quinta-feira, 27 de novembro de 2008

ideais

O sol nasce para quem quer
por Carolina Alcantara e Evio Nobre

Quando se fala de superação no mundo da juventude, podemos dividi-la em dois grupos: os jovens que têm uma boa condição financeira e que souberam aproveitar as oportunidades estão no primeiro grupo. O outro é formado pelos jovens que não tiveram oportunidade, mas conseguiram alcançar seus ideais.

Valorização
Há jovens que vêm de famílias com boa situação financeira e que não precisam trabalhar, pois recebem mesada dos pais. Bruno Lavra, um morador de Nova Iguaçu de 23 anos, soube dar valor a tudo que os pais fizeram por ele. Eles pagaram o ensino médio e a faculdade de fisioterapia. “Nunca passei por dificuldade financeira”, explica ele, que fez tanto o ensino médio quanto a faculdade em instituições particulares. “Escolhi o curso de fisioterapia com o objetivo de cuidar de meu pai que teve Acidente Vascular Cerebral (A.V.C).” Além de ser o fisioterapeuta do pai, ele faz dinheiro que a profissão que abraçou. “A fisioterapia trouxe tanto satisfação pessoal quanto profissional para mim.”

Depois de se formar em fisioterapia, Bruno começou a estudar administração, dessa vez às próprias custas. “Pretendo constituir uma família e passar a mesma educação que recebi para os meus filhos, pois tudo que sou hoje é graças a Deus e aos meus pais”, afirma, satisfeito, o universitário.

Superação
Há também os que nasceram em família humilde e tiveram de trabalhar desde criança para ajudar os pais. Aparentemente, sem condições de vencer na vida. Apesar das dificuldades e da falta de incentivo, nunca perderam a esperança e conseguiram vencer as barreiras.

O funcionário público Carlos Alberto de Alcântara é um exemplo de superação. Começou a trabalhar aos sete anos de idade, catando latas com os vizinhos, não por uma questão de sobrevivência, mas porque o seu pai pensava que o homem tem de começar a trabalhar desde cedo. Aos 12 anos, Carlos foi trabalhar como camelô, vendendo doces no trem para ajudar sua família. Aos 15 anos, começou a trabalhar numa loja de doces, e quando completou 17 anos voltou a estudar na antiga sétima série, que largara anteriormente.

Aos 20 anos, seu pai enfartou e Carlos voltou a trabalhar como camelô. Depois abriu uma loja de doces que, por causa de uma obra da prefeituram, funcionou apenas seis meses. Após oito meses desempregado, trabalhou como servente de obra. Nesse período, abriu inscrição para o Concurso Público da Policia Militar. A mãe pagou a inscrição e comprou a apostila. Carlos estudou em casa, fez a prova e foi classificado dentro do número de vagas.

Depois de dois anos, surgiu a oportunidade de ele ingressar na Faculdade de Direito, fez o vestibular e passou. Seis anos depois, Carlos, além de ter se tornado bacharel em direito, havia sido promovido de soldado para cabo e está prestes a se tornar sargento.

“Vencer na vida não é fácil. É necessário pedir a Deus com fé, confiar, ter força de vontade, acreditar em si mesmo e nunca desistir dos sonhos para não se tornar uma pessoa frustrada”, afirma.

Todas as pessoas que venceram na vida, tendo ou não dinheiro, tiveram de abdicar de muitas coisas. Na verdade, muitos desses vitoriosos privaram-se de festas e passeios em prol dos estudos. Percebe-se, portanto, que é difícil vencer, principalmente para quem não nasceu em berço de ouro. Entretanto, as palavras de Carlos são encorajadoras para quem quer chegar lá.

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Ecos da feira

Jovens, adultos e idosos passaram o último feriadão circulando os estandes da Vila Olímpica, atrás das oportunidades profissionais oferecidas pela Primeira Feira de Estágios e Empregos da Baixada Fluminense
por Lucas Lima

Uma das pessoas que procurou um novo lugar no mercado foi a jovem Jéssica Ordemun. Com 19 anos, ela trabalha na parte administrativa de uma empresa e está fazendo curso técnico de radiologia aos sábados e estágio aos domingos. Ela, que atualmente faz um trabalho voluntário não remunerado, foi à feira com o objetivo de conseguir um estágio. “Acho que é melhor aprender como voluntária do que esperar um remunerado”, explicou Jésica, que, embora também seja apaixonada pelos temas referentes à administração, pretende fazer uma faculdade de radiologia.

Muitas pessoas estavam ali atrás de uma atividade remunerada com a qual pudesse bancar os próprios estudos, ainda que tivessem plena consciência de que enfrentarão uma rotina estressante. “Existem dias que eu não trabalho bem por estar cansado da rotina universitária e não estudo direito por estar cansado do trabalho”, desabafa o jovem Leonardo Oliveira, 19 anos, que passa os dias atrás do caixa de um mercado atacadista e à noite cursa o segundo período em comunicação social. “Não vejo a hora de colocar em prática tudo o que aprendo na faculdade”, disse. “Quero muito um emprego melhor e que me dê mais projeção social, mas, no momento, é graças a esse que eu tenho que posso fazer minha faculdade.”

Enquanto esses dois jovens procuravam emprego na Vila Olímpica, milhares de pessoas faziam compras no Calçadão da cidade. Várias necessitam de uma oportunidade de emprego, mas não tomaram conhecimento da feira. “Ouvi falar algo no jornal, mas não me interessei em procurar saber mais”, contou a estudante Grace Kelly, 17 anos. Também foi por falta de informação que Andréia Vasconcelos, 21 anos, não foi tentar um estágio ou emprego. “Não fiquei sabendo disso não. Não foi nem um pouco divulgado. Seria algo interessante pra quem está precisando.”

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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Na pista

Falta de divulgação esvazia feira de empregos
por Flávia Ferreira e Luiz Felipe Garcez

A 1° Feira de Estágios e Empregos da Baixada Fluminense começou de modo tímido. As pessoas chegavam aos poucos e de forma tranqüila, enquanto o que se via no centro comercial da cidade era o oposto. O calçadão de Nova Iguaçu fervilhava. Era tomado por uma grande quantidade de pessoas que compravam roupas, calçados, CDs, celulares, bolsas, além dos tradicionais enfeites das árvores de Natal. O ritmo consumista era tão frenético que as pessoas mal paravam para conversar com um conhecido, ou até para falar com as insistentes pessoas que procuram induzir ao uso do cartão para as compras. Havia pressa em consumir.

Esse foi o caso da estudante de Administração na FAETEC de Marechal Hermes Thaiane Rangel, que tem 17 anos. Ela e duas amigas estavam andando pelo centro de Nova Iguaçu à procura de algo bonito, bom e barato para comprar. Thaiane ficou sabendo da feira através de uma rádio, mas, mesmo assim, não pretendia ir. "Fica difícil para mim que moro longe, principalmente por ser em um final de semana. Eu também não estou mais na época de estagiar, quero é trabalhar", explicou. Mas ela já participou de algumas feiras, como a que ocorre anualmente no CEFET-RJ.

Mal divulgada
Segundo Thaiane, a má divulgação é o motivo central da baixa presença de jovens na feira. "Tinha que ir às escolas divulgar, porque nem todo mundo tem acesso à internet, e não é todo mundo que assiste televisão. O certo mesmo é ir às escolas." As irmãs Taianara Soares, 18 anos , e Jennifer Soares, 15 anos , acreditam que os anúncios em rádio e televisão são os mais eficientes. Contudo, nem a presença dos repórteres da Rede Globo e do SBT conseguiram atrair o publico. Houve grande evasão nos três dias da feira. O grande público não compareceu.

Por outro lado, as irmãs confirmam a relevância dessa feira e a mais velha revela que nunca distribuiu currículo. "Meu currículo não vai ter nada. Nem cursinho, nem a escola, que eu ainda não terminei", explicou ela. Essas duas irmãs são moradores de Japeri, município próximo a Nova Iguaçu. "Aqui o comércio é bem maior, os preços são bem mais baratos. Vale a pena gastar a passagem, e vir até aqui."

Uma chance
De maneira diferente pensa Augusto Mendonça, um morador do Esplanada de 16 anos. Apesar da pouca idade, ele já tem sua fonte de renda. "Trabalho sem carteira assinada, há menos de uma semana. na Defesa do Consumidor", explicou. Ele era um dos tantos jovens que não sabiam da ocorrência desta feira, mas não ousou minimizar sua importância. "Ela é importante, pois só assim os jovens teriam uma chance de trabalhar, ganhar dinheiro e de conseguir algo", afirmou.

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Vaso social

Jovens discutem ética no trabalho no Espaço Sylvio Monteiro
por Thamires Folly

O tema foi proposto pelo fato de que vários jovens não entendem muito bem quais são seus direitos e deveres em um local de trabalho.

Porém, às vezes, se torna muito difícil saber onde um direito termina e onde começa o direito do outro.

O debate correu muito bem, mas não entrou na questão que considero crucial para que o Projeto siga seu destino: “quais são exatamente as fronteiras entre os direitos e deveres?”

No decorrer do projeto, os jovens vão buscando ter um próprio poder social, vencendo muitas das vezes os medos que são expostos.

Mas mesmo com algumas situações são muitos que conseguem juntar os seus e os cacos da sociedade, mostrando para todos uma relação de igual para igual.

Mas no final, mesmo com todo os empecilhos, é formado, com os cacos,um belo vaso social, que é muito mais bonito quando inteiro.

O fato é que nós queremos direitos!

Não menos que o necessário, nem mais que o suficiente.

Queremos apenas um direito de sobreviver em um local de trabalho sem uma tirania ultrapassada, que visa extermínio total.

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Um apelo ao bom senso

Grupo de jovens repórteres discute regras para o funcionamento do projeto
por Giuseppe Stéfano e Jéssica Oliveira


Muitas vezes, na tentativa de melhorar o relacionamento de um grupo, acaba havendo mais desentendimento. Construir regras é como dar um presente sabendo que vai ganhar um igual. É recíproco. Mas será que é realmente necessário estabelecê-las quando se pode ser usado o bom-senso de cada um? Atender ao telefone, saídas em meio à uma reunião e conversas paralelas merecem ser debatidas, ou apenas pôr em prática a ética e a educação já bastam? Quando se atende o telefone ou se sai de uma reunião sem muita necessidade, fica claro que a pessoa que o faz não dá prioridade ao compromisso assumido mas a qualquer outra atividade. Quando há conversas que fogem do assunto em questão, é porque, além de a pessoa não estar interessada, ela não respeita a concentração do resto do grupo.

São atitudes de pessoas que não conseguem enxergar o óbvio: quando saímos de uma reunião ou atendemos a uma chamada sem um bom motivo, não só desviamos a atenção do grupo, mas prejudicamos a nós mesmos, perdendo decisões que deveríamos tomar juntos.

Não é necessário constrangedores pedidos de silêncio ou de retirada, se todos nós dermos a devida atenção ao que acontece, sendo o mais objetivos possíveis, contribuindo para a ordem, harmonia e rapidez.

Porém, como julgarmos uma pessoa que atende ao telefone, se não conhecemos a importância de cada ligação? Como podemos dizer que durante uma reunião ninguém pode ir ao banheiro se não conhecemos a necessidade de cada um? Não podemos impor tais regras. Não conhecemos a verdade de cada um e não podemos ser interrompidos com cada justificativa. Daí, esperamos que cada um use sua sensibilidade e não atrapalhe ninguém com seus problemas pessoais.

Se uma pessoa não abre mão de falar ao celular a qualquer hora por qualquer motivo, é uma decisão dela; mas que tome o prejuízo apenas como próprio e de mais ninguém.

