompanhado do filho Pedro Henrique de Araújo, de apenas seis anos. “Até minha esposa já perdeu o nojo de comer”, comemora.

O mestre de Jardim Pernambuco tem uma receita especial para rã. “Corto a cabeça, tiro a pele, lavo e frito no óleo com alho, cebola e um pouco de pimenta do reino”, enumera Araújo, que também gosta de comê-las à milanesa ou desfiadas na farofa.


Interatividade:
Mande para nós sua receita preferida de rã.

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Cabeça de vento

Pipa encanta a meninada desde a Antiguidade
por Mayara Freire / fotos de Antônio Resende

Papel, vareta e barbante. Esses elementos tão simples e baratos compõem uma das mais populares brincadeiras durante a mocidade: a pipa. Criada no Século II A.C. na China, elas tremulam no céu de todos os recantos do Brasil. Geralmente em terrenos baldios, campos de futebol ou lajes, jovens, principalmente os meninos, se divertem ao colocar a pipa no ar. Em diferentes regiões do território nacional têm diversos nomes como quadrado, pandorga, barrilete, pipa ou papagaio.

É a brincadeira favorita de Everton Luis da Silva, de 11 anos, morador de Jardim Pernambuco.“Desde pequeno tenho o costume de ficar na rua soltando pipa”, conta ele, que aprendeu a fazer suas próprias pipas. Posso ficar horas por dia fazendo isso.” Jefferson Amorim, 10 anos, concorda com o amigo. “Ficamos o dia todo soltando pipas, competindo entre nossos amigos. Todos os meninos do bairro vêm soltar. Compro uma pipa por dia”, diz.

Porém, não são apenas os meninos que se interessam. Quando era criança, Sabrina Ribeiro, 26 anos, também moradora de Jardim Pernambuco, sofreu muito com os próprios irmãos, que não gostavam de vê-la brincando com os seus amigos. “Eu era a única menina do grupo”, lembra, que ainda hoje não resiste ao ver um garoto conhecido soltando pipa e pede para brincar um pouco com sua linha. “Na minha época, era raro encontrar uma fazendo essas coisas que são consideradas somente para meninos.”
Figura conhecida na região, o artesão e pipeiro Cléber Nogueira, 48 anos, recebe muitas visitas de crianças na fábrica que abriu há cerca de 17 anos. “Sempre foi meu hobbie favorito”, conta ele, cuja profissão de origem era a de marceneiro. “Até eu casar e constituir família soltava pipa todo dia.” Apesar disso, só abriu o novo negócio quando o filho passou a fabricar e vender suas próprias pipas. “A procura passou a crescer muito, até que tive que largar o serviço para vender pipa”, conta Cléber.

Combate

Há praticantes de todas as idades. Entre eles, eventualmente combinam o que chamam de “combate”, quando um grupo de aproximadamente 30 amigos se encontra para empinar e cortar pipas. “É uma brincadeira que vai permanecer por muitos anos. Quero incentivar meus filhos a brincar com o que eu brincava. Quero passar para os meus filhos a criação que tive, brincando na rua, convivendo com outras crianças. Elas não podem perder essa essência”, conclui.

Marcelo Mascarenhas, 34, pai de Vitor, 8, aluno da Escola Municipal José Ribeiro Guimarães, considera saudável a brincadeira que aprendeu com o pai e ensinou ao filho. “Mas fico preocupado quando vejo as crianças correndo alucinadamente atrás das pipas voadas e as linhas cheias de cerol.” Mascarenhas também se preocupa com as descargas elétricas, que podem matar quem solta pipa próximo às redes elétricas, ou os raios, que podem atrair raios nos dias de chuva.

Aprenda a fazer sua própria pipa: http://www.trafor.com.br/labPipa.php


Interatividade:

Você conhece alguma brincadeira mais popular que soltar pipa?

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Jardim Pernambuco falando para o mundo

Repórteres mirins descobrem as brincadeiras populares de Jardim Pernambuco
por Nany Rabello - fotos Gabriela, 9 anos

Gabriela Oliveira, de 9 anos, Lucas dos Santos Batista, de 8 anos, Vitória Greice, de 6 anos, Iasmin Lins, de 7 anos e muitas outras crianças da Escola Municipal José Ribeiro Guimarães, em Jardim Pernambuco, adoram sua oficina de cultura. Por quê? Porque eles brincam de ser repórter.

Os monitores de cultura, rádio e hip-hop levam as crianças para as ruas do bairro, onde estão entrevistando os moradores em busca das brincadeiras antigas mais populares no bairro. Armadas com gravador, cadernos e câmera fotográfica, as crianças se divertem a oficina.

Lucas, por exemplo, adora fazer as gravações das entrevistas e conta que sempre fica se imaginando como um repórter quando está em casa. “Sempre que acaba um jogo de futebol, eu me imagino lá fazendo as entrevistas com os jogadores”, conta. Assim como as outras crianças, ele diz querer ser jornalista, porém só se não conseguir ser jogador de futebol.

Sua coleguinha Anne, de 8 anos, se sente mais à vontade com a câmera fotográfica, que não solta por nada quando sai para suas coberturas jornalísticas. “Adoro filmar as entrevistas!”, diz, empolgada.

Matérias impressas
Além de muito espertas e receptivas, as crianças do José Ribeiro Guimarães têm a chance de ver seu trabalho concretizado, já que as matérias são impressas em um pequeno jornalzinho. As entrevistas feitas pelos repórteres mirins acabam acrescentando muito em suas vidas.

Por exemplo, o depoimento da dona Sebastiana Maria da Conceição, de 62 anos, que trabalha em uma venda próxima à escola e tem muito prazer em receber as crianças. “Sem escola ninguém é ninguém”, ensina. Embora não tivesse uma lista de brincadeiras para apresentar às crianças, ela admite que brincar é importante e que faz parte do ser criança.

