terça-feira, 31 de março de 2009

Um duro golpe na violência

Hierarquia e disciplina ensinadas nas artes marciais afastam jovem da violência
por Robson Lopes

Judô, Tae Kwon Do, Muay Thay e Jiu-jitsu são apenas alguns dos mais variados estilos de luta que estão presentes à nossa volta, verdadeiras artes fatais. Força, destreza, reflexo e resistência são adquiridos através de suas práticas. O desenvolvimento corporal e a sábia utilização dos braços e pernas muitas vezes tornam-se atrativos sedutores aos pitboys, pessoas que buscam semear a desordem social através da má utilização dos ensinamentos marciais.

Entretanto, as artes marciais proporcionam muito mais que torções musculares, ou golpes extremamente atordoantes. Virtudes como honra, disciplina, respeito e perseverança são levados a sério e capazes de transformar vidas. Não é necessário procurar muito para descobrir pessoas que mudaram suas escolhas, caminhos e ambições graças às artes marciais. A socialização do praticante é trabalhada, o contato direto com outros praticantes, assim como a socialização dos mesmos desenvolve a comunicação e a confiança coletiva. As táticas de combate e a hierarquia em cada arte marcial desperta o raciocínio e o equilíbrio mental. A superação de cada dificuldade e o aprendizado de cada nova técnica estimula a perseverança e renova o espírito

“Vi uma turma inteira de indisciplinados se tornarem na turma de maior rendimento do colégio”, conta Victor Hugo, judoca de 16 anos cursando o ensino médio. Os casos não são poucos. Podem-se encontrar desde crianças que alcançaram a socialização até jovens ou adultos que foram salvos do mundo do crime. Um desses casos é Diogo Silva, nascido em São Sebastião (SP), que teve sua vida modificada ao entrar para o Tae Kwon Do. O jovem problemático tornou-se um exímio taekwondista, a ponto de conquistar o lugar mais alto do pódio no Pan-Americano de 2007. Casos de superação através das artes marciais são encontrados todos os dias.


Papel do mestre
Quem possui forte atuação na vida dos praticantes são os senseis/mestres/kyosanins/instrutores que tem a difícil, mas gratificante tarefa de conduzir seus alunos. “O mestre tem um papel fundamental, o aluno acaba se espelhando no professor”, afirma Rafael Rodriguez Sant’Ana ,que leciona Tae Kwon Do há 10 anos. “Por isso eu me policio”, completa. Quando o assunto é doutrina, algumas artes marciais são postas em dúvida. Uma delas é o Muay Thay, tida como uma arte violenta. “Tem que encontrar um profissional de verdade, saber o que o professor conquistou, de onde ele veio”, esclarece o campeão estadual André Santos (mais conhecido como Bruce do Muay Thay). Bruce admite que Muay Thay não é fácil. “A principal característica é ter equilíbrio, porque você vai ter que lidar com situações hostis, tem que ser equilibrado”.

“É um trabalho árduo e longo”, reforça Douglas Floriano, karateca de 15 anos. “Conheço muita gente que mudou de vida com o Karatê”, conclui. Torna-se evidente que todo o processo depende única e exclusivamente do praticante. As artes marciais buscam a harmonia, saber temperar a vida e dosar as escolhas. Usados e compreendidos da maneira correta, os mais variados estilos marciais podem livrar o jovem das garras da violência, em vez de incitá-la. Com determinação, integridade e equilíbrio, as artes marciais doutrinam pessoas, transformam vidas e ajudam a construir uma sociedade mais justa.

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segunda-feira, 30 de março de 2009

Música de quinta

Estudantes do IERP fazem da festa uma forma de mobilização
por Juliana Portella

Tudo começou na quinta-feira anterior ao carnaval. Os professores do quarto ano do turno da manhã do Instituto de Educação Rangel Pestana haviam faltado e um grupo de cerca de 30 alunos se reuniu ao som de um violão. A única pretensão do grupo era fazer o tempo passar, quando começaram a tocar e cantar canções de gosto duvidoso, como as de Tiririca e dos Mamonas Assassinas.

A ideia pegou e na semana seguinte houve uma edição especial, homenagenado o Dia Internacional da Mulher com músicas como "Florentina" e "Estúpido cupido". Empolgadas com a adesão dos estudantes, as lideranças do grêmio viram no evento uma possibilidade de ampliar o movimento e providenciaram microfone, amplificador e violão elétrico para ampliar o alcance da festa. Outra providência tomada foi a extensão do Música de Quinta para o intervalo dos outros turnos.

A performance de July Hana na terceira edição do Música de Quinta, que cantou "O último romântico", de Lulu Santos, deu um ar de seriedade àquela brincadeira. “Ela arrasou”, conta Aline Ramos, aluna do quarto ano do curso normal e tesoureira do grêmio estudantil. Também foi nesse dia que cantaram pela primeira vez o que está se tornando o hino do Música de Quinta: "Versos simples", de Chimarruts. “Toda vez alguém canta”, garante Aline.

Foi num desses intervalos que a dupla Leonardo Cota e Vitor de Carvalho apresentaram o hino da campanha da chapa Ultrajovem, de autoria desse último. "A música serviu para contagiar a galera", conta Aline Ramos.

Comida
A adesão dos estudantes vem crescendo a cada dia e as lideranças do movimento secundarista viram no evento uma oportunidade para mobilizá-los para as ações sociais. “A participação dos jovens passa a ser de forma prazerosa e construtiva”, arrisca Antônio Carlos, aluno do segundo ano do curso normal. Um dos entusiastas do projeto, Antônio Carlos recorre à música Comida, do grupo Titãs, para explicar a importância do Música de Quinta. “A gente quer comida, diversão e arte”, cantarola.

Para ele, o Música de Quinta é uma oportunidade não apenas para formar novas amizades, mas para que os estudantes respirem de um cotidiano intenso dentro das salas de aula. “Muitas coisas poderão ser conseguidas através da troca de idéias, que nascem através da musica. As aulas passam a ser até mais agradáveis depois dos nossos encontros musicais”, acredita.

O sucesso do evento levou a turma 2 do quarto ano fez uma paródia de um antigo sucesso de Michael Jackson, que será cantada na próxima quinta-feira. "A paródia será usada na campanha de arrecadação de fundos para a nossa formatura", conta Aline Ramos. "Ajude a gente pra formatura, ajude a gente deposite aqui a sua ajuda", cantarola.

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Combate à foice

Nova Iguaçu inaugura centro de referência para Falciforme
por Josy Antunes

Uma nova política de atenção integral a pessoas com doença Falciforme foi estabelecida sexta-feira, dia 27 de março. O teatro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro sediou o encontro de profissionais da saúde, políticos, representantes de diversas religiões, do movimento negro, feminista e GLBT, de comunidades indígena, árabe, judaica e quilombola. As principais vítimas da doença são os afro-descendentes.

Antes da reunião, o Centro de Referência de Atenção Integral a Pessoas com Doença Falciforme foi inaugurado, ao lado do Hospital da Posse. “Ele é fruto do trabalho de muita gente, que já luta há muito tempo”, declarou o Secretário de Saúde Marcos de Sousa, um dos organizadores do encontro.

Joice Aragão, coordenadora da Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme, fez um histórico da doença no Brasil. Caracterizada por uma má-formação das hemácias, que tomam forma semelhante a foices, a doença tem daí a origem de seu nome. A Falciforme provoca dificuldades na circulação sanguínea, fortes anemias, dores, úlceras e até derrames cerebrais.

A doença é originária da África, tendo aportado nas Américas na época da escravidão. Por esse motivo, sua maior incidência acontece nos estados onde a presença de escravos era maior, estando em primeiro lugar a Bahia, seguida do Rio de Janeiro. Estima-se que um em 1,2 mil bebês cariocas nasçam com a doença, que é transmitida de pai para filho. Ao todo, há cerca de 8 mil casos no Rio de Janeiro.

Uma das metas do novo programa é que todos os profissionais do SUS e da saúde em geral tenham conhecimento da Falciforme. “Porque a todo momento vão encontrar pessoas com a doença”, explicou Joice. Além da alta incidência da doença em regiões com forte presença dos afro-descendentes, a Falciforme é altamente contagiosa. “O risco de infecções – até em procedimentos dentários – é em média 400 vezes maior.”

Tratamento adequado
Ela também explicou os altos índices de mortalidade provocados pela Falciforme. Segundo estatísticas, crianças de até cinco anos portadoras da doença e que não recebem tratamento adequado têm a expectativa de vida reduzida para os oito anos de idade. Essa expectativa cresce para 45 anos entre as crianças com acompanhamento médico.


O diagnóstico precoce é um grande aliado na luta pela vida, como explica o hematologista Paulo Ivo, ao falar sobre o Programa Primeiros Passos, mais conhecido como o teste do pezinho. Se detectada a alteração nas hemácias, medidas simples, porém essenciais, devem ser tomadas. “Vacinas, atenção com hidratação e higiene, adesão aos tratamentos são alguns cuidados com o bebê”, explicou o médico. Antes do teste do pezinho, a taxa de mortalidade era maior.

O programa já obteve grandes conquistas, como a implantação do fluxo obrigatório de informação sobre a doença. “Com a sua desmistificação, pudemos resgatar aqueles que não estavam sendo tratados”, explicou o hematologista.

