segunda-feira, 30 de junho de 2008

Pão duro

Consumidor procura alternativas para substituir o pão no café da manhã

Por Tatiana Sant'ana

Com a volta da inflação, o pão está se tornando escasso na mesa do iguaçuano. O consumidor está tendo que procurar alternativas para substituir o principal alimento do café da manhã. Para compensar a diminuição do tamanho e a redução na quantidade, o jeito é aderir outros ingredientes para incrementar o seu desjejum.

Embora o preço do pão tenha subido, as padarias ainda não registraram queda no faturamento. "O período da manhã e da tarde são os mais utilizados pela população, por causa do café da manhã e da tarde", revela Rossana Rosa, 42 anos, dona de uma padaria. Há um mês no comando do seu negócio, Rossana Rosa conta que algumas pessoas reclamam, pois antigamente eram 10 pães por R$ 1 e atualmente são sete pães pelo mesmo preço. Também diz que o período de maior movimentação é nos finais de semana. As pessoas alternam entre o pão doce e o salgado joelho. "Mas nada se compara a um pãozinho quentinho no café da manhã", ressalta.

Há também aqueles que não gostam nem do novo preço nem da diminuição da quantidade. "Mal dá para tomar um café da manhã", reclama Ivo da Fonseca, que come quatro pãezinhos na primeira refeição do dia e praticamente não tem mais o que comer à noite. "Tenho que comprar pão todo dia e nisso vão R$ 5 por semana", lamenta. Os custos aumentam no fim de semana, quando recebe a visita da família.

Rosilene da Silva não é tão fiel quanto Ivo da Fonseca e deixou de comprar pão diariamente. "Apenas umas três vezes por semana", conta ela. "Eu intero com biscoito e mais algumas coisinhas." Ela também dá um conselho para aqueles que desejam economizar: "Aipim e cuscuz também são alternativas acessíveis para o bolso do consumidor."

A artesã Diva de Jesus, 61 anos, procurou alternativas para aliviar o bolso. "O pãozinho com manteiga faz falta na mesa, mas é substituível", revela. O meio encontrado para economizar foi substituir o pão pelos biscoitos e aderir ao pão caseiro. E esta receita não sai tão cara. Diva conta que está satisfeita com a economia de R$ 10 por semana. "Antes eu gastava R$ 2 por dia com pães para o café da manhã e da tarde. Quando comecei a fazer o pão caseiro, tudo ficou mais fácil e mais barato", diz. O pão caseiro tem a vantagem adicional de render dois dias. "É uma forma de economizar e inovar na culinária", conta.

Receita do pão caseiro:

500 gramas de trigo;
1 ovo; 100 ml de óleo;
1 colher de sopa rasa de fermento;
Meia xícara de açúcar;
1 copo de 200 ml de água morna;

Modo de fazer:
Mexer todos os ingredientes num recipiente, até soltar do fundo do vasilhame e das mãos. Deixar a massa descansar por alguns minutos e modelar a gosto. Não untar a forma Levar no forno na temperatura média por 10 ou 20 minutos. Se quiser, pode rechear a massa a gosto. E aproveite!

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O dispositivo da discórdia

Lei que proíbe o uso de celular gera polêmica nas escolas


Nova lei aprovada em 11de abril proíbe em escolas estaduais e em bibliotecas o uso de celular e outros aparelhos, como MP3, MP4, IPod's e videogames portáteis, entre outros. A lei 5222, de autoria do deputado Marcelo Simão, já está sendo objeto de inúmeras discussões entre professores, estudantes e diretores.

A justificativa da lei é que, segundo vários professores, é constatado e já comum o uso de celular, MP3, Game Boy, walkman, diskman e fones de ouvido dentro de sala de aula. Isso faria com que os estudantes não prestem atenção nas aulas, e conseqüentemente prejudicaria o aprendizado e o rendimento escolar.

"Acho palhaçada essa lei", declarou a estudante Josiane Maria, 16 anos. "Isso não influencia em absolutamente nada, uma vez que já é normal os alunos assistirem e não prestarem atenção nas aulas com ou sem celular."

A lei está restrita às escolas estaduais, mas o uso de dispositivos eletrônicos de há muito vem preocupando as escolas particulares. "O governo não pode interferir na minha instituição", afirma Shirley Teixeira, diretora de uma escola particular de Nova Iguaçu. "Mas se o aluno for flagrado com um celular, nós vamos dialogar com ele de modo a evitar que a situação se repita." Mas se houver uma reincidência o responsável será chamado à escola.

"Esse é o tipo de coisa que desestimula o professor e mostra o quanto a profissão não é reconhecida", afirma a professora Edna Rocha, 41 anos. Para a professora, o aluno que atende um celular em sala de aula é no mínimo descortês com quem está lá frente e com os seus companheiros de turma.

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sexta-feira, 27 de junho de 2008

Orilaxé para todos

Festa de 15 anos do Afro-Reggae lota Teatro Municipal.
Por Lucas Lima
Fotos: Marcelle Pereira, Flávia Ferreira, Aline Maciel, Louise Teixeira e Natália Ferreira

Os jovens repórteres da Escola Agência de Comunicação foram convidados para os 15 anos do grupo Afro-Reggae, um grupo da favela de Vigário Geral com forte inserção nos movimentos sociais. A comemoração ocorreu no Teatro Municipal, na noite da última quarta-feira.