Não há necessidade de debater esse tipo de assunto com pessoas que já têm seu ponto de vista e o praticam independente do que é combinado. Isso vem da criação, educação e cultura de cada um.

Não há nada mais que mereça distaque nos nossos debates que não seja responsabilidade com horários e matérias. O resto, cada um, usando seu bom-senso, faz da forma que quiser.

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E vai rolar o monobloco


Mulheres fazem a festa no show do Monobloco
por Flavia Ferreira

Preferindo correr no caminho oposto ao ditado "menos é mais", o Monobloco coloca quase 20 músicos em cima dos palcos brasileiros e pelo mundo afora no maior sucesso. O Sesc foi o lugar escolhido para a festa rolar solta. Um público bem diferenciado invadiu a quadra, não dando espaço para o desânimo. Para aqueles que não gostam de ficar no meio da multidão, um espaço no bar é o ideal, onde ouvem um som, expulsando o calor com uma cervejinha bem gelada.


Se estiver andando nas ruas e ouvir o grito de guerra, "M-O-N-O-B-L-O-C-O, uh, é monobloco!", se prepare porque a batucada vai começar. Com oito anos de estrada, o Monobloco formou vários músicos em suas oficinas de percussão, divertindo muitos amantes do samba e do underground, além de curtir um som redondo. Usando a fórmula do "tem para todo mundo", este grupo musical mistura todos os estilos de música no palco. Desde pop às marchinhas de carnaval, passando pelo funk, forró e, é claro, muito samba.


A massa delirou
Os solos de percussão feitos por Celso Alvim levantavam o público, que ficava de boca aberta com tamanha sincronia, fazendo uso das rodas de samba para conseguir um espaço para dançar. A massa delirou, entrando em sintonia com o grupo quando ouviram "Maracatu Atômico", de Jorge Mautner e Nelson Jacobina; "Vou festejar", de Neoci, Dida, e Jorge Aragão; "Madalena", de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro; "Rap do Silva", de Bob Rum; "Festa no Morro", de Renato Biguli; e muitas outras canções que embalaram nossas madrugadas.

Depois de uma hora de "som na caixa ", foi possível ver o resultado do show, principalmente no rosto das mulheres. A maquiagem, que antes estava perfeita, se encontrava desmanchada e borrada. Estavam “despencadas”. Não conseguiam nem andar, caindo do salto alto. Apesar disso, continuavam belas, apesar da grande quantidade de escovas e documentos que se destruíram naquele amontoado de gente, suor e música, mas que para a grande maioria valeu a pena.

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terça-feira, 25 de novembro de 2008

Amor pela leitura

Mãe de Gesseca lê desde criança
por Gesseca de Lourdes de Souza

Tenho orgulho de minha mãe. Ela se chama Sonia de Lourdes de Paula. Tem 43 anos, é casada e tem dois filhos.

Nasceu em 1965, na Maternidade Santa Inês, em Nilópolis. Atualmente mora na Palhada, um dos inúmeros bairros de Nova Iguaçu.

Minha mãe sempre teve gosto pelos estudos, desde pequena adorava ler. Aos poucos, percebeu que sua vocação estava bem na sua frente. Sempre gostou de aprender para ensinar, e assim repassar seus conhecimentos.

Sua mãe e seus irmãos resolveram apoiá-la e ajudaram a ingressar no curso de normalista. Começou então a estagiar na Escola Marcio Paulino, e graças ao trabalho prático passou a lecionar na primeira e quarta séries. Seu objetivo continuava o mesmo: cursar faculdade para se tornar professora do nível médio.

Hoje ela é professora. Com muita honra.

Atualmente Sonia, após muitos sacrifícios, conseguiu se formar em Letras e Espanhol, ministrando aulas para o ensino médio. Para ela, "ser professora é muito difícil, tem que ter muita vocação, habilidade e paciência no trato com alunos sejam crianças ou adolescentes, e principalmente gostar muito do que faz. Mesmo com salário extremamente baixo, como em quase todas as profissões, gosto do que faço. Sei que não somos reconhecidas pelos nossos esforços, mas continuo dando tudo de mim. O importante é continuar educando, e nunca desistir das metas estabelecidas, repassando conhecimentos na construção da cidadania. Vale o esforço”.

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Propaganda enganosa

Meu Pai “pegou no pesado” desde cedo
por Fernanda Reis Alves

Francisco dos Santos Alves nasceu em 1940. Filho único, perdeu o pai ainda pequeno. E logo depois já estava “pegando no pesado”. Passou a ajudar a família nas despesas da casa, saindo para as ruas vendendo balas e doces.

Passaram-se os anos e resolveu investir em seu próprio negócio, comprando uma barraquinha de doces e guloseimas. Continuou sempre como trabalhador autônomo, e hoje está aposentado. Como sua renda é muito pequena, continua como vendedor, mas agora vendendo pipocas.

Resolveu constituir uma família. Casou com uma linda mulher, minha mãe, que lhe deu dois filhos e dois netos.

Um dia Francisco, sempre brincalhão, resolveu colocar um anúncio em sua barraquinha para atrair público. A placa tinha os seguintes dizeres: “A compra de R$ 80 dará direito a um lindo carro.” Mas havia um pequeno detalhe: O lindo carro era um fusquinha de brinquedo. Quiseram linchá-lo.

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Correndo atrás de discos voadores
por Viviane Menezes

Nelson Júnior acorda às 6 horas da manhã, toma café, dá um beijo em Lourdes, sua esposa, pega a bicicleta e vai para o Jornal de Hoje, onde trabalha como motorista. Chegando à empresa, bate o ponto, vai à garagem, retira o carro e vai fazer as primeiras entregas do dia. Quando volta, lá pelas 8h40, vai apanhar dois repórteres e um fotógrafo.

De repente, liga alguém para o jornal falando que caiu um disco voador em sua chácara. Nelson sai em disparada levando o repórter e o fotógrafo para checar a notícia. No local, o repórter pergunta: - Cadê o disco? Cadê o disco? E o caseiro diz que o disco "saiu voado" e que ele conseguiu apenas uma fotografia.

E eles voltam apenas com a foto duvidosa.

O homem do suposto objeto não identificado não se contenta e torna a ligar para o jornal. Só que dessa vez liga para o JORNAL DE HOJE, JORNAL EXTRA, JORNAL O DIA, JORNAL MEIA-HORA, JORNAL DA BAIXADA, etc.

A correria atrás dos discos voadores que estão sempre pousando na Baixada terminam impedindo-o de se alimentar direito. Quando chega ao restaurante, não resta nem um disco voador (ovo frito) para ele.

Frustrado, só lhe resta retornar ao trabalho com fome, passando o resto do dia de cafezinho em cafezinho.

E quando pensa que o dia acabou, alguém grita que tem outra matéria para cobrir.

É assim o dia de trabalho do motorista Nelson, que completou 14 anos nessa azáfama.

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Libertação pelo emprego

Feira de Estágios e Empregos tinha a expectativa de atrair 30 mil jovens para a Vila Olímpica
por Flávia Ferreira e Alcyr Cavalcanti

O dia começou cedo para aqueles que procuravam uma primeira oportunidade de trabalho no feriadão de Zumbi dos Palmares. Em uma época de desemprego estrutural, agravada pela "crise do capital" que vem desafiando a criatividade dos governantes, a cidade resolveu mobilizar jovens sem perspectivas profissionais na Vila Olímpica. De certa forma parecido com o que aconteceu há alguns meses na PUC (Pontifícia Universidade Católica), mas com características próprias, à maneira da Baixada Fluminense.

A 1ª Feira de Estágios e Empregos da Baixada teve início pontualmente às 9h da sexta-feira 21 de novembro. Os doze estandes estavam totalmente abertos e, em conjunto, tinham 4 mil vagas de trabalho, em sua maior parte destinados a jovens à procura de seu primeiro emprego. Além deles, o ginásio da Vila Olímpica de Nova Iguaçu estava tomado por mães, pais, idosos e crianças, negros, brancos, amarelos, cristãos e muçulmanos. Havia uma grande integração entre as diferentes etnias, crenças e idades, todas unidas pela motivação de como se inserir no mercado de trabalho.

Segundo estimativas da Prefeitura e da empresa organizadora do evento (Diferença Eventos), a idéia era atrair mais de 30 mil pessoas para a feira, que terminou no domingo 23. As áreas com maior oferta de vagas eram administração de empresas e as áreas técnicas, como mecânica e eletrônica. Os parceiros deste banco de oportunidades foram a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Banco Itaú, Sesi-Senai, Fundação Mudes, Sebrae, CIEE, Conselho Regional de Economia, ACP-SAT e ISCOS.

Todos eles estavam expondo seus trabalhos e oferecendo uma oportunidade de emprego. “O contato foi feito empresa a empresa e elas aceitaram logo de cara. As que não quiseram participar se propuseram a participar nas próximas edições da feira”, disse Chahid Nakad, 46 anos, um dos responsáveis pela organização da feira. “Além do apoio da Prefeitura de Nova Iguaçu, procurei a Secretaria Municipal de Trabalho e desde o primeiro momento abraçaram a idéia, além da participação sempre ativa da Universidade Rural de Nova Iguaçu. Aí fizemos o trabalho”, contou entusiasmado Chahid.

Para o sub-secretário municipal de Trabalho e Emprego, Rogério Rocha, o apoio a essa iniciativa é importante porque ajuda os jovens a ingressar no mercado de trabalho em um momento de crise e desemprego. “O objetivo também é expandir parcerias e futuros contatos profissionais”, explicou.

Contudo, há um motivo oculto que moveu a criação da feira em Nova Iguaçu. “Nova Iguaçu é a maior cidade da Baixada Fluminense e eu sou morador dela. Quero fazer com que minha cidade cresça, quero transformar a Baixada Fluminense em um dos maiores pólos de captação de profissionais do Estado do Rio de Janeiro”, disse Chahid. A proposta é que este evento aconteça todos os anos na cidade de Nova Iguaçu.

Neste primeiro dia, a mídia, representada pelo SBT e pela Rede Globo, esteve presente fazendo cobertura da feira . “O contato com a mídia é importante, porque, além de divulgar o evento, ela dá transparência, credibilidade e difunde a idéia do trabalho.”

O estande da Prefeitura, cadastrando pessoas à procura de uma oportunidade, era um dos mais procurados. Faziam também carteiras de trabalho, onde funcionários solícitos atendiam a todos sem distinção. A Secretaria de Cultura e Turismo também organizou um estande, no qual mostrava os resultados do trabalho feito com os jovens pela Escola Agência de Comunicação. Um desses trabalhos foi uma projeção com fotografias dos momentos mais marcantes do blog "Jovem Repórter", como a cobertura do Iguacine, do Fórum Mundial de Educação e do SBPC. Os visitantes do estande também tiveram acesso ao blog "Minha Rua tem História", projeto vitorioso colocando a verdadeira memória das ruas na voz de seus atores.

Artistas do povo mostram seu trabalho
Em outra parte do ginásio, simultaneamente, acontecia uma feira de artesanato organizada pelo Fórum Municipal de Economia Popular Solidária de Nova Iguaçu (FMEPS). Mais de trinta barracas estavam montadas, expondo e vendendo produtos artesanais. As barracas exibiam quadros, porta-retratos, blusas, tapetes, jóias, cadernos, aquários, chafarizes, produtos para todos os gostos. Duas lanchonetes improvisadas nos fundos da feira deixaram um forte cheiro de gordura, que chegava a embrulhar estômagos mais sensíveis. Mas o colorido das guloseimas dava água na boca, estimulando o apetite.