Dona Maria Gonçalves, de 72 anos, também foi entrevistada pelos repórteres mirins. “As crianças antigamente tinham ‘amiguinhos’, mas hoje só sabem brigar ou ficar em frente a jogos eletrônicos.” Com o material colhido nas entrevistas, Marcio debate com as crianças as brincadeiras que serão feitas na próxima oficina.


Interatividade:
Sugira uma forma de conciliar a brincadeira popular com a febre das lans houses.

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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Encontro de gerações

Jovens repórteres trocam experiências com repórteres mirins do Venina Correa Torres
por Giselle Reis

Na ultima quarta-feira de abril, uma equipe de jovens repórteres (Jéssica Oliveira, Giuseppe Stéfano e Giselle Reis) foi à Escola Municipal Venina Correa Torres, na Califórnia, em busca de informações sobre a oficinas de jornal realizada em um dos parceiros do colégio (Vida Plena). No local da oficina, deparam-se com uma cena inusitada: crianças apresentavam a primeira edição do Jornal Venina (cujo nome “oficial” ainda está sendo discutido pelas crianças). Logo a equipe de JR (Jovens Repórteres) se prontificou a registrar o momento, fotografando-os.

No decorrer da oficina, um dos JR (Giuseppe Stéfano) sugeriu que as crianças os entrevistassem de forma que cada um tivesse direto a uma pergunta sobre temas diversos. As crianças ficaram eufóricas, enfim poderiam exercer o que estavam aprendendo há duas semanas com a oficina da monitora Mônica Moreira. Saindo um pouco do teórico e começando a praticar desde cedo eles iniciaram um bombardeio de perguntas para os Jovens Repórteres. Perguntas que iam de “Ser repórter é legal?” até perguntas mais pessoais como “Vocês têm tempo para namorar?”, perguntas típicas de furos de reportagem o que demonstra certa influência das revistas de fofoca em sua formação.

Ao término da “pequena coletiva de imprensa do Venina”, os JR logo trocaram de lugar com as crianças e começaram a desempenhar o seu real papel, o de entrevistadores. As perguntas dirigiram-se a todas as crianças, mas apenas algumas se sobressaíram. Esse foi o caso de Milena Santos, 10 anos, estudante do 6º ano. “Sou muito tímida. Depois que comecei a oficina de jornal, percebi que me solto quando estou apresentando o jornal de mentirinha”, diz ela, cujo sonho é se tornar a “garota do tempo”. Já Luiz Phelipe, de 11 anos, é o oposto de Milena. “Meu sonho é ser entrevistador”, diz ele, que é super-desinibido. “Assim que bato os olhos em alguém, quero logo saber seu nome e idade. Daí as perguntas surgem como em uma conversa de amigos.”

No fim da oficina, a equipe de jovens repórteres foi aplaudida. E como bons seguidores, os “repórteres mirins” do Venina pediram o orkut dos jr e o endereço do nosso blog. Além de manterem contato, queriam um lugar em que pudessem se espelhar.

Comentário pessoal do jovem repórter Giuseppe Stefano (o Marrentinho): “Na minha infância, se eu tivesse a oportunidade de ter alguma oficina que o Bairro Escola oferece como a de jornal, hoje eu seria um repórter melhor ou mais bem preparado.”


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Conte aqui experiências profissionais que você tenha trocado com pessoas mais jovens




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Brincadeira das letras

Mediadora da Ruy Afrânio usa brincadeiras na alfabetização
por Camila Elen

O Bairro-Escola ainda não decolou na Escola Municipal Ruy Afrânio, em Miguel Couto. Mas não foi por isso que a mediadora Maria de Fátima Gomes ficou de braços cruzados. Compensou a falta de parceiros no bairro com a aplicação das brincadeiras populares, tema que dominará as oficinas culturais ao longo do mês de maio, na alfabetização do reforço escolar. “Fiz uma espécie de baralho com as palavras de “O sapo não lava o pé” e “Atiraram o pau no gato” e pedi para que as crianças colorissem”, conta ela.

Essa foi apenas a primeira etapa da brincadeira criada por Maria de Fátima, que terminou com as crianças cantando as canções que embalaram a infância dos seus pais. “Quando eles terminaram de colorir, disse que as cartas continham o início de uma cantiga de roda”, lembra a mediadora, que em seguida pediu para que os alunos do reforço escolar montassem as montassem formadas pelas palavras contidas nas cartas que distribuíra.

As crianças que identificaram as cantigas não apenas a cantaram “quase automaticamente”, como lembra a mediadora. “Elas ensinavam para os amiguinhos que não conheciam as duas cantigas”, comemora Maria de Fátima. Outra brincadeira criada pela mediadora para a oficina de alfabetização foi uma espécie de mistura de bafo-bafo com o jogo da memória, improvisado a partir de folhinhas cortadas em quadrado para que as crianças desenhassem a brincadeira de que mais gostam. “Quando eles terminaram, eu misturei as folhas desenhadas de cabeça para baixo e pedi para que tentassem virar as folhas com o desenho da brincadeira de que mais gostam.”

Maria de Fátima também não precisou de grandes aparatos para entreter as quatro turmas que frequentam o reforço escolar com o que ela chamou de caixa surpresa. “Aqui dentro tem versos de músicas e trava-língua”, diz ela, mostrando uma caixa de sapato furada, dentro do qual havia um saco de pipoca pregado com fita durex. A caixa surpresa, toda ela enfeitada com carinhas e corações felizes, fez o maior sucesso com a criançada. As crianças que adivinharam as brincadeiras escritas ganharam um brinquedinho ou uma bala, comprada com o dinheiro da mediadora.


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Sugira uma outra matéria que as crianças podem aprender brincando.