Um dos próximos passos, além da capacitação dos profissionais da saúde, é descentralizar o atendimento a pacientes com Falciforme. Isso fará com que eles possam ser atendidos em qualquer unidade de saúde, não só nas específicas.

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domingo, 29 de março de 2009

Nas Índias

Oscar já em cinema de Nova Iguaçu
por Lucas Lima

O filme “Quem quer ser um milionário?”, ganhador de 8 Oscar, já está em exibição na sala 2 do Top Shopping. O filme se passa nas favelas da Índia, e conta a história de Jamal Malik, um jovem de 18 anos que trabalha servindo chá em uma empresa de telemarketing. Ele participa de uma espécie de “Show do Milhão” indiano.

O jovem consegue chegar à pergunta final, mas é preso por suspeita de trapaça, já que médicos, advogados e pessoas igualmente “cultas” não conseguiram o desempenho que ele, um menino pobre de rua, alcançou.

Jamal conta então ao policial como aprendeu cada uma das respostas. Esses ‘conhecimentos’ adquiridos são mostrados por recortes de tempo, que conduzem o espectador a diversos momentos da vida dele.

Segundo a professora de português Celeste Ferreira, 49 anos, o filme deve ser visto por todos que assistem à novela da Rede Globo. “Para aqueles que assistem Caminho das Índias, é bom porque eles podem ver a parte triste e miserável da Índia, e não apenas a parte boa que a emissora mostra. A realidade do filme não é tão distante da nossa”.

Quando é solto, Jamal volta ao programa, responde à ultima pergunta e ganha o premio de 20 milhões de rúpias, moeda oficial da Índia. Além do Oscar de melhor filme, "Quem quer ser um milionário" ganhou os prêmios de melhor direção, melhor roteiro adaptado, melhor edição, melhor fotografia, melhor trilha sonora, melhor canção original e melhor som. O filme também ganhou quatro Globos de Ouro.

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sexta-feira, 27 de março de 2009

Oriente-se, rapaz

Estilos musicais orientais ganham popularidade com a onda anime
por Nany Rabello

J-rock, k-pop, j-pop, k-rock... Sabe do que se trata? São subdivisões de músicas orientais, muito comuns no Brasil. As siglas significam rock japonês (j-rock), pop coreano (k-pop), pop japonês (j-pop) e rock coreano (k-rock). A mais conhecida dessas subdivisões é o j-rock, que é baseada em estilos visuais bem diferentes do convencional e que começou no Japão na década de 80 como uma forma de protesto ao modo de vida padronizado daquele povo. Essa denominação musical engloba muitos estilos de bandas e muitas subdivisões ainda mais complexas, como, por exemplo, o visual kei, que tem a ênfase na aparência de seus artistas. Ainda há os tipos kote kote, eroguro (que vem do termo “erotic and grotesc”), gothc lolita e gothc aristocrat, oshare kei e uma enorme variedade de nomes e estilos. Algumas das bandas mais divulgadas são L’arc~em~ciel, the GazettE, Dir em Grey, Ãn Café, entre outros.

“O interesse vem naturalmente pra quem gosta de cultura japonesa”, diz Gabriel Arantes Freitas, 20 anos, fã assumido de j-rock. Os tipos musicais também influenciam no visual de quem escuta, que passa a se caracterizar como os próprios japoneses. “Diferentetemente do j-rock, quem escuta k-pop tem um visual mais inspirado no hip hop, com um pouco mais de brilho”, explica João Mário Bastos Sales, 19 anos. “Mas você não pode dizer: ‘olha, aquele cara escuta k-pop’, só pelo estilo visual da pessoa.”

Fora da Ásia
Há também o k-pop, famosíssimo por aqui graças a cantoras como BoA, Big Bang (considerada a grande banda do momento na Coréia), Wonder Girls, Bi Rain, Utada Hikaru e Ayumi Hamasaki. E não só por aqui! O cantor Bi Rain, por exemplo, fez o Taejo na nova versão do filme Speed Racer. A cantora BoA e o cantor Se7ven já lançaram álbuns em inglês e fizeram shows nos Estados Unidos. “Música oriental não fica apenas na Ásia”, garante João Sales.

Diferentemente do j-rock, o k-rock não é muito divulgado no Brasil. Mas também tem seus representantes, como as bandas Crash, The Traxx, No brain, PIA, entre outras. Seu visual não é muito definido. As bandas de k-rock também não são nem tão numerosas nem tão famosas quanto as bandas dos outros gêneros musicais orientais.

A grande influência para as músicas são os animes e eventos afins, como o j-fest (Japan Festival Songs). Organizado uma vez por ano no Rio de Janeiro, esse festival reúne e difunde novas bandas e estilos orientais, atraindo uma grande massa de fãs. “Quem assiste anime e se interessa pelas aberturas/encerramentos dos desenhos japoneses acaba procurando a música e a banda”, diz Stephanie Ventura de Araújo, 18 anos. “Mas eu ouço música oriental porque é boa.”

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Papo cabeça

Salão de beleza futurista atrai clientes na base do boca-a-boca
por Leandro Furtado e Marina Rosa / fotos de Leandro Furtado

Tesouras, pente, espelho, gilete, propagandas anônimas e câmeras. Esses são os ingredientes que dão um charme futurista ao salão de beleza da rua Maria Leopoldina, 1222, em Jardim Tropical, comandado pelo cabeleireiro Alexsander Policarpo, de 33 anos.

Não há placas, faixas, banner ou qualquer outro tipo de divulgação visual na frente do salão, cuja porta se abre automaticamente para o cliente que apertar a campainha. A ausência de propaganda é intencional. “Acredito no boca-a-boca”, diz Alex, como o cabeleireiro é chamado pelos clientes. “É essa assim que divulgo o meu trabalho desde a nossa inauguração, há oito anos.”

Alex ainda tentou fugir da profissão, preferindo a aridez de um curso de patologia clínica ao risco de ser visto como homossexual. “Só venci o preconceito quando conheci cabeleireiros heterossexuais”, revela ele, que, mesmo assim, não interrompeu o curso de patologia enquanto se preparava para a profissão que realmente desejava.

Incentivo dos amigos
Quando o curso, Alex não apenas havia se descoberto profissionalmente, como também já possuía a maiorias dos instrumentos de trabalho de um cabeleireiro. Mas só transformou a varanda de sua casa no seu primeiro salão por causa do incentivo moral e material dos amigos.”Ganhei uma cadeira de um amigo, um espelho da escola e uma máquina de cortar cabelo da minha mãe”, enumera.

Além do apoio material, os amigos se ofereceram como cobaias para que Alex desenvolvesse seu talento. “Eu fazia o que sabia na galera conhecida”, conta. Quando saíam do salão, eles se tornavam propagandas ambulantes dos seus dotes artísticos. “Graças a Deus, sempre agrado quem vem e talvez por isso a única divulgação de que preciso é o boca-a-boca”, orgulha-se.

Com a chegada dos novos clientes, Alex começou a investir no negócio. No segundo andar de sua casa, construiu uma sala de espera, a sala dos cortes e ainda um reservado para futuras instalações. Mas os investimentos não se restringiram à ampliação do espaço. “Queria oferecer coisas diferentes”, conta ele. Foi aí que teve a ideia das câmeras e da porta automática que dão um ar futurista ao seu salão.

Bairro tranquilo
Mas Alex não estava querendo transformar seu salão num monumento à paranoia por segurança, incompatível com um bairro tranquilo como o de Jardim Tropical. “Coloquei as câmeras por causa da porta automática”, esclarece. “Aquilo é uma potência do caramba e fiquei com medo de acontecer algum acidente, principalmente com as crianças que vêm no salão.” Ele não é nenhum deslumbrado com a tecnologia, mas o resultado deixou-o para lá de satisfeito.

Os clientes também gostam daquele ambiente e são de uma fidelidade canina. “Corto meu cabelo aqui desde que o Alex começou", conta Joel Andrade, de 80 anos, que gosta tanto do salão que muitas vezes só vai ali para matar o tempo. “Teve uma vez que deixei os caras do Jeito Moleque passarem na minha frente e eles pagaram meu cabelo e minha barba”, acrescenta.

Alexsander ainda tem muitos planos para o seu salão. Um de seus desejos é ampliar o negócio ao ponto de gerar empregos. “Isso pode me dar mais tempo livre e oportunidades aos que sonham em ter o seu próprio negócio.”

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Aniversário rodriguiano

F.A.M.A comemora oitavo aniversário com ação social
por Josy Antunes

O Projeto F.A.M.A. – Fábrica de Atores e Material Artístico – completa sábado, dia 28, oito anos de existência. Para comemorar a data, o grupo reunirá artistas da Baixada e do Rio de Janeiro e oferecerá oficinas culturais e esportivas e serviços sociais durante todo o dia. Essa é a primeira vez que o F.A.M.A comemora o aniversário em grande estilo.
A festa tem um nome para lá de sugestivo: Mistura Cultural. As oficinas oferecidas vão do fantoche à moda, passando por percussão e dança do ventre. A oficina de maior destaque será ministrada por Cico Caseira – ator, diretor e professor do Tablado. “Salve a arte na Baixada!”, afirma a produtora Adriana Rolin.