Rogério Gomes Paiva é o organizador "do outro lado". Além de organizar e controlar os estandes e barracas com artesanatos dos mais variados, onde havia quase tudo para quase todos os gostos, expunha com arte seus trabalhos feitos em bambu. O destaque era uma fonte que jorrava água ininterruptamente, sob a proteção de um Cristo artisticamente também feito em bambu.

Além de um artista do povo, Rogério é um batalhador. Representa a Diocese de Nova Iguaçu no Centro de Direitos Humanos, cujo responsável é o bispo Dom Luciano Bergamin, que sucedeu ao inolvidável Adriano Hipólito, cruelmente perseguido pela repressão oficial durante os "anos de chumbo", no período 64/85.

"O trabalho dos artesãos visa principalmente a construção da cidadania. Buscamos o máximo de eventos para os artistas do povo poderem complementar sua renda, mostrando sua arte. Fazemos também cursos de capacitação diversos, estimulando também a agricultura familiar. É uma forma de resistência feita pelo povo", afirma Rogério.

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A determinação de Tereza
por Adriana de Souza Guerra

Tereza Cristina, 45 anos, começou a trabalhar aos 18 anos. Seu primeiro emprego foi em uma loja de roupas, na qual trabalhava apenas à tarde. Por ser o seu primeiro emprego, tudo era novidade: chegar no horário, programar a semana, pagar contas... Mas tudo valia a pena em nome do seu objetivo maior: a faculdade de administração de empresas, que fazia à noite.

Tereza trabalhou na loja três anos. Saiu quando o pai arranjou-lhe um emprego de secretária, na empresa Ambep. “No começo, as coisas eram bem complicadas. Tudo era muito diferente do que eu estava acostumada. Me sentia insegura e, para piorar, alguns funcionários me olhavam de cara fechada”, lembra ela.

Tereza chegou a pensar em desistir de tudo, mas seus pais a apoiavam nos momentos mais difíceis. Com o tempo, ela pôde perceber que não se devem jogar as melhores oportunidades fora por causa de algumas pessoas.

O esforço foi recompensado – hoje, ela trabalha no departamento de pessoal da empresa, na qual pretende continuar por muito tempo. “Não é fácil chegar aonde se deseja. Vão ter sempre aquelas pessoas dizendo que você não é boa o bastante. Nessa hora tem que se ter determinação e muita força de vontade.”

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O sonho realizado pelos filhos
por Jeniffer Viviane Braz

Maria da Penha Braz mora em Cabuçu e tem 44 anos. A pobreza dos pais obrigou-a a abrir mão do sonho de ser médica da Marinha, que se instalou em seu coração quando descobriu aquela farda branca. Trocou-o então pelo curso de formação de professores, feito em uma escola pública.
“Meu pai era operário e minha mãe, dona de casa, com 6 filhos para criar", diz Maria da Penha, que foi professora de alfabetização por mais de 20 anos.

Ela começou a vida profissional bem cedo, aos 16 anos. Mas a separação do marido e os baixos salários obrigaram-na a trocar o magistério há dois anos, quando recebeu um emprego que entre outras vantagens assinava sua carteira.

“Sou monitora em um abrigo de crianças que existe há 18 anos e estou satisfeitíssima com ele.”

Maria da Penha, que tem uma absoluta crença no trabalho, agora tem um outro sonho. “Quero meus filhos se formem e sigam a carreira militar. Quero que eles consigam realizar o sonho que eu não pude e por esse sonho eu vou lutar até ele se tornar realidade.”

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Tia Néia
por Marcos Vinícius Lima

Minha falecida avó era uma pessoa muito positiva. Sempre lutando por uma vida melhor para ela e para seu filho único.

Ela começou trabalhando como merendeira em uma escola municipal. Com o bom desempenho, foi transferida, passando a trabalhar na antiga prefeitura de Nova Iguaçu, servindo cafezinho. Alguns anos depois, sua dedicação e simpatia a levaram a trabalhar no setor de arquivo. Tornou-se então a maravilhosa Tia Néia da prefeitura.

O nome dela: Cidinéia de Oliveira Souza, um exemplo de dedicação para toda a família e para quem a conheceu.

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Artesã da vida
por Tatiana Sant'Anna

Minha mãe tem 61 anos e guerreira como sempre foi, criou os seus cinco filhos sozinhos. Dona Diva casou-se muito cedo, aos 17 anos de idade. Com 23 anos, decidiu ajudar o marido nas contas da casa. Como naquela época as mulheres só podiam trabalhar como costureira ou professora, ela escolheu a agulha e linha. Uma das fábricas que trabalhou foi a Maria Bonita

Aos 36 anos, viúva, resolveu trabalhar autônoma. Incentivada por sua filha mais velha, fez vários cursos de artesanato. Hoje, aos 61 anos, Dona Diva é uma artesã de sucesso, fazendo o que mais gosta e sempre se aperfeiçoando.

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Boa aparência

Jovens negros foram à feira atrás de um lugar no mercado informal
por Flávia Ferreira

Eles sempre foram tratados como os empregados, motoristas, camelôs, aquelas pessoas simples que sempre são subordinadas a alguém. Porém, hoje o negro não procura somente ganhar seu sustento, mas se realizar profissionalmente. No entanto, as condições de trabalho e de renda ainda continuam muito inferior à das registradas pela população branca. “É muito difícil conseguir emprego”, resume a negra Roseane dos Santos, 19, moradora de Queimados. “Quando conseguimos, recebemos mal e ainda somos vistos com olhares tortos.”

Essa jovem sonha com o curso de direito, pré-requisito para o concurso de delegada de polícia que pretende fazer tão logo se forme. Ela pretende abraçar essa profissão para pôr um fim no que chama de “diferença boba”, que, além de “ser uma grande burrice”, “prejudica os negros”. Roseane também sonha com o fim da impunidade e da injustiça no país. “O pior de tudo é que há pessoas sendo presas por bobagens, enquanto outras, com crimes mais graves, ficam soltas.”

Roseane já foi discriminada por causa da sua cor, principalmente nas vezes em que tentou emprego em lojas. “Eles querem as loiras de olhos azuis”, desabafa. “Por isso, eles já me olham de uma forma diferente quando chego para a entrevista. Fazem pouco caso de mim, como se eu fosse diferente.”

Também jovem e negra, Thais Renata, 28 anos, conhece esse tipo de preconceito. “Eles pegam o teu currículo já te olhando de cima a baixo para ver como é você”, afirmou ela, para quem há uma velada discriminação no Brasil. “Eles te julgam antes de você mostrar sua capacidade.” Thais jamais se deixou abater com essa situação, mas teve que recorrer à informalidade para pagar suas contas. “Ajudo na lanchonete da minha avó”, revela. Ela estava na Primeira Feira de Emprego e Estágio da Baixada Fluminense atrás de uma oportunidade que lhe desse carteira profissional, férias remuneradas e, acima de tudo, futuro.

Costa quente
Bianca Santos teve uma bela “costa quente” para driblar o preconceito, conseguindo uma vaga como operadora de caixa num mercado próximo a sua casa. Mas essa sorte não se repetiu quando se formou em fisioterapia e tentou um emprego mais qualificado. “A área está muito fechada e eu não consigo nada”, lamentou no primeiro dia da feira. Por causa dessa dificuldade, Bianca caiu na vala comum do trabalho informal. “Estou tendo que trabalhar como autônoma, atendendo os pacientes em casa.”

Além da questão racial, Marcelo Silva de Araújo, 21, enfrenta o preconceito sexual, no seu entender muito maior. “Eu não sofri preconceito por ser negro, mas por ser homossexual assumido.” Ele admite que ficou abatido ao ouvir que seu “perfil não se encaixava com o da empresa” em que estava procurando emprego, mas não foi por isso que desistiu. “Eu até me recolhi naquele momento, mas depois levantei a cabeça e continuei o caminho”, conta Marcelo.

Outra dificuldade que pelo menos os negros que marcaram presença na feira da Vila Olímpica enfrentam é o preconceito contra a juventude. “O primeiro emprego é aquele que te dará experiência”, ironiza Thais. “Se não te dão a oportunidade, como você terá a experiência?”, pergunta. Para ela, é muito importante que se dê uma chance ao jovem de mostrar do que é capaz, seja ele negro ou não. "Somos todos iguais", disse ela.

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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Que fila é esta?

Jovens fazem fila no estande do Sebrae mesmo sem saber o que a instituição estava oferecendo
por Tatiana Sant’Anna, Brenner Oliveira, Jéssica Guimarães
e Jéssica Aureliano


Por mais que reclame, brasileiro adora uma fila. Atração é a palavra chave para resumir essa questão. Quanto mais extensa, maior é o sentimento e a admiração. Nem pergunta o que está ocorrendo, vai logo entrando na fila. Não foi diferente na Primeira Feira de Emprego e Estágio da Baixada Fluminense, realizada ao longo do feriadão de Zumbi dos Palmares. Os jovens que procuravam uma lugar no mercado de trabalho só fizeram confirmar essa tese, aglomerando-se em torno do estande do Sebrae para participar de um mero sorteiro de cursos.

A maior concentração de pessoas se deu na manhã da sexta-feira, mais precisamente entre as 10h30 e o meio-dia. Houve gente que esperou pelo menos uma hora para ser atendido. Nem por isso, o desânimo os abatia. Aliás, a esperança era maior do que o tempo na fila. Ninguém se atreveu a furá-la, pois o respeito foi mantido.

Uma das pessoas que aguardou pacientemente até ser atendida foi a vendedora autônoma Priscila dos Santos. Com 24 anos, ela se deslocou de Campo Grande, onde mora, para concorrer um curso oferecido pelo Sebrae. Otimista, ela enfrentou a fila em nome da possibilidade de conseguir um empre de carteira assinada. Ela, que soube do evento através de um anúncio em um jornal, tinha esperança de ganhar um curso pelo Sebrae: "Sei que o Sebrae oferece vários cursos bons, e vai melhorar ainda mais o meu currículo", disse, animada.

Já as amigas Andressa Araújo, 23 anos, Lisandra Plínio, 23 anos, e Gisele Ribeiro, 20 anos, enfrentaram a fila mesmo sem saber ao certo o que é o Sebrae. O estande do Sebrae era a única novidade que as três estudantes de pedagogia encontraram na Primeira Feira de Emprego e Estágio da Baixada Fluminense. Apesar de famintas e cansadas com a espera de quase uma hora, elas não perderam o otimismo. "Quem sabe a gente não ganha a bolsa?"

Nossa equipe de jovens repórteres só conseguiu desvendar o mistério depois de uma hora de espera paciente. Quem tirou a nossa dúvida foi a estagiária Arijane de Carvalho, que estava fazendo os cadastros para o sorteio dos cursos. Há um ano no Sebrae, a estagiária contou que muitas muitas pessoas lhe disseram que não sabiam o que estavam fazendo naquela fila. "O que é que vocês estão oferecendo?", perguntavam. Para as pessoas que se sentiam frustradas com a oferta da instituição, ela dava o endereço da empresa responsável pelos estágios no Sebrae.

Outra informação importante disponibilizada pela estagiária era o site o do Sebrae - http://www.sebrae.com.br/ .

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A pedagoga que sonhava em ser advogada

Tereza queria ser advogada. Mas é feliz como pedagoga
por Vanessa Paes

Tereza dos Santos tinha um sonho: ser advogada. Mãe de três filhos, os caminhos da vida a levaram para outro lado. Ficou grávida e teve de parar de trabalhar e estudar.

Ela já exerceu diversas profissões: foi doméstica, acompanhante, auxiliar de escritório, auxiliar de produção – enfim, trabalhava em tudo que aparecia. Chegou até a lavar roupa para sustentar a casa.