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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Queimada se espalha pelos bairros de Nova Iguaçu

Crianças da Ayrton Senna incorporam brincadeiras populares no recreio da escola
por Carine Caitano e Robert Tavares

São nove horas de uma quarta-feira e, no pátio da escola Ayrton Senna, algumas crianças estão jogando queimada. Sem a presença de mediadores coordenando a brincadeira, elas são a prova de que as atividades propostas nas oficinas culturais do Bairro-Escola estão se integrando ao dia-a-dia dos alunos. Graças ao projeto da Prefeitura de Nova Iguaçu em parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo, há um resgate das brincadeiras populares.

A mediadora cultural Thaíla Guimarães, que se inspirou nas ideias dos pedagogos Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo e Lourenço Filho para aplicar as oficinas de brincadeira, fica feliz da vida ao saber que as brincadeiras propostas estão indo além do pátio da escola. "A maioria das brincadeiras ensinadas por mim estão sendo usadas com os amigos do bairro onde moram", comemora.

Com muito estímulo e sempre levando em conta o lado lúdico, a mediadora explora a fantasia e deixa as crianças refletirem livremente sobre as condições de desenvolvimento humano, mesmo que inconscientemente. Auxiliada pela também mediadora Caroline Ferreira da Silva, ela fez uma pesquisa com os responsáveis e os alunos - com o intuito da interação. “As crianças escreveram as brincadeiras populares mais citadas pelos familiares em pedaços de papelão, usando tinta guache”, conta.



A brincadeira favorita de José Pedro Basto Pereira, de 7 anos e morador de Corumbá, é o pique-esconde. “Às vezes, nem preciso sair de casa para me divertir, pois posso brincar com meus cinco irmãos e minha mãe”, diz ele. Rosilane Pereira dos Santos, mão de José, concorda: "As ruas são movimentadas e eu fico preocupada. Essas brincadeiras são boas porque ele se diverte e eu não preciso parar o serviço de casa pra olhar."

Os pais ficaram orgulhosos em saber que brincadeiras como alerta cor, pique-pega e amarelinha estão substituindo as armas de brinquedo, objeto principal das antigas brincadeiras. Outra pessoa orgulhosa do resultado é a coordenadora de aprendizagem Elaine Nery Barcellos. "A aceitação deles foi bastante satisfatória. Mesmo sem alguém para incentivar, eles já chegam e escolhem os times para a queimada, por exemplo", afirma.


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Conte pra nós qual foi a primeira brincadeira que seus pais lhe ensinaram.

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quarta-feira, 20 de maio de 2009

A manchete da quarta-feira

Oficina de jornal da Venina espalha repórteres mirins pela Califórnia

por Giuseppe Stéfano

A oficina de jornal da Escola Municipal Venina Correa Torres, coordenada pela monitora Mônica Arantes Moreira, uma moradora de Édson Passos de 20 anos, é um sucesso! Toda quarta-feira a turma se reúne às 15h no espaço cedido pelo parceira "Vida Plena", onde seus repórteres mirins recebem noções de como montar um jornal.

Nos três meses em que atua no Mais Educação, uma parceria entre o Governo Federal e o Ministério da Educação, a monitora Mônica Moreira já trabalhou algumas atividades com as crianças: como fazer entrevistas, comportamento, tipos e partes de um jornal e editoriais. "As crianças demonstraram muito interesse", conta a jovem mediadora. "Elas são bem participativas e receptivas. Está sendo ótimo!"

Mônica Moreira começou meio "perdida", achando que as oficinas de jornais estavam totalmente relacionadas ao jornal impresso. "Isso me preocupava por causa da disponibilidade de material, pela dificuldade de escrita das crianças e pela reciclagem de papel", revela. Mas logo ela descobriu que não era nada daquilo que imaginava.

Hoje, a monitora trabalha da forma mais direta e tátil possível, contando com o que os pequenos jornalistas têm ao seu alcance. "Agora eu uso desde programas jornalísticos de TV até trava-línguas para trabalhar a dicção, mas com os olhos bem abertos para o meio de comunicação mais usado dos últimos tempos: a internet."

A tia Mônica, como é carinhosamente conhecida, visita os blogs do Bairro-Escola em busca de novidades e, claro, o blog Jovem Repórter não poderia ficar de fora dessa lista. A partir daí, Mônica teve a idéia de criar um blog para a escola, mas, por enquanto, ainda é apenas um projeto.


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Mande uma sugestão de pauta para os repórteres mirins da Califórnia

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O abre-alas do Bairro-Escola

Percurso entre escola e parceiros é feito com auxílio de guardas de trânsito
por Daniel Santos

Além do horário integral e das diversas atividades culturais realizadas com o apoio de parceiros, o Bairro-Escola conta com agentes de trânsito exclusivos para conduzir a criançada com segurança até as atividades fora da escola.

Mas, além da segurança, as crianças acabam tendo uma aula bem divertida. Enquanto percorrem o tapete vermelho que indica os caminhos da escola aos vários parceiros, elas aprendem sobre seu bairro, placas de sinalização e outras regras de trânsito.

Há dois anos lotado no Bairro-Escola, Esmael Cunha, 36 anos, é o guarda de trânsito da Escola Municipal Ornélia Lippi, no bairro Vila Iracema. Ele diz que as crianças ficam ansiosas para sair da escola e ir para a praça e durante a caminhada percebe espaços que serviriam para novas parcerias. “Lan houses seriam bons parceiros, ajudando na inclusão digital, porque as crianças notam quando passam em frente a uma dessas casas de jogos e internet.”

Para o guarda de trânsito, os parceiros deveriam ser mais que um espaço. “Dentro deles deveria ter algo para o aprendizado dos alunos, como instrumentos musicais.”

Além de acreditar no projeto, o trabalho de 8h às 16h nos dias úteis foi determinante para ele. “Resta agora aos pais interagirem mais com o projeto. Infelizmente os responsáveis veem o Bairro-Escola como um depósito, onde largam seus filhos só por causa da comida. Mas pior ainda são aqueles que não acreditam no projeto, privando seus filhos do ensino, diversão e alimentação.”