Adriana Rolin, que está produzindo o Mistura Cultural juntamente com Alexandre Gomes, Alessandra Fernandes e Junior Matos, tem a esperança de que o evento atraia os atores “carpinteiros” de Nova Iguaçu e da Baixada. “Gente com a essência do bem, com vontade de compartilhar mais possibilidades aos encontros férteis”, afirma Rolin, parceira do F.A.M.A. desde 2004, quando ainda era aluna do curso.

Incentivar a arte e a cultura aos que têm menos acesso é a grande motivação dos organizadores do Mistura, que por isso mesmo será aberto às 9h com uma grande ação social. A ação social, que se estenderá até o meio-dia, oferecerá corte de cabelo, internet e orientação jurídica gratuitamente para a população. As normalistas das escolas nas imediações do projeto poderão contabilizar o evento nas horas de estágio.

Para garantir a participação nas oficinas, basta se inscrever fornecer o nome completo e as atividades desejadas. O telefone do projeto é 3768-9250. Finalizando o dia, haverá a formatura da turma avançada de teatro, em que Adriana Rolin comandou as aulas e os ensaios do espetáculo Coquetel Rodriguiano – que fazia uma coletânea de várias obras de Nelson Rodrigues.

Serviço

9 às 12h: Ação Social (corte de cabelo, internet gratuita,orientação jurídica)

9 às 11h: Exposição e Oficina de Artes Plásticas

9 às 11h: Oficina de Malabares

9 às 11h/13 às 15h: Oficina de Percussão

10 às 12h: Oficina de Moda (com Otávio Sobrinho)

11 às 13h: Improviso (com Anderson Quak, da CUFA)

12 às 13h: Tarde de autógrafos com Luiz Antônio - ator da Rede Globo: novela Paraíso

13 às 15h: Dança do Ventre & Street Dance

13 às 15h: Oficina de Fantoches

13 às 15h: Kung Fu

15 às 17h: Jogos Teatrais (com Cico Caseira)

15 às 17h: Dança de Salão (com Amanda Visan)

16 às 17h: Oficina de Palhaço

19h: Coquetel Cerimonial & Formatura dos Rodriguianos

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quinta-feira, 26 de março de 2009

Os sons da solidariedade

Igrejas evangélicas usam linguagem de sinais para evangelizar deficientes auditivos
por Carolina Alcantara

No Brasil, o número de deficientes auditivos é significativo. Muitos encontram dificuldades de conseguir emprego. Desconhecem seus direitos. A dificuldade aumenta quando não sabem ler nem escrever. Alguns não frequentaram a escola e não conhecem a Linguagem Brasileira de Sinais, também conhecida como Libras.

Alcimar de Carvalho viveu anos dentro de casa, presa em seu próprio mundo, apenas estabelecendo contatos com seus parentes. Naquele ambiente limitado, criou seus próprios sinais para se comunicar com a família. Nunca foi a uma escola. Hoje a vida dela é diferente. Aprendeu a linguagem e fez amigos. “Estou feliz, gosto muito da Igreja Batista”, comenta. Ela está agradecida por ter pessoas que realmente se preocupam com ela e com outros surdos.

Nova Iguaçu tem vários pontos de encontro para deficientes auditivos. O Center é um desses espaços em que muitos deles estabelecem contato para conversar, paquerar, marcar encontros. Começam a aparecer nas lojas intérpretes da Libras, estudantes e mesmo alguns curiosos. A Igreja Evangélica Ministério Apascentar, que marca presença nesses lugares, tem fieis que fazem uso da linguagem dos sinais para evangelizar.

Descoberta
Em um encontro com uma equipe de intérpretes da Libras, veio ao grupo a história de uma surda que não sabia que, além do mal cheiro, soltar gases pode produzir muito barulho. Ela estava em uma reunião de família, na qual a única pessoa que não era deficiente era o seu namorado. Seu pai não consegue se controlar e começa a soltar gases, um atrás do outro. O ar ficou irrespirável e o namorado começou a rir. A menina perguntou por quê. Foi nesse dia que ela descobriu que os puns fazem barulho. Os olhares constrangidos logo foram substituídos por gostosas gargalhadas.

A história, que parece cômica, faz parte do cotidiano de Michele, uma das intérpretes de Libras da Ministério Apascentar. "Parece ser algo simples para nós, ouvintes, mas nunca um “pum” foi tão importante na vida daquelas pessoas”, afirma a intérprete.

Assim como algumas igrejas, escolas e professores, é importante estarmos preparados e preocupados com determinadas diferenças.”Os deficientes auditivos são seres normais, que podem e devem ser produtivos", afirma Michele. Como nós, eles precisam e querem namorar, trabalhar, viver. “É preciso somente compreensão e ajuda. Afinal, eles não são seres de outro planeta."

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Rede infantil

Crianças se tornam servidoras de lan house para navegar livremente na internet
por Letícia da Rocha

Pode reparar. São cada vez mais comuns as crianças entre 10 e 13 anos que trabalham como servidores em lans houses. Mas antes que o Ministério Público acuse seus proprietários de exploração do trabalho infantil, vale lembrar que na maioria das vezes essa molecada tira partido de uma amizade ou mesmo parentesco com o dono do
estabelecimento.

Para os garotos, que em sua imensa maioria não possuem computador ou não têm banda larga para navegar com a devida tranquilidade, ser servidor da lan house de um parente ou de um amigo da família é a única maneira de entrar na internet ou jogar os seus games favoritos. Também pesa na decisão deles o respeito que conquistam junto a seus amigos. “Quando alguém dá problema, é só chamar o dono que ele bota pra fora”,
diz o estudante Luan Moreira Costa, de 14 anos.

A história de Luan é bastante ilustrativa do modo como essas crianças se tornam servidoras das lans de que são frequentadoras assíduas. “Como ficava jogando o dia todo, pedi ao dono para deixar eu trabalhar”, conta o estudante, que na época tinha apenas 13 anos. Muito mais interessado em “net” liberada do que em fazer dinheiro, Luan percebeu que suas chances eram grandes pelo fato de não haver nenhum servidor trabalhando.

Viciado
Luan conseguiu a vaga credenciado pelo fato de o horário oferecido não atrapalhar os estudos e principalmente porque, apesar da pouca idade, já havia feito um curso de informática. “Problemas pequenos sou eu mesmo que resolvo”, garante Luan. O dono só precisa chamar um técnico quando o problema é mais complexo.

Muitos garotos começaram a trabalhar como servidores ainda mais novos do que Luan. Esse foi o caso do estudante Pedro Henrique da Silva, de 12 anos. “Viciado” em jogos
on-line, ser servidor é a melhor coisa do mundo. “Posso ficar o dia todo jogando”, comemora ele, que só abandona o Grande Chase Season 2 na hora de ir para a escola. Como a lan é perto de casa, a mãe nunca implicou.

A única diferença entre os meninos e as meninas é que estas últimas se tornam servidoras com o objetivo de navegar livremente nos sites de relacionamento. “Aproveito para ficar no MSN conversando e fofocando com as meninas, ou falando com meu namorado”, conta a estudante Brenda Muniz, de apenas 12 anos. Brenda Muniz tem total liberdade na lan house em que trabalha, desde que respeite as duas condições impostas pelo dono. “Não posso faltar aula, nem dar hora para os amigos.” Nos dois casos, o dono trocaria o servidor.

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Música para salvar o planeta

Jovens da Baixada farão lual na Via Light para protestar contra aquecimento global
por Mariane Dias

Um lual idealizado pelos jovens de Nova Iguaçu, à luz de tochas e ao som de música acústica, deve superlotar a Praça dos Direitos Humanos, ali na Via Light, na noite do próximo sábado. O objetivo deles é participar da luta contra o aquecimento global, em um evento mundial coordenado pela ong WWF – World Wildlife Fund. É a terceira edição do evento, que começou em 2007 na cidade de Sidney e se estendeu para 74 cidades em 2008. O evento ficou conhecido como a Hora do Planeta.

É a primeira vez que cidades brasileiras participam da Hora do Planeta. Em Nova Iguaçu, o evento está sendo organizado pelo ativista político Luiz Felipe Garcez, o Pato. “Soube da Hora do Planeta por um email mandado pela própria WWF”, conta o ativista. O mesmo email que ele recebeu chegou a Thiago Serrano, o vocalista Guinho da banda iguaçuana Prefixo. Os dois começaram a trocar informações e decidiram criar uma comunidade no Orkut para discutir a participação da cidade.

A comunidade cresceu de modo viral e hoje já tem 420 membros entusiasmados, que ao longo das discussões resolveram dar um toque especial ao protesto comando de Sidney pela ong ambientalista. “A gente não queria só passar uma hora com as luzes apagadas”, conta Garcez. O conceito do luau foi surgindo à medida que os membros da comunidade trocavam scraps, definindo o lugar e a hora da Hora do Planeta iguaçuana.

Uma das ideias centrais da mobilização era que ela fosse feita só pela internet, sem panfletos ou comerciais. “Estamos medindo o nosso poder de fogo virtual”, afirma Garcez. Outra característica da mobilização é que apenas os jovens estão participando. “Não sei se vão aparecer 20 ou 400 pessoas”, diz ele. Sua única preocupação é que o lual atraia pessoas apaixonadas pela defesa do futuro do planeta, de preferência jovens.

Mesa com frutas
A marca da informalidade foi imprimida na própria concepção do evento. “Gostaríamos de fazer uma mesa com frutas e refrigerantes, mas ninguém é obrigado a levar nada.” A organização está mandando scraps para comunidade nos quais pede que os jovens evitem bebida alcoólica no luau. Mas nada será proibido.