Junto com aniversário do Afro, ocorreu a 9º edição do Prêmio Orilaxé (que significa "a cabeça tem o poder de realização"). O prêmio contempla as pessoas e os projetos sociais que mais se destacaram ao longo do ano, em todo o país. Entre uma premiação e outra, a banda Afro-Reggae dividiu o palco com Zeca Pagodinho, Olodum, Rappin Hood e Leandro Sapucahy, entre outros. Um dos momentos mais marcantes foi a apresentação de "Imagine", um clássico de John Lennon cantado pelo Afro-Reggae em parceria com um grupo Hare Krishna e a Banda 190, da Polícia Militar.
A cerimônia foi apresentada pela cantora Fernanda Abreu e pelo rapper Marcello Silva. Além das 15 premiações, foi feita uma homenagem a 15 parceiros de longa data, que colaboraram para as conquistas do Afro-Reggae. Os homenageados receberam seus prêmios das mãos de crianças onde o Afro-Reggae atua (Vigário Geral, Parada de Lucas, Complexo do Alemão e Cantagalo), cujos rostos estavam estampados na estátua.

Veja a seguir a lista das categorias e os respectivos vencedores do Prêmio Orilaxé de 2008:

Jornalismo: Amélia Gonzáles (RJ)
Veículo de Comunicação: Canal Moto Boy (SP)
Fotografia: Berg Silva (RJ)
Grupo Musical: Siba e a Fuloresta (PE)
Cantor: Rappin Hood (SP)
Cantora: Roberta Sá (RJ)
Cultura Popular: Mestre Felipe (MA)
Tradição Afro-Brasileira: Mercedes Batista (RJ)
Responsabilidade Social: Olinta Cardoso (RJ)
Direitos Humanos: João Tancredo (RJ)
Projeto Social: Banco Palmas (CE)
Empreendedorismo Social: Fundação Casa Grande (CE)
Produção de Conhecimento: Edson Cardoso (DF)
Inovação Social: Programa Cultura Viva – Minc (DF)
Políticas Publicas: Carlos Minc (RJ)

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Agência apaga as velinhas do Afro-Reggae

Escola Agência de Comunicação comemora, no Teatro Municipal, os 15 anos do Afro-Reggae

Por Felipe Rodrigo
Fotos: Marcelle Pereira, Aline Maciel, Louise Teixeira e Natália Ferreira

A Escola Agência de Comunicação rumou, desta vez, para o Teatro Municipal, onde acontecia a comemoração do aniversário de 15 anos do Afro-Reggae. Todos os jovens usaram roupa esporte fino, com destaque para a blusa listrada de Camila Ellen e o terninho de Flávia de Sá. Ela parecia uma jornalista do horário nobre.

Na viagem, que fizemos em um ônibus executivo alugado pelo ativista social Edilso Maceió, Maicon Cristian, Lucas Lima, Lúcio (amigo da Aline Marques) e Leonardo Venâncio eram os mais animados. Maicon, Lúcio e Leonardo contavam piadas. A galera, que estava disposta a se divertir, dançou ao som das músicas de telefone celular. O motorista, honrando a tradição de mau humor da sua categoria, se estressou com o DVD levado pelo jovem repórter Daniel Santos.

Casal sensação
Quando chegamos ao teatro, uma grande quantidade de pessoas se espremia na entrada. Os seguranças do local ajudaram na proteção do evento, fiscalizando as pulseiras que demarcavam o espaço ocupado pelos convidados e organizando a entrada de todos.

Chegando às galerias, assistimos ao show de Afro-Reggae, Rapin Hood, Olodum e Zeca Pagodinho, entre outros. A platéia estava lotada de pessoas de todas as partes do Rio, como Vigário e Complexo do Alemão. Quando o Afro-Reggae começou a se apresentar, o público gritou loucamente. Mas o teatro veio abaixo com a chegada dos atores Luana Piovani e Dado Dolabela.

Lá pelas 2 horas da manhã e já voltando, o motorista do nosso ônibus se perdeu no Caiçara, um bairro de Nova Iguaçu. Isso nos fez chegar mais tarde em nosso destino final, que era a Rodoviária de Nova Iguaçu.

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Funk no Teatro Municipal

Criador da Furacão 2000 é homenageado pelo AfroReggae.

Por Flávia Ferreira

Imagens sugadas da internet

A Furacão 2000 e o Afro-Reggae criaram a Conexão Funk, que leva o funk para as comunidades cariocas. Rômulo Costa, criador da Furacão 2000, foi um dos 15 homenageados pela família Afro-Reggae na 9ª edição do Prêmio Orilaxé. Como o próprio Rômulo disse, "essa homenagem foi um reconhecimento pelo trabalho que fez ao longo de tantos anos de pista." Ele foi ovacionado pelo público presente no evento, que comemorou os 15 anos do Afro-Reggae no Teatro Municipal.

Segundo ele, o Afro-Reggae conseguiu, ao longo de 15 anos, ser reconhecido no meio social e cultural. "A gente tem 35 e ainda é um caso de polícia", comparou Rômulo Costa. O produtor musical não entende a teimosia da sociedade, que insiste em não reconhecer a popularidade e a importância do funk carioca. "Só na TV, a Furacão tem 15 anos sem interrupções e as duas maiores revistas destinadas aos homens têm duas funkeiras na capa", afirmou ele. As duas mulheres a que fez referência são a Mulher Melancia, que posou para a Playboy, e a Moranguinho, que posou para a Sexy.

Como o axé e o pagode

Rômulo fez questão de mostrar sua indignação contra a chamada Lei do Funk, que só libera bailes com a permissão da polícia. "O funk é jovem, temos que deixá-lo acontecer." Para ele, trata-se de uma perseguição que fere a Constituição brasileira. "O funk, é uma música como o axé, o pagode e o rock", afirmou. Todas elas devem ter liberdade de se expressar livremente.