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Sugira o nome de um agente de trânsito do Bairro-Escola que mereça uma matéria do blog.

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Travessia segura

Agente do Venina cria gincana do trânsito
por Fernanda Bastos da Silva e Larissa Leotério


O trânsito é o espaço de relação social mais intensa e diversificada da atualidade. Todos os dias, praticamente todos os cidadãos utilizam diversos meios de transporte para circular e compartilhar a cidade. Neste meio tempo, saber respeitar os direitos dos outros é também exercer os próprios. Podemos dizer que o trânsito é um espaço onde exercemos cidadania. Em função de tudo isso, a educação para o trânsito é fundamental para a constituição de cidadãos conscientes e diminuir os acidentes e desrespeitos.

Os profissionais que cuidam para que as pessoas sigam as leis do trânsito são os agentes de trânsito, muitas vezes denominados “guardas municipais”. Há também a Polícia Militar especializada em trânsito e, nas rodovias federais, a Polícia Rodoviária Federal. As regras que existem para tornar o trânsito algo seguro e prazeroso devem começar a ser ensinadas nas escolas. É aí que entram diversos atores, como professores, pais e os agentes de trânsito. Isso mesmo! Os mesmos profissionais que atuam nas ruas também têm seu espaço na escola.

É o caso de Alexandre Gonçalves Decottigneis, 31 anos e que há dois, depois de fazer um concurso, tornou-se guarda municipal de Nova Iguaçu. Morador de Jacarepaguá, ele faz parte do projeto ‘Educação no Trânsito’ do programa Bairro Escola, atuando na E. M. Prof.ª Venina Torres. Após desenvolver sua própria metodologia de ensino, ele criou o “agente de trânsito por um dia”. Para isso, foi confeccionada uma carteirinha de “condutor-aluno”. “É com base nessa carteirinha que avalio o comportamento das crianças”, conta Decottigneis. “Quem cometer infrações de disciplina na escola, independentemente de ser nas oficinas de trânsito, perde ponto.”

Decottigneis conquistou a turma logo na primeira oficina, quando chegou com um vídeo, de sua própria autoria, para ensinar a interpretação dos sinais e o modo de atravessar a rua. O movimento de sedução se consolidou no segundo dia de trabalho com as crianças, quando mostrou a importância do trânsito para o meio ambiente. “Quem joga lixo pela janela do carro cria muitos problemas para a natureza”, ensinou ele, que, mais do que um agente de trânsito, se considera um educador.

O agente de trânsito da Venina fez o concurso porque procurava um emprego onde trabalhasse de segunda a sexta, com um horário não muito puxado. Mas ele tem plena consciência do desafio que é conduzir as crianças da escola até os parceiros. “Os alunos são muito ativos e atravessar a rua com eles exige muito cuidado”, conta Decottigneis, para quem mais importante que atravessá-los é ensinar-lhes a atravessar. “Eles são 'bichinhos' imprevisíveis”, brinca.

Além de garantir a segurança dos alunos, o guarda municipal tenta passar noções básicas de trânsito para que as crianças criem consciência, utilizem-nas no dia-a-dia e levem esses conhecimentos para os pais, irmãos e quem mais conviver com eles: “Eles sempre levam para casa o que aprendem, acabam 'ensinando' os pais, e certamente têm mais chances de se tornarem motoristas responsáveis no futuro”, comemora Decottigneis, para quem é mais fácil educar a mente de uma criança do que mudar atos de um adulto.



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Mande uma foto das crianças sendo conduzidas por um dos agentes de trânsito do Bairro-Escola.

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terça-feira, 19 de maio de 2009

A vez da amarelinha

"Amarelinha" inicia ciclo de brincadeiras populares na Ayrton Senna
por Carine Caitano e Robert Tavares

Pique-pega, adedanha, amarelinha e "meu mestre mandou". É assim que as crianças se divertem na Escola Municipal Ayrton Senna. Com o passar do tempo, algumas brincadeiras foram caindo no esquecimento ou sendo substituídas por jogos ou programas de computador. A facilidade do acesso à internet com lan houses e centros comunitários de inclusão digital contribuem para este quadro.

O Bairro-Escola propõe resgatar essas atividades já esquecidas, como as brincadeiras populares. Funciona assim: o mediador cultural propõe diversas brincadeiras e as crianças, por meio de votação, decidem a que mais lhes agrada. "Às vezes, eles trazem opções de casa, de brincadeiras feitas pelos pais e avós quando eram crianças", diz Thaíla Guimarães, mediadora cultural da Ayrton Senna.

Para a aluna Isabela Lima da Silva Andrade, de 9 anos e moradora do Bairro Botafogo, é mais fácil encarar as brincadeiras e entender o objetivo de cada uma, pois sua mãe, Elisabeth Lima da Silva, de 30 anos, costuma brincar com ela no tempo vago. "Minha filha sempre foi muito sozinha. Além de ser filha única, ela é bem caseira e tem poucas amigas. Por isso, brincamos bastante e costumamos ficar dentro de casa mesmo", diz a mãe.

A mãe de Isabela também aprendeu essas brincadeiras na escola, mais particularmente nas aulas de Eduação Física. “Eu e minhas amigas adorávamos jogar 'queimada'”, lembra Elisabeth da Silva, que acha que a onda da internet aliena as crianças. “Nessa idade, elas precisam ser estimuladas e ficar livres."

Surpresa

Na volta do recreio, os alunos encontraram uma coisa diferente: uma "amarelinha" - como as de antigamente - desenhada no chão. Os alunos fizeram uma fila indiana e começou a diversão. Em meio a gritos de "é a minha vez " e "tia, posso ir?", era notória a surpresa de alguns, que disseram jamais ter brincado de tal atividade antes.

Mas não eram todas as crianças que desconheciam o encanto das brincadeiras populares proporcionadas pelas oficinas culturais. "Aprendi com minha irmã, que por sua vez aprendeu com minha mãe", explica Carolaine Ferreira de Assis, de 11 anos, também moradora do Bairro Botafogo.