Os organizadores do evento têm esperança de que apareçam diversas bandas da Baixada Fluminense, mas até agora só confirmaram presença a Vó Ruth, a Prefixo e um grupo do CEFET. “Quem quiser tocar, pode aparecer.” O lugar do lual foi escolhido por causa do acesso e da sua acústica, embora os fóruns virtuais tenham levado em consideração a questão da segurança. “O batalhão garantiu uma viatura para dar segurança ao protesto.”

Além de música, haverá debates sobre o meio ambiente. “Mas não vamos ficar só na questão ecológica”, garante o ativista, que quer terminar o lual com propostas concretas para melhor a qualidade de vida em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense e em Nova Iguaçu. “Tragam sua arte, seu violão, suas frutas, e é tudo nosso!"

Acesse e saiba mais sobre o Lual, na comunidade "Hora do Planeta - Nova Iguaçu"
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=84597577

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quarta-feira, 25 de março de 2009

Fantasias animadas

População ainda trata cosplayers com deboche e preconceito
por Wanderson Duke / fotos de Wanderson Duke

A riqueza de detalhes das roupas usadas pelos super-heróis dos desenhos animados japoneses desperta a cobiça de pessoas de todas as idades, em todas as partes do mundo. Essa legião de admiradores é chamada de cosplayers, uma junção das palavras inglesas customize e player. Os cosplayers fazem tudo o que estão ao seu alcance para se vestir como seus personagens favoritos.

Essa paixão tem um preço duplamente alto. A confecção dessas fantasias, além de demandar tempo e dinheiro, faz com que os cosplayers sejam vistos como seres vindos de outro planeta, tal como os super-heróis em que se inspiram. Mas nada disso abala a disposição com que um cosplayer se prepara para participar de um evento dedicado à cultura japonesa, os animes. “Adoro brincar de me fantasiar”, resume Fernando Pereira, de 16 anos.

As fantasias são feitas de diversas maneiras. Umas são feitas em casa, na base do improviso, mas alguns cosplayers recorrem aos serviços de costureiras profissionais. “Usei até papel celofane na minha roupa”, conta o estudante Douglas Lacerda, de 18 anos. O estudante sabe que a fantasia do herói “Seya de Pégasus”, um dos “Cavaleiros do Zodíaco”, não o levará ao Concurso Mundial de Cosplayers. Mas ele se diverte nos encontros de otakus que superlotam o Espaço Cultural Sylvio Monteiro nas manhãs do último domingo de cada mês.

Já Rodrigo “Vingaard” não poupa nem tempo nem dinheiro para confeccionar suas fantasias. “Acho que minha namorada eu e eu não gastamos menos de R$ 80 mil em todos esses anos competindo”, contabiliza “Vingaard”, que é tido como o segundo melhor cosplayer do Brasil. O convite para participar de alguns concursos mundiais justifica plenamente os dias em que têm que conviver com a bagunça da casa. Sua namorada, Yu-ki Jussim, é tida como a melhor cosplayer do Brasil.

Conflito de geração
Os cosplayers vivem verdadeiros conflitos de geração até que sua paixão seja aceita e assimilada pelos pais. Mas com o tempo eles não apenas cedem à loucura dos filhos, como se tornam seus torcedores mais entusiasmados. “No começo, minha mãe achava que eu estava ficando maluco”, conta o estudante de letras Carlos Eduardo, de 19 anos. De tanto insistir, o estudante de letras conseguiu fazer com que a mãe costurasse sua fantasia de Sayaman.

Quase todos os cosplayers têm uma história de constrangimento para contar por causa do seu hobby. “Muita gente acha que, por nos vestirmos de super-heróis, temos algum distúrbio mental”, lamenta Douglas Lacerda. Na maioria das vezes, esse tipo de loucura é alvo de provocações no meio da rua. Mas não são raros os casos em que os detratores dos cosplayers se exaltam e passam a hostilizá-los. “Uma vez, quase nos expulsaram de um shopping, porque fomos lá ainda vestidos com a fantasia, depois de um evento de que participamos”, conta o técnico em telecomunicações Agenor Vinicius, de 26 anos.

Como qualquer minoria, os cosplayers militam para que o seu hobby seja aceito socialmente. É por isso que estão sempre promovendo eventos de anime, por intermédio dos quais acreditam que as pessoas vão entender a cultura otaku e vencer o preconceito. “Quando as pessoas veem como nos relacionamos, como somos amigos do nosso grupo, elas percebem que o preconceito contra nós não tem o menor fundamento”, afirma Fernando Pereira.

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Última sessão de cinema

Cine Verde fechou, mas não foi esquecido pelo povo
por Wanderson Duke

Mais conhecido como Cine Verde, o Cinema Verderosa fechou as portas para dar lugar a um centro comercial. Mas as histórias desse lugar jamais serão esquecidas por aqueles que ficavam de olhos atentos na tela, nas matinês de domingo. Foi ali que muitos amores tiveram seu começo. As crianças iniciadas na magia do cinema esperavam o final de semana para assistir aos super-heróis. Tudo isso acabou. A magia da tela se fecha, mas se abre um livro para perpetuar sua memória aos olhos de Nova Iguaçu.

O cinema mais popular e mais conhecido da cidade foi criado com o objetivo de oferecer entretenimento a preços populares, e deu certo. Nos anos 30, suas salas de exibição funcionavam a pleno vapor. Era o tempo do cinema mudo, o programa de fim de semana. As pessoas aguardavam com ansiedade a sessão da tarde. Lá dentro havia uma divisão classe. “As pessoas compravam o bilhete da segunda classe e pulavam para a primeira que ficava logo à frente”, diz o Professor Ney Alberto, o maior historiador da Baixada Fluminense. As trilhas sonoras ficavam a cargo da pianista Brisabela de Barros Paladino e do violinista José Brigadão, que trabalhava para pagar a faculdade de medicina.

O cinema era uma referência, apesar das seguidas mudanças do nome da Praça da Liberdade, que já foi Passeio Público, 15 de Novembro, Ministro Seabra, Jahul e14 de Dezembro. Com o passar dos anos e a mudança dos costumes, começaram a construir salas confortáveis nos shoppings, que se tornaram ponto de encontro e área de lazer. O ingresso das novas salas era mais caro, mas o conforto das poltronas de couro parecia valer a pena.

Pornôs
Desesperados, os proprietários do Cine Verde apelaram para os filmes pornográficos para atrair o público de volta. A tática deu certo, ajudando seus proprietários a pagar as dívidas acumuladas com a migração do público para as novas salas. Mas a popularização da programação teve custos altíssimos. “Eu ia ao cinema com certa regularidade, mas fiquei indignada e nunca mais voltei”, conta a até então assídua frequentadora Kátia Maria, de 48 anos.

Bila Verderosa, a dona do cinema, explica a mudança da programação. “Nós estávamos à beira da falência e as contas não paravam de chegar”, justifica. “O que fizemos foi um soco no estômago de meu falecido marido.” Foi em nome desse amor que o casal investiu todas as economias na fundação do cinema, tão logo desembarcaram que os trouxe da Itália.

A pressão dos frequentadores tradicionais obrigou os proprietários retomaram a programação dos áureos tempos do Cine Verde. “Voltamos a exibir os filmes que estavam fazendo sucesso, como Batman , Superman e Homem-Aranha”, conta Bila Verderosa, que ficou muito feliz com o resgate do seu antigo público.

A volta aos bons tempos não foi suficiente, porém, para que o Cine Verde enfrentasse a concorrência em pé de igualdade. “Não daria para mantê-lo por mais tempo”, lamenta a antiga proprietária. A morte do marido só fez aumentar o fosso entre os novos cinemas, que ofereciam poltronas mais confortáveis, uma tela maior e ar condicionado. Desanimada, a viúva cedeu ao assédio dos comerciantes e alugou o espaço para uma loja de departamentos. “Não me arrependo”, afirma, embora ainda tenha esperanças de que o Cine Verde um dia volte.

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A bamba da Unig

por Desirée Raian e Nany Rabello

Quem passa em frente à Unig e olha para o singelo barzinho do outro lado da rua, nem imagina a grande história por trás dele. Há 12 anos lá era apenas um ponto, mas por um golpe de sorte, o “Amarelinho” agora é o maior point da Unig.

O “La Bamba”, verdadeiro nome do barzinho, começou a virar point quando os alunos de medicina da Unig resolveram fazer uma “festinha” ali, tão logo ele foi inaugurado. “Daquele dia em diante, o La Bamba virou o ponto de encontro deles”, conta Daysimar Santana de Abreu, sua dona, criadora e administradora As outras turmas vieram atrás.

O nome Amarelinho surgiu por causa da cor do bar. “Representa o sol, símbolo dos leoninos”, explica Daysimar Santana de Abreu, que durante nove anos o administrou sozinha. Essa situação começou a mudar há cerca de dois anos, quando o marido Marcos Francisco passou a ajudá-la.

A chegada do marido coincidiu com o fim da festa do “Tô à toa”, que fazia a alegria da galera funkeira nas noites de quinta-feira. “Estava cansada de levar multas e ouvir reclamações da vizinhança por causa do barulho”, conta a comerciante.