A proibição ao funk soa ainda mais estranha por causa de sua popularidade. "O funk é uma febre", afirmou. Basta ir ao Maracanã, onde as torcidas comemoram gols e títulos cantando o funk em evidência no momento. "Um exemplo disso é o 'Creu'", disse ele. Por tudo isso, o produtor aguarda o dia em que terá o mesmo prestígio que o produtor social José Júnior, o grande mentor do Afro-Reggae. "Os dois têm um trabalho de resgatar a juventude e abrir uma porta de esperança nas comunidades."

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Uma família que corre atrás

Preço das passagens obriga iguaçuanos a irem para seus compromissos a pé


Por Sheila Loureiro
A cidade é grande e as pessoas, com pressa, não prestam atenção. Mas ao lado delas pode estar um rosto suado como o de Sérgio Bandeira Loureiro, que com freqüência anda uma hora e meia de sua casa até o Centro de Nova Iguaçu. Com a sola do sapato gasta e o rosto suado, Sérgio Loureiro, que tem 53 anos, está longe de ser uma exceção em meio à pobreza da Baixada Fluminense. "Desde o momento em que consegui criar os meus filhos, isso já mudou a minha vida", resigna-se esse morador da Rua Barita, em Austin.

Sérgio Loureiro, que está muito velho para ter direito ao passe estudantil e muito novo para ter direito ao Rio-Card da terceira idade, faz essas longas caminhadas para ir trabalhar. Por ser do lar, sua mulher Irene Santana gasta menos sola do chinelo que usa para levar o filho para a única escola pública que conseguiu vaga para ele, a meia hora de caminhada da sua casa. Incomoda-se com a poeira acumulada nos pés, mas é com satisfação que faz esse trajeto diariamente. "Minha mãe era doente e não podia me levar à escola", lembra a dona de casa, que não pôde estudar.

Vidas secas
A família Loureiro em nada se parece com a do retirante Fabiano, personagem do romance Vidas Secas, do alagoano Graciliano Ramos. Mas também é a pé que seus filhos vão atrás de um futuro diferente. Com 16 anos, Renato passa o dia inteiro na obra em que é ajudante de pedreiro e, de lá, caminha até a escola por intermédio da qual pretende pavimentar sua estrada até o vestibular de administração de empresa. Esse caminho, que tem um pouco de asfalto, mato e lama, é feito com passadas largas em cima de um sapato "que não tem nada de especial". "Quero terminar logo o ensino médio", diz Renato.

A família Loureiro tem parentes que ocupam pelo menos mais duas casas da Rua Barita. Do número 50, Lindiara Loureiro parte diariamente com seu furado sapato escolar atrás de um futuro talvez mais pretensioso do que o de Renato. "Quero ser advogada", afirma ela, que faz esse trajeto a pé porque ainda não conseguiu o passe escolar que lhe pouparia uma caminha de mais de meia hora. Na porta da sala de aula, ela sempre dá uma parada para limpar os sapatos que suja nas imediações da escola, cuja rua é de barro.

Uma bicicleta para Weverton

Juliana Loureiro parte do número 150 da mesma Rua Barita por um caminho com "rua asfaltada e um supermercado perto do ponto de ônibus" que não pode pegar porque também ainda não conseguiu pegar o passe escolar. Com 12 anos, Juliana tem que sair 35 minutos antes da aula para chegar a tempo com seu sapato "que já está rasgando e até furando de tanto andar com ele". Ela caminha determinada, "faça chuva, faça sol". "Vou atrás do meu futuro."

A jovem repórter Sheila Loureiro tem a mesma sina fabiana da família. E sonha com o dia em que vai comprar a bicicleta com a qual poupará não apenas o tempo que a separa da escola em que estuda seu filho Weverton, de sete anos. "Tem dias que ele nem quer ir para a escola, de tão cansado", queixa-se Sheila, de 22 anos. Mesmo nesses dias ela insiste em meter o pé na lama. "Sei que um dia ele vai me agradecer muito por esse sacrifício."

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quarta-feira, 25 de junho de 2008

Cultura é compromisso

"A Segunda Conferência Municipal de Cultura pode consolidar o papel da cultura como transformação da sociedade" Marcus Vinicíus Faustini, secretário de cultura de Nova Iguaçu.

Por Letícia da Rocha
Imagens de celular

Estará acontecendo na cidade de Nova Iguaçu a Segunda Conferência Municipal de Cultura durante os dias 26, 27 e 28 deste mês. Os participantes da Conferência terão voz para ajudar a construir o novo Plano de Municipal Cultura de Nova Iguaçu. Além disso, todas as decisões tomadas em relação ao plano poderão ser transformadas em lei.

Com isso, mesmo mudando o prefeito de Nova Iguaçu nas próximas eleições, a lei continuará em vigor e a população poderá reinvidicar seus direitos caso a lei não seja cumprida. É uma grande oportunidade para quem se interessa pela questão cultural, ou seja, lideranças comunitárias, educadores, artistas, produtores e gestores culturais da cidade. "

Já foi-se o tempo em que só se falava de cultura entre as pessoas da elite, ou seja, a cultura era só para ricos", diz Jorge Cardoso, sub-secretário de cultura. Nesta mesma linha de pensamento está Silvia Regina, funcionária da Secretaria de Cultura de Nova Iguaçu. Ela diz que os eventos culturais só aconteciam no Rio e com isso a Baixada ficava excluída.
O conselho de Cultura da cidade será renovado de forma democrática, por eleição. Nele serão eleitos 5 membros do governo, 5 de instituições ligadas a cultura e 5 artistas. Os conselheiros eleitos lutarão pela destinação de 1% do Orçamento municipal para a Cultura, este é um indicativo nacional necessário à cultura local.