A coordenadora de aprendizagem Elaine Nery Barcellos comemora a iniciativa das oficinas culturais, que no seu entender valoriza a coletividade e diminui o surgimento de preconceitos no grupo. "O jogo também dá noção de regras e limites, além de trabalhar números (par e ímpar) e lateralidade", ressalta a coordenadora de aprendizagem da Ayrton Senna.



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Com quem aprendeu sua brincadeira favorita?

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Luz, Câmara Cascudo e ação

Nova safra de filmes da Escola Livre de Cinema será baseada nos contos de Câmara Cascudo

por Josy Antunes

A possibilidade de “fazer cinema” chegou mais cedo para as crianças inscritas no horário integral de duas escolas municipais de Miguel Couto: a Janir Clementino e Ana Maria Ramalho. Como um dos parceiros do programa, a Escola Livre de Cinema atende aos alunos que recebem em suas escolas aulas de reforço de português ou matemática e que optem por cultura na escolha de suas oficinas. “Eles vêm porque gostam, porque querem. Não é obrigatório e nem conta ponto. É uma experiência pra eles mesmo”, explica Veruska Thaylla, que há um ano coordena essa parceria. “Minha função é fazer essa ponte entre as escolas municipais e a escola de cinema.”

Com o surgimento de vagas, as salas de aula das escolas recebem representantes da ELC, convidando-os a ingressar no universo audiovisual. “Eles passaram lá avisando, aí eu me inscrevi e já estou no segundo ano”, conta Gustavo Faria, que aos 13 anos cursa a 7ª série na E.M. Janir Clementino. Assim que levou a novidade para casa, ele recebeu um enorme incentivo dos pais, que logo o matricularam nas aulas. “Não é em todo lugar que tem escola de cinema”, explica o menino.



Engana-se quem pensa que os alunos recebem apenas instruções sobre como filmar, por exemplo. Existe na escola uma metodologia que foge a qualquer padrão dos cursos existentes. No primeiro momento, os alunos novos sempre sentem um estranhamento e surge então a dúvida: “mas não é cinema?” “A gente tenta fazer eles compreenderem que audiovisual não é só pegar a câmera e sair filmando. Há toda uma dinâmica e forma de pensar”, observa a coordenadora da ELC.

Para falar das novas formas de transmissão de conteúdos, é necessário relembrar do ano anterior, quando foi produzida a série “Iguaçu e sua turma”. As crianças levavam para a sala de aula temas relacionados aos bairros onde residiam, como a questão da dengue. Detectados os problemas, os roteiros eram elaborados com base neles e em suas possíveis soluções. “Depois fizeram uma porção de DVD’s e deram para nós, os alunos, foi muito legal”, lembra Gustavo, criador de um dos personagens da animação.

O método da produção das animações era realizado da seguinte forma: os professores recebiam as instruções e seguiam com os alunos durante todo o período. O ano de 2009, porém, trouxe novidades, a começar pela grade de professores. “Eles davam aula nos núcleos. A gente pegou os que mais se aperfeiçoaram e conseguiram pegar melhor a linha da escola”, conta Veruska a respeito dos novos mediadores. Os “núcleos” citados funcionavam em bairros como Jardim Tropical e Austin, levando aulas de cinema à população, com sistema similar ao da ELC. O atual foco da escola são os contos de Câmara Cascudo, bastante conhecidos por terem sido recolhidos durante a vasta pesquisa do antropólogo potiguar no universo do folclore nordestino. Eles serão a base para os filmes das quatro turmas do Bairro-Escola, cada qual com uma história diferente. A semelhança com a produção do “Iguaçu e sua turma” é que serão trabalhados a vivência e o cotidiano das crianças, dentro da rua, bairro e cidade. “Eles sempre trazem coisas bem legais”, afirma a coordenadora.

Capacitação

A cada semana um novo sistema é utilizado pelos mediadores. São dois à frente das turmas de terça e quinta-feira e dois para as turmas de quarta e sexta. Todos eles se reúnem aos sábados com a direção da ELC e o Secretário de Cultura e Turismo Marcus Vinícius Faustini - que, antes de assumir a secretaria, era o diretor da escola – para uma reunião de capacitação. “Todo mundo que está envolvido com o Bairro-Escola aqui na ELC participa, pra entrarmos num consenso”, explica Veruska. A metodologia da semana é decidida no encontro, mas os professores têm liberdade de levar ideias que façam chegar ao mesmo objetivo: transmitir o conteúdo estipulado. “É sempre assim: uma semana de técnica e uma semana de prática”, ela declara, acrescentando que também é uma forma de detectar os problemas e dificuldades presentes em sala de aula. “A gente tem que experimentar várias coisas pra ver o que dá certo e o que não dá”, alega Veruska.

A diversidade de técnicas está presente durante os encontros da criançada. “Usamos massinha, desenhamos, animamos os desenhos, mexemos na câmera”, conta Jonathan, de 10 anos, defendendo sua preferência: “Mas o que eu mais gosto é mexer na câmera!” Os alunos demonstram facilidade em lidar com as novas tecnologias. Já usam – e muito bem – as câmeras filmadoras da escola, fotografam e fazem animações utilizando a técnica “stop motion” e, surpreendendo a muitos, usam o programa After Effects no desenvolvimento de seus vídeos, o que é complicado para muita “gente grande”. “A gente estava receoso de iniciá-los logo mexendo nesse programa, que não é fácil. Mas eles pegaram bem rápido as técnicas, conseguiram entender e se relacionam muito bem”, assegura Leandro de Souza, que, junto com Marina Rosa, dá aula nas turmas de terça e quinta-feira. A familiaridade que as crianças já têm com o computador é apontada como um das principais razões para tanta facilidade.