Durante essa jornada de trabalho, resolveu estudar novamente, concluindo o ensino médio. Decidiu então se inscrever no vestibular. Fez a prova aos trancos e barrancos, apesar das imensas dificuldades e quase sem dinheiro. Foi aprovada, e decidiu fazer pedagogia. Queria transmitir seus ensinamentos, preparando jovens. Já havia trabalhado em uma escola anteriormente, e conhecia os meandros da profissão.

No ano de 2006, conseguiu enfim se formar. “Foi o dia mais feliz de minha vida. Tracei um objetivo, corri atrás e consegui”, afirmou.

Hoje ela atua como professora do ensino fundamental e está plenamente integrada na nova profissão. Não conseguiu concretizar o sonho da advocacia. A nova profissão a faz sentir realizada. Pensa até em ser diretora. Quem sabe?

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Uma jornalista angolana

A angolana Vanilda foi uma dos cerca de 2 mil jovens que procuraram um estágio na Feira de Empregos e Estágio de Nova Iguaçu
por Luiza Alves, Thalison e Rodrigo

Vanilda Felicia da Cunha, apelidada pelos amigos brasileiros de Vanni, nasceu em Angola há 17 anos.

Desde pequena, sonhava em fazer jornalismo. Dizia que queria dar notícias na TV. Quando estava prestes a concluir o ensino fundamental, o pai lhe prometeu um presente. Era uma surpresa, que ele só revelaria quando ela concluísse a oitava série. Era a viagem para o Brasil, onde ela veio para concluir o ensino médio e e fazer a tão sonhada faculdade de jornalismo.

Ela veio para o Brasil porque nosso país oferece muitas oportunidades para o jovem. Ela está concluindo o segundo ano do ensino médio no colégio Millenmium.

Vanni nunca pensou em sair do país, onde vivia como um adolescente comum, indo a festas com os amigos. Embora soubesse que as coisas seriam um pouco diferentes no Brasil, ela não pensou duas vezes para deixar família e amigos para trás.

Aqui, ela mora com os tios e duas primas, no Jardim Alvorada, em Nova Iguaçu. Quando chegou, foi recebida calorosamente. A hospitalidade do nosso povo a ajudou a superar a saudade da terra natal. Está no Brasil há dois anos e mata a saudade através da internet e do celular.

Há muitas diferenças entre o Brasil e a Angola, mas a maior delas é a comida. "Lá, a carne do McDonald´s é cozida", exemplifica. "Já aqui é frita." Ela também se surpreendeu com a liberdade religiosa, pois em seu país os adeptos ao candomblé e da umbanda vão escondidos aos cultos . Outras diferenças que chamaram a atenção de Vani foram o nosso respeito às leis e a capacidade de nosso povo de lutar por seus direitos. "Os angolanos são mais conformados e individualistas", afirma. "Não fazem protestos."

Vani amadureceu muito nesses dois anos de Brasil, que para ela é uma lição de vida. Mas, mesmo gostando muito daqui, ela quer voltar para seu país e para sua família tão logo acabe a faculdade. Depois desse reencontro, viajará pelo mundo como jornalista.

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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Nos braços da família
por Daniella Vieira

Mário Lúcio Vieira tem 50 anos e mora no bairro Aeroclube

Mário começou cedo a sua vida profissional, sempre lutando por progredir em cada um dos empregos que teve. Era bem pobre e seu sonho sempre foi ser SEGURANÇA.

Tanto quis que um dia Mário viu seu desejo realizado! Conseguiu um emprego de Segurança em um hospital da Tijuca.

Com o passar dos tempos, Mário se casou com Nete, com quem teve quatro filhos. Mário chegou a Chefe da Segurança e passou a perceber que não tinha tempo para a família. "Meu sonho precisa ser completo. Preciso de tempo para ficar com a minha esposa e filhos". Pensava e chorava de saudades pelos 15 dias que ficava longe de casa, morando em um quarto, ali mesmo, no serviço.

Um dia, Mário não agüentou mais, pediu demissão e foi direto para os braços da família.
"Hoje sou um homem muito mais feliz. Passeio com meus filhos. Vou às reuniões na escola. Eu e minha esposa nos divertimos."

Atualmente Mário é segurança em uma loja perto de casa. Ganha bem e o mais importante: tem tempo para estar com a sua família.

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Só de cuecas

O circense Adriano não consegue se ver em um escritório, de paletó e gravata
por Breno Marques

Adriano Marques é nômade. Tem 38 anos. É circense desde criança. Quando tinha 12 anos, fez sua primeira apresentação no picadeiro, com seu pai, o mágico Ramom.

Adriano gosta muito do que faz: "Adoro trabalhar no circo! Meu pai me fez gostar muito. Me ensinou tudo o que ele sabia e agora eu passo esses conhecimentos para os meus filhos", diz Adriano.

O sonho de Adriano nunca esteve longe do circo. Como o pai, quer ter o seu próprio circo. Adriano trabalha no Babilônia Circus, que só existe há quatro meses.

O emprego para os olhos de Adriano sempre foi com magia. Pois, seguindo o pai, nunca saiu do circo. "Acho que para mim a palavra EMPREGO não tem muito significado. Não vejo o circo como um EMPREGO. Aqui você não mora, não vive e nem dorme 24 horas em um EMPREGO", afirma, dando risadas.

"Se eu tivesse que arrumar outro trabalho, não conseguiria ficar EMPREGADO por muito tempo. Seria difícil ficar em um emprego onde se tem de usar terno e gravata. Não se tem liberdade para fazer nada! Aqui no circo, se eu quiser, posso andar só de cuecas", diz Adriano.

Como todo emprego, o circo também tem seu lado preocupante, pois é informal. O contratado depende do caráter do contratante. É o único lado ruim. Se amanhã alguém quiser sair, não tem direito nenhum, pois não se conta o tempo de casa. "Se o patrão for legal, paga em dia. Se não for, fazer o quê!? No mais, formamos uma bela e diferente família, sem pouso definitivo."

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Pequenas vontades
por Jéssica Oliveira

Pedreiro, estoquista, vendedor, empacotador, chapeiro e operário. Essas são algumas das diversas atividades já desempenhadas por um trabalhador brasileiro cuja única ambição era ajudar seus pais a construir outra realidade.

Hoje, João Batista Ramos, 42 anos, está casado e com dois filhos, e carrega em suas mãos marcas de quem sempre trabalhou. "Nunca tive grandes sonhos, apenas pequenas vontades. Achava interessante o trabalho dos bombeiros, mas também gostava de circo. Porém, a necessidade de trabalho imediato gritava mais alto aos meus ouvidos", conta, mostrando que omissão nunca fez parte de sua personalidade.

As várias horas de trabalho diárias reunidas ao longo de 20 anos estão representadas em tudo que possui. "O trabalho engrandece o homem", filosofa. Essa é uma revelação freqüente de quem conhece bem o que é trabalho e sempre pôs empenho, alegria e satisfação em tudo o que fez.

Essa é a história resumida do meu "papito".

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Fecha-se uma porta, mas se abre uma janela

Desde pequeno, Carlos André Aguiar aprendeu com os avós que trabalhar é o reconhecimento do homem

por Giuseppe Alexandrino

Carlos André teve seu primeiro emprego aos 11 anos, ajudando o avô em sua loja de recuperação de panelas. Ficou ali até os 14 anos, quando foi trabalhar em uma lanchonete. O serviço militar o obrigou a uma nova mudança profissional, ainda que o seu grande sonho fosse ingressar na Marinha. "Ser marinheiro era meu maior sonho, mas por falta de informação não consegui servir", conta.

Quando foi dispensado, ele foi trabalhar como auxiliar de montador em uma firma de divisórias depois de uma breve passagem por um supermercado. Com muito esforço e perseverança, Carlos André ganhou seguidas promoções até se tornar gerente operacional.

Mesmo não realizando o seu sonho de juventude, Carlos André alcançou êxito profissional.

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Boa sorte

Edison Rozalino sonhava com as nuvens, mas é feliz com as pedras
por Nathany Rozalino

Ser piloto da Aeronáutica, esse era o sonho de Edison Pereira Rozalino, morador de uma pequena cidade no interior do estado do Rio de Janeiro com o alvissareiro nome de Boa Sorte. Na hora de se alistar, teve que fazer uma difícil escolha: ir pra o Rio de Janeiro e realizar seu sonho ou terminar os estudos e arrumar um trabalho para ajudar a sua família, composta pela mãe costureira, três irmãs professoras e um irmão ainda criança.

Após a morte de seu pai, quando tinha apenas 14 anos, Edison foi mandado para um internato em Campos, onde se tornou técnico agrícola. Ao voltar para sua cidade, arrumou um emprego como administrador de fazenda, desistindo de seu sonho. Trocou de fazenda algumas vezes até conhecer "seu Fernando", que trabalhava para uma empresa de venda de calcário. Edison aceitou com entusiasmo a proposta de trabalho que lhe foi feita pelo "seu Fernando". Era gerente quando a empresa foi vendida.

Tentou a sorte indo no Espirito Santo e em Minas Gerais, mas teve que voltar com uma mão na frente e a outra atrás, onde reencontrou tanto a família quanto a antiga profissão e a sina de mudar de emprego a cada três anos. Terminou encontro sustento para a família com o próprio sogro, com o qual plantou uma horta. Trabalharam juntos até o sogro morrer, quando sua filha já tinha um ano.

Primeiros passos
Reencontrou-se então com "seu Fernando", que lhe ofereceu um emprego como comprador de calcário em uma pedreira na Ilha da Madeira. Apesar de não querer sair de sua terra novamente, ele aceitou. "Eu não puder ver os primeiros passos da minha filha, mas não quero deixar de ver nenhum dos outros passos que ela dará", disse ele dois anos depois para a esposa, quando a levou para morarem em Itaguaí. A companhia das duas preencheu o buraco deixado pela saudade da terra natal.

Dois anos depois foi chamado para trabalhar na pedreira Vigne, em Nova Iguaçu, onde trabalha há 14 anos. Seu futuro, como sempre foi até agora, é uma incógnita, pois a predreira será fechada em breve. "Eu só quero me aposentar e voltar pra minha casa, minha terra, minha família, que já passou tempo demais longe de mim."

Seu plano é esperar a filha terminar a faculdade e poder seguir sua vida sem depender dele. Voltará então para Boa Sorte, para cuidar do sítio herdado do pai. Nesse longo caminho que vai da terra às pedras não há arrependimentos. "Não realizei meu sonho de voar por aí, mas acho que foi melhor assim", conclui Edison, satisfeito com a vida que tem agora.

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Nas curvas do caminho

Carreira profissional do motorista José Luiz deu muito voltas
por Luis Vinicius

Uma carteira de trabalho recheada de profissoes, essa é a de José Luiz.

Um homem determinado em seus objetivos e sempre em busca de alcançá-los.

A foto retrata o momento em que inicia a sua carreira profissional, servindo a Aeronáutica. Não durou muito tempo nessa carreira. 'Vi que aquilo não era pra mim', resume José.

Começou então sua caminhada em busca da profissao com que se identificava e principalmente desse um bom futuro. Trabalhou em padaria como balconista, foi vendedor de eletrodomésticos, serralheiro. Teve diversos comércios. De videolocadora a lanchonete, passando por um bar.

Demorou a chegar a sua atual profissão e segundo ele a que mais lhe agrada: motorista de ônibus . Há 15 anos atuando nesta profissao, ele diz que foi de repente que sua vida profissional ganhou esse rumo. “Caí de pára-quedas nessa vida de motorista", lembra. "Sinceramente, esse não era o meu sonho." Apesar disso, José se sente um profissional realizado, ganhando o suficiente para o sustento de sua família. "Tenho muito orgulho do que faço."

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O trabalho será sua herança

A opinião dos jovens sobre as relações familiares através do trabalho
por Alcyr Cavalcanti

"As relações entre as classes sociais têm um caráter antagônico, uma vez que se baseiam na exploração, na opressão dos despossuídos pelos possuidores. São relações inconciliáveis da luta de classes."
Karl Marx

No Espaço Cultural Sylvio Monteiro quarta feira dia 19, o jornalista e escritor Julio Ludemir fez uma introdução sobre a importância das relações familiares mediadas pelo trabalho e suas perspectivas. Eram 15 horas quando faz a pergunta que todos queriam ouvir, embora aparentemente tímidos para expor seus relacionamentos, muitas vezes difíceis por motivações as mais diversas.

“Quem está disposto a contar sua história?”, pergunta Julio ao grupo de jovens, e para motivá-los e dar segurança faz uma analogia entre cabanas construídas na areia sem base sólida, à semelhança de castelos de areia que são facilmente destruídos pelas ondas de um mar revolto. Ele tem medo que o projeto passe na vida dos jovens que participam da Escola Agência de Comunicação sem deixar vestígios.

Narrativas são feitas superando a timidez
Superada a timidez inicial, a jovem de dezoito anos Desirée Raian fez um relato sobre sua mãe. “Ela se casou com 20 anos e foi morar na Itália. Trabalhou como camareira, foi dona de bar, esteticista e segurança. Esses empregos serviam para ajudar a manter a casa , mas a afastavam de seu sonho de estudar história.” Sua mãe trabalha há cinco anos como embaladeira em uma fábrica. Embora o trabalho sempre tenha sido uma constante em sua vida, ela deixou um outro legado para a filha Desirée. “O sonho de uma vida a gente não esquece”, disse-lhe a mãe quando ela foi entrevistá-la para o trabalho proposto na última segunda-feira.

A vida de Luiz Felipe Garcez, o Pato, teve muitos altos e baixos. Seu pai chegou a ter muito dinheiro, fabricando toldos, em uma pequena indústria, mas perdeu tudo. “Ele sempre foi muito trabalhador e é muito inteligente, mas não é esperto. Fez vários cursos, mas perdeu tudo por causa das mulheres que teve.”

Nathany Rozalino, uma estudante de 17 anos, descobriu que o sonho do pai era ser piloto da Aeronáutica. “Mas meu avô morreu e ele teve de ser internado em um colégio longe da sua cidade”, contou para os amigos. Imprevistos e demissões modificaram a trajetória de seu pai, que trabalhou em diversas fazendas até se firmar no mercado de pedreiras. “Ele trabalha na Vigne há 14 anos e mais uma vez vai ficar desempregado, pois a pedreira vai ser fechada em breve.” O pai de Nathany aguarda apenas que a filha se forme para voltar para Boa Sorte, sua terra natal.

Com 18 anos, Flávia Ferreira Pita de Freitas tenta sintetizar as narrativas com uma frase que ouviu ao entrevistar a mãe. “Pobre não sonha.” Apesar das diferenças entre ela e a mãe, Flávia entende a dureza de dona Fátima. “Ela sempre trabalhou, e conheceu meu pai trabalhando em uma padaria”, lembrou. Sua mãe teve que trocar as bonecas pela criança de que tomou conta, quando tinha apenas 12 anos. “Em seu caso, o trabalho infantil foi uma necessidade”, disse com emoção a bela jovem repórter.

Algumas vezes, como no caso da narrativa de Louise Teixeira, uma estudante de produção cultural com 18 anos, uma das muitas crises do capital veio a afetar profundamente anseios, sonhos, projetos. "Meu pai era do sindicato dos aeroviários do Rio de Janeiro", contou ela, que graças a essa condição pôde viajar para a Disneylândia na infância. "Ele foi demitido depois de liderar uma greve na década de 1990", lamentou a jovem. Atualmente, o pai tem uma pequena empresa de aparelhos de segurança.

Narrativas enfocando sonhos, esperanças, dificuldades, frustrações, desequilíbrios sociais afetando profundamente os relacionamentos familiares. Histórias que provocam surpresa, mas principalmente são histórias de fé e esperança, e muita vontade de lutar, para provocar mudanças, e só assim poder alcançar novos tempos em uma nova sociedade, através da superação das desigualdades sociais.

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montagem por Felipe Lacerda

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Filhos orgulhosos

Filhos se aproximam dos pais para contar a história de luta deles
por Flavia Ferreira

O dia foi de preparação para os jovens repórteres e seus coordenadores. Devido à Feira de Empregos que acontecerá na Vila Olímpica durante todo o final de semana, estratégias foram montadas para ser utilizadas pelos nossos jovens. Como foi pedido na reunião da última segunda-feira, os jovens levaram fotos ou algum objeto que lembrasse o histórico de trabalho de seus pais. Ao todo, doze histórias foram ouvidas em meio aos cochichos inevitáveis das quase sessenta vozes presentes. Após a reunião, o jornalista Anderson Fat e o fotógrafo Mazé Mixo gravaram uma versão reduzida desses depoimentos, que serão transmitidos por meio de um data show no estande do Jovem Repórter.

Narrativas sobre trabalho, sonhos, realizações e frustrações
As histórias abordaram sonhos, ideais, lutas, vitórias, derrotas e superações. Boas ou ruins, elas tiveram o grande mérito de aproximar os filhos de seus pais. Muitos foram tomados pela emoção. Esse foi o caso de Maicon Cristian, um lutador de 19 anos. Mais conhecido como "Dotadão", seu raciocínio chegou a ficar travado enquanto narrava com orgulho a história de luta de seu pai e de como sua família o ajuda a vender seus refrigerantes e seus carvões para prover o sustento da casa. Além dele, Felipe Rodrigo se mostrou emocionado e comovido com tudo que ouvira nas quase três horas na pequena sala do Espaço Cultural. Felipe foi criado apenas pela mãe, que é empregada doméstica.

Os jovens Luiz Felipe Garcez e Louise Teixeira foram exceções em meio ao universo de histórias de muito sacrifícil para a constituição da família e manutenção dos filhos. A condição financeira do pai de Louise, que trabalhou na Varig até ser demitido por conta de uma greve dos aeroviários, e o de Luiz, cuja família foi proprietária da Perflex Toldos, permitiu que mandassem os filhos para a Disneylândia. Tatyana Sant'Anna chegou a brincar com os dois colegas. "Quando quero me divertir, eu vou ao Play City aqui mesmo em Nova Iguaçu” , disse ela, em tom de brincadeira.

As mulheres também tiveram seus feitos exaltados nesta roda de histórias. "Minha mãe é uma lutadora e uma guerreira", disse Tatianna Sant'Anna. "Ela conseguiu formar a mim e a meus irmãos sozinha."A mãe dela sustenta a casa com o que ganha como artesã e costureira. Caso semelhante é o de Felipe Rodrigo. Sua mãe é empregada doméstica e o que ganha no fim do mês, alimenta os três filhos e a casa, pois é separada e seu ex-marido não paga a pensão alimentícia dos filhos.

No decorrer dos três dias, essas e outras histórias serão contadas e mostradas no estande de comunicação do Jovem Repórter. Além das pesquisas e imagens que serão realizadas na Feira.

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Minha profissão, minha vida

Duas funções se complementam
por Aline Cristina Julião

Meu nome é Cláudio Julião, tenho 41 anos,e trabalho no Corpo de Bombeiros há 17 anos . Gosto muito da profissão , mas para complementar minha renda, também sou segurança de um supermercado. Sou casado há 10 anos e tenho dois filhos. Cláudio Junior de 09 anos e Andrei de 05 anos .

Amo demais minha família, mas minha esposa não gosta muito da minha profissão Acha que eu arrisco minha vida a cada dia. Para mim meu trabalho é minha vida, e fico um pouco triste porque não tenho muito tempo para minha família, em especial para meus filhos. Eu acho que a minha profissão é um exemplo de vida porque quanto menos, eu espero estou trabalhando, salvando vidas.

Vou narrar um momento que marcou a minha vida.

“Eu estava na Via Dutra vindo do trabalho, quando um carro bateu e capotou. Dentro estavam três passageiros. Corri, tive que descer e ali mesmo fazer os primeiros socorros. A ambulância chegou conduzindo todos eles para o hospital. Graças a Deus ninguém teve ferimentos graves. Para mim é muito gratificante saber que e sou capaz de salvar vidas de pessoas que sequer conheço”

Sou diferente no outro trabalho
Claudio tem outro oficio onde trabalha de maneira totalmente diferente. Em vez de salvar vidas, ele luta contra a bandidagem.

Em um supermercado no qual trabalha como segurança, um bandido foi tentar assaltar o mercado. Fortemente armado, pegou uma mulher como refém. “Graças a Deus, um outro segurança e eu, conseguimos reverter a situação, chamando a policia.Novamente deu tudo certo. Sei que minhas duas profissões são muito perigosas. Para mim é um orgulho ser o que sou hoje, me sinto realizado. Agradeço em primeiro lugar a Deus por ter me dado essa oportunidade, em segundo lugar a minha família por ter dado muito apoio ”.

Às vezes cansado, mas plenamente realizado,Claudio finaliza com um conselho: “Se você tem um sonho vale a pena você correr atrás dele, com certeza ele vai ser realizado”.

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Pobre não sonha

Fátima desistiu dos sonhos de menina e
foi à luta
Por Flávia Ferreira

O trabalho infantil é crime, mas o que dizer de crianças que se sentem obrigadas a ajudar em casa? É o caso de Fátima Ferreira, que começou a trabalhar na casa de Lourdes aos 12 anos. O trabalho não voluntário passou a ser feito para uma conhecida de sua mãe. Ela nunca soube o que é brincar de casinha ou boneca, pois suas brincadeiras eram reais. "Meus sonhos e brincadeiras de crianças terminaram quando eu vi que tinha que ajudar em casa", revelou.

Ainda criança, ela cuidava de uma casa e de cinco crianças, dentre elas um bebê. "Ter que ficar com crianças nunca foi problema para mim", relembrou ela, sentada em sua varanda, no bairro de Comendador Soares. "Mesmo sendo jovem, eu era muito responsável." Ela ficou durante dois anos nesta casa, mas a vontade de ajudar sua família era tamanha que em menos de uma semana ela já estava empregada novamente.

Dessa vez, Fátima pegou o rumo dos pães, doces, salgados, cafezinhos e cigarros. Com 14 anos, ela foi para a padaria do seu Manuel que, como ela disse, era um português chato, mandão e birrento. Segundo ela, nada que fazia estava bom e sempre era recriminada pelo portuga, mas a necessidade obrigava a continuar trabalhando. "Eu fazia tudo naquele lugar. Era atendente, caixa, lavava louça, limpava o chão" Baixinha, Fátima chegou a subir em caixas de Coca-Cola para atender melhor os clientes.

O “príncipe” da padaria
Mas não foi só uma ajuda financeira que essa padaria trouxe. No meio de tantos homens que Fátima atendia durante o dia, ela conheceu Isaías Pereira. "Ele me pediu uma cerveja e um maço de cigarros", lembra Fátima. "Só que ele não fumava." O que ele queria era dar uma cantada na baixinha, mas aquela baixinha não deu mole. "Xinguei muito e disse : 'sai fora, canhão. Você é feio, magro e cabeludo, e eu não gosto de homem assim.'"

Fátima era tão esnobe que chegou a mandar seu cachorro correr atrás de Isaías na porta de seu trabalho. "Minha mãe e meu pai me buscavam todos os dias, pois eu largava tarde e era perigoso. Eles levavam o Nero com eles e, um dia, eu o mandei correr atrás do Isaías." Apesar da resistência, Fátima já havia sido atingida pelas flechas de Cupido. Depois de muitas artimanhas e muitas jogadas de mestre, Isaías começou o namoro. "Meus pais gostavam dele, pois viam nele honestidade, sinceridade, respeito. Um homem de verdade."

Junto com o namoro veio uma promoção no trabalho. Depois de um ano, ela começou a fazer salgados com o português, coisa que ela só aprendeu por conta de sua curiosidade. "Aprendi tudo olhando aquele velho chato trabalhar a massa dos salgados." Descobriu então que pobre não tem mordomia. "Quando me dei conta, estava trabalhando mais que antes e recebendo a mesma coisa." Não reclamava porque precisava ajudar a família. Manteve-se passiva mesmo com os 'esporros' quando estragava os ingredientes, sempre acompanhados de um desconto no salário.

Fátima rodou por todas as padarias do Seu Manuel - foi de início para São João de Meriti e depois Pavuna. Voltou para Morro Agudo e com todas essas idas e vindas, ela saiu da escola. Ela parou de estudar porque nunca teve o sonho de fazer uma faculdade e ser uma profissional renomada. Sua única vontade era tornar os dias de sua família melhores. Pois, além de seus pais doentes, ela ainda tinha irmãos mais novos para sustentar. "Eu não pude sonhar com algo. Tive que ajudar em casa. De que adianta ter estudo e nada para comer?"

Sou feliz, faço tudo pelos filhos
Aos 22 anos de idade encerrou sua carreira em panificação, na lanchonete do Posto Skiavinni. "Só parei de trabalhar quando casei, porque me dediquei ao lar. Isaías achou que teria condições de me dar uma vida melhor, me proibindo de trabalhar".

Eles completaram 28 anos de casados e por mais que Fátima não trabalhe na rua, ela ainda rala muito, só que dentro de casa. Lavar, passar, cozinhar, puxar daqui, varrer ali, tirar sujeira, fazer comida, cuidar da casa é um exercício e tanto. Dedica o tempo que sobre aos dois filhos, um com 18 e o outro com 23 anos, ao netinho, com apenas 2 anos. "Quero que eles tenham o que não pude ter. Sei que muitas vezes eu posso parecer chata, mas só quero o bem de meus filhos. De certa forma, estou realizada através da felicidade deles. O olhar de gratidão e carinho é tudo para mim", completou Fátima com um sorriso.

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Escolhas importantes


Escolhas importantes
por Brenner de Oliveira Oliveira

“Eu me tornei o que sou hoje aos 17 anos de idade, quando tive que fazer uma importante escolha”, afirma Erivaldo de Oliveira, 55 anos. Quando era criança, Erivaldo alimentava o sonho de ser jogador de futebol profissional. Em busca desse sonho, aos 17 anos de idade, numa demonstração de força e determinação, Valdo deixou a casa de seus pais em Maceió – Alagoas para morar com seu irmão no Rio de Janeiro.

No Morro do Livramento, onde o irmão de Valdo morava, ele se deparou com uma realidade totalmente diferente do que imaginara. “O povão que vive no norte só quer saber em se mudar para uma das grandes capitais do Brasil, com a ilusão de encontrar melhores condições de vida e maiores oportunidades de emprego”, lembra ele. “Ninguém se preocupa em terminar os estudos e freqüentar uma universidade, e eu não fui diferente.”Erivaldo foi com a cara e com a coragem, e hoje se sente satisfeito com os resultados.

Tendo que ajudar nas despesas da casa, Valdo arrumou um emprego como office-boy de uma casa de artigos de pesca. O emprego rendeu a ele um bom dinheiro e ele pôde alugar uma casa em Vilar dos Telles. Sair da casa do irmão foi um grande alívio para ele.

“Mesmo com todas as dificuldades, eu nunca abandonei meu sonho, sempre que podia eu estava jogando aquela ‘pelada’ com a galera”, conta ele. E o rapaz, realmente, tinha talento. Um dia, foi convidado por um olheiro a jogar no time do CSN e depois no Bonsucesso. Entretanto, este sonho foi interrompido. O contrato acabou e ele teve que enfrentar a dura realidade. “Depois do emprego de office-boy, trabalhei fazendo registro de armas e munições até conhecer uma gringa que tinha oito confecções espalhadas pelo Leblon, Ipanema e Copacabana." Meu pai se tornou gerente de uma dessas confecções.

Acasos da vida
Em um dos acasos da vida, Erivaldo conheceu seu Clodover, o irmão do Técnico Telê Santana. Ele tinha uma rede de lojas de ração em todo o Rio de Janeiro. Seu Clodover, ciente dos problemas de Valdo, chamou-o parar trabalhar. Foi nesse acaso que ele se apaixonou pelo ramo.

“Hoje em dia, só jogo futebol por lazer, dedico o meu tempo na minha própria pet shop." Foi graças a esse negócio que papai conseguiu comprar a casa em que moramos, mais alguns bens. Ele é muito feliz vendendo vacinas para animais, gaiolas para pássaros, ração para cachorros e muito mais. Graças a essa loja, pode manter a nossa família - além de mim, tem mamãe e minha irmã Pádua.

Papai tem um lema: “Nunca deixar a peteca cair.” Foi assim que superou todas as barreiras que surgiram ao longo de sua vida. “Tenho certeza que conseguirei derrubar as que ainda estão por vir”, conta todo orgulhoso Erivaldo de Oliveira, uma exemplo de determinação.

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A mãe de Wendell Vitor

Naty, Natália, Espivitada, Responsável, Produtora!
por Mariane Dias [admiradora e amiga de Natália Ferreira]

Escorpiana, essa tal menininha é das que mais me encatam em nossa equipe de Jovens Repórteres. Ela, que é de vida boa e mole, de mente boa e até mesmo a garota certa pra assumir uma certa 'produção', sempre necessária em nossas reuniões, em nosso espaço, a cada evento, a cada reportagem. Sempre rolam aquelas ligações de avisos importantíssimas e é ela que sempre tá lá, esquentando a orelha e sempre atenta.

Moradora de Comendador Soares, Natália Ferreira é uma mulher de olhos castanhos, cabelinhos enroladinhos, um sorriso que parece grudado no seu rosto bochechudo. Ela está sempre nos dando uma moral. Faça ou faça sol, ela está de bom astral.

Poderia escrever sobre toda a galerinha que hoje separou seu horariozinho debaixo de chuva pra nos encontrarmos e falar sobre história de nossos pais, mães, e até mesmo de nós. Mas resolvi falar da mãe de Wendel Vitor, hoje com 4 anos de idade, sua maior preocupação e destino de quase toda a graninha que recebemos todo mês. Também é nele que deposita os sonhos que com certeza teve ao longo do seu complicado caminho.

Para garantir a escola do filho, ela entregou panfletos no Centro de Nova Iguaçu e carregou bandeiras de lançamentos imoboliários até entrar em nossa equipe. Tentou fazer as três coisas ao mesmo tempo, mas, apesar da força, da vontade e do sonho, teve que abrir mão das outras batalhas.

Para Natália, o sorrir de cada dia é o que mais importa. Muito mesmo! Há um tempinho, quando conheci ela bela menina, confesso que tinha um outro olhar por ela. Ela chegava sempre afoita pelas escadas de nosso prédio, sempre falando alto. Lembro que Rafael Soares, o nosso Nike conhecido, me disse que por trás daquela menina mulher havia uma pessoa muito tímida, esforçada e com muitos sonhos.

A cada dia, alguns esporros necessários, eu via que ela estava mudando, estava ficando centrada, comportada. Nike sempre me falava que ela só precisava de oportunidades ou até mesmo um certo empurrão, para enxergar o que tinha pelo caminho dela. Talvez seja por isso que ele virou o chefinho para todos nós. Esse apelido foi Natália quem botou nele.

Sim, me emocionou muito e sempre me emociona cada gesto dela, cada ajuda, mesmo quando não pode. É bonito vê-la chegando de uniforme, pois não tem o dinheiro da passagem. Mas ela sempre está ali e pode crer nos colocando ordem.

Não consigo pensar o que seria de Natália se tivesse um vida mole, se um dia não tivesse entregado panfleto, se um dia não tivesse queimado a pele sob o sol escaldante dos dias em que passou segurando a bandeira dos lançamentos imobiliários da Barra da Tijuca.

Hoje ela é elogiada por Julio Ludemir, nosso chefão. É de dar orgulho pra qualquer um, e uma motivação enorme pra sermos melhores do que já somos.

Das ruas, dos papéis, do filho, das contas a pagar, e sempre um sorriso a sonhar, de uma balada curtir, e de um coração a sentir. Sou tua fã, muié!

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Um exemplo de garra

A história de Desirée Raian, de 18 anos, expressa muita garra e perseverança
por Débora

Foi sobre sua mãe, a faz-tudo Maria Andréa Maia, de 39 anos. Ela viveu um bom tempo na Itália, onde trabalhou como camareira até voltar para o Brasil, com o marido e a filha.

Maria Andréa resolveu investir em seu próprio negócio, abrindo um bar. Quando o bar fechou, a mãe de Desiree trabalhou por um curto período como segurança particular e, depois de fazer um curso de esteticista, trabalhou em uma casa de estética. Hoje, Maria Andréa trabalha em uma fábrica.

Apesar de tudo, ela não desiste do sonho de estudar história e se tornar professora. Devido a trajetória de garra e de luta, Maria Andréa é um exemplo para todos de que não devemos desistir de nossos "sonhos".

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O sonho de uma vida a gente não esquece

Na vida, enfrentamos vários obstáculos, que por muitas vezes acabam por nos afastar de nossos sonhos e objetivos futuros
por Desiree Raian

Na vida de Maria Andréa Maia, de 39 anos, não foi muito diferente. Andréa tinha um sonho: formar-se em história e ser professora. Esse sonho teve de ser adiado quando casou com Leonardo Teixeira e sua filha Desiree Raian. É que os três foram morar na Itália, onde ela trabalhou como camareira durante cerca de quatro anos.

A família voltou para o Brasil em 1996. Andréa e o marido decidiram abrir um bar, que durante três impediu que ela fizesse o sonhado curso de história. Quando o bar faliu, ela fez um curso profissionalizante de esteticista e durante um ano trabalhou em um consultório de estética. Ela também fez um curso de vigilante na Forbin. Exerceu essa profissão por um pouco mais de um ano.

Hoje, divorciada há quase cinco anos, Andréa trabalha há quase seis anos como embaladeira em uma fábrica. E apesar de tudo o que passou, o sonho de um dia tornar-se professora não morreu. "O sonho de uma vida agente não esquece."

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domingo, 16 de novembro de 2008

Falta de hábito
por Thiago André Barros

Edivilson Pinheiro, mais conhecido como “Edi”, tem 19 anos e mora na Cerâmica. Ele conta que são raros os casos de diálogo em sua família. “Eles só se falam para perguntar ou reclamar sobre algo”. E completa: “A minha família são os meus amigos. É onde tenho diálogo, conto sobre a minha vida e meus problemas”, desabafa.

Isso também fica visível para seus amigos. Um deles é Raphael Oliveira, que revela que, quando o Edi não está no computador, está na rua com os seus amigos. “Eu não sinto falta de conversar com a minha família. Talvez seja porque nunca tivemos esse hábito e acho difícil começar agora”, confessa Edi.

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Uma mãe que não castiga

Depois da morte da mãe, Jéssica encontrou na irmã mais velha uma nova mãe
por Tatiana Sant’Anna

Tudo mudou na vida de Jéssica Nunes, 16 anos, após a morte de sua mãe, há dois anos. O diálogo nunca mais foi o mesmo. Suas conversas mudariam de lado, sendo agora direcionadas a Debi, sua irmã mais velha, de 24 anos.

Dividindo a casa onde mora com os seus dois irmãos, as coisas se apertaram após o falecimento da mãe de Jéssica. A única forma que encontrou para a resolução dos seus problemas foram as conversas com a Debi. “Tudo fica difícil quando um parente querido morre, ainda mais se tratando da sua mãe”, conta.

A palavra chave em sua casa é cooperação, onde todos colaboram com as suas obrigações. Há pouco tempo, Jéssica começou a trabalhar em um Shopping, no centro de Nova Iguaçu. "Para ajudar nas contas de casa", justifica.

Preocupação das meninas
A preocupação das meninas é com o seu irmão mais novo, Leonardo, de 9 anos de idade. Jéssica admite que não sabe como conversar com ele: “O Leo já não tem mãe", pondera. "Por que vou ficar pegando no pé dele?” Já sua irmã mais velha prefere não poupá-lo de suas obrigações, principalmente na hora de estudar: “A Debi exige mesmo. Sempre conversa com o Léo, vai à escola e pergunta como está nos estudos. Ela está sendo uma ‘mãezona’”, afirma Jéssica.

Os parentes mais próximos ajudam como podem, amparando e estando sempre presentes na casa das meninas. Eles orientam principalmente quando o assunto é namoro. “Perdi uma mãe e ganhei várias", afirma Jéssica. "Mas nada substitui o meu amor por ela”.

Quando a mãe de Jéssica era viva, elas não conversavam muito. "Eu adorava ficar na rua brincando e mamãe trabalhava o dia todo", lembra. "O máximo da troca de palavras entre a gente era em frente à televisão." Hoje, a jovem acha essencial a troca de experiências na família e não perde oportunidade de dialogar com a irmã.

Conselho
Jéssica e Debi costumam sentar na calçada para ver o caçula da família brincar, e aproveitam para colocar o papo em dia: “Conselho. Essa é a palavra que resume as nossas conversas." Ela admite que evoluiu após todas essas perdas. "Não sou mais aquela garotinha que ficava na rua brincado e xingando palavrões. Amadureci muito."

A irmã mais velha ganhou o status de mãe para Jéssica, com a vantagem de não brigar e não colocá-la de castigo. "Ela sabe que hoje eu tenho muito mais responsabilidade e que temos que nos unir para criarmos o nosso menino”, diz Jéssica, referindo-se ao seu irmão mais novo.

O diálogo será necessário tanto para Jéssica quanto para os irmãos. "É com ele que a gente está superando a falta que mamãe faz."

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Família musical

Caio Gonçalves se compara a uma clave, que se modifica de acordo com a música
por Nathany Rozalino

Caio César Gonçalves tem 19 anos, mora no Bairro da Luz, é filho de pais separados e tem uma irmã mais velha. Nada de incomum, a não ser o relacionamento entre seus familiares.

Ele é o tipo do garoto incomum, que tem várias famílias. Não só a mãe e a irmã, com quem mora e o pai, com quem fala a cada duas semanas. Ele é “filho” dos pais de seus amigos também.

“Passo a maior parte do meu tempo livre com os meus amigos”, diz. Quando não está com os seus amigos, tocando violão ou falando de música, ele está em casa no MSN, que é sua maior fonte de comunicação. Assunto? Não falta! Mas o principal é a música, já que seus amigos curtem o mesmo estilo que prefere. Adora ir à casa de seus amigos: “Sou muito bem tratado”, conta.

Aparelhos eletrônicos atrapalham
Em casa, há um problema de horários. A família tem uma organização sobre quando cada um deve usar o computador, mas, para ver televisão, é uma guerra. O único lugar da casa onde a família se reúne é na sala, mas os aparelhos eletrônicos acabam atrapalhando o diálogo entre eles.

Caio conversa com sua mãe, Regina, principalmente quando o assunto é religião e com o seu cachorro: “Porque ele não me enche o saco, já que não responde!”, conta o jovem referindo-se ao seu animal de estimação. Já o membro da família com quem mais gosta de conversar é o seu pai, pois mora longe e só se falam por telefone ou e-mail.

Caio se compara a uma clave musical, pois a clave se modifica de acordo com a música que deve ser tocada. Assim como ele costuma fazer, adequando-se à família de seus amigos.

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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Diálogos


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Lutando para ser feliz
por Daniella dos Santos Vieira

Meu nome é Jéssica Lima, moro próximo ao centro de Nova Iguaçu, tenho 18 anos e uma enorme dificuldade de relacionamento familiar, pois meus pais, Rita e Zé Carlos, se separaram quando eu tinha 8 anos. O motivo da separação foi porque minha mãe se relacionou com outra pessoa e logo meu pai descobriu. Conseqüentemente ele resolveu se separar. Tendo 5 filhos com a minha mãe, depois que houve a separação, minha família se desestruturou totalmente. Éramos todos pequenos, precisando de atenção e carinho dos meus pais. Isso foi muito ruim para todos os irmãos e para o meu pai, que sofria noite e dia, sentindo falta de minha mãe, que logo arrumou uma casa e foi morar com outro homem.

Foi triste para todos e isso refletiu em nosso crescimento.

Com o passar do tempo meu pai começou a se relacionar com a minha atual madrasta, Iara, com que teve mais 3 filhos e atualmente moramos todos juntos, eu, meus irmãos e os filhos de minha madrasta (os 3 que nasceram). Eu gosto muito da minha família e da minha casa, só que as vezes é muito complicado, pois a minha madrasta só se importa com os filhos dela e isso me deixa muito triste, pois eu sinto muita falta da minha mãe. Sinto falta de carinho. Mas sinto muito mais falta ainda de conversar.

A minha família é de suma importância na minha vida! Sou feliz. Minha alegria poderia se completar se eu tivesse minha mãe ao meu lado. Mas mesmo assim eu tento ser uma jovem normal.

Sou alegre e feliz mesmo com as desavenças.
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Ligada nas coisas
por Adriane de Souza

Oi! Sou Rafaele Nunes, tenho 17 anos, moro em Cabuçu e tenho um diálogo muito bom com a minha família. Adoramos conversar sobre as notícias do mundo inteiro, geralmente reunidos na sala.

Acho que a tecnologia aproxima mais as pessoas, pois costumamos conversar com a TV ligada para ficarmos atentos as notícias veiculadas e isso nos beneficia. As vezes isso também pode prejudicar o diálogo entre a família. Mas não devemos deixar interferir.

Quanto ao telefone, acho que ele ajuda a aproximar os parentes que moram longe. O ruim, as vezes, são os trotes.

O outro acesso que nos trás benefícios é o computador, com dados atualizadissímos e muito bom, também, para conversar com amigos “online” (MSN). O lado ruim que pode acontecer é que esqueço das horas na Internet, e não sobra aquele tempo necessário para conversar com meus pais. Mas isso é muito raro.

Considero a tecnologia como um grande avanço, que favorece a todos, inclusive em trabalhos escolares, sem deixar a mídia impressa de lado, pois ela nos atualiza e nos exercita a leitura.

Quanto ao meu final de semana, gosto de assistir TV e ir a casa de minha tia.
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Família descontraída
por Paulo Nino

Sou Pedro Paulo dos Santos, tenho 14 anos, moro no K11, venho de uma família humilde daqui mesmo, de Nova Iguaçu. Meus pais são separados desde que eu era bebê. Moro com minha mãe e não tenho qualquer problema de relacionamento com meu pai, Carlos Roberto. Entre os dois quase não há contato.passei a não ligar para a ausência de meu pai, pois recebo todo o amor de minha mãe, a doméstica Maria dos Santos.

Eu e minha mãe conversamos sobre tudo: drogas, bebidas, sexo... essas coisas. Ela, ao contrário de muitas, tem a cabeça bem aberta para entender o mundo dos jovens. Ela está sempre atenta e pronta para explicar a mim as coisas do dia-a-dia.

- Minha mãe não é do tipo que fica ligando para mim o tempo todo, mas fica muito aborrecida se eu chegar depois das 22 horas em casa. Diz Pedro Paulo.

Ficamos quase o tempo todo juntos, principalmente nos finais de semana, os quais aproveitamos para assistir filmes em DVD. Assistimos e depois comentamos. - Na outra semana assistimos o mesmo filme várias vezes. Diz Pedro Paulo rindo.

Passamos os domingos inteiros juntos na igreja, onde arrumamos, ensaiamos e participamos em comunidade.

Na minha casa moram, ainda, minha irmã, Tatiane, e Maria Eduarda, minha sobrinha e o meu relacionamento com minha irmã é muito bom e nos falamos mais quando ela quer alguma coisa.

Estou na 9ª série e pretendo fazer o curso de técnico em informática.- Quando eu casar vou visitar minha mãe toda a semana! Diz Pedro Paulo olhando para a sua mãe, que faz modos de que não concorda com a idéia dele sair de casa um dia.
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Convivência harmoniosa
por Viviane Menezes

Gabrielli Gomes, a Gabi, tem 17 anos, é estudante, mora no Bairro da Luz e conta que vive muito bem com seus pais, principalmente com sua mãe, Tatiana, com quem dialoga.

– Converso bastante com minha mãe sobre a escola e vida amorosa. Diz Gabi.

Tatiana é doméstica, quando chega do trabalho vai logo dando atenção as filhas.

– Quando minha mãe chega, fico muito feliz. Costumamos nos reunir na sala ou no quarto para bater aquele papo. Diz.

Quando sua mãe está trabalhando, Gabi e sua irmã caçula matam a saudade pelo telefone. Ela diz a sua mãe a compreende muito bem, por isso conversa com ela constantemente. Quanto ao seu pai, Davi, não é a mesma coisa. Quando estão reunidos, conversam sobre a escola.

Gabi fala que não briga com os seus pais. As vezes, discute um pouco com sua mãe, por causa da escola, nunca por qualquer coisa. E fala: - É que eu sou um pouco rebelde. Mas a convivência é harmoniosa.
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Sem mudança de hábitos
por Jeniffer Viviane Braz Silva

Olá, sou Ingrid Braz, tenho 20 anos, moro em Cabuçu, na Estrada de Madureira.

Em nossa família não conversamos muito. Esses momento são raros e quando acontece, geralmente é na sala de minha casa.

Acho que a tecnologia as vezes aproxima. A TV nos mantém informados. Mas na maioria das vezes que quero conversar com os meus pais, eles ficam assistindo TV e não me dão atenção.

O telefone é muito bom para fazer contato com as pessoas que moram longe mas existe o lado ruim, que é quando alguém liga e me acorda, de manhã ou então pelos trotes.

Quanto ao computador o bom é o Orkut e o MSN e o ruim é quando invadem nossa privacidade e a tecnologia ainda não é satisfatória.

Não tenho o hábito de leitura e por isso não procuro a mídia impressa.Nos fins de semana faço curso pré-militar e vou a igreja.
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Mais que uma família
por Breno Marques

Ramon dos Santos tem 16 anos, é estudante, mora no bairro Califórnia, em Nova Iguaçu, tem uma boa relação com a família. Em sua casa mora ele, seu pai, sua mãe e seu irmão menor. No mesmo quintal. Na parte de cima, moram, seu irmão mais velho, sua esposa e filho. E ele conversa com todos do quintal, mas a afinidade maior é com sua mãe e seu pai, com quem diz conversar sobre tudo e tirar dúvidas sobre a vida. “o meu relacionamento com a minha família é bem liberal, nós não temos segredos um com o outro, temos uma amizade muito grande”. Diz. Já com o irmão, Ramon mantém uma relação normal, pois conheceu o irmão não tem mais que dois anos. Fruto de um casamento anterior. “com meu irmão não tenho muita intimidade até hoje, mas tento manter a relação de irmão sempre”. Diz.

A tecnologia sempre uniu Ramon e seus pais. O telefone celular é o grande veículo de comunicação deles. Cada um tem o seu. “na minha casa todo mundo tem celular, para sempre que um estiver na rua, o outro sabe onde encontrá-lo”. Diz Ramon feliz da vida pelo grande poder de comunicação da família.

Outro veículo de grande comunicação é a Internet, pois sua mãe e seu pai trabalham com empréstimos em consultoria. Facilitando o acesso ao MSN e Orkut.

Ramon tem contato maior com a sua mãe, Kátia, de 44 anos. Já seu pai, Romualdo, 46 anos, prefere manter a relação dentro de casa, onde se reúnem, sempre, na parte da noite, na sala. “Minha família sempre se junta de noite na sala, aí contamos como foi o dia de cada um. Sempre fazemos isso”. Diz Ramon afirmando que a família mantém um bom relacionamento.

Aos domingos a família Rocha sempre se junta no quintal, e quando podem, fazem um churrasco. “Nós nos reunimos aos domingos sempre, às vezes vem meus primos e tios mais próximos”. Relata Ramon sobre a união de todos aos domingos. As discussões são comuns entre as famílias, ali começam e ali acabam, sem seqüelas.

Ramon joga vôlei pelo Colégio Iguaçuano e é apoiado pela família. “Minha mãe e meu pai me apóiam bastante. Meu sonho é conseguir fazer meu jogo virar profissional”. Diz também que a única “briguinha” do casal é em relação ao futuro, pois a mãe quer que ele faça faculdade e trabalhe. Já se pai quer que ele sirva ao exército, pois o irmão seguiu carreira. Mas ele quer mesmo é fazer educação física. Ramom diz isso rindo descontraidamente.
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Aceitando as coisas como elas são
por Marcos Vinícius Lima

Diego Carlos Galdeano, 18 anos, morador do Bairro da Prata, tem uma vida tranqüila. Ele mora com a mãe e o irmão. O pai é separado da mãe e vive com mais dois irmãos, por parte do pai, um menino e uma menina. O pai vive com uma mulher que Diego não gosta. Eles ainda não se casaram, mas o casamento está próximo.

Diego se dá bem com os irmãos. Com todos eles, pois costuma ver o pai em alguns finais de semana.

O dia que ele fica mais junto de sua família. Com a mãe e o irmão.é no sábado e, as vezes, passa o sábado na casa do pai, com seus outros irmãos, mas sem a presença da mãe deles.

Diego trabalha em uma lan house e estuda de manhã. Ele gosta de trabalhar, mas não pretende ficar muito tempo. O sonho dele e ser biólogo.

A tecnologia ajuda na comunicação com o pai. Através do telefone celular, mesmo com a distância, não perde o contato. As vezes, com a mãe e o irmão, tiram um tempo para assistirem filmes na TV a cabo.Diego sofreu muito com a separação, mas ultimamente tem levado bem a vida e aceitado as coisas como são.
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A receita da Boa comunicação

Jovens reporteres escrevem sobre encontros e desencontros familiares
por Gesseca de Lourdes, Vanessa Paes, Patrícia Toledo, Jeissiane Caetano, Jéssica Aureliano, Jéssica Guimarães, Letícia da Rocha e Jéssica Gomes

A confiança é primordial para se ter uma boa comunicação com a família. É o que diz a adolescente Thamires do Nascimento, 17, moradora de Nova Iguaçu. Sua família é formada por três pessoas: sua irmã, Ester do Nascimento, 12, sua mãe, Luiza do Nascimento, 48, e ela. Para ela, conversar com sua mãe significa muito.

“A pessoa com quem mais converso em casa é a minha mãe. Costumamos conversar, na sala da minha casa, sobre diversos assuntos, principalmente sobre religião.”

A base do relacionamento entre Thamires e sua mãe está na amizade e no respeito entre elas. Segundo a jovem, esse tipo relação vale ouro. "Minha mãe é mais sábia, compreende melhor as coisas e tem mais conhecimento para me passar. Tudo que ela me ensina, trago para minha vida. Ela me auxilia em tudo, até mesmo na escolha da minha profissão", revela a jovem.

Thamires confessa que viver sem sua mãe seria um caos, pois ela depende muito do apoio e do bate papo diário com sua mãe para tomar suas decisões e evitar decepções futuras. Para isso, ninguém melhor do que a própria mãe.

"Eu me sentiria confusa sem a opinião da minha mãe. Ficaria desorientada. Eu iria começar a fazer muitas coisas erradas não tendo a ajuda dela. Poderia fazer as piores coisas possíveis, que é o normal de todo adolescente, por isso que sempre cito aquele ditado: o inteligente aprende com os próprios erros. O sábio aprende com os erros dos inteligentes. Minha mãe é muito sábia e quero me tornar sábia também", declara a filha coruja.

Ao contrário de Thamires, a adolescente Jaqueline Fernandes,17, afirma que gosta de todas as pessoas da sua família, mas confessa que não se dá muito bem com seu pai. E não tem diálogo. Essa jovem moradora de Mesquita vive junto com seus pais e seus dois irmãos, Juliana Fernandes e Diego Fernandes. "Gosto muito de todos, mas não me dou bem com meu pai e não temos diálogo, pois ele é ignorante e fechado.”

O sonho de Jaqueline é que tudo fosse diferente para que houvesse um elo entre todos seus familiares, acabando com as diferenças. "Família para mim tem que ser unida, ter diálogo, companheirismo. É poder contar com seus familiares e, principalmente, ter respeito e amor por cada um", diz.

Jaqueline, assim como Thamires, acha importante a presença e o bate-papo em família, mas infelizmente isso não acontece com sua. Ela sente multa falta dessa ligação entre pais e filhos. “Para família ser unida é preciso haver companheirismo, confiança e diálogo, além de respeito e paciência uns com os outros”, finaliza.

O Dia-a-dia
Por mais importante que seja o dialogo entre os familiares, a jornada de trabalho imposta pela sociedade atual acaba dificultando esses momentos entre família. É o que acontece com a operadora de telemarketing Elaine de Paula, 25 anos, moradora do bairro Palhada.

"A minha vida é bem corrida, não tenho filhos, moro com minha avó Maria de Lourdes e o meu pai Antonio Carlos. Trabalho de segunda a segunda, e quando tenho folga, mal fico em casa, pois tenho compromisso com a igreja que freqüento. Por conta disso, o diálogo lá em casa é rápido, muitas vezes despercebido. Mas me relaciono bem com os meus familiares”, confessa a jovem.

Diferente de Elaine, a cabeleireira Rosimary da Silva Pimentel, 37 anos, sempre encontra um tempinho para conversar com seus quatro filhos. Em sua casa, no bairro Jd. Palmares, sempre rola a intitulada "cúpula do au-au". Trata-se de um momento onde cada um de seus filhos pode dizer o que pensam e sentem. "Todos se ouvem numa boa”, diz a cabeleireira.

Geralmente, esse diálogo acontece na sala, sempre à noite, entre 20h e 22h. "São discutidas reclamações diárias, brigas que acontecem entre irmãos e etc.”, revela.

"No início, meus filhos não gostavam muito desta reunião, porém a tornei divertida. Com o tempo, todos se acostumaram, pois é um momento de soltar os cachorros", explica. .

A tecnologia na vida familiar
Embora algumas famílias não consigam manter a freqüência dos diálogos entre si pelos mais diversos motivos, outras famílias procuram manter contato, mesmo que indireto, com seus filhos, maridos e esposas. Para isso, essas famílias se utilizam dos meios de comunicação para estabelecer contatos. Veículos como a Internet, o rádio, a televisão e o telefone, são os mais utilizados na hora de aproximando ou afastando dos parentes que mais gostam. "Toda noite, a gente vai para sala e fica na frente da TV, vendo novela", diz a jovem Aline Farias, de 18 anos.

A Internet também tem sido um meio muito procurado para trocar mensagens ou até mesmo conversar, em tempo real, com amigos e parentes queridos. Mauro Vaz, pai de duas filhas que moram em São Paulo, usa ferramentas como MSN (conversa on-line), orkut e WEB CAM (câmera) para não perder o contato com elas.

"Eu acordo todo dia às cinco da manhã, ligo o computador e abro meu orkut para ver os recados que elas me mandaram”, afirma. “Todo domingo entre as 9h e 10h da manhã eu ligo para elas. Quando eu não ligo, elas me ligam", continua.

A Internet também aproximou o animador cultural Carlos Jocarbas, 39 anos, de suas filhas, mas de uma forma diferente. "Eu fico preocupado com o que elas podem estar vendo nesses sites, então, fico sempre por perto acompanhando. Quero saber o que elas mexem e com quem conversam. Isso me faz passar mais tempo junto delas", diz.

Dentro de uma sociedade onde os valores familiares parecem estar se perdendo e os conceitos de reunião familiar se modificando, tornando-se cada vez mais esporádicos, as tecnologias da comunicação muitas vezes cumprem o papel de reverter esse quadro. A tesoureira Cleide Márcia, 36 anos, conta que morava no interior de Minas, em um sítio onde não havia energia elétrica. Segundo ela, o radinho a pilha fazia com que todos se reunissem. "À noite, nos ouvíamos rádio e conversamos. Mas meus pais não tinham tanto diálogo comigo e meus irmãos como eu tenho com os meus filhos hoje".

Outro meio de comunicação muito utilizado atualmente é o telefone celular. Ele é visto pela auxiliar de tesouraria, Roberta Galvão, 28 anos, como uma ferramenta de segurança, porque com ele, ela mantém contato com sua filha Caroline. "Eu uso o telefone para saber como a Carol está", confirma.

Embora esses exemplos mostrem como as tecnologias da comunicação aproximam as pessoas, há quem discorde e afirme que, em alguns casos, ela pode acabar atrapalhando a relação em família. Da mesma forma que os familiares se reúnem para ver TV ou ouvir rádio, eles podem se afastar para fazer os mesmos caso tenham gostos diferentes. Com isso, o mesmo aparelho que traz benefícios pode virar o vilão da história.

"Lá em casa, quando meu pai se senta para ver televisão, ele não ouve mais ninguém. Ele se desliga de tudo e presta atenção somente no que está vendo”, conta Cristina Ribeiro Costa, ilustrando a discórdia.

Já no caso da jovem Aline Farias, a Internet que é responsável pelo seu afastamento da família. "Quando entro na Internet, esqueço de tudo e de todos, porque é o espaço onde posso fazer as minhas coisas sem meus pais. Posso falar com meus amigos com total liberdade", sentencia.

O rádio já se tornou motivo de briga na casa de Cleide Márcia Gomes. "O rádio separa todo mundo lá em casa, porque cada um ouve um tipo de música. Enquanto um está ouvindo uma coisa, o outro ouve outra. Às vezes acontece até briga", conta.

Na casa de Roberta Galvão, 28 anos, o telefone celular já gerou desentendimento entre ela e seu marido. "Eu quebrei o telefone do Edson quando ele chegou em casa depois de eu ter ligado diversas vezes para celular dele. Ele não atendeu", lembra.

Enquanto as tecnologias da comunicação ajudam para uns, para outros ela pode acabar dificultando o entendimento familiar.

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