O evento espera receber 200 pessoas, dentre elas, toda a Secretaria de Cultura e os jovens da cidade. Quinta, dia 26, terá uma solenidade de abertura, às 19h, com presença do prefeito Lindberg Farias e a primeira dama Maria Antônia Goulart. Na mesa estará presente. Sexta, 27, haverá a discussão sobre os temas "Plano Municipal de Cultura", Lugar de artista é no governo?" e a Avaliação de Conselho Municipal de Cultural. E no sábado, dia 28, é dia da eleição dos novos conselheiros, debate sobre diversidade cultural e tecnologia digital, com a preseça de ivana bentes, pesquisadora de midias digitais e professora da UFRJ. À noite, acontece a confraternização geral com uma grande Festa Junina da Cultura, com diversos shows de forró, Afoxémachabomba, poetas e muitas atrações no Espaço Cultural Sylvio Monteiro.

As Inscrições para a Conferência de cultura estarão abertas do dia 10 ao dia 25 de junho no Espaço Cultural Sylvio Monteiro ou na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. A solenidade está aberta ao público, mas no decorrer da evento só entrarão pessoas inscritas.


Programação:

Na quinta-feira, 26/06 – Abertura da II Conferência de Cultura de Nova Iguaçu, às 18h. Após a solenidade, shows com os grupos Caco de Vidro e Afro Nova Era, e apresentação de Décio do Cavaco e Daniel Guerra.

Na sexta-feira, 27/06 - Mesa 1: Plano Municipal de Cultura, às 9h30. Mesa 2: Gestão Pública – Lugar de Artista é no Governo?, às 11h30. Mesa 3: Conselho Municipal de Cultura – Avanços, Desafios e Perspectivas, às 14h. A partir das 19h30 o Afoxé Maxambomba e grupo Ojise Non prometem animar com o melhor da música e dança Afro Brasileira.

No sábado, 28/06 - Mesa 4: Nova Iguaçu Falando para o Mundo – da Diversidade Cultural à Tecnologia Digital, às 9h30. Participarão da mesa a diretora da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO), Ivana Bentes, o secretário municipal de Cultura e Turismo, e Dudu de Morro Agudo, representante do Movimento Enraizados. A festa musical vai começar às 18h, com Rita do Cordel e a apresentação da quadrilha com casamento na roça.

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Escola na praça

Evento em praça do Bairro Palhada reúne a garotada e muda o ponto de vista dos pais a respeito do Bairro-Escola na comunidade.



Texto e fotos por Daniel Santos
Imagens de celular

Os pais dos alunos desconheciam o trabalho realizado pelo Bairro-Escola na escola Municipal Edna Umbelina e por isso muitos alunos não aderiram ao horário integral. Para mostrar como é o trabalho, os coordenadores do programa se articularam com os moradores da Palhada e organizaram um evento na praça do conjunto Rosa Branca Palhada. O evento, que se estendeu das nove horas da manhã até as dez da noite, promoveu oficinas culturais, esportivas, artes plásticas, grafite , audiovisual e dança do ventre, entre outras coisas.



"Só a escola é muito pouco para se articular com a comunidade", diz Rômulo Sales, o coordenador das oficinas culturais do Bairro-Escola. "O evento abriu as portas para mudar a situação do bairro."




Expressão de alegria

As crianças se divertiram com as brincadeiras e ficaram felizes com o carinho dos oficineiros."Gostaria que sempre tivesse essas brincadeiras na praça", diz Mariane Luíza, oito anos, aluna da segunda série.



"Adorei as oficinas de pintura e malabares", diz a menina, que tem o sonho de se tornar professora.Uma das oficinas que mais mobilizou os moradores foi a de grafite. Ela mudou o aspecto do paredão e deixou uma nova referência na praça.



"Um muro sem grafite demonstra um lugar sem vida", diz Marcos Henrique de Oliveira, mais conhecido como Piri. "Já o muro com grafite expressa arte, vida e alegria."





Vitória da catadora


O evento foi organizado em parceria com o comércio local, a associação de catadores de ferro-velho do bairro e a prefeitura de Nova Iguaçu.

"Se a população se unir, a gente vence", diz a catadora de ferro-velho Durvalina Lima de Oliveira, 25 anos, mãe de cinco filhos e uma das principais pessoas responsáveis pela realização do evento. "A população precisa fazer a parte dela, pois isso é pra nós mesmos.


"Embora nenhum dos seus filhos seja beneficiado pelo Bairro-Escola, a catadora se disse gratificada só de "ver as crianças brincando". "Não consegui vaga para meus nas escolas municipais, mas eu sei o que é o projeto e aconselho o pessoal a participar."


Mais cidadão


O evento só não foi mais bem-sucedido porque houve problema com a aparelhagem de som, que animaria a festa junina no final da noite. O problema do som também comprometeu a apresentação dos cantores do bairro. As crianças aproveitaram o palco vazio e fizeram a maior farra em cima dele.


"A grande dificuldade foi de as pessoas abraçarem a idéia", afirma a técnica de enfermagem Rejane Arruda. "Sabendo que tem alguém se importando conosco, a gente se sente mais cidadão. Muito bom ver acontecimentos como esse no nosso bairro."

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terça-feira, 24 de junho de 2008

Fazenda São Bernadino: Quem te viu, quem te vê.

Das grandes exportações às péssimas condições de produção

Por Daniel Santos

Imagens: Daniel Santos e sugadas da internet

Situada entre Vila de Cava e Tinguá, a Fazenda São Bernardino foi construída em 1875 pelo português Bernardino José de Souza e Melo. Tombada pelo Patrimônio Histórico em 1951, ela contava com cavalariças, garagem para carruagens, senzalas, habitações para escravos domésticos e engenhos de cana e mandioca até ser destruída por um incêndio na década de 1980. O que restou daquele potentado neoclássico, que produzia açúcar, farinha de mandioca, café e carvão, foi retalhado por um assentamento de sem-terra. O assentamento completa 22 anos no próximo dia 26 de junho.