Os resultados positivos desses aprendizados são claros. “A diferença do aluno que faz ELC é que são sempre mais articulados”, afirma Veruska, com base no desempenho das crianças nas escolas de origem, onde se tornam bem mais capazes de expressar criatividade. Um exemplo disso é Thales Felipe, 13 anos, dois dos quais frequentando as aulas de cinema. “Estou me empenhando pra ser um artista profissional em desenho”, garante.

Em casa, os pais recebem toda semana notícias de algo novo realizado no interior do prédio vermelho da ELC. Curiosos, eles têm visitado com frequência a escola, em busca de explicações para a euforia dos filhos e pedindo, inclusive, para participar das aulas. Como coordenadora, Veruska acompanha essas descobertas: “Isso está aproximando mais os pais da gente.”

Percorrendo a recepção e as salas, palavras são vistas espalhadas e exibidas de formas inusitadas. “Arreeiro”, “camarada”, “transeuntes”, “fosso” e “beiço”, são algumas delas, todas retiradas dos contos do Câmara Cascudo. “Os critérios que a gente usou foram palavras estranhas, que a gente não utiliza normalmente, e palavras que eles não sabiam o significado”, explica o mediador Leandro. Elas foram trabalhadas e representadas através de imagens, sons e vídeos, com o intuito da aproximação com o conto. Em seguida, foram espalhadas pela escola de formas “loucas e desconstruídas”, para se fixarem no imaginário dos alunos. “O que eu tô aprendendo aqui sei que posso usar depois”, afirma o aluno Gustavo.


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Que texto de Câmara Cascudo seria melhor adaptado para o cinema ?

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Nos embalos de sábado à tarde

Idosos fazem a festa nas oficinas de dança de salão do Escola Aberta
por Leonardo Oliveira

O Escola Aberta, programa integrado ao Bairro Escola, é um projeto que abre as portas das escolas municipais de Nova Iguaçu nos finais de semanas para que os moradores tenham chances de aprendizagem, aperfeiçoamento e novas conquistas. O projeto já existe há cerca de quatro anos e é composto por diversas oficinas. Uma das oficinas que fazem mais sucesso é a de dança de salão, que transformam as tardes de sábado da Escola Municipal Rubens Falcão num grande baile da terceira idade.

Elenita Francisca de Oliveira, 45 anos, é professora de dança de salão e sente prazer em estar aos sábados na escola ensinando o que sabe a seus alunos. “Além de ser divertida, a dança de salão é uma atividade física que até os médicos recomendam”, afirma. Alguns se sentem intimidados quando entram, mas logo aprendem e ficam completamente à vontade. “O projeto juntamente com a dança de salão são formas de integração na sociedade”, acrescenta.


Com o apoio de todos os familiares, a pensionista Lucia da Silva, 60 anos, conheceu a dança de salão quando enviuvou e começou a frequentar bailes da terceira idade. Percebendo que precisaria saber dançar, procurou uma academia. Hoje é aluna do projeto e se sente maravilhada em poder dançar e fazer parte de um novo grupo. “Lá em casa todos me apoiam e me incentivam a continuar”, diz dona Lucia.

Dona Lucinéia, 78, dedica todo tempo livre de que dispõe à dança. Apesar da idade, a última coisa que passa pela cabeça deles é o cansaço. Sempre dispostos a aprender, os alunos da oficina de dança se mostram cada dia com mais energia para a dança. “A dança parece uma febre, que não me deixa nunca”, brinca Lucinéia.

Viúva há 15 anos, Neusa Fernandes, 70, pede perdão a Deus e diz que está melhor viúva, pois só assim pode conhecer e ter o prazer de dançar. “Com ele eu não dançava porque ele não deixava, agora estou sem ele e dançando.” Dona Neusa nunca pensou em desistir para ficar em casa descansando, como acontece com a maioria das pessoas da sua idade. O projeto Escola Aberta fez com que ela se motivasse a dançar em qualquer lugar que vá. “Danço em qualquer lugar que tiver musica, em casa, na rua e é claro... nos bailes que frequento”, conta Neusa, que também dança com o grupo de Alcoólicos Anônimos. “Minha vida é uma dança e não há coisa melhor na vida para se fazer.”


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Qual é o lugar que você gosta de dançar?



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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Rosa registrada

Bairro-Escola apresenta "Linda Rosa Juvenil para crianças de Jardim Pernambuco
por Giuseppe Stéfano e Jéssica de Oliveira


Todo mundo sabe que criança gosta mesmo é de brincar. Não importa como, com quem seja, nem com o quê, mas a diversão. Na Escola Municipal José Ribeiro Guimarães, em Jardim Pernambuco, a brincadeira rola solta. Queimada, taco, morto-vivo, piques de todos os tipos e, claro, o futebol fazem parte da lista de favoritos da garotada. Mas as histórias e cantigas de roda também atraem a atenção das crianças que participam das atividades do Bairro-Escola.


A escola está tendo um bom resultado com a nova fase, que é valorizar cada vez mais as brincadeiras populares para que essa nova geração não perca o que há de melhor na infância. Os mediadores responsáveis por aplicar - e muitas vezes, apresentar- as brincadeiras e cantigas se divertem quase tanto quanto a meninada. “Eles são muito receptivos”, explica a mediadora Mariana Mendes Pimenta, de 20 anos, que mora no bairro Ouro Preto, próximo à escola onde estagia. “Já chegam dando sugestões de jogos, contam como brincam e quando não conhecem alguma brincadeira, prestam muita atenção para aprender bem rápido.”

Umas das brincadeiras recém-apresentadas para as crianças foi a cantiga de roda “A Linda Rosa Juvenil”, que é marca registrada no folclore brasileiro. “Essa brincadeira envolve dança, música, teatro e história, o que faz com que a criança trabalhe sua criatividade e percepção”, conta Mariana.

