quarta-feira, 30 de abril de 2008

O chão da palavra

José Carlos Avelar no Iguacine

Por William Faria da Costa
Fotos: Site da Prefeitura de Nova Iguaçu

No terceiro dia do primeiro festival de cinema de Nova Iguaçu, o Iguacine, o crítico de cinema José Carlos Avelar deu uma palestra na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu. Ele falou do seu novo livro, 'O chão da palavra', cujo tema central discute as semelhanças e diferenças entre o cinema e a literatura.

José Carlos Avelar deixa bem clara a sua opinião: ele não vê as adaptações cinematográficas baseadas em obras literárias como meras ilustrações de um livro. Segundo ele, quando um cineasta faz uma adaptação, não quer dizer que deva ser uma cópia fiel e limitada do livro. Para o crítico, o cineasta dá a sua visão da história que leu. "O ponto comum entre o cinema e a literatura é que cada um quer inventar uma maneira própria de fazer arte"acrescentou.

Essa relação tão próxima entre cinema e literatura surgiu durante a década de 60, quando os cineastas brasileiros sentiram a necessidade de fazer um cinema com a cara do Brasil. Para fugir

da estética do mundo europeu e norte-americano, a solução foi recorrer à literatura nacional, já que esta falava muito mais de nossos personagens locais. Desta forma, passaram-se a filmar nosso clima, nossos problemas, nossa afetividade, nossa realidade, enfim.

Diferenças entre cinema e literatura

O cinema tem facilidade de viajar pelo tempo sem confundir o espectador. "Esta confusão ocorre mais freqüentemente quando essa viagem no tempo é feita pela literatura", explicou o crítico. No filme, o tempo verbal é sempre o presente. No livro é o passado, mesmo que seja um passado imediato. Para escrever um livro, sempre se pode utilizar um dicionário, mesmo que não seja seguido à risca. "Já o cinema não dispõe de um dicionário de imagens", disse Avellar, citando o cineasta Pier Paolo Pasolini.

Para o crítico, o livro dá sentido às coisas em sua essência, sem ambigüidades. No campo do cinema, as imagens das coisas são essencialmente ambíguas e contraditórias. José Carlos Avelar finalizou a palestra dizendo que cinema e literatura formulam imagens mentais distintas e não restringidas. Reforçou também que, entre filmes e livros, não há uma forma de arte mais importante. "As duas são capazes de ajudar no crescimento cultural do indivíduo."

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Cinco vezes Cacá Diegues

"Existe uma curiosidade e uma vontade diferente da que está consagrada, e isso é muito estimulante". (Cacá Diegues)

Por Flávia Ferreira
Fotos: Felipe Rodrigo e Gabriela Gama
O alagoano Carlos Diegues, ou simplesmente Cacá Diegues, é um dos fundadores do Cinema Novo. Um dos cineastas brasileiros mais populares, ele foi presidente do diretório acadêmico da PUC, onde cursou direito. "Nesta época ainda não existia faculdade de cinema", explicou na palestra que deu na Escola Livre de Cinema, em Miguel Couto.

Durante sua carreira cinematográfica, Cacá ganhou inúmeros prêmios com os filmes "Tieta do Agreste, "Orfeu" e "Dias Melhores Virão", entre outros. Chegou também a ser jurado do Festival de Cannes.

Este renomado cineasta marcou presença no IguaCine para falar da regravação do filme "Cinco Vezes Favela", agora com a ótica de jovens cineastas das favelas do Rio. Confira nosso bate-papo com o Cacá.

Você se articula muito com as produções de favela. Por que seu interesse?

Existe uma grande novidade nessa produção que me interessa. É um registro de vida e de estéticas novas que me interessa conhecer. Então, essa minha ligação com eles não é puramente cinematográfica, mas pessoal.

Como vê as produções cinematográficas com a democratização do cinema permitida pela tecnologia digital?

Acho que é a grande revolução que estamos vivendo neste momento. Nós vamos ter a possibilidade de conhecer o desconhecido, descobrir cultura, o comportamento e o hábito de pessoas que a gente nunca veria se não fosse o audiovisual.

Quando presta atenção nas propostas dos novos filmes, o que consegue enxergar?

Infelizmente, quando olho para muitas produções, percebo que nossas produções do Século XXI se voltam à Hollywood do séc. XX. Todas as maneiras que foram produzidas no Séc. XX, nós reproduzimos agora, mesmo até sem perceber. Parece uma cópia dos filmes Hollywoodianos. Nos vestimos como nos filmes americanos, andamos e bebemos como eles.

Acho que o Brasil tem que fazer isso de uma forma mais patronal. E uma nova forma de fazer cinema se dará a partir do momento que se dê voz a população.

Segundo uma pesquisa feita pelos jornais O Globo e Folha de São Paulo, você é considerado o diretor brasileiro mais popular no Brasil. Porque acha que recebeu essa marca?

Só fico feliz, mas não me preocupo com isso. Acho que tenho que fazer meu papel, fazer os filmes que tenho vontade de fazer. Porque as conseqüências, eu não controlo.


Nós estamos no campo da generosidade social ao investir em filmes como o "Cinco vezes favela II", ou já existe maturidade estética na produção da periferia?

Existe uma cultura estética muito maior do que quando filmei "Cinco vazes favela". Hoje, mesmo que não pratiquem o audiovisual, eles têm um conhecimento, nem quem seja instintivo. Acho que existe uma curiosidade e uma vontade diferente da que está consagrada, e isso é muito estimulante. Você vê isso nos filmes que já fizeram. Eu percebo o quanto são originais e como o olhar é diferente. E em conjunto a isso surge uma nova estética, com um humor novo. O que me impressiona é que existe um grande gosto por fazer cinema, e isto está criando uma imagem nova e nunca vista. E isto não tem nada de generoso.

Se fosse rodar um filme aqui em Nova Iguaçu como ele seria?

Não sei, acho que Nova Iguaçu dá imagem para vários filmes.

O que leva de sua participação no IguaCine?

Exemplo de uma atitude de vanguarda diante do cinema brasileiro. Um jeito corajoso e, sobretudo, uma atitude que deve ser reproduzida para as outras cidades da Baixada e para o mundo.

Você acha que este festival afirma Nova Iguaçu no universo cinematográfico?

Claro, está começando a fazer isso, sem dúvida nenhuma.

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terça-feira, 29 de abril de 2008

Cinema Paradiso Cearense

Crítica premiada está chegando ao fim.

Publicamos crítica de Hanny Saraiva para estimular concorrentes a mandarem seus trabalhos.

Pesquisadores afirmam que é necessário desapaixonar-se por seu objeto de estudo. No Iguacine, testemunhei o contrário, os filmes são provas vivas da paixão que se tem pela arte audiovisual e pelos objetos documentados. A memória e a singularidade das histórias periféricas palpitam em honestidade, amor e entusiasmo. Foi assim que Cine Zé Sozinho adentrou o festival. A simplicidade e o carisma de José Raimundo Cavalcanti, aquele senhor que passa filme em um canto do Ceará, no mais periférico dos periféricos é sinônimo de persistência e ingenuidade que só cabe a sonhadores. Muito parecido com o tipo de filme que se produz na Baixada ou em qualquer outra periferia do mundo. Resumo do que Iguacine acredita: a câmera é lápis que sente o mundo. No caso de seu Zé, levar cinema onde nunca se tinha visto uma tela de cinema.
Envolto a uma áurea mágica do cinema de película, Zé Sozinho é contemporâneo lá na década de 70 quando seu cine ambulante exibia filmes nacionais e estrangeiros a preços populares. O local já agia sobre o global, modificando visões, construindo memória.