O fim do funk e a chegada do marido criaram um ambiente totalmente diferente. “Mais familiar”, resume a dona do Amarelinho. As mudanças terminaram melhorando o nível da clientela, que hoje consome muito mais petiscos e porções. “Música agora, só ao vivo e em baixo volume”, garante Daysimar. De terça à sexta-feira, alternam-se no microfone do Amarelinho a banda Bar Open e os cantores Leandro e Guizão. “Esse último é estudante de medicina da faculdade”, destaca.

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terça-feira, 24 de março de 2009

Alargando as diferenças

por Lucas Lima

Por modismo ou gosto pessoal, muitos jovens estão aderindo à moda dos alargadores. Coloridos, metálicos ou transparentes, eles são a nova febre. Porém, essa febre se transforma em dor de cabeça para muitas mães.

"Acho que fica um buraco muito feio", diz Regina Célia, 54 anos, mãe da estudante Jessyca Pereira, 17 anos. A dona de casa pensou em proibir o uso dos alargadores que a filha em cada uma das orelhas, que acha horríveis. "Só não deixaria mesmo se fosse algo que prejudicasse a saúde dela", rende-se.

A tia de Jessyca também é contra o adereço. "Não acho muito legal, não", protesta Eliane Pereira, 51 anos. "O pequenininho ainda vai, mas os grandes são horríveis." A tia de Jessyca chegou preferia que a sobrinha usasse uma tatuagem. "É mais discreta."

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Tatuado pela vida

Empresário Jorge Alan quer ser o maior tatuador da Baixada Fluminense
por Giuseppe Stéfano e Jéssica de Oliveira

Quando achamos que tudo vai bem, o destino se encarrega de nos levar para caminhos diferentes daqueles que planejamos. Quem sabe bem disso é Jorge Alan, de 29 anos, que tem uma história de vida repleta de surpresas e reviravoltas.

Há cerca de cinco anos, Alan se encontrava numa situação difícil: perdera um bom emprego no banco, estava endividado e, para piorar, estava sendo ameaçado de morte pelo sogro, indignado com a gravidez da filha. “Tudo estava dando errado pra mim”, lembra Jorge Alan. “A única saída que eu vi era 'meter o pé' do Rio pra as coisas se acalmarem.”

E essa foi a atitude tomada pelo até então morador de Nilópolis, que foi morar na casa da madrinha, em São Paulo. Mas teve que procurar outro abrigo tão logo a madrinha percebeu os problemas que aquela convivência podiam lhe trazer. Sem ter pra onde ir, ele teve que dormir na rua. “A sorte é que pude guardar minhas cosas num bar, enquanto procurava um emprego.”

Vergonha da mulher
Seu primeiro emprego foi numa funerária, onde a malandragem carioca o ajudou a tirar uma média de R$ 2 mil só de comissões. Jorge Alan teve a sensação de que novos tempos haviam chegado quando começou a namorar a chefe, 20 anos mais velha do que ele. Vivia tão bem que só descobriu as banhas que se acumulavam na barriga da mulher quando tiraram umas férias em Santos. “Quando estávamos na praia, a mulher me aparece de biquíni e o meu estômago embrulhou na hora!”

Para não passar vergonha, Jorge Alan foi dar uma caminhada na praia. Foi nesse passeio que comprou a henna usada por um grupo de tatuadores, que se tornaria a sua fonte de renda quando brigou com a chefe e foi obrigado a voltar para o Rio. “Meu primeiro ponto foi em frente ao TopShopping, onde faturava cerca de R$ 600 até ser expulso pelos seguranças.”

Jorge Alan se viu numa nova encruzilhada quando montou sua barraca de tatuagem na frente de uma lanchonete na rua Antonio Mello, próximo ao viaduto. “O ‘japa’ da lanchonete vivia reclamando da minha banca, dizendo que era pra eu tirar aquela 'favelada' da calçada.” Tinha até uma data para se mandar dali. “O ‘japa’ disse que eu devia sair dali quando terminasse a obra da loja de instrumentos musicais que ia abrir no lugar da lanchonete”, lembra Jorge Alan.

Ajuda ao 'japa'
Contudo, as águas de um temporal invadiram a loja recém-aberta e Alan Jorge e quatro tatuadores que trabalhavam nas imediações ajudaram o único funcionário na loja a empilhar os instrumentos. Surpreso e agradecido com a ajuda, o ‘japa’ alugou ao grupo um espaço que não estava sendo utilizado.

Com a expansão do seu comércio, Alan Jorge alugou toda a loja de instrumentos e posteriormente abriu um novo ponto, dessa vez próximo ao TopShopping. “Hoje comando uma equipe de mais de dez pessoas que oferecem tatuagens de henna e definitiva, piercings, tranças e maquiagem definitivas”, comemora o empresário, que aos sábados chega a atender até 100 pessoas.

Não satisfeito com o sucesso em Nova Iguaçu, o jovem empreendedor está transformando sua antiga casa em um grande estúdio e sonha com o dia em que conseguirá lançar uma revista de especializada em pele negra. “Quero ter o maior estúdio de tatuadores da Baixada Fluminense”, anuncia Jorge Alan. Uma boa medida para a disposição do empresário para alcançar seus novos objetivos está no seu último investimento. “Vendi meu carro para comprar 2 mil alargadores.”

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Guardiãs da fé

Mãe Beata explica por que as mulheres se destacam no candomblé
por Maicon Christian e
Giselle Reis / fotos Mazé Mixo

Beatriz Moreira Costa, conhecida como Mãe Beata de Yemanja, nasceu no dia 20 de Janeiro de 1931, no Vale do Iguape, no famoso Recôncavo Baiano. Embora traga na pele carimbos da exclusão social como os mulher, negra, nordestina, analfabeta e divorciada, a filha de Maria do Carmo contou com as bênçãos de Olorum (que no candomblé é o deus da visão) para ganhar o status de escritora, atriz, mãe, amante, amiga, consultora e advogada.

A sorte de Mãe Beata foi selada no próprio dia do nascimento, que ocorreu quando Maria do Carmo cedeu a um súbito desejo de comer peixe de água doce e, como não tinha em casa, foi até pescar no rio mais próximo. “A bolsa estourou quando ela estava dentro da água”, conta a mãe de santo mais conhecida de Nova Iguaçu. Desesperada, Maria do Carmo correu atrás da Afalá, Tia Afalá, a parteira do engenho no qual moravam. “Nasci numa encruzilhada, antes que minha mãe chegasse em casa.” Quando a velha africana as socorreu, avisou. “A menina é filha de filha de Exu e Yemanjá.”

Religião matriarcal
Embora não seja uma religião feminina, o candomblé é dominado pelas mulheres desde os seus primórdios. “Somos uma religião matriarcal porque, como na época dos escravos os homens iam trabalhar nas lavouras e nós ficávamos nas senzalas dos engenhos, tínhamos a obrigação de passar o nosso conhecimento para as filhas.” Esses conhecimentos abrangiam desde os cuidados com a casa até o respeito aos orixás

Para Mãe Beata, a tradição afro-americana foi preservada graças aos ensinamentos repassados de geração em geração pelas mulheres. “As religiões afros estão ai até hoje devido à força da mulher carregando ventre sagrado com o poder da criação.”

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Os super-protegidos

Filhos super-protegidos trocam conselhos para sobreviver à pressão dos pais
por Luíza Guimarães

Tamiris Rocha tem 20 anos, trabalha, ajuda nas contas de casa e, no entanto, só ir a festas se avisar com uma semana de antecedência. “Minha mãe só me deixa sair com os amigos que ela conhece e se puder me levar e me buscar”, lamenta essa moradora do Jardim Alvorada.

O caso de Tamiris está longe de ser uma exceção no violento mundo em que vivemos, no qual os pais agem cuidam dos filhos como se eles fossem ser bebês para o resto dos tempos. Essa situação é ainda mais dramática quando a família em questão tem apenas um filho.

O apelido de Cinderela com o qual os amigos de Jardim Alvorada batizaram o estudante Diego Muniz, 17 anos, mostra que essa situação também afeta a vida de jovens com famílias razoavelmente grandes. “Mesmo sendo o filho do meio de uma família com três irmãos, minha mãe não deixa que eu fique fora de casa depois da meia-noite”, lamenta o jovem.

Da mesma forma como não há regras universais com base no número de irmãos, cada família tem o seu super-protetor. A estudante Alanda Macedo, moradora de Jardim Pitoresco de 16 anos, tem que esconder o namorado do pai. “Ele não pode nem sonhar com isso”, lembra a estudante, que tem na mãe uma aliada para manter o seu relacionamento. “Ele acha que sou muito nova para um relacionamento sério.” Há casos de famílias em que cabe à mãe o papel da super-protetora. Há ainda as famílias em que pai e mãe são super-protetores.

Os super-protegidos terminam vivendo num mundo à parte, criando uma comunidade nos limites dos lugares considerados “seguros” pelos pais. Entre esses oásis, estão as matinês, os shoppings, as festas ao longo do dia ou os shows de camarote. “Eu só posso ir a um show se for de camarote, e se estiver acompanhada de algum amigo homem que minha mãe conheça”, diz Raíssa Barbosa, uma moradora do Centro de 17 anos.

Rede da carona
A comunidade dos super-protegidos se estendeu e hoje abrange os seus pais, que formaram a rede da carona. “Como sempre íamos aos mesmos lugares e nossos pais sempre nos buscavam e levavam, eles acabaram se conhecendo e assim começaram a dividir entre eles a função de nos proteger”, explica Raíssa Barbosa.