“A Linda Rosa Juvenil” conta com a Rosa, a Feiticeira, o Rei. Os demais formam uma roda e cantam a melodia. Cada criança age conforme a música e seus personagens. A garotada da José Ribeiro Guimarães se diverte com a encenação e os monitores também “Me lembro da minha infância”, conclui Mariana.

A linda Rosa juvenil, juvenil, juvenil
A linda Rosa juvenil, juvenil.
Vivia alegre no seu lar, no seu lar, no seu lar
Vivia alegre no seu lar, no seu lar.
Mas uma feiticeira má, muito má, muito má
Mas uma feiticeira má, muito má.
Adormeceu a Rosa assim, bem assim, bem assim
Adormeceu a Rosa assim, bem assim
Não há de acordar jamais, nunca mais, nunca mais
Não há de acordar jamais, nunca mais.
O tempo passou a correr, a correr, a correr
O tempo passou a correr, a correr.
E o mato cresceu ao redor, ao redor, ao redor
E o mato cresceu ao redor, ao redor.
Um dia veio um belo rei, belo rei, belo rei
Um dia veio um belo rei, belo rei.
Que despertou a Rosa assim, bem assim, bem assim
Que despertou a Rosa assim, bem assim.
(a última estrofe tem 3 versões diferentes:)
E batam palmas para o rei, para o rei, para o rei
E batam palmas para o rei, para o rei.
ou
Digamos ao rei muito bem, muito bem, muito bem
Digamos ao rei muito bem, muito bem.
ou
E os dois puseram-se a dançar, a dançar, a dançar
E os dois puseram-se a dançar, a dançar

Assista também aos vídeos mostrando como aplicar essa brincadeira nas suas oficinas e em casa.
URL: http://www.youtube.com/watch?v=1ApAHkzfMfM


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Qual a cantiga de roda que você sugere que seja ensinada às crianças do Bairro-Escola?

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Brincadeiras trilegais

Mediadora gaúcha compara brincadeiras populares do Rio Grande do Sul com as cariocas
por Larissa Leotério

“Cinto e cinquenta com muito carinho. Vai ter que me dar um pedacinho de Baigon. Barata com sabão é bom...” Assim começa a brincadeira de roda mais animada e famosa da Escola Municipal Profª. Leopoldina M. B. E, no Jardim Nova Era. Tão logo termina, ela é sucedida por outra, e mais outra, e mais outra.

A escola, que ainda se prepara para receber o Bairro-Escola, já conta com a mediadora cultural Franciele Ribeiro dos Santos, 23 anos, ainda que a estrutura do projeto ainda não tenha chegado. “Está começando devagar, porque ainda não temos parceiros”, lembra a mediadora, que está trabalhando com as oito turmas da escola, do primeiro ao quinto ano, usando tempos do horário regular e se acostumando às diferenças de turmas. “Os mais velhos são muito agitados, mas valem a pena”, explica.



Segundo Franciele, os maiores apresentam muita resistência às atividades e acham que as brincadeiras são coisa de criança. “Se consideram adultos muito antes do tempo.” Um dos recursos de que a mediadora faz uso para driblar a marra dos graúdos é lembrar as brincadeiras que animavam sua infância no Rio Grande do Sul, comparando com as das crianças cariocas. “Essa semana mesmo, veio uma menina e contou de uma brincadeira de roda que ela adora e que eu brincava no sul”, conta Franciele, cantarolando em seguida 'a canoa virou por deixar ela virar. Foi por causa de Fulano que não soube remar. Se eu fosse um peixinho e soubesse nadar, eu tirava Fulano do fundo do mar '.

Embora só tenha começado a fazer oficinas culturais em março deste ano, a mediadora já se sente segura o suficiente para afirmar que recorrer às histórias da infância é uma estratégia infalível para envolver os mais velhos. Tiago Souza de Almeida Soares, 11 anos, o menino que puxou a brincadeira de roda do '150 com muito carinho', é uma comprovação da tese da mediadora. “Eu gosto mais de jogar bola, mas sei todas as músicas de roda que existem. Eu só não lembro agora”.
Apesar de não gostar de ficar na rua, Tiago conta que o lugar de jogar bola é perto do campo do Santos e é na quadra do Brizolinha, escola vizinha, que todo mundo vai soltar pipa, “que é melhor que roda”, explica.

Papagaio
Millena Barbosa da Silva, de 10 anos, discorda. “Gosto de brincar com as músicas que meu pai cantava para eu dormir: ‘Ciranda, cirandinha’; ‘Fui no Tororó’; ‘Atirei o pau no gato’. E ainda me ensinou o 'dolin dolá'”, enumera. O pai da menina, 'que parece um papagaio', inventava músicas para ela comer, tomar banho e dormir. “Na hora de dormir, cantava que eu ia sonhar com florestas e princesas.” Outra música que o pai cantava era a da 'Vaca Amarela', para que ficasse calada.

Como não poderia faltar, algumas crianças acham mais divertido navegar no universo virtual. “Eu brinco na rua, jogo bola no Flamenguinho e bolinha do gude em qualquer lugar, mas prefiro ir pra lan house”, diz Igor Cardoso da Rocha, de 12 anos.

Apesar de ainda estar começando devagar, a ideia de resgate das brincadeiras populares, tema atual das oficinas, já está sendo bem aceita. Pelo menos é essa a opinião de Mônica Aparecida Nascimento, 38 anos, merendeira da escola e mãe de Monique Nascimento dos Santos, de nove anos. “É importante porque as crianças não têm mais tanta chance de ficar na rua, como a Monique”, conta a mãe, que só deixa a filha na rua se puder ficar no portão, para acompanhar a filha em suas voltas de bicicleta com as vizinhas. No entanto, ela acredita que a filha aproveita melhor a infância do que ela, que teve que tomar conta dos cinco irmãos mais novos ainda com sete anos.