A direção de Adriano Lima não quer mostrar as dificuldades do protagonista ou sua pobreza como vários documentários tendem a seguir, mas sim uma paixão para com o Cinema que vai além dos discursos de jovens cineastas que tem o sonho de ganhar a vida fazendo filme. Zé Sozinho faz cinema. Ao inserir trechos de faroeste em filmes “de Jesus” ele não só modifica a narrativa, mas atende a demanda do público, sedento por ação, como diz uma das entrevistadas: “A gente queria o movimento”.

Não há nada de novo, mas ver Zé Sozinho rodar com seu próprio dedo a moviola é o retrato do cineclubista em sua vestimenta mais pura e simbólica, aquele que mesmo sem recurso, reinventa. Cine Zé Sozinho é um pouco do que hoje se busca na periferia com cineclubes como Buraco do Getúlio, CineGoteira, CineGuandu. Não é luta diária em busca de patrocínios, mas expressão de um grupo que ao optar por entreter-se com cinema, modifica a visão daqueles que estão ao redor do local onde a exibição acontece, não uma mudança radical ou marxista, mas a forma de ver o mundo através de emoções e imagens.

Com uma fotografia simples, mas bela, Cine Zé Sozinho encanta pelos detalhes do roteiro, pela pontual montagem e acima de tudo, pela verdade de seu protagonista, que segundo o diretor é “uma pessoa de uma simplicidade incrível”. Homenageado no 13°Cine Ceará, seu Zé viajou de avião, hospedou-se no hotel, mas não sabia que podia comer de graça. A doçura e honestidade desse produtor de cultura fazem do documentário um filme peculiar. Sensível a ponto de nos abraçar com o amor daquele que “passa filme”, tocante por exemplificar como a memória pulsa no imaginário e no coletivo. A arte como força propulsora. Zé Sozinho não estava sozinho quando percorria cidades no Nordeste, ele levava o que todo cineclubista acredita: não se dedica vida ao Cinema, vive-se a vida com o Cinema

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Deu a louca no Iguacine

Filme que rima filosofia com pornografia leva Iguacine
Por Bruno Marinho
Fotos: Louise Teixeira

"A psicose de Valter", do paulista Edu Kishimoto, foi o grande vencedor do Iguacine – O primeiro festival de cinema da Baixada Fluminense. Ele saiu de lá com quatro latas de negativo 35mm da Kodak, uma licença Dolby para curta-metragem, duas horas de telecinagem off line e quatro horas de on line na Link Digital, mais o empréstimo de equipamento e mixagem da CTAV.

O júri, formado por Jorge Barbosa, Patrícia Montmor e Rui Gardnier, também deu menção honrosa para os curtas "Muito além do chuveiro", de Poliana Paiva, e "Trópico das cabras", de Fernando Coimbra. O prêmio de aquisição do portal Porta Curtas Petrobrás, no valor de R$ 750, foi para "Picolé, pintinho e pipa", de Gustavo Melo.
"Lá no fim do mundo", do Coletivo Mate com Angu, levou a câmera Mini-DV oferecida pela Nut Bebidas ao vencedor da Mostra Baixada. "Minha tia, meu primo", de Douglas Soares, ficou com a câmera Mini-DV concedida pela Insanity Surfwear ao ganhador da Mostra Filme de um Homem Só . O júri das mostras Baixada e Filme de um homem só, formado por Cavi Borges, Marcos Serra e Karen Barros, deu menção honrosa para "A incrível história de Coti: Rambo do São Jorge", do amazonense Anderson Mendes. Esse último filme concorreu na categoria Filme de um homem só.

Antes da solenidade de entrega, apresentada pelo mano Rafael Nike, o festival fez uma homenagem à TV Maxambomba. A sessão serviu o filé mignon dos programas exibidos mensalmente durante os 15 anos de existência da TV Maxambomba, uma realização do CECIP (Centro de Criação de Imagem Popular). Foram exibidos quatro filmes. "Meio ambientemente", "História de Nova Iguaçu", "Alinhavando a vida" e "Vote em Lindomar". Representando o CECIP, Luiz Carlos Lima, o Luizinho, registrou sua gratidão à TV Maxambomba. "Aquela experiência foi um marco na história da Baixada", disse ele, que saiu direto do exército para a ong, em meados da década de 1980. Atualmente, Luizinho trabalha na Casa da Ciência da UFRJ.

Um dos adjuntos da Secretaria de Cultura e Turismo, Écio Salles comparou a noite de ontem à da entrega do prêmio Orilaxé, com o qual a ong Afro-Reggae contempla as personalidades que mais se destacaram nas áreas social ou de cultura negra em cada ano. "Tenho certeza de que estamos vendo nascer uma coisa muito especial aqui", disse um emocionado Écio Salles, que durante anos foi um dos principais coordenadores do Afro-Reggae.

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Coletando emoções

Parceria entre Sesc e Reperiferia aproxima gerações

Por Renata Manso
Fotos: Louise Teixeira

Não era filme de Hollywood, mas não faltaram lencinhos na exibição do filme "Coletores de Imagens" na tarde do último sábado, no Sesc de Nova Iguaçu. Uma das ações do Iguacine, o projeto deixou emocionadas as senhoras que viram suas histórias pessoais apresentadas para todos os presentes. “Nunca imaginei que minha história pudesse passar numa tela”, disse Diva Rodrigues, de 68 anos.

O Coletores de Imagens é uma parceria entre o Sesc do Rio de Janeiro e a ong Reperiferia. Na prática, jovens da periferia da Região Metropolitana do Rio de Janeiro entram na casa de pessoas idosas e enquanto as filmam com câmeras digitais pedem para que estas mostrem fotografias e objetos que marcaram sua história pessoal. “Trata-se de um dispositivo para aproximar jovens e idosos em um ambiente de trabalho”, explicou Marcus Vinicius Faustini, secretário de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu e idealizador do Coletores de Imagens.

O projeto, que já foi implantado em locais remotos como Nova Iguaçu, Complexo da Maré e São Gonçalo, não é apenas uma experiência quase catártica para as senhoras que aderiram em peso. “Com o Coletores de Imagens, a gente consegue reconstruir a memória de cada bairro e repassá-la para a juventude”, disse Faustini.

Mas nem tudo são flores no projeto. Um dos jovens presentes à sessão narrou as dificuldades para transitar nas áreas em que o projeto é realizado, geralmente dominadas pelo chamado poder paralelo. Com medo de que os bandidos suspeitassem da câmera usada para registrar os depoimento, fez as entrevistas às escondidas. “Não queria prejudicar ninguém”, disse ele. “Nem o entrevistador nem o entrevistado.”

Apesar dessas dificuldades, os idosos experimentaram uma alegria incomum ao contar fatos marcantes, como um namoro de adolescência. Diva Rodrigues, por exemplo, chegou a mostrar a toalha usada no seu batizado.

“Lembrei muitas histórias da família”, disse Odenilda Santos Silva, uma moradora de 72 anos de São Gonçalo, primeira cidade em que o projeto Coletores de Imagens foi implantado. O projeto levou Maria Nazaré Rocha Ferreira, 68 anos, às lágrimas pelo menos em duas ocasiões. Quando assistiu ao filme e quando mostrou a foto dos seus três primeiros filhos.

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segunda-feira, 28 de abril de 2008

Quem não foi perdeu

Quem esteve presente na abertura oficial do Iguacine presenciou uma noite repleta de emoção, música e cinema.

Por Flávia Ferreira

Fotos: Louise Teixeira

A abertura oficial do IguaCine foi feita no dia 24 de Abril pelo mestre de cerimonias Rafael Soares, o "Nike", no Espaço Cultural Sylvio Monteiro. O Espaço abrigará grande parte das mostras do Festival. Nike apresentou os convidados e os homenageados da noite para o público presente.

Dentre os convidados estava o poeta Moduan Matos. Moduan recitou um poema, de sua autoria, sobre cinema. MC Dotadão cantou o funk sobre os filmes que já viu no cinema. Como foi a Escola Livre de Cinema que pensou todo o festival, sua representante, Cristiane Braz, falou de suas espectativas com o IguaCine.


Marcus Vinícius Faustini, cineasta e secretário de cultura da cidade, também estava lá. Afinal, ele está dentre os que idealizaram e organizaram tudo que vocês verão até o dia 30 de Abril. Ele diz estar feliz em poder contribuir com o festival.

- Quero transformar o audiovisual em um processo onde a cidade contribui para construir um futuro melhor - Diz ele, entusiasmado com tudo que virá.

Não posso deixar de citar o comandante de nossa cidade, o prefeito Lindberg Farias. O prefeito agradeceu aos parceiros que acreditaram nesta investida, e disse ver com muito orgulho o que este Festival traz consigo.

- Nada adiantaria o festival sem o que está escondido, que é essa riqueza cultural e social, repleta de angústias que se encontra em Nova Iguaçu - entusiasma-se Lindberg.

Tivemos também o cineasta Sérgio Sanz, que foi homenageado pelo evento, recebendo um troféu por todos seus feitos dentro do mundo cinematográfico. Inclusive, seu filme "Devoção" foi exibido na abertura do festival. O documentário de Sanz fala da representação dos santos católicos e do orixás do candomblé.

Sérgio Sanz ficou emocionado com a homenagem que recebeu e afirmou, também, que esse festival já deu certo, basta ver o número de inscrições para perceber este fato. Ele acredita que surge 'um cinema' aqui e, se não apresentarmos ao mundo, nada acontecerá.

- O Rio de Janeiro é um tambor, se não apresentar nada novo para ele, vai ficar sempre na mesma. Tem que fazer o cinema daqui acontecer no Brasil - diz ele

Após a exibição do filme, o público presente pode desfrutar de um saboroso coquetel. Feijão amigo, Caldo de inhame com carne seca, salgadinhos e churrasquinhos combinavam perfeitamente com caipirinhas e batidinhas. Tudo isso ao som da voz e do violão de Daniel Guerra, vocalista da banda iguaçuna de forró 'Pimenta do Reino'.

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Inclusão Subjetiva

"Não adianta ensinar um menino a bater lata e usá-lo como macaquinho para burguesia ver". (Marcus Vinicius Faustini)

Por Flávia Ferreira

Imagens - Maryane Dias e Gabriela Bré

A todo instante somos rodeados de imagens que possuem movimento próprio, como carros, pessoas, paisagens, entre outros. Importar a imagem, através de fotos ou vídeo, sugere uma variedade de sentidos que se resume em perceber, sentir e transmitir determinados assuntos de forma mais livre e mais subjetiva. Desta forma, a subjetividade e a imagem se ligam, uma vez que somente uma imagem tem inúmeras representações. Ela organiza nosso imaginário e por meio delas pode-se resumir uma série de visões de mundo.

Na periferia, muitos projetos de inclusão são discutidos, porém nenhum deles representa o mundo que este jovem vivencia. Logo quando refletimos sobre uma forma de colocar o jovem no mundo, pensa-se, primeiro, em dar suporte técnico para estes, porém de nada adianta incluí-lo sistematicamente se este não traz consigo sua carga de experiências. “Não adianta tornar o jovem de periferia popular, se ele não incluir, dentro de sua ascensão, a subjetividade das periferias na subjetividade do mundo’, acredita Marcus Vinicius Faustini, cineasta e Secretário de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu.

Incluir subjetivamente é mostrar que o jovem pode usar seus próprios instrumentos, como celular e o MP3, para criar linguagens para o mundo. "Não adianta ensinar um menino a bater lata e usá-lo como macaquinho para burguesia ver", diz ele.

Faustini lembra que o pobre escuta continuamente que ele não deve fazer certas coisas, que não foram feitas para ele. E o espírito crítico só é desenvolvido quando você passa a mostrar aos outros que pode manipular o mundo. “Ser um indivíduo crítico não é ser ranzinza, mas saber diferenciar as particularidades de cada local. A idéia de inclusão subjetiva faz com que as pessoas percebam que o mundo é uma linguagem.”

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domingo, 27 de abril de 2008

O LANTERNINHA SENSACIONALISTA

DIVISÃO DO RACHUNCHO
Nesta noite serão conhecidos os grandes vencedores do Iguacine. Os sete prêmios, coerentes com a linha do festival, serão estímulos à produção cinematográfica. Só para exemplificar, o melhor curta-metragem leva 4 latas de negativo 35mm x 400 pés.


BAIXARIA NO FESTIVAL
"As Aventuras do Agente 77, em Cinco Atos", de Cacau Amaral, abre a Mostra Baixada no Espaço Cultural Sylvio Monteiro, às 19h. Participam apenas filmes produzidos na região. Baixada Fluminense. O vencedor volta para casa com uma câmera Mini-DV, oferecida pela Nut Bebidas.
SÓ FILÉ
Valter Filé é o diretor de dois dos três filmes exibidos na Sessão Maxambomba, que antecede a premiação do Iguacine. A sessão deste domingo 27 de abril serve o filé mignon dos programas exibidos mensalmente durante os 15 anos de existência da TV Maxambomba, uma realização do CECIP (Centro de Criação de Imagem Popular).

MATOU A FAMÍLIA E FOI AO CINEMA
"Tô nem aí", de Du Valente e Júnior Brassalotti, é um dos seis filmes da mostra Panorama de Projetos Audiovisuais, que começa às 15h no Espaço Cultural Sylvio Monteiro (R. Getúlio Vargas, 55 - Centro de Nova Iguaçu). "Tô nem aí" é um dos curtas produzidos durantes as famosas Oficinas de Querô.

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sábado, 26 de abril de 2008

O lanterninha sensacionalista

Boletim sensacionalista do Iguacine - 1º Festival de Cinema de Nova Iguaçu

FILHO DO QUITANDEIRO VIROU CRÍTICO!
As blogueiras Aninha Paiva, Daniella Vieira e Aline Maciel bateram um papo com o jornalista Rodrigo Fonseca, crítico de cinema do jornal O Globo e um dos curadores do Iguacine. Ao Jovem Repórter, Fonseca, descendente de portugueses nascido no Morro do Adeus, contou ter feito até macumba para virar crítico!

ÔNIBUS INVADE CINEMA NA BAIXADA
"O Paradoxo da espera do ônibus", de Christian Caselli, e "Busólogos", de Cristina Muller, são dois dos dez filmes exibidos hoje na Mostra Competitiva do Iguacine. Tem sessão às 17h e às 19h, no Espaço Cultural Sylvio Monteiro (R. Getúlio Vargas, 55 - Centro de Nova Iguaçu).

MENOR TOCA O TERROR NO CINEMA
Filme "Juízo", de Maria Augusta Ramos, é a atração da noite na Mostra Panorama Nacional do Iguacine. Sessão é às 21h, no Espaço Cultural Sylvio Monteiro (R. Getúlio Vargas, 55 - Centro de Nova Iguaçu).

ET PRETO POUSA EM LOCAL DE CHACINA
Black Alien é um dos personagens mais badalados da cena hip-hop carioca, retratada no documentário L.A.P.A, de Cavi Borges e Emílio Domingos. O filme, que está percorrendo os bairros de Nova Iguaçu, é exibido na noite deste sábado, 26 de abril, em Cerâmica. O bairro ficou marcado pela chacina de 31 de abril de 2005. A sessão faz parte da festa de inauguração da Escola Livre de Música Eletrônica, que está marcada para as 19h.

MAIS CONTAGEM DE CORPOS
Mais de 2 mil pessoas se encantaram com a sétima arte em três dias de Iguacine.

BOMBOU NA MÍDIA
O Iguacine, que já caiu nas graças da mídia nacional, marca mais um golaço. Neste domingo, 27 de abril, Marcus Vinicius Faustini, idealizador do festival, assina artigo no jornal O Globo. Na Revista, fala sobre a importância do Iguacine para Nova Iguaçu.

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sexta-feira, 25 de abril de 2008

O lanterninha sensacionalista

Boletim eletrônico do Iguacine

É HOJE!
Por causa de uma viagem emergencial, a oficina do mestre José Carlos Avellar, inicialmente marcada para a tarde de sábado no Espaço Cultural Sylvio Monteiro, foi transferida para as 19h desta sexta-feira, 25 de abril, na Secretaria de Cultura e Turismo (Avenida Nilo Peçanha, 480, 2º andar). Programe-se! As vagas são limitadas.

PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS CONTRA DINHEIRO FÁCIL EM NOVA IGUAÇU
"Presidente dos Estados Unidos" e "Dinheiro fácil" são dois dos nove filmes exibidos nesta sexta-feira, 24 de abril, na Mostra Competitiva do Iguacine. Haverá sessão às 17h e às 19h no Espaço Cultural Sylvio Monteiro (R. Getúlio Vargas, 51 - Centro de Nova Iguaçu).

E MAIS: O RAMBO TAMBÉM ESTÁ NO IGUACINE!
"A incrível história de Coti: Rambo do São Jorge", do diretor amazonense Anderson Mendes faz parte de mais uma sessão da Mostra Um Homem Só, às 16h desta sexta-feira, 24 de abril, no Espaço Cultural Sylvio Monteiro (R. Getúlio Vargas, 51 - Centro de Nova Iguaçu).

BATE-ESTACAS ARMADOS NA BAIXADA!
Depois de ganhar uma Escola Livre de Cinema, é a vez de Nova Iguaçu abrigar uma Escola Livre de Música Eletrônica. Nos mesmos moldes da escola dedicada ao audiovisual, com aulas pela manhã e tarde dedicadas aos estudantes de escolas municipais e cursos à noite e aos sábados abertos para toda a população, a Escola Livre de Música Eletrônica abre suas portas neste sábado, 26 de abril, às 19h, na Rua Geni Saraiva 1110, em Cerâmica. Na inauguração, MC's e a exibição de L.A.P.A, de Cavi Borges e Emílio Domingos, garantem o embalo!


SANTO FORTE
Todos os santos e orixás protegeram a abertura do Iguacine, na noite de quinta-feira, 25 de abril. Não teve lugar para todos que quiseram ser abençoados pela primeira exibição nacional do documentário "Devoção", de Sérgio Sanz. O prefeito Lindberg Farias veio direto do aeroporto para entregar um troféu ao diretor, homenageado pelo festival devido sua militância em favor da causa do cinema.

FIM DA SECA NO CEARÁ
O secretário de Cultura e Turismo e idealizador do Iguacine Marcus Vinícius Faustini e o prefeito Lindberg Farias tomaram café com o representante do CurtaCanoa. No menu, a participação de cineastas iguaçuanos no festival do curta-metragem realizado em setembro passado no paraíso cearense.

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No escurinho do cinema

Casal de jovens descobre magia do cinema com crianças do Bairro-Escola

Por Natália Ferreira
Imagens - Gabriela Gama

Minha primeira vez no cinema foi maravilhosa. O filme me chamou muito a atenção. Foi o Mutum, de Sandra Kogut. O filme conta a história de um menino que via o mundo de uma maneira diferente e distorcida, pois ele é míope. Mas ele e nós , os expectadores, só descobrimos isso no final.

Bom, voltando ao assunto anterior, minha primeira vez no cinema foi uma experiência muito boa. Gostei muito. Para ser sincera, só não gostei daquela criançada toda. Eles tocaram o maior rebu. Foi difícil prestar atenção na história.

Levei meu ex-marido comigo. Também foi a primeira vez dele. Ele gostou muito, mas ficou um pouco impaciente. Ele diz que não consegue ficar muito tempo parado num lugar só. Mesmo assim, tomou gosto. Disse que vai repetir a dose.

Ana Luísa Martins Costa, a roteirista do filme, estava lá. No fim da sessão, ela disse para a garotada que se inspirou no livro Manoelzão e Miguilim, de Guimarães Rosa. Ela gostou muito do livro e resolveu fazer o filme com sua amiga Sandra Kogut. Sempre que se encontravam, as duas falavam do desejo de adaptar a história de Miguilim para o cinema.

Ela disse que as cenas de que mais gostou foram a do menino tocando a boiada e a do banho do passarinho, onde as crianças faziam um chuveirinho com a boca perto da gaiola. Ela disse também que a cena de que o menino Thiago (o ator principal) mais gostou foi a que ele dava banho na cachorra Rebeca.

Mutum não é como Tropa de elite e Cidade de Deus, que eu assisti no DVD que os meus pais compraram há cerca de um ano. Mutum fala de um outro tipo de Brasil. A gente pensa que o Brasil de Mutum não existe mais, mas ele é tão real quanto as favelas cariocas. Que bom que a Sandra Kogut e a Ana Luísa mostraram esse pedaço do mundo para a gente.

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Desbravador do Cinema brasileiro marca presença no iguaCine

“O que eu espero já ocorreu, ou seja, esse Festival colocou Nova Iguaçu no universo cinematográfico”. Sérgio Sanz

Por Flávia Ferreira
Fotos - Wallace Dutra e imagens da internet


Ele está na pequena área desde 1958. Foi assistente de direção de Ruy Guerra, Saraceni, Fernando Coni Campos e Flávio Tambellini, o pai. João Sergio Barreto Leite Sanz já exerceu várias funções dentro da 7° arte. Foi assistente, montador, fotógrafo, diretor. Tudo isso exercendo também a função de educador, a qual poucos se aventuram a entrar.

A história e as tradições populares sempre estiveram na linha de mira de Sanz. No longa Soldado de Deus, ele fez uma revisão crítica do integralismo no Brasil e já em seu último longa, Devoção, retoma o tema de um curta seu de 1995: 'Antônio de Todos os Santos'. Este filme fala sobre os paralelos sincréticos entre Santo Antônio e Ogum. O documentário de Sanz teve sua primeira exibição ontem, 24 de Abril, no 1° Iguacine - Festival de Cinema de Nova Iguaçu.

A próxima investida deste desbravador do cinema será o documentário Tambores de São Luís, que será rodado no Maranhão. Aproveitando a presença de Sérgio Sanz no festival, conversamos um pouco sobre sua vida, sua carreira e sobre o festival. Confira abaixo como foi.

Você é viajado na carreira educacional, mas qual a importância de se ensinar arte atualmente?
Tanto o teatro quanto o cinema são formas de arte sensacionais. Eu chamo de cinema toda a imagem que tem movimento, porque se não tiver será fotografia.


No cinema, você consegue se expressar sem necessariamente estar ligado a uma indústria. Você pode pegar uma câmera e sair para fazer um filme com mais um amigo, que pode ser uma obra extraordinária, ou qualquer outra coisa que queira.

O aumento de TVs comunitárias faz com que o cinema, neste século, venha com mais força. Estas TVs ajudam a difundir a comunicação cinematográfica pelo país, e acho que com a vinda do digital, a democratização da informação vai chegar.

O que você trouxe dessa carreira como educador para sua carreira como cineasta?
Basta ver algum de meus filmes para perceber que no fundo, ou talvez no raso, tem muito de pesquisa, e isso é uma coisa originária do ensino, de estudar.

Em 2004, já após consideráveis anos no ensino, você gravou o documentário Soldados de Deus. E em 2005 decidiu se dedicar as gravações de longas e documentários. Como aconteceu esta transição?
Eu nunca parei de filmar em minha vida. Mesmo no exílio continuei filmando. Meu primeiro filme foi em 1963 e era extremamente jovem. Foi um documentário premiado na Alemanha.


Como surgiu a história do filme “Devoção”?
O brasileiro é este filme. Ele é devoto, tem fé e acredita. Então, a partir daí, resolvi fazer um filme sobre as pessoas que acreditam nisso.

Escolhi o Candomblé e a igreja católica porque são as religiões mães. Do candomblé saem várias coisas, inclusive a umbanda. E da Igreja católica retiram-se todas as outras religiões cristãs, como a Batista e a Protestante, que surgiu quando Lutero rompeu com a igreja católica. Elas são as duas religiões mães

A única religião que deixei de fora foi o judaísmo, que não tem grande influência no Brasil, comparada com a da cultura européia e da cultura negra.

Neste filme, você mostra Santo Antônio como um santo guerreiro. Porém, normalmente, ele é visto como um santo casamenteiro. Onde descobriu esse novo conceito de Santo Antônio, que pode ser visto como uma profanação para seus seguidores?
Santo Antônio é tudo como tento mostrar no filme. Ele não é guerreiro pelo fato de nunca ter guerreado. O fato é que ele foi extremamente culto, ele criou inúmeras bibliotecas, das quais surgiram os conventos.

E a história do sincretismo se dá porque cada lugar acha que o santo é uma coisa. No Rio de Janeiro, Oxóssi é Santo Antônio e São Jorge, e Ogum também é São Jorge e Santo Antônio. Já na Bahia e no Maranhão, só Ogum é Santo Antonio.

Existe, aqui no Brasil, uma mistura cultural muito grande. Eu escolhi Santo Antônio por ser o santo de maior devoção nos países de língua portuguesa. Existem algumas regiões do Brasil em que o convento de Santo Antônio recebe soldo, como se ainda fosse do exército, ou como se o Santo estivesse vivo. Uma vez li em uma matéria que existe uma cidade na Bahia que dá a Santo Antônio soldo de vereador. É uma coisa muito louca. Como um santo que morreu há quase 800 anos pode receber um soldo como se estivesse vivo? Isso sim é devoção.

A religião afro-brasileira sempre foi vista como um drible que os negros deram nos padres brancos, mas parece que seu filme quer mostrar que na verdade foram os padres brancos que ludibriaram os escravos, aproximando-os dos santos portugueses e afastando-os dos orixás dos seus ancestrais. É isso?
É verdade. Tanto que, em um dos takes do filme, é dito que os portugueses perguntavam aos negros: “Você quer ficar vivo ou ser católico?" Os que não queriam, eram mortos. Na realidade, eles foram convertidos à força, não por ficarem convencidos que a igreja católica era melhor que o candomblé. Os escravos não tinham direito a nada!

Como você vê as novas formas cinematográficas que surgem com a popularização da internet?
Isso é quase imprevisível. Mas acho que virá muita coisa nova por aí. Não pela internet, mas por conta das TVs digitais. A internet tem uma imagem muito pequena e a TV gera muito mais importância, pois chega mais fortemente na casa das pessoas.

Sobre a homenagem prestada a você na abertura oficial do festival. Como foi seu sentimento quando subiu no palco e recebeu o prêmio?
Fiquei, assim como foi visto, muito gratificado e muito emocionado com tudo que foi dito.

Com quais olhos enxerga a produção cinematográfica em e de Nova Iguaçu?
Com bons olhos. Espero que continue acontecendo, crescendo e que venha a mudar algumas coisas no cinema; que apresente coisas interessantes. Tenho muita confiança nas periferias. Baden Powell foi um dos maiores compositores brasileiros e não saiu do Leblon, e sim da periferia. Confio e acredito nas produções que podem sair daqui.

Você acha que a Escola Livre de Cinema pode viabilizar essas produções?
Acredito que é o caminho.

O que você espera que ocorra nesse festival?
O que eu espero já ocorreu, ou seja, esse Festival colocou Nova Iguaçu no universo cinematográfico. Tem gente de vários estados inscritos neste festival. Hoje, Nova Iguaçu, graças a esse festival, existe no mundo cinematográfico. Agora só falta vocês aprimorarem os estilos.

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quinta-feira, 24 de abril de 2008

O quitandeiro que ama o cinema

Curador do Iguacine revela os critérios de seleção do festival

Por Aninha Paiva
Imagens - Daniella Vieira e Aline Maciel

Rodrigo Fernandes da Fonseca devia ter sido quitandeiro, como os pais portugueses, que o criaram no Morro do Adeus. Mas os golpes de Rocky, um lutador, tiveram o poder de mudar a sua trajetória. É por causa do filme que catapultou Silvester Stallone para a fama que ele hoje é o crítico de cinema do jornal O globo e um dos quatro curadores do Iguacine – os outros foram os jornalistas Marco Antônio Barbosa e Mariana Filgueiras e o antropólogo Emílio Domingos.
Nossos repórteres caíram de pára-quedas na redação de O globo, sentindo-se tão estranhos quanto ele no período em que freqüentou o curso de produção editorial da UFRJ, na Praia Vermelha. A diferença é que Rodrigo Fonseca é gente como a gente e, ao contrário dos mauricinhos com que conviveu nos tempos de faculdade, logo deixou a nossa equipe à vontade.

Qual a importância do Iguacine?
O Iguacine é um espaço de troca e de afirmação de um movimento que se estabeleceu em Nova Iguaçu para criar um espaço de produção e discussão do cinema. A idéia é que a gente aborde e integre o maior número possível de jovens realizadores e jovens estudantes de cinema para que construam uma produção e principalmente ampliem os limites da Escola Livre de Cinema, que tem sido um espaço de discussão teórica mas de produção prática também.

Qual o critério de seleção dos filmes?
Você percebe a qualidade de um filme quando ele consegue comunicar a sua proposta, quando você entende o que ele quer dizer. Se no fim do filme o cara consegue se manter fiel a isso, seja te surpreendendo, seja simplesmente executando a proposta até o fim, ele tem qualidade. A questão é fazer uma análise comparativa, passando uma peneira nos filmes que preencherem esses requisitos.


No Iguacine, a gente teve uma grande mistura dos critérios da curadoria. A idéia da curadoria era promover um equilíbrio entre os filmes que têm uma experimentação de linguagem, que proponha algo novo, e os filmes que conseguem manter uma comunicação com a platéia, seja pela chave do riso, seja pela chave do melodrama ou pelo suspense imediato.

Faria alguma diferença na sua vida se tivesse um festival desses lá em Bonsucesso?
Faria uma enorme diferença na minha vida se tivesse um festival desses onde eu nasci, onde não tem cinema há quase quarenta anos. Minha vida teria sido muito melhor, pois teria alugado ou comprado menos filmes. A minha mãe também não ficaria tão preocupada nas vezes que sumi para ir ao cinema.

Como é que o filho de um quitandeiro do Morro do Adeus se torna um dos principais críticos de cinema do Rio de Janeiro?
Eu me tornei um crítico de cinema porque deus existe, porque fiz macumba, sei lá mais o quê. A competitividade hoje, seja a área que for, é muito grande e muito árdua. Na minha época, as pessoas da Zona Sul, além de todas as facilidades de uma vida de classe média, tiveram mil cursos que minha geração não teve. Não era só uma questão de dinheiro. Não havia curso de fotografia em Bonsucesso. Hoje, vocês têm e devem aproveitar isso.
Meu professor de literatura da Penha dizia uma frase que jamais esqueci: “a cultura nunca vêm atrás de você.” A cultura é a forma de saber mais excludente que existe. Você tem que conquistá-la. Você tem que ir atrás dela. Ela não é como o esporte. Se Deus ajudar, se você tiver algum talento, você pode virar um Pelé se comprar uma bola dente de leite no armarinho. Cultura não é assim. Você tem que correr atrás. Tem que estudar. No caso do cinema, tem o processo de renovação contínua, onde hoje uma nova cinematografia é revelada quase que semanalmente.

Até que ponto a subjetividade de um suburbano influenciou no seu gosto cinematográfico?
O peso da nossa formação, do lugar de que a gente vem, sempre vai influenciar nas nossas escolhas. Mas isso vai ser inconsciente. Você só percebe depois, ao refletir sobre os filmes que viu, aquilo que você gostou. Quando vou ver um filme, eu não vou ver a fotografia tal. Eu me abro completamente. Se o cara consegue me prender e aquilo fica dentro de mim, o que eu vou avaliar é o que ficou dentro de mim. Aí eu vou chegar a um consenso.

Qual o legado do Iguacine?
O Iguacine é um espaço de troca onde os estudantes terão acesso a essa mescla de linguagens. A gente está tentando criar um cinema de linguagem num lugar em que o cinema ainda é um sonho.que está se tornando uma realidade. A idéia é a gente potencializar isso.

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O boletim do Iguacine

O lanterninha sensacionalista

Forças ocultas
Por causa de uma viagem emergencial, a oficina do mestre José Carlos Avellar, inicialmente marcada para a tarde de sábado no Espaço Sylvio Monteiro, foi transferida para as sete horas da noite desta sexta-feira, na Secretaria de Cultura e Turismo (Avenida Nilo Peçanha, 480, 2º andar). Corra, Lola! Corra, Forest! As vagas são limitadas!

Escândalo
Antes do lançamento oficial, que será feito na noite de hoje com a homenagem ao documentarista Sérgio Sanz, o Iguacine já atraiu mais de mil pessoas para atividades promovidas nas suas primeiras 24 horas.

BLOGUEIRA ESPIA PELO BURACO DA FECHADURA
A blogueira Natália Ferreira, que, apesar de ter 22 anos, também nunca foi ao cinema, acompanha a primeira vez das crianças no escurinho. Confira a cobertura deste e outros babados no blog Jovem Repórter, uma parceria da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu com o Projeto Bairro-Escola.

EVANGÉLICO ESPREME CINEASTA NA PAREDE: SERÁ QUE DÁ SUCO?
O blogueiro Jason Silva foi a Santa Teresa entrevistar o cineasta Sergio Sanz, homenageado do Iguacine. Com uma rígida formação evangélica, o blogueiro do Jovem Repórter questiona a visão sincretista apresentada por Sanz no documentário Devoção, que faz sua estréia nacional nesta quinta-feira 25 de abril, às 21h, no Espaço Cultural Sylvio Monteiro (R. Getúlio Vargas n. 51 - Centro de Nova Iguaçu).

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Impressões de viagem

Blogueira mostra bastidores das entrevistas com crítico de cinema Rodrigo Fonseca e com cineasta Sérgio Sanz.

Por Aline Maciel

Imagens - Danilla Vieira

Foi uma experiência bem legal para mim e meus companheiros Aninha Paiva, Daniella e Jason, esse trajeto até o Rio. Estávamos indo fazer duas reportagens para o blog.

Saímos da agência e fomos ao posto de gasolina da Prefeitura para abastecer o carro. De lá pegamos a via Dultra em direção ao jornal O Globo, no Centro do Rio de Janeiro. Estávamos um pouco apreensivos, pois era a primeira vez que sairíamos da Baixada para entrevistar alguém e ainda não sabíamos ao certo como agir.

Nós entrevistaríamos o crítico de cinema Rodrigo Fonseca e o cineasta Sérgio Sanz, que será homenageado no Iguacine. As duas entrevistas foram maravilhosas. Rodrigo Fonseca nos contou coisas interessantes sobre sua vida, seu trabalho e o Iguacine, do qual foi um dos curadores. Ele nos recebeu muito bem redação do jornal.

Vimos muitas coisas legais no nosso trajeto da agência até lá. O trabalho terminou funcionando com um passeio turístico para nós, pois era a primeira vez que saíamos juntos para uma matéria fora de Nova Iguaçu. Quase tudo era novidade para nós.

Fomos pela Linha Vermelha. O dia estava lindo e o trânsito fluía normalmente. Para diminuir a tensão, observamos a paisagem. Eram pequenas coisas que na maioria das vezes não percebemos nem damos valor. Um avião decolou no aeroporto bem na hora que estávamos passando, os raios de sol brilhavam nas águas do Piscinão de Ramos, imensa favela da Maré em sua grande extensão.

Sabíamos que o jornal ficava perto do sambódromo, mas nos perdemos quando achamos que já estávamos chegando. Só conseguimos achar o caminho para o jornal O Globo quando paramos para pedir informação.

Depois da conversa com Rodrigo Fonseca, seguimos em direção a Santa Teresa, onde seria a próxima entrevista. Foi um “passeio” bem interessante, pois ninguém da equipe havia ido a Santa Teresa.

Como fui no banco da frente, pude eternizar esse momento com algumas fotos do local. Vários turistas passeando pelas ruas, trabalhadores fazendo reparos nos trilhos do bondinho, aqueles morros enormes e com tantas histórias para contar...

A casa do nosso entrevistado fica bem no topo e ao lado de um mirante maravilhoso, de onde tínhamos a vista de uma parte bem legal do Rio de Janeiro e assistimos a um pôr do sol espetacular, uma coisa linda, digna de uma pintura. Mas como infelizmente isso não seria possível naquele momento, o jeito foi eu registrar o momento com uma bela foto.

A volta para casa foi bem legal. Estávamos todos mais relaxados, com a sensação de dever cumprido. Já tínhamos feito amizade com Rafael, o nosso motorista, e a conversa correu solta em todo o trajeto de volta. Nem mesmo o cansaço e o tremendo engarrafamento provocado por um cano quebrado na Avenida Presidente Vargas conseguiu acabar com nossa alegria. Eram quase dez da noite quando chegamos em casa e levamos uma bronca de nossos pais. Mas foi muito bom. Valeu a pena.

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Experimentações contemporâneas

Oficinas culturais do horário integral procuram uma expressão mais contemporânea


Por Angélica Fernandes e Jéssica Silveira

Todas as segundas-feiras, cerca de cem pessoas se reúnem no teatro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro. Todas elas estão direta ou indiretamente ligadas às oficinas culturais por meio das quais o Programa Bairro-Escola está revolucionando a educação brasileira. À frente desse grupo, estão o secretário adjunto de Cultura e Turismo, César Migliorin, e o coordenador das oficinas culturais, Rômulo Sales.

Atualmente, esse grupo atende as 40 escolas municipais que aderiram ao programa. “Mas o objetivo é trabalhar com todas as 105 escolas municipais de Nova Iguaçu”, explica César Migliorin, responsável pelas mudanças em curso no programa.

As oficinas culturais atendem ao que se chama contraturno, permitindo que as crianças do ensino básico tenham educação em horário integral. Depois do conturbado período de implantação, que foi praticamente imposta às escolas municipais de Nova Iguaçu, as oficinas estão procurando um maior diálogo com o corpo docente. “Queremos que a direção e os professores tenham uma maior participação no horário integral”, revela César Migliorin.

Além de promover a integração entre arte e educação, as oficinas culturais têm o objetivo de potencializar as características e manifestações locais. “Procuramos nos adaptar à realidade de cada bairro”, diz o coordenador Rômulo Sales, que está no projeto desde a sua implantação. “Para isso, criamos a função de coordenadora geral do horário integral”, acrescenta o coordenador. Segundo ele, a coordenadora do horário integral faz a interface entre a escola, a comunidade e as oficinas oferecidas pelo Bairro-Escola.

As oficinas culturais são tocadas por um grupo de cerca de cem estagiários, chamados de oficineiros. Esses jovens, todos eles universitários, passam por um período de formação coordenado pela secretaria municipal de cultura e turismo e só então são mandados para o campo de batalha. As oficinas, realizadas duas vezes por semana, são feitas nas escolas ou em espaços culturais oferecidos pela comunidade. “A principal característica do nosso trabalho é a liberdade de experimentação”, diz Rômulo Sales.

As oficinas estão diante de grandes desafios, a começar pela própria percepção de cultura da população. “Temos que esclarecer para a população que a cultura não está restrita às manifestações artísticas”, explica Rômulo Sales. “É também, mas é muito mais.” Essa percepção é importante porque as oficinas atendem a um público de seis a onze anos. “As crianças não podem ficar tensas enquanto desenvolvem atividades artísticas.”

Também não tem sido fácil administrar o diálogo com as arte-educadoras, que em geral trabalham com um formato de oficina cultural voltado só para arte educação. “Essas oficinas são muito previsíveis”, alerta César Migliorin. Para propor oficinas mais contemporâneas, os coordenadores das oficinas culturais não se restringem a aperfeiçoar o processo de formação dos estagiários. “Temos que estar dialogando constantemente com a escola.”
Outro grande desafio das oficinas está na manutenção de um grupo sólido e coeso. “Como trabalhamos com estagiários, a rotatividade é muito grande”, confessa Rômulo Sales. Isso é bom porque mostra que as propostas do Bairro-Escola estão se tornando uma referência para o mercado de trabalho, que está absorvendo os profissionais que passam pelas oficinas culturais do horário integral. “No entanto, isso é ruim porque nós e as crianças ficamos sem muitos deles.”

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A primeira vez a gente nunca esquece

Crianças do Bairro-Escola entrevistam roteirista do filme Mutum


Por Crianças Repórteres de Nova Iguaçu

O Iguacine foi aberto com a sessão 'Minha primeira vez na cinema'. Reuniu uma pequena multidão formada principalmente por crianças da Escola Livre de Cinema para assistir ao filme Mutum, de Sandra Kogut. A roteirista Ana Luísa Martins Costa foi prestigiar a sessão, depois da qual foi sabatinada pelas crianças do Bairro-Escola. Foi uma dupla estréia. Além de irem a primeira vez ao cinema, elas fizeram a primeira entrevista.

De onde veio a idéia deste filme?
Li a história de Guimarães Rosa e gostava muito dela. Quem dirigiu o filme foi Sandra Kogut. Ela escreveu o roteiro comigo. A gente, sempre que se encontrava, falava: “gostaria de filmar essa história.” O que a gente achava legal é que a história é contada do ponto de vista de um menino de dez anos. Como é que ele vê o mundo. A gente queria fazer um filme que contasse a história de como o menino vê o mundo.

Qual a foi a parte mais difícil de filmar?
A história tem alguns momentos muito tristes. Desde o início, a gente não sabia como ia filmar a morte de Felipe. O elenco era formado por crianças sem nenhuma experiência de interpretação. Eram crianças que a gente selecionou ao longo de um ano, indo em escolas rurais do interior de Minas Gerais, conversando com elas em sala de aula. Vimos mais de mil crianças até selecionar os meninos que vocês viram no filme. Por isso foi tão complicado fazer aquela seqüência.

Eu não entendi uma parte do filme. Ou seja, tudo. Gostaria que a senhora me explicasse.
Esse filme tem um mistério que só se resolve no final. A gente passa a história inteira sem saber que esse menino, o Tiago, o protagonista da história, é míope. O míope é aquela pessoa que enxerga muito bem de perto, mas o que está longe fica tudo desfocado. Tem várias coisas que acontecem no filme que você não entende o porquê. Quando está indo levar a comida para o pai, Tiago se assusta porque não enxergava muito longe e não sabia o que estava se mexendo na mata. Tudo era meio nebuloso. Tem uma situação em que ele está na roça, em que o pai pergunta o que ele acha do feijão. Ele não está vendo feijão algum e por isso fica quieto. Tem muita coisa que acontece com os adultos que é sempre meio nebulosa. É mais ou menos o jeito como ele enxerga. Ele sabe que tem um problema do pai com a mãe, mas ele não sabe direito o que está acontecendo. Isso é parecido com a forma como ele vê o mundo.

Qual foi a cena que você mais gostou?
Vou contar primeiro a cena que o Tiago mais gostou de fazer. Eu já disse que, pra gente fazer o filme, a gente viajou à procura de pessoas que viviam daquele jeito mesmo. Então, a cachorrinha é a cachorrinha mesmo do Tiago, e ela se chama Rebeca mesmo. Quando a gente foi fazer o filme nesta fazenda, a gente foi lá na casa dele. Ele mora numa fazenda igual à do filme, num lugar muito isolado, chamado Capivara de Cima. Todo dia, para ir para a escola, ele tem que andar quarenta minutos pra pegar um ônibus para ir até uma cidadezinha. Então a gente levou a cachorrinha para o set de filmagem e ela ficou o tempo todo lá. Na história original, a cachorra tem um outro nome. Mas não dava pra gente mudar o nome dela, que ficou sendo a cachorrinha Rebeca. E o Tiago adorou a cena em que ele dá banho na Rebeca.

Eu gosto muito de duas cenas. A primeira é a cena em que ele está andando com a boiada, depois da briga com o pai, quando os dois quebram tudo. Ele sai e fica superfeliz quando está no meio daqueles bois, naquele lugar bonito. Os bois enchem a tela. Eu acho muito bacana.

Eu também gosto da cena do banho dos passarinhos, que acho muito engraçada. Muita coisa no filme era do jeito como eles faziam. O filme tem muito de cinema-documentário. Rosa, a faxineira, mora na região e cozinha daquele jeito, veste-se daquele jeito. A gente filmou muito parecido com o jeito como eles são. Tinha uma cena que a gente ia fazer com os passarinhos e aí a gente perguntou aos meninos como eles tratavam os bichinhos. A menina disse: "ah, eu dou banho de chuveirinho. O passarinho gosta."

Quando esse filme estreou e como está sendo a carreira dele?
Esse filme estreou em setembro, no festival de cinema do Rio. Esse filme já passou em vários festivais, e ganhou muitos prêmios. Foi para Cannes, Berlim, Bogotá, Cuba, Holanda. Tem toda uma trajetória premiada, mas aqui, no Brasil, ele ficou pouco tempo em cartaz. Isso é um problema de distribuição. Tem filmes de Hollywood, que ocupa os espaços. O filme ficou pouco tempo em cartaz, e mais concentrado na Zona Sul. A gente não tem controle sobre isso. A gente gostaria que o filme fosse para os outros lugares, mas isso não tem jeito. Agora a gente está indo para outras praças. A gente foi para Porto Alegre, Salvador, Recife, Belo Horizonte. A gente também não tem muitas cópias. Cada vez que passa o filme é uma oportunidade. No final do ano, ele sai em DVD e mais pessoas terão acesso.

Por que ele não entregou a carta para a mãe?
Você pegou uma cena muito boa. É quando ele fica se perguntando o que é certo e o que é errado. Ele viu, com seus olhos míopes, que o tio teve uma briga com o pai. Ele também vê que o pai briga com a mãe. Ele percebe que tem uma coisa estranha acontecendo, e que o tio é expulso de casa. Quando o tio pede para ele entregar a carta, Tiago não fala nada, fica pensativo. Ele faz aquele buraco na parede, fica observando o pai comendo à noite, pergunta para a avó o que é certo e errado. Ele adora o tio, mas ele também sente que, se entregar o bilhete, estaria traindo o pai, o que ele não quer fazer. Tiago fica tão paralisado com a dúvida que sequer consegue tirar a calça para dormir. Acho engraçado quando ele diz para o irmão que não vai tirar a calça porque fez uma promessa. Ele não consegue nem se mexer. Ele não entrega por uma questão de lealdade com o pai. Acho isso bacana.

Como a senhora conheceu essa história e de onde surgiu a idéia de fazer o filme?
Eu li um livro – o Manuelzão e Miguilim. Dentro desse livro tem uma novela chamada Campo geral. O personagem principal dessa novela é Miguilim. Mas no filme ele se chama Tiago. Não tinha como mudar o nome de Tiago. Nem o dele nem o de Felipe, o de João Vitor. Tudo ali é de verdade. A avó é a avó de verdade dele. Antes das filmagens, a gente os colocou para morarem na fazenda em que o filme foi rodado. Eles chamavam o personagem que fazia o pai de pai. Eles chamavam a mãe de mãe. Ficaram vivendo como se de fato fossem uma família. Mas eu sempre gostei dessa história e sempre quis adaptá-la para o cinema. Essa coisa da visão, que ele enxerga tudo desfocado, é muito cinematográfica.

Por que o nome do filme é Mutum?
Na história, Mutum é o nome da fazenda. Mas Mutum é um pássaro preto, de cerca de meio metro de altura, que está em extinção. É muito engraçadinho. Tem um topete que mais parece um cabelo à moicano. E ele é um pássaro que canta à noite. Tem um gemido triste. Faz assim: mu-tum, mu-tum. Daí o nome. A história tem uma certa tristeza, pois Tiago perde o irmão e no fim ele deixa o lugar que mora. Por isso, achamos o nome adequado.

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quarta-feira, 23 de abril de 2008

Seleção para os sonhadores

Oitenta jovens participam da segunda etapa do processo de seleção para a Escola Livre de Cinema.

por Flávia Ferreira
foto Mariane Dias

Não foi só Nova Iguaçu que participou do processo de seleção para as novas turmas da Escola Livre de Cinema do município. Vieram também pessoas de Botafogo, São João de Meriti, Nilópolis, entre outros municípios e subúrbios do Rio de Janeiro. Cerca de 80 pessoas participaram da segunda etapa do processo de seleção, que ocorreu neste dia 22 de Abril. Apenas 30 serão chamadas.

Após a leitura minuciosa de uma redação sobre o filme Tropa de Elite, que eliminou 300 dos 400 participantes da primeira etapa, os candidatos foram chamados para uma entrevista com o professor Roberto Souza Leão. Nessa entrevista, foram feitas perguntas sobre a experiência profissional na área cinematográfica do candidato, de onde surgiu a idéia de fazerem cinema, como ficaram sabendo das novas turmas e como viabilizariam financeiramente suas produções.

Grande parte dos candidatos tinha conhecimento na área teatral e estava à procura de uma nova forma de fazer arte. Esse é o caso de Eduardo Gomes, 25 anos, ator e diretor teatral. "Essa escola dá acesso à cultura e a um mecanismo de comunicação forte e formador de opinião. Nos mostra que não basta pegar em uma câmera e fazer um besteirol qualquer", diz ele.

Eduardo, assim como muitas outras pessoas, sempre quis fazer cinema, mas não ingressou nessa carreira por causa de problemas financeiras. Mas fez sua inscrição tão logo tomou conhecimento da Escola Livre de Cinema.

Porém não é tão fácil como parece. Muitos candidatos dizem 'tremer nas bases' quando entram na sala e dão de cara com os entrevistadores, como foi o caso de Ester. Com 17 anos, ela ficou com medo por não conseguir perceber no olhar deles o que vão falar, mas que se interessa pela área. "Não tenho experiência alguma com cinema, mas estou interessada pelo que posso aprender. Meu desejo aqui é crescer."

O resultado final desta seleção sairá no dia 26 de abril. Será divulgado no Espaço Cultural Sylvio Monteiro, durante a palestra sobre Cinema e Literatura de José Carlos Avelar.

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