O site de relacionamento Orkut mostra que os super-protegidos estão longe de ser uma exclusividade da Baixada Fluminense. Um exemplo é a comunidade “Meus pais são protetores”, com 3.500 membros das mais variadas idades, onde os jovens trocam experiências e conselhos relacionados aos pais superprotetores.
As explicações dos pais são sempre as mesmas. “Você é muito nova”, dizem eles. Outra justificativa, talvez a mais comum, é apresentada quando os filhos perguntam se eles não tiveram juventude. “Hoje em dia não é como antigamente”, defendem-se. “O mundo está muito violento.” A reação dos filhos também parecem só mudar de endereço. “A gente fica chateada na hora, mas depois compreende a preocupação deles”, constata Raíssa Barbosa.

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segunda-feira, 23 de março de 2009

Nova Iguaçu 50°

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Criadora dos agressores

Delegada das mulheres acredita que mães podem ajudar no combate à violência doméstica
por Giuseppe Stéfano e Jéssica de Oliveira

A Dra. Teresa Pezza é a delegada da DEAM (Delegacia Especial de Atendimento à Mulher) de Nova Iguaçu. Apaixonada desde pequena pela carreira policial, essa bacharel em direito exerce a profissão desde 1985. Em 1990, prestou concurso público para ocupar o posto de delegada, mas só o assumiu no ano de 1994.

A falta de mulheres na polícia é motivo de constantes queixas das mulheres vítimas de violência doméstica. “Elas se sentem constrangidas quando são atendidas por policiais homens”, conta a delegada.

Para a delegada, no entanto, a presença masculina nas DEAMs ajuda no resgate da figura do homem que respeita e protege a mulher. “Além disso, o agressor atende ao chamado com mais prontidão quando é dado por um oficial”, ressalva a delegada.

Ela conta que é obrigação dos pais incluir na educação de seus filhos a importância do respeito à mulher. "Como progenitores, nós, mulheres, somos responsáveis pela parte que agride. É tudo uma questão cultural e educacional."

Teresa Pezza, que em toda sua carreira nunca sofreu preconceito ou desrespeito por atuar em uma área ocupada por mais homens, mora no Rio de janeiro, é casada há 42 anos e é mãe de três filhos.

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Crítica esperta

por Josy Antunes / foto de Ozias Inocêncio

A estreia de O mundo é dos Espertos, no Sesc, no dia 20, surpreendeu a plateia. Contando a história do personagem Gregório, um caipira recém-chegado a Nova Iguaçu, o espetáculo envolvia o público em suas cenas. Além da quebra da "quarta parede", os personagens escolhiam aleatoriamente pessoas para que subissem ao palco, contracenando com eles, como figurantes.

O protagonista se via em meio a espertalhões, que sempre tentavam passá-lo para trás. Não habituado com a agitação da cidade, Gregório arrancava boas risadas, mostrando-se inocente e contando seus "causos".

Godoi, interpretado por Alexandre Gomes, era o personagem que mais interagia com o público. Paquerava os "bofes", colocando-os em situações cômicas. Marcos Malafaia, que assistia à peça com a namorada, ficou marcado por ter sido citado frequentemente. Sem esperar, ele foi levado para o palco, onde, por trás das cortinas, acontecia uma festa entre os personagens. "Foi muito emocionante!", diz Marcos, passado o susto.

O receio do que se passava nos bastidores e o que deveria ser feito quando as cortinas se abrissem não superavam a expectativa de ser convidado e entrar na brincadeira. O casal Rafael Mota e Regiane Barbosa explica que, ao contrário do que parecia, eles não foram forçados a nenhum improviso. "Instruíram o que fazer e a hora de voltar aos nossos assentos", conta Rafael, que dançou na cena em que uma festa acontecia. "Deu vergonha no começo", lembra ele. Vindos de Queimados, os dois jovens ficaram satisfeitos com a apresentação. "Foi muito divertido", conta Rafael.

No final do espetáculo, uma mensagem ficava no ar, sobre o que é ser esperto de verdade. Os figurantes foram presenteados com um vale-compras de produtos alimentícios Dueto.

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Dá pro gasto

por Carolina Alcântara
foto Giselle Reis
Faça sol ou faça chuva, Weliton Silva Primo, um morador da Lagoinha de 39 anos, levanta todos os dias antes do amanhecer. Inicia então sua longa e cansativa jornada como catador de papelão.

É com os ganhos da venda do material coletado que ele sustenta sua família, constituída por cinco pessoas: além dele mesmo, esposa e três filhos. “Além de trabalhar, os meninos estudam.” Ele tem muita vontade de voltar a trabalhar como pedreiro, profissão que exercia antes de se tornar um catador de lixo.

Com o tempo, ele percebeu a dificuldade de viver somente das vendas de material reciclável. Decidiu então trabalhar durante a noite como camelô, vendendo frutas, verduras e refrigerantes próximo ao Caracol, no Centro de Nova Iguaçu.

“Tem dias que ganho R$ 8, mas às vezes chego a ganhar até R$ 25. Não tenho um salário certo, mas juntando um trabalho com outro dá pro gasto.”

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Riqueza reciclável


Crise mundial afeta lixões de Nova Iguaçu
por Breno Marques, Carolina Alcântara, Giselle Reis, Larissa Leotério, Marcos Paulo e Tatiana Sant'Anna
foto Giselle Reis
Geladeiras velhas, garrafas de plásticos vazias e papelões empilhados. Para muitos, tudo não passa de um ferro-velho, que só serve para ser jogado fora. Porém, algumas pessoas fazem do lixo a sua riqueza, tirando dali o sustento de suas famílias.

Esse é o caso de Enock Santana, 38 anos, proprietário do Ferro Velho Nossa Senhora da Aparecida Reciclagem, que fica na rua Bernardino Augusto Martins, s n°, no Centro de Nova Iguaçu.

Essa é uma ideia reciclada, aproveitada de um negócio semelhante que ele teve há cerca de 20 anos. “Passei um tempo na construção civil e depois fui trabalhar em um clube”, lembra o comerciante. Foi nesse clube que Enock conheceu o sócio atual, ao lado do qual começou a comprar material novamente depois que lhe apresentou o conceito dos depósitos.

A crise mundial tem prejudicado os negócios, já que o quilo do papelão, o material mais vendido nos ferros-velhos, caiu de R$ 0,30 para R$ 0,05. “Sentimos muito com a queda do preço”, lamenta Enock. Na prática, quem pegava 500 quilos de papelão por dia ganhava R$ 150 e, hoje, está fazendo apenas R$ 25.

A queda no faturamento está afetando tanto os donos dos lixões quanto os catadores, e não é à toa que neste momento só há dois funcionários trabalhando no Ferro Velho Nossa Senhora da Aparecida Reciclagem. “Quem está conseguindo uma atividade que lhe pague R$ 50 diariamente, não está pensando duas vezes para sair."

Mais fortes
A solução encontrada para superar a crise é deixar a poeira abaixar. E mesmo já tendo fechado quatro pontos, Enock pensa em continuar. “Não adianta fechar as portas e recomeçar do zero. Quando isso passar, estaremos mais fortes”, anima-se.

Muitas pessoas procuram Enock para vender, por exemplo, geladeiras e fogões velhos: “Quando vão fazer uma limpeza em suas casas, elas nos chamam para pegar o que não será mais utilizado.” O material recolhido é vendido para empresas de reciclagem, que o recoloca no mercado depois de retrabalhá-lo. "Mas nós nunca vendemos da noite para o dia", lamenta o comerciante.

Perto dali, há um outro estabelecimento. Enock não se incomoda, ainda que tenha sido o primeiro a descobrir a região do Centro. “A concorrência é boa para o negócio. Quanto mais, melhor”, conta ele, que com simpatia consegue atrair os consumidores.

Um desses clientes é Tereza Lube, 82 anos, que na semana passada procurava uma janela no depósito do ferro-velho de Enock. “É uma janela simples, de vidro e grade, para colocar na minha casa”, descrevia a senhora. Pela primeira vez em um ferro velho, Dona Tereza negociava e contava como queria que fosse a janela para o dono do estabelecimento.

Tereza Lube estava ali pela razão mais óbvia: o preço, sempre mais acessível. “Já é o segundo dia seguido que estou aqui”, conta ela. Depois de encontrar, Dona Tereza iria negociar o preço do produto: “Agora é só ver o quanto eles vão cobrar para eu levar a minha janela”, conta ela. Satisfeita com a negociação, ela diz que, quando precisar, voltará mais vezes ao local.

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Dia de aprender

por Leonardo Oliveira e Lucas Lima

As manhãs de sábado são a melhor saída para quem gosta e precisa aprender algo mais. Muitas pessoas fazem isso porque trabalham durante a semana, outras porque têm mais tempo ou simplesmente porque preferem. As opções variam da informática ao inglês, passando pelo pré-vestibular, pelo violão e pelo telemarketing, entre outras. Embora os preços e o número de vagas não sejam diferentes, há muito mais procura nesses dias.

- Faço aos sábados por ser o único dia útil e livre em que posso estudar, pois trabalho de manhã e faço faculdade à noite – diz Ricardo Amaral, de 21 anos. – É a minha única opção.