Mas as dificuldades não a impediram de brincar com os irmãos de casinha e comidinha, além de “enterrar baratas”. Com exceção da brincadeira com os insetos, ensinou tudo o que para a filha, que até hoje pede para que cante para ela quando vai dormir. “Só não brinco mais porque, além de trabalhar aqui na escola, tenho que cuidar de vovó e de um um primo de 12 anos e fazer curso de Radiologia.” É por isso que acha ótima a iniciativa de fazer com que as crianças voltem a brincar.


Interatividade:
Você conhece alguma brincadeira de outro estado de que as crianças cariocas também gostem?

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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Brincando de aprender

por Brenner de Oliveira

Pais criativos possuem a capacidade de desestruturar a realidade e reestruturá-la de outras maneiras, fazendo com que a aprendizagem dos seus filhos não entre na cabeça deles por osmose, mas sim por brincadeira.

Se o ditado popular diz: “toda brincadeira tem um fundo de verdade”, a cultura popular, mostra que toda brincadeira tem um fundo de aprendizado.



Michelle Araújo, 16 anos, conhece esta frase na prática. Ela teve uma infância muita rica em sabedoria, e deve isso à sua mãe, que utilizava qualquer brincadeira como um pretexto para enriquecer seu vocabulário. Quem nunca brincou de adedanha? E adedanha interativa? Era esse o nome que sua mãe, dona Joanna Araújo, dava a esta variação da adedanha.

"Quando caía letra A, por exemplo, eu tinha que saber 30 palavras com a letra A,
e eu só tinha 10 anos", contou Michelle, sorrindo. "Quando eu não sabia, mamãe me mandava olhar no 'pai-dos-burros' e falar mais 30", continuou.

Escolinha na garagem
A brincadeira era dividida em grupos de palavras: animais, adjetivos e de estados do Brasil. Michelle mora em Jardim Iguaçu há 3 anos, mas ainda guarda as lembranças de quando morava em Goiânia. "Lá em Goiânia, havia outras brincadeiras iguais à da adedanha, mas eu não me lembro muito bem, só lembro dela e da forca", revelou ela.

Criatividade com as brincadeiras não existe somente na família de Michelle. Que o diga a família D´Ávilla, que mora em Austin, próximo à Praça do Batuta. A escola é local-chave para brincadeiras educativas. A tia passa forca no quadro, adivinhações, o que-é-o-qué?, e a criançada se diverte.

E o que fazer nos dias em que não há escola? Animados com o desenvolvimento da filha Amanda, Seu Élio e Dona Evanilda D'ávilla criaram uma escolinha na garagem, simulando tarefas e brincadeiras de sala de aula. Amanda e suas coleguinhas se revezavam entre alunas e professoras. "A gente usava livros da escola mesmo", lembrou Amanda, que hoje está com 15 anos e sonha em ser professora. “Meus pais compraram quadro, giz, apagador, tudo. Era uma escolinha mesmo."

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Plantando, tudo dá

Oficina de Horta do Mais Educação atraiu Secretaria de Agricultura para Bairro-Escola
por Lucas Lima e Nany Rabello

“O povo da cidade não tem hábito de plantar, eles acham que toda planta é mato”, diz Robério Batista Dutra, 39 anos, mediador da Escola Municipal Venina Correa, da Califórnia. Quebrando esse paradigma, o Bairro Escola, em parceria com o projeto Mais Educação, do Governo Federal, implantou oficinas de horta em algumas escolas.

A aceitação dos alunos foi ótima. Eles estão tão integrando-se à oficina de um modo tal que, quando não há atividade na horta, eles procuram os professores responsáveis pelo projeto perguntando quando vão poder plantar novamente. “Isso acontece porque a escola dá a oportunidade deles fazerem algo prazeroso e que eles gostem”, conta Dutra.

A escola enfrenta, porém, uma grande resistência. São os alunos que arrancam as plantas que ainda estão nascendo, revirando a terra e tirando as sementes. “São aqueles que não participaram da atividade”, afirma a também mediadora Viviane Ribeiro, 25 anos.

Para quebrar essa barreira, foi iniciado um trabalho de conscientização dentro da escola liderado pelas crianças que participaram do processo. Mas elas não se limitaram a dizer que não podiam fazer aquilo. “As crianças começaram a mostrar para as outras a diferença entre o que é mato e o que não é, as plantas que podemos ou não jogar fora, o que são ervas e para que elas servem”, lembra Viviane Ribeiro.

Mais novos
Outro problema da oficina é a baixa adesão entre os alunos do segundo segmento, cujo interesse é diametralmente oposto às crianças do Bairro-Escola. “Os mais novos gostam de colocar a mão na terra, fazem plaquinhas, até tomam conta”, conta a mediadora, que tem esperança de que as turmas do 5º ao 8º ano se empolguem quando virem as primeiras plantas crescerem.

Dois alunos têm sido exemplo para todos. “Na horta, a gente aprende mais sobre as plantas, fica sabendo que tipo de alimento vai pra nossa casa”, empolga-se Gustavo Alen, de 13 anos, que aderiu à oficina porque sempre gostou de comer coisas verdes. Tainá Conceição, também com apenas 13 anos, concorda: “A oficina de horta é muito boa, ensina o fundamental pra gente, e também dá mais ensino e conhecimento sobre as plantas.”

Para ajudar na conscientização das crianças de que temos que comer coisas verdes, os profissionais da escola fazem periodicamente uma “vaquinha” e compram legumes e verduras para a escola, e todos comem, principalmente as crianças. “Quando as crianças puderem comer aquilo que plantaram, a oficina também ajudará a melhorar a alimentação deles”, aposta Viviane.

Os mediadores participaram de uma formação na Secretaria de Agricultura, onde aprenderam a fazer adubos e reaproveitar tudo que pode ser útil na oficina. “O Horário Integral mostra que não podemos trabalhar isolados”, ensina Robério Dutra. “Devemos estar sempre integrados, afinal, esse é o papel do Bairro-Escola.”




Interatividade:
Você acha que quem planta se alimenta melhor?

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