As invasões, que começaram com apenas três pessoas, foram se multiplicando a partir da entrada em cena da Igreja católica. Mas restaram apenas 53 famílias das 270 existentes no auge das ocupações. Pode-se atribuir essa queda à violência policial, que resultou inclusive em algumas vítimas fatais. Algumas autoridades acreditam que o número ideal de famílias assentadas seja de 25.

Alagados

"Hoje em dia não há repressão, mas falta apoio à produção", protesta Geraldo, presidente da associação de lavradores da Fazenda São Bernardino. É por isso que a propriedade não tem muito o que comemorar, pois, longe de ser uma área de produção, a ocupação se tornou mais um local de moradia. "A renda que devia vir da pecuária e da agricultura na verdade vem do nosso trabalho lá fora, geralmente na cidade."

O problema não se restringe à falta de incentivos financeiros. O presidente da associação de lavradores lembra de um coqueiral que teve que ser abandonado devido à ausência de técnicos, para dar assistência principalmente na irrigação. Também foi por água abaixo um projeto de criação de cabras incentivado por um dos governos nestes últimos 22 anos. "Como vou criar cabrito em um lugar alagado?", ironiza o agricultor.

Lavagem para os porcos

Geraldo chegou a ter 480 porcos no seu lote, que alimentava com a lavagem que conseguia em idas diárias ao supermercado Guanabara. "Sem dinheiro para manter meus animais, vendi todos eles a preço de banana", conta ele, cuja criação foi reduzida a oito porcos e a 28 cabras. O pior de tudo é que, além de vender por um preço irrisório, Geraldo levou um cano do comprador.

As 53 famílias estão aguardando a festa do próximo dia 26 de junho como uma luz no fim do túnel. "Estamos mobilizando quem pode trazer uma solução para os nossos problemas", conta Geraldo. Além dos 22 anos da ocupação, os lavradores estão comemorando sete anos da própria associação e um ano da criação da biblioteca comunitária, onde podem ser encontrados mais de 10 mil títulos. Já confirmaram presença entidades do governo federal, estadual e municipal.

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Peixes da paz

Pacto pela Paz engloba os projetos da SEMUVV para reduzir índice de violência letal

Por Flávia Ferreira
Fotos: Felipe Rodrigo e site da Semuvv

O Pacto pela Paz é uma iniciativa que pretende reunir, através da internet, pessoas e instituições comprometidas com a segurança pública. O objetivo desse trabalho é reduzir o índice de violência letal. "Acreditamos que o sistema tradicional de combate a violência feito pela polícia com o enfrentamento direto não traz muitos resultados", diz Alexandre Machado, responsável pelo setor de comunicação e relacionamento da SEMUVV (Secretaria Municipal de Valorização da Vida e Prevenção da Violência). Essa rede está conectada por duas comunidades do GRAAL e um perfil do Pacto pela Paz no popular site de relacionamento Orkut, sendo que ainda está em pauta uma futura criação do Blog do GRAAL. Esse programa se aplica aos moradores de Nova Iguaçu, sendo seu foco principal os jovens na faixa etária entre 14 e 24 anos – principais alvos da violência, inclusive da violência letal.

Na internet, através do site de relacionamento Orkut, o trabalho é mapear a rede e trocar informações. "Vamos pegar o trabalho presencial na formação da rede real e estender isso na forma de um braço para a internet", diz Alexandre. Para mostrar como as comunidades do Orkut podem ser úteis aos jovens do grupo reflexivo, ele cita o exemplo dos jovens do Graal do bairro Miguel, que Couto estendem os debates dos grupos reflexivos na internet. "A idéia é usar o site institucional da secretaria e um de relacionamento". Segundo ele, a escolha do Orkut foi feita pensando na possibilidade de estreitar o convívio dos grupos. Desta forma, o projeto fomenta a participação dos jovens nos debates sobre segurança e formam uma rede virtual pela paz.

A internet vem se estabelecendo como um meio de interação privilegiada. "A sociedade funciona cada vez mais em rede", diz Rosa Lima, também responsável pelo setor de comunicação e relacionamento da SEMUVV. O Pacto pela Paz engloba todos os projetos da SEMUVV: o grupo reflexivo GRAAL, o FAVO (Atendimento a Famílias Vítimas de Violência) e o Lutando pela Paz. "A discussão é motivadora para se conseguir reduzir o clima de violência, as ações começam a acontecer", diz Alexandre.

Os projetos implementados foram testados em outros locais. Esse é o caso do Lutando pela Paz, que o secretário da SEMUVV, Luiz Eduardo Soares, implantou em Porto Alegre utilizando a mesma metodologia. A implementação deste projeto, que faz uso das artes marciais, gerou uma série de debates. "Ao contrário do que era exposto nos debates, onde muita gente achou que as artes maciais aumentariam a violência, essas aulas motivaram a disciplina, hierarquia e a moral". Com isso, concluía-se que a aulas de artes marciais não eram e nem geravam violência.

A prática mostra que não basta equipar a polícia para reduzir a violência. "Vemos que o crescimento da violência e o acesso facilitado às drogas têm se tornado cada vez mais universal", diz Alexandre. O mundo atual precisa de menos repressão e mais prevenção. "Precisamos proteger os nossos jovens, que são os que mais sofrem com as crueldades, não necessariamente de policiais, mas de todos os lados."