Em geral, os cursos criam uma expectativa maior para as turmas aos sábados de manhã. Segundo eles, essas turmas têm mais disposição e motivação do que os alunos dos outros dias. A faixa etária dessas turmas vai dos 20 aos 30 anos.

- Adolescentes buscam mais durante a semana porque só estudam - explica a atendente Tatiane Ribeiro, 26 anos. - Eles deixam o final de semana para o lazer.

As instituições estão disponíveis para atender a todas as idades.

- Estudo aos sábados porque é o dia em que meus pais podem me acompanhar na ida e na volta - diz Carlos de Andrade, de apenas 11 anos.

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sexta-feira, 20 de março de 2009

Point K

por Nany Rabello e Luíza Guimarães

A entrada é franca, o local é acessível, o papo é agradável.. Estamos na Universidade de Nova Iguaçu. Não, não é uma propaganda de um convite para uma festa de arromba, nem para um embalo de todos os dias. É simplesmente a lanchonete da universidade, no bloco K, um ponto de encontro que ganhou fama.

O point universitário dificilmente fica vazio. De manhã, à tarde ou à noite, antes, durante e depois das aulas, os alunos se encontram ali para se divertir, bater um papo, conhecer pessoas, ouvir músicas, marcar encontros, trocar idéias, reclamar do ensino ou das dificuldades em estudar, entre outras coisas.

Festas de aniversário também acontecem nessa badalada lanchonete. Segundo os próprios alunos, o motivo da escolha é poder interagir com pessoas com os mesmos interesses e assim se comunicar. Quem quiser encontrar seus amigos que estudam na Unig existe um caminho fácil. É só ir até o bloco K e relaxar, ignorando a crise.

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Nada se perde em Nova Iguaçu


Texto Alcyr Cavalcanti,
fotos Alcyr Cavalcanti e Breno Marques.
“Na natureza nada se perde, tudo se transforma”. É uma lei da física, criada por Lavoisier. Em Nova Iguaçu, seguindo a lei da natureza, um grupo de homens e mulheres vivem literalmente dos restos, daquilo que sobra de uma sociedade que muito consome.

A crise do capital, que tira o sono de muitos economistas e principalmente daqueles que vivem da especulação, do sobe e desce das bolsas, não tira o sono daqueles que vivem remexendo o lixo, catando tudo que veem pela frente. Eles acreditam que os bons tempos e os bons preços do lixo voltarão.

Sapatos de festa abandonados, bicicletas que fizeram a alegria de muitas crianças, relógios de força de um modelo superado, chapas de Raio-X, revistas de celebridades (e de fofocas), balanças, formas de parachoques, peças metálicas, garrafas de refrigerantes, ventiladores, e principalmente caixas de papelão, o material preferido dos catadores.


A concorrência é grande, mas entre eles ainda existe o velho espírito da comunidade solidária dividindo os centavos, o chão e um pouco de pão.

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Dependência da sorte

por Breno Marques / foto Larissa Leotério

Eloísa Santiago, 32 anos, mora em Heliópolis. Faz três anos que ganha a vida como catadora de materiais recicláveis, em Nova Iguaçu. É com o dinheiro obtido com as vendas no lixão que ela sustenta a casa. “Às vezes vendo bem, e às vezes vendo mal, mas sempre sou eu que sustento a casa.”
A catadora é um exemplo de luta. “Venho de Heliópolis todos os dias em direção a Nova Iguaçu”, conta. “Cato tudo o que vejo pela frente.” Há uma razão para que não desperdice nada ao longo dessa caminhada de no mínimo 15 quilômetros. Quando não tenho um centavo, volto a pé.”

Eloísa conta que a crise mundial atingiu em cheio os catadores de material reciclável. “As coisas não estão valendo tanto como antes”, lamenta. Desde então ela se sente bafejada pela sorte quando chega em casa com comida e, mais ainda, consegue pagar um prato feito ao longo do dia. “Minha vida tá muito complicada”, afirma. “Guardo todo trocadinho que consigo.”

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No couro

por Giselle Reis

O aposentado Jorge Luiz de Araújo, 54 anos, é catador de lixo há dois anos, e mora nas ruas de Nova Iguaçu. Para ele, a vida só é bela pra quem sabe viver.

Sentiu muita vergonha no começo de sua nova vida, quando andava se escondendo dos outros pelas ruas. “É que tive bons empregos”, justifica.

Mais do que se acostumar com a vida na rua, hoje se orgulha de ter criado duas filhas com o dinheiro do lixo. “Tenho duas casas próprias e uma pequena aposentadoria, mas prefiro morar na rua”, garante.

Jorge Luiz tem duas explicações para ter feito uma opção tão radical. Uma delas é a sensação de liberdade que passou a experimentar desde que optou viver sem endereço. “A outra é a falta de vergonha na cara”, diz, fazendo uma autocrítica.

O catador percebeu o peso dos anos quando procurou novos empregos depois da sua aposentadoria e se viu preterido por candidatos mais jovens. Mas sua vida sexual é uma prova de que ainda tem muito o que fazer antes de desencarnar. “Minha namorada é muito bonita e só tem 19 anos”, diz. “Eu ainda dou no coro.”

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Liberdade das ruas

por Breno Marques

O catador Wilson dos Santos, 47 anos, morou em Mesquita até perder o emprego de estoquista em uma confecção de roupas. Trabalhou anos nessa empresa, embora a contragosto. Desempregado e amargurado, começou a “viver dos restos”, como ele próprio define a atividade que abraçou por absoluta falta de opção.

A rua terminou sendo o destino natural de Wilson dos Santos, na qual foi morar há três anos. Vinha de um período de três meses de fome, no qual seu único alimento era água. Descobriu então uma comunidade muito mais solidária do que aquela de que foi enxotado depois de uma grande traição. “Na empresa, se você errar, eles logo te botam você na rua, não perguntam nem por quê.”

Viver na rua lhe dá um sentimento de liberdade que desconhecia em meio ao “rigoroso mundo das empresas”. “Aqui faço o que eu quero e o que tiver vontade. Se quiser acordar tarde, acordo.”

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Quem divide o pão divide o chão

Catadores de lixo formam uma comunidade solidária
por Breno Marques

Valdecir Silva, 37 anos, veio de Itaguaí para Nova Iguaçu com a esperança de comprar uma casa compatível com sua renda. Cansado de procurar, resolveu improvisar com os restos de madeira, papelão, ferro e outros materiais com que garante a sua sobrevivência. O resultado desse esforço pode ser visto no barraco construído há cerca de três anos na calçada ao lado do ferro-velho onde vende o lixo que cata diariamente.

O dia de Valdecir Silva começa cedo. “Saio para a rua logo que acordo e dou uma volta pela cidade, catando tudo o que vejo pela frente”, conta ele. É com o material acumulado ao longo do dia que ele vai comer, depois de vendê-lo no depósito de que é vizinho. Com a crise mundial, têm sido cada vez menores as possibilidades de faça uma boa refeição. O quilo do papel, uma das maiores fontes de receita dos catadores, sofreu uma queda brutal nos últimos meses.

Valdecir já teve uma vida normal, com casa, esposa e uma filha, que hoje tem 15 anos. Sua história começou a mudar depois de uma briga com a esposa cuja gravidade o obrigou a abandonar até mesmo a filha, então com cinco anos. “Nunca mais voltei lá”, lamenta o catador, apesar da consciência do sofrimento da filha, mais apegada a ela do que à mãe.

Draguista
A saída de casa deve ter deixado profundas marcas no coração de Valdecir, mas antes de chegar em Nova Iguaçu com uma mão na frente e outra atrás monitorou dragas para uma empresa de construção. “Larguei o trabalho porque não estava feliz”, diz ele. Essa infelicidade só fez aumentar no dia em que dormiu embaixo de uma árvore, com apenas R$ 3 no bolso.
Zanzou pela cidade até conhecer um rapaz chamado Baiano. Foi ele quem lhe deu a ideia de recolher materiais recicláveis para levantar o dinheiro para comer. “Senti muita vergonha na primeira vez que tive que catar lixo”, admite. A fome foi a sua maior encorajadora.

A sensação de vergonha foi diminuindo à medida que começou a entrar na comunidade de catadores. “Fiz amigos fantásticos aqui”, comemora. Essas “amizades verdadeiras” foram comprovadas em diversos episódios. “Eu e Baiano dividimos no fim da tarde o dinheiro que juntamos pra comprar comida”, exemplifica. E filosofa: “Quem divide o chão, também divide o pão.”

Esse sentimento de comunidade, no entanto, não resiste à concorrência, principalmente depois que a crise mundial levou a uma baixa de preços do material reciclável. “Nessa hora é cada um por si. Se eu vejo um papelão primeiro que meu amigo, eu corro pra pegar. Se eu não pegar, é dele.”

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quinta-feira, 19 de março de 2009

Esperteza no palco

O mundo é dos espertos é a quinta peça do grupo F.A.M.A
por Josy Antunes

O projeto F.A.M.A. – Fábrica de Atores e Materiais Artísticos – leva até o Sesc, nos dias 20 e 21, o espetáculo O mundo é dos espertos. O texto, que trata da descoberta do mundo feita por um caipira, foi produzido coletivamente pelos atores da companhia, em sua maioria ex-alunos do projeto. A direção é de Alexandre Gomes. É a quinta peça que o grupo, que existe há oito anos, apresenta no Sesc.

O mundo é dos espertos, em sua versão original, foi encenado durante um mês pelos alunos do curso. “Nós vimos que era algo bem interessante, que dava certo, mas o texto precisava de algumas reformulações”, conta Alexandre Gomes, que agora também está atuando no palco. Seu personagem, o homossexual Godói, vem exigindo um processo de descoberta diária. “A preparação está sendo, não foi”, afirma Alexandre, que conta com os eventos de divulgação para testar a reação do publico, avaliando o que pode ou não funcionar em sua interpretação. “Ele é um personagem completamente diferente, atípico”, explica.

Alessandra Fernandes, atriz do elenco e responsável pelo figurino da peça, interpretará duas personagens. “Elas são totalmente diferentes, até mesmo na voz”, afirma. Ela explica que, apesar de a maioria dos atores não ter tempo para a divulgação, a distribuição das filipetas vem sendo maciça. “Esperamos um grande público”, conta Alessandra. O grupo acredita que o espetáculo atrairá novos espectadores, além do publico fiel da companhia.

Alunos dos cursos do Projeto F.A.M.A. têm ido fantasiados para as ruas, fazendo performances e convidando os transeuntes para o espetáculo. Comandados por Felipe Horsth, um grupo divulgou o espetáculo na última terça-feira nas imediações do Top Shopping. Eles fizeram uso de uma câmera e um microfone falsos para entrevistar os transeuntes. “É só para quem é esperto!”, diziam os atores no final da entrevista. Exibindo faixas nos sinais fechados, o grupo causava alvoroço e risadas por onde passavam.



Serviço

O mundo é dos espertos
Criação coletiva do grupo F.A.M.A
Local: Sesc de Nova Iguaçu
Data: 20 e 21 de março
Horário: 20 h
Proibido para menores de 14 anos
Meia entrada garantida aos estudantes, comerciários e idosos

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Amores de Calçadão

Vendedores e ambulantes organizaram "torneio da pegação" no Calçadão
por Wanderson Santos

O Calçadão é o point de Nova Iguaçu. É lá que os feirantes, camelôs e locutores anunciam seus produtos, procurando incrementar as vendas. Mas no meio daquela babel de bordões se podem ouvir as cantadas proferidas durante o inusitado “torneio da pegação”.

O vaivém de pessoas é incessante, colocando o Calçadão como o terceiro maior polo de vendas do Estado, atrás apenas do Saara, no Centro do Rio, e do Mercadão de Madureira. É também o palco de muitas histórias engraçadas, e de reações inesperadas.

O bilheteiro Alex Souza, 26 anos, resolveu dar em cima de uma jovem com a qual tinha pelo menos uma coisa em comum: ela também era bilheteira. “Dava em cima dela e depois de muito custo consegui marcar um cinema com ela”, conta ele. Para sua surpresa, deu de cara com o namorado da pretendente. “Não esperava uma confusão daquelas”, conta Alex. Depois desse episódio, o pegador passou a ser mais prevenido a respeitar um “não”.

Em vez de impedir o relacionamento entre as pessoas, a agitação do Calçadão é um pretexto para novas amizades. A convivência na maioria das vezes diária induz a relacionamentos diversos, que vão da amizade sincera a um namoro eventual. Foi nesse clima que surgiu o “Torneio da Pegação”, cujo vencedor é aquele que conseguir “ficar” com mais mulheres. A corrida atrás da “mulherada” não distingue as que trabalham na área das eventuais compradoras.Vale tudo.

Sniper
O vencedor do mês de fevereiro, o vendedor de bilhetes João Fagner, de 27 anos, explica a fórmula do sucesso. “Para mim é fácil”, diz ele. “É só tomar cuidado, e “atirar” na certa.” O sniper do Calçadão de Nova Iguaçu foi recompensado com uma rodada de chope.

Mas não é só de histórias de “pegação” e brincadeiras exóticas que vive o Calçadão. Paulo Santiago, de 30 anos, e Jaqueline Duarte, de 29 anos, são uma prova de que ali também surgem amores verdadeiros. “Eu via Jaqueline distribuindo panfletos, e passei a me interessar por ela”, conta Paulo. “Tomei coragem e resolvi dar uma cantada para ver se colava.” Atualmente, o casal possui uma barraca de bijuterias.

Ele admite que no começo Jaqueline não dava nenhuma importância às suas abordagens. Mesmo assim, ele continuou insistindo, convidando-a para um filme no Top Shopping. “Fiquei muito feliz quando Jaqueline disse sim”, revela Paulo. “Talvez até hoje eu esteja meio em êxtase.” Um eterno apaixonado, ele está sempre levando Jaqueline para almoços românticos, sempre acompanhados de roupas ou joias. “Gosto mesmo é de vê-la feliz.”

O pegador Vanderson Roberto é um grande pegador, que gosta de se “divertir com as meninas”. Mas não é todo dia que consegue um tempo para azaração. “Há dias em que o movimento não permite nem mesmo um minuto de descanso, quanto mais uma paquera”, diz ele, para quem o trabalho vem antes do sexo. “Não procuro uma namorada, mas acontece. Azarar é bom, mas não é regra. A responsabilidade vem em primeiro lugar”, diz.

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Cena de cinema

A enfermeira suíça Emmanuelle de Souza já serviu em 29 países, mas seu diploma não foi reconhecido no Brasil
por Breno Marques

Quem passa pela Praça da Liberdade e vê aquela enfermeira tirando a pressão dos transeuntes sentada a uma mesa de bar, não faz a menor ideia de que por trás do rosto sofrido daquela mulher de 68 anos se esconde uma história absolutamente espetacular, só encontrada nos velhos filmes de guerra.

Para começo de conversa, Emmanuelle de Souza nasceu na Suíça, país no qual fez o curso de enfermagem que lhe deu o passaporte que a transformou numa cidadã do mundo, com passagens por nada menos do que 29 países.

Essa longa viagem começou pela Etiópia, país africano para o qual viajou em uma missão humanitária durante uma das muitas epidemias que o atingiram. “Vi muita gente morrendo lá”, conta a enfermeira. “Muitas delas eu tinha prestado ajuda, inutilmente.”

As imagens desse primeiro grande embate com a morte jamais saíram dos seus olhos. Ela não acha isso ruim. “Acho que o que me motiva a trabalhar é presenciar essas imagens”, diz a enfermeira suíça. “Isso mostra que as pessoas precisam de ajuda.”

Salva pelos anjos
Foi também na Etiópia que Emannuelle de Souza participou de uma das cenas mais dramáticas da sua vida. Estava em um país em guerra e pegou uma carona em um jipe do exército europeu, sentada ao lado do motorista. De repente, o pneu dianteiro passou por cima de uma mina e todos os passageiros foram atirados para cima, com uma força sobrenatural. Ela foi a única sobrevivente. “Lembro apenas do estouro”, conta. “Deus me salvou.”


Esse “Deus” na verdade era um grupo de médicos norte-americanos, que saíram do meio do meio de uma nuvem de poeira para socorrê-la sob o sol causticante do deserto. “Só gritava socorro, mais nada”. Aqueles “anjos vindos do céu” cuidaram de Emannuelle durante 26 horas ininterruptas. “Verdadeiros médicos”, afirma ela, emocionando-se.

Chegou ao Brasil em 1998, como sempre preocupada em servir um país sacudido por uma epidemia. “Vim para o Rio porque soube que a cólera havia chegado aqui”, lembra a enfermeira. A epidemia do cólera terminou no campo da ameaça, mas o quadro de miséria, fome e desigualdade social que encontrou a deixou a chocada. “Fiquei surpresa.” Mas foi exatamente por isso que resolveu ficar. “Aqui não tem guerra, mas tinha pessoas carentes.”

Decidida a ficar, foi até a Suíça para se desfazer de seus bens. “Foi com esse dinheiro que pude comprar a passagem e me manter durante um bom tempo aqui.” Antes de pegar o avião que a conduziu até o outro lado do Atlântico, decidiu alugar um carro para visitar uma amiga na França. Como ela parece ter um ímã para os grandes dramas humanos, avistou um carro capotado na beira de uma ribanceira, quase coberto pela neve. “Fui correndo ver o que tinha acontecido.”

Parto no carro
Deparou-se então com um quadro dramático, que com seus longos anos como experiência conseguiu resolver. Havia um homem todo ensangüentado, que ela colocou no colo, levou até o seu carro e o colocou no banco traseiro para que se aquecesse com o calor do radiador. Voltou em seguida para o carro, onde encontrou uma grávida de nove meses com as vias respiratórias obstruídas, que ela conseguiu liberar com um canudo de plástico depois de levá-la para o carro. “Quando consegui fazer com ela respirasse, a sua bolsa estourou. Tive que fazer o parto dentro carro mesmo. Foi incrível.”

Apesar de toda essa experiência, seu diploma não foi reconhecido no Brasil, onde o máximo que ela conseguiu ser foi voluntária em um posto de saúde. “Não sei por que me demitiram três meses depois”, conta. Hoje casada com um brasileiro, Emmanuelle mede pressão arterial na Praça da Liberdade, no Centro. “Adoro meu trabalho, apesar de não dar dinheiro. Mas minha vida é ajudar as pessoas. O dia em que eu não puder ajudar ninguém eu prefiro que Deus me leve.”

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