sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Hus-manos

Oficina G3 fez show na Baixada
Por Daniel Santos

A banda paulista, Oficina G3 se apresentou mais uma vez na Baixada. O show, que já era bastante esperado, aconteceu no dia 18 de outubro, no ginásio do colégio Abeu, em Belford Roxo. Em nova turnê, a banda despertou o ânimo dos fãs presentes com o desempenho do novo vocalista Mauro Henrique. O nome do novo CD da banda é "Depois da guerra". Trata-se de um relato de todas as batalhas vencidas pela banda durante os 21 anos de trajetória.

Cerca de duas mil pessoas circulavam na quadra onde o show foi realizado. Ao redor do local, não parava de surgir gente de todos os cantos, de todas as tribos e de seguimentos religiosos diferentes.

Formado em sua grande maioria por jovens, o público do evento assistiu ao sorteio de um violão autografado por Juninho Afram antes de o show começar. Pelo menos três bandas, todas elas gospel, abriram o show. Embora a galera tenha curtido o som dessas bandas, ninguém escondia a ansiedade para o início da atração principal. De repente, um grito de guerra toma conta do ginásio. Era a clássica saudação: "Oh, oficina! Cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!"

Parecia que o público estava adivinhando, pois, poucos minutos depois, eis que os "manos", como são chamados carinhosamente, sobem ao palco. Belford Roxo foi ao delírio. O show começou com muito rock e agito, fazendo a galera disputar cada espaço para ficar mais próximo dos caras. Como o publico ainda não sabia cantar as músicas novas, só restaram as opções de muitos flashs em direção ao palco e pulos para todos os lados. Dentre as músicas, algumas inéditas foram tocadas, como "Eu sou" e "Continuar", ambas do novo álbum. As músicas dos álbuns passados também foram tocadas, como "Razão", "Valéria", "Perfeito amor", "O tempo" "Te escolhi", "Eu, Lázaro" e "Indiferença".

Por ser uma banda evangélica, os integrantes procuram passar mensagens a respeito do que vivenciam para o público. "Todo negativismo do mundo pode ser transformado se nós nos unirmos e vivermos os ensinamentos de cristo", disse o mensageiro e guitarrista Juninho Afram.

Provando que não são conhecidos à toa, os caras do G3 retomaram o show com mais atitude e agito. O integrante Duca Tambasco era o que mais zoava na noite. Ele foi até a galera e fez um solo de baixo que, no início, lembrava músicas de desenhos animados, como Pantera Cor de Rosa e os Simpson. Mas de repente o solo de Duca se transformou em algo distorcido, fazendo tremer as estruturas do colégio Abeu.

O público saiu satisfeito com o show. A música "Até quando", mais conhecida como "Humanos", foi pedida aos gritos pelos fãs, mas parece que ela não estava no repertório. Para descontrair, Mauro Henrique, o novo vocalista, brincou com a situação. "O (tecladista) Jean Carllos (que canta a parte mais agressiva da música) está rouco." Continuando a brincadeira, a banda tocou uma versão dessa música no estilo reggae, tornando a noite ainda mais divertida. Mas logo a brincadeira acabou e os manos executaram o hit da banda na sua versão original e pesada, fechando a noite com chave de ouro.

Depois do show, os caras ainda ficaram mais de meia hora em cima do palco, dando autógrafos e jogando paletas e banquetas para a galera. Em seguida, a banda foi para o camarim, sendo seguida por muitos fãs. Alguns tiveram acesso, podendo ficar bem próximos dos músicos. Quando a banda deixou o ginásio, uma multidão de jovens correu atrás do ônibus que transporta o grupo. Era a hora da despedida.

Saiba Mais Sobre a Banda:
dang3fan.blogspot.com
www.oficinag3.com.br

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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A nossa ombudsman

Primeira pesquisa da nova secretária adjunta de Cultura é com os jovens repórteres. E eles mostraram nossos erros e acertos
Por Alcyr Cavalcanti

A antropóloga paulista Marcella Camargo, nova secretária adjunta de cultura e turismo, realizou uma pesquisa com um pequeno grupo formado por seis jovens da Escola Agência de Comunicação da Secretaria de Cultura de Nova Iguaçu. O objetivo primordial foi entender os fatores que podem motivar, ou desmotivar, a participação nos programas Jovem Repórter e Minha Rua Tem História. Os entrevistados, quatro meninos e duas meninas, tinham a idade entre 18 e 22 anos.

O grupo foi formado espontaneamente entre os 180 jovens que participam do projeto. Os jovens estavam presentes na sede da Agência Escola, e foram sensíveis ao apelo. Para Marcella, a pesquisa não deve ser considerada como pesquisa detalhada, e densamente elaborada, mas seus resultados podem ajudar em um reflexão sobre as ações envolvendo a juventude de Nova Iguaçu.

Para eles, o mais importante foi ter sido oferecida uma oportunidade de profissionalização na área da comunicação, em especial no jornalismo, seja na atividade de repórter, repórter fotográfico ou na produção. A prática jornalística no dia-a-dia foi também um fator importante, pois aprenderam a conhecer melhor as diversas nuances de Nova Iguaçu, através de vários enfoques, passando a compreender e valorizar as diferenças entre os diversos moradores dos dezessete sub-bairros indicados. A integração em grupos foi também fator determinante, na feitura de novas amizades e um melhor reconhecimento do “outro”.

Os dois lados da moeda
Diversos pontos foram destacados positiva e negativamente, na abordagem. Entre os pontos positivos, os mais importantes foram o aprendizado de uma profissão, o conhecimento técnico e cultural, e a união pelo companheirismo, fazendo e consolidando amizades. Eles também passaram a valorizar a sua cidade, através do conhecimento de seus bairros. A diversidade de costumes, advindo da rápida urbanização, também foi um dado novo para os jovens entrevistados. Outro aspecto citado foi o embasamento teórico proporcionado pelo curso da ESPOCC, ministrado pelo Observatório de Favelas.

Na verdade, o aspecto emocional foi de suma importância, através do companheirismo, do compromisso, da vontade em fazer, o desejo em superar as dificuldades que se apresentaram no decorrer do percurso. No auxílio mútuo, foram transpondo as barreiras, uma a uma, conduzindo a um bom resultado final.

As dificuldades do percurso
A falta de recursos materiais para efetuar tarefas a contento, além de dificuldades financeiras para as demandas, foi o item mais assinalado, a par de promessas feitas e não cumpridas. Se queixam do não reconhecimento oficial, por parte do poder público, quando as tarefas são realizadas. Alguns se sentiram desrespeitados, tanto na relação jovem-jovem, quanto na relação de jovens com adultos. Reclamaram também de premiações que não aconteceram, e da pouca divulgação, além da não publicação de muitos trabalhos efetuados.

A ociosidade também foi fator muito citado. As tarefas não eram distribuídas no dia-a-dia, as poucas apresentadas eram dirigidas sempre às mesmas pessoas, reconhecendo também a falta de responsabilidade por parte de vários jovens.

Nem só de lamúrias e lamentações foi a amostragem. Sugestões foram apresentadas para que possa haver um aprimoramento do projeto: investir em ações que possam unir os grupos jovens/jovens, e jovens/coordenadores. Não prometer o que não puderem cumprir para não estimular falsas expectativas, investir e acreditar mais nos jovens pela motivação, investindo em novos e melhores recursos e principalmente ter muita paciência.

Os jovens querem ser reconhecidos como parte importante no projeto

“Os jovens querem ser reconhecidos como parte importante da Secretaria de Cultura, estando sempre integrados no processo, afirma a antropóloga Marcella Camargo. Eles também se sentem como profissionais mirins, minijornalistas, com direito a reivindicar melhores condições de salário e trabalho. Dentro da agência, eles estão em processo de aprendizagem, mas, na rua, se sentem e agem como profissionais da notícia. Isto é muito gratificante.”

Um dos jovens assim se expressou: “Quando falamos que somos repórteres, as pessoas acham que ganhamos muito dinheiro, mas não temos dinheiro para pagar as passagens para a cobertura das matérias pautadas, nem credenciais para provar quem somos (profissionalmente) e assim termos acesso a locais e eventos que deveriam ser cobertos por nós. Assim fica difícil.”

Opinião de um jovem
Evio Nobre Belarmino tem 18 anos e participa do grupo há um ano. Acha muito interessante a aprendizagem obtida ao longo dos meses em que está na Agência, em um trabalho do ponto de vista da comunicação. Durante o projeto “Minha rua tem história” fez um grande sacrifício, pois mora em Miguel Couto e tinha que se dirigir a uma escola no Jardim Pernambuco. Tinha de pegar duas conduções a cada vez que ia de um local a outro, mas diz que valeu a pena.

“Achei interessante o processo de integração na dinâmica de grupo. No início era um pouco tímido, mas aos poucos fui me soltando. Nem sabia fazer entrevista, ficava nervoso, suava frio. Agora é uma coisa normal. Tiro de letra. Acho que a ajuda de R$150,00 é muito pouco, principalmente por termos de fazer várias funções, como apurar, escrever, entrevistar e até fotografar. Poderia ser melhor planejado. Vi também pouca comunicação entre as pessoas da Agência, o que perece uma contradição, visto que é uma agência de comunicação”, diz Evio.

Ele também pede para mudar o dia das reuniões no final de semana. Aos domingos, a despesa fica muito grande, pois o ônibus não aceita passe livre nesses dias. Sugere uma ajuda de custo maior.

A pesquisa concluiu que os pontos positivos superam em muito a parte negativa, principalmente pela participação dos jovens como parte integrante do processo de construção de uma nova era em Nova Iguaçu. A integração dos jovens com outros jovens em um espírito solidário irá formar grupos onde o sentido coletivo da solidariedade e do companheirismo, do respeito ao “outro” irá construindo uma sociedade mais fraterna, e mais integrada.

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Cambada de mídias novas

Jovens da Escola Agência de Comunicação definem estratégias até abril de 2009
Por Bruno Marinho

Uma cambada de 113 jovens intrometidos se reuniram na manhã do último domingo, no teatro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro. Eles trocaram a missa ou a praia para discutir as estratégias de trabalho da Escola Agência de Comunicação de agora até abril de 2009, para quando está prevista uma cobertura modelo do II Iguacine. Essas estratégias foram formuladas articuladas em conjunto com o secretário de Cultura Marcus Vinícius Faustini, o escritor Júlio Ludemir e a antropóloga Marcella Camargo.

No início da reunião, Faustini destacou a importância do nosso trabalho e nos motivou com os exemplos de força, garra e dedicação que o fizeram deixar a condição de moleque do Cezarão, miserável conjunto habitacional da Zona Oeste do Rio de Janeiro, para se tornar cineasta e secretário de Cultura de Nova Iguaçu. O passaporte que utilizou para fazer esta travessia foi a leitura. "Para eu convencer os atores a trabalharem comigo, eu decidi saber tudo sobre o teatro brasileiro e lia uma peça por dia", lembrou.

Investimento da Prefeitura
Seguindo a mesma linha de raciocício, Julio Ludemir destacou as histórias de superação do designer Geferson Coutinho, do jornalista Anderson Fat e do músico Rafael Nike, além de suas próprias. "Antes eu era contra fazermos o uso de nossas histórias com vocês, mas percebi que isso é necessário para entenderem que não só vocês que têm problemas", afirmou o escritor. Ele também falou sobre a ajuda de custo que os jovens recebem, que em sua maioria a encaram como um salário. "Essa bolsa não é um salário, mas um investimentos da Prefeitura em vocês", disse Ludemir. "Vocês recebem para fazer algo que muitos jovens da Zona Sul pagariam para fazer." A idéia desta "aula" inicial foi despertar os jovens para as oportunidades que escancaravam em sua frente, que muitos deles nem se dão conta.

Em seguida, Faustini e Ludemir discutiram o encontro nacional de jovens comunicadores do II IguaCine. Neste encontro, nós, os jovens repórteres de Nova Iguaçu, faremos uma revolução na comunicação municipal para mostrar a todo o Brasil que se pode informar a população de forma criativa, eficaz e inusitada. Para isso, Marcus Faustini, Julio Ludemir, Marcella Camargo e a equipe editorial da Escola Agência de Comunicação desenvolveram três projetos: um jornalístico, um de pesquisa e um outro de novas mídias.

O grupo de jornalismo irá trabalhar com os blogs dentro do site do Bairro Escola, como o "Jovem repórter", o "Minha rua tem história" e o "Preceptor subjetivo". O grupo de pesquisa, liderado pela antropóloga paulista Marcella Camargo, irá realizar um trabalho de levantamento de dados, construção de conhecimento e, por fim, o perfil do povo iguaçuano. A nova secretária adjunta de Cultura e Turismo também ressaltou sua história de luta, iniciada na periferia paulista, até se formar em antropologia pela USP. "Mas eu não vou conseguir nada sem o empenho de vocês", disse. O terceiro grupo, liderado por Faustini, idealizará novas mídias para veicular as matérias feitas pelos jornalistas e pesquisadores. "Esse desenvolverá meios criativos de informar a população", disse Faustini. Um meio sugerido foi o jornal no ônibus, onde uma pessoa sentaria do lado de outro passageiro para lhe contar uma notícia. Outro foi o uso de megafones no calçadão.

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Arte nas veias

Jovem repórter narra suas peripécias em São Paulo, onde acompanhou o projeto Antídoto
Por Tatiana Sant’Anna* Revisão de Texto: Viviane Menezes.

No penúltimo dia em São Paulo, fomos visitar o Centro Cultural Pombas Urbanas, na cidade de Tiradentes. O convite foi feito por nosso querido amigo Diego Rojas, que trabalha lá. Para quem não conhecia São Paulo, a viagem até Tiradentes foi surpreendente, em meio aos carros e “arranha-céus” que nos cercavam.

Risos, troca de experiências, tudo era novo para aquela que nunca tinha saído do mundinho que a cercava: eu. A equipe, formada por pessoas de diferentes lugares, com outras culturas e formas de pensar, se unia e chegava ao pensamento comum quando o papo era música. Essa sim é uma forma de unir gerações e gerações...

Pelo caminho, a grande São Paulo não era tão diferente da minha Nova Iguaçu - aliás, os grafites que a enfeitavam era o colorido em meio às nuvens cinzentas, formadas pelos velozes carros que passavam de um lado para o outro. O grafite era um aspecto que me fazia lembrar da minha cidade maravilhosa. Não eram tão diferentes assim.

Os altos prédios na entrada do local nos davam as boas-vindas. Foram exatamente 40 minutos até a cidade de Tiradentes debaixo de um sol de 30° graus. A ansiedade de conhecer o trabalho de Diego Rojas e o Pombas Urbanas era maior do que a distância de 42 KM que separa Tiradentes de São Paulo.

Artistas para a vida
Um enorme galpão de 1.600 m², que abriga o centro cultural, promove desde 2004 o acesso à população local à arte e à cultura. Oferece cursos gratuitos de teatro, circo, artes plásticas, dança de salão, música e informática para crianças, jovens e adultos.

Quando saltamos da van, nossa atenção se voltou para a biblioteca comunitária Milton José Assumpção. Magnífica! Raridades podem ser encontradas naquela biblioteca. Raridades doadas pela própria população.

Criado por Lino Rojas, o Pombas Urbanas comemora, em 2008, dezenove anos de processo artístico que envolve os jovens da periferia de São Paulo.

Também tivemos a oportunidade de assistir a uma peça teatral. A peça, que tratava de questões que envolviam a moralidade da pessoa, o respeito mútuo e a valorização da vida, foi um verdadeiro cartão-postal do Pombas Urbanas. E uma ótima forma de comemorar os 19 anos de abordagens questões sociais que afligem a nossa sociedade.

É importante saber que a preocupação com o próximo não está tão longe da nossa realidade, que os nossos jovens podem sim, apreciar o que a arte tem a oferecer a eles e que não falta cultura no nosso país. Também é interessante ressaltar que a minha cultura não está tão distante da deles e que nós podemos sim, construir um futuro melhor.

São Paulo pode até ser a cidade dos arranha-céus... Dos carrões... Mas também é a cidade onde as “culturas” se encontram e as diferenças montam a idéia de que o antídoto para o mundo, é a arte na veia.

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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Frutos da paixão














Vendedor de doces usa de simpatia, charme
e criatividade para atrair clientela

Por Letícia da Rocha
Imagens de Giselle Reis

Conhecido pelo carisma e pela forma irreverente de vender seu doces, Walace Celestino da Silva desenvolve uma nova técnica que chama a atenção dos seu clientes. Há 8 anos começou seu trabalho e hoje é o único que possui as receitas do que vende. Já propuseram até R$ 1 mil para que disponibilizasse uma delas. Seu cardápio abrange 94 itens.

Especialista em caramelados, ele começou sua história graças a uma amiga, que vendia doce de coco numa época de vacas magras. "Quando ela entrou na minha sala, propus que trabalhássemos juntos", lembra Walace. Sua proposta consistia em revender a produção da amiga, mas a resposta dela foi muito melhor do que podia imaginar. "Como ela estava cansada de vender doces, ela me deu a receita depois de me aconselhar a orar."

Walace começou no colégio Jardim Alvorada, onde a diretora permitia que ele fizesse seu trabalho dentro da escola. "Minha primeira venda foi no dia dos namorados", lembra ele. Foi um Queen, um doce de flocos coloridos que ele batizou mesmo sem saber o significado da palavra. "Foi um menino que me disse que queen significava rainha." A resposta do vendedor foi altamente convicente. "Leve um pra sua rainha, para a princesa do seu lar."

Identidade do doceLoja de doces
O trabalho de Walace já foi reconhecido pela mídia, como se pode perceber pelo recorte do jornal O Dia sempre presente no tabuleiro. Mas o reconhecimento público não é suficiente para que evite algumas decepções. "Uma vez me fizeram uma encomenda de 300 doces, mas, quando fui levar, a pessoa resolveu não pagar o combinado." Ele precisou recorrer aos parentes para continuar produzindo.

Já fizeram diversas propostas de associação a Walace, que recusou todas elas. Ele só vai aceitá-las na hora de ele realizar o grande sonho de sua vida. "Quero abrir uma loja de doces", ousa. Mas tem clareza que ainda não foi chegada sua hora. Mas ele espera com paciência. E um enorme sorriso no rosto.

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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Agora é pra valer

Reunião com secretário de Cultura define os rumos da Escola Agência de Comunicação
Por Alcyr Cavalcanti

O dia da decisão começou cedo. Agora é pra valer. Nove horas da manhã do domingo dia 26 de outubro, no Espaço Cultural Sylvio Monteiro. Muitos jovens aguardavam com ansiedade as instruções e estratégias de mais uma etapa - a continuação da história das ruas de Nova Iguaçu.

A cultura não pode parar, e o “homem do movimento” (no bom sentido) estava no lugar certo. Marcus Vinicius Faustini deu a partida ao jogo da vida de mais de uma centena de jovens de olhos bem abertos e ouvidos bem atentos. Nenhuma palavra foi perdida. Atentamente, eles seguiam as idéias do secretário de Cultura, que brotavam sem cessar. Afinal se tudo se move, Faustini eletricidade pura, se move sem parar.

Idéias vão se transformar em ação
“As idéias vão se transformar em ação. Vamos fazer pesquisas para aplicá-las, nossa meta é que tudo esteja concretizado em abril de 2009, para isso começaremos já”, afirma Faustini. Alguns retardatários vão chegando, Faustini cumprimenta a cada um, num sentido de advertência. Com ele horários devem ser cumpridos à risca.

São 113 jovens, esperando onde se colocar para colaborar na nova e árdua fase de um projeto único, em terra brasilis. Serão três grupos inter-relacionados em uma teia de forte densidade: um grupo de criação, um grupo de pesquisas e um grupo de mídia. O de criação será coordenado pelo próprio secretário. O de pesquisas pela antropóloga Marcella Camargo. O terceiro grupo, coordenado pelo jornalista e escritor Julio Ludemir, irá veicular o noticiário de Nova Iguaçu sob um novo olhar, a partir de páginas virtuais.

A análise qualitativa, método usado em ciências sociais, vai ser aplicado pelo grupo coordenado por Marcela e seus 37 jovens, visando a construção de políticas públicas definidas. A experiência está em fase inicial, já tendo sido feito na Escola Britânica.

Para Faustini, os jovens vão participar ativamente do processo de criação, e fala de sua trajetória de menino humilde morador da Baixada Fluminense até se tornar secretário de governo. “O que mais fiz foi vender o meu discurso, as minhas idéias, por isso estou aqui compartilhando. Vocês jovens é que têm que criar a partir de sua realidade, através de estratégias de sobrevivência.”

Faustini tem a seu lado dois irmãos - Cláudio de 16 anos e Vitor de 18 anos. Os dois vão servir como modelo, e sugere para dinamizar o grupo, a simulação de um salão de cabeleireiro.Um jovem e uma jovem se dispõem a colaborar. Para animar, a dupla Claudio e Vitor improvisam um rap contando sua história. Nike é chamado para improvisar versos tendo como tema a Praça 13 de Maio, esquecida através dos tempos. O auditório vai ao delírio, todos aplaudem. Faustini enfatiza o poder da comédia, uma arte nobre, citando Henri Bérgson e uma de suas obras: "O Riso, um Ensaio sobre a Significação da Comicidade”.

As formas de comunicação deverão ser criativas, feitas de diversas maneiras, em postes, bancas de jornal, alto-falantes, para divulgar da melhor forma tudo que foi e que será feito de agora em diante. “Teremos de ter formas criativas para noticiar nossa cidade, em nosso blog, em nosso jornal. Será uma notícia única” diz Faustini.

Notícia única

Julio Ludemir, responsável pelo noticiário, enaltece o trabalho da secretaria, ressaltando a história de vida não só do secretario, mas também de vários membros da equipe. “Faustini não nasceu secretário de Cultura. Passou por muitas dificuldades até chegar aonde chegou. Vocês devem se mirar em seu exemplo. É possível chegar lá. A nossa estratégia analisa dificuldades e superações, abrindo novas frentes de trabalho, participando de um programa único que vai colocar Nova Iguaçu em definitivo, em um lugar na história. Vocês devem acreditar no projeto, ter desejo, trabalhar com tesão. Somos sujeitos, e não objetos de manobra, em verdade intelectuais orgânicos à maneira de Gramsci”, diz Ludemir.

Marcella é antropóloga e veio da USP, já tendo feito um trabalho no Morro do Chapéu Mangueira, no Leme, zona sul do Rio. “Vamos dar aos jovens ferramentas para eles pensarem a realidade, e começarmos a indicar soluções para os problemas locais. As pesquisas serão feitas por nós, pelo nosso grupo. Os jovens vão aprender a ouvir e analisar as diferenças”, enfatizou Marcela.

Faustini pede a união de todos para 2009, para que a construção fique muito sólida, passo a passo, tijolo por tijolo, e finaliza: “A única coisa que não pode ser roubada são nossas idéias, aquilo que está dentro de nossa cabeça. Nosso patrimônio são nossas idéias. Agora é pra valer”.

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Fim anunciado

Quarta-Feira, dia 15 de Outubro, nós, jovens da Escola Agência de Comunicação, fomos a assistir à pré-estréia do filme “Última parada 174.

O filme conta a história de um jovem de nome Sandro, que sobreviveu não só à chacina da Candelária, mas também às dificuldades dos moradores de rua. Daí em diante passou por experiências, alegrias, tristezas, paixões e aventuras, terminando sua vida de modo trágico e precoce no dia 12 de junho do ano da graça de 2000.

Sandro, depois de ter passado por tantas situações, teve um fim anunciado. O filme emocionou a galera que estava no cinema. Uns chegaram a derramar muitas lágrimas. Mas houve também os momentos de descontração, acompanhados de boas risadas.

A pré-estréia contou com a presença dos atores e do diretor do filme, Bruno Barreto, que foram muito simpáticos e falaram um pouco sobre o filme.

A galera estava bem curiosa para saber como tinham sido feitas as cenas fortes, principalmente as de sexo, e deixaram a atriz Gabriela um pouco constrangida.

No final, os atores e o diretor, atendendo a pedidos, pararam para tirar fotos com a galera. O filme tinha muitas cenas fortes, que algumas pessoas acharam exageradas. Na verdade, o filme relata apenas uma triste realidade, não só do Rio de Janeiro, mas de muitos outros lugares.

Espero que o filme seja um sucesso e podem ter certeza que a galera da Escola Agência de Comunicação não vai esquecer essa experiência. Ficará sempre em nossa lembrança.

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Recordar é viver

Muitos eleitores já esqueceram os vereadores em que votaram
Por Flávia Ferreira

Um dia depois do segundo turno das eleições municipais, muita gente já esqueceu os políticos em que votou. As razões para isso são muitas. Alguns eleitores estão decepcionados com a política. Outros ainda muito ocupados com a construção do seu futuro e não têm tempo para escolher os melhores candidatos. Estão no campo da exceção aqueles que sabem tanto o nome quanto a razão para depositar o seu voto em determinado vereador.

O designer Jack Junior, apesar da natural esperança de um jovem de 19 anos, acha errada a sua indiferença diante das eleições. Mas deixa para os próprios políticos e os jornalistas a tarefa de reverter o quadro atual. "Sinceramente, não gosto de política, mesmo sabendo que é errado pensar assim.” Parte da desilusão de Jack se deve à obrigatoriedade do voto. “Não gosto de fazer nada que me obrigam”, diz.

O produtor musical Gustavo Ribeiro não apenas está preocupado com os políticos, como jamais esquece em quem votou. "O passado faz história, por isso sempre lembro em quem votei", diz ele, que durante a campanha procurou se informar sobre os candidatos.

O estudante de química Marcos Felipe Lourenço, 23 anos, também anda desiludido com os políticos, mas pelo menos ainda acredita nos partidos. "Votei na legenda, por não conhecer os candidatos e achar que não faz diferença alguma quem é eleito para me representar na Câmara Municipal.”

O estudante justifica seu desconhecimento dos políticos iguaçuanos com a correria dos seus dias. "Trabalho e estudo 24 horas por dia”, lamenta. “Não tenho tempo para reivindicar nada." Apesar da falta de tempo e da desilusão com os políticos, ele ainda acha importante votar. "Procuro selecionar melhor os candidatos para que coisas erradas não aconteçam", conta ele.

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domingo, 26 de outubro de 2008

Não é assim que funciona

Jovem repórter se comove com história de Sandro, mas não o isenta de culpa
Por Louise Teixeira

Depois de “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”, somos convidados a assistir um novo lançamento nacional que concorre ao Oscar falando dos nossos problemas, "Última parada 174".

Estes filmes mostram diversos olhares sobre o que é a favela, o bandido e o policial e, sabe, quando assistimos 174, nos envolvemos de tal forma com Sandro que passamos a não achá-lo um monstro.

É, talvez não fosse, mas somente quando paramos para discutir sobre o filme ou para contar a história a alguém é que percebemos o diretor nos induzindo sutilmente a ver uma polícia despreparada, um centro de detenção para menores aos pedaços (fatos que realmente não podemos negar) e também a justificar os erros de Sandro por sua falta de oportunidades.

Não, não é bem assim que funciona.

Sandro tinha (ao menos na ficção) uma amiga com contatos e disposta a ajudar (a fulana da ONG), e uma mãe adotiva pronta para o por “na linha”.

Vimos que Sandro não passava de um drogado armado, que acabou seqüestrando um ônibus na loucura... Ou então um Sandro marcado por um passado de sofrimento e repressão...

Este longa nos faz pensar no nosso Rio, no nosso Brasil; nos faz, mais uma vez, passar vergonha pela nossa situação quanto à justiça e segurança nacional.

Um filme bem feito e intrigante, emocionante, que nos leva a refletir sobre nosso papel na sociedade, como ajudar um Sandro, um Alê Monstro...

Uma história de vida realmente diferente, mas ao mesmo tempo já comum, previsível para um menino de rua.

Mas não, não dá pra justificar certos atos...

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Recordações de um dia feliz

Jovens repórteres se encantam com a beleza da Zona Sul do Rio de Janeiro
Por Aline Marques

No dia 23 de outubro, fomos até a Escola Britânica, no bairro da Urca, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Nossa intenção era fazer uma grande bagunça para comemorar.

Quem nos levou foi Lúcia Helena, nossa motorista, que, mesmo dirigindo com extrema atenção, participou das brincadeiras. Era um olho nos sinais, outro na “galera”.

Durante o trajeto, brincávamos muito com as pessoas que passavam nas ruas. Umas somente olhavam, movidas pela curiosidade. Outras achavam graça, entrando no clima.

Tirei muitas fotos com minha câmera digital, registrando a inesquecível beleza dos monumentos e da paisagem do Rio, cidade de fato maravilhosa. Aproveitei também para tirar fotos da Camila e do Bruno.

O Bruno ia dentro do carro, tentando falar inglês, num estranho sotaque. Todos que passavam pela rua, ficavam sem entender nada. Limitavam-se a sorrir.

Flávia e Marcella foram em outro carro, mas em nossa imaginação estavam juntinhos conosco. Amizade é pra isso mesmo.

No final da tarde, chegou a hora da retirada. Muito calor e, para completar, uma das mais lindas tardes que tínhamos assistido. Nunca vou esquecer.

Foi muito interessante e proveitosa a nossa ida ao Rio. Vai ficar sempre em nossa memória. Pena que durou tão pouco. Espero que possamos voltar muitas vezes, aprender muitas coisas. Os moradores deste bairro de tanto passarem pelos mesmos locais acham tudo natural.

Agora só restam lembranças de um dia feliz.

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Quebra de tabu

Jovens da Baixada e da Zona Sul criam estratégias para debater sexualidade
Por Flávia Ferreira

Se juventude for sinônimo de pertencimento, participação e atitude, os nove jovens que se reuniram na sala de informática da Escola Britânica, na Urca, Zona Sul do Rio de Janeiro, na tarde da última quinta-feira, podem ser considerados símbolos dessa estranha categoria social. O encontro tinha como objetivo pautar o grande debate sobre sexualidade que será realizado no próximo dia 25 de novembro, no mesmo endereço. O debate irá problematizar questões suscitadas pelos jovens no dia da pré-estréia do filme "Última Parada 174", em um evento promovido pelo Unicef em uma das salas do Artplex, em Botafogo, também na Zona Sul do Rio de Janeiro.

O reduzido número de pessoas, antes de ser um empecilho para a tempestade de idéias, foi premeditado. “Dessa forma, cada um dos nove jovens poderia opinar e sugerir perguntas relevantes ao debate com mais tranqüilidade”, disse a antropóloga paulista antropóloga paulista Marcella Camargo, secretária adjunta de Cultura e Turismo e dinamizadora do grupo. Alguns tentavam dar tom de polêmica para aquecer o debate. Com muita clareza, este tabu chamado sexualidade foi facilmente derrubado.

Aborto, homossexualidade e pedofilia foram alguns dos temas levantados. Houve histórias pessoais e de pessoas próximas aos jovens presentes na sala. Não faltaram idéias feministas, machistas e religiosas. Em cada tema era possível escolher uma bandeira para levantar. No entanto, Marcella fazia questão de lembrar que este encontro não era um debate e que não se podia gastar tempo com estas discussões. “Temos horário para entregar a sala”, lembrou.

O grau de entrosamento entre estes mundos distintos (Baixada e Zona Sul), porém interligados pelos problemas sociais dos grandes centros urbanos, foi instigante. Não havia dinheiro, classe e cor. Somente jovens preocupados em realizar um movimento atuante que fosse válido para o debate. A única discrepância era o sotaque carregado de alguns participantes, como Paloma, da Escola Americana, e Igor Tumasov, da Escola Britânica.

Ainda há pessoas que enxergam a juventude como uma etapa da vida que só traz problemas e preocupações. Movimentos como este mostram que é possível integrar as diferentes culturas, classes, ideologias e etnias desta sociedade capitalista em busca de discussões que geram ações e que possam intervir na vida cotidiana.

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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

História manchada

Jovem repórter saiu do cinema se perguntando quem é o responsável pela tragédia do 174
Por Felipe Lacerda

Antes de mais nada, gostaria de fazer um comentário pessoal. Há cerca de três anos, uma equipe do RJTV esteve em Nova Iguaçu para fazer uma pesquisa com a seguinte pergunta: "A proibição de armas de fogo diminuirá a violência em nosso estado?"

Meu voto foi ‘não’. Naquele dia, tive a oportunidade de dizer, ao vivo, o que penso. Dessa vez, baseado no filme ‘Última parada 174’, irei dar continuidade ao meu pensamento. O filme de Bruno Barreto mostra o caminho percorrido por um jovem de rua até ele se tornar o seqüestrador mais conhecido da mídia.

Em minha opinião, proibir a venda de armas de fogo no Brasil não diminuiria a violência. Até porque o que faz uma pessoa - seja ela menor ou não - ser violenta não é a arma de fogo, mas sim o que ela carrega em seu coração.

Para mim, construir mais abrigos com pessoas capacitadas trabalhando neles já seria um bom começo. As cenas do filme mostram a vida de um jovem que aprendeu a ser bandido. A única sorte que Sandro teve na vida foi escapar com vida da famosa chacina da Candelária.

Na chacina, ele era vítima, porém, cerca de 10 anos depois, Sandro tornou-se um perigo para a sociedade. Seu dilema começou quando, ainda jovem, se envolveu no seqüestro de maior repercussão nacional. Para piorar, o seqüestro terminou com num desfecho trágico: seqüestrador e vítima morreram baleados, possivelmente por disparos vindos do armamento da polícia.

Falta de oportunidade? Eu diria que sim, mesmo sabendo que o seqüestrador recebia acompanhamento de uma assistente social. Mas isso ainda era pouco. A vida de Sandro terminou diante dos olhos da sociedade. Mas como a vida de um bandido que merecia morrer. Poucas pessoas conseguem perceber que Sandro era alguém tratado como ninguém. De quem é a responsabilidade? Da família, dos amigos, da polícia ou da sociedade? Seja lá de quem for, esse caso manchou a história para sempre.

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terça-feira, 21 de outubro de 2008

As mães não sabem de nada

Jovem repórter só queria curtir, mas terminou dando um furo de reportagem
Por Marcelle Pereira

Creio ser desnecessário dizer que acordei com o galo cantando. Mas, como falo demais, resolvi contar. Como quase toda mulher, levei pelo menos uma hora e meia para me arrumar, além daqueles tão conhecidos 15 minutinhos (que se prolongam por quase meia hora) para levantar da cama. Depois foi sair de casa e pegar o ônibus, até chegar ao centro de Nova Iguaçu. Ah, esqueci de dizer que moro em Miguel Couto, e levo uns 40 minutinhos de ônibus em trânsito moderado.

Depois de chegar a Nova Iguaçu, me encontrei com a galera da Agência em frente ao Pólo Gastronômico, que fica próximo ao Colégio João Luis do Nascimento, beirando a Via Light. Desde esse momento, já estávamos em ritmo frenético e ansiosos para chegar, e assistir ao filme tãocomentado.

A viagem foi demais: curtimos no ônibus, brincamos com todos motoristas dos carros que passavam pela Dutra e Avenida Brasil. O que mais nos chamou atenção foi o motorista do caminhão da Kibon. Não havia um momento em que ele não buzinasse ou acenasse para a turma. Além disso, lembro de um tricolor que estava num carro de passeio indo para praia, que insistentemente nos convidava para ir junto com ele.

Ficamos eu, Flávia Sá, Mariane Dias, Camila Elen, Aline Marques e Bruno Marinho em toda a viagem brincando com os motoristas, fossem da PM, Aeronáutica ou Marinha. Quando finalmente chegamos a Botafogo, passamos a fazer o tipo sério e compenetrado, “menininha bem comportada”.

Chegamos com o filme já iniciado, e mesmo assim não deixamos nada do filme passar desapercebido.

O elenco do filme, junto com a maravilhosa direção, fizeram de tudo que vimos um espetáculo sem igual e quase indescritível. Curioso foi o fato da mãe de a atriz Gabriela Luiz (Soninha) não saber que ela fez o papel de uma prostituta no filme, segundo relato em off que tivemos na entrada do cinema.

Também sortearam uma camisa do ICA (Instituto de Cultura e Arte). Camila Elen e eu fomos sorteadas com a camisa grafitada na hora com a sigla.

O filme foi demais, as pessoas presentes ficaram, sem exceção, emocionadas. Tudo acontecendo num ambiente de reflexão, diversão, informação e descontração, como não podia faltar. Nossa vinda foi a mais comum possível, voltamos com um pouco de cansaço, afinal, gastamos quase toda energia na ida, mas valeu a pena.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A aproveitadora

Jovem repórter Tatiana Sant'Anna aproveita as oportunidades criadas pelo governo Lindberg e representa a Escola Agência de Comunicação no Instituto Itaú Cultural em São Paulo
Por Jéssica de Oliveira

A jovem comunicadora Tatiana Sant'nna, de 19 anos, mora no bairro Cacuia e não pode ser considerada apenas uma jovem de sorte. A sorte é um jogo do destino, sem previsões. Tatiana é uma jovem que não deixa para depois e nem espera que outra pessoa faça seu papel. Ela luta, corre atrás, dá o melhor de si e faz o presente. A jovem colheu os frutos da sua dedicação ao ser convidada para representar a Escola Agência de Comunicação no Instituto Itaú Cultural, evento que movimentará São Paulo entre os dias 20 e 27 de outubro.

Tatiana faz parte da equipe de Jovens Repórteres que trabalharam na gincana social "Minha rua tem história", que durante o mês de setembro mobilizou 2 mil jovens para resgatar a memória da cidade de Nova Iguaçu. A equipe de Jovens Repórteres acompanhou as oficinas da gincana social, publicando em seguida as melhores histórias contadas pelos jovens.

Formada em magistério, Tatiana preferiu se entregar à comunicação social, trocando a sala de aula pela agitação e correria da sua vida atual. Nas oficinas do Pro Jovem, Tatiana e seu grupo se desdobravam para acompanhar cada história, sem perder nenhum detalhe. Para isso foi necessário perder noites de sono. Chegou a enviar matérias às três da madrugada!

Seu esforço não passou desapercebido. Tatiana não conseguiu essa oportunidade em um sorteio. Ela conseguiu porque é uma repórter dedicada. A indicação do editor-chefe Julio Ludemir é mais que justa, pois reconhece a competência de Tatiana.

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Recompensa rapidinha
Por Thamires Folly de Azevedo

Eu sou Thamires Folly, 19 anos e moro em Nova Iguaçu.

Terminei o segundo grau e estou tentando entrar em uma faculdade.

Este é o meu primeiro ano prestando vestibular para uma universidade pública - a UFRJ.

Mas enquanto eu não entro, fico trabalhando em um "servicinho" pra juntar uma grana pra facul e outras despesas.

Enquanto eu coloco currículo nas lojas de Nova Iguaçu, fico trabalhando em uma barraca de pasteis.

É meio frustrante, pois sou louca para entrar em uma faculdade e a barraca fica justamente na porta da UNIG!!

O ruim deste trabalho é que ele é meio cansativo. Tudo bem que eu trabalho das 17h às 22h, mas, mesmo assim, ter que ficar de pé nesse horário todo é muito desgastante.

Mas não me importo se for muito cansativo. O que vale, o que é extremamente importante, foi eu ter encontrado um trabalho.

Sei que é besteira minha, mas sempre pensei que seria independente antes de completar 25 anos de idade. Acho que vou ficar maluca se não for!!!

Às vezes, sonho com essa independência. Fico pensando como seria a minha vida no futuro. Chego até a pensar qual é a origem da vida!!! Hihihihi

Mas o meu problema de arrumar um trabalho decente é que sempre alguém diz que vai me dar um emprego bom e que me pague o que eu mereço. Mas agora, quando alguém vem me dizendo esse monte de mentiras, eu digo logo: "Amigo, eu só acredito no semáforo!" Hihihihihi

Bom, nessa minha história, eu sei que no final sempre vale apena sofrer um pouquinho, pois rapidinho chega ao final do mês uma recompensa.

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Desperdício de oportunidades


Jovem repórter acha que Sandro não soube aproveitar as oportunidades
Por Renan Albuquerque

Todos têm direitos à recuperação,eu até concordo. Sandro, embora também tenha sido uma vítima da sociedade, teve sua oportunidade. E o que fez com ela? Desperdiçou.

Realmente somos vitimas de uma sociedade falida, onde as leis e as oportunidades não são iguais para todos. Qual a relação entre os escândalos de corrupção do governo e este episódio? Total e real!

Polícia mal-preparada é apenas uma ponta da total ineficiência gerada pela corrupção e pelo modo mais fácíl, que torna o Estado realmente ausente, como provam os lugares por onde Sandro passou.

O filme mostra com clareza o despreparo da polícia e a grande influência da mídia. A policia não tinha aparelhos de comunicação e não sabia como lidar com tal situação. Hoje em dia, os policiais estão "preparados" para invadir favelas e sair atirando.

Mas o filme também relata uma história comovente entre Sandro e o "Universo". A luz dourada na cabeça do Cristo representava boas novas. Um copo quebrado representava a morte de Sandro e a infelicidade da mãe.Um copo se quebra quando a mãe de Sandro é esfaqueada, no início do filme. Outro copo se quebra pouco antes de ele entrar no ônibus 174, onde ele vai morrer depois de paralisar a cidade durante horas.

Fica evidente que não são todos os jovens de rua que se transformam em marginais. Alguns sabem aproveitar suas oportunidades. Foi esse o caso das crianças assistidas por tia Valquíria que começam a se recuperar no filme.

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Penúltima parada


Jovem repórter narra viagem de Nova Iguaçu a Botafogo
Por Flávia Sá


No dia 15 de outubro, fui a Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, assistir à estréia do filme Última Parada - 174. O filme retratou a história do Sandro, um rapaz que seqüestrara um ônibus. Em cima dessa história, o diretor Bruno Barreto construiu uma narrativa baseada em fatos reais espetacular, porém triste. Havia umas cenas engraçadas, mas também tinha cenas de cortar o coração. Mas não é para isso que estou aqui escrevendo essas linhas. Estou aqui para descrever como foi a minha ida à Zona Sul com meus colegas de trabalho.

Em um dia ensolarado, aquele tempo que pede uma praia, eu não pude deixar de prestigiar essa saga que foi a vida desse pobre coitado Sandro. O horário combinado era de chegar lá em frente ao Pólo Gastronômico, no Centro de Nova Iguaçu, às sete e meia da manhã. Eu cheguei um pouco antes, às sete e dez.

O ônibus chegou lá um pouco atrasado, por volta das oito e dez. O trabalho mais parecia um passeio. Gostei muito. Além de estar indo à Zona Sul, estava na presença de meus colegas, que admiro muito. Zoamos pacas na ida e na volta. Fazia muito tempo que não nos divertíamos desse jeito.



Tirávamos fotos e mexíamos com as pessoas na rua - lógico que tudo na base do respeito. Chegamos lá atrasados, quase dez e meia da manhã. Mas a culpa não foi nossa. Além do atraso do ônibus, pegamos um baita engarrafamento.

Felizmente, só perdemos dez minutos do filme. Deu então pra acompanhar quase toda a história.

Quando entrei na sala, como não estava enxergando nada, fiquei com medo de pisar no pé de alguém. Acho que fiquei meio cega por causa do contraste entre a sala escura e o dia ensolarado lá fora. Aos poucos, foi melhorando a visão e tudo correu bem.

De início, não estava entendendo nada, mas depois fui me envolvendo na incrível e chocante vida de Sandro. No final do filme, houve um debate com o diretor e os atores. Foi muito legal. As pessoas se sentiram à vontade para fazer suas perguntas. Eu só não perguntei nada porque estava com vergonha. Não gosto de me expor.

Adorei o passeio. Quer dizer, adorei o TRABALHO.

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Condenado antes de nascer


Para jovem repórter, protagonista de 174 foi condenado há muitas gerações
Por Flávia Ferreira

Como é doloroso olhar para os lados e ver a triste situação de nosso Rio de Janeiro... Meninos ao abandono vagando pelas ruas, fome, miséria, desencanto.

Tragédias sociais estão sempre ao alcance de nossa vista. Basta um olhar mais atento para perceber o descaso social que há séculos aflige a bela cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Cidade cheia de contrastes, passando da extrema beleza de suas praias à miséria extrema no espaço de uma esquina. O pôr-do-sol em Copacabana oscila entre opulência e miséria, conforme a hora, e o ponto de vista.

Rodeado por favelas onde inocentes e emergentes de uma sociedade violenta ao extremo. Onde estão democracia, oportunidade de trabalho, direitos de cidadania da imensa legião de meninos de rua? Muita gente pergunta: por que tantas mortes na Candelária, por que tanta miséria?

Assaltos, mortes, negros, brancos, drogas, MEDO. Palavras que estampam estátuas vivas do trânsito carioca. Roubando para viver, cheirando cola para esquecer, amando para se sentir vivo. Salve-se quem puder. É guerra de todos contra todos.

Inferno da prisão
Atormentado com a falta da cola e do crack, barriga roncando de fome, dentes trincados, mãos crispadas, necessitando de uma família e um nome. São "lixos humanos", escória da sociedade, indigentes movidos pelo medo da lei e pelos que estão "fora dela". O inferno da prisão, ao invés de corrigir, aperfeiçoa o crime.

A irmandade do comando substitui a proteção familiar. O prazer fugaz encontrado em um amor bandido, regado a muito “diabo ralado”, reforçado com pó de vidro moído. Acadêmicos da faculdade do crime, escola da miséria e da necessidade, um beco sem saída. O instinto de sobrevivência prevalece, um “bico” cheio de ferrugem como saída de emergência. Vestindo a mesma capa que lhe serviu de cobertor desde criança pelas vielas e becos sujos de uma cidade que já foi maravilhosa.

Tudo termina com o estampido e o impacto de um tiro. Liquidado aos poucos, o homem duro do gueto terminou sem ar e sem amigos. Juízo final feito em vida, vida perdida ao nascer, um condenado há muitas gerações.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Bolo social


Unicef reúne jovens de diferentes classes e formações em Botafogo para ver e discutir novo filme de Bruno Barreto
Por Luiz Felipe Garcez

Uma xícara de alunos de classe média alta. Uma pitada de alunos de faculdades particulares. Duas fatias de jovens de projetos sociais em favelas. Um litro de jovens-repórteres da Escola Agência de Comunicação da Prefeitura de Nova Iguaçu.

Coloque tudo dentro de pote do UNICEF e leve ao forno pré-aquecido com a pré-estréia do filme "Ultima parada - 174".

Ao final, tire do forno e acrescente um debate com o diretor do filme - Bruno Barreto, e com os atores Michel de Souza, Marcelo Melo e Gabriela Luiz.

O resultado é um grande bolo social, onde se pode se ver claramente o futuro da nação.

E nesse bolo social saíram as mais variadas perguntas e respostas. Claramente se via nos jovens o exato sentimento que o diretor afirmou que era sua intenção: ninguém sabia quem era a vítima. E as perguntas iam crescendo como a grama, iam se alastrando entre os vários grupos presentes.















Quando perguntado se achava que seu filme seria mais um sobre a tragédia carioca, Bruno Barreto deixou claro que cada filme de violência é único, e quem assistiu 174 notou que, apesar da interlocução feita entre Cidade de Deus, Tropa de Elite e Cidade dos Homens, 174 tinha o seu tom especial. Da mesma forma, o diretor prefiriu se esquivar ao ser perguntado se o 174 fazia uma crítica clara à instituição da Policia Militar.

Como em todo debate, não podiam faltar as perguntas tradicionais, como a feita para a Gabriela sobre como foram as cenas de sexo. Ela ficou bastante envergonhada, mas disse em tom de brincadeira que ela e o Michael se deram muito bem.

Embora uma hora fosse pouco para o debate, ele foi mais do que proveitoso. Foi a prova de que jovens de pensamentos, classes, idéias, sonhos e oportunidades diferentes podem conviver no mesmo espaço e podem construir uma cidade melhor. Foi a prova de que, se depender daqueles jovens, o Rio deixará de ser a cidade da violência e da bunda para ser a cidade da cultura e da juventude. Ou melhor, da cultura jovem.

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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Parada inesquecível

Filme e debate com equipe de produção foram marcantes para jovens repórteres
Por Marina Rosa

O evento de ontem marcou entre os jovens-repórteres mais um momento inesquecível de experiência para as nossas vidas.

Mesmo chegando 10 minutos após o início da exibição, acredito que não perdemos quase nada. Como se pôde constatar durante o debate ocorrido após o final do longa, a história do filme foi muito bem entendida.

O filme retrata não só a tragédia ocorrida em 2000 no ônibus 174, mas também toda a vida daquele assaltante.



Sandro, visto como um louco alucinado ao cometer tal atrucidade, pode passar a ter outra imagem após assitir o filme, porque conhecemos a história de um menino morador de rua, viciado em coca, em meio à violência, aos destratos e à indiferença da sociedade. A única e honrosa exceção fica por conta da "Tia Valquíria", uma mulher que levava comida àqueles moradores da Candelária, buscando sempre ajudá-los a terem mais oportunidades.

Durante a vida, vai para Febem, foge, mora com um parceiro de mesmo apelido, "Alê", vira assaltante com ele, reencontra um caso antigo, finge ser o filho perdido da mãe de seu parceiro e tem o sonho de ser cantor de rap.

Porém, ele se frusta ao flagrar sua amada com o ex-parceiro e não conseguir ajuda imediata da Tia Valquíria. Cai no vício como quem tem sede. Ele fica trasntornado ao ver um copo se quebrar, o que o remete ao dia em que sua mãe morreu, vítima de um latrocínio em São Gonçalo.
Ele pega o õnibus e daí pra frente acontece tudo aquilo que acompanhamos pela mídia, aquele desespero e por fim a tragédia.

Só pelo fato de assistir a uma pré-estréia já é totalmente válido dizer que foi ótimo. No entanto, melhor ainda foi poder paricipar de um debate, organizado, entre outros, pelo Unicef e ICA, com os atores Michel de Souza (Sandro), Marcelo Melo (Alê), Gabriela Luiz (Soninha) e ainda com o próprio diretor Bruno Barreto.

O público foi totalmente misturado: jovens-repórteres da Escola Agência de Comunicação de Nova Iguaçu, alunos da Escola Britânica e Americana, participantes de projetos sociais em favelas, moradores do bairro, etc.

No debate, podemos perceber o quanto foi trabalhosa e demorada a realização deste filme. Mais de dois anos de trabalho árduo. Ainda bem que depois de tudo, deu certo. Agora temos esse maravilhoso exemplo de que, com garra e vontade, tudo é possível.

Uma mostra da capacidade do cinema brasileiro e também do talento dos artistas vindos de projetos sociais.

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Última parada - 174

“Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida”
Por Larissa Leotério

Esse verso da música “Classe Média” traduz exatamente a sensação de quem esteve hoje na pré-estréia do filme “Última Parada - 174”, com direção de Bruno Barreto. O filme narra a história do seqüestrador do ônibus 174. Sandro, na ficção, Alê, foi tomado pela sociedade por monstro do ônibus 174. O que já é rotina. Há sempre o julgamento das pessoas e o ângulo sempre muito midiático, manipulado. E isso é histórico. Foi assim com vários infratores das leis. Mas poucos tiveram a chance que Sandro teve, de ter sua história mostrada por documentário e filme.

As pessoas parecem não se importar com o menino de infância pobre, com o menino de rua que pede comida, pelo jovem que não teve a oportunidade de estudar, de aprender a ler, de ter saúde e família. Toda tragédia só nos importa quando bate à nossa porta. Não importa a ninguém se Sandro teve uma “infância” de abandono, uma adolescência nas ruas, o peso da sobrevivência na chacina da Candelária.

Não há passado ruim que justifique um presente de crimes. Mas torna compreensível, ajuda-nos a compreender a indignação da criança que pede pão e é ignorada. Do adolescente que comete pequenos furtos por não ter orientação. A chamada sociedade civilizada exige das pessoas uma generosidade que não ofereceu. E, talvez, a culpa não seja do governo; seja nossa. Quando temos muita pressa pros nossos inadiáveis compromissos e esquecemos das nossas crianças debaixo das marquises, esquecemos que nossos irmãos têm fome. E isso não é na África ou no inferno que os pariu. É bem aqui ao lado. Ou, talvez, seja culpa da maldita falha do sistema.

De quem é a culpa não é bem a questão. Acontece é que temos que fazer o nosso. Não podemos ficar esperando pelas iniciativas públicas. E é nisso que foca o filme, que não é sobre uma questão social, e sim sobre uma questão de condições humanas. Na nossa iniciativa de estudar as coisas antes do julgamento da mídia. É o senso crítico que funciona o tempo todo. Propõe uma reflexão muito bacana. De vida, da importância da formação dos seres humanos em pessoas. Como disse a atriz Ana Gabriela, ‘é o soco no estômago que toca o coração’. É bem essa a sensação.

Além de toda a mensagem social, o filme conta com uma técnica e roteiro excelentes, atuações admiráveis e, segundo o diretor Bruno Barreto, o elenco mais disciplinado com quem já trabalhou em suas dezoito produções.Vale muito à pena conferir.

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Da realidade para a ficção


174 faz escala em Botafogo antes de última parada em Hollywood
Por Flavia Ferreira

O mais novo filme brasileiro a desfilar na passarela do Oscar é o "Última parada 174". A pré-estréia do filme aconteceu na sala 6 do Unibanco Arteplex, na praia de Botafogo. A história de um menino de rua que vivenciou dois grandes episódios drásticos da sociedade carioca é o ponto de partida do filme. O primeiro episódio foi a chacina da Candelária, da qual escapou por milagre. Seu envolvimento com as drogas, reforçado por uma crise de ciúme, fizeram dele o protagonista do seqüestro mais famoso do milênio.

O seqüestro ficou conhecido por ocupar os horários da TV por quase cinco horas no ano dia dos namorados de 2000. "Nossa idéia era contar essa história na ficção, porque a realidade está absurda, maluca e difícil de entender. Por isso, precisamos da ficção para interpretar a realidade", contou o diretor Bruno Barreto.

Na platéia superlotada, estavam presentes jovens do Morro do Vidigal, Complexo do Alemão, Nova Iguaçu, Morro da Babilônia, Escola Britânica e da Escola Americana. Ao terminar a sessão, iniciou-se um debate sobre o filme com a participação do Diretor Bruno Barreto e os protagonistas do filme: Michel Gomes (Sandro), Marcelo Mello (Alê Monstro) e Gabriela Luiz (Soninha).

O ator Michel Gomes acredita que o filme mostra a realidade das ruas. "Mostra a realidade do menino de rua, e traz a oportunidade de enxergá-lo", disse esse jovem morador de Padre Miguel, que freqüenta grupos teatrais de projetos sociais desde os 10 anos de idade. Gabriela Luiz, atriz que vive a garota de programas Soninha, também conheceu o teatro em projetos sociais. Ela diz que, por conta da questão financeira, já sofreu algumas discriminações profissionais. "Temos muitos 'Sandros' e muitos 'Alês' no Rio. Espero que este filme estimule as pessoas a refletirem sobre esta situação", afirma.

Ao contrário de seus colegas de filmagem, Marcelo Mello nunca pensou em ser ator, mas sempre aproveitou as oportunidades que a vida lhe deu. "As oportunidades são pequenas, mas, se você se esforçar e correr atrás, elas são possíveis", acredita ele. Antes de chegar às telas do cinema, Marcelo passou por Austin, bairro de Nova Iguaçu, e Vidigal, na Zona Sul do Rio. Segundo ele, o fato de vir de uma comunidade carente torna tudo mais difícil. "Temos que nos esforçar em dobro, pois é muito difícil achar alguém que te valoriza. As pessoas pensam que o fato de você morar em uma comunidade te torna mais irracional que ela", dispara Marcelo.

Bruno Barreto não quis tomar nenhum partido na trajetória do personagem Sandro. "Meus filmes primeiro buscam emocionar, para depois fazer a pessoa refletir", analisa. A atriz Gabriela Luiz arrumou uma imagem mais forte para traduzir a estética de 'Última parada 174'. "Esse filme é um soco no estômago que atinge o coração".

As cenas de violência são constantes, mas, para o diretor, há uma grande diferença entre seu filme e 'Cidade de Deus' e 'Tropa de Elite', duas outras obras que marcaram o cinema brasileiro ao mergulhar no drama das favelas cariocas. "'Última parada 174' trata da condição humana e não da condição social do Brasil", difere.

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