Para os coordenadores da SEMUVV, os jovens entram no crime por falta de oportunidades e opções. "É aí que esses projetos entram, uma vez que criam meios de competir com os traficantes", diz Alexandre. O GRAAL começou com os policiais do famoso Batalhão da Morte, através de Fernando Acosta, que é o mentor desta metodologia. "Os policiais participantes estavam tão envolvidos que fizeram outros policiais chorarem", lembra Alexandre.

O Pacto pela Paz também se alimenta dos grupos reflexivos criados para proteger as mulheres da violência dos homens. Nas ações deslanchadas a partir da entrada em vigor da Lei Maria da Penha, decidiu-se que o amparo legal dado às mulheres agredidas deveria ser somado a grupos reflexivos formados pelos agressores dessas mulheres. Outro projeto que amplia a rede do pacto é o Favo, um grupo reflexivo que atende familiares de vítimas de chacinas.

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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Até que a morte nos una

Nova matéria da série "Homem da casa" mostra que nem sempre filhas se solidarizam com a dor da mãe.
Por Camila Oliveira e Flávia Sá

A vendedora de produtos espirituais Ana Regina Duarte Cardoso tem 35 anos e mora em Comendador Soares com a mãe, a cozinheira aposentada Joaquina Duarte, de 67 anos. "Meu pai foi embora quando eu tinha sete anos", lembra Ana Regina.

Dona Joaquina jamais criou empecilho para que Ana Regina visse o pai, mas a então menina percebia o sofrimento da mãe e o evitava. "Eu não era boba e via minha mãe chorando pelos cantos." Doía-lhe em particular o fato de o pai não dar a menor importância para o sofrimento de dona Joaquina.

Três pais
É verdade que durante anos o afeto distribuído pela mãe e pelos irmãos dela, particularmente os tios César e Édson, supriu a ausência paterna. No dia dos pais, por exemplo, não perdia tempo invejando as amiguinhas. "Eu fazia uma lembrancinha para cada um dos meus tios e para minha mãe, que foi minha mãe e meu pai ao mesmo tempo."

Ana Regina se sente incomodada quando lhe falam de um possível vazio em seu peito deixado pelo pai. Havia, se muito, uma profunda mágoa com ele. "Nunca dei a menor importância para ele", revela.

O pai esteve no seu aniversário de 33 anos, há dois anos. Foi o único desde que sumiu da sua vida e da de dona Joaquina. Mais uma vez, ela foi indiferente. "Talvez ele faça alguma diferença quando morrer", diz Ana Regina, sem pudor. É que ele é policial federal e ela, sua única herdeira.

Preguiçoso
A história de Ana Regina faz diversas interseções com a de Izabelle de Carvalho, que, além de morar em Comendador Soares, foi abandonada pelo pai. Mas o fim do casamento dos pais foi menos traumático para Isabelle, que na época tinha apenas dois anos e por isso não lembra as circunstâncias da separação.

Ainda ao contrário de Ana Regina, Izabelle não se sentia confortável quando as coleguinhas de classe voltavam do fim de semana falando de maravilhosos passeios com o pai. "Eu não tinha nada para falar porque meus pais eram separados", lamenta.

Curiosa, ela perguntou à mãe porque o casamento havia terminado. "Ela enrolou até o dia em que em que disse que se arrependia amargamente de tê-lo conhecido e começou a falar mal dele", revela a menina.

Izabelle teve acesso a uma história escabrosa, segundo a qual o pai era um preguiçoso e, cansada, a mãe preferiu cuidar dela sozinha. Apesar disso, não foi proibida de receber a visita dele e pôde criar um forte vínculo com o pai. "Ele me pega quase todos os fins de semana e me leva em um montão de lugares", comemora Izabelle.

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sexta-feira, 20 de junho de 2008

A casa das três mulheres

Matéria abre série de reportagens "Homem da casa", sobre famílias com o pai ausente.


Por Camila Oliveira e Flávia Sá

Renata tem 20 anos e Raquel, três. A mãe das duas, a enfermeira de 38 anos Luisa dos Santos Gomes, criou-as sozinha porque, embora sejam filhas de pais diferentes, foi abandonada pelos dois tão logo anunciou a gravidez.
A história dessas três mulheres é permeada de dramas pungentes, que logo no início esbarra em um conflito de versões. "Papai foi embora porque o relacionamento com mamãe já não dava mais certo", conta Renata.

Covarde
A mãe, porém, carrega nas tintas ao contar a razão da separação. "Ele foi covarde e não quis assumir a filha porque dizia que era muito novo e ainda tinha muito que viver", afirma a mãe, que ainda teve que carregar a acusação de que engravidara de propósito.
O drama de Luísa não parou com o abandono do namorado, quando ainda era menor de idade. Aquele era uma época em que havia muito moralismo e seus pais botaram-na para correr de casa. "Fui morar com uma amiga", conta a mãe de Renata.

Como as amigas
Foi graças à amiga, que morava com uma tia, que conseguiu concluir o curso de enfermagem dois meses após o nascimento de Renata. Luísa só arrumou seu primeiro emprego, como acompanhante de idosos, quando a filha tinha nove meses. "A tia da minha amiga ficava com a Renata", conta Luísa.
Renata começou a ir para a escola com três anos e, com o passar do tempo, percebeu que a família era diferente. "A minha não tinha pai", lembra. Em nome do desejo de ser igual a suas amigas, perguntou à mãe se era órfã. "Minha mãe disse que não, apenas que não moravam juntos."

Nova família
Renata ficou radiante quando a mãe resolveu levá-la para conhecê-lo. "Ele me visitou com freqüência até os meus seis anos", diz ela. Mas esse foi o típico caso de alegria de pobre: durou pouco. "Minha mãe foi pedir que ele ajudasse com as despesas ao ficar desempregada e ele resolveu sair fora outra vez", lamenta.
A vida de Renata e Luísa deu muitas voltas. Depois da decepção com o pai da menina, a enfermeira pediu socorro aos pais, onde ficaram até a mãe conseguir um emprego estável e, acima de tudo, arrumar um namorado disposto a constituir uma família com as duas.

Quem é você?
Mais uma vez, a felicidade de Luísa durou pouco. "Quando eu fiz 14 anos, ele chegou alcoolizado em casa e tentou abusar de mim", conta Renata. O desespero da menina só não foi maior do que a nova decepção com o pai, a quem procurou quando viu a dificuldade para a mãe manter o aluguel do quarto-e-sala em que as duas foram morar. "Quando eu fui pedir ajuda, ele fingiu que não me conhecia."
Para ajudar a mãe, que trabalhava como auxiliar de enfermagem em um hospital, Renata foi tomar de conta de crianças para ajudar nas despesas. "Queria que minha trabalhasse menos, para que ficássemos mais tempo juntas." Luísa só aceitou a ajuda da filha até Renata perder um ano na escola.

Ano perdido
Há três anos, Luísa arrumou um novo companheiro, porém, mais uma vez, o que era doce acabou tão rápido como uma brincadeira de criança. "Ele arrumou uma outra mulher e se separou de mim", lamenta Luísa. Essa relação deixou como saldo uma irmãzinha para Renata e uma pensão para a mãe. "Não deixa de ser uma ajuda", contabiliza a mãe.
Renata diz que não confia em homem algum e que morre de pena de tudo o que a mãe teve que passar. Chegou a perguntar por que ela não a abortou. "Você não teria tantos problemas", disse para a mãe. Mas a mãe diz que não abortou porque já a amava antes mesmo de ela nascer.
Renata, que está para terminar o ensino médio em uma escola pública de Mesquita, nunca mais procurou o pai. "Eu trabalho meio período em uma loja de roupa para ajudar minha mãe e minha irmã."

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O profeta do "Dono da Lua''

Jesus Cristo Voltará! Uma mensagem ou uma pessoa?

Por Breno Marques e Paulo Nino

Dono da Lua. É assim que o pastor João Raimundo Soares de Melo, de 76 anos, nomeia Deus. João, uma das figuras mais conhecidas de Nova Iguaçu, é popularmente conhecido como o profeta Jesus Cristo Voltará. Ele ronda a cidade a bordo de uma Fiat 147 com adesivos por fora e por dentro, com a seguinte frase: Jesus Cristo voltará! Ele faz isso há cerca de 20 anos. Ele já teve onze carros, contando com o mais novo. Tirando o décimo e o décimo primeiro, os outros foram parar no ferro-velho. "O primeiro foi para o ferro-velho, o segundo e o terceiro também, foi assim até o nono carro. O décimo está lá em casa, quebrado. Já está quase indo para ferro-velho'', afirma o pastor, achando engraçado o fato de todos os carros terem o mesmo fim.


Conversão de João
Na adolescência, João não era uma pessoa cristã. Ele bebia, fumava, freqüentava carnavais e festas. Tudo começou em 1954, quando ele tinha 22 anos. Ao ver um culto numa praça, resolveu aceitar Jesus. Naquele momento acontecia uma pregação sobre a morte de Jesus. "A pastora disse que Jesus morreu por todos nós e aí eu pensei: ´Ele morreu por mim!´ Foi aí que eu me converti'', revela João com alegria.
Começo da mensagem
João Raimundo, depois de se converter, começou a ler a Bíblia. Numa dessas leituras, conheceu o livro de João e Atos. Coincidência ou não, os dois livros diziam que Jesus Cristo voltaria. "A mensagem que eu anuncio só tem duas palavras e uma mensagem: Jesus Cristo voltará.''

Antes de ser pastor, João trabalhou cerca de dez anos na Casa Cutia, uma casa de tecidos no Centro do Rio. Com alguns funcionários evangélicos, João teve a idéia de passar a mensagem que lera na bíblia. "Comecei com folhetos. Eu botava folhetos enrolados nos pacotes dos clientes junto a cordões, elásticos, tecidos. Nele, constava o dizer: 'Jesus Cristo Voltará!'", explicou João. Mas nem todos gostavam dos bilhetes. Teve uma freguesa que reclamou com o patrão, que por sua vez lhe pediu para parar de entregar os bilhetes nas mãos das pessoas.

Quando João fez 10 anos de serviço, pediu para que o patrão fizesse uma carta de transferência para a Casa Arthur,
uma casa de tecidos do Largo do Machado. João queria passar a mensagem em outros lugares. Lá, João também ficou mais dez anos e passava os mesmos bilhetes, apesar de serem escondidos. "Um dia, eu estava botando os bilhetes no envelope de compras quando o doutor Felix, o dono da casa, me perguntou o que eu estava colocando nos pacotes das pessoas. Eu falei que estava colocando pedras preciosas e e ele disse: 'Se forem pedras preciosas, eu quero umas para colocar no meu sapato.'" João, com medo de ser demitido, foi até o dono da casa com um bilhete e explicou o que fizera. "Ele não brigou, mas pediu para que eu parasse de fazer aquilo.''

Insatisfeito com a proibição, João lembrou que, na Casa Cutia, havia dado uma Bíblia para cada funcionário. "Gostaria de fazer isso lá também." Como eram 90 funcionários e ele não tinha dinheiro para pagar todas as bíblias, pediu ajuda ao dono da Casa Arthur: "Será que o doutor me ajudaria?'' O comerciante concordou em dar as bíblias de presente.

João queria passar a mensagem para mais pessoas e pediu ao Dono da Lua para o tirasse da Casa Arthur e o colocasse nas filas de ônibus. "Quando completei dez anos de casa, eu me aposentei e comecei a percorrer as filas de ônibus de todo o Grande Rio." Para distribuir cerca de 5 mil bilhetes, passava, sempre a pé, por quase 400 filas de ônibus. Seguindo conselho do doutor Felix, ele entrou numa auto-escola e tirou a carteira.

João Raimundo não tinha dinheiro para comprar um carro, pois tinha que sustentar a esposa e os seis filhos. "Eu me baseio no Dono da Lua, que me encaminhou para um versículo da Bíblia que falava sobre como conseguir as coisas." João interpretou como a doação de um carro doado, que também chegou às suas mãos com base no mesmo versículo. "Todos os carros foram doados, inclusive esse. Peço ao Dono da Lua e ele usa alguém para doar", revela João, acreditando que os carros são enviados de Deus.Passando sufoco
Nesses 20 anos, João Raimundo Soares de Melo passou por várias enrascadas tentando passar a sua mensagem. "Uma vez eu estava num posto de gasolina e o capuz do carro começou a pegar fogo", conta ele, que foi salvo pela velocidade com que o frentista acionou o extintor de incêndio. A chuva também já castigou João. "Outra vez estava chovendo muito, mas eu tinha que sair para passar a mensagem e entrei em uma rua que alaga." Quando deu por si, a rua estava cheia de água, que subiu até o acento do banco do motorista. "Fiquei desesperado e saí do carro", lembra. "A enchente levou o carro até o final da rua. Logo em seguida, vieram mais uns três carros arrastados pela enchente e bateram no meu, que estava imprensado no muro'', lamenta-se João, com o ar de tristeza.

Enviado de Deus
Mas nem tudo é tristeza na vida de João. Uma vez, ele achou uma sacola de mercado em frente a sua casa, dentro da qual havia um menino com cinco dias de vida aos berros. "Chamaram a polícia para levar a criança, mas eu pedi para cuidar dela'', conta João, apesar de já ter então cinco filhos em casa. A sorte é que a esposa acabara de dar à luz e estava com as mamas cheias de leite. João batizou o filho com um nome bíblico, em homenagem ao Dono da Lua. "Batizei de Moisés, aquele que foi salvo das águas. Porque ali passava a enchente'', conta João.
O carro e a música
Do nada, João teve a idéia de encher seu carro de adesivos com a frase "Jesus Cristo voltará'', bordou roupas e fez uma música. "Tenho aproximadamente 400 letras na roupa, e no carro nem sei quantas." O pastor teve a idéia de compor a música quando conheceu o computador. "Eu pedi para fazer a música no computador, mas sou eu mesmo que canto'', sorri João, que põe a música para tocar em alto e bom som por todos os cantos da cidade.

A família de João
A família de João não entende o fato de ele sair pelas ruas passando a mensagem, achando que é maluquice. "A família não apóia, mas eu não ligo, não!", afirma. O Dono da Lua lhe disse que seguiria sozinho como João Baptista.O visual
O pastor conta que a barba branca e a túnica bordada, que lhe dão um ar de profeta maluco, não têm nada a ver com promessa. "Ando assim porque gosto'', diz ele. A barba é um desejo que alimentava desde a época da Casa Cutia, onde era marcado de perto pelos funcionários do departamento pessoal. "Deixei ela ficar grande assim porque li na Bíblia que os profetas tinham barba branca." Mas não era só no trabalho que havia implicância com a barba de João. "Minha mulher também implicava, mas eu não cortava'', afirma o pastor, dando risadas.

João já pediu ao Dono da Lua para viver até os cem anos de idade. "Só faltam 24 anos para chegar lá", contabiliza. Além desse pedido, o pastor revelou mais um desejo seu: "Quero ter mais um carro. O próximo vai ser branco com letras verdes'', fala João, com um ar sonhador.

As ajudas
O trabalho de João sobrevive graças às doações, que incluem carros, gasolina e refeições. "Os carros são doados pelas pessoas que gostam do meu trabalho. A gasolina vem de um posto que fica na Av. Nilo Peçanha, onde abasteço o carro todas as semanas. E o café da manhã, sempre tomo em Belford Roxo, numa igreja.''

João disse que o último carro foi mais um presente do Dono da Lua, que ele pediu com ardor durante a madrugada. No dia seguinte, ele foi ao sacolão e foi bafejado com a primeira de cinco doações. "Um rapaz de carro parou na minha frente, desceu o vidro e me ofereceu R$ 2 mil", conta o pastor. O mesmo rapaz, que disse que a grana era para trocar de carro, o chamou para uma reunião. "Lá, um médico que me deu mil reais e o mesmo cara me deu mais R$ 600." Logo depois, quando voltava para casa, ganhou R$ 400 do dono de uma casa de móveis. Para completar a saga, o proprietário do carro que tentou comprar com os R$ 4 mil ganhos naquela manhã topou fazer um abatimento de R$ 2 mil para ele. "Ele conhecia meu trabalho."
Carona para o prefeito
João diz que já deu carona até para o prefeito de Nova Iguaçu. "Uma vez veio esse rapaz que é prefeito de Nova Iguaçu, o Lindemberg Farias, e entrou no meu carro. Fui com ele até o final da rua'', diz ele.

Perguntamos ao João Raimundo Soares de Melo: se ele pudesse realizar um milagre, qual seria?

"Queria ter o dom de curar as pessoas'', finaliza João, pensando no próximo e aumentando o volume da música que toca sem parar em seu carro:

"Jesus Cristo voltará, voltará ,voltará
Jesus Cristo voltará, voltará ,voltará
Jesus está voltando, ele mandou anunciar
Passará o céu e a terra, mas sua palavra ele cumprirá